segunda-feira, março 9, 2026
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Eleições, juros altos e clima extremo são os principais desafios do agro em 2026


Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Toda vez que um ano eleitoral se aproxima, eu costumo ouvir a mesma pergunta no campo, na indústria e nos mercados: “Vai ser um ano bom ou ruim?” A resposta nunca é simples, e em 2026, menos ainda.

O que dá para afirmar, com segurança, é que não será um ano tranquilo. Nem no Brasil, nem fora dele. O mundo ainda tenta digerir os excessos da expansão monetária dos últimos anos, os juros seguem elevados em termos históricos, o crescimento global patina e o sistema financeiro opera sob tensão. Aqui dentro, somam-se as eleições, que sempre trazem volatilidade, ruído e decisões que nem sempre obedecem à lógica econômica.

Maílson da Nóbrega resumiu bem o cenário ao afirmar que 2026 será um ano de volatilidade. Concordo. E acrescento: não será apenas volatilidade de mercado, mas de expectativas. Promessas de um lado, cautela do outro, e um pós-eleição que já nasce pressionado por um quadro fiscal apertado.

Como se política, juros e câmbio não bastassem, há ainda um fator que o produtor conhece de perto: o clima. Eventos extremos, chuvas irregulares e períodos mais longos de estresse hídrico aumentam a imprevisibilidade da produção e reforçam a necessidade de planejamento mais conservador.

Mais do que tentar adivinhar para onde vão juros, câmbio ou preços, a pergunta correta para o agro é outra: como atravessar 2026 sem perder o controle do negócio?

Da porteira para dentro: menos emoção, mais método

Para o produtor rural, 2026 não será um ano para decisões impulsivas. Discursos otimistas sempre surgem em anos eleitorais, mas o custo do dinheiro segue alto e a volatilidade pode engolir margens rapidamente.

O foco precisa estar em controle de custos, produtividade real e preservação de caixa. Investir só onde o retorno é claro. Evitar alavancagem excessiva. E entender que travar preços quando a margem aparece não é perder oportunidade, é garantir sobrevivência.

2026 não será o ano de acertar o melhor momento do mercado. Será o ano de errar menos.

Da porteira para fora: crescer sem margem é armadilha

Na agroindústria, o cuidado precisa ser redobrado. Estímulos ao consumo e expectativas políticas costumam criar uma falsa sensação de crescimento. O risco está em confundir volume com resultado.

Com juros ainda elevados e câmbio sujeito a solavancos, crescer sem margem é receita conhecida para problemas de caixa. A indústria que atravessa bem ciclos como esse é aquela que trabalha com contratos bem amarrados, estoques ajustados e disciplina financeira.

Mais do que expandir, 2026 exigirá eficiência.

Exportações: essenciais, mas não blindadas

O agronegócio seguirá sendo a grande âncora externa do Brasil. As exportações continuarão fundamentais, mas é um erro achar que isso garante tranquilidade automática.

O cenário global segue frágil, com crescimento limitado e alta sensibilidade a juros e conflitos comerciais. Os preços podem oscilar com força ao longo do ano, e o câmbio brasileiro tende a reagir a qualquer ruído político.

Para o exportador não dá para operar contando com um único cenário. O hedge cambial deixa de ser sofisticação e passa a ser ferramenta básica. Diversificar mercados, cuidar da logística e proteger margem será tão importante quanto produzir bem.

2026 será vencido por quem for disciplinado

Não se trata de pessimismo. É realismo. 2026 não premiará quem apostar alto esperando um cenário perfeito. Vai premiar quem fizer o básico muito bem feito.

Produtores com custos sob controle e dívida administrável terão mais resiliência. Indústrias que priorizarem eficiência atravessarão o ano com menos sustos. Exportadores que entenderem que volatilidade é regra e não exceção estarão mais preparados.

Em anos como 2026, o agro não vence tentando adivinhar o futuro. Vence fazendo bem o dever de casa, todos os dias.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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