Entidade avalia cenário de ajustes na citricultura
No cenário de preços, as cotações na Bolsa de Nova York têm recuado
Agrolink
– Leonardo Gottems

No cenário de preços, as cotações na Bolsa de Nova York têm recuado – Foto: Pixabay
A abertura da safra 2025/26 revela um ambiente mais seletivo na compra de laranja, diferente do padrão adotado no ciclo anterior, segundo relatório do Itaú BBA. A previsão de 307 milhões de caixas convive com menor interesse por frutas de baixa qualidade, enquanto a indústria direciona esforços para elevar o padrão do suco ofertado. O foco recai sobre lotes com ratio mais alto, estratégia que busca recompor a qualidade dos estoques e apoiar a retomada da demanda. Esse movimento resultou em um início de colheita mais tardio, voltado a garantir ganhos de maturação antes do processamento.
No comércio internacional, os embarques dos primeiros meses indicam possível mudança na rota tradicional do suco brasileiro. Caso o ritmo observado se confirme, esta poderá ser a primeira safra em que os Estados Unidos assumem a liderança das importações, superando a União Europeia. Entre julho e outubro, houve queda de 7% no total exportado, influenciada sobretudo pelo recuo europeu. Já o mercado norte-americano ampliou as compras em 42%, impulsionado pela menor produção local e favorecido pela retirada da tarifa adicional de 10%, fator que tende a reforçar a atratividade do destino.
No cenário de preços, as cotações na Bolsa de Nova York têm recuado e exercido pressão sobre o valor pago ao produtor. O mercado spot deve seguir abaixo de 50 reais por caixa ao longo da safra, comprimindo margens e reduzindo a rentabilidade de quem atua sem contratos fixos com a indústria. No campo, o avanço do greening permanece como ponto de preocupação. Informações da Fundecitrus mostram que a incidência e a severidade continuam em alta, ainda que com progressão mais lenta.

