terça-feira, março 10, 2026
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Tornado e ciclone expõem avanço do risco climático no Brasil, aponta relatório da Aon



Os temporais que atingiram a região Sul nos últimos dias, incluindo tornados com ventos de acima dos 300 km/h no Paraná, que provocaram 7 mortes e deixaram mais de 700 feridos, e um ciclone que provocou danos em ao menos 80 cidades no Sul e no Sudeste, voltaram a expor o crescimento da vulnerabilidade climática no Brasil.

O alerta consta no relatório Global Catastrophe Recap – 3º trimestre de 2025, divulgado pela Aon, empresa global de gestão de riscos e resseguros. Segundo o estudo, apesar de uma desaceleração na atividade global de desastres entre julho e setembro, as perdas econômicas mundiais já somam US$ 203 bilhões em 2025, sendo US$ 114 bilhões cobertos por seguros.

A diferença entre o total de prejuízos e o volume efetivamente segurado, chamada de lacuna de proteção, ficou em 44%, a menor já registrada para o período. Segundo a Aon, o resultado se deve principalmente à alta participação de eventos nos Estados Unidos, onde a cobertura securitária é mais ampla.

América do Sul tem perdas de US$ 6,7 bilhões

Na América do Sul, os desastres naturais causaram US$ 6,7 bilhões em perdas econômicas entre janeiro e setembro, impulsionadas por secas prolongadas, incêndios e tempestades severas. O Brasil aparece entre os países mais afetados.

A seca persistente, sobretudo no Centro-Sul, foi responsável por US$ 4,8 bilhões em prejuízos apenas no Brasil. Desse total, cerca de 10% tinham cobertura de seguro, segundo o relatório. O impacto atingiu diretamente o agronegócio e a geração de energia, com reservatórios e lavouras pressionados pela falta de chuvas.

Brasil registra recorde histórico recente de prejuízos

Os novos dados reforçam o diagnóstico de outro estudo da Aon, o Climate and Catastrophe Insight 2024, que apontou que os desastres naturais causaram mais de US$ 12 bilhões em prejuízos no Brasil no último ano, o maior valor já registrado.

As enchentes no Rio Grande do Sul lideraram o ranking dos eventos mais custosos em perdas seguradas da história do país.

Aumento da frequência exige avanço na gestão de risco

Para especialistas, a combinação de mais eventos extremos com baixa cobertura securitária expõe governos, empresas e produtores a riscos elevados.

“Enfrentamos perdas bilionárias associadas à seca e eventos extremos recorrentes, com cobertura ainda muito limitada. Investir em dados e modelagem catastrófica é essencial para reduzir o impacto econômico e social desses desastres”, afirma Beatriz Protásio, CEO de Resseguros para o Brasil na Aon.



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