sexta-feira, março 13, 2026
AgroNewsPolítica & Agro

Feijão carioca mantém preços altos no Paraná


A colheita da segunda safra de feijão já começou no Paraná, segundo o Boletim de Conjuntura Agropecuária divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). A área colhida passou de 1% para 3% dos 332 mil hectares semeados, volume ainda distante da conclusão, mas que já revela impactos climáticos sobre a produtividade.

Apesar da retração de 24% na área plantada em comparação à segunda safra de 2024, que foi de 435 mil hectares, o cultivo permanece significativamente maior do que o da primeira safra, encerrada em março, com 166 mil hectares. Com isso, a expectativa segue sendo de uma produção superior à registrada no primeiro trimestre do ano, quando foram colhidas 339,2 mil toneladas. Até o fim de março, a projeção era de 610,6 mil toneladas.

No entanto, as condições climáticas adversas já afetam as estimativas. As chuvas irregulares e de baixa intensidade têm limitado o desenvolvimento das lavouras. Conforme o Deral, as áreas classificadas como em boas condições passaram de 81% em março para 71% no levantamento atual. As lavouras em situação mediana aumentaram de 18% para 23%, enquanto aquelas em condições ruins subiram de 1% para 6%.

Esse cenário climático tende a afetar diretamente os preços no mercado. Em janeiro, o avanço da colheita da primeira safra pressionou os valores para baixo, especialmente para o feijão preto, que vem ganhando espaço frente ao carioca no estado. No dia 9 de abril, a saca do feijão preto era comercializada a R$ 151, valor inferior aos R$ 202 praticados no mesmo mês de 2024.

Por outro lado, o feijão carioca, ainda com oferta restrita, tem mantido preços mais elevados. “Nos próximos dias a entrada deste feijão será precificada pelo mercado, mas por hora ele apresenta um descolamento importante do feijão preto”, apontam os analistas do Deral. Em 8 de abril, as intenções de compra do feijão carioca chegaram a R$ 267,39 por saca, superando os R$ 223 registrados no mesmo período do ano anterior, mesmo com os descontos de qualidade.

Além das variações internas, o boletim chama atenção para os efeitos possíveis da guerra comercial entre China e Estados Unidos. O Brasil exportou recentemente volumes significativos de feijão para México e Venezuela. “Especialmente no caso do México, principal parceiro comercial dos Estados Unidos, podem ocorrer desdobramentos importantes de deslocamento de produção, além, claro, das oscilações cambiais”, alertam os técnicos do Deral.





Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *