A mediana das projeções do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026 recuou de 1,86% para 1,85%, segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (27). Há um mês, a estimativa também era de 1,85%. O levantamento reúne previsões de instituições financeiras e consultorias acompanhadas pela autoridade monetária.
Considerando apenas as 81 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, recorte mais sensível a mudanças recentes de cenário, a mediana passou de 1,89% para 1,87%. O dado mostra ajuste marginal nas expectativas de curto prazo para a atividade econômica de 2026.
Mesmo com a revisão, a projeção do mercado permanece acima da estimativa do próprio Banco Central. No Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre, a autoridade monetária projetou crescimento de 1,6% para o PIB em 2026. Já o Ministério da Fazenda trabalha com uma alta de 2,33%.
Para 2027, a mediana do Focus permaneceu em 1,80% pela 17ª semana consecutiva. No grupo das 78 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, houve nova oscilação, de 1,74% para 1,73%. Para 2028 e 2029, as medianas seguiram em 2,0%, pela 111ª e 58ª semana seguida, respectivamente.
As projeções de PIB são acompanhadas por agentes econômicos porque ajudam a balizar expectativas para consumo, investimento, arrecadação e condições de crédito. No agronegócio, esse acompanhamento também influencia decisões de planejamento, já que o ritmo da atividade econômica afeta demanda doméstica, custos financeiros e ambiente de negócios para produção, comercialização e aquisição de insumos e máquinas.
O quadro atual indica estabilidade nas expectativas de longo prazo e pequeno ajuste para 2026. As próximas edições do Focus devem mostrar se o movimento permanecerá pontual ou se haverá convergência maior entre as estimativas do mercado, do Banco Central e da equipe econômica.
Neste 26 de abril de 2026, a Embrapa celebra 53 anos de atuação, consolidada como uma das instituições científicas mais relevantes do país e referência global em agricultura tropical.
Criada oficialmente em 1973, a partir da Lei nº 5.851, a empresa nasceu com uma missão clara: desenvolver ciência, tecnologia e inovação para transformar a agricultura brasileira. Mais de cinco décadas depois, os resultados desse projeto são visíveis na produtividade do campo, na segurança alimentar e no posicionamento do Brasil como potência agroambiental.
Ao longo desse período, a instituição protagonizou uma transformação estrutural na agricultura nacional. Tecnologias desenvolvidas viabilizaram a ocupação produtiva de áreas antes consideradas marginais, como o Cerrado, além de impulsionar ganhos de eficiência em diferentes cadeias produtivas.
A construção de um projeto de Estado
A origem da empresa está diretamente associada à visão estratégica do então ministro da Agricultura, Luiz Fernando Cirne Lima, responsável por articular a criação de uma companhia pública voltada à pesquisa agropecuária.
Nesse processo, também teve papel fundamental o primeiro presidente, José Irineu Cabral, que liderou a implantação inicial e a estruturação de suas bases técnicas e organizacionais. Seu trabalho foi decisivo para consolidar o modelo de pesquisa que sustentaria o crescimento ao longo das décadas seguintes.
Na sequência, nomes como Eliseu Roberto de Andrade Alves contribuíram para a expansão e consolidação da atuação em diferentes frentes da pesquisa agropecuária. Ao longo da trajetória, a organização se caracterizou por uma gestão baseada em diretorias colegiadas, nas quais diferentes lideranças executivas tiveram papel relevante na condução estratégica.
Liderança atual e agenda de inovação
Atualmente, a empresa é presidida por Silvia Massruhá, desde maio de 2023. A gestão tem ampliado o foco em agricultura digital, inteligência artificial, sustentabilidade e novas fronteiras tecnológicas, mantendo a organização alinhada às demandas contemporâneas do agro.
Presidentes ao longo da história
Ao longo de seus 53 anos, a instituição foi conduzida por diferentes lideranças que ajudaram a consolidá-la como referência global em pesquisa agropecuária tropical. Desde sua criação, a gestão também se caracterizou por um modelo de decisões colegiadas, com participação ativa das diretorias executivas.
Confira os presidentes ao longo da trajetória:
José Irineu Cabral (1973–1978)
Eliseu Roberto de Andrade Alves (1979–1984)
Luiz Carlos Pinheiro Machado (1985)
Ormuz Freitas Rivaldo (1986–1988)
Carlos Magno Campos da Rocha (1989–1990)
Murilo Xavier Flores (1990–1995)
Alberto Duque Portugal (1995–2002)
Clayton Campanhola (2003–2005)
Silvio Crestana (2005–2009)
Pedro Arraes (2009–2012)
Maurício Antônio Lopes (2012–2018)
Sebastião Barbosa (2018–2019)
Celso Luiz Moretti (2019–2023)
Silvia Massruhá (2023–atual)
Rede nacional e diversidade de atuação
Com mais de 40 unidades de pesquisa distribuídas pelo país, a empresa atua de forma abrangente, contemplando diferentes biomas e sistemas produtivos. Além de centros já reconhecidos, como Embrapa Soja, Embrapa Gado de Corte e Embrapa Cerrados, outras unidades desempenham papel estratégico na diversificação da pesquisa nacional.
É o caso da Embrapa Hortaliças, Embrapa Territorial, Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e da Embrapa Semiárido, esta última responsável por avanços fundamentais na produção de frutas irrigadas no Nordeste brasileiro, contribuindo para o desenvolvimento regional e a geração de renda.
Essa capilaridade permite o desenvolvimento de soluções adaptadas às diferentes realidades do país, abrangendo desde genética e biotecnologia até manejo de solo, clima e agricultura de precisão.
Impacto econômico e social
Os avanços tecnológicos impulsionados ao longo das últimas décadas também tiveram reflexos diretos na economia e no consumo. Com o aumento da produtividade e da eficiência no campo, o preço real dos alimentos apresentou tendência de queda ao longo dos anos, ampliando o poder de compra da população brasileira e contribuindo para a segurança alimentar.
Mais do que ganhos produtivos, trata-se de um impacto estrutural que conecta ciência, economia e sociedade.
Um legado que projeta o futuro
Ao completar 53 anos, a instituição reafirma seu papel como um dos principais ativos estratégicos do Brasil. Sua trajetória demonstra como o investimento contínuo em ciência e inovação pode transformar realidades e posicionar o país de forma competitiva no cenário global.
Celebrar a Embrapa é reconhecer um projeto de longo prazo que segue em evolução, sustentado pelo conhecimento, pela pesquisa e pelo compromisso com o desenvolvimento do Brasil.
O vice-presidente, Geraldo Alckmin, anunciou neste domingo (26), durante a abertura da 31ª edição da Agrishow 2026, em Ribeirão Preto (SP), um programa de financiamento de máquinas agrícolas com a promessa de reduzir os juros pagos pelos agricultores. O “Move Agrícola” prevê liberar, dentro de três semanas, um total de R$ 10 bilhões, com taxa de “um dígito” – o porcentual não foi especificado.
“O governo está estruturando o ‘Move Agrícola’ para garantir crédito mais acessível ao produtor e à indústria de máquinas”, afirmou Alckmin. Segundo ele, a medida atende a uma demanda recorrente do setor, especialmente em um cenário de juros elevados.
Os recursos serão operacionalizados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em parceria com instituições financeiras. Alckmin declarou que o programa busca estimular a modernização do parque agrícola brasileiro e, com isso, ampliar a competitividade do País.
Além do novo programa, Alckmin sinalizou outras frentes de atuação do governo federal. Entre elas, a ampliação do seguro rural – considerado um dos gargalos estruturais do agro brasileiro. Atualmente, a cobertura atinge pouco mais de 7% da área plantada no País.
O vice-presidente reconheceu a limitação e afirmou que o governo pretende avançar no tema, mas com cautela fiscal. “Vamos melhorar o seguro rural com toda a responsabilidade fiscal”, disse, indicando que eventuais mudanças dependerão do equilíbrio das contas públicas.
Outro ponto sensível abordado foi a renegociação das dívidas do setor. Alckmin confirmou que o governo trabalha em um programa que contemple tanto produtores adimplentes quanto inadimplentes, com o objetivo de reequilibrar financeiramente a atividade no campo.
O vice-presidente mencionou, ainda, medidas que podem beneficiar o agronegócio de forma indireta, como a ampliação da lista de produtos com tarifa de importação zerada e a desoneração das exportações prevista na reforma tributária.
Reivindicações
A cobrança por medidas concretas partiu de lideranças do setor presentes na cerimônia de abertura da Agrishow. O deputado federal Arnaldo Jardim, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), reforçou a necessidade de um modelo estruturado de renegociação de dívidas.
Segundo ele, não se trata de perdoar os produtores, mas de adotar ações que permitam a eles manter suas atividades. “É indispensável que ele consiga pagar seus compromissos e retomar sua capacidade produtiva”, afirmou.
Jardim também falou sobre a urgência de ampliar o seguro rural, argumentando que uma cobertura mais robusta reduziria a necessidade de renegociações frequentes. Ele lembrou que há projetos em tramitação no Congresso para fortalecer a política de seguro, mas que ainda dependem de avanços legislativos.
Plano Safra
Em sua primeira participação na Agrishow como ministro da Agricultura, André de Paula adotou um discurso focado na ampliação do crédito e na redução dos custos financeiros. O ministro declarou que pretende buscar um novo recorde de recursos para o próximo Plano Safra, mas que o volume, por si só, não é suficiente. “Mais importante do que o montante é garantir taxas de juros que permitam ao produtor acessar esse crédito”, declarou.
De Paula também se comprometeu a atuar pela aprovação do projeto de lei do seguro rural. Ele defendeu a construção de um modelo sustentável, com mecanismos que garantam continuidade mesmo em cenários de restrição orçamentária.
Outro ponto destacado foi a disposição do ministério em dialogar sobre a renegociação de dívidas. De acordo com o ministro, a pasta estará aberta a pensar em soluções em conjunto com o setor e o Congresso Nacional.
“Não-anúncio”
Representantes do agronegócio, entre eles Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), uma das entidades organizadoras da Agrishow, afirmam que havia uma expectativa de que o governo federal anunciasse medidas para atacar os “grandes problemas estruturantes do agro” e, por isso, ficou uma sensação de frustração.
“Esperávamos que fossem feitos anúncios, mas estamos classificando como um ‘dia do não-anúncio’”, disse à reportagem. “O governo reconheceu a importância de termos uma autossustentação de fertilizantes, de termos crédito, de termos seguro, mas não houve nada prático nesse sentido. Não bastasse isso, colocaram a culpa dos juros altos na guerra (do Oriente Médio). Sabemos que os juros não abaixam por causa da inflação”.
Diante deste cenário, Meirelles diz que a principal orientação aos agricultores será a de evitar investimentos no momento, mas de focar em aumentar a produtividade das lavouras, a fim de reduzir as pressões dos custos.
“Todos esses pontos que apontamos são no intuito de começarmos a criar um país que não perca as oportunidades que estamos perdendo. Precisamos, agora, criar um projeto Brasil, com planejamento para os próximos 20 anos”.
A segunda-feira (27) começa com mudanças importantes no clima em diferentes regiões do Brasil. A atuação de uma frente fria e a entrada de uma massa de ar polar alteram o padrão do tempo, principalmente no Sul e Sudeste, enquanto áreas do Norte e Nordeste seguem com chuva intensa.
Sul
O tempo firme volta a predominar no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina com o afastamento da frente fria e do ciclone para o oceano. Ainda assim, há previsão de chuva fraca em áreas do litoral e do interior catarinense, por causa da umidade marítima.
No Paraná, o cenário é diferente. A instabilidade segue presente desde cedo, com pancadas de chuva moderadas a fortes e possibilidade de trovoadas. Ao longo do dia, a chuva tende a se concentrar nas regiões norte e nordeste do estado.
A entrada de ar polar provoca queda nas temperaturas no território gaúcho e no sul catarinense, com sensação de frio em algumas áreas. Também há risco de rajadas de vento no sul da região e o mar permanece agitado no litoral.
Sudeste
No Sudeste, a chuva aparece de forma isolada pela manhã, principalmente no litoral norte do Espírito Santo e em pontos de São Paulo.
Com o avanço de uma nova frente fria ao longo do dia, as instabilidades se intensificam em grande parte de São Paulo, no sul de Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Há previsão de pancadas moderadas a fortes, acompanhadas de trovoadas.
Até a noite, a chuva perde intensidade, mas ainda ocorre de forma localizada. As temperaturas seguem elevadas na maior parte da região, embora possam cair onde houver maior presença de nuvens e precipitação.
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, o fluxo de umidade favorece a formação de chuva desde as primeiras horas do dia, especialmente em Mato Grosso do Sul, onde há risco de temporais.
Ao longo do dia, as instabilidades avançam por boa parte do estado e também atingem áreas de Mato Grosso. Em Goiás, a chuva ocorre de forma mais isolada, com predomínio de tempo firme em várias localidades.
As temperaturas continuam altas, mas podem cair no sul de Mato Grosso do Sul devido ao aumento da nebulosidade.
Nordeste
No Nordeste, chove no litoral entre o Rio Grande do Norte e Pernambuco, além de áreas do litoral da Bahia. A atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) intensifica as precipitações na faixa norte.
Ao longo do dia, a chuva ganha força no Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte, com risco de temporais isolados. Nas demais áreas, o tempo segue firme e com calor.
Norte
Na região Norte, a elevada umidade mantém o padrão de pancadas de chuva desde cedo. As instabilidades se intensificam ao longo do dia, com previsão de chuva moderada a forte e risco de temporais.
Os maiores volumes são esperados no Amazonas, Pará, Roraima e Amapá. O tempo permanece abafado em toda a região.
No morning call desta segunda-feira (27), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, destaca que os mercados abrem a semana pressionados por três frentes: guerra no Oriente Médio, risco político nos EUA após ataque contra Trump e decisões de juros do Fed e Copom na quarta-feira.
O petróleo segue elevado e reduz espaço para cortes de juros. O Ibovespa caiu 2,55% na semana a 190 mil pontos e o dólar fechou a R$ 4,99. Hoje, atenção ao Focus e dados de crédito e dívida pública.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.
O endividamento rural passou a ocupar lugar central nas discussões sobre a continuidade da atividade agropecuária, diante da combinação de juros elevados, aumento dos custos de produção, queda de rentabilidade, oscilações de preços e frustrações de safra. A avaliação é de Tobias Marini de Salles Luz, advogado e sócio-fundador da banca LCB Advogados, para quem o Projeto de Lei 5.122/2023, conhecido como PL da Securitização, parte de uma premissa correta, mas ainda precisa ser ajustado para funcionar de forma efetiva.
A proposta autoriza o uso de recursos do Fundo Social para criar uma linha especial de financiamento destinada à quitação de débitos rurais ligados a atividades prejudicadas por eventos climáticos adversos. O texto inclui parcelas vencidas ou a vencer de crédito rural, operações renegociadas ou não, empréstimos usados para amortização ou liquidação de dívidas e Cédulas de Produto Rural emitidas até 30 de junho de 2025.
Entre os pontos positivos estão prazo de dez anos para pagamento, três anos de carência, juros entre 3,5% e 7,5% ao ano, conforme o porte do produtor, e vedação à exigência de garantias adicionais além das usuais no crédito rural. O projeto também prevê que a contratação da linha não impeça novas operações nem leve o produtor a cadastros restritivos.
A principal crítica está no § 8º do art. 2º, que estabelece filtros de acesso ao programa. O dispositivo exige enquadramento municipal em critérios como calamidade, atraso de dívidas ou perdas apuradas por médias locais, além de comprovação individual de perdas em duas ou mais safras de ao menos 30% da produção.
Para o advogado, esse modelo pode excluir produtores endividados que perderam renda sem registrar quebra de produção, como arrozeiros do norte do Paraná e integrantes da cadeia do leite. A proposta defendida é excluir o § 8º, preservando os demais pontos do projeto. Na avaliação, critérios excessivamente estatísticos e territoriais podem transformar uma solução ampla em um programa restrito, incapaz de reorganizar o passivo rural de quem precisa.
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O novo ciclo é cercado por incertezas – Foto: Nadia Borges
A safra de arroz 2025/26 no Rio Grande do Sul começa sob um cenário de cautela, marcado por ajustes na área plantada e maior atenção às condições de mercado. As informações são de Marcos Massoni, gerente de logística. A redução de 13% na área cultivada indica um movimento estratégico dos produtores diante de um ambiente econômico mais desafiador, com crédito restrito, juros elevados e impacto da queda do dólar sobre a rentabilidade.
O novo ciclo é cercado por incertezas que influenciam diretamente as decisões no campo. Há indicativos de manutenção ou até nova retração da área plantada, refletindo o aumento do endividamento e os preços considerados ainda baixos. Nesse contexto, muitos produtores optam por segurar a produção, aguardando melhores oportunidades de comercialização.
O ritmo mais lento da colheita também contribui para esse comportamento. As exportações mais intensas no início da safra reduziram a pressão por vendas imediatas, enquanto a soja surge como alternativa de geração de caixa no curto prazo, garantindo maior flexibilidade ao produtor na gestão do arroz.
No mercado externo, as exportações seguem essenciais para o equilíbrio dos estoques e sustentação dos preços. Ainda assim, os custos de produção permanecem elevados, com destaque para os fertilizantes, pressionados por fatores globais como conflitos internacionais e encarecimento de insumos energéticos.
A variação do dólar tem efeito direto sobre o setor, ao mesmo tempo em que reduz custos de insumos importados e limita a competitividade das exportações. Dados recentes apontam produção de 11,1 milhões de toneladas, com área de 1,53 milhão de hectares. O cenário reforça a necessidade de planejamento e leitura estratégica para equilibrar custos e aproveitar oportunidades.
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Foto: Canva
No Rio Grande do Sul, as lavouras de mandioca avançam para fases decisivas do ciclo produtivo, com início da colheita em algumas regiões.
Segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (23), na região administrativa de Santa Maria, a maior parte das áreas está em fase de enchimento das raízes tuberosas e maturação, etapa que define o rendimento final da cultura. Em algumas propriedades, a colheita e a comercialização já começaram, com produção direcionada principalmente a mercados locais e feiras. De acordo com o relatório, “a produção tem sido destinada principalmente a mercados locais e feiras, contribuindo para a geração de renda aos produtores”.
No aspecto fitossanitário, há registros de antracnose, doença que afeta a parte aérea das plantas. Conforme a Emater/RS-Ascar, “há registros de incidência de antracnose, doença que afeta predominantemente a parte aérea das plantas”.
Na região de Soledade, a cultura está em início de colheita, embora parte das áreas ainda não tenha atingido o ponto ideal. O desenvolvimento das raízes apresenta atraso em relação ao esperado. Tradicionalmente, a variedade Vassourinha é a mais cultivada, mas nesta safra houve mudança no perfil de plantio.
Segundo o levantamento, “a escassez de mudas levou os produtores à adoção de outras variedades”. Em Mato Leitão, essas novas cultivares vêm sendo bem aceitas pelos consumidores, indicando adaptação ao mercado.
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Foto: Divulgação
No Rio Grande do Sul, a safra de uva avança para a fase pós-colheita em diferentes regiões, com atividades voltadas ao manejo dos vinhedos e à vinificação.
Segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (23), na região administrativa de Caxias do Sul, produtores realizam coleta de amostras de solo para correção da fertilidade, especialmente em áreas que registraram produção acima da média. Embora a colheita das uvas destinadas à vinificação já tenha sido concluída, ainda há variedades de mesa em fase de colheita, com destaque para a Itália. De acordo com o relatório, “o preço recebido pelo produtor de uvas de mesa varia de R$ 7,50 a R$ 12,00/kg”.
Na região de Soledade, a colheita foi finalizada e a produção segue para a etapa de processamento. Os vinhos coloniais elaborados a partir de uvas americanas estão em fase de vinificação em cantinas artesanais. Segundo a Emater/RS-Ascar, “os destaques da safra foram a boa sanidade e o elevado grau Brix, que se destacaram pela alta qualidade das uvas, além da expressiva produtividade”.
O cenário indica transição do campo para a indústria, com continuidade das atividades ligadas ao processamento e à comercialização da produção.
A presença dominante da Caixa Econômica Federal no passivo do Grupo Agro Cerealli, em Coromandel, no cerrado mineiro, dá o tom da recuperação judicial e coloca o crédito rural público no centro da reestruturação. As informações são de Rafael Fonseca Nogueira, Head de NPL & Recuperação de Crédito.
O grupo, formado pelos produtores Silvio C. S. e Romualdo S., responsáveis pela Fazenda Arcos São João, apresentou dívida total de R$ 40,8 milhões. Desse montante, R$ 29,5 milhões estão concentrados na Caixa, distribuídos em 19 contratos de crédito rural, incluindo Pronamp, FCO, custeio e investimento. O banco responde sozinho por 72% do passivo informado.
Essa concentração altera o peso das negociações. Em uma recuperação judicial na qual um banco público detém mais de metade da dívida, a dinâmica tende a ser diferente daquela observada em casos pulverizados entre bancos privados, cooperativas e fornecedores. A Caixa chega ao processo com poder relevante na formação de maioria e com influência direta sobre os rumos da assembleia geral de credores.
O pedido foi protocolado em 27 de janeiro de 2026 como tutela cautelar antecedente, mecanismo que permite suspender execuções por 60 dias para mediação antes do pedido formal de recuperação. O deferimento ocorreu em 13 de abril de 2026, com Inocêncio de Paula Sociedade de Advogados nomeado administrador judicial.
Além da Caixa, o quadro financeiro inclui a DLL, braço financeiro do Rabobank, como segundo maior credor, com R$ 3,8 milhões em financiamentos de máquinas. O crédito cooperativo também aparece na composição do passivo, com Sicredi Planalto, credor de R$ 2,6 milhões, e Unicred Evolução, com R$ 600 mil.
A lista ainda traz a Louis Dreyfus como credora em processo judicial de R$ 1,3 milhão e a Agrolend com CPR-F, instrumento usado para antecipar receita futura da lavoura. Com o deferimento da RJ, o processo deve avançar para a publicação do Quadro Geral de Credores, habilitação dos créditos, apresentação do plano em até 60 dias e assembleia, etapa em que a posição da Caixa será determinante.