Hoje, 28 de abril, é celebrado o Dia Nacional da Catinga, data instituída em 2003 com o objetivo de conscientizar sobre a importância da preservação, uso sustentável e combate à desertificação deste bioma exclusivo do Brasil. A catinga ocupa cerca de 10% do território nacional e sustenta a vida de aproximadamente 28 milhões de brasileiros.
Características do bioma
A catinga é frequentemente mal interpretada como um bioma de escassez, mas, na verdade, é um exemplo de adaptação e resiliência. As temperaturas médias variam entre 25 e 30ºC, e o período seco pode durar de 7 a 9 meses, com chuvas inferiores a 800 mm em algumas áreas. Apesar das condições desafiadoras, a catinga é um ambiente produtivo que sustenta diversas cadeias produtivas.
Produção e agricultura familiar
A catinga é um território produtivo que abriga uma das maiores concentrações de agricultura familiar do Brasil, onde são cultivados produtos como:
Caprinos e ovinos
Mel
Mandioca
Palma forrageira
Umbu e licuri
Essas atividades não apenas geram renda, mas também promovem a permanência das famílias no território, contribuindo para a segurança alimentar e reduzindo a pressão migratória.
Importância da catinga para o futuro
O bioma catinga é um exemplo de como é possível viver e produzir em condições adversas. A sua resiliência e inteligência adaptativa oferecem lições valiosas para o Brasil e o mundo, especialmente em um cenário de mudanças climáticas e escassez de recursos. Portanto, a catinga deve ser vista como um modelo de sustentabilidade e não como um símbolo de limitação.
O atraso no plantio do milho em Mato Grosso já começa a mostrar reflexos preocupantes no campo. A falta de chuva em algumas regiões compromete o desenvolvimento das lavouras, enquanto o aumento dos custos e a queda nos preços elevam a apreensão dos produtores.
Impactos do atraso no plantio
A combinação de fatores como a falta de umidade e o aumento dos custos de produção acende um alerta para a produtividade e o planejamento da próxima safra. Os produtores enfrentam desafios crescentes para produzir com eficiência e manter a sustentabilidade na produção.
Dados sobre a situação atual
Mais de 1 milhão de hectares de milho foram plantados fora da janela considerada ideal.
O Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (IMEIA) aponta riscos elevados para a cultura na safra 2025/2026.
Os custos de produção e a desvalorização do milho no mercado aumentam a apreensão na região.
Previsões e desafios futuros
Os produtores de milho em Mato Grosso relatam que a previsão de chuvas não tem sido favorável, o que pode impactar ainda mais a produtividade. A situação é crítica, com muitos já contabilizando prejuízos nas lavouras.
A necessidade de uma boa chuva nos próximos dias é urgente para salvar as plantações, mas a previsão climática não indica melhorias significativas. O cenário é desafiador e exige atenção redobrada dos agricultores.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, recebeu nesta terça-feira (28), em Brasília, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, e representantes da entidade. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o encontro tratou da cadeia produtiva da carne bovina e da presença do produto brasileiro no mercado internacional.
Durante a reunião, o ministro afirmou que o Mapa mantém diálogo permanente com os representantes do setor e destacou a articulação entre governo e cadeia produtiva. Em declaração divulgada pela assessoria da pasta, André de Paula afirmou que o ministério está aberto às demandas do segmento e que a atuação conjunta é relevante para o fortalecimento da agropecuária brasileira.
No encontro, a Abiec apresentou um panorama de sua estrutura e de sua atuação institucional. De acordo com Roberto Perosa, a entidade reúne cerca de 50 empresas associadas e mais de 130 plantas frigoríficas no país. Ainda segundo o presidente da associação, o setor gera aproximadamente 7 milhões de empregos em cidades do interior e a pecuária está presente em mais de 5 mil municípios brasileiros.
Perosa também informou que a entidade mantém agenda de promoção comercial da carne bovina brasileira no exterior, com cerca de 20 eventos internacionais por ano. Segundo ele, a Abiec mantém interlocução com o Mapa, com secretarias do governo federal e com o Ministério das Relações Exteriores.
A partir desses dados, a reunião reforça o peso econômico e territorial da cadeia da carne bovina e sua dependência de articulação institucional para temas ligados à abertura de mercados, promoção comercial e encaminhamento de demandas técnicas. O Mapa, porém, não detalhou medidas novas, metas ou decisões operacionais resultantes do encontro.
Ao fim da reunião, Roberto Perosa afirmou que o setor tem encontrado apoio técnico nas equipes do ministério. Até o momento, não foram divulgados cronograma, ações adicionais ou desdobramentos formais da agenda.
O feriado prolongado de 1º de maio deve ser marcado por contrastes climáticos no Brasil. A passagem de uma frente fria com características de inverno, associada a um ciclone extratropical e a uma massa de ar polar, deve provocar mudanças no tempo no Sul e em parte do Sudeste e do Centro-Oeste.
Enquanto isso, Norte e Nordeste continuam com calor, alta umidade e pancadas de chuva frequentes.
Sul
Na região Sul, a frente fria avança com força e provoca temporais, rajadas de vento e queda significativa de temperatura.
No Rio Grande do Sul, a chuva começa já na madrugada de sexta-feira (1º) e se espalha rapidamente pelo estado, com risco de tempestades, raios e volumes elevados, inclusive na Grande Porto Alegre. No sábado (2), ainda há chuva em várias áreas, mas com tendência de enfraquecimento ao longo do dia.
A partir de domingo (3), o ar polar predomina e derruba as temperaturas, com possibilidade de geada em áreas próximas à fronteira com o Uruguai. Também há previsão de nevoeiros ao amanhecer e mar agitado, com risco de ressaca.
Em Santa Catarina, a chuva avança ao longo da sexta-feira e se intensifica no sábado, com queda de temperatura. No domingo, o tempo fica mais frio, com variação de nuvens e chance de chuva fraca em algumas áreas. O litoral deve ter vento forte e mar agitado.
No Paraná, o feriado começa com sol e calor acima da média, mas a chuva avança no sábado em parte do estado. No domingo, o tempo fica instável, com muitas nuvens, pancadas de chuva e temperaturas mais amenas.
Sudeste
No Sudeste, o feriado será marcado por predomínio de sol e temperaturas acima da média até sábado.
A atuação de um sistema de alta pressão mantém o tempo firme, mas com baixa umidade do ar, que pode ficar entre 20% e 30% em áreas do interior de São Paulo e de Minas Gerais.
A mudança ocorre no domingo (3), com a chegada da frente fria. No sul e leste paulista, incluindo a Grande São Paulo, há previsão de chuva frequente e temperaturas mais amenas.
O litoral de São Paulo pode registrar chuva persistente e volumosa, com risco de alagamentos, além de ventos moderados a fortes e mar agitado.
No Rio de Janeiro, a chuva começa no domingo pela manhã no centro-sul do estado e se intensifica ao longo do dia, com risco de volumes elevados, especialmente na Costa Verde.
No Espírito Santo e em Minas Gerais, a chuva aparece de forma mais isolada no domingo, enquanto o restante do feriado segue com tempo firme e calor.
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, o tempo permanece firme na maior parte da região durante o feriado prolongado.
Em Goiás, no Distrito Federal e em grande parte de Mato Grosso, o predomínio é de sol, calor e baixa umidade do ar, com índices entre 20% e 30%.
Em Mato Grosso do Sul, a frente fria provoca mudanças no tempo no fim de semana. Há aumento de nuvens e possibilidade de pancadas de chuva no sábado em áreas próximas ao Paraguai. No domingo, ventos mais frios amenizam o calor, mas sem queda acentuada de temperatura.
Nordeste
No Nordeste, a chuva continua frequente no litoral e na faixa norte da região.
A atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) mantém pancadas intensas no Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, com risco de volumes elevados, inclusive nas capitais.
No litoral leste, a circulação de ventos favorece chuva frequente em Pernambuco, Alagoas e Bahia, com possibilidade de acumulados mais altos no litoral pernambucano.
Já no interior, como no sertão e no Vale do São Francisco, o tempo segue mais seco, com predomínio de sol.
Norte
Na região Norte, o padrão segue típico, com calor, alta umidade e pancadas de chuva frequentes.
Os maiores volumes são esperados no Amazonas, Roraima, norte do Pará, Amapá e no Acre. Capitais como Manaus, Boa Vista, Belém e Macapá têm risco de chuva forte.
Em áreas do sul do Pará, Rondônia e Tocantins, a chuva ocorre de forma mais irregular, com períodos de sol.
O cenário reforça a manutenção de temperaturas elevadas e sensação de abafamento na maior parte da região.
A produção brasileira de cana-de-açúcar na safra 2026/27 pode atingir em 709,1 milhões de toneladas, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que divulgou nesta terça-feira (28), o 1º levantamento sobre a safra 2026/27, cuja colheita começou oficialmente neste mês no Centro-Sul.
Caso se confirme, o resultado representa um aumento de 5,3% em relação à temporada anterior e a segunda maior da série histórica da Companhia, atrás apenas do volume colhido no ciclo 2023/24, favorecido pela melhora na produtividade e pela expectativa de uma maior área a ser colhida.
Segundo a Conab, as condições climáticas observadas em 2025 devem se refletir de maneira positiva nas lavouras desta safra. De maneira geral, a cultura foi beneficiada pelo clima, o que traz uma recuperação de 3,4% no desempenho, com uma produtividade média nacional estimada em 77.753 quilos por hectare. A área destinada à colheita também deve apresentar elevação de 1,9%, sendo projetada em 9,1 milhões de hectares, e, se confirmada, será a maior área colhida da série histórica da Conab
A maior produção de cana se reflete em uma elevação na fabricação do etanol. Nesta primeira estimativa, a Conab traz uma projeção de produção de 40,69 bilhões de litros. Com o mercado mais favorável ao etanol, o volume representa uma alta de 8,5% em relação à última temporada diante da maior fabricação do combustível tanto de origem da cana como de milho, e pode ser um novo recorde na série histórica da Companhia.
De acordo com o levantamento, a estimativa é de produção de 29,26 bilhões de litros de etanol oriundo de cana-de-açúcar, aumento de 7,1%. A maior parte do etanol produzido a partir da cana é hidratado, projetado em 18,29 bilhões de litros, aumento de 6,3% em relação à safra anterior. Já a fabricação de etanol anidro, utilizado na mistura com a gasolina, é estimada em 10,97 bilhões de litros, crescimento de 8,4%.
A estimativa de produção de etanol de milho também deve crescer, com o Centro-Oeste se mantendo como a principal região produtora do combustível oriundo do cereal. Mas o Nordeste vem ganhando destaque com novas unidades de produção.
A estimativa é de uma produção de 11,43 bilhões de litros, crescimento de 12,3% para esta safra, sendo que o etanol hidratado corresponde pela maior parte da produção, com 7,15 bilhões de litros, enquanto o etanol anidro deverá ter uma produção de 4,28 bilhões de litros.
Em contrapartida, a produção de açúcar deve apresentar uma leve redução de 0,5% em relação à safra anterior, projetada em 43,95 milhões de toneladas.
Regiões
Na região Sudeste, a Conab prevê uma produção de 459,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 6,8% acima da safra de 2025/26. A principal região produtora de cana-de-açúcar deverá ter crescimento de 2,1% na área colhida, estimada em 5,7 milhões de hectares, e produtividade média de 80.852 kg/ha, 4,6% acima do que foi registrado na safra passada, reflexo das condições climáticas melhores do que as observadas na última temporada.
No Centro-Oeste, segunda principal região produtora, há expectativa de aumento na área colhida de 1,8%, estimada em 2 milhões de hectares. A produtividade média na região também deverá crescer 1%, chegando a 77.595 quilos por hectare. Neste cenário, a Conab espera uma produção de 154,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
A Companhia também espera incremento tanto na área colhida como na produtividade nas lavouras do Nordeste nesta safra, chegando a 901,3 mil hectares e 61.248 kg/ha, respectivamente. A produção estimada para a região está em 55,2 milhões de toneladas, uma alta de 3,7% em comparação com o ciclo passado. Panorama semelhante é verificado para o Sul do País, com uma colheita estimada em 36,2 milhões de toneladas, aumento de 0,6%, se comparada com 2025/26.
Apenas na região Norte há expectativa de uma leve redução de 0,5% na área colhida, totalizando 52,7 mil hectares. A queda é compensada pela melhora em 10,2% na produtividade média das lavouras da região, prevista em 78.763 kg/ha, resultando em uma produção estimada de 4,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, crescimento de 9,7% em relação à temporada anterior.
A oferta de mandioca foi impulsionada pelo interesse de produtores em se capitalizar
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Foto: Canva
A oferta de mandioca foi impulsionada, na semana passada, pelo interesse de produtores em se capitalizar e liberar áreas para novos plantios. Ainda assim, a demanda industrial, sobretudo das fecularias, permaneceu aquecida e conteve uma desvalorização acentuada, observada apenas em parte das regiões acompanhadas pelo Cepea.
O mercado de fécula manteve-se ativo no período, com crescimento modesto no volume negociado. Segundo pesquisadores do Cepea, a limitação de estoques por parte dos vendedores e a postergação de compras por alguns adquirentes, diante da recente retomada da produção, restringiram a liquidez.
De acordo com o Centro de Pesquisas, o mercado de farinha também registrou aumento no volume comercializado na semana, com destaque para a demanda das regiões Norte e Nordeste. Apesar disso, os preços seguem pressionados, sobretudo nas negociações de maior escala.
O Governo de São Paulo anunciou nesta terça-feira (28), durante a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), um pacote de R$ 455 milhões em investimentos voltados ao fortalecimento do agronegócio paulista.
Os aportes foram apresentados pelo governador Tarcísio de Freitas e incluem ações nas áreas de crédito rural, seguro agrícola, regularização fundiária e mecanização.
Do total anunciado, R$ 400 milhões serão destinados à ampliação do crédito rural, expansão do seguro agrícola e avanço da regularização fundiária.
O principal destaque é o reforço ao Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), que reúne linhas de financiamento para produção, investimento e seguro rural. Segundo o governo, o pacote representa o maior volume de subvenção e crédito já disponibilizado pelo estado.
Durante o anúncio, o governador destacou o impacto das medidas no planejamento do produtor.
“Com o repasse recorde para o FEAP, mantemos um nível de crédito que garante segurança para o produtor rural, com juros subvencionados, até 20% mais baixos do que em outros programas”, afirmou.
Seguro rural e máquinas também entram no pacote
O programa de seguro rural contará com R$ 100 milhões em subvenção ao prêmio, com potencial de atender cerca de 20 mil apólices e proteger até R$ 18 bilhões em produção.
Já o programa Pró-Trator terá R$ 40 milhões destinados à aquisição de máquinas e equipamentos, com impacto estimado em cerca de mil itens financiados.
Além disso, o governo distribuiu 177 máquinas e equipamentos a 174 municípios por meio do programa Patrulha Rural, reforçando a estrutura produtiva em diversas regiões do estado.
Regularização fundiária e exigências ambientais
Outro eixo do pacote é a regularização fundiária, com a entrega de 42 títulos rurais. Segundo o governo, o programa estadual já soma mais de 5,3 mil títulos entregues e cerca de 250 mil hectares regularizados, com foco em pequenos e médios produtores.
O acesso às linhas de crédito e subvenções passa a exigir o Cadastro Ambiental Rural (CAR) em andamento, vinculando o apoio financeiro à regularização ambiental das propriedades.
Foco em inclusão, inovação e sustentabilidade
Entre as iniciativas anunciadas, está o reforço ao FEAP Mulher, que recebeu R$ 25 milhões, o maior aporte desde a criação da linha, voltado ao crédito para produtoras rurais.
O governo também lançou a Câmara Temática da Mulher do Agronegócio, ampliando os espaços de diálogo no setor.
Na área de inovação, foi anunciada a posse de 37 novos pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), além de parcerias para implantação de centros de pesquisa e capacitação técnica.
O pacote inclui ainda ações ambientais, como regras mais rigorosas para o uso do fogo em práticas agrícolas e projetos de restauração ecológica em assentamentos, com foco na recuperação de áreas protegidas e na geração de renda.
As medidas também preveem reforço na prevenção de incêndios rurais, com capacitação de produtores e distribuição de equipamentos para resposta rápida em áreas mais vulneráveis.
Na última sexta-feira (24), fiscais da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), apreenderam 38 toneladas de milho em grãos com nota fiscal irregular na Coordenação de Controle de Mercadorias em Trânsito do Gurupi, em Cachoeira do Piriá, no nordeste do Pará, na divisa com o Maranhão.
O condutor da carreta basculante apresentou nota fiscal de transferência entre filiais, com origem em Paragominas (PA) e destino a Imperatriz (MA). Foi feita a vistoria física da carga, composta por 37.860 quilos de milho em grãos a granel.
“O motorista também apresentou o Documento Auxiliar do Conhecimento de Transporte Eletrônico (Dacte), informando que a origem dos grãos era a cidade de Barcarena (PA) e o destinatário um produtor rural da cidade de Zé Doca (MA). Sendo assim, foi constatada a irregularidade da nota fiscal e desconsiderada a transferência, caracterizando venda dissimulada para o não pagamento do imposto devido”, informou o coordenador Gustavo Bozola.
Também foi verificado que a mercadoria estava com valor abaixo do estabelecido no boletim de preços mínimos do estado, conforme portaria da Sefa.
A carga teve o valor reajustado para R$ 39.750,0 e foi lavrado o Termo de Apreensão e Depósito (TAD), no valor total de R$ 8.586,00, referente ao ICMS e multa.
Fabricantes de máquinas agrícolas receberam de forma positiva o anúncio da nova linha de R$ 10 bilhões em crédito para modernização de máquinas e implementos agrícolas, feito no domingo (26) pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, durante abertura da 31ª Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).
Executivos da Case IH e da Fendt afirmaram que a medida pode ajudar a destravar vendas em um momento de forte pressão sobre a rentabilidade do produtor rural e de retração no mercado de máquinas.
“O que vier para ajudar é bem-vindo”, afirmou o vice-presidente comercial do segmento de Agricultura da CNH Industrial para a América Latina, Paulo Arabian, durante coletiva de imprensa da empresa na Agrishow, na tarde desta segunda-feira (27). Segundo ele, a nova linha pode trazer um alívio importante para um setor afetado pela queda da margem do produtor, juros elevados e dificuldade de acesso ao crédito.
“Quando você pega uma taxa de 9% e desconta a inflação de 4%, você tem um juro real de 5%, muito mais saudável do que o que estamos vendo hoje com a Selic elevada e operações chegando a 18% ou 20% ao cliente final”, disse Arabian.
Para o executivo, a iniciativa pode gerar um “sprint” de curto prazo nas vendas de máquinas agrícolas, especialmente no chamado mercado livre, fora das linhas tradicionais de crédito rural subsidiado. Ele também destacou o envelhecimento da frota nacional como um problema crescente.
“A parte de máquinas está envelhecendo no Brasil. O custo de manutenção está cruzando o custo de viabilidade. Máquina antiga consome mais combustível, degrada mais o ecossistema e reduz a eficiência operacional”, afirmou.
Na mesma linha, o vice-presidente da Fendt e Valtra e gerente-geral da AGCO América Latina, Marcelo Traldi, disse que qualquer financiamento que beneficie o agricultor é visto com bons olhos pelo setor. “Todo e qualquer financiamento que beneficie o agricultor é muito bem-vindo para nós no segmento de máquinas.
“Estamos ansiosos por novidades, seja do governo, seja do próximo Plano Safra, porque o agro é um grande propulsor do crescimento da economia e do PIB”, afirmou ele, também em coletiva de imprensa promovida ontem à tarde no estande da Fendt na Agrishow.
Apesar do cenário desafiador para o agronegócio em 2026, a Fendt mantém perspectiva de crescimento neste ano. Segundo o executivo, a estratégia está apoiada na ampliação e modernização do portfólio e na expansão geográfica da marca.
“A Fendt prevê crescimento mesmo neste ano difícil que estamos passando no agro, porque estamos aumentando o portfólio e expandindo em regiões onde ainda não atuávamos. Esse conjunto nos leva a uma perspectiva positiva”, disse.
O anúncio da nova linha de financiamento foi feito por Alckmin durante a cerimônia de abertura da Agrishow e integra uma nova modalidade do programa Move Brasil, voltada ao setor agropecuário. Segundo o vice-presidente, os recursos poderão ser usados para financiar tratores, implementos, colheitadeiras e demais máquinas agrícolas.
“São R$ 10 bilhões para financiar trator, implementos, colheitadeiras, toda a parte de máquinas agrícolas. Pela própria Finep, diretamente, ou pelos parceiros: cooperativas, bancos privados e o Banco do Brasil”, afirmou Alckmin. Ele acrescentou que os recursos devem estar disponíveis em até três semanas, com juros “bem mais baixos”, com o objetivo de estimular a modernização e a renovação da frota agrícola nacional.
Na manhã desta segunda, também na Agrishow, representantes do setor agropecuário, como o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion, além do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o secretário de Agricultura de São Paulo, Geraldo Melo Filho, criticaram a iniciativa. Melo Filho chegou a declarar que o governo federal havia anunciado “crédito fantasma”.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou nesta terça-feira (28) já ter aprovado R$ 160,8 bilhões em crédito para o setor agropecuário no País desde janeiro de 2023, início do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
O cálculo inclui as aprovações via Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF), BNDES Crédito Agrícola e apoio a investimentos como aquisição de máquinas, equipamentos e serviços tecnológicos.
Segundo o banco de fomento, o volume é 65,3% superior ao aprovado no período entre 2019 e 2022, quando totalizou R$ 97,3 bilhões.
“Ampliamos o volume de recursos para esse setor em todas as áreas. Um dos destaques é a produção de biocombustíveis. Foram aprovados R$ 13,5 bilhões para 48 projetos de etanol, valor 217% superior ao que foi aprovado entre 2019 e 2022, que somou R$ 4,3 bilhões”, aponta, em nota, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “Além disso, o banco teve o maior orçamento já disponibilizado no Plano Safra 2025/2026, com R$ 70 bilhões”, acrescenta.
O banco de fomento informa também que os recursos atenderam a 93% dos municípios brasileiros. “Do total aprovado, R$ 19 bilhões reforçaram a capacidade produtiva da agroindústria, como aumento da produção de biocombustíveis, da capacidade de armazenagem de produtos agrícolas e de recursos para centros de pesquisa e inovação no setor. Entre 2019 e 2022, as aprovações de crédito com essa finalidade somaram R$ 11,7 bilhões”, diz o BNDES.