Uma onda de clima seco e baixa umidade do ar atinge boa parte do Centro-Oeste, interior do Sudeste e áreas do Matopiba, com tendência de continuidade nos próximos dez dias. A previsão indica que as chuvas se concentrarão no norte do país, enquanto o Sul deve receber precipitações a partir de sexta-feira, devido à chegada de uma nova frente fria.
Previsão de chuvas e temperaturas
Entre os dias 5 e 9 de maio, a expectativa é de que a chuva retorne ao Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso do Sul, que faz fronteira com o Paraguai e a Bolívia. No entanto, a mudança no panorama de secura no Brasil central deve ocorrer apenas no fechamento da primeira quinzena de maio, com a chegada de chuvas que podem ajudar a elevar a umidade relativa do ar e beneficiar as lavouras de milho.
Temperaturas e condições climáticas
Nos próximos dias, a região de Patrocínio, no Triângulo Mineiro, deve registrar temperaturas máximas em torno de 30 graus. A previsão é de que essa condição se mantenha até o final de semana, com a chegada de chuvas a partir da próxima semana, aliviando o calor. A semana do dia 10 de maio pode trazer temperaturas mínimas abaixo dos 15 graus, mas sem risco de geada.
Impactos no Sul do Brasil
No Rio Grande do Sul, as temperaturas devem variar entre 10 e 15 graus, enquanto a frente fria avança para o Sul, trazendo risco de geada no domingo. A previsão indica que a frente fria atuará, levando chuvas para Santa Catarina e Paraná, além de possíveis rajadas de vento intensas e queda de granizo em algumas áreas.
Confira os destaques do Agrishow Labs nesta 31ª edição da Agrishow
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Foto: Divulgação
O agronegócio brasileiro se destaca em todo o mundo pelo avanço tecnológico, que é responsável por tornar a agricultura mais rentável, produtiva e sustentável. Parte dessa evolução se dá pelo crescimento no número de startups, que apresentam cada vez mais soluções inovadoras. Segundo o Radar Agtech Brasil 2025, o país reúne mais de duas mil startups do agronegócio distribuídas em centenas de municípios, refletindo a expansão desse mercado.
Na Agrishow, principal feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina, o Agrishow Labs, espaço voltado à conexão com produtores e à geração de negócios, reúne startups e hubs de inovação. Na Arena de Tecnologia e Inovação são apresentadas soluções aplicadas ao campo, com foco em gestão de dados, automação e monitoramento. Entre os hubs participantes estão PwC AgTech Innovation, Supera Parque e Sebrae for Startups.
“A inovação no agronegócio deixou de ser um movimento pontual e passou a integrar a base da competitividade do setor. Hoje, o produtor rural tem acesso a soluções que conectam dados, automação e inteligência aplicada ao campo, o que muda a forma de produzir e de tomar decisões. A Agrishow cumpre o papel de aproximar essas tecnologias da realidade das propriedades, criando um espaço onde startups, empresas e produtores podem se encontrar, testar soluções e acelerar a adoção de ferramentas que aumentam eficiência e produtividade”, afirma João Marchesan, presidente da Agrishow.
Confira os destaques do Agrishow Labs nesta 31ª edição da Agrishow
A Move Agro trouxe para a Agrishow o Opere+, um aplicativo mobile para gestão de operações com máquinas agrícolas, voltado ao monitoramento e à análise da eficiência operacional no campo. Com o recurso, pequenos e médios produtores podem acompanhar as operações diretamente do celular.
A Sell Agro traz para a feira suas tecnologias de aplicação agrícola e suporte técnico ao produtor para atendê-lo em todas as etapas do manejo.
A Inarix apresenta ferramentas com inteligência artificial embarcada para ampliar a visão computacional para digitalização e qualificação de processos em tempo real na produção de grãos.
Já a Hural desenvolveu o Hural Rover, um pulverizador autônomo e elétrico voltado à automação e eficiência operacional.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou ao Ministério da Agricultura suas propostas para o Plano Safra 2026/2027, que terá início em 1º de julho de 2026 e se estenderá até 30 de junho de 2027. A entidade solicita R$ 623 bilhões em recursos financiáveis, um aumento de 53,5% em relação aos R$ 405,9 bilhões disponibilizados para o ciclo atual, 2025/2026.
Propostas da CNA
Solicitação de R$ 623 bilhões em recursos financiáveis.
Aumento de 53,5% em relação ao ciclo anterior.
Recursos não incluem cédulas de produto rural.
Referência do leite no Rio Grande do Sul
O Conselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul, conhecido como Conceleite, projetou o valor de referência do leite em R$ 2,53 para abril, representando uma alta de 10,47% em relação à estimativa de março. Os dados foram divulgados após reunião na sede da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), com a participação de representantes da cadeia produtiva.
Estimativa de embarques de soja
A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) reduziu a previsão de embarques de soja do Brasil em abril para 15,8 milhões de toneladas, uma queda de 3,2% em relação aos 16 milhões de toneladas projetados na semana anterior. Apesar da redução, o volume ainda representa um crescimento de 17,6% em comparação com as 13,5 milhões de toneladas exportadas em abril de 2025.
Produtores rurais, técnicos e profissionais do agronegócio têm encontro marcado na próxiam segunda-feira (4), das 7h às 12h, durante a realização do 2º Dia de Campo + Palhada + Soja, promovido pela Embrapa em parceria com a Agrícola Invernadinha, em Paraíso do Tocantins. O evento conta com o apoio da Aprosoja Tocantins e integra iniciativas conduzidas por produtores associados que buscam fortalecer a produção agrícola com base em inovação e manejo eficiente.
A programação será realizada na Fazenda Invernadinha, localizada no km 35 da estrada Palmas-Paraíso, e tem como proposta apresentar, de forma prática, estratégias voltadas ao aumento da produtividade e à conservação do solo.
Entre os temas abordados estão o uso de mix de plantas de cobertura, o manejo de plintossolos pétricos e a avaliação de híbridos de sorgo, conteúdos alinhados aos desafios da produção agrícola no Tocantins.
Para a presidente da Aprosoja Tocantins, Caroline Barcellos, apoiar iniciativas como essa é essencial para fortalecer a base técnica da produção no estado. “A Aprosoja apoia a pesquisa, alternativas de manejo de solo, opções de coberturas de solo e segunda safra, porque entendemos que o avanço da produtividade está diretamente ligado ao conhecimento aplicado no campo”, destaca.
Anfitriã do evento, a produtora rural Caroline Vilela ressalta que os resultados do manejo são percebidos na prática. ”O solo passa a suportar melhor as adversidades climáticas, retém mais água, tem melhor aeração e maior teor de matéria orgânica, o que favorece o desenvolvimento das culturas e contribui para melhores produtividades”, afirma.
Ela também reforça a importância da troca de experiências entre produtores. ”Trabalhamos há anos com plantas de cobertura e milho consorciado, com foco na melhoria das safras seguintes. Esse manejo fortalece o solo e, com apoio da Embrapa, conseguimos evoluir essas técnicas e compartilhar esses resultados com outros produtores”, completa.
A realização do evento por uma associada reforça o compromisso do setor produtivo com a evolução das práticas agrícolas e a sustentabilidade da atividade no Tocantins.
O agronegócio brasileiro está cada vez mais perto de acessar o mercado europeu. Isso porque o acordo entre Mercosul e União Europeia entra em fase de implementação provisória a partir desta sexta-feira, 1º de maio. Foram mais de duas décadas de negociação.
Nesse primeiro momento, o foco será exclusivamente no Pilar Comercial, permitindo a redução imediata de tarifas sem esperar a aprovação individual de todos os 27 parlamentos europeus. “O instrumento que entra em vigor tem nome próprio: Acordo Interino de Comércio”, explica Daniel Vargas, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O especialista destaca também que o benefício tarifário não garante a venda automática. “O acordo abre a porta tarifária, mas a EUDR (Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento, na sigla em inglês) exige o passe de entrada”, diz.
Para Vargas, o sucesso da nova janela comercial vai depender da capacidade do produtor brasileiro de comprovar sua sustentabilidade na prática, especialmente no caso do café.
“Talvez seja o grande desafio do setor cafeeiro nos próximos 18 meses”, afirma. Para as frutas, ele prevê que a menor pressão regulatória pode permitir uma captura mais rápida dos benefícios, desde que superados os desafios sanitários e logísticos.
Café solúvel: avanço gradual e pressão regulatória
De um lado, oportunidades de mercado; de outro, efeitos que variam de setor para setor. No caso do café solúvel, o acordo prevê um cronograma de desgravação — termo técnico utilizado — ao longo de quatro anos. Já no primeiro período, há um abatimento inicial de 1,8 ponto percentual. Atualmente, a tarifa sobre o produto é de 9%.
Segundo Aguinaldo José de Lima, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), o movimento tende a recuperar espaço perdido pelo Brasil no mercado europeu. “Há 15 ou 16 anos o Brasil vendia 30% a mais para a União Europeia do que comercializa hoje”, afirma.
Atualmente, o bloco responde por cerca de 20% a 22% das exportações do setor, com volume próximo de 16 mil toneladas anuais.
Nesse contexto, a avaliação da entidade é de que, mesmo em fase provisória, o acordo já gera impacto positivo. Lima destaca que as empresas associadas foram orientadas previamente e estão em negociação com clientes europeus, que passaram a demandar informações sobre o novo cenário tarifário.
A expectativa é de crescimento gradual das exportações à medida que a tarifa for reduzida.
Frutas: ganho mais direto e cenário misto
No setor de frutas, o impacto do acordo tende a ser mais imediato, embora varie conforme o produto. Algumas categorias, como a uva de mesa, terão tarifa zerada já na entrada em vigor do acordo, enquanto outras seguirão cronogramas de redução ao longo de quatro, sete ou até dez anos.
Para Waldyr Promicia, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), o cenário é misto, mas positivo. “Depende da fruta. Há produtos com tarifa zero imediata e outros com cronograma de desgravação”, explica.
Segundo ele, ainda é cedo para estimar números consolidados, mas a tendência é de aumento da competitividade e da abertura de novas oportunidades no mercado europeu.
Assim como no café, o setor já iniciou o processo de adaptação. A Abrafrutas orienta exportadores sobre ajustes na documentação e nos requisitos exigidos pelos compradores europeus. A leitura é de que o acordo representa um avanço estratégico nas relações comerciais e pode impulsionar o crescimento das exportações no médio e longo prazo.
Janela de oportunidade com desafios estruturais
Para Vargas, a redução de tarifas amplia o acesso, mas a consolidação da competitividade brasileira no mercado europeu dependerá de ajustes internos, da organização de dados e da adaptação às exigências do bloco. “Não é um problema de produção. É um problema de arquitetura de conformidade”, avalia.
A leitura geral, segundo o especialista, é que o “1º de maio inaugura uma janela tarifária, mas não inaugura, sozinho, uma nova era de competitividade com o bloco europeu.”
Outro ponto destacado pelo professor da FGV é que a parte ambiental do acordo mais amplo segue em suspenso. Segundo ele, é como se o “acordo entrasse em vigor com força total”, o que limita a capacidade de países críticos ao acordo de interferir na redução de tarifas no curto prazo.
“Os países que são críticos ao acordo [como França], estão com mãos atadas. Não podem mais interferir na parte comercial”, conclui.
O preço do petróleo voltou a ganhar protagonismo no mercado internacional nesta quinta-feira (30), com forte volatilidade ao longo da madrugada. O barril do tipo Brent para junho chegou a subir mais de 7%, encostando em US$ 126,50 , o maior nível em quatro anos.
Já o contrato mais negociado, com vencimento em julho, avançou cerca de 4%, sendo cotado próximo de US$ 115 por barril. Após a disparada inicial, os preços passaram a oscilar perto da estabilidade ao longo da manhã.
Tensão geopolítica sustenta alta do petróleo
A movimentação do petróleo ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. O mercado acompanha o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã, com possibilidade de escalada militar.
Segundo informações do mercado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve receber um briefing do Comando Central (CENTCOM) sobre possíveis ações na região, o que mantém os investidores em alerta.
Esse cenário eleva o risco de interrupções no fornecimento global de petróleo, fator que sustenta a valorização da commodity.
Bolsas europeias reagem à volatilidade da energia
A disparada do petróleo influenciou diretamente o comportamento das bolsas europeias, que operavam sem direção única.
Por volta das 6h55 (de Brasília), o índice Stoxx 600 avançava 0,28%, aos 604,62 pontos. Entre os mercados, Londres subia 1,05%, Frankfurt avançava 0,30% e Lisboa ganhava 0,51%. Já Paris recuava 0,56%, Milão caía 0,15% e Madri tinha baixa de 0,23%.
A volatilidade da energia adiciona incerteza ao cenário já pressionado por fatores macroeconômicos.
Inflação e juros ampliam pressão no mercado
Além do petróleo, investidores monitoram dados da zona do euro. A economia do bloco cresceu apenas 0,1% no primeiro trimestre de 2026, enquanto a inflação anual acelerou para 3% em abril, acima da meta de 2% do Banco Central Europeu (BCE).
O quadro reforça a cautela antes das decisões de juros do BCE e do Banco da Inglaterra (BoE), previstas para as próximas horas.
Em todo Brasil, valor chega a R$ 48,3 bilhões nos primeiros oito meses da Safra 25/26, com alta de 15,7% em relação ao ciclo anterior
O Sicredi liberou R$ 48,3 bilhões em crédito para o público agro nos oito primeiros meses da Safra 25/26, crescimento de 15,7% em comparação ao mesmo período da safra anterior. A carteira de crédito rural do Sicredi fechou janeiro com o saldo de R$ 121,4 bilhões, elevação de 14% em um ano.
Por finalidade, as operações de custeio somaram 37,5% do volume total liberado, seguido por investimentos com 29,2%. Em termos de destinação por público, quase 70% do total de 226,5 mil operações de crédito foi para pequenos e médios produtores. Ainda 19,5% foram operações de Cédula de Produto Rural (CPR). “Mesmo considerando o cenário desafiador para o agro, seguimos firmes em nosso compromisso de fomentar a atividade rural por meio de consultoria especializada, crédito e demais soluções que venham a auxiliar os produtores”, destaca Vitor Moraes, superintendente de Agronegócio do Sicredi.
Para atender produtores que desejam antecipar a compra de insumos para a próxima safra de verão e aproveitar melhores condições de preço, o Sicredi disponibilizou R$ 9 bilhões em crédito para pré-custeio. Panorama regional Nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, o Sicredi reforça seu protagonismo no financiamento ao agronegócio ao registrar R$ 13,7 bilhões em crédito rural liberado na Safra 25/26, crescimento de 12,9% em relação ao ciclo anterior. O desempenho acompanha a expansão da carteira, que atingiu R$ 33,2 bilhões em janeiro, com alta de 17,9% em 12 meses nos estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.
Os recursos seguem alinhados às principais necessidades do campo. Nos três estados, as operações de custeio lideram, com 46,9% do volume liberado, garantindo suporte direto à produção, enquanto os investimentos representam 24,3%. O perfil das operações evidencia o compromisso com a base do agro: 70,9% das cerca de 58 mil operações foram destinadas a pequenos e médios produtores. Já as operações via Cédula de Produto Rural (CPR) responderam por 23,5% do total, ampliando alternativas de financiamento no setor.
Para fortalecer o planejamento da próxima safra, a Central também disponibiliza R$ 3,6 bilhões em crédito para pré-custeio, permitindo aos produtores antecipar a compra de insumos para a próxima safra. Os números refletem não apenas o crescimento do crédito, mas a confiança do produtor em um modelo próximo e cooperativo. “Nosso foco é garantir acesso a soluções financeiras que apoiem todas as etapas da produção, do planejamento à colheita, com atenção especial aos pequenos e médios produtores, que são fundamentais para o desenvolvimento do agro na nossa região”, afirma Gilson Farias, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Central Sicredi PR/SP/RJ.
Desembolsos BNDES
Quando computado todo o ano de 2025, em nível nacional o Sicredi liderou entre as instituições financeiras conveniadas ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no volume de desembolsos para o segmento agro. A instituição financeira cooperativa liberou mais de R$ 8,6 bilhões aos seus associados do meio rural com recursos do banco de fomento. “Nessa nossa parceria com o BNDES, mantivemos o protagonismo em linhas estratégicas, consolidando nosso compromisso com a agricultura familiar, produtores de médio porte e inovação no campo”, ressalta Moraes.
Na finalidade de investimentos, o Sicredi foi o principal agente financeiro na concessão de recursos do BNDES para Pronaf e Pronamp. No Inovagro (Programa de Incentivo à Modernização e à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária), assumiu a liderança nacional, com aumento de 27% nas liberações, enquanto o mercado recuou 21%. No Proirriga (Programa de Financiamento à Agricultura Irrigada e ao Cultivo Protegido), a instituição registrou alta de 24% no valor liberado. Neste mês de abril, o Sicredi participa da Agrishow, considerada uma das mais importantes feiras de agronegócio da América Latina.
O evento acontece entre os dias 27 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP), e representa mais uma oportunidade estratégica para impulsionar negócios no campo, fortalecer o relacionamento com produtores rurais e apresentar soluções financeiras alinhadas às demandas do setor, contribuindo diretamente para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro.
Peões movimentando vacas e novilhas na fazenda Nova Piratinga. Foto: Reprodução/Giro do Boi
A diferença entre os preços do boi gordo e da vaca gorda voltou a crescer em abril e atingiu R$ 33,69 por arroba no estado de São Paulo, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
O valor representa uma ampliação significativa em relação aos anos anteriores. Em abril de 2025, o spread era de R$ 26,30 por arroba, enquanto em 2024 estava em R$ 17,70 por arroba.
De acordo com o Cepea, o aumento da diferença está diretamente ligado à valorização mais intensa do boi gordo em comparação à vaca.
Desde dezembro de 2025 até a parcial de abril deste ano, a arroba do boi registra alta nominal de 12,65% no mercado paulista. No mesmo período, o preço da vaca subiu 7,5%.
Esse movimento reflete a menor oferta de machos ao longo de 2026, o que tem sustentado os preços, além da demanda internacional aquecida pela carne bovina.
Oferta de fêmeas pressiona cotações
Por outro lado, o mercado de vacas apresenta maior disponibilidade de animais, especialmente em períodos de descarte de matrizes.
Segundo o Cepea, esse aumento de oferta tem pressionado as cotações das fêmeas, já que os frigoríficos ajustam os preços para completar as escalas de abate.
Além disso, a carne de vaca é mais direcionada ao mercado interno, que segue com consumo mais seletivo, o que limita ganhos mais expressivos nos preços.
Diferença é estrutural, mas se intensifica em 2026
Historicamente, o boi gordo já é negociado com prêmio sobre a vaca, devido ao melhor rendimento de carcaça, qualidade da carne e perfil de demanda.
No entanto, em 2026, a combinação entre oferta restrita de machos e maior disponibilidade de fêmeas tem ampliado esse diferencial, levando o spread a um dos maiores níveis recentes no mercado paulista.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (29), cortar a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,75% para 14,50% ao ano. No comunicado da decisão, o colegiado afirmou que a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram e se distanciaram ainda mais da meta. O BC também citou expectativas desancoradas, projeções elevadas para os preços e pressões no mercado de trabalho.
Segundo o comunicado, os indicadores correntes de atividade econômica mostram recuperação em relação ao último trimestre de 2025. Ao mesmo tempo, o Banco Central avaliou que o conjunto de dados permanece compatível com uma trajetória de moderação do crescimento no acumulado de 2026.
Na leitura da autoridade monetária, o quadro doméstico segue marcado por três fatores centrais: expectativas de inflação acima do objetivo, comportamento ainda pressionado dos preços e resiliência do mercado de trabalho. As medidas subjacentes, usadas para identificar a tendência da inflação ao excluir itens mais voláteis, também aceleraram, o que reforçou a avaliação de maior distância em relação à meta.
O Copom voltou a dizer que acompanha os efeitos da política fiscal doméstica sobre a condução da política monetária e sobre os preços dos ativos financeiros. O colegiado destacou postura de cautela em um ambiente de incerteza mais elevada.
Na prática, a redução de 0,25 ponto na Selic diminui o juro básico da economia, referência para crédito, financiamento e custo de capital. Para produtores rurais, cooperativas e empresas do agronegócio, o efeito tende a ser gradual e depende das condições de repasse pelos bancos, do spread cobrado e do tipo de linha contratada. Em operações atreladas a taxas de mercado, o movimento pode reduzir parcialmente o custo de rolagem de dívidas e de novas captações.
O comunicado indica que o Banco Central seguirá calibrando os juros com base na evolução da inflação, das expectativas, da atividade econômica, do mercado de trabalho e do cenário fiscal. Sem novos dados detalhados no comunicado, o ritmo das próximas decisões dependerá da confirmação, ou não, de desaceleração mais consistente dos preços.
O número de empresas do agronegócio em recuperação judicial voltou a crescer no início de 2026. No primeiro trimestre, o setor de agropecuária registrou 539 companhias nessa situação, o que representa uma crescimento de 9,3% em relação ao trimestre anterior.
No período, o Brasil registrou 5.931 empresas em recuperação judicial, número recorde e 4,4% acima do trimestre anterior, segundo dados do relatório Monitor RGF, da consultoria RGF & Associados.
Ainda de acordo com relatório, o agro é o setor da economia brasileira que tem o maior número de empresas em recuperação judicial
O índice de recuperação judicial do setor (IRJ) chegou a 14,42, patamar muito superior à média nacional, de 2,18, indicando maior concentração de empresas em crise dentro do universo do agronegócio.
Dentro do setor, a maior parte das empresas em recuperação judicial está ligada à produção agrícola.
O cultivo de soja lidera com 243 empresas em recuperação, seguido pela criação de bovinos para corte, com 89 casos, e pela produção de cana-de-açúcar, com 49 registros.
A concentração reflete o peso dessas atividades na estrutura do agronegócio e a exposição direta a variáveis como preço internacional, custo de insumos e financiamento.
Juros altos e crédito restrito seguem pressionando o setor
Mesmo com o início do ciclo de queda da taxa básica de juros, o ambiente financeiro segue restritivo.
O custo do capital permanece elevado, enquanto o crédito continua seletivo, com maior exigência de garantias e spreads altos, o que limita o acesso a financiamento e pressiona o caixa das empresas, avalia a RGF.
Além do custo financeiro, o setor enfrenta fatores estruturais que aumentam a vulnerabilidade.
A volatilidade dos preços das commodities, os eventos climáticos e a necessidade intensiva de capital de giro ampliam o risco de deterioração financeira, especialmente em ciclos de produção mais longos.
Centro-Oeste concentra avanço das recuperações
O crescimento das recuperações judiciais acompanha a dinâmica regional do agro.
A região Centro-Oeste registrou alta de 5,5% no número de empresas em recuperação no trimestre, com destaque para Mato Grosso, que avançou 13,2% no período e 36% em relação ao ano anterior.