A Agrishow 2023, realizada em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, movimentou o setor agropecuário e registrou uma intenção de negócios 22% menor em relação ao ano anterior, totalizando aproximadamente R$ 4,4 bilhões em negociações. O evento contou com a presença de cerca de 197.000 visitantes e destacou a cautela dos produtores diante do cenário atual.
Entrega de certificados do Selo Agro SP
Durante a feira, o governo de São Paulo entregou novos certificados do Selo Agro SP, uma iniciativa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento que reconhece a qualidade, a origem e o cumprimento de normas sanitárias e técnicas dos produtos agropecuários do estado.
Certificações e categorias
Foram concedidos 10 selos a produtores paulistas em quatro categorias: artesanal, cafés, café campeão e propriedades livres de brucelose e tuberculose.
Cada selo possui legislação e processo de certificação específicos.
O Selo Agro SP já certificou 155 estabelecimentos desde sua criação em 2025.
Depoimentos de produtores
Produtores como Ademar, de Caconde, e uma empresária de Tabapuã destacaram a importância do selo para agregar valor e abrir mercados, além de fortalecer a agricultura familiar e as rotas turísticas que promovem a gastronomia no campo.
Impacto nas propriedades
O programa do Selo Agro SP tem um impacto significativo nas propriedades, permitindo que os produtores atinjam mercados formais e melhorem suas condições de venda. A regularização e a certificação são vistas como caminhos para transformar a vida dos agricultores.
O acordo Mercosul-União Europeia, que entrou em vigor de forma provisória, cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo e promete transformar as relações comerciais brasileiras, especialmente no setor agropecuário, que será um dos principais beneficiados.
Implementação gradual do acordo
O acordo, que levou 26 anos para ser assinado, terá sua implementação de forma gradual. A União Europeia se comprometeu a eliminar cerca de 95% das tarifas para produtos do Mercosul em até 10 anos, enquanto o Mercosul fará o mesmo para aproximadamente 91% dos produtos europeus em um prazo que pode chegar a 15 anos.
Benefícios imediatos para o agro brasileiro
No primeiro ano de vigência, cerca de 39% dos produtos agropecuários brasileiros exportados para a Europa terão tarifa zero. Entre os setores que se beneficiarão estão:
Frutas
Carnes
Café
Etanol
Açúcar
Soja
Reações e expectativas
A diretora de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Suem Mouri, destacou que o acordo melhora a competitividade dos produtos brasileiros no mercado europeu, embora as exigências sanitárias permaneçam inalteradas. A CNA continuará a apoiar os produtores na adaptação às novas condições de mercado.
Além disso, estima-se que o acordo deve injetar cerca de 7 bilhões de dólares no setor agropecuário brasileiro, ampliando o acesso dos produtos agrícolas ao mercado europeu.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou um manual para quantificar danos ambientais complexos e padronizar decisões judiciais, buscando elevar o padrão de responsabilidade no setor. A iniciativa surge em um contexto de crescente preocupação com desastres ambientais e a necessidade de decisões mais técnicas e consistentes.
Objetivos do manual
Orientar juízes na pontificação de danos ambientais.
Propor métodos e comparações para decisões mais técnicas.
Tratar de impactos socioambientais de forma mais eficaz.
Críticas e considerações
Juristas criticam a utilização do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), argumentando que ele não deve impor uma decisão indenizatória automática, especialmente quando a recomposição vegetal é monitorável. O professor de direito ambiental, Pedro Prutini Mendes, destaca a importância de não transformar a responsabilidade ambiental em injustiça.
Aspectos jurídicos relevantes
As pretensões ambientais não prescrevem, segundo o STF.
A solidariedade na responsabilidade pela reparação dos danos deve ser tratada com cautela.
A hierarquia de reparação prioriza a recomposição no local ao invés da indenização.
O manual também enfatiza que a responsabilidade ambiental não deve ser vista como um atalho para resolver dificuldades de prova, evitando distorções econômicas, especialmente em cadeias complexas do agronegócio.
O Brasil foi classificado entre os 100 melhores produtores de azeite do mundo, um reconhecimento que se deve à alta qualidade do produto, ao frescor e às condições climáticas favoráveis ao cultivo de oliveiras. A produção nacional vive um momento promissor, com a expectativa de alcançar 1 milhão de litros em 2026, superando os 640 mil litros registrados em 2023.
Reconhecimento internacional
O azeite brasileiro tem conquistado prêmios em competições internacionais, como o concurso realizado em Córdoba, na Espanha. O produtor João Roberto da Costa, conhecido como Bob, destacou que o azeite Sabiá já recebeu 177 premiações internacionais, evidenciando a qualidade superior do produto brasileiro.
Práticas sustentáveis
A sustentabilidade é uma preocupação central na produção de azeite no Brasil. O pomar do Sabiá, localizado no Rio Grande do Sul, é 100% sustentável, utilizando energia solar e técnicas de reaproveitamento de água. Além disso, a produção adota práticas orgânicas, com 95% do manejo livre de produtos químicos.
Desafios e oportunidades
Apesar de representar menos de 1% do consumo nacional, o azeite brasileiro se destaca pela qualidade. O país é o segundo maior importador de azeite do mundo, com 99% dos produtos disponíveis no mercado sendo importados. A olivicultura no Brasil é uma atividade recente, iniciada em 2008, e enfrenta desafios climáticos que podem impactar a produção.
Mercado internacional
O azeite brasileiro tem se destacado em competições internacionais, como um recente concurso no Japão, onde o azeite Sabiá ficou em segundo lugar. Este reconhecimento reforça a posição do Brasil no mercado global de azeites de alta qualidade.
Uma nova frente fria avança sobre a região Sul do Brasil, aumentando o risco de geadas na Serra Gaúcha e na Serra Catarinense. Enquanto isso, o Centro-Oeste enfrenta temperaturas elevadas, com registros próximos a 35ºC em Cuiabá.
Risco de geadas no Sul
O avanço do ar frio traz a possibilidade de geadas nesta terça-feira, especialmente nas áreas montanhosas do Sul. As temperaturas devem cair significativamente, com mínimas previstas de 15ºC no Rio Grande do Sul e 20ºC em São Paulo.
Calor intenso no Centro-Oeste
Em contraste, o Centro-Oeste do Brasil experimenta um calor intenso, com temperaturas que podem alcançar até 35ºC em Cuiabá. A umidade relativa do ar está baixa, o que pode agravar a sensação de calor.
Previsão para os próximos dias
Nova frente fria deve avançar de sexta para sábado, trazendo chuvas e temporais para a região Sul.
Uma massa de ar polar mais intensa está prevista, podendo derrubar as temperaturas em toda a região.
Risco de geadas também é esperado em áreas de São Paulo, especialmente nas divisas com o Paraná e sul de Mato Grosso do Sul.
O clima deve se manter instável, com a expectativa de que as temperaturas subam gradativamente após a passagem da frente fria, mas com novos pulsos de ar frio previstos para o mês de maio.
Começaram os estudos técnicos para a retomada da hidrovia do rio São Francisco. A obra prevê um corredor navegável de 1.371 km e a construção de 17 portos para embarque e desembarque de cargas, principalmente para o escoamento da produção agrícola da região.
Importância econômica
O protagonismo do rio São Francisco para a economia baiana e de outros quatro estados voltou a ser assunto. A reativação da hidrovia prevê um corredor navegável que abrange 505 municípios, com potencial de movimentar até 5 milhões de toneladas de cargas já no primeiro ano de operação.
Estruturas portuárias
Construção de 17 instalações portuárias públicas de pequeno porte.
Garantia do transporte de cargas e passageiros nos estados da Bahia, Pernambuco e Alagoas.
Estudos em andamento
Os estudos estão sendo conduzidos pela Infra SA em parceria com a Codeba e incluem:
Batimetria e sondagens para verificar necessidades de dragagem.
Estudos socioambientais para recuperação ambiental e estímulo à atividade produtiva.
Viabilidade do projeto
A viabilidade do projeto se dá principalmente por conta dos custos logísticos, que são menores do que os do transporte rodoviário. A hidrovia também permitirá a interiorização de produtos industrializados e fertilizantes, aumentando a eficiência do transporte na região.
Expectativas futuras
O presidente da Companhia de Docas do Estado da Bahia, Antônio Gombo, afirmou que a primeira operação da hidrovia pode ocorrer até 2026, com o apoio dos produtores locais na busca por soluções logísticas.
No último dia 1º de maio, entrou em vigor de forma provisória o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, que estabelece novas regras comerciais. Neste primeiro momento, as diretrizes incluem a redução gradual de tarifas e a definição de cotas para produtos sensíveis, como carnes e etanol.
Aspectos do Acordo
Redução gradual de tarifas para produtos do agro.
Definição de cotas tarifárias para produtos sensíveis.
Partes ambientais, políticas e sociais ainda dependem de ratificação pelos países europeus.
Divisão das Competências
O doutor em direito Leonardo Munhos destacou que o acordo possui uma parte estritamente comercial e uma parte complementar de cunho ambiental, político e social. A parte comercial já está em vigor, enquanto a outra ainda precisa ser ratificada pelos estados membros da União Europeia.
Salvaguardas para o Agro
Acordo prevê salvaguardas para produtos agropecuários brasileiros.
Taxas exclusivas para carnes e etanol, com reduções de até 7,5%.
Gatilhos automáticos para investigações em caso de aumento excessivo de importações.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os produtores de leite atualmente é o impacto dos protocolos reprodutivos na segurança do alimento. O zootecnista e especialista em gado leiteiro, Guilherme Marquez, respondeu ao questionamento de Stuart Albuquerque sobre o uso de implantes de progesterona.
A resposta traz alívio para o bolso do produtor: o uso estratégico de hormônios para IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) não interfere na qualidade do leite e, o mais importante, não exige o descarte do produto.
Confira:
Uso de progesterona e segurança alimentar
Muitos produtores temem que a progesterona funcione como um medicamento comum, mas Marquez explica que a dinâmica biológica é completamente distinta. Cerca de 95% dos hormônios utilizados nos dispositivos intravaginais ou injetáveis são idênticos aos que a própria vaca produz naturalmente durante seu ciclo estral.
Por serem análogos naturais e rapidamente metabolizados pelo organismo do animal, esses hormônios não deixam resíduos que contaminem o leite. Diferente dos antibióticos, que exigem descarte rigoroso para não prejudicar a fabricação de derivados, a progesterona permite que o leite continue sendo enviado normalmente para o laticínio.
Uma dúvida comum surge: se o hormônio é natural e não afeta o leite, por que o aplicador precisa de tanto rigor na proteção? Marquez alerta que a segurança, neste caso, é focada no ser humano.
A luva é um EPI (Equipamento de Proteção Individual) indispensável para proteger quem maneja o produto, e não o animal ou o leite. O corpo humano possui receptores para a progesterona. Caso o produto entre em contato com a pele do aplicador, pode ser absorvido, causando desequilíbrios hormonais severos em homens e mulheres, podendo até afetar gestações humanas.
A progesterona é uma ferramenta essencial para encurtar o intervalo entre partos e aumentar a previsibilidade da produção. O uso correto desses dispositivos é o que garante uma fazenda de leite moderna, eficiente e com segurança alimentar absoluta.
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A leitura do mercado é de que há menos espaço para cortes fortes – Foto: Pixabay
As decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos vieram dentro do esperado pelo mercado, mas o tom dos comunicados reforçou cautela, com inflação elevada, petróleo pressionado e incertezas geopolíticas. As informações são da economista Mariana Garcia.
No Brasil, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto, de 14,75% para 14,50% ao ano. Foi o segundo corte consecutivo no ciclo iniciado em março, mas sem sinalização clara sobre os próximos passos. O comunicado voltou a destacar que o ambiente externo permanece incerto diante da indefinição sobre a duração e os efeitos dos conflitos no Oriente Médio.
A leitura do mercado é de que há menos espaço para cortes fortes. Segundo o Boletim Focus, a projeção para a Selic ao fim de 2026 subiu para 13%, acima dos 12,50% estimados há um mês. A revisão reflete a percepção de que o choque do petróleo reduz a margem de ação do Banco Central.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, na terceira reunião seguida sem alteração. A decisão foi marcada por divisão interna, com 8 votos a favor e 4 contra, a maior dissidência desde outubro de 1992. O comunicado apontou que os desdobramentos no Oriente Médio elevam a incerteza econômica.
A inflação americana segue pressionada pela alta dos preços globais de energia. A gasolina atingiu o maior nível em quatro anos, enquanto o CPI de março avançou 0,9%, maior alta desde junho de 2022. Com a manutenção nos EUA e a queda no Brasil, o diferencial entre as taxas chegou a 10,75 pontos, fator que influencia o fluxo de capitais e pode impactar o câmbio. Após a reunião, o mercado passou a precificar manutenção na próxima decisão do Fed com probabilidade de 94,8%.
O governo trabalha para divulgar o novo Plano Safra no começo de junho. A perspectiva é do ministro da Agricultura, André de Paula, que participou nesta segunda-feira (4) de uma reunião com líderes do setor na sede da Sociedade Rural Brasileira (SRB), em São Paulo.
A prioridade, segundo o ministro, é a questão dos juros. “Se você não constrói soluções que deem acesso ao produtor rural, esse esforço terá sido em vão”, disse. Vale destacar, entretanto, que no ano passado o Plano Safra foi divulgado em 1º de julho, data limite para o início da vigência.
Em valores, o setor agropecuário espera um montante de pelo menos R$ 623 bilhões para o Plano Safra 2026/27, conforme documento entregue pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) ao governo, na semana passada. “Eu acho que é factível ter um número mais alto e estamos trabalhando para isso”, afirmou De Paula.
Nesse contexto, o ministro reforçou que a confirmação do novo plano agrícola depende do Ministério da Fazenda. “Essas reuniões acontecem quase todo dia. Mas quem bate o martelo das prioridades e media eventuais conflitos de interesse é o presidente da República”, completou.
Ministro da Agricultura, André de Paula, participou de reunião na sede da Sociedade Rural Brasileira (SRB), em São Paulo
O novo Desenrola
A nova fase do programa de renegociação de dívidas do governo federal, lançado nesta segunda-feira (4), está sendo avaliada com cautela pelo agronegócio. Com o Desenrola 2.0, brasileiros de menor renda, estudantes, pequenas empresas e pequenos produtores rurais terão condições melhores para renegociar suas dívidas.
Apesar da nova fase do programa focar na agricultura familiar, que está sob responsabilidade do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), André de Paula disse que vai atuar como “advogado” do setor como um todo. Além disso, ele ressaltou que o Executivo tem plena consciência das dificuldades enfrentadas pelos produtores.
“Nesse sentido, o Desenrola é um instrumento importante que o governo pode disponibilizar para mitigar os efeitos desse endividamento”, afirmou.
De acordo com a medida provisória que institui o Desenrola 2.0, os agricultores terão até 20 de dezembro para aderir ao programa.
Desenrola 2.0: bom ou ruim para o produtor?
Na avaliação do consultor em finanças do agronegócio, Ademiro Vian, medidas como o Desenrola levam a um endividamento sem precedentes.
“Ocorre que estão estimulando os produtores a entrarem nessa roda viva de dívidas com juros de mercado, estimulando o mercado de capitais e a emissão de CPRs”, alerta.
Segundo Vian, se para a sociedade geral a solução proposta pelo programa de renegociação de dívidas pode gerar uma inadimplência estrutural, para o setor rural essa avaliação é mais crítica. “Produtores rurais não têm renda mensal, não têm crédito consignado, não têm FGTS”, aponta.
“Para o consumidor assalariado, o banco olha o comprometimento da renda mensal, se o valor da parcela consegue ser pago, podendo até ser diluído até caber no orçamento”, explica. No caso do produtor, contudo, a capacidade de pagamento é analisada ao fim da safra, independente do patrimônio dele.
Agro vive cenário de adversidades
O ministro reconheceu que o momento é desafiador para o setor e para a construção das políticas públicas. Segundo ele, o governo enfrenta “muitas adversidades” e trata o Plano Safra de forma transversal, envolvendo diferentes áreas.
Nesse sentido, André de Paula garantiu que não haverá hesitação na defesa do agro. “Não terei nenhum acanhamento de lutar para que a gente possa ter o maior sucesso possível nesse desafio”, afirmou, ao destacar que o resultado das medidas também impacta a confiança dos produtores.