O mercado físico do boi gordo registrou negociações mais aquecidas no decorrer da semana. Os frigoríficos estão mais atuantes na compra de gado para tentar ampliar suas escalas de abate.
Para o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, resta saber se a maior procura por gado conseguirá fazer com que a indústria trabalhe com um alongamento da programação.
“Isso porque as exportações destinadas à China perderam força, dado o esgotamento precoce da cota de embarques de 1,1 milhão de toneladas destinada ao Brasil neste ano”, contextualiza.
Tendências para os próximos meses
O coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, destaca que a tendêcia é que os preços da arroba se elevem de forma mais significativa a partir de setembro, com a indústria nacional se preparando para atender a cota chinesa em 2027.
“O atual momento de retomada parcial de preços dos últimos dias está mais associado a um movimento de oferta equilibrada e preparativos para atender à virada de quinzena no mercado doméstico na primeira quinzena de agosto”, destaca.
De acordo com ele, outros mercados têm participado mais ativamente de negociações com o Brasil para ampliar a compra de carne. “Não conseguem absorver o que China compra, mas devem ajudar a equilibrar um pouco mais a conta. O próprio mercado estadunidense deu um sinal favorável ao Brasil ao não aplicar tarifas adicionais à proteína brasileira, diferente do que aconteceu no ano passado”, relata.
Fabbri diz que o cenário aponta para a arroba do boi chegando próximo de R$ 370 no último trimestre, algo que o mercado futuro já aponta, com o contrato de janeiro de 2027 fechado em R$ 369,50 nesta sexta-feira (17).
Média da arroba do boi
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 16 de julho:
São Paulo (Capital): R$ 330, valor estável frente à última semana
Goiás (Goiânia): R$ 320, avanço de 1,59% frente aos R$ 315 do final da semana anterior
Minas Gerais (Uberaba): R$ 310, inalterado perante a semana anterior
Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 325, aumento de 1,56% frente aos R$ 320 registrados anteriormente
Mato Grosso (Cuiabá): R$ 320, sem mudanças frente ao valor praticado no fechamento da semana passada
Rondônia (Vilhena): R$ 310, declínio de 1,59% em relação aos R$ 315 anteriores
Mercado atacadista
O mercado atacadista se deparou com preços mistos durante a semana. Iglesias, de Safras & Mercado, ressalta que o ambiente de negócios aponta para uma menor sustentação das cotações no restante de julho à medida que o impacto da entrada dos salários na economia perde intensidade.
“Ao mesmo tempo, a carne bovina vem reduzindo sua competitividade frente às proteínas concorrentes, que voltam a demonstrar sinais de fragilidade, com destaque para a carne de frango”, assinala.
Quarto dianteiro: R$ 19,00 por quilo, queda de 5,00% frente aos R$ 20,00 praticados na semana passada
Quarto traseiro: R$ 26,00 por quilo, avanço de 1,96% frente aos R$ 25,50 da semana anterior
Exportações de carne
Foto: Pixabay
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 668,099 milhões em julho até o momento (8 dias úteis), com média diária de US$ 83,512 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A quantidade total exportada pelo país chegou a 104,664 mil toneladas, com média diária de 13,083 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.382,20.
Em relação a julho de 2025, houve alta de 25% no valor médio diário da exportação, ganho de 8,7% na quantidade média diária exportada e avanço de 15% no preço médio.
O Brasil voltou ao centro da ofensiva comercial do governo Donald Trump. Depois de uma sequência de tarifas, recuos judiciais e novas investigações, produtos brasileiros passaram a enfrentar uma cobrança de 25% nos Estados Unidos.
Outra tarifa, de 12,5%, ainda pode ser acrescentada sob a alegação de utilização de trabalho forçado. Se as duas medidas forem acumuladas, a taxação poderá chegar a 37,5%.
Não se trata apenas de mais uma divergência comercial. Estamos diante de uma estratégia de pressão econômica sobre um país que ampliou seus parceiros, diversificou suas exportações e passou a depender menos do mercado norte-americano.
A cronologia mostra que a ofensiva não surgiu de uma única decisão. Ela foi construída em etapas. Quando uma base legal foi derrubada pela Justiça estadunidense, o governo Trump procurou outro instrumento para reconstruir a mesma barreira. Muda a justificativa jurídica. Permanece o objetivo político.
A conta pode chegar a 37,5%
A tarifa de 25%, somada aos possíveis 12,5%, poderá resultar em uma taxação total de 37,5% sobre parte das exportações brasileiras. É um patamar próximo dos 50% impostos em 2025 e posteriormente derrubados pela Justiça dos Estados Unidos.
O resultado é a criação de uma barreira capaz de retirar competitividade dos produtos brasileiros, reduzir encomendas, atingir empregos e comprometer investimentos.
Não se trata apenas de vender menos aos Estados Unidos. Trata-se de aumentar o custo de acesso ao mercado que mais consome no mundo.
Os impactos também tendem a ser desiguais dentro do próprio Brasil. Estados como São Paulo, Santa Catarina e Paraná, que concentram parcela importante das exportações brasileiras de maior valor agregado destinadas ao mercado norte-americano, poderão sentir os efeitos de forma mais intensa.
São bens industriais, máquinas, equipamentos, produtos químicos, autopeças e manufaturados que geram empregos qualificados, renda e arrecadação. Por isso, os efeitos das tarifas ultrapassam o comércio exterior e alcançam diretamente a atividade econômica desses estados.
Justificativa econômica não se sustenta
A investigação dos Estados Unidos afirma que o Brasil concederia tratamento preferencial a parceiros como México e Índia. Esse argumento ignora dois fatos fundamentais.
O primeiro é jurídico. O Brasil integra o Mercosul e está vinculado a um conjunto de acordos internacionais que disciplinam sua política comercial. Assim, qualquer concessão tarifária relevante depende das regras do bloco e não pode ser feita unilateralmente para atender à pressão de um único país sem ferir compromissos assumidos com os demais integrantes.
O segundo é econômico. Os Estados Unidos mantêm superávit na corrente de comércio com o Brasil. Em outras palavras, vendem mais aos brasileiros do que compram do Brasil.
Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável: negociar o quê? Se o Brasil já registra déficit nessa relação comercial, não havia uma concessão econômica capaz de alterar substancialmente esse quadro.
Restaria apenas negociar aquilo que um país soberano não negocia: sua autonomia para definir sua política externa, seus parceiros comerciais e seus interesses nacionais. A nossa soberania, isso não.
É justamente por isso que essa disputa deixa de ser apenas comercial e passa a assumir um claro componente geopolítico.
Exceções revelam a verdade
A própria lista de produtos poupados das tarifas ajuda a compreender a estratégia de Trump. Café, carne bovina, suco de laranja, cacau, castanhas, minério de ferro, celulose, petróleo, aeronaves civis e ferro-gusa aparecem entre os itens protegidos ou parcialmente excluídos.
São produtos dos quais a economia norte-americana precisa. Os Estados Unidos não conseguem produzi-los internamente em volume suficiente ou dependem do fornecimento brasileiro para manter suas cadeias produtivas funcionando.
Por isso, Trump tarifa aquilo que pode, mas procura preservar o que poderia provocar inflação, desabastecimento ou aumento expressivo dos custos dentro dos próprios Estados Unidos.
As exceções demonstram que a medida não segue apenas critérios comerciais. Segue a conveniência política e estratégica americana.
O alvo é a autonomia brasileira
Nas últimas décadas, o Brasil ampliou fortemente suas relações comerciais com a Ásia, o Oriente Médio, a América Latina e a África.
A China tornou-se o principal destino das exportações brasileiras. A Índia ganhou importância. Outros mercados passaram a absorver produtos industriais e agropecuários antes concentrados em poucos compradores.
Essa diversificação é positiva para o Brasil, mas reduz a influência dos Estados Unidos sobre as decisões brasileiras. O tarifaço deve ser interpretado dentro desse contexto.
Trump procura recolocar o Brasil sob a órbita prioritária de Washington, limitando sua aproximação com outras potências e dificultando a construção de uma política externa mais independente.
Não é apenas uma discussão sobre tarifas. É uma disputa sobre alinhamento, influência e poder.
O agro também paga a conta
Parte importante dos produtos agropecuários brasileiros foi poupada. Isso não significa que o campo esteja protegido dos efeitos da disputa. A instabilidade comercial afeta preços, investimentos, crédito, câmbio, logística e decisões de produção.
Máquinas, equipamentos e tecnologias importadas podem ficar mais caros. Empresas ligadas ao setor podem rever projetos. O risco aumenta, e o custo do dinheiro acompanha esse movimento.
Além disso, tarifas podem desorganizar os fluxos internacionais de mercadorias, provocar redirecionamento de produtos e ampliar a volatilidade das commodities.
Mesmo quando a cobrança não atinge diretamente o produtor, seus efeitos acabam percorrendo toda a cadeia.
Resposta exige firmeza e prudência
O Brasil possui instrumentos para reagir, entre eles a Lei de Reciprocidade Econômica e os mecanismos de contestação da Organização Mundial do Comércio. Mas uma eventual retaliação precisa ser cuidadosamente calculada.
O objetivo não deve ser ampliar o conflito nem impor custos adicionais ao consumidor e ao produtor brasileiro. A resposta precisa atingir setores estratégicos, preservar os interesses nacionais e manter aberto o espaço para a negociação.
O Brasil não pode demonstrar submissão. Também não deve agir por impulso. Firmeza não significa imprudência.
O debate ultrapassa partidos, governos e disputas eleitorais. O produtor rural, o industrial, o exportador e o trabalhador brasileiro não são responsáveis pelas decisões do governo norte-americano.
O Brasil está sendo pressionado porque ampliou sua presença internacional, diversificou mercados e passou a exercer maior autonomia. Nossas divergências internas não podem ser transformadas em vantagem para quem tenta enfraquecer o país externamente.
É possível criticar o governo brasileiro e, ao mesmo tempo, defender os interesses do Brasil. Uma coisa não elimina a outra. Quando um país é alvo de uma pressão externa, governo e oposição continuam tendo diferenças. Mas, acima delas, existe algo maior: o interesse nacional.
O Brasil pode divergir internamente. O que não pode é enfrentar dividido uma ofensiva que mira toda a Nação.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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As exportações do Paraná somaram US$ 8,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, resultado 5% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Os dados constam no Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado nesta quinta-feira (16), e mostram que o desempenho foi impulsionado principalmente pelo Complexo Soja e pelo setor de carnes.
Segundo o Deral, o Complexo Soja foi o principal responsável pelo avanço das receitas externas, com crescimento de 18% na comparação anual. O faturamento passou de US$ 3,05 bilhões, no primeiro semestre de 2025, para US$ 3,6 bilhões em igual período deste ano. O grupo de carnes, segundo maior segmento exportador do Estado, também apresentou expansão, com alta de 16% na receita. Juntos, os dois setores responderam por mais de 70% de toda a receita obtida com as exportações paranaenses.
O boletim aponta que o Complexo Soja, sozinho, representou 40,4% da receita total das exportações do Paraná entre janeiro e junho. A soja em grão liderou o desempenho, com US$ 2,43 bilhões em receitas, resultado 12,5% superior ao observado no mesmo período do ano passado.
O farelo de soja ocupou a segunda posição entre os produtos do complexo, acumulando US$ 659,4 milhões em exportações, também com crescimento superior a 12%. Já o óleo bruto de soja apresentou o maior avanço proporcional entre os principais itens exportados. A receita alcançou US$ 461,5 milhões no semestre, aumento superior a 73% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
Apesar da elevação no faturamento, o volume total embarcado pelo Paraná registrou retração de 3%. Conforme o Deral, a redução está relacionada principalmente à menor quantidade exportada de milho, que permaneceu no mercado interno, além da queda nas exportações de produtos florestais e de açúcar.
Duas pessoas morreram após uma aeronave de pequeno porte cair em uma região rural entre Palmas e Lajeado, no Tocantins, na manhã deste sábado (18). As vítimas são o médico Ederson da Silva, de 68 anos, e a esposa dele, Roseli Amarilda Pechulo Silva, de 62.
O piloto, identificado como Hamilton Lopes da Conceição, foi encaminhado ao Hospital Geral de Palmas (HGP) e permanece sob cuidados médicos em estado considerado instável, conforme a Polícia Militar (PM). O avião decolou de um aeródromo na capital e seguia com destino ao município de Redenção, no sudeste do Pará.
De acordo com apuração do G1, testemunhas contaram que ouviram um “estalo” pouco depois da decolagem e o avião começou a perder altitude até colidir contra o solo.
O casal era proprietário do Hospital São Lucas, em Redenção. Segundo a PM, Roseli morreu no local do acidente, enquanto Ederson chegou a ser retirado das ferragens e recebeu os primeiros atendimentos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos.
Em razão do risco de incêndio provocado pelo combustível, os bombeiros que atenderam a ocorrência estabeleceram uma linha preventiva de combate para garantir a segurança no local.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) ainda não divulgou as possíveis causas do acidente.
José e Lazara ao lado de Rosi e Raphael na Fazenda }Zé Pequeno
O que começou como a vontade de aproveitar melhor o leite produzido na propriedade da família acabou se transformando em um negócio milionário. Esta reportagem, escrita originalmente por Hildeberto Jr., foi uma das mais lidas da semana passada.
Há 12 anos, o casal Rosi Barbosa e Raphael Figueiredo fundou a fabricante de doce de leite Rocca, em Pouso Alegre (MG). Hoje, a empresa registra faturamento anual de R$ 24 milhões, produz cerca de 18 mil potes por dia, está presente em todo o Brasil e se prepara para iniciar as exportações.
Porém, a história começou muito antes da fábrica. Rosi pertence à quarta geração de uma família dedicada à produção de leite e cresceu acompanhando os pais, José e Lazara, na fazenda Zé Pequeno.
“Eu faço parte da quarta geração de produtores de leite da minha família e da primeira geração a transformar esse leite em doce de leite”, conta.
Na época, a realidade da propriedade era parecida com a de muitas fazendas leiteiras brasileiras. Os seis filhos do casal haviam deixado o campo, seguindo o movimento de êxodo rural, e José permanecia praticamente sozinho na atividade, produzindo cerca de 200 litros de leite por dia.
“Todos os filhos tinham saído da fazenda. Meu pai estava aqui sozinho com a minha mãe e a produção de leite estava bem baixinha”, relembra Rosi.
Um sonho que saiu do papel
Formada em Direito, Rosi nunca se identificou com a profissão. Em um evento de empreendedorismo, compartilhou com o marido um desejo antigo: produzir doce de leite usando o leite da fazenda.
A inspiração vinha da própria mãe, Lazara, que preparava o doce artesanalmente em tachos de cobre. Raphael, por outro lado, não tinha qualquer ligação com o meio rural. Natural de Belém (PA), formado em Engenharia de Telecomunicações e com carreira em multinacionais com sede em São Paulo, enxergou potencial no projeto.
“Eu tinha muita sede de empreender. Coloquei a ideia no papel e vi que era viável. Hoje sou produtor de leite também, mas há 13 anos eu não entendia absolutamente nada do meio rural”, lembra.
O objetivo do casal nunca foi apenas fabricar doces. A estratégia consistia em verticalizar a produção, deixando de vender apenas leite, uma commodity de margens apertadas, para comercializar um produto com maior valor agregado. “A ideia era verticalizar a produção da fazenda. Sempre quisemos construir uma marca forte”, explica Raphael.
Segundo Rosi, a empresa nasceu com uma proposta clara: produzir um doce de leite feito apenas com leite e açúcar, sem espessantes ou conservantes. “Nosso propósito sempre foi fazer um produto clean label. O nosso slogan é ‘Leite. Açúcar. Amor. Só.’”, destaca.
Ela conta que a decisão surgiu após perceber que boa parte dos doces de leite vendidos no mercado brasileiro havia perdido características tradicionais da receita mineira.
“O doce de leite argentino era muito valorizado, enquanto o brasileiro recebia espessantes, conservantes e outros aditivos. A gente queria resgatar o prazer de comer um doce de leite puro”, afirma.
Embora nunca tenham planejado atuar no segmento premium, a proposta acabou posicionando a Rocca entre as marcas de maior valor agregado do segmento. O produto ganhou identidade própria com um processo de fabricação mais lento, ingredientes naturais e uma marca pensada desde o início para ser reconhecida também fora do Brasil.
Faturamento milionário
Fábrica de doce leite / Foto: Divulgação – Rocca
No primeiro ano de funcionamento, a Rocca faturou cerca de R$ 200 mil, produzindo aproximadamente 18 mil potes de doce de leite. Hoje, essa quantidade é fabricada em apenas um dia. “Os 18 mil potes que fizemos no primeiro ano hoje são produzidos em apenas um dia”, revela Rosi.
Em 2025, a empresa encerrou o ano com R$ 24 milhões de faturamento, consolidando a marca em todo o território nacional.
Enquanto a indústria crescia, a produção de leite também precisou evoluir.Há cerca de cinco anos, o irmão de Rosi, Romero Barbosa, agrônomo, voltou para a fazenda e tornou-se sócio da operação leiteira.
A propriedade abandonou o sistema baseado em pastagens e passou a adotar confinamento em compost barn, além de investir em genética, inseminação artificial e transferência de embriões.
A produtividade média saltou de 12 litros para 35 litros de leite por vaca por dia. Atualmente, a fazenda conta com cerca de 83 animais, sendo 39 vacas em lactação, e toda a produção abastece exclusivamente a Rocca.
“Hoje a gente consegue ter um resultado melhor. A fazenda e a Rocca são negócios separados, mas 100% do leite produzido aqui é vendido para a fábrica”, explica Raphael.
Exportação é o próximo passo
Vacas holandesas da Fazenda Zé Pequeno/ Foto: Divulgação – Rocca
Presente em todos os estados brasileiros, a Rocca agora se prepara para dar um novo salto. A empresa está em processo de obtenção do Serviço de Inspeção Federal (SIF), certificação que permitirá exportar seus produtos.
Segundo Raphael, a companhia já participa de programas da ApexBrasil voltados à internacionalização e estuda mercados do Mercosul e de outros países. “A ambição de exportar sempre fez parte da empresa. Agora isso começa a se tornar um projeto concreto”, afirma.
Empresa reuniu a família
Para Rosi, um dos maiores legados da Rocca vai muito além do crescimento da empresa. O negócio também mudou a rotina da família e devolveu movimento à Fazenda Zé Pequeno.
Quando ela e Raphael decidiram transformar o leite produzido na propriedade em doce de leite, os pais, José e Lazara, já viviam praticamente sozinhos na fazenda. Como aconteceu com muitas famílias do campo, os seis filhos haviam deixado a propriedade em busca de oportunidades nas cidades.
“Quando voltamos, trouxemos vida para a fazenda. Hoje tudo acontece aqui dentro. Eu e o Rafa construímos nossa casa na propriedade, criamos nossos filhos aqui, meu irmão voltou para ser nosso sócio e meus pais convivem diariamente com toda a equipe. Eles dizem que a Rocca virou uma família para eles”, conta.
Ela afirma que os pais não apenas apoiaram o projeto desde o início, mas também foram fundamentais para que ele existisse.
“Sem o meu pai e sem a minha mãe não existiria a produção de leite. E sem o leite, não existiria a Rocca. Eles sempre nos apoiaram e continuam sendo uma inspiração todos os dias.”
Rosi também faz questão de destacar o papel do marido na construção da empresa. Segundo ela, o sonho de produzir doce de leite existia antes mesmo do negócio nascer, mas foi Raphael quem enxergou potencial para transformá-lo em realidade.
“Eu sempre digo que Deus colocou o Rafa no meu caminho. Foi ele quem pegou um sonho que estava dentro do meu coração e ajudou a colocar tudo no papel. No começo éramos só nós dois, sem funcionários, sem estrutura. Ter um parceiro ao lado fez toda a diferença. Quando um não estava bem, o outro sustentava. Foi assim que conseguimos construir a Rocca”, afirma.
Ela ressalta que, mesmo com o crescimento da empresa e a chegada de novos sócios e colaboradores, o sentimento de parceria permanece o mesmo.
“Hoje temos pessoas extremamente competentes trabalhando conosco, mas continuo me sentindo muito honrada por dividir esse projeto com alguém que acreditou nele desde o primeiro dia.”
Já Raphael acredita que o maior patrimônio construído pela família não é apenas a marca, mas a possibilidade de transmitir esse projeto para os filhos.
Segundo ele, trabalhar em família sempre foi o modelo de negócio em que mais acreditou. “Antigamente era comum ver a família inteira trabalhando no mesmo negócio. Um cuidava da produção, outro do atendimento, outro das entregas. É nisso que a gente acredita: crescer junto como família.”
Hoje, o casal já vê a quinta geração circulando pela fazenda. Os dois filhos ainda são pequenos, o mais velho tem apenas dois anos, mas Raphael espera que eles deem continuidade à história iniciada pelos avós e fortalecida pelos pais.
“Espero que eles também se envolvam com a fazenda e com os nossos negócios. Acho muito poderoso quando uma família trabalha unida. Deus abençoa as famílias. Poder construir a nossa aqui, na fazenda onde a Rosi nasceu, convivendo todos os dias com os meus sogros, com o Romero, com a Rosi e com os nossos filhos, é algo muito especial”, afirma.
Mais do que construir uma marca reconhecida nacionalmente, o casal diz que o maior orgulho é ter criado um negócio capaz de manter viva a tradição leiteira da família e, ao mesmo tempo, abrir caminho para que as próximas gerações continuem escrevendo essa história dentro da Fazenda Zé Pequeno.
O destino do produtor Didácio Milhomens sempre esteve ligado às asas. Natural de Gurupi, no Tocantins, ele cresceu no ambiente do agronegócio. Contudo, aos 16 anos, mudou-se para Brasília atraído pelo fascínio dos aviões coloridos da aviação comercial.
Por mais de três décadas ele trabalhou como piloto, acumulando a impressionante marca de 30 mil horas de voo. Apesar da rotina exaustiva no céu, o coração dele continuava no campo. Por isso, em 2006, ele comprou uma propriedade no Distrito Federal e investiu na avicultura de corte. A atividade era ideal, pois os galpões permitiam o acompanhamento à distância durante suas viagens.
No entanto, a transição definitiva para a terra aconteceu de forma inesperada durante a pandemia. A crise global antecipou sua aposentadoria dos aviões. Embora o encerramento da carreira tenha trazido um sentimento inicial de perda, o agronegócio transformou-se em um porto seguro. Milhomens guardou o relógio de piloto e eliminou a cobrança neurótica por minutos atrasados.
Hoje, ele canaliza toda a sua energia na granja. Essa fusão de paixões gerou até a logomarca da empresa, que une criativamente a asa de uma aeronave ao desenho de um frango.
Da cabine do avião para as granjas
A experiência na cabine de comando tornou-se o grande diferencial de Didácio na lida rural. Na aviação, ele foi treinado à exaustão para gerenciar tripulações, passageiros e contornar tempestades inesperadas.
Na avicultura de corte, os desafios são muito parecidos. Qualquer falha nos geradores automáticos ou oscilação de energia na madrugada coloca em risco a vida de milhares de aves. Portanto, a resiliência e a agilidade para resolver emergências sem paralisar são lições que ele trouxe direto das nuvens para o galpão.
Atualmente, o complexo avícola chama a atenção pela alta tecnologia instalada. Na propriedade atual, Didácio comanda quatro aviários climatizados e modernos. Cada um aloja 41.400 aves, somando 165.400 frangos da categoria pesado. Além disso, o produtor possui outra propriedade com quatro galpões antigos.
Esse segundo núcleo tem capacidade para 120 mil cabeças e passará por reformas para voltar a alojar. Sensores inteligentes controlam a temperatura e a umidade de forma quase autônoma. Mesmo assim, o acompanhamento rigoroso do produtor e de seus quatro funcionários garante o sucesso dos lotes.
Determinação familiar
A caminhada de Didácio é marcada por superações que inspiram seus quatro filhos. Ele saiu de uma infância humilde, construiu sua carreira por mérito próprio e enfrentou momentos dolorosos, como o falecimento de sua esposa. Sua filha, que seguiu carreira como médica veterinária, admira de perto a tenacidade do pai. Didácio não delega as decisões importantes e faz questão de resolver pessoalmente os entraves. Recentemente, ele chegou a acionar o filho de madrugada para solucionar um problema na emissão de notas fiscais e liberar o transporte das aves.
Olhando para o céu de Brasília, de onde ainda observa as rotas dos aviões que cruzam a chácara, Didácio se sente plenamente realizado. No futuro, o plano é passar as funções aos poucos para que os filhos deem continuidade ao negócio.
Para ele, o campo representa a perfeição da vida. Afinal, sua nova missão não é apenas gerenciar sensores e equipamentos, mas entregar alimento de qualidade para milhões de pessoas. Assim, com os pés firmes na terra, o ex-aviador segue no comando do seu projeto mais estável e promissor.
*Sob supervisão de Victor Faverin
O Interligados – Vida no Campo já percorreu vários estados brasileiros para contar histórias de quem vive no campo. Agora, qual será a nossa próxima parada? Pode ser justamente aí, na sua propriedade!
O Reino Unido, formado por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, anunciou nesta sexta-feira (17), após reuniões entre o governo e entidades do setor de carnes, que continuará comprando proteínas animais do Brasil independentemente da decisão de bloqueio da União Europeia, da qual faz parte.
O bloco anunciou que a partir de 3 de setembro pode interromper as compras de produtos de origem animal brasileiros, o que também inclui ovos e mel, pelo fato de o país não atender suas exigências de controle do uso de antimicrobianos na produção.
Entretanto, conforme informações da Associação Internacional de Comércio de Carne (Imta), ficou acordado que o governo britânico realizará uma avaliação técnica própria antes de definir eventuais mudanças em sua política comercial. Assim, pretende analisar de forma independente os sistemas brasileiros de controle sanitário e de rastreabilidade nas cadeias produtivas de bovinos e aves.
Além disso, caberá ao Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra) conduzir uma avaliação detalhada da estrutura brasileira de fiscalização e do controle do uso de antimicrobianos. Até a conclusão desse processo, as exportações brasileiras para o mercado britânico estão autorizadas.
O anúncio dos britânicos foi comemorado pelos exportadores brasileiros, que consideram aquele mercado estratégico para a venda de carnes de maior valor agregado. Para as entidades do setor, a posição de buscar uma investigação em separado, a despeito do xeque-mate imposto pela União Europeia, demonstra confiança no diálogo técnico entre os países e cria um ambiente favorável para o Brasil dar robustez a documentos e provas que mostrem a rigidez do controle sanitário nacional.
Em 2025, o Brasil exportou 29,98 mil toneladas de carne bovina para o Reino Unido, 7,3% a mais do que em 2024. Ao mesmo tempo, a receita teve aumento de 33%, somando US$ 185,32 milhões.
Já no primeiro semestre deste ano, os embarques para lá somaram 12,47 mil toneladas, queda de 2,9% em comparação ao volume de igual período de 2025. Ainda assim, o preço médio pago pela proteína brasileira pelos britânicos teve incremento de 24,2% nesses seis primeiros meses, de acordo com dados da Comex/Stat.
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Nesse cenário, Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai aparecem em posição favorável – Foto: coniferconifer
O clima pode abrir uma nova oportunidade para as exportações de arroz do Mercosul nos próximos meses, especialmente diante dos riscos de perdas produtivas em regiões dependentes de importações. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, o alerta da FAO sobre os efeitos do El Niño na América Central e no Caribe merece atenção por seu possível impacto sobre a demanda internacional.
Caso a produção local seja prejudicada, países como Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, República Dominicana, Haiti e Cuba poderão ampliar as compras externas para garantir o abastecimento. Esse movimento teria potencial para alterar o fluxo comercial do cereal e criar novas oportunidades para fornecedores próximos e competitivos.
Nesse cenário, Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai aparecem em posição favorável. Além de reunirem produção com capacidade de competir no mercado externo, os países contam com uma vantagem logística relevante. A rota pelo Atlântico é o caminho natural para atender parte desses mercados, o que pode fortalecer a presença do Mercosul nas exportações.
Outro fator que pode ampliar esse espaço é uma eventual redução da oferta exportável de grandes produtores asiáticos, como Índia, Tailândia e Vietnã. Se o El Niño também afetar esses países, a disputa pelo arroz disponível tende a aumentar, contribuindo para preços internacionais mais firmes e melhores condições de comercialização na safra 2026/27.
O cenário ainda não representa uma previsão consolidada, mas indica um movimento que deve ser acompanhado de perto. No mercado de arroz, mudanças climáticas costumam antecipar ajustes na oferta, na procura e nos preços, com reflexos diretos sobre as estratégias comerciais dos países produtores.
O produtor rural Lucas Scheffer, de Cacequi, na região central do Rio Grande do Sul, área fortemente afetada por excesso de chuva, inundações e também seguidas estiagens, tem se mostrado descrente com os efeitos das novas medidas voltadas à renegociação de dívidas. A matéria que traz o depoimento do agricultor foi uma das mais lidas do site do Canal Rural na última semana.
A Medida Provisória 1.376, publicada nesta quarta-feira (15), por exemplo, foi comemorada por lideranças do setor, como a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), mas isso não significa que ela agradou o produtor que está ali na ponta, no dia a dia do campo e endividado.
Para Scheffer, a carência de dois anos para o início do pagamento das dívidas, como prevê a nova MP, pode dar fôlego ao produtor, mas o prazo de 10 anos para que ele arque com seus débitos é insuficiente.
“Com a dívida acumulada nos anos de perda, cerca de 40% dos produtores gaúchos deve, em média, 140 sacas de soja por hectare. Ao dividir em dez anos, teremos 14 sacas de soja ao ano para pagar, com o custo para implantar a lavoura em cerca de 40 sacas por hectare, fora os outros custos, como manutenção, renovação de frota e investimentos, ou seja, se somarmos as 40 sacas de custo, mais as 14 de dívida acumulada, significam 54 sacas de soja apenas para pagar as contas. Essa matemática não fecha”, destaca.
Ele aponta que nem mesmo a média produtiva de 60 sacas por hectare, alcançada pelos produtores gaúchos na safra 2020/21 — a melhor desde então — seria capaz de permitir que o produtor gaúcho arcasse com suas dívidas no modelo proposto pela nova Medida Provisória.
Scheffer também aponta que o reaproveitamento de garantias para o refinanciamento dos débitos é outra iniciativa do texto que não encontra lastro na realidade. “Como vamos financiar o crédito do Plano Safra 2026/27? Como fazer isso se o produtor já vem rolando dívidas há cinco anos, utilizando as garantias e o patrimômio que tem. Como vamos conseguir acessar recurso novo se não temos mais garantias, sendo que as garantias que possuímos já estão sendo utilizadas nessa renegociação?”, questiona.
Para sanar este problema, a nova MP incorpora o Fundo Garantidor, que estava previsto no PL 5122/2023, um mecanismo financeiro criado pelo governo federal, com aporte de até R$ 2 bilhões, para facilitar a renegociação de dívidas de produtores rurais e destravar o crédito no campo.
Em resumo, o instrumento é um mitigador de risco para as instituições financeiras, cobrindo eventuais inadimplências, permitindo que produtores sem garantias suficientes consigam acesso a novos financiamentos ou alongamento de débitos.
Pelo texto acertado entre governo e Congresso, poderão acessar as condições de repactuação produtores rurais e cooperativas com perdas registradas entre 2019 e 2025. Também entram operações de crédito inadimplentes entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de maio de 2026, além de operações adimplentes que tenham sido prorrogadas até 31 de maio de 2026.
Para que o produtor conheça todos os detalhes da nova MP, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) elaborou uma cartilha que pode ser baixada e lida aqui.
Um abacate de 2,434 kg virou assunto na região das montanhas capixabas após ser colhido em uma propriedade rural de Domingos Martins, no Espírito Santo. O fruto, encontrado pelo produtor Claudomir Dalcol no sábado passado (11), chamou a atenção pelo tamanho muito acima da média e ficou a apenas 116 gramas do recorde mundial registrado pelo Guinness World Records.
Morador de Ribeirão Capixaba, Claudomir conta que comprou o sítio há cerca de três anos já com os abacateiros plantados. Desde então, faz apenas os cuidados de rotina na propriedade, onde também cultiva uma horta. Ao todo, são mais de 15 pés de abacate no terreno, além de outras dezenas existentes nas propriedades vizinhas.
“Na hora eu achei que o abacate estava bem pesado, mas não imaginava que chegaria a tudo isso. Levei o fruto até uma mercearia para pesar e fiquei surpreso quando a balança marcou 2,434 kg”, relata o produtor, que afirma haver outros frutos de grande porte na mesma árvore.
Para se ter uma ideia, um abacate comercial costuma pesar entre 200 g e 400 g. O exemplar colhido em Domingos Martins é de seis a doze vezes mais pesado que o padrão encontrado nos mercados. Com tanta polpa, seria possível preparar cerca de 17 copos de vitamina.
O tamanho impressionante quase garantiu um lugar no “Livro dos Recordes”. O maior abacate já registrado pelo Guinness pesou 2,55 kg e foi colhido no Havaí, nos Estados Unidos, em 2018. O fruto capixaba ficou apenas 116 g abaixo da marca.
Segundo o produtor e engenheiro-agrônomo Alberto Falchetto, apesar de raro, o surgimento de frutos gigantes é perfeitamente possível e está diretamente ligado às características genéticas da planta.
“O Espírito Santo tem um enorme potencial para o cultivo de abacate. Temos clima, solo e relevo que favorecem muito a cultura, principalmente na região serrana. Quando aparece um fruto desse tamanho, a primeira reação é de espanto, mas isso pode acontecer”, afirma.
De acordo com o agrônomo, esses abacateiros geralmente são chamados de “pés francos”, originados de sementes provenientes da polinização natural, sem pertencer a variedades comerciais registradas. Nesses casos, cruzamentos naturais podem resultar em plantas capazes de produzir frutos muito acima do tamanho convencional. Há relatos, inclusive, de exemplares com mais de 2,5 kg produzidos em municípios serranos do Espírito Santo.
“O principal fator para um abacate atingir esse porte é a genética. O clima, a disponibilidade de água, a fertilidade do solo e o manejo ajudam no desenvolvimento da planta, mas é a carga genética que determina esse potencial”, afirma Falchetto.
Embora despertem curiosidade, frutos gigantes não costumam ser utilizados em cultivos comerciais, já que o mercado prefere abacates com tamanho uniforme, o que facilita o transporte, a embalagem e a comercialização.
Foto: arquivo pessoal
Cultivo de abacate tem expansão no ES
O caso acontece em um momento de expansão da cultura no Espírito Santo. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o estado se consolidou, em 2024, como o quarto maior produtor de abacate do Brasil, com 33.735 toneladas colhidas em uma área de 1.344 hectares.
Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), o Valor Bruto da Produção (VBP) da cultura ultrapassou R$ 88,7 milhões no ano passado, mais que o dobro do registrado em 2023. Ao todo, o Espírito Santo reúne 572 estabelecimentos rurais dedicados ao cultivo, sendo 69% pertencentes à agricultura familiar.
A região serrana concentra a maior parte da produção estadual. Venda Nova do Imigrante lidera o ranking, seguida por Marechal Floriano, Vargem Alta e Castelo, consolidando a região como uma das principais produtoras de abacate do país.
Além de abastecer o mercado interno, a fruta cultivada no Espírito Santo também é exportada, principalmente para França e Espanha.