sábado, março 14, 2026

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Mais da metade do café analisado em compras públicas apresenta fraude


grãos café
Foto Divulgação: Sebrae Minas

Mais da metade das amostras de café torrado e moído analisadas em compras públicas no Paraná apresentou fraude por excesso de matérias estranhas e impurezas acima do limite legal.

Somente em 2025, auditores fiscais federais agropecuários apreenderam cerca de 40 toneladas de grão irregular no estado, volume equivalente a aproximadamente 80 mil pacotes de 500 gramas.

As irregularidades foram identificadas a partir de análises laboratoriais realizadas em produtos adquiridos por órgãos públicos.

Desde a entrada em vigor da Portaria SDA nº 570, em 2022, foram realizadas no Paraná 186 coletas de amostras de café, com 168 laudos concluídos. Desse total, 89 amostras, o equivalente a 53%, foram desclassificadas, com registros de teor de impurezas que chegaram a ultrapassar em mais de 20 vezes o limite permitido.

As compras públicas envolvem, em geral, produtos com circulação restrita ao ambiente institucional ou destinados a estabelecimentos próprios, o que dificulta a identificação desses itens pela fiscalização.

Diante desse cenário, a estratégia adotada incluiu o levantamento de órgãos que haviam adquirido recentemente café torrado e moído, a coleta de amostras para análise laboratorial e a apreensão cautelar de marcas cujos lotes já apresentavam histórico de irregularidades.

Do ponto de vista técnico, a fraude é caracterizada quando a análise laboratorial aponta teor de matérias estranhas e impurezas superiores a 1%. Nessas impurezas e nos grãos defeituosos concentram-se contaminantes, especialmente fungos capazes de produzir resíduos tóxicos.

Segundo o presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo Macedo, “a fiscalização atua para garantir que um produto de consumo diário pela população esteja em conformidade com os padrões oficiais de qualidade, protegendo a saúde do consumidor e evitando prejuízos ao uso de recursos públicos”.

Penalidades aos infratores

Após a confirmação da fraude em laboratório, o fluxo de fiscalização prevê a lavratura de auto de infração contra a empresa responsável. Caso não haja solicitação de análise pericial, é determinado o recolhimento do lote irregular.

No curso do processo administrativo, podem ser aplicadas penalidades como multa e condenação do produto apreendido de forma cautelar.

De acordo com Macedo, o aumento das irregularidades identificadas em 2025 está relacionado à intensificação das ações fiscais sobre o café torrado e moído após a entrada em vigor da Portaria SDA nº 570.

As fiscalizações têm evidenciado práticas que já vinham ocorrendo anteriormente, sobretudo relacionadas ao uso de matéria-prima de baixa qualidade, com elevado percentual de grãos defeituosos e presença de impurezas provenientes do próprio cafeeiro, como cascas, palhas e fragmentos de galhos.

Além da análise do produto final, a auditoria agropecuária atua na verificação dos processos produtivos das empresas torrefadoras e na exigência da adoção de boas práticas de fabricação, com o objetivo de assegurar que os alimentos estejam em conformidade com as normas oficiais, não ofereçam riscos ao consumidor e garantam o uso adequado dos recursos públicos nos processos de licitação.

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Calor intenso e tempestades devem marcar os próximos dias


O calor que atingiu boa parte do Brasil nestes primeiros dias de verão segue intenso em quase todo o país. Somadas às altas temperaturas, a umidade favorece a formação de áreas de instabilidade, especialmente na região Sul e na faixa centro-norte, onde podem ocorrer chuvas fortes e intensas.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), até ao menos o fim da tarde desta sexta-feira (26), as temperaturas tendem a superar a média histórica do período em parte do Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiânia, Minas Gerais, Espírito Santo e em todo os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, onde os termômetros podem alcançar registros 5°C acima das médias.

Ainda de acordo com o Inmet, na Região Sul, a umidade proveniente da Amazônia e a formação de áreas de baixa pressão favorecem a ocorrência de chuvas persistentes, que podem estar acompanhadas por rajadas de vento capazes de superar os 100 km/h, além de descargas elétricas e, pontualmente, queda de granizo.

O Instituto também emitiu um alerta sobre o perigo potencial chuvas intensas atingirem partes dos seguintes estados da Região Norte:

  • Acre;
  • Amapá;
  • Amazonas;
  • Pará;
  • Rondônia;
  • Roraima; e
  • Tocantins

Além de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste, entre a 0 hora de hoje (25) e a meia-noite desta sexta-feira (26).

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Açúcar reage no mercado externo e volta a patamar relevante



No mercado de etanol, a paridade nas bombas no estado de São Paulo já supera 69%


No mercado de etanol, a paridade nas bombas no estado de São Paulo já supera 69%
No mercado de etanol, a paridade nas bombas no estado de São Paulo já supera 69% – Foto: Divulgação

O mercado de açúcar e etanol apresentou movimentos relevantes ao longo da semana, refletindo ajustes de preços, fatores cambiais e condições de oferta no Brasil e no exterior. Segundo análise da StoneX, os contratos internacionais do açúcar voltaram a operar acima de níveis considerados importantes, enquanto o mercado doméstico de combustíveis segue pressionado por restrições de oferta e mudanças tributárias.

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de açúcar com vencimento em março de 2026 testou em diversos momentos o patamar acima de US¢ 15 por libra-peso e conseguiu sustentar esse nível no pregão mais recente, encerrando a US¢ 15,10/lb. O movimento representou uma alta semanal de 30 pontos, equivalente a 2%. A recuperação dos preços já vinha sendo esperada diante da limitação das exportações globais até janeiro, período marcado pela entressafra no Centro-Sul do Brasil e pelo início ainda gradual da colheita na Tailândia. Ao mesmo tempo, a valorização do dólar, que voltou a superar R$ 5,40, elevou a atratividade das cotações internacionais convertidas para o mercado interno. Com isso, os preços do açúcar NY#11 na primeira tela alcançaram cerca de R$ 1.880 por tonelada, estimulando o interesse de algumas usinas da região Centro-Sul.

No mercado de etanol, a paridade nas bombas no estado de São Paulo já supera 69%, indicando um ambiente mais favorável ao biocombustível frente à gasolina. As negociações no mercado spot paulista entre usinas e distribuidoras têm se mantido em torno de R$ 3,55 por litro nas primeiras semanas de dezembro. A expectativa é de continuidade da pressão altista na segunda metade do mês, quando os preços tendem a se aproximar e até ultrapassar R$ 3,60 por litro. Além da restrição de oferta típica do período, o aumento previsto de R$ 0,10 por litro no ICMS da gasolina deve contribuir para a elevação das cotações, sobretudo no fim do mês.

 





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Soja segue pressionada e limita chance de alta sazonal



Os contratos mais curtos registraram leves perdas


Os contratos mais curtos registraram leves perdas
Os contratos mais curtos registraram leves perdas – Foto: Pixabay

O mercado da soja encerrou a sessão desta terça-feira com viés predominantemente negativo em Chicago, refletindo um ambiente de cautela e reduzindo a expectativa de um movimento de alta sazonal no fim do ano. Segundo a TF Agroeconômica, a oleaginosa segue pressionada pela combinação de fatores técnicos desfavoráveis e fundamentos que não sustentam uma recuperação consistente dos preços.

Os contratos mais curtos registraram leves perdas, mantendo o tom baixista observado nos últimos pregões. O vencimento janeiro fechou com queda de 0,26%, cotado a US$ 10,50 por bushel, enquanto o contrato março recuou 0,21%, para US$ 10,62 por bushel. No complexo da soja, o farelo apresentou comportamento distinto, com alta de 0,74% no contrato janeiro, encerrando a US$ 300,8 por tonelada curta. Já o óleo de soja voltou a cair, com baixa de 0,51%, fechando a 48,30 centavos de dólar por libra-peso.

A análise do desempenho do dia aponta que os indicadores técnicos de curto prazo continuam enfraquecidos, com o contrato março permanecendo abaixo da média móvel simples de 200 dias e acumulando uma sequência recente de fechamentos negativos. Apesar de o mercado historicamente apresentar valorização entre o período do Dia de Ação de Graças e o Ano Novo, esse padrão não tem se confirmado no atual ciclo.

Entre os principais fatores de pressão estão as vendas externas abaixo do esperado e a perspectiva de uma safra robusta na América do Sul, favorecida por condições climáticas consideradas positivas. Além disso, o ritmo mais lento das compras chinesas nos Estados Unidos contribui para a ausência de fundamentos altistas consistentes, mantendo a soja negociada em Chicago sob influência baixista no curto prazo.

 





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Aplicativo gratuito da Embrapa ajuda a planejar barragens no semiárido


produtor rural
Foto: Agência Brasil

Os agricultores, técnicos e demais profissionais rurais que vivem no semiárido agora têm à disposição uma ferramenta para identificar áreas adequadas para a construção de barragens subterrâneas e superar as estiagens prolongadas. O aplicativo GuardeÁgua está disponível gratuitamente para celulares com sistema Android, na Play Store, e também conta com versão web.

Desenvolvido pela Embrapa Solos, em parceria com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), o aplicativo ainda está em versão beta. A ferramenta tem como objetivo tornar mais precisa a decisão sobre a viabilidade da tecnologia social hídrica, amplamente usada para garantir umidade no solo e permitir o plantio mesmo em períodos de escassez de chuva.

Embora a barragem subterrânea seja uma solução consolidada no semiárido, a Embrapa Solos ressalta que nem todo terreno é adequado para sua construção. O GuardeÁgua foi criado justamente para reduzir erros na escolha do local, com base em critérios técnicos.

Segundo a Embrapa, o aplicativo é uma solução digital inovadora, com interface simples e orientadora, que ajuda a identificar áreas com potencial para a instalação da barragem.

Uso sem internet

Pensado para uso direto no campo, o aplicativo funciona offline, o que garante autonomia em regiões sem acesso à internet. Quando a conexão é restabelecida, os dados coletados são sincronizados automaticamente com a plataforma.

Para a análise, o usuário insere informações relacionadas a solo, relevo, clima, geologia e vegetação. Com base nesses dados, o sistema apresenta um dos três resultados possíveis:

  • Apto: local adequado para a barragem subterrânea;
  • Restrito: local viável, mas com limitações técnicas;
  • Inapto: área não recomendada para a tecnologia.

O relatório da análise pode ser visualizado na tela ou baixado em formato PDF, com a justificativa técnica do resultado.

Orientações de manejo

Além de avaliar a viabilidade da barragem, o GuardeÁgua oferece orientações básicas de manejo do solo e da água, com sugestões de práticas conservacionistas e de irrigação, nos casos classificados como “Apto” ou “Restrito.”

O aplicativo também indica culturas agrícolas recomendadas para cada área analisada. Ao selecionar uma cultura, o usuário é enviado para o Portal Embrapa, onde encontra informações técnicas detalhadas sobre produção, sistemas de cultivo e criações.

A ferramenta ainda integra dados do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e do aplicativo Zarc Plantio Certo, que informam o melhor período de plantio por município.

Capacitações em 11 estados

De acordo com a Embrapa Solos, estão previstas capacitações em todos os 11 estados do semiárido brasileiro no primeiro semestre de 2026. A ação será coordenada pela Embrapa Solos e pela ASA, com apoio financeiro do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

Durante o lançamento do aplicativo, a Embrapa promoveu dois treinamentos práticos em propriedades rurais de São José da Tapera (AL), reconhecidas como referências no uso da barragem subterrânea.

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Confisco de 21 mil litros de bebidas gera alerta sobre metanol às vésperas do reveillon


bebidas adulteradas metanol
Foto: Pixabay

A apreensão de mais de 21 mil litros de bebidas alcoólicas irregulares durante a segunda etapa da Operação Dose Limpa, realizada em dezembro no Ceará, reacende o alerta das autoridades sanitárias sobre os riscos da produção clandestina e da adulteração de bebidas alcoólicas.

A iniciativa gera ainda mais preocupação diante da proximidade do reveillon, período marcado pelo aumento do consumo de destilados.

A operação teve como foco o combate à falsificação e à comercialização de bebidas sem registro, práticas associadas a riscos graves à saúde da população.

Entre os principais perigos está a presença de metanol, álcool altamente tóxico que pode causar cegueira, danos neurológicos irreversíveis e morte, substância que já esteve associada a casos fatais noticiados nos últimos meses no país.

A ação foi planejada com base em inteligência fiscal e análise de risco, contando com apoio estratégico dos técnicos do VigiFronteiras no levantamento prévio de informações, identificação de fluxos suspeitos e suporte logístico.

A coordenação técnica e a execução da fiscalização ficaram a cargo dos serviços de inspeção vinculados ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com equipes especializadas no enfrentamento de esquemas de fraude e clandestinidade.

Durante as fiscalizações em Fortaleza, capital cearense, foram identificados estabelecimentos comerciais com bebidas importadas, como gin, vodka e whisky, com fortes indícios de falsificação, especialmente relacionados à rotulagem, com apoio da perícia técnica da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce).

Também foram encontrados produtos sem registro no Mapa, sem documentação de procedência e com informações enganosas ao consumidor.

Garrafas reutilizadas

Na região de Viçosa do Ceará, a fiscalização constatou a produção clandestina de bebidas identificadas como licores e cachaça em estabelecimentos que não atendiam a requisitos mínimos de boas práticas de fabricação, com ausência total de comprovação da origem do álcool e dos demais ingredientes utilizados.

Em pontos comerciais, foram apreendidos grandes volumes desses produtos engarrafados, inclusive em recipientes reutilizados, sem informações básicas obrigatórias, como responsável técnico, lista de ingredientes, advertências e graduação alcoólica.

Segundo o presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo Macedo, do ponto de vista da fiscalização agropecuária, a produção clandestina representa um risco químico iminente.

“Sem controle oficial, não há garantia sobre a origem do álcool utilizado, o que expõe o consumidor à possibilidade de ingestão de metanol, além de excesso de cobre, metal pesado associado a efeitos tóxicos, e contaminantes microbiológicos decorrentes da falta de higiene e controle sanitário.”

De acordo com Macedo, “a retirada dessas bebidas do mercado é uma medida de prevenção essencial, especialmente em períodos de maior consumo, porque produtos clandestinos podem provocar intoxicações graves, danos irreversíveis à saúde e até mortes”.

A fiscalização reforça que o registro junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária é gratuito e representa uma garantia mínima de segurança ao consumidor. Bebidas artesanais também estão sujeitas às mesmas exigências sanitárias.

Para comerciantes e consumidores, a orientação é desconfiar de preços muito abaixo do mercado, embalagens reaproveitadas e da ausência do registro no rótulo, especialmente em um período em que o consumo de bebidas alcoólicas aumenta significativamente.

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Salário mínimo: o problema não é o aumento, é a ausência de um projeto de país


mãos segurando notas de cinquenta reais auxílio emergencial renda mínima crédito
Foto: Agência Brasil

O aumento real do salário mínimo voltou ao centro do debate econômico. Economistas, analistas e parte da imprensa alertam para os riscos fiscais da medida, lembrando que o piso nacional está indexado a uma série de benefícios previdenciários e assistenciais, o que amplia automaticamente as despesas do Estado. A crítica, do ponto de vista técnico, faz sentido. Mas ela para aí.

É impossível analisar o salário mínimo apenas como uma variável contábil. Ele é, antes de tudo, um instrumento social. E é aqui que o debate costuma empobrecer. Quem critica o aumento raramente apresenta uma alternativa viável para os milhões de brasileiros que dependem diretamente desse valor para sobreviver.

É preciso ser honesto: o salário mínimo brasileiro não permite uma vida digna. Não cobre moradia adequada, alimentação completa, transporte, saúde e educação. Não por acaso, uma parcela crescente da população prefere a informalidade a um emprego formal que paga pouco e exige muito. Hoje, quase 40% da economia brasileira opera fora da formalidade, um sintoma claro de falha estrutural, não de escolha individual.

Diante desse cenário, imaginar que um presidente em campanha faria diferente é desconhecer a lógica da política. Para Luiz Inácio Lula da Silva, que se aproxima do fim de sua trajetória política e busca encerrar a carreira sem derrotas, abrir mão de uma política de valorização do salário mínimo simplesmente não existe como opção. E, sejamos francos, qualquer outro candidato no mesmo contexto faria o mesmo.

O problema, portanto, não está apenas no reajuste. Está na ausência de um projeto estrutural de país. O Brasil é um dos piores países do mundo em distribuição de renda. Cresce pouco, arrecada mal, gasta mal e transfere responsabilidades sociais para medidas emergenciais que viram permanentes por falta de alternativas melhores.

E há ainda um componente perverso que aprofunda esse impasse: a ideologia no Brasil deixou de ser sobre projetos e passou a ser sobre pessoas. Em vez de disputas entre modelos de desenvolvimento, caminhos econômicos ou políticas públicas estruturantes, o país mergulhou em uma polarização personalista e improdutiva.

Critica-se o presidente, o partido, o adversário, mas quase nunca se discute seriamente qual projeto poderia ocupar o lugar do que se critica. Essa ideologia vazia não constrói alternativas; apenas paralisa o debate e transforma qualquer política pública em arma política, mesmo quando ela trata de questões básicas de sobrevivência social.

O Congresso critica, mas não propõe. O Executivo reage, mas pensa no curto prazo. E a sociedade cobra pouco, aceita muito e se conforma com soluções improvisadas.

Criticar a indexação do salário mínimo é fácil. Difícil é apresentar um modelo que combine crescimento econômico sustentável, geração de empregos formais, qualificação da mão de obra, reforma do gasto público e políticas sociais que emancipem, em vez de apenas compensar.

O Brasil não é um país qualquer. É continental, produtor de alimentos, energia e riqueza. Tem tudo para ser protagonista global. Mas segue refém de uma mediocridade institucional que se repete no Executivo, no Legislativo e, muitas vezes, na própria sociedade, que não compreende o papel estratégico que poderia ocupar.

Enquanto o debate continuar restrito ao “pode ou não pode aumentar o salário mínimo”, estaremos discutindo o sintoma — e não a doença. O verdadeiro problema não é o aumento. É a falta de coragem política, visão de longo prazo e maturidade institucional para estruturar o Brasil que insiste em sobreviver no improviso.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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AgroNewsPolítica & Agro

Soja pode se recuperar, diz consultoria


O Rio Grande do Sul desenha safra de soja de recuperação após histórico recente de quebras, segundo informações da TF Agroeconômica. “Para pagamento em dezembro, com entrega em dezembro, os preços no porto foram reportados a R$ 144,00/sc (+1,41%) semanal, enquanto no interior as referências se foram em torno de R$ 133,64/sc semanal em Cruz Alta, salvo por Santa Rosa a R$ 140,00 (+0,72%) e Passo Fundo a R$ 139,00 (+1,46%). Já em Panambi, o mercado físico apresentou manutenção, com o preço de pedra recuando para R$ 122,00/sc, sinalizando maior resistência local ao ritmo comprador”, comenta.

Santa Catarina destaca-se pela produtividade intensiva com plantio em 91%. “A relação de troca soja/milho torna-se vital para rentabilidade integrada do estado, com infraestrutura de silos funcionando como elo logístico entre produção primária e cadeias agroindustriais. No porto de São Francisco, a saca de soja é cotada a R$ 142,94 (+0,79%)”, completa.

O Paraná se mantém como já constantemente ressaltado, sendo fiel da balança para safra nacional. “Em Paranaguá, o preço chegou R$ 142,86 (-0,11%). Em Cascavel, o preço foi R$ 130,41 (-0,62%). Em Maringá, o preço foi de R$ 130,09 (+0,25%). Em Ponta Grossa o preço foi a R$ 133,19 (+0,36%) por saca FOB, Pato Branco o preço foi R$ 142,94 (+0,30%). No balcão, os preços em Ponta Grossa ficaram em R$ 122,00”, indica.

O Mato Grosso do Sul consolida expansão de área. “A capacidade estática no território estadual funciona como amortecedor, possibilitando escolha entre diferentes canais de venda sem pressão de entrega imediata, maximizando rentabilidade conforme evolução das condições de mercado. Em Dourados, o spot da soja ficou em R$ 126,00 (+0,91%), Campo Grande em R$ 124,86 (+0,00%), Maracaju em R$ 124,86 (+0,00%), Chapadão do Sul a R$ 122,91 (+0,00%), Sidrolândia a em R$ 124,86 (+0,00%)”, informa.

O Mato Grosso confirma liderança com safra que pode oscilar entre 50 e 53 milhões de toneladas. “Campo Verde: R$ 122,26 (+0,02%). Lucas do Rio Verde: R$ 117,23 (-0,07%), Nova Mutum: R$ 117,23 (-0,07%). Primavera do Leste R$ 122,26 (+0,02%). Rondonópolis: R$ 122,23 (+0,00%). Sorriso: R$ 117,31 (+0,00%)”, conclui a consultoria.

 





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Lula diz que vetará dosimetria e que Congresso tem direito de derrubar


Presidente afirmou que os condenados pelo STF devem pagar pelos crimes cometidos contra a democracia; projeto que reduz penas foi aprovado no Senado na 4ª feira (17.dez)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta 5ª feira (18.dez.2025) que vetará o PL (Projeto de Lei) da Dosimetria, aprovado no Senado, na 4ª feira (17.dez), e que reduz as penas dos condenados por tentativa de golpe de Estado. Em café com jornalistas, o petista afirmou que o Congresso “tem o direito de derrubar o veto”, mas defendeu que os condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) devem pagar pelos crimes cometidos contra a democracia.  

Leia a notícia na íntegra nos site do Poder360

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Você viu? Cabras que ficaram 200 anos isoladas em ilha viram objeto de pesquisa


Cabras da Ilha de Abrolhos
Foto: arquivo pessoal dos pesquisadores/divulgação UESB

Uma reportagem publicada pelo Canal Rural em agosto deste ano sobre a retirada de cabras da ilha de Abrolhos para pesquisa científica tornou-se um dos conteúdos mais lidos de 2025 no site.

A matéria mostrou que 21 cabras provenientes da Ilha de Abrolhos, no litoral sul da Bahia, foram transferidas para o campus da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), no município de Itapetinga. Os animais viviam isolados há mais de dois séculos e passaram a integrar um projeto de pesquisa voltado à caracterização genética e ao potencial produtivo do grupo.

Pesquisadores apontam que os primeiros exemplares teriam sido deixados na ilha ainda no período colonial, provavelmente por navegadores europeus, como fonte de subsistência. Desde então, os animais se reproduziram sem interferência humana direta, o que despertou o interesse científico pela possibilidade de adaptação genética a ambientes com restrição hídrica e alimentar.

Isolamento genético e potencial científico

Segundo o professor Ronaldo Vasconcelos, do curso de Zootecnia da Uesb, o histórico de isolamento da população pode ter favorecido características genéticas específicas relacionadas à sobrevivência em condições adversas. A avaliação dessas características pode contribuir para o desenvolvimento da caprinocultura, especialmente em regiões semiáridas.

Após a chegada ao campus, os animais foram submetidos a um período de quarentena. O objetivo é acompanhar a adaptação ao novo ambiente e assegurar todos os cuidados sanitários. O isolamento também é necessário porque os caprinos passaram décadas sem contato com doenças comuns em rebanhos continentais.

“Eles nunca tiveram contato com carrapatos, por exemplo. Um único carrapato pode ser fatal. Também não apresentam verminoses, o que indica ausência de resistência imunológica a esses agentes”, explicou Vasconcelos na reportagem. Por esse motivo, o manejo exige protocolos rigorosos de biossegurança.

Contribuições para o semiárido

O professor Dimas Oliveira, também da Uesb, destacou que a pesquisa pode gerar informações relevantes para sistemas de produção em áreas com limitações climáticas. A expectativa é que o estudo ajude a identificar características úteis para a criação de caprinos em regiões de clima seco, onde a disponibilidade de água e forragem é reduzida.

O projeto conta com a participação da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, que atua na análise genética dos animais e na definição de estratégias de conservação, em parceria com a universidade.

Proteção ambiental em Abrolhos

A retirada das cabras da ilha também teve motivação ambiental. A presença dos animais vinha causando impactos no solo e na vegetação, em uma área considerada estratégica para a reprodução de aves endêmicas. Abrolhos é uma das regiões de maior importância ecológica do país, com ecossistemas sensíveis que exigem manejo rigoroso.

A operação de remoção envolveu diferentes instituições, entre elas o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Embrapa, a Marinha do Brasil, a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) e a própria Uesb.

Durante a captura, os animais receberam identificação eletrônica individual e tiveram amostras de sangue coletadas para análises laboratoriais. Esses dados serão fundamentais para determinar o grau de singularidade genética da população.

Próximos passos do projeto

Caso os estudos confirmem que se trata de um grupo geneticamente distinto, os pesquisadores pretendem avançar para um plano de conservação. Entre as medidas previstas estão a ampliação controlada do rebanho, o armazenamento de sêmen e embriões e a formação de um banco genético.

Há ainda a possibilidade de que, no futuro, parte dos animais ou do material genético seja disponibilizada para produtores rurais, especialmente em regiões com desafios climáticos semelhantes aos encontrados na Ilha de Abrolhos.

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