sábado, março 14, 2026

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O biodiesel é estratégico para agregar valor à soja brasileira, aponta presidente da Aprobio


Biodiesel e soja
Imagem gerada por IA

A Associação dos Produtores de Biocombbustíveis do Brasil (Aprobio) elegeu, em assembleia, Jerônimo Goergen como novo presidente da entidade. Ele assume o comando com o desafio de fortalecer a articulação institucional e impulsionar a expansão sustentável do mercado de biodiesel no país, tanto no consumo interno quanto na abertura de novos mercados internacionais.

Ao comentar a eleição, Goergen destacou que presidir a Aprobio representa uma honra, mas também uma grande responsabilidade. Segundo ele, a prioridade da nova gestão será ampliar os mercados e promover a pacificação dentro do setor, reforçando o entendimento de que o biodiesel vai além da geração de energia e integra de forma estratégica o agronegócio brasileiro.

“O biodiesel começou com um papel importante na preservação ambiental, geração de empregos industriais e agregação de valor. Com o aumento da mistura, passou a ser fundamental também para a produção de proteína animal, por meio do farelo, e hoje tem impacto direto na lavoura de soja”, afirmou.

Atualmente, o Brasil opera com mistura obrigatória de 15% de biodiesel no diesel fóssil (B15), com expectativa de avanço para 16% em 2026. Nesse cenário, Goergen ressaltou que a entidade pretende trabalhar de forma intensa junto à cadeia consumidora para avançar na agenda de qualidade do combustível, um dos principais pontos de atenção do setor.

De acordo com o presidente, a Aprobio defende a implementação de um conselho paritário, envolvendo governo e os diferentes elos da cadeia, além da criação de um selo de qualidade para as empresas associadas que cumprirem critérios técnicos e regulatórios definidos em conjunto com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

“Queremos ser uma indústria 100% reconhecida. A eventual falta de qualidade no diesel em geral não pode recair como dúvida sobre o biodiesel. Precisamos garantir que o produto saia da indústria com qualidade e chegue da mesma forma ao consumidor final”, explicou o novo presidente.

Goergen também afirmou que o setor tem plena capacidade de abastecer o mercado interno e atender a futuras ampliações da mistura, previstas na chamada Lei do Combustível do Futuro, que estabelece metas de até 20%. Para isso, segundo ele, é fundamental garantir previsibilidade regulatória e antecipar testes técnicos necessários para os próximos anos.

Além do mercado doméstico, a nova gestão aposta na ampliação das exportações. “Quando o Brasil se une em torno do biodiesel, temos um mercado enorme para avançar no exterior. Estamos preparados para atender essa demanda internacional”, disse.

Para o presidente da Aprobio, o crescimento do biodiesel traz ganhos diretos para o agronegócio, o meio ambiente, a saúde pública e a geração de empregos, além de aumentar a rentabilidade do setor.

“Imagina hoje nós continuarmos mandando 100% da soja do Brasil em natura para fora. Nós temos que agregar valor e o agregar valor passa muito pela indústria do biodiesel, porque vira óleo, vira diesel e vira ração animal que vai produzir proteína”, conclui.

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Soja avança forte em volume e milho resiste com embarques firmes


milho-e- soja
Foto: Jornal da USP

A exportação brasileira de soja caminha para um recorde histórico em volume, mas sem o mesmo desempenho em receita. Já o milho apresenta um cenário distinto, com os embarques de acordo com o ano anterior, porém, com melhora na cotação média praticada no mercado internacional. A avaliação foi apresentada no Agroexport desta terça-feira (23).

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Mesmo com uma semana ainda a ser contabilizada no fechamento do ano, o volume total exportado de soja já alcança um patamar inédito, superando qualquer outro período da série histórica. A avaliação indica que nunca o Brasil embarcou tanta soja quanto em dois mil e vinte e cinco. Apesar desse avanço expressivo nos volumes, a receita cambial apresenta pouca diferença em relação ao ano anterior, o que evidencia queda no valor médio recebido por tonelada.

Reprodução Canal Rural

O levantamento aponta que o mercado internacional pagou menos pela soja brasileira ao longo do ano, resultando em um recuo significativo no valor em dólar por tonelada. Ainda assim, o preço da soja nacional permaneceu descolado das cotações de Chicago, com valores internos relativamente mais elevados quando convertidos para a saca.

A análise do cenário mostra que o principal desafio do produtor rural não está na relação de preços com o mercado internacional, mas nos custos de produção. As margens seguem pressionadas, e o descolamento positivo em relação a Chicago não tem sido suficiente para garantir rentabilidade ao longo do ano.

Milho

Reprodução Canal Rural

No caso do milho, o cenário se mostra mais favorável. O volume embarcado permanece praticamente estável, enquanto a receita cambial avança, impulsionada pela valorização do dólar por tonelada. A análise aponta que, mesmo sem crescimento expressivo nos embarques, o preço médio pago pelo mercado internacional voltou a subir, sinalizando recuperação após anos de recuo.

Assim como ocorre com a soja, o milho também opera com preços descolados das cotações de Chicago. Esse movimento é sustentado pela forte demanda interna. No complexo soja, o consumo para biodiesel, o esmagamento e a exportação de farelo garantem liquidez ao mercado. Já no milho, o avanço do etanol tem papel central na sustentação dos preços.

Apesar da maior liquidez dos dois grãos, o cenário ainda exige cautela. O descolamento em relação ao mercado internacional não tem sido suficiente para recompor as margens do produtor rural, que atravessou o ano convivendo com custos elevados e rentabilidade apertada.

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Tempestade provoca tornado no Alto do Paraná, a 57 km da fronteira com o Brasil


tornado
Foto: USDA

Uma tempestade de forte intensidade registrada na tarde de domingo no departamento de Alto Paraná, no Paraguai, provocou a formação de um tornado a cerca de 57 quilômetros de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

De acordo com a polícia e órgãos de prevenção e segurança da região, até a tarde desta segunda-feira (22) não havia registro de feridos nem de danos materiais significativos.

O episódio reacende o alerta para a ocorrência de eventos extremos no Sul da América do Sul, especialmente após o tornado registrado há pouco mais de um mês em Rio Bonito do Iguaçu (PR), que deixou mais de 800 feridos e causou seis mortes.

Segundo o meteorologista Arthur Müller, o fenômeno está associado à atuação de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), sistema atmosférico que contribui para ondas de calor e canaliza grande volume de umidade da Amazônia em direção ao Paraguai e ao Sul do Brasil.

Esse cenário favorece a formação de tempestades severas, com potencial para granizo, rajadas intensas de vento e tornados.

Para que um tornado se forme, explica o especialista, é necessário um ingrediente essencial: o cisalhamento do vento, diferença de velocidade e direção dos ventos conforme a altitude. Esse tipo de condição é comum durante o avanço de frentes frias ou na atuação de sistemas de baixa pressão, frequentes na região paraguaia e no Sul do Brasil.

“O tornado é caracterizado pelo funil que desce da base da nuvem e toca o solo. O grande perigo está nas rajadas extremamente intensas e nos objetos que são arrastados, que passam a agir como projéteis, causando danos a estruturas, lavouras e colocando vidas em risco”, destaca Müller.

O meteorologista ressalta que tornados são relativamente comuns no Paraguai, no interior da região Sul do Brasil e no norte da Argentina. No entanto, a previsão desse tipo de fenômeno é limitada, os alertas indicam áreas de risco, mas o local exato só pode ser identificado com poucos minutos de antecedência, geralmente entre 20 e 30 minutos.

Chances dos temporais avançarem para o Brasil

Segundo Müller, até o momento, não há registro de danos no Paraguai, o que é considerado positivo pelas autoridades locais. No entanto, há possibilidade de que esses temporais avancem para o Brasil nos próximos dias.

De acordo com a análise das imagens de satélite, um canal de umidade segue transportando grandes volumes de chuva, especialmente em direção ao Rio Grande do Sul, elevando o risco de alagamentos e deslizamentos de terra.

No extremo oeste do Paraná, sobretudo nas áreas de divisa com o Paraguai, há, entre esta terça e quarta-feira, condições favoráveis para a formação de tornados. Ainda assim, o principal perigo associado a esses sistemas atmosféricos está relacionado ao chamado “rio atmosférico” que atua sobre o Rio Grande do Sul.

A previsão de chuva para os próximos dias aponta acumulados superiores a 100 milímetros no noroeste gaúcho, o que aumenta significativamente o risco de ocorrências hidrológicas. Assim, o maior alerta no momento não é a formação de tornados, mas sim o volume elevado de chuvas na região.

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AgroNewsPolítica & Agro

Custo do frango vivo cresce e preço ao produtor recua


O custo de produção do frango vivo no Paraná voltou a subir em novembro de 2025, segundo dados da Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa Suínos, divulgados no Boletim de Conjuntura Agropecuária do Departamento de Economia Rural, da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. O valor alcançou R$ 4,63 por quilo nos aviários climatizados em pressão positiva, o que representa alta de 1,8% em relação a outubro, embora ainda esteja 3,3% abaixo do registrado no mesmo mês de 2024.

De acordo com a Embrapa Suínos, o Índice de Custos de Produção de Frango atingiu 358,40 pontos em novembro, com avanço mensal de 1,68% e queda de 2,2% na comparação anual. No acumulado de 2025, o índice apresenta retração de 3,3%, enquanto nos últimos 12 meses a redução é de 2,17%. O aumento recente foi influenciado principalmente pela elevação dos gastos com ração, energia elétrica, calefação, cama e genética, enquanto os custos com mão de obra recuaram levemente e transporte e sanidade permaneceram estáveis.

A alimentação das aves segue como o principal componente do custo de produção, respondendo por 62,42% do total no Paraná. Em novembro, o custo da nutrição foi de R$ 2,98 por quilo, com leve alta em relação a outubro, mas queda expressiva frente ao mesmo período do ano passado. Já a aquisição de pintinhos de um dia apresentou aumento significativo no ano e nos últimos 12 meses, refletindo a pressão do item genética sobre os custos.

Nos demais estados do Sul, os custos permaneceram acima dos registrados no Paraná. Em Santa Catarina, o custo do frango vivo foi de R$ 5,08 por quilo em novembro, enquanto no Rio Grande do Sul ficou em R$ 5,06 por quilo. No Paraná, o preço médio recebido pelo produtor foi de R$ 5,02 por quilo, valor inferior ao de outubro, mas superior ao registrado em novembro de 2024.

No comércio exterior, as exportações brasileiras de carne de frango apresentaram retração nos onze primeiros meses de 2025, conforme dados do Agrostat Brasil, do Ministério da Agricultura. O faturamento somou US$ 8,628 bilhões, queda de 3,1% em relação a 2024, enquanto o volume embarcado recuou 1,2%, totalizando 4,66 milhões de toneladas. A maior parte das exportações foi de carne in natura, que respondeu por 88,6% do total, com redução tanto em volume quanto em receita.

Entre os principais destinos da carne de frango brasileira no período estão Emirados Árabes Unidos, Japão, Arábia Saudita, África do Sul e México. Apesar da queda geral no faturamento, alguns mercados apresentaram crescimento, como Arábia Saudita, África do Sul e México, compensando parcialmente a retração em outros destinos.

No Paraná, principal produtor e exportador do país, também houve recuo nas exportações. De janeiro a novembro, o estado embarcou 1,91 milhão de toneladas, com faturamento de US$ 3,38 bilhões, quedas de 3,9% em volume e 8,2% em receita. Ainda assim, o Paraná manteve participação de cerca de 41% do volume exportado pelo Brasil no período.

As perspectivas para o setor seguem de crescimento moderado. De acordo com projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal, a produção brasileira de carne de frango deve alcançar 15,32 milhões de toneladas em 2025 e avançar para até 15,6 milhões de toneladas em 2026. As exportações também devem crescer gradualmente, enquanto o consumo interno tende a aumentar, elevando o consumo per capita da proteína nos próximos anos.





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AgroNewsPolítica & AgroSafra

Decisão do STF sobre marco temporal pode travar investimentos no campo e…


Para Márcia de Alcântara, afastamento da tese reacende disputas possessórias, fragiliza títulos de propriedade e tende a acirrar conflitos agrários e impactos econômicos no médio e longo prazos

A consolidação do entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) contra a tese do marco temporal traz efeitos que alcançam diretamente a dinâmica econômica e social do campo. Na avaliação da advogada Márcia de Alcântara, especialista em Direito Agrário e Agronegócio do escritório Celso Cândido de Souza Advogados, o principal resultado da decisão é a ampliação da insegurança jurídica sobre a posse e o uso da terra no Brasil.

“Do ponto de vista do direito agrário, o afastamento do marco temporal provoca uma instabilidade possessória sistêmica. Abre-se a possibilidade de revisão de títulos de propriedades antigos, regularmente registrados e transmitidos de boa-fé, o que compromete a previsibilidade necessária para quem produz e investe no meio rural”, afirma.

Na última quarta-feira (17), o STF formou maioria para derrubar a tese defendida por setores ruralistas, segundo a qual terras indígenas só poderiam ser demarcadas se estivessem ocupadas por povos originários em até 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal. O entendimento contrário foi consolidado com os votos dos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Luiz Fux, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, em julgamento que segue aberto até às 23h59 desta quinta-feira (18).

Para Márcia, o impacto constitucional da decisão também merece atenção. “Há um tensionamento direto com o direito de propriedade e com o princípio do ato jurídico perfeito. Quando o título deixa de oferecer segurança plena, há desvalorização imediata das terras em áreas de conflito e paralisação de investimentos, porque o produtor passa a conviver com um risco jurídico permanente”, analisa.

O voto do ministro Gilmar Mendes prevê a possibilidade de permanência do ocupante não indígena até o pagamento de indenização e reconhece a validade de atividades econômicas e contratos firmados nessas áreas. Segundo a advogada, a medida busca reduzir danos, mas não elimina as incertezas. “Enquanto a indenização não ocorre, o imóvel perde liquidez, deixa de ser aceito como garantia para crédito rural e enfrenta entraves para licenciamento ambiental. Na prática, o produtor fica imobilizado”, diz.

Ela destaca ainda que contratos de arrendamento, parceria ou investimento em áreas sob disputa passam a exigir cautela redobrada. “São situações de alto risco jurídico. A recomendação é reforçar cláusulas resolutivas e realizar auditorias fundiárias profundas antes de qualquer operação”, afirma.

Outro ponto criticado é o prazo de dez anos estabelecido pelo STF para a conclusão das demarcações pendentes. Na avaliação da advogada, o horizonte é pouco factível. “O processo demarcatório envolve estudos antropológicos, etapas administrativas e uma série de contestações judiciais. A União não dispõe de orçamento nem estrutura para indenizar milhares de propriedades nesse período, o que pode resultar em decisões apressadas e judicializações intermináveis”, avalia.

Mesmo com o entendimento do Supremo, o tema segue no centro da disputa institucional, com o Congresso Nacional avançando na discussão de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o marco temporal. Para Márcia de Alcântara, o Legislativo ainda tem espaço para atuar. “O Parlamento pode buscar uma regulamentação que dê previsibilidade e reduza conflitos, desde que não esvazie o núcleo essencial dos direitos indígenas. Se houver aprovação da PEC, o embate tende a se deslocar novamente para o Judiciário”, diz.

Na visão da advogada, a falta de uma solução equilibrada tende a acirrar conflitos agrários nos próximos anos. “A expectativa de novas demarcações estimula disputas possessórias, enquanto produtores recorrem cada vez mais a medidas judiciais defensivas. Esse ambiente afasta investidores, encarece o crédito e dificulta o planejamento de longo prazo”, afirma.

Ela ressalta ainda possíveis reflexos sobre a segurança alimentar e a economia. “A instabilidade territorial compromete cadeias produtivas inteiras, reduz a oferta e pressiona preços. O desafio é conciliar a proteção dos direitos indígenas com a segurança jurídica do setor produtivo e o direito à alimentação. Sem esse equilíbrio, todos perdem”, conclui.





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Primeira fase de ferrovia em MT será construída com aporte de R$ 2 bilhões do BNDES


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Foto: Ricardo Botelho/MInfra

A primeira etapa da Ferrovia Estadual de Mato Grosso (FMT), entre Rondonópolis e o terminal da BR-070, em Dom Aquino, ambos em Mato Grosso, com extensão de 162 quilômetros, será feita pela Rumo S.A com financiamento de R$ 2 bilhões provenientes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O apoio ao projeto será feito por meio da subscrição de debêntures. As obras da fase inicial têm previsão de conclusão no segundo semestre de 2026. No total, a obra proporcionará o escoamento de até 10 milhões de toneladas de grãos por ano, especialmente soja e milho.

Todo o projeto da FMT prevê a implantação de aproximadamente 743 km, dividido em cinco fases, para interligar os municípios de Rondonópolis e Lucas do Rio Verde, com a inclusão de um ramal destinado a Cuiabá. A execução das obras deve gerar 114 mil empregos, nas estimativas da Rumo.

“A FMT é uma das iniciativas mais relevantes na expansão da infraestrutura de transportes e tem como objetivo desenvolver a região mato-grossense e a malha ferroviária para capturar uma parcela expressiva do transporte de grãos de uma das maiores regiões produtoras do país”, diz o BNDES, em nota.

Além disso, a ferrovia ampliará a capacidade de escoamento da produção agroindustrial do estado e deve integrar os modais rodoviário e ferroviário.

De acordo com o banco, o novo terminal próximo a BR-070 terá papel fundamental no processo logístico, funcionando como ponto de concentração das cargas transportadas por rodovia e sua transferência para o modo ferroviário.

“Essa ferrovia representa um avanço significativo para o escoamento da produção agrícola de Mato Grosso, com redução de custos logísticos, aumento da competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional e alívio na sobrecarga das rodovias, prioridades do governo do presidente Lula. Além disso, a ferrovia trará impactos positivos sobre a sustentabilidade ambiental, uma vez que o modal ferroviário apresenta menores índices de emissão de carbono em comparação ao transporte rodoviário”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Já a vice-presidente da Rumo, Natália Marcassa, enfatiza que o investimento na expansão ferroviária com perspectiva de longo prazo é uma forte alavanca de competitividade e sustentabilidade para o agronegócio e para a economia nacional.

“Nossos trilhos têm papel essencial de conectar cadeias produtivas diversas aos mercados internacionais com eficiência, segurança e baixo carbono. Desta forma, contribuímos para o país fazer valer suas vantagens competitivas com protagonismo na arena global”, acrescenta.

Em 2024, o setor ferroviário alcançou marcos expressivos. Segundo a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), o transporte de carga geral atingiu um recorde de 150 milhões de toneladas úteis (TU), superando o maior volume dos últimos 19 anos, registrado em 2023.

No total, incluindo minério de ferro, as ferrovias movimentaram 540 milhões de TU, um crescimento de 1,83% em relação a 2023, que já foi o maior resultado em relação aos seis anos anteriores.

O minério de ferro foi o principal produto transportado, totalizando 390 milhões de TU. Entre as cargas gerais, destacaram-se o crescimento de celulose (alta de 26,4%), açúcar (avanço de 15,8%) e contêineres (aumento de 8,73%).

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Custos de produção de frangos de corte e de suínos subiram em novembro, mostra Embrapa


carne frango e suíno
Fotos: Pixabay

Os custos de produção de suínos e de frangos de corte subiram em novembro, em relação a outubro, mostra levantamento da Embrapa Suínos e Aves por meio da Central de Inteligência de Aves e Suínos (Cias).

No Paraná, o custo de produção do quilo do frango de corte subiu 1,68% na comparação com outubro, passando a R$ 4,63. O ICPFrango foi de 358,40 pontos. Apesar disso, destaca a Embrapa em nota, no acumulado de 2025 a variação é negativa de -3,30%.

No comparativo de 12 meses o índice também registra queda: -2,17%. “A ração, que representou 62,41% do custo total em outubro, subiu 0,58% no mês. Os custos com aquisição de pintos de 1 dia de vida (19,60% do total) aumentaram 7,66% no período”, informa.

Em Santa Catarina, o custo de produção do quilo do suíno vivo foi de R$ 6,42 em novembro, alta de 1,12% em relação ao mês anterior. O ICPSuíno foi de 367,06 pontos. No acumulado de 2025, o índice também registra aumento (3,37%).

Em 12 meses, a variação é de 2,92%. Conforme a Embrapa, a ração, responsável por 71,76% do custo total de produção na modalidade de ciclo completo, subiu 1,74% no mês.

Santa Catarina e Paraná, maiores produtores nacionais de suínos e frangos de corte, respectivamente, são estados de referência nos cálculos dos Índices de Custo de Produção (ICPs) da Cias.

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Trégua EUA-China sustenta o mercado de soja, mas incertezas permanecem, aponta plataforma agrícola


soja

A chamada “guerra comercial 2.0”, iniciada em abril pelo governo dos Estados Unidos, provocou fortes impactos nos mercados globais ao longo de 2025, especialmente no setor agrícola. Segundo a empresa Hedgepoint, a imposição de tarifas a diversos países ampliou o alcance do conflito comercial em relação à disputa anterior, mas, assim como no passado, a China voltou a ser o principal foco das medidas norte-americanas.

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Em resposta, Pequim adotou tarifas recíprocas sobre produtos dos Estados Unidos, incluindo a soja, principal item agrícola exportado pelos norte-americanos ao país asiático. A medida praticamente inviabilizou as compras chinesas, derrubando as exportações dos EUA e aumentando a pressão sobre os preços na Bolsa de Chicago.

“A guerra comercial trouxe volatilidade significativa para os preços agrícolas, especialmente para a soja. A interrupção das compras chinesas pressionou as cotações e gerou incertezas sobre o equilíbrio global de oferta e demanda”, afirma Luiz Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.

Novo cenário

O cenário começou a mudar no fim de outubro, quando os presidentes dos Estados Unidos e da China se reuniram na Coreia do Sul e anunciaram uma trégua comercial, com redução de tarifas de ambos os lados. Segundo o governo norte-americano, o entendimento prevê compras chinesas de soja dos EUA até fevereiro, além de volumes anuais expressivos nos anos seguintes. A partir disso, as vendas voltaram a ser registradas, com novos anúncios feitos pelo USDA após semanas de ausência de negócios.

Apesar da reação inicial positiva, o mercado segue cauteloso. “As metas de compra são ambiciosas, mas ainda existem dúvidas sobre a capacidade da China de cumprir esses volumes no curto prazo”, avalia Roque. Mesmo assim, o retorno da demanda chinesa ajudou a dar suporte às cotações em Chicago, ainda que novas especulações tenham surgido nas últimas semanas sobre o real alcance desses compromissos.

USDA

Dados do USDA mostram que, até o fim de novembro, as compras chinesas de soja norte-americana estavam bem abaixo do registrado no mesmo período da temporada anterior. Quando somadas às vendas destinadas a “destinos desconhecidos”, que frequentemente acabam tendo a China como destino final, o volume ainda permanece distante do padrão histórico. Considerando também os anúncios diários de vendas feitos nas semanas seguintes, o total acumulado indica avanço, mas ainda reforça a necessidade de acompanhamento próximo do mercado.

“Esse volume já representa uma parcela relevante do que foi anunciado como meta até fevereiro, o que torna possível o cumprimento do acordo. No entanto, não há clareza sobre os termos, já que apenas o lado norte-americano se manifestou oficialmente”, explica Roque. Ele destaca ainda que a entrada da nova safra brasileira, com maior oferta e preços mais competitivos a partir de fevereiro, pode limitar o ritmo das compras dos EUA. “A principal dúvida do mercado segue sendo quanto a China irá, de fato, comprar de soja norte-americana nos próximos anos”, conclui.

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Importação de fertilizantes bate recorde e chega a 41,7 milhões de toneladas no país


importação de fertilizantes - boletim agroexport - gasto
Foto: Freepik

A importação de fertilizantes ocorrida no período de janeiro a novembro deste ano chega a 41,73 milhões de toneladas. O volume registrado alcança um novo recorde e supera o obtido no mesmo período de 2024, quando foram internalizadas 40,84 milhões de toneladas.

O dado está na edição de dezembro do Boletim Logístico, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

“Esse maior volume de entrada de fertilizantes já registrado vem da percepção do agricultor brasileiro de um cenário de oportunidades, a partir das negociações tarifárias envolvendo os Estados Unidos e a China. Mudanças regulatórias, sanitárias ou econômicas mostram que há espaço para ampliar a presença dos produtos brasileiros no mercado internacional”, analisa o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth.

O Porto de Paranaguá, no Paraná, continua sendo o principal eixo de entrada de fertilizantes no país, com a internalização de 10,16 milhões de toneladas do produto. O Arco Norte vem se consolidando como uma importante rota de entrada e saída dos produtos agropecuários.

Pelos portos da região norte do país, foram desembarcadas cerca de 7,56 milhões de toneladas de fertilizantes, tornando-se a segunda maior porta de entrada de insumos do país, passando levemente o volume registrado no porto de Santos pela primeira vez. Pelo estado de São Paulo, foram internalizadas cerca de 7,52 milhões de toneladas. 

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Empresa usa inteligência artificial para otimizar produção de tratores sob medida


produção de trator na fábrica da AGCO
Foto: AGCO

A AGCO passou a utilizar um sistema de inteligência artificial (IA) em sua linha de produção para apoiar a auditoria das regras de configuração de tratores. A iniciativa da empresa, que tem em seu portfólio as marcas Fendt, Massey Ferguson e Valtra, está em fase de testes e é aplicada na unidade industrial localizada em Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo.

O projeto integra a área de engenharia de produto e tem como foco a validação técnica antes do início da fabricação das máquinas.

A auditoria das regras de configuração é uma etapa necessária no processo produtivo, pois cada trator pode ser montado em diferentes versões, de acordo com as escolhas feitas pelo produtor no momento da compra.

Essas variações consideram fatores como tipo de cultivo, características do terreno e porte da operação agrícola. A partir dessas demandas, um mesmo modelo pode receber itens como rodagem dupla, piloto automático ou sistemas de telemetria.

Complexidade na configuração das máquinas

Cada modificação feita no projeto de um trator impacta diretamente outros componentes do conjunto. Quando uma peça é alterada ou adicionada, é necessário garantir que todos os sistemas relacionados estejam compatíveis. Um exemplo citado pela empresa é a configuração de rodagem dupla, que exige a instalação de um comando específico no painel da cabine para o acionamento da embreagem correspondente.

Esse conjunto de interdependências é definido por regras técnicas que precisam ser verificadas antes da produção. Até então, essa validação era feita de forma manual por especialistas, a partir do cruzamento de diferentes documentos técnicos que reúnem todas as possibilidades de configuração do produto.

IA apoia validação das regras técnicas

Segundo Fabrício Natal, vice-presidente global de Engenharia da AGCO, a identificação do potencial da inteligência artificial ocorreu justamente nessa etapa do processo. “Existe um conjunto de regras técnicas que precisa ser validado antes do início da produção para garantir o funcionamento do trator. Foi nesse ponto que identificamos o uso da inteligência artificial para apoiar o processo”, afirma.

A IA foi treinada para analisar e cruzar automaticamente as informações presentes nos documentos de engenharia, verificando se as combinações de componentes estão de acordo com as regras estabelecidas. O sistema atua como apoio aos técnicos, que continuam responsáveis pela análise final e pela tomada de decisão.

Ganho de tempo no processo de engenharia

De acordo com a AGCO, a primeira versão da ferramenta, ainda em fase de prototipação, demonstrou potencial para gerar uma economia estimada em cerca de 240 horas de trabalho por mês. O tempo anteriormente dedicado à conferência manual das regras passou a ser direcionado para atividades técnicas e estratégicas dentro da engenharia de produto.

Paulo Vilela, diretor de Engenharia de Sistemas da AGCO, explica que a automação permite realocar esforços para tarefas que exigem análise humana. “Estamos testando essa automação e prevendo ganhos que poderão ser revertidos em atividades que não podem ser automatizadas e demandam conhecimento técnico especializado”, diz.

Redução de falhas e impacto na produção

A auditoria das regras de configuração é considerada uma etapa crítica para evitar falhas que possam gerar retrabalho ou atrasos na entrega dos tratores. A expectativa da empresa é que o uso da inteligência artificial reduza a ocorrência de inconsistências entre os componentes e assegure que o produto final corresponda exatamente às especificações definidas no pedido.

“A atividade é essencial para garantir que o trator atenda ao que foi solicitado. A IA já demonstra capacidade de realizar essa verificação com precisão”, afirma Vilela. Segundo ele, a tecnologia atua como uma ferramenta de apoio à qualidade do processo produtivo.

Projeto brasileiro com alcance global

O sistema desenvolvido pelo time da AGCO no Brasil faz parte de uma estratégia global de inovação da companhia. Atualmente, em unidades da empresa localizadas em países como Finlândia, Alemanha e Estados Unidos, a verificação das regras de configuração ainda é realizada de forma manual.

De acordo com Fabrício Natal, a solução testada na fábrica de Mogi das Cruzes pode ser adotada por outras unidades no futuro. “A proposta desenvolvida no Brasil tem potencial para ser utilizada em outras fábricas da companhia”, comenta.

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