terça-feira, março 10, 2026

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Quando o real forte vira risco?


Imagem de Daniel Dan outsideclick por Pixabay

Nos últimos pregões, o dólar voltou a recuar frente ao real. O movimento não é aleatório nem meramente técnico. Ele reflete uma mudança relevante no cenário internacional: desaceleração do crescimento na China, sinais de arrefecimento da economia americana e pressão crescente para que o banco central dos Estados Unidos inicie um ciclo de redução de juros.

Nesse ambiente, o capital global busca mercados que ainda oferecem retorno elevado. O Brasil, com juros altos, volta a ser destino natural desse fluxo. O efeito imediato é a entrada de dólares e a valorização do real.

Para parte do mercado e da opinião pública, isso soa como boa notícia. Mas, para quem observa a economia real, especialmente o agronegócio e a indústria, o câmbio mais forte traz riscos concretos.

Exportar fica mais difícil

O agronegócio brasileiro é essencialmente exportador. Soja, milho, carnes, café e açúcar são negociados em dólar. Quando o real se valoriza, esses produtos ficam mais caros para o comprador externo. A competitividade diminui, os prêmios encolhem e a conversão da receita em reais perde força.

Na prática, o produtor continua produzindo a mesma quantidade, mas recebe menos ao transformar o dólar em moeda local. O problema é que os custos não acompanham essa queda na mesma velocidade.

Insumos caem menos do que a receita

É verdade que a valorização do real reduz o preço de insumos importados, como fertilizantes, defensivos e máquinas. Mas essa queda costuma ser parcial, lenta e, muitas vezes, absorvida ao longo da cadeia.

O alívio existe, mas raramente compensa integralmente a perda de receita provocada pelo câmbio mais baixo. Além disso, em um ambiente de crédito caro e seletivo, a redução da receita em reais pesa diretamente no caixa do produtor. As margens ficam mais apertadas justamente quando a gestão financeira precisa ser mais rigorosa.

O custo invisível do câmbio

Há um aspecto menos discutido, mas decisivo. O produtor rural brasileiro vende em dólar e paga a maior parte de seus compromissos em reais. Quando o câmbio se aprecia demais, a troca da moeda internacional pela moeda doméstica enfraquece o poder de pagamento, limita investimentos e aumenta a percepção de risco no campo.

Não por acaso, o ex-ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen sintetizou esse dilema em uma frase que atravessou décadas sem perder atualidade: A inflação se aleija e o câmbio mata.

A inflação corrói lentamente. O câmbio, quando mal calibrado, age de forma direta e devastadora: tira competitividade, elimina margens e inviabiliza setores inteiros da economia produtiva. Para um país fortemente dependente das exportações agrícolas, esse risco é ainda maior.

Ano eleitoral: o incentivo político ao real forte

Em 2026, esse debate ganha uma camada adicional. Trata-se de um ano eleitoral, e o câmbio valorizado costuma jogar a favor do governo no curto prazo.

O real forte aumenta o poder de compra da população, barateia produtos importados e estimula viagens ao exterior. Para a classe média urbana, isso se traduz em uma sensação imediata de bem-estar econômico.

Esse efeito psicológico é poderoso. Um dólar mais baixo ajuda a conter a inflação percebida, melhora a avaliação do custo de vida e cria um ambiente político mais favorável. Não é coincidência que governos, em anos eleitorais, tendem a tolerar — ou até estimular — um câmbio apreciado, mesmo que isso imponha custos relevantes aos setores produtivos.

Juros altos sustentam o câmbio

Esse movimento é reforçado pelo diferencial de juros. O próprio Banco Central do Brasil sinaliza que, ao final de 2026, a taxa básica dificilmente ficará abaixo de 12%.

Em um mundo que caminha para juros mais baixos, esse patamar segue extremamente atrativo para o capital financeiro internacional, mantendo o fluxo de dólares e sustentando a valorização do real.

O problema é que esse equilíbrio é artificial e frágil. Ele favorece o consumo e o humor do eleitor no curto prazo, mas cobra um preço alto do agronegócio exportador, da indústria nacional e da capacidade de crescimento no médio e longo prazo.

Um alerta necessário

A queda do dólar não deve ser comemorada de forma automática. Para o agronegócio, ela reduz competitividade. Para o produtor, aperta margens. Para a indústria, estimula importações e desestimula a produção interna.

Em um país exportador de commodities e dependente do campo para gerar divisas, real forte demais não é sinônimo de força econômica, é um risco silencioso.

Como ensinou Simonsen, a inflação machuca aos poucos. O câmbio errado, esse sim, pode matar.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Dados impulsionam a liderança do agro brasileiro



A execução no campo aparece como etapa complementar


A execução no campo aparece como etapa complementar
A execução no campo aparece como etapa complementar – Foto: Divulgação

A liderança do Brasil no agronegócio mundial está associada a um conjunto de decisões estratégicas que vão além de fatores naturais e de escala produtiva. De acordo com análise de Fábio Morais, especialista em gestão de agronegócio, o protagonismo brasileiro na soja é resultado direto do uso consistente de dados na condução do negócio.

O país responde por cerca de 40% da produção global de soja, desempenho que reflete um modelo baseado em planejamento comercial estruturado e na leitura contínua de mercado. A organização entre oferta, demanda e janelas de comercialização permite maior previsibilidade e reduz riscos em um ambiente marcado por volatilidade de preços e competição internacional. Nesse contexto, a gestão estratégica ganha centralidade ao direcionar decisões com base em indicadores de margem, eficiência e participação de mercado.

A execução no campo aparece como etapa complementar e indissociável da estratégia. A integração entre tecnologia, insumos, logística e gestão de pessoas sustenta a capacidade de transformar planos em resultados concretos. O uso de dados ao longo de toda a operação permite ajustes rápidos, melhora a alocação de recursos e amplia o controle sobre custos e produtividade, elementos decisivos para manter competitividade.

Em mercados cada vez mais disputados, o desempenho não está apenas no volume produzido, mas na eficiência comercial e na capacidade de interpretar cenários. A visão de longo prazo, apoiada por informações confiáveis, contribui para equilibrar produtividade, sustentabilidade e posicionamento estratégico. O principal desafio para lideranças comerciais está em conectar inteligência de mercado, planejamento e gestão de equipes para capturar valor em todos os elos da cadeia agroindustrial.

 





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Geopolítica muda o jogo das margens no agro



O Mar Vermelho virou um retrato desse novo normal


O Mar Vermelho virou um retrato desse novo normal
O Mar Vermelho virou um retrato desse novo normal – Foto: Divulgação

O agronegócio entrou em uma fase em que fatores externos, antes tratados como pano de fundo, passaram a mexer diretamente com custo, margem e timing de venda. Segundo análise de Alê Delara, fundador da Pine Agronegócio e estrategista do agro, 2025 consolidou a geopolítica como variável operacional, visível em fretes mais longos, seguros mais caros e prazos que deixaram de fechar, até virar parte da rotina de quem opera o mercado.

O Mar Vermelho virou um retrato desse novo normal, com desvios pelo Cabo da Boa Esperança se tornando estruturais e alterando competitividade entre origens, prêmios e janelas de arbitragem. A guerra na Ucrânia manteve o grão disponível, mas com risco embutido, muitas vezes percebido mais no prêmio e na cautela do comprador do que na tela. Já a retomada da guerra comercial entre Estados Unidos e China travou por meses o fluxo de soja norte-americana e, quando houve reabertura parcial, a China já vinha abastecida via América do Sul, com estoques mais confortáveis e margens apertadas.

No Brasil, a supersafra e a melhora logística não se traduziram automaticamente em super rentabilidade. O câmbio acima de R$ 5,40 sustentou a receita em reais e os prêmios ficaram firmes por boa parte do ano, mas juros globais ainda altos encareceram o capital e ampliaram o peso do carrego. Com fertilizantes voláteis, a conta puniu quem segurou decisão demais. Para 2026, a leitura aponta um ano mais político do que climático, com volatilidade como padrão e maior exigência de gestão de risco e sofisticação comercial.

“Se esses movimentos globais fazem parte da sua rotina de decisão — comprar, vender, travar margem, planejar risco — minhas palestras e consultorias levam esse debate para dentro do seu time, com leituras práticas e cenários aplicados ao agro brasileiro”, conclui.

 





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Nova frente fria traz pancadas fortes de chuva; confira a previsão


chuva frente fria temporal
Foto: Pixabay

Pancadas fortes de chuva devem ser registradas em áreas isoladas de grande parte dos estados brasileiros. No Sul, uma nova frente fria intensifica o clima em solo gaúcho. Confira a previsão completa para todo o país:

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

Sul

Ao longo da manhã, há previsão de chuva mais fraca em áreas do leste e do litoral do Paraná e de Santa Catarina devido à infiltração marítima. A partir da tarde, uma nova frente fria avança pelo Rio Grande do Sul, provocando pancadas de chuva moderadas a fortes pelo estado ao longo do dia, com chance de temporais em alguns pontos. Já em áreas de Santa Catarina e do Paraná, chove de maneira mais fraca e isolada. À noite, também chove de maneira mais forte no leste, sul e interior gaúcho. As temperaturas seguem mais elevadas em boa parte da região.

Sudeste

A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) segue atuando e provoca pancadas de chuva pela região desde a madrugada em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e sul do Espírito Santo de maneira pontualmente mais forte. Em São Paulo, a manhã deve seguir com tempo mais firme, com chuva mais fraca apenas em áreas do sul e noroeste do estado, enquanto no início da tarde novas pancadas de chuva em boa parte do estado devem ser registradas. Em boa parte da região, as temperaturas ainda seguem mais agradáveis ao longo do dia, enquanto no oeste paulista, norte capixaba e nordeste mineiro, os termômetros se elevam.

Centro-Oeste

As instabilidades seguem ocorrendo desde a madrugada em Mato Grosso e em Goiás e ganham força ao longo do dia devido à atuação da ZCAS. Já em Mato Grosso do Sul, a presença de uma baixa pressão sobre o Paraguai favorece novas pancadas de chuva de moderada a forte intensidade, com risco de temporais em alguns pontos da região ao longo do dia. Até a noite, as instabilidades diminuem de maneira significativa pela região, mas ainda devem ocorrer em alguns pontos isolados de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, e de maneira mais espalhada em Goiás. As temperaturas seguem elevadas na maior parte da região.

Nordeste

Ainda chove pela madrugada em áreas do oeste e do litoral da Bahia, além do interior do Maranhão e do Piauí, de maneira mais fraca. Ao longo do dia, as instabilidades aumentam nessas áreas e chove de maneira mais forte, enquanto no litoral baiano e áreas no Ceará as chuvas ocorrem de maneira mais fraca. Já no restante da região o tempo deve seguir mais firme, sem expectativa de chuva.

Norte

O tempo segue instável pelo Amazonas, Acre, Rondônia e Tocantins, além de grande parte do Pará, onde chove de maneira mais forte e há risco de temporais. No Amapá, a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) segue mantendo as instabilidades pelo norte do estado, enquanto em Roraima chove de maneira mais fraca e o tempo permanece abafado pela região.

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Queda nos embarques de soja marca início da safra nos EUA


Os embarques de soja dos Estados Unidos começaram o ano comercial 2025-26 de forma atipicamente lenta, marcando o pior desempenho para o período inicial em mais de uma década. Entre setembro e novembro, primeiro trimestre da temporada, o volume inspecionado para exportação ficou bem abaixo do padrão histórico, refletindo dificuldades comerciais e mudanças no fluxo logístico.

No total, foram embarcadas 12,3 milhões de toneladas de soja, queda de 46% em relação à média dos últimos cinco anos e o menor nível desde 2011-12. Parte desse volume, 1,4 milhão de toneladas, foi transportada em contêineres, participação superior à média recente. Tradicionalmente, as exportações norte-americanas atingem o pico entre outubro e novembro, quando os preços se tornam mais competitivos frente à soja sul-americana, o que não se confirmou nesta temporada.

A China, principal compradora histórica, retardou as aquisições em meio a uma disputa comercial. O primeiro carregamento da nova safra foi comprado apenas no fim de outubro, e o primeiro embarque ocorreu no final de novembro. No trimestre, o país recebeu somente um navio, com cerca de 49 mil toneladas. A distribuição regional dos embarques também mostrou forte retração. O Golfo do Mississippi respondeu por 7,6 milhões de toneladas, enquanto o Noroeste do Pacífico registrou apenas 700 mil toneladas, o menor volume para um primeiro trimestre desde o final da década de 1990.

Em contraste, o México assumiu a liderança como principal destino da soja norte-americana no período, com volumes acima da média, impulsionados principalmente pelo transporte ferroviário. O Golfo do Texas também ganhou relevância, beneficiado por fretes marítimos mais competitivos, alcançando o maior volume para o período desde 2020-21.

Enquanto a soja perdeu espaço, o milho apresentou desempenho oposto. Com oferta elevada e maior disponibilidade logística, os embarques atingiram 19,9 milhões de toneladas no primeiro trimestre, mais que o dobro da média histórica e um recorde para o período. O avanço foi puxado tanto pelo Golfo do Mississippi quanto pelo Noroeste do Pacífico, que compensou parte da queda nos embarques de soja.

 





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Soja avança, mas excesso de chuva afeta ritmo no RS



Emater projeta 6,7 milhões de hectares de soja no Rio Grande do Sul



Foto: Canva

A semeadura da soja no Rio Grande do Sul atingiu 93% da área projetada, segundo o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (1). O avanço dos trabalhos foi desacelerado nas últimas semanas em razão da recorrência de precipitações volumosas e dos curtos períodos de tempo seco, que dificultaram a redução adequada da umidade do solo para a operação das semeadoras. Conforme o levantamento, “houve uma desaceleração significativa no período em função da recorrência de precipitações volumosas e dos curtos intervalos de tempo seco”.

De acordo com a Emater/RS-Ascar, a maior parte das lavouras está em fase de desenvolvimento vegetativo, correspondendo a 93% das áreas cultivadas, enquanto 7% dos cultivos mais precoces já iniciaram o florescimento. As áreas implantadas no início da janela de plantio apresentam bom desenvolvimento em função da disponibilidade hídrica, das temperaturas elevadas e da radiação solar registrada no período. O informativo aponta que “as melhores lavouras estão implantadas em solos bem estruturados, com maior teor de matéria orgânica e cobertura vegetal adequada”.

Por outro lado, em áreas com solos mais compactados ou com menor cobertura, foram observadas ocorrências de erosão laminar e em sulcos, especialmente em lavouras em fase de emergência. Também houve registros de desuniformidade na emergência, falhas de estande e necessidade pontual de replantio em semeaduras realizadas sob condições menos favoráveis de umidade, sobretudo após períodos de déficit hídrico seguidos por chuvas intensas.

O documento destaca ainda que, em algumas regiões, especialmente no Noroeste do Estado, os acumulados pluviométricos de dezembro superaram a média histórica. A situação resultou em danos à infraestrutura rural, com prejuízos em estradas vicinais, alagamentos pontuais em lavouras situadas em áreas ribeirinhas e de relevo mais baixo, além de erosão mais acentuada em coxilhas mal conservadas.

Quanto ao aspecto fitossanitário, a incidência de pragas e doenças permanece baixa. No entanto, o manejo tem sido condicionado pela elevada umidade do ambiente, levando parte dos produtores à adoção de aplicações preventivas de fungicidas. Para a safra 2025/2026, a Emater/RS-Ascar projeta o cultivo de 6.742.236 hectares de soja no Rio Grande do Sul, com produtividade média estimada em 3.180 quilos por hectare.





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Florescimento da soja é etapa decisiva para uma boa colheita


O florescimento da soja marca uma das fases mais estratégicas do ciclo da cultura, pois é nesse período que se define grande parte dos componentes de produtividade. Aspectos fisiológicos, ambientais e de manejo atuam de forma integrada e podem favorecer ou limitar o pegamento de flores e a formação de vagens, refletindo no rendimento final da lavoura.

Entre os principais fatores que influenciam o florescimento estão o fotoperíodo, a temperatura, a disponibilidade hídrica e a nutrição da planta. Fotoperíodo e temperatura atuam conjuntamente sobre o desenvolvimento da soja, sendo que cada cultivar apresenta exigências específicas de soma térmica para completar seu ciclo. Já o déficit hídrico reduz a divisão e o alongamento celular, diminui a área foliar e o porte das plantas, resultando em menor formação de nós. Como consequência, ocorre redução no número de flores, vagens e grãos, afetando diretamente os componentes de produção.

A nutrição equilibrada também é determinante nessa fase. Todos os macro e micronutrientes são importantes, mas alguns se destacam durante o florescimento da soja, como fósforo, potássio, cálcio, boro, magnésio, cobalto e molibdênio. Esses nutrientes estão diretamente ligados à formação das flores, à polinização, ao transporte de carboidratos, à nodulação e ao enchimento de grãos. Deficiências nutricionais, especialmente de cálcio e boro, podem provocar baixa formação de flores e vagens.

Segundo o especialista Roni Guareschi, representante comercial da Conceito Agrícola, além dos fatores abióticos, questões de manejo também interferem no florescimento e, por isso, requerem planejamento e correta execução das práticas agrícolas neste momento. “As análises de solo e foliar permitem identificar e corrigir desequilíbrios nutricionais que comprometem o desenvolvimento da planta e aumentam o risco de abortamento. A escolha de sementes de alta qualidade, de variedades adaptadas à região, o respeito à janela de plantio e um manejo eficiente de pragas e doenças são fundamentais para garantir um florescimento uniforme e dentro do potencial de cada cultivar”, afirma.

Florescimento e o início do verão

A qualidade da semente utilizada na implantação da lavoura exerce forte influência no florescimento. Sementes com alto vigor, boa germinação e sanidade favorecem um estabelecimento mais rápido e uniforme, com sistema radicular mais desenvolvido e maior eficiência na absorção de água e nutrientes, resultando em maior número de flores, vagens e grãos.

Nesse contexto, o suporte técnico especializado contribui para decisões mais assertivas ao longo do ciclo. “Além de auxiliar na escolha da variedade mais adequada para cada região e condição climática, o time de campo da Conceito Agrícola orienta o produtor durante toda a safra com análises de solo e foliar e na seleção correta dos insumos para promover estandes mais uniformes e maior segurança na floração e formação de vagens”, destaca Guareschi.

Com a lavoura em fase reprodutiva e sob condições típicas do início do verão, o produtor deve ter ainda mais atenção ao manejo. “Monitorar a nodulação da soja, acompanhar pragas e doenças de forma contínua e adotar estratégias para estimular o máximo potencial fisiológico da planta são cuidados essenciais para minimizar os efeitos dos estresses abióticos e preservar o desempenho da cultura”, conclui

 

 





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Brasil bate recorde histórico na liberação de bioinsumos


bioinsumos
Foto: Freepik

O Brasil consolidou em 2025 a liderança global no desenvolvimento e na adoção de bioinsumos, um dos pilares da agricultura sustentável. O ano terminou com recorde histórico na liberação de produtos biológicos. Ao todo, foram concedidos 912 registros no país, sendo 162 classificados como bioinsumos.

De acordo com o diretor de defensivos químicos da CropLife Brasil, Arthur Gomes, o crescimento dos biológicos não deve ser interpretado como uma competição direta com os defensivos químicos tradicionais.

“É muito comum a gente ouvir falar em competição, mas eu acho que esse termo dificilmente se aplica ao setor produtivo. Quando a gente fala sobre tecnologias e produção agrícola, geralmente falamos sobre integração, sobre oportunidades”, explica.

Apesar do avanço nos registros, o setor ainda enfrenta desafios regulatórios. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), parte das liberações realizadas em 2025 só ocorreu após ações judiciais movidas por empresas, em razão de atrasos em processos antigos.

A nova lei e as mudanças na organização das filas de análise são vistas como avanços, mas ainda insuficientes. “Há expectativa de melhora, mas o sistema depende de regulamentação complementar e de maior coordenação entre os órgãos envolvidos. Hoje, o prazo legal gira em torno de dois anos, e isso raramente é cumprido”, afirma Gomes.

Segundo dados do governo, em 2024, mais da metade das marcas de defensivos químicos registradas não chegou a ser comercializada. De acordo com Gomes, isso não gera impacto direto para a produção agrícola, já que os ingredientes ativos de referência continuam disponíveis no mercado.

O registro, explica Gomes, é apenas uma etapa de um planejamento mais amplo, que envolve decisões logísticas, comerciais e o momento adequado de lançamento.

Expectativa para os próximos anos

Para Gomes, a expectativa do setor é de continuidade da inovação, mesmo diante de um cenário econômico e geopolítico desafiador. A CropLife aposta em novas tecnologias, especialmente para o controle de pragas e o aumento da eficiência produtiva, e espera maior agilidade do governo na análise e aprovação dessas soluções.

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Brasil registra recorde de bioinsumos em 2025


O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou o balanço anual dos registros de agrotóxicos e afins concedidos ao longo de 2025, com dados consolidados no Ato nº 63 da Coordenação-Geral de Agrotóxicos e Afins, publicado no Diário Oficial da União. O levantamento aponta um recorde histórico na liberação de produtos biológicos e destaca avanços na modernização do marco regulatório do setor.

De acordo com o Mapa, ao longo de 2025 foram concedidos registros para um ingrediente ativo de origem química inédito, além de 101 produtos equivalentes ou genéricos e 15 produtos classificados como bioinsumos. No total, o país encerrou o ano com 912 registros concedidos, dos quais 323 correspondem a produtos técnicos destinados exclusivamente ao uso industrial, sem comercialização direta ao agricultor. O destaque ficou para os bioinsumos, que somaram 162 registros, o maior número já registrado no Brasil, incluindo produtos formulados biológicos, microbiológicos, bioquímicos, extratos vegetais, reguladores de crescimento e semioquímicos, inclusive para uso na agricultura orgânica.

O balanço também registra a liberação de seis novos produtos técnicos inéditos e de 19 produtos formulados à base de ingredientes ativos novos, ampliando o portfólio fitossanitário disponível no país. Segundo o próprio texto, “a introdução de ingredientes ativos novos no mercado brasileiro representa um avanço estratégico para o fortalecimento da defesa fitossanitária e da competitividade agrícola”, ao ampliar os modos de ação disponíveis, fortalecer o manejo integrado de pragas e doenças e reduzir riscos de resistência.

Em 2025, foram incorporados ao mercado brasileiro os ingredientes ativos Ipflufenoquina, Fluoxastrobina, Fluazaindolizine, Isopirazam, Fenpropidin e Ciclobutrifluram. A inclusão dessas moléculas, conforme o documento, contribui para maior eficiência no controle fitossanitário, estimula a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico e reforça a posição do agronegócio brasileiro no cenário internacional.

O Mapa informa que, do total de registros concedidos, predominaram os produtos equivalentes, cujo objetivo é ampliar a concorrência, assegurar o abastecimento e reduzir custos ao produtor rural. O ministério destaca ainda que parte relevante das liberações decorre de determinações judiciais relacionadas ao não cumprimento de prazos legais, incluindo processos protocolados originalmente em 2015 e 2016.

No campo regulatório, o órgão editou o Ato nº 62, de 22 de dezembro de 2025, com o objetivo de aumentar a transparência, a previsibilidade e a eficiência da análise. A norma uniformiza e centraliza o protocolo, a distribuição e a tramitação dos pedidos de registro e pós-registro. Desde 15 de setembro de 2025, todos os novos pleitos passaram a ser protocolados exclusivamente pelo Sistema Eletrônico de Informações do Mapa. O texto ressalta que “processos distribuídos antes dessa data mantêm seus fluxos originais, preservando a segurança jurídica”, e esclarece que a distribuição não substitui o pagamento das taxas de avaliação devidas a cada órgão competente.

O ministério também esclarece que o número de registros concedidos não está diretamente relacionado ao volume de defensivos aplicados no campo. Segundo o Mapa, “a demanda pelo uso desses insumos depende de fatores técnicos, como área cultivada, pressão de pragas, condições climáticas e sistemas de manejo”. Dados nacionais citados no balanço indicam que, em 2024, 58,6% das marcas comerciais de agrotóxicos químicos registradas e 13,6% dos ingredientes ativos não chegaram a ser comercializados.

O processo de registro de agrotóxicos no Brasil, conforme reforça o texto, é rigoroso e tripartite, envolvendo análises técnicas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, do Ibama e do próprio Mapa. O registro final é concedido apenas após parecer favorável dos três órgãos, em conformidade com a legislação vigente. Em 2025, o Mapa também intensificou as ações de fiscalização e controle, com chamamentos públicos para atualização documental e revisão técnica de produtos. Foram publicados avisos envolvendo ingredientes ativos como Glifosato, 2,4-D, Glufosinato, Atrazina, Clofenapir, Acefato, Metomil e Epoxiconazol. Como resultado inicial dessas ações, o Ato nº 61, de 22 de dezembro de 2025, determinou a suspensão cautelar dos registros de 34 produtos agrotóxicos. No mesmo período, ações de fiscalização executadas pelo ministério resultaram na apreensão de 1.946 litros de agrotóxicos ilegais.

As iniciativas integram a agenda de aprimoramento regulatório iniciada com a Lei nº 14.785/2023. O Mapa informa que segue coordenando, em conjunto com a Anvisa e o Ibama, a implementação do Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica, previsto para lançamento em 2026.





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