Vista área do confinamento de bovinos na fazenda Nova Piratinga. Foto: Reprodução/Giro do Boi
O Índice de Custos de Bovinos Confinados (ICBC) registrou queda no custo da diária do confinamento em São Paulo e Goiás no balanço de fevereiro de 2026. Os dados foram apresentados no programa Giro do Boi, com análise do zootecnista Gustavo Sartorello, coordenador do levantamento.
Após quatro meses consecutivos de alta, a chamada inflação do boi de cocho recuou no período. Em São Paulo, o custo da diária apresentou queda superior a 4% em fevereiro. Em Goiás, a redução foi de 4% no mês, com queda acumulada de 8% nos últimos dois meses.
Confira:
Redução nos insumos influencia resultado
A queda no custo da diária está ligada ao recuo nos preços dos insumos utilizados na alimentação dos animais em confinamento. Entre os componentes da dieta estão milho, farelo e volumoso, itens que impactam o custo de produção.
Com a mudança nos preços, o levantamento aponta que produzir arrobas no confinamento apresenta custo menor em comparação com o mesmo período de 2025.
Segundo o levantamento da USP/Pirassununga, o custo estimado para produção de arroba no confinamento apresenta diferença entre os estados.
Em São Paulo, o custo da arroba produzida está estimado em R$ 260, com margem aproximada de R$ 80 por arroba. Em Goiás, o custo estimado é de R$ 227, com margem em torno de R$ 89 por arroba.
O ganho médio considerado no confinamento é de nove arrobas por animal no cocho.
Reposição entra no radar do confinador
O levantamento também indica atenção ao valor do boi magro, utilizado na reposição do confinamento. A valorização do animal de reposição passa a influenciar a margem obtida com a redução dos custos da dieta.
A estratégia apontada para o confinamento é ampliar o peso de saída dos animais, com aumento do número de arrobas produzidas. A indicação é entregar animais entre 21 e 23 arrobas, com diluição do custo de aquisição do boi magro.
Durante a apresentação do índice, Sartorello destacou a importância da gestão de custos na atividade pecuária. “Não decida por impulso. Use planilhas e dados reais para saber se o spread entre o boi magro e o boi gordo permite o lucro desejado”.
Está aberta a votação para o Prêmio Personagem Soja Brasil 2025/26 e, para participar, basta acessar o link da votação e escolher um produtor e um pesquisador que fazem a diferença na cadeia da soja no país. A iniciativa reconhece profissionais que contribuem para o desenvolvimento da produção, da tecnologia e da sustentabilidade no campo.
Pesquisadores
Ricardo Andrade
O pesquisador Ricardo Andrade atua no desenvolvimento de tecnologias que ajudam a soja a produzir bem mesmo em condições climáticas adversas no oeste da Bahia. Engenheiro agrônomo e especialista em fisiologia vegetal, ele trabalha principalmente com estudos voltados à adaptação das plantas a estresses como a seca. Seu trabalho busca entender como a soja reage ao ambiente e como pode se tornar mais resiliente diante das mudanças climáticas.
Entre as linhas de pesquisa estão técnicas com bioestimulantes que aumentam a tolerância da planta a condições adversas e elevam o potencial produtivo. Andrade também destaca a importância da educação e da formação de novos profissionais para o avanço do agro brasileiro. Para ele, a maior recompensa da pesquisa é ver tecnologias desenvolvidas no laboratório sendo aplicadas nas lavouras pelos produtores.
Fernando Adegas
Pesquisador da Embrapa Soja, Fernando Adegas construiu carreira dedicada ao manejo de plantas daninhas e ao desenvolvimento de estratégias para evitar perdas na produção agrícola. Filho de família ligada ao campo, decidiu seguir a agronomia ao perceber a importância da agricultura para a economia brasileira. Após atuar na extensão rural no Paraná, aprofundou seus estudos na área de plantas daninhas, tema que se tornou central em sua trajetória científica.
Na Embrapa, acompanha a evolução dos sistemas de produção e o surgimento de plantas resistentes a herbicidas, trabalhando no desenvolvimento de técnicas de manejo integrado. O objetivo é garantir que os produtores consigam controlar as invasoras e manter a produtividade das lavouras, respeitando as diferenças entre regiões e biomas do país.
Leandro Paiola
O pesquisador Leandro Paiola Albrecht desenvolve estudos voltados ao manejo de plantas daninhas e à busca por soluções que aumentem a produtividade e a rentabilidade da soja. Seu trabalho vai além do uso de herbicidas, envolvendo práticas de manejo como rotação de culturas, cobertura do solo e estratégias integradas dentro do sistema produtivo.
Ele também participa de pesquisas sobre resistência de plantas daninhas em áreas de soja no Brasil e no Paraguai, avaliando espécies como buva, caruru e capim-amargoso. Esses estudos ajudam a identificar novas formas de controle e evitar perdas significativas nas lavouras. Segundo o pesquisador, o objetivo é integrar diferentes tecnologias para gerar soluções práticas e acessíveis aos produtores, garantindo produtividade, rentabilidade e sustentabilidade no campo.
Produtores
João Damasceno
Produtor rural do Tocantins, João Damasceno levou o sonho da soja para o Norte do Brasil e ajudou a consolidar a produção na região. A história da fazenda começou ainda com seu pai, que adquiriu a propriedade na década de 1940. A partir da safra 1993/94, a família passou a investir na soja, substituindo outras culturas e ampliando gradualmente a área plantada e o parque de máquinas.
Com apoio técnico da Embrapa, adotou sistemas de rotação de culturas e integração com a pecuária, garantindo mais sustentabilidade à produção. Hoje a fazenda reúne soja como cultura principal, além de milho safrinha, gergelim, confinamento de gado e seringueira, além de estrutura própria de secagem e armazenamento. Mesmo com oportunidades de expansão, a família decidiu investir na propriedade original, que carrega valor histórico e sentimental. Para Damasceno, produzir soja também significa preservar o legado familiar construído ao longo de gerações.
Maira Lelis
Produtora rural de Guaíra (SP), Maira Lelis representa uma nova geração do agro que une tradição, tecnologia e sustentabilidade. A história da fazenda começou há mais de 80 anos com seu avô, quando a área ainda era formada por cerrado. Ao longo do tempo, a propriedade evoluiu com mecanização, adoção de tecnologias e ampliação da produção de grãos. Hoje a gestão é focada em inovação, eficiência e redução de custos. Entre as práticas adotadas estão rotação de culturas, uso de plantas de cobertura e aplicação de microrganismos para fortalecer a saúde do solo e aumentar a produtividade da soja.
Uma das iniciativas recentes é a criação de um corredor ecológico com árvores que produzem pólen ao longo do ano, ajudando a atrair inimigos naturais das pragas e equilibrar o sistema produtivo. Para Maira, produzir alimento com responsabilidade ambiental e preparar o solo para as próximas gerações é parte essencial da missão no campo.
Carlos Eduardo Carnieletto
A trajetória de Carlos Eduardo Carnieletto nasceu dentro da agricultura familiar no Paraná. A produção começou com os pais, em uma pequena área cultivada com muito trabalho e dedicação. Ao longo dos anos, a estrutura da propriedade foi ampliada e consolidada. Formado em agronomia pela UTFPR, ele manteve a ligação com o campo e hoje administra sua área com foco em eficiência e gestão. Diante de custos elevados e preços pressionados, busca aumentar a produtividade sem elevar os gastos da lavoura.
Entre as práticas adotadas estão o uso de biológicos, coinoculação e acompanhamento constante das lavouras. Para ele, o solo é o principal patrimônio do agricultor, por isso investe em conservação, cobertura e manejo adequado da terra. Mesmo diante dos desafios do setor, Carlos acredita nos ciclos da agricultura e mantém a convicção de seguir produzindo. Encerrar uma safra com bons resultados continua sendo sua maior motivação.
A votação para escolher o Personagem Soja Brasil da safra 2025/26 vai até o dia 10 de abril. Participe!
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O lançamento está previsto para 11 de março – Foto: Divulgação
Iniciativas voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa ganham espaço na produção agrícola brasileira diante da crescente demanda por alimentos produzidos de forma sustentável. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), novos programas buscam ampliar a competitividade de culturas importantes no país ao associar produtividade a critérios ambientais reconhecidos internacionalmente.
Nesse contexto, a Embrapa lançará os programas Milho Baixo Carbono (MBC) e Sorgo Baixo Carbono (SgBC), com o objetivo de desenvolver e validar protocolos de certificação baseados em critérios técnico-científicos capazes de mensurar a intensidade das emissões de gases de efeito estufa por tonelada de grão produzida. As iniciativas pretendem diferenciar e agregar valor ao milho e ao sorgo cultivados com práticas e tecnologias sustentáveis, ampliando oportunidades em mercados cada vez mais atentos à origem e à sustentabilidade dos alimentos.
O lançamento está previsto para 11 de março, durante as comemorações dos 50 anos da Embrapa Milho e Sorgo, em Minas Gerais. A abertura de edital público para seleção de instituições apoiadoras ocorrerá em agosto de 2026, etapa considerada fundamental para viabilizar a construção coletiva das diretrizes técnicas e a validação dos protocolos.
Os trabalhos serão estruturados em duas fases. A primeira envolve o desenvolvimento das diretrizes técnicas e a criação dos protocolos de certificação, que deverão ser registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária. Durante essa etapa, áreas de observação em diferentes localidades irão gerar dados sobre insumos, operações mecanizadas e balanço de carbono no solo, permitindo calcular as emissões ao longo do processo produtivo.
A validação dessas diretrizes ocorrerá ao longo de três ciclos produtivos. A partir desse processo, a segunda fase prevê a implementação dos selos de certificação no mercado por meio de certificadoras habilitadas, dentro de um sistema baseado em medição, relato e verificação das emissões.
Os programas se somam a outras iniciativas conduzidas pela Embrapa voltadas à descarbonização da agropecuária, como as marcas-conceito Carne Baixo Carbono, Soja Baixo Carbono e Trigo Baixo Carbono, além de ferramentas para cálculo da pegada de carbono em sistemas de produção agrícola.
A Petrobras informou que pode reduzir o impacto da alta do petróleo no Brasil ao mesmo tempo que mantém a rentabilidade da companhia.
“Em um cenário em que guerras e tensões geopolíticas ampliam a volatilidade do mercado internacional de energia, a Petrobras reafirma seu compromisso com a mitigação desses efeitos sobre o Brasil”, disse a estatal, em nota encaminhada à Agência Brasil.
A Petrobras acrescentou que é possível reduzir os efeitos da inflação global em decorrência da alta do petróleo porque a empresa passou a considerar, em sua estratégia comercial, “as melhores condições de refino e logística”.
“O que nos permite promover períodos de estabilidade nos preços ao mesmo tempo que resguarda a nossa rentabilidade de maneira sustentável. Essa abordagem reduz a transmissão imediata das variações internacionais para o mercado brasileiro”, diz o comunicado.
A Petrobras acrescentou que, por questões concorrenciais, não pode antecipar decisões, mas que segue comprometida com atuação “responsável, equilibrada e transparente para a sociedade brasileira”
Alta do petróleo
A guerra no Irã, e o fechamento do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, por onde trafegam cerca de 25% do petróleo mundial, tem elevado o preço do barril no mercado global, chegando a US$ 120 na segunda-feira (9).
Porém, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a guerra estaria próxima do fim, os preços voltaram a cair, e hoje o barril Brent é comercializado abaixo dos USS 100, porém ainda acima dos cerca de US$ 70, valor médio antes do conflito.
Após o fechamento dos mercados, Trump voltou a ameaçar o Irã ontem com ataques “vinte vezes mais forte” que “tornarão praticamente impossível a reconstrução do Irã como nação” caso Teerã continue bloqueando o Estreito de Ormuz.
Política de preços
A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo (Ineep), Ticiana Álvares, destaca que a capacidade da Petrobras de mitigar, ao menos em parte, os efeito da alta do petróleo é possível porque a companhia abandonou, em 2023, a política de paridade do preço internacional (PPI). Essa política determinava a revenda de acordo com os preços globais.
“A política da Petrobras acompanhava 100% a trajetória dos preços internacionais. Essa política modificou e agora leva em consideração fatores internos, que é essa margem de manobra que a Petrobras tem”, disse a especialista.
Apesar dessa margem de manobra, Ticiana acrescentou que a ação da Petrobras tem efeito limitado e temporário, em especial, porque o Brasil ainda é um grande importador de derivados, como gasolina e diesel, além de ter refinarias privatizadas.
“A refinaria da Bahia, a Rlam, foi privatizada. Logo, você tem menos mecanismos de segurar o preço dessas refinarias que foram privatizadas do que, por exemplo, a Petrobras tem”, finalizou.
A alta dos preços dos fertilizantes nos Estados Unidos, agravada pela paralisação no tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, está intensificando a pressão sobre o orçamento dos agricultores e provocando pedidos crescentes por intervenção do governo federal.
Representantes do setor agrícola afirmam que a situação ameaça a oferta do insumo justamente às vésperas do início da temporada de plantio no Cinturão do Milho, no próximo mês.
Em carta enviada ao presidente Donald Trump e divulgada nesta segunda-feira (9) pela American Farm Bureau Federation (AFBF), o presidente da entidade, Zippy Duvall, sugeriu uma série de medidas que poderiam aliviar o impacto do aumento de custos sobre os produtores rurais.
Entre elas está o uso da Marinha dos EUA para garantir a segurança e a regularidade do transporte marítimo de fertilizantes no Estreito de Ormuz, um dos principais corredores logísticos para o comércio global desses insumos.
Duvall também defendeu a suspensão de tarifas e outras barreiras comerciais que dificultam a importação de fertilizantes.
Embora ingredientes como ureia e nitrato de amônio estejam, em grande parte, isentos das tarifas impostas pelo governo Trump, continuam em vigor desde 2021 medidas antidumping e compensatórias sobre algumas importações, incluindo produtos provenientes do Marrocos e da Rússia.
Empresas também se mobilizam
O tema também mobiliza grandes empresas do setor. Na semana passada, um porta-voz da Nutrien afirmou que a companhia solicitou a retirada dessas tarifas como forma de reduzir a pressão enfrentada pelos agricultores.
Dados recentes indicam que os preços já vinham em alta e intensificaram esse movimento com a crise logística.
Segundo análise divulgada pela consultoria DTN, o valor da ureia atingiu US$ 611 por tonelada no fim de fevereiro, alta de 12% em relação a igual período do ano passado. O potássio subiu 9% na comparação anual, enquanto a amônia anidra registrou aumento de 15%.
Além do encarecimento, produtores relatam dificuldades para garantir o fornecimento do insumo. Harry Ott, presidente do Farm Bureau da Carolina do Sul e produtor de algodão, milho e amendoim no condado de Calhoun, afirmou que ainda não conseguiu comprar todo o fertilizante necessário para a próxima safra.
Segundo ele, seu fornecedor local se recusou a vender volumes adicionais até que haja maior clareza sobre a evolução da crise no Estreito de Ormuz e sobre o comportamento dos preços. Ele acrescentou que alguns distribuidores mantêm estoques, mas evitam comercializá-los no momento devido à incerteza no mercado.
Próximos passos
Diante desse cenário, a AFBF informou que mantém conversas com a Casa Branca e com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para discutir medidas de mitigação.
Entre as possibilidades avaliadas está a criação de novos programas de ajuda financeira aos produtores, semelhantes aos programas emergenciais adotados em crises anteriores.
O economista-chefe da entidade, John Newton, afirmou que a discussão inclui tanto soluções logísticas – como escolta militar para navios cargueiros que cruzam o Estreito de Ormuz – quanto medidas comerciais e financeiras. O USDA não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.
Importações brasileiras de trigo vêm diminuindo nos últimos meses
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Foto: Canva
Segundo dados do Cepea, as importações brasileiras de trigo vêm diminuindo nos últimos meses. Em fevereiro, as compras externas foram as menores em 18 anos para um único mês.
No acumulado de 12 meses, o volume adquirido é o mais baixo desde o período encerrado em setembro de 2024. Pesquisadores do Cepea apontam que, para os próximos meses, o aumento no valor do dólar e os estoques mais ajustados nos moinhos podem manter as compras externas lentas e favorecer o aumento da liquidez no mercado interno.
De acordo com pesquisadores do Cepea, agentes do mercado de trigo estiveram atentos aos conflitos no Oriente Médio, que repercutiram no mercado internacional e elevaram as cotações futuras. A valorização do dólar frente ao Real na última semana também favoreceu pedidos de preços mais altos por parte de vendedores domésticos.
A importação de trigo pelo Brasil registrou forte queda no mês de fevereiro. O volume importado atingiu o menor nível para o período em 18 anos. No acumulado dos últimos 12 meses, a quantidade adquirida também recuou e é a menor desde setembro de 2024.
A queda nas importações está ligada à valorização do dólar. A redução das compras externas, combinada com estoques ajustados dos moinhos, tende a fortalecer a liquidez do mercado interno nos próximos meses, já que uma queda da moeda norte-americana no curto prazo é pouco provável. Com a demanda aquecida, produtores brasileiros têm elevado os preços de venda.
Agentes do mercado consultados pelo Cepea relatam estar atentos aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio, diante da possibilidade de uma disparada nos preços internacionais do trigo.
A colheita de soja no Brasil atingiu 50,6% da área cultivada, segundo o mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na semana anterior, os trabalhos estavam em 41,7%, o que representa um avanço semanal de 21,3% no ritmo da colheita.
Apesar da evolução, o andamento ainda está atrasado em relação ao mesmo período do ano passado. Em igual momento de 2025, a colheita alcançava 60,9% da área, indicando que o ritmo atual está 16,9% mais lento na comparação anual.
Em relação à média dos últimos cinco anos, de 48,5%, o desempenho da safra atual está 4,3% acima do ritmo histórico.
Colheita de soja pelo Brasil
Entre os estados produtores, o maior avanço é observado em Mato Grosso, onde a colheita já alcança 89,1% da área. Em seguida aparecem Mato Grosso do Sul (61%), Goiás (57%) e Tocantins (52%).
Na sequência estão Paraná (46%), Minas Gerais (39%) e São Paulo (38%). No Matopiba, o progresso ainda é mais lento, com o Piauí registrando 19% da área colhida e Maranhão 17%. Santa Catarina soma 11,7%, enquanto a Bahia está em 3%.
No Rio Grande do Sul, os trabalhos ainda não começaram, mantendo o índice em 0%.
A petrolífera saudita Saudi Aramco alertou que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz pode provocar “consequências catastróficas” para o mercado global de petróleo caso o conflito envolvendo o Irã continue afetando o tráfego marítimo na região.
Segundo o CEO da companhia, Amin Nasser, grande parte das remessas de petróleo do Golfo está atualmente bloqueada. O estreito é uma das rotas estratégicas mais importantes do mundo, por onde normalmente passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente.
Nasser afirmou que a situação representa a maior crise já enfrentada pela indústria regional de petróleo e gás. Ele também alertou que os impactos podem se espalhar por diversos setores da economia global, incluindo transporte marítimo, seguros, aviação, agricultura e indústria automotiva.
Em meio às tensões, o preço do petróleo Brent, referência internacional, chegou a subir para quase US$ 120 por barril, antes de recuar após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerindo que o conflito poderia chegar ao fim em breve.
Atualmente, a Aramco não está exportando petróleo pelo Golfo, já que navios não conseguem carregar cargas na região. Para atender parte da demanda, a empresa tem utilizado estoques globais e redirecionado o petróleo por meio do oleoduto Leste-Oeste, que leva a produção até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
Esse sistema, no entanto, deve atingir sua capacidade máxima de 7 milhões de barris por dia nos próximos dias.
Mesmo com essas alternativas logísticas, a interrupção no fluxo marítimo pode retirar cerca de 350 milhões de barris do mercado global, em um momento em que os estoques mundiais de petróleo já se encontram nos níveis mais baixos dos últimos cinco anos.
Entre os indicados ao Prêmio Personagem Soja Brasil 2025/26 está a produtora rural Maira Lelis, de Guaíra (SP), que investe em gestão, tecnologia e sustentabilidade para fortalecer a produção de grãos na fazenda da família.
A história da propriedade começou há mais de oito décadas, quando o avô da produtora iniciou as atividades na área, que antes era formada por cerrado. Ao longo dos anos, o sistema produtivo evoluiu com a adoção de novas tecnologias e práticas agrícolas.
“A fazenda começou com meu avô há mais de 80 anos nesse mesmo solo que vocês estão conhecendo hoje. Antes era um cerrado e ele foi transformado. Hoje a gente tem produção de grãos aqui há mais de 40 anos”, conta. Segundo ela, no início os trabalhos eram bem diferentes dos atuais. “Antes, tudo não era mecanizado.”
De acordo com Maira, a agricultura moderna exige cada vez mais conhecimento técnico e capacidade de adaptação às inovações que surgem no setor. “O agro hoje é um agro de muita ciência e muita tecnologia. O maior desafio é estar sempre muito atento às inovações e conseguir levar essas novidades para dentro do campo”, afirma.
A produtora destaca que a busca constante por eficiência tem como objetivo reduzir custos e ampliar a produtividade das lavouras. “O desafio é poder colocar essas inovações dentro da fazenda e, com isso, diminuir os custos e aumentar a produtividade”, explica.
A sustentabilidade também passou a ocupar papel central na gestão da propriedade e na própria trajetória da produtora. Segundo ela, as boas práticas adotadas ao longo dos anos ajudaram a melhorar a qualidade do solo e fortalecer o sistema produtivo.
“Hoje a sustentabilidade faz parte da história da fazenda, da história da minha família e da minha história. Ver o nosso solo melhorando ao longo dos anos é algo muito gratificante”, destaca.
Entre as estratégias adotadas estão a rotação de culturas, o uso de plantas de cobertura e a aplicação de microrganismos no solo, práticas que contribuem para manter o sistema mais equilibrado e produtivo.
“A gente sabe que quando coloca plantas de cobertura e microrganismos no sistema, a gente alimenta o solo e deixa ele mais vivo. Foi assim que conseguimos aumentar a produtividade da soja”, diz.
Outra iniciativa recente na fazenda é a implantação de um corredor ecológico multifuncional, formado por diferentes espécies de árvores ao redor da propriedade. A proposta é atrair inimigos naturais das pragas e fortalecer o equilíbrio ambiental da área.
“Uma das novidades é a implantação de um corredor ecológico com árvores que têm pólen ao longo do ano todo. Isso ajuda a atrair inimigos naturais e tornar o sistema mais resiliente”, explica.
Para Maira, o reconhecimento como indicada ao prêmio está ligado à dedicação à produção de alimentos e à preocupação com o futuro da atividade no campo. “O que faz de mim uma personagem da soja brasileira é o amor que eu tenho pelo que faço, por produzir alimento com responsabilidade e sustentabilidade”, afirma.
Ela também ressalta a importância de preparar a próxima geração para dar continuidade ao trabalho na propriedade. “Queremos deixar um legado para as próximas gerações e um solo muito mais preparado para quem vai continuar esse trabalho”, conclui.