sexta-feira, maio 1, 2026

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Brasil adere a programa de pesquisa para agricultura sustentável da OCDE


terra ao fundo desfocada, com a palma da mão com um punhado de terra em cima
Foto: Freepik

O governo brasileiro formalizou a adesão ao Programa de Pesquisa Cooperativa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para Agricultura e Sistemas Alimentares Sustentáveis, conforme informou o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em nota.

A carta de adesão foi entregue durante reunião na sede da organização, em Paris, ocorrida na última sexta-feira (24), com a participação do secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luís Rua, e do representante do Brasil junto às Organizações Internacionais Econômicas em Paris, o embaixador Sarquis J. B. Sarquis.

Pela OCDE, participaram o secretário-geral adjunto, Yasushi Masaki, e a diretora de Comércio e Agricultura, Marion Jansen.

Segundo a pasta, a entrada do Brasil no programa reforça a contribuição do país em pesquisa agropecuária, especialmente em agricultura tropical.

“O Brasil conta com uma rede de instituições de pesquisa, universidades e centros de excelência, com destaque para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), cuja atuação tem sido parte central dos ganhos de produtividade e sustentabilidade da agricultura nacional. A participação no programa permitirá ao Brasil ampliar sua presença nas discussões da OCDE sobre agricultura, segurança alimentar, sustentabilidade e inovação”, disse o ministério na nota.

Há expectativa de que a adesão gere redução de custos de cooperação internacional, com acesso à rede de intercâmbio científico, bolsas de pesquisa, conferências, workshops e simpósios apoiados pelo programa.

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‘A produção de soja deve ficar abaixo do esperado. O motivo? Excesso de chuvas’, diz presidente da Aprosoja MA


Divulgação Canal Rural

A colheita de soja no Brasil alcançou 88,1% da área, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No Maranhão, o ritmo também avança, mas produtores enfrentam uma combinação de desafios que impactam diretamente o resultado da safra.

Em entrevista ao Soja Brasil, o presidente da Aprosoja Maranhão, José Carlos Oliveira de Paula, detalhou o cenário no estado. “No Maranhão, nós chegamos a 60% da colheita, que está praticamente concentrada aqui ao sul. As regiões ligadas às regiões de Balsas e Tasso Fragoso são os dois municípios com maior produtividade, então isso puxa essa média dentro do estado”, afirmou.

Segundo ele, os trabalhos também começaram a avançar em outras regiões. “Começamos agora também no centro a colheita e ali na região oeste, chamada Buriticupu, praticamente em Açailândia, que é um polo de produção também, com mais de 150 mil hectares”, explicou.

Apesar do avanço, a produtividade tem frustrado as expectativas. “A gente tinha uma produção imaginada em torno de 3.600 quilos por hectare, acima de 60 sacas na média do estado, e hoje está ficando abaixo disso. O motivo? Porque saiu fora da janela do plantio e tivemos grandes problemas na colheita, com excesso de chuvas, perdas por umidade e outras questões que vieram junto com isso”, disse.

Ainda assim, ele avalia que o desempenho geral não deve fugir muito da média. “O estado ainda, continuando nesse ritmo, deve ficar entre 55 e 56 sacas por hectare. Algumas regiões não tiveram tanto problema e estão colhendo um pouquinho melhor, mas outras, como Chapadinha, tiveram atraso no plantio por causa do clima, que atrapalhou bastante”, pontuou.

Outro fator de pressão é o custo de produção. “O custo variou muito nesse período. Hoje estamos trabalhando com custo acima do ano passado, com elevação superior a 18%”, afirmou. O diesel é um dos principais vilões. “O custo do diesel teve aumento acima de 25% em algumas praças e, em certos momentos, até faltou produto na região”, relatou.

A dificuldade no abastecimento agravou a situação no campo. “Quando não tem, quem procura e paga mais rápido consegue abastecimento. Com isso, o frete também ficou mais caro, porque os caminhões tiveram que se deslocar mais. E as tradings ainda não conseguiram repassar isso nos contratos anteriores”, explicou.

Ele destaca que o impacto é direto na operação da colheita. “Na hora da colheita, a busca por diesel ficou muito difícil. Hoje, para colher, precisa reservar o diesel com uma semana de antecedência. Em anos anteriores, a gente tinha estoque, e agora não tem”, disse.

Além disso, o aumento dos custos logísticos e os entraves na comercialização preocupam. “O transporte ficou mais caro e a comercialização ficou bem abaixo do esperado. Todo mundo esperava uma soja acima de R$ 118 a R$ 120, mas hoje está sendo paga a R$ 106, R$ 108”, concluiu.

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De olho no clima, mercado do milho segue cauteloso, diz Cepea


milho
Foto: Embrapa/Semeali Sementes

A colheita da safra de verão do milho brasileiro está em momentos finais. Enquanto isso, o plantio da segunda safra está praticamente finalizado, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Pesquisadores relatam que existe agora uma preocupação em relação ao clima das próximas semanas, visto que a previsão é de tempo seco e quente, fatores que podem influenciar nas lavouras.

Ainda de acordo com o centro de estudos, a previsão para essa segunda safra é realmente menor comparada a do ano anterior, mesmo sendo elevada. Apesar disso, a irregularidade das chuvas nos últimos dias e as altas temperaturas na região Centro-Oeste e no estado do Paraná, tem deixado produtores em alerta.

Em relação as movimentações do mercado, no spot, a baixa demanda marca a última semana. Negociações ainda seguem limitadas, com compras apenas para quantidades pontuais e com pouca urgência de resposição. Compradores seguem de olho na boa oferta prevista para as próximas datas e aguardam uma queda nos preços.

Em compensação, vendedores limitaram o volume no spot, no aguardo de uma reação nas cotações do cereal, fundamentados nas previsões de clima para as semanas seguintes.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Alta oferta segura preços da soja em abril


Foto: Abiove
Foto: Abiove

A soja brasileira segue com elevada oferta no mercado, o que tem sustentado a liquidez nas últimas semanas. Esse cenário tem limitado avanços mais expressivos nos preços.

Segundo especialistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, mesmo com bom ritmo de negócios e demanda consistente, a expectativa de uma safra robusta mantém o mercado em equilíbrio.

De acordo com a Conab, a colheita da oleoginosa está avançada, sendo que 88,1% da área já foi colhida, apesar de ritmos distintos entre as regiões brasileiras.

Mercado internacional

No hemisfério norte, as condições climáticas tem preocupado, relata o centro de estudos. A baixa humidade no solo atual tem deixado os agentes em alerta, apesar da expectativa de chuva para as próximas semanas.

Nos EUA, a semeadura atingiu 12% da área esperada até 19 de abril, quantidade que superou o ritmo do ano anterior e também a média registrada dos últimos 5 anos, de acordo com o USDA.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Governo anuncia R$ 450 milhões para crédito do Pronaf Mais Leite


Dois homens fazendo a ordenha mecânica
Pecuária leiteira da família Abate, Campo Verde (MT). Foto: Michelle Jardim.

O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (27), em Andradina (SP), a destinação de R$ 450 milhões em crédito rural subsidiado para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) Mais Leite.

A medida é voltada à cadeia leiteira da agricultura familiar e tem como eixo o acesso à transferência de embriões para melhoramento genético do rebanho. O financiamento poderá ser contratado por produtores e cooperativas em linhas já existentes do Pronaf.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), a iniciativa está vinculada ao Programa Nacional de Transferência de Embriões da Agricultura Familiar, lançado no último Plano Safra. A proposta é elevar a produtividade por animal, com referência técnica de aumento de patamares médios de 3 a 8 litros de leite por dia para faixas entre 15 e 30 litros por dia, além de ampliar o valor econômico do rebanho.

A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, afirmou que a atividade tem peso estrutural na produção nacional. De acordo com ela, o Brasil tem mais de 1 milhão de propriedades produtoras de leite, das quais cerca de 950 mil pertencem à agricultura familiar, responsável por mais da metade da produção do país.

Entre as linhas disponíveis para produtores estão o Pronaf Mais Alimentos, com juros de 3% ao ano, prazo de até 8 anos e limite de R$ 250 mil por beneficiário; o Pronaf A, com juros de 0,5% ao ano, prazo de até 10 anos e limite de R$ 50 mil; e o Pronaf B, também com juros de 0,5% ao ano e limite de R$ 12 mil. Para cooperativas, o Pronaf Mais Alimentos poderá alcançar até R$ 8 milhões, enquanto o InvestAgro – Renovagro terá limite de R$ 5 milhões, com juros de 8,5% ao ano.

O crédito poderá ser usado na aquisição e transferência de embriões e em itens complementares, como alimentação, manejo e infraestrutura. Para acessar os recursos, o produtor deve procurar uma cooperativa ou instituição financeira para elaboração do projeto e contratação da operação.

No suporte técnico, a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) lançou edital de R$ 28,5 milhões para assistência técnica e extensão rural, com atendimento previsto a 4.050 famílias em 27 lotes, incluindo todos os estados e o Distrito Federal, em prazo de 18 meses.

De 2023 até março de 2026, o Pronaf destinou R$ 33,9 bilhões à cadeia do leite em cerca de 777,7 mil operações, segundo o MDA. Desse total, R$ 20,2 bilhões foram para custeio, R$ 12,6 bilhões para investimento produtivo e cerca de R$ 1 bilhão para industrialização. O ministério informa crescimento de 81% no volume de crédito frente ao período anterior.

A execução do programa dependerá da articulação entre cooperativas, agentes financeiros, laboratórios e serviços de assistência técnica. Até o momento, o governo não detalhou a distribuição regional dos R$ 450 milhões nem o cronograma de contratação por estado.

Fonte: gov.br

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Dólar recua no mercado à vista com petróleo em alta e impasse entre EUA e Irã


Dólar recua no mercado à vista com petróleo em alta e impasse entre EUA e Irã

O dólar opera em baixa no mercado à vista na manhã desta segunda-feira (27), em linha com a perda de força da moeda americana no exterior. O movimento ocorre em meio à alta do petróleo, após o fracasso das negociações para encerrar o conflito entre Estados Unidos e Irã no fim de semana, no Paquistão. No mercado doméstico, agentes também acompanham dados de inflação, crédito e endividamento divulgados no Brasil.

Segundo informações da Associated Press, o Irã propôs encerrar o bloqueio do Estreito de Ormuz e reabrir portos em troca de retirar seu programa nuclear das negociações com os Estados Unidos. A proposta, mediada pelo Paquistão, foi considerada improvável pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que mantém a exigência de encerramento do programa atômico iraniano.

A alta do petróleo entrou no radar por seu efeito potencial sobre a inflação global e doméstica. No Brasil, o boletim Focus do Banco Central mostrou nova revisão para cima nas expectativas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A mediana para 2026 subiu de 4,80% para 4,86%, acima do teto da meta contínua de 4,50%. Para 2027, a projeção passou de 3,99% para 4,0%.

No crédito, as concessões livres dos bancos cresceram 19,4% em março ante fevereiro, para R$ 663,3 bilhões, e avançaram 9,1% em 12 meses, também segundo o Banco Central. O endividamento das famílias atingiu 49,9% em fevereiro, ante 49,8% em janeiro, igualando o pico histórico observado em 2022.

Ainda nesta segunda-feira (27), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, deve se reunir com presidentes-executivos de bancos para discutir um programa de renegociação de dívidas.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Agrishow: vice-presidente da FPA defende projeto de renegociação de dívidas rurais


Arnaldo Jardim, COP30
Reprodução Canal Rural

O vice-presidente da Frente Parlamentar da Agricultura (FPA) na Câmara dos Deputados, Arnaldo Jardim, defendeu no domingo (26) a criação de um projeto de renegociação das dívidas do setor rural. A declaração foi feita durante a 31ª edição da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), na presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ministros e representantes do agronegócio.

Ao tratar do tema, Jardim afirmou que a proposta não envolve perdão de débitos, mas a revisão das condições de pagamento para permitir a continuidade da atividade produtiva. Segundo o deputado, a demanda é para que produtores consigam cumprir compromissos financeiros em condições compatíveis com a realidade do setor.

O parlamentar disse que a renegociação vem sendo debatida no Congresso Nacional e citou uma proposta apresentada pelo senador Renan Calheiros. De acordo com Jardim, ele e o deputado Pedro Lupion devem rediscutir os termos do projeto ao longo desta semana. Até o momento, porém, não foram detalhados publicamente os critérios, prazos, taxas ou o universo de produtores que poderá ser atendido.

Na mesma fala, o deputado vinculou a discussão do endividamento ao avanço do seguro rural. Segundo ele, a cobertura atual não passa de 7,8% da área plantada no país. Na avaliação apresentada por Jardim, uma política de seguro mais abrangente reduziria a necessidade de renegociações em momentos de perda de produção ou maior pressão sobre a renda no campo.

O parlamentar também informou que há um projeto já aprovado no Senado com foco no tema e que a proposta aguarda deliberação na Câmara dos Deputados, sob relatoria de Pedro Lupion. Não foram informados, no evento, prazos para votação.

A discussão sobre dívidas e seguro rural tende a avançar no Congresso nas próximas semanas, segundo Jardim. O andamento dependerá da definição dos termos da renegociação e da tramitação das propostas já em análise na Câmara.

Fonte: Estadão Conteúdo

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AgroNewsPolítica & Agro

Agricultura regenerativa exige manejo integrado


A agricultura regenerativa ganhou espaço como tendência no campo, mas a execução ainda é apontada como um dos principais desafios para que os resultados apareçam nas áreas produtivas. A interpretação de que regenerar significa simplesmente eliminar insumos pode levar a decisões de manejo que comprometem a resposta do sistema e travam o desenvolvimento das lavouras.

Segundo Marcelo Fiorentim, engenheiro agrônomo, muita gente tem errado ao cortar insumos acreditando que a biologia resolverá sozinha, ao aumentar palhada sem compreender sua dinâmica e ao confiar apenas no laudo de análise de solo, ignorando o funcionamento do sistema. Para ele, quando esses fatores não são considerados em conjunto, o produtor pode não entender por que a área deixa de responder.

O material destaca que regenerar não é excluir, mas fazer o sistema funcionar. Isso passa por solo estruturado, raiz ativa e nutriente disponível no tempo certo. Sem essas condições, a proposta deixa de ser regeneração e passa a ser apenas uma ilusão de solo bom.

Um dos erros apontados é cortar a adubação sem garantir uma base nutricional adequada. A orientação apresentada é ajustar o solo primeiro e, depois, usar a biologia como multiplicador. O conteúdo ressalta que a biologia não cria nutrientes, mas potencializa o que já existe, e que o sistema precisa estar em condições de responder antes da atuação biológica.

Outro ponto é o manejo da palhada. O aumento de volume, sem controle da relação carbono e nitrogênio, pode imobilizar nitrogênio, dificultar o arranque da cultura e travar o sistema. A correção indicada é manejar a palhada com estratégia, priorizando decomposição e liberação de nutrientes no momento adequado.

A análise de solo também é tratada como ferramenta importante, mas insuficiente quando vista isoladamente. Teores altos não garantem nutrição se o nutriente não estiver disponível quando a planta precisa. Por isso, o manejo deve considerar o sistema como um todo, incluindo pH ajustado, raiz ativa e biologia ativa.

 





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Agrishow 2026: o peso da cadeira vazia


presidente Lula
Foto: Ricardo Stuckert/PR

A abertura da 31ª edição da Agrishow, em Ribeirão Preto, repete um cenário que se tornou comum: o vácuo deixado pelo presidente da República. No maior palco tecnológico do setor, o silêncio do Planalto é preenchido pelo discurso da oposição.

Enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin representa o governo, os holofotes se voltam para o governador Tarcísio de Freitas e o senador Flávio Bolsonaro. Eles capitalizam sobre a principal dor do setor: a insegurança no campo.

Memória do “desconvite”

A relação entre Lula e o agronegócio congelou em 2023, após o polêmico “desconvite” ao ministro Carlos Fávaro. Na época, Lula chamou organizadores de “fascistas”, criando uma cicatriz que o setor não esqueceu.

Essa mágoa não é apenas política, é ideológica. O produtor vê com temor a proximidade histórica do governo com o Movimento dos Sem Terra (MST) e o incentivo a agendas que colidem com o direito de propriedade.

Invasões e a insegurança jurídica

Um dos maiores pontos de atrito é a preocupação com a concessão de terras indígenas e a onda de invasões de propriedades produtivas. Para o produtor, o apoio de Lula a esses movimentos é um sinal de alerta sobre a estabilidade jurídica no campo.

O setor enxerga uma conivência que ameaça o direito de propriedade. Enquanto o governo foca na reforma agrária, o médio e o grande produtor temem perder o controle de suas terras para novas demarcações ou ocupações lideradas por movimentos sociais.

O divórcio entre o bolso e o coração

O paradoxo é evidente: o governo injeta recursos, mas o foco tem endereço certo. O Plano Safra da Agricultura Familiar 25/26 atingiu o recorde de R$ 89 bilhões, priorizando quem garante a comida no prato do brasileiro.

Infelizmente, não há como atender plenamente ao grande produtor, pois os recursos estatais são finitos e a prioridade social do atual governo fala mais alto. Diante da escassez orçamentária, o governo fez uma escolha clara pela base social da pirâmide produtiva.

A força do pequeno

A Agricultura Familiar representa 77% dos estabelecimentos do país e produz quase 85% da produção nacional de alimentos básicos. Enquanto o grande foco na exportação para mover o PIB, o pequeno garante a segurança alimentar interna.

Entretanto, ao ignorar a Agrishow para evitar vaias, Lula entrega o microfone para quem promete “tolerância zero” com invasões. No agro, quem não garante a segurança da terra, dificilmente conquista a confiança de quem nela trabalha.

Oportunidade perdida?

A cadeira vazia em Ribeirão Preto simboliza um governo que optou por um lado. No entanto, o comportamento hostil de parte do agronegócio também pode ser lido como um grande erro estratégico. Ao fechar as portas para o diálogo e transformar uma feira de tecnologia em um palanque puramente político, o setor arrisca perder a chance de negociar melhorias estruturais e garantias jurídicas diretamente com quem detém a caneta.

Enquanto a política tratar o campo apenas como palco de disputas e o setor responder com intransigência, a reconciliação será impossível. No campo, a confiança é como a safra: demora a crescer, mas pode ser prejudicada em uma única tempestade política.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Boletim Focus mantém Selic de 2026 em 13% e taxa de 2027 em 11%


Focus mantém Selic de 2026 em 13% e taxa de 2027 em 11%

A mediana das projeções do relatório Focus para a taxa básica de juros no fim de 2026 permaneceu em 13,0% nesta segunda-feira (27), segundo o Banco Central (BC). Para 2027, a estimativa seguiu em 11,0%. Os números foram divulgados às vésperas da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta quarta-feira (29), em um ambiente de incerteza inflacionária e revisão das expectativas do mercado.

No caso de 2026, a projeção está acima da registrada um mês antes, quando a mediana era de 12,50%. Considerando apenas as 110 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, o percentual também ficou em 13,0%, o que indica manutenção da leitura mais recente entre os agentes consultados.

Para 2027, a mediana seguiu em 11,0%, ante 10,50% observados um mês antes. Entre as 107 projeções revisadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa também permaneceu em 11,0%. Já para horizontes mais longos, o Focus manteve a Selic de 2028 em 10,0% pela 14ª semana seguida. Para 2029, a taxa caiu de 9,88% para 9,75%.

Na última reunião, realizada em 18 de março, o Copom reduziu a Selic de 15,0% para 14,75% ao ano, em corte de 0,25 ponto porcentual. Foi a primeira redução em quase dois anos. Na ocasião, o colegiado indicou aumento das incertezas, citando os efeitos do conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz sobre o petróleo.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou em entrevista coletiva na quarta-feira (26 de março) que a postura conservadora da autoridade monetária ao longo de 2025 buscaria ampliar o tempo de avaliação dos efeitos da alta do petróleo sobre os preços domésticos.

Na pesquisa Projeções Broadcast, 33 de 37 instituições financeiras esperavam novo corte de 0,25 ponto nesta semana, para 14,50% ao ano. Esse conjunto de estimativas serve de referência para crédito, custo financeiro e decisões de investimento, mas o efeito prático dependerá do comunicado do Copom e da evolução da inflação.

Com as medianas de 2026 e 2027 estabilizadas em patamares mais altos do que os observados um mês atrás, o mercado mantém a leitura de juros elevados por período prolongado. O próximo sinal técnico virá da decisão e da comunicação do Copom nesta quarta-feira (29).

Fonte: Estadão Conteúdo

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