sábado, abril 11, 2026

Agro

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MT: Custos de produção de soja 25/26 caem 1,96% em setembro



Os custos de produção de soja transgênica da safra 25/26 em Mato Grosso caiu em setembro na comparação com agosto. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), no mês passado, o produtor gastava R$ 4.173,76 para semear 1 hectare com soja geneticamente modificada, valor 1,96% menor ante o apurado em agosto, de R$ 4.257,10. A queda foi puxada por despesas menores com fertilizantes e defensivos.

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O desembolso com fertilizantes e corretivos caiu de R$ 1.947,43 por hectare em agosto para R$ 1.879,33 em setembro. Já o gasto com defensivos recuou para R$ 1.225,64 em setembro, contra R$ R$ 1.257,01 em agosto.

Em contrapartida, as despesas com sementes subiram. O insumo representou um gasto de R$ 599,48 por hectare em setembro, comparado a R$ 582,04 em agosto.

Custos de produção do milho

Já o custo de produção de milho segunda safra 2025/26 em Mato Grosso foi de R$ 3.305,87 por hectare em setembro, alta de 0,32% ante o apurado em agosto pelo Imea. Naquele mês, foi de R$ 3.295,32. A alta está relacionada ao aumento de 0,20% no custo operacional efetivo de setembro, projetado pelo Imea em R$ 4.792,45 por hectare, ante R$ 4.782,75 por hectare em agosto. O custo operacional total (COT) também subiu, 0,17% em setembro, para R$ 5.381,07 por hectare, ante R$ 5.372,17 em agosto.

Algodão

O custo de produção do algodão de alta tecnologia 2025/26 em Mato Grosso recuou 2,7% em setembro, para R$ 10.769,75 por hectare, ante R$ 11.068,21 no mês anterior, segundo o Imea. A queda foi puxada pela redução de 3,21% nas despesas com fertilizantes e corretivos, que passaram de R$ 3.990,74 para R$ 3.862,75 por hectare. Dentro da categoria, o destaque foram os macronutrientes, cujo custo caiu 2,89%, de R$ 3.142,67 para R$ 3.051,89 por hectare.

Quedas registradas

Com menor pressão sobre os insumos, o Custo Operacional Efetivo (COE) também recuou, encerrando setembro em R$ 15.171,99 por hectare, 2,19% abaixo do registrado em agosto, quando atingiu R$ 15.511,09, disse o Imea.

O Custo Operacional Total (COT) encerrou o mês em queda, saindo de R$ 16.488,62 por hectare em agosto, para R$ 16.143,44 por hectare em setembro, queda de 2,09%.

A Mosaic já havia destacado, em relatório, na terça-feira (14), queda de 7% no Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) em setembro. Segundo a Mosaic, o movimento reflete o encerramento da colheita da safrinha e o início do plantio da soja. O impacto da leve retração do dólar, de aproximadamente 1,5%, sobre o índice foi limitado. A principal contribuição para a queda veio da retração nos preços dos fertilizantes.



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AgroNewsPolítica & Agro

Exportações de soja avançam no país e em Goiás


De acordo com a edição de outubro do informativo mensal “Agro em Dados”, elaborado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), o Brasil exportou 103 milhões de toneladas do complexo soja entre janeiro e agosto de 2025, crescimento de 3,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No estado, o volume exportado atingiu 12,4 milhões de toneladas, alta de 6,6% na comparação anual. Esse resultado garantiu a segunda posição no ranking nacional de exportações, atrás apenas do Mato Grosso. Segundo a publicação, “o desempenho reflete o aumento da produção, a expansão industrial e a posição estratégica do estado para o escoamento da safra, fatores que fortalecem a logística e consolidam Goiás como um dos principais polos exportadores do país”.

Na safra 2024/25, Goiás alcançou também a segunda colocação nacional na produção de soja, com 20,7 milhões de toneladas, ultrapassando o Paraná. A produtividade média foi superior a 69,7 sacas por hectare, a maior do país, com 9,4 sacas acima da média nacional. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), esse desempenho está ligado a avanços tecnológicos no manejo e maior adoção de cultivares resistentes.

Em setembro, o mercado físico da soja apresentou retração nos preços após valorização em agosto. O preço médio nacional ficou em R$ 138,77 por saca, queda de 1,2% em relação ao mês anterior e 0,8% abaixo do valor registrado em setembro de 2024, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A análise indica que as margens dos produtores devem ser pressionadas pelo aumento dos custos de produção, especialmente fertilizantes, e pelo custo elevado do capital. “Nesse cenário, estratégias de comercialização escalonada e gestão financeira mais rigorosa tornam-se essenciais para preservar a rentabilidade da safra”, informa o boletim.

 





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Imagens aéreas revelam dimensão de incêndio em algodoeira



Imagens áreas mostram a dimensão do incêndio de grandes proporções que atingiu fardos de algodão que estavam no pátio de uma algodoeira localizada às margens da BR-242, no setor industrial de Luís Eduardo Magalhães, nesta quinta-feira (17).

O Corpo de Bombeiros informou que Equipes da 2ª Companhia do 17º Batalhão de Bombeiros Militar da Bahia (17º BBM) foram acionadas por volta das 14h15 para atender a ocorrência, que diante da gravidade, solicitou apoio da Defesa Civil do município, que enviou caminhões-pipa e uma pá carregadeira para auxiliar nos trabalhos.

Segundo o Corpo de Bombeiros, ao chegarem ao local, as equipes encontraram o incêndio em fase avançada, com intenso volume de fogo e grande quantidade de material combustível.

A ação integrada dos bombeiros, com o suporte da Defesa Civil, de funcionários da algodoeira e de empresas vizinhas, foi essencial para controlar as chamas e evitar que o fogo se alastrasse para outras áreas.

Além disso, durante a operação, foi realizado o isolamento e a retirada dos fardos que não haviam sido atingidos, preservando parte significativa do material armazenad

De acordo com o gerente da empresa, a força dos ventos no momento do início das chamas contribuiu para a rápida propagação do incêndio.

Após horas de combate, por volta das 17h50, a guarnição realizou o levantamento da área e confirmou que o fogo estava completamente controlado. Não houve registro de mortes ou feridos.

Em aproximadamente 6 meses, este é o terceiro caso de incêndio em algodoeiras da região Oeste da Bahia.


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O Nobel e o agro brasileiro


O Prêmio Nobel de Economia de 2025 foi concedido a Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt, em reconhecimento a seus estudos sobre como a inovação — especialmente por meio do que se chama de “destruição criativa” — estimula o crescimento econômico sustentado.

Mokyr analisou os pré-requisitos culturais, institucionais e tecnológicos que permitem que as sociedades cresçam ao longo do tempo. Aghion e Howitt formularam modelos teóricos mostrando que empresas e tecnologias obsoletas são progressivamente suplantadas por novas, mais eficientes, criando ciclos de renovação produtiva.

Esse mote do Nobel ressoa fortemente com a trajetória do setor agropecuário brasileiro ao longo dos últimos 50 anos. O Brasil, que era visto como dependente de importações para praticamente tudo, investiu em pesquisa, extensão rural, melhoramento genético, agroindústria e logística. Instituições como a Embrapa, universidades, empresas privadas e produtores familiares introduziram inovações que transformaram solos, sementes, práticas de manejo e integração produtiva.

Resultado: hoje somos potência global em grãos, carnes, café, açúcar etc., com produtividade muito acima do que se via décadas atrás, e com melhor eficiência de uso de terra, água e insumos. Essa inovação tem sido a base de nossa segurança alimentar interna, abastecendo populações urbanas e rurais em todos os rincões do país, e de nossa capacidade de contribuir para alimentar o mundo.

Conforme expliquei numa palestra no evento Rio+Agro, no Rio de Janeiro, a inovação tornou-se um elemento importante na construção da nova realidade no campo. A missão do Sistema Faesp/Senar é exatamente aproximar os pequenos produtores das inovações tecnológicas e a sua capacidade de se adaptar com velocidade será o diferencial de competitividade. Estamos construindo oito centros de excelência, que irão fomentar as melhores práticas em agricultura familiar, turismo rural, agroindústria e irrigação, entre outros temas.

As ideias de Mokyr, Aghion e Howitt sugerem lições importantes para políticas públicas no agro: manutenção de ambientes regulatórios que favoreçam pesquisa, incentivo à competição saudável, estímulo ao empreendedorismo, proteção ao investimento em ciência e infraestrutura.

Quando o Brasil estimula universidades e centros de estudos, financia melhoramento genético e tecnologias de adaptação climática e apoia acesso a crédito para inovação, então o agro brasileiro não apenas consolida sua liderança mundial, mas também desempenha papel estratégico no combate às mudanças climáticas. Métodos como a integração lavoura-pecuária-floresta, sistemas de plantio direto, controle biológico e agricultura de precisão são exemplos concretos dessa capacidade transformadora.

Com esse foco, o agro deixa de ser visto apenas como fonte de matérias-primas, passando a ser protagonista de um modelo de desenvolvimento sustentável, justo e resiliente.

Frente a características naturais e emprego cada vez mais forte de tecnologia no campo, o resultado do Prêmio Nobel demonstra que o caminho para uma produção de alta rentabilidade e aproveitamento das áreas de cultivo passará, indubitavelmente, pela ciência. O emprego desta é irreversível, e estados e empresas privadas que não estiverem em acordo com essa prática ficarão para trás — não importa se em lucro, sustentabilidade ou práticas que poderão ser empregadas nas próximas décadas ou até mais.

*Tirso Meirelles é presidente do Sistema Faesp/Senar-SP. Economista e produtor rural, atua há décadas no fortalecimento da produção paulista


O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação



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Envios de suco de laranja aos EUA e Europa se igualam



As exportações brasileiras de suco de laranja entre julho e setembro de 2025, registram desempenho aquém do observado no mesmo período da temporada passada. Isso é o que apontam os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com dados da Comex Stat, o volume de suco embarcado totalizou 199,7 mil toneladas em equivalente concentrado. Volume que representa queda de 4% frente a igual intervalo do ano anterior, e a receita recuou 15%, para US$ 751,3 milhões.

Segundo pesquisadores do Cepea, a retração no montante recebido por exportadores reflete o enfraquecimento dos preços internacionais, diante da ampliação da oferta global e do comportamento mais cauteloso de compradores, sobretudo os europeus. 

O destaque do início da safra, indicam pesquisadores do Cepea, foi a mudança na composição dos destinos. Pela primeira vez em vários anos, os embarques aos Estados Unidos e à União Europeia se igualaram, com aproximadamente 48% de participação cada (em volume). 

O avanço de 13% nas vendas ao mercado norte-americano, mesmo com a manutenção da tarifa residual de 10%, evidencia a elevada dependência dos Estados Unidos do suco brasileiro. 

Por outro lado, a União Europeia, tradicional principal destino, mostrou retração de 8%, influenciada pela redução da demanda após os altos preços e problemas de qualidade observados na safra anterior.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Apesar de gripe aviária, exportações de frango podem bater novo recorde



Caso o atual desempenho intenso das exportações brasileiras de carne de frango se mantenha, 2025 pode encerrar com um novo recorde no volume escoado. Isso é o que apontam as análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Esse resultado seria verificado mesmo diante do caso de gripe aviária em maio deste ano em uma granja comercial do Rio Grande do Sul. A quantidade de carne de frango exportada em setembro foi a maior em 11 meses. Nesta parcial de outubro, o ritmo diário de embarques está 9,6% superior ao de setembro/25 e expressivos 16% acima do de outubro/24, conforme dados da Secex.

Pesquisadores do Cepea explicam que esse cenário é favorecido pela recente retomada das compras da proteína brasileira por parte da União Europeia. Este fator contribui para consolidar a recuperação do ritmo exportador nacional a patamares pré-gripe. Ressaltam, ainda, que as vendas à China seguem suspensas, e que um retorno dos embarques ao país asiático poderia impulsionar ainda mais as exportações totais.

Segundo pesquisadores, as perspectivas de vendas externas recordes em 2025, no entanto, dependem da ausência de novos casos de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1 ou IAAP) em granjas comerciais, assim como de outros tipos de influenza.

Por outro lado, os levantamentos do Cepea mostram que os preços dos ovos encerraram a primeira quinzena de outubro estáveis na maioria das regiões. Pesquisadores explicam que a intensa valorização do início do mês, impulsionada pela maior procura pela proteína, perdeu um pouco de força nos últimos dias.

Ainda assim, segundo colaboradores, o bom ritmo de vendas e a oferta controlada em diversas praças ajudaram a sustentar as cotações.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Trump volta a criticar a China e diz que tarifas de até 157% ‘não são sustentáveis’



O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a comentar as tensões comerciais com a China durante entrevista à emissora Fox Business nesta sexta-feira (17). Ele classificou como “não sustentável” o atual nível das tarifas impostas aos produtos chineses, que podem chegar a 157%, mas afirmou que o país asiático o “forçou” a adotar a medida.

“Acho que vamos nos dar bem com a China, mas precisamos de um acordo justo. A China nos enganou desde o primeiro dia”, disse Trump, em referência à política comercial iniciada após a reabertura do país asiático nas décadas passadas.

O presidente também reconheceu que mantém uma relação pessoal positiva com o líder chinês, Xi Jinping, a quem chamou de “um homem forte e incrível”, mas ressaltou que Pequim “só respeita a força”.

Durante a entrevista, Trump indicou que novos encontros diplomáticos devem ocorrer em breve, mencionando a possibilidade de uma reunião com autoridades chinesas na Coreia do Sul. Segundo ele, apesar da escalada tarifária, a expectativa é de que as negociações avancem.

“Não sei o que vai acontecer, mas acredito que podemos chegar a um bom entendimento com eles”, afirmou.

As declarações ocorrem em meio ao endurecimento das restrições comerciais e de exportação de minerais estratégicos entre os dois países, ponto central da disputa por influência tecnológica e industrial.



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Lucro do confinamento supera média histórica em quase todo o país



A rentabilidade do confinamento de bovinos registrou avanço em setembro, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a DSM-Tortuga. A expectativa é de resultados acima da média histórica em quase todos os estados acompanhados.

O desempenho positivo é resultado da combinação entre a queda nos custos de alimentação e a alta dos preços futuros do boi gordo, especialmente nos contratos para dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

Rio Grande do Sul lidera resultados

O Rio Grande do Sul apresenta o melhor cenário, com potencial de rentabilidade superior a 20%. O Paraná vem em seguida, com estimativa de ganho em torno de 15%.

Em Mato Grosso, que concentra o maior número de animais confinados do país, também deve registrar bom retorno, de quase 13%.

Demais estados mantêm margens positivas

Nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, a projeção de rentabilidade gira em torno de 10%, com destaque para a redução do diferencial de preços em relação ao mercado paulista.

Os cálculos consideram médias de 105 dias de confinamento, com peso de entrada de 375 quilos e saída de 540 quilos, rendimento de carcaça de 55% e nível básico de tecnologia nutricional.

No caso do Rio Grande do Sul, os parâmetros foram ajustados para machos europeus castrados, com peso final de 500 quilos e rendimento de 53,5%.



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O que a reunião entre Marco Rubio e Mauro Vieira revela nas entrelinhas


Em diplomacia, o silêncio fala alto. A reunião de uma hora entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado americano Marco Rubio, descrita como “respeitosa e promissora”, revelou mais pelo que não disse do que pelo que anunciou. O embaixador brasileiro, questionado, preferiu a prudência: “foi produtiva”.

Esse tipo de contenção costuma marcar momentos de virada nas relações internacionais, quando as partes já chegaram a um entendimento, mas o anúncio é reservado aos chefes de Estado. Na abertura da conversa, o Brasil pediu a suspensão das punições aplicadas a autoridades brasileiras durante o período de maior tensão diplomática. Foram restrições que travaram cooperações, viagens e convênios técnicos.

O pedido foi recebido por Rubio com sinal positivo, servindo como gesto simbólico de reconciliação, a senha para discutir temas mais sensíveis na sequência: comércio, tarifas e minerais estratégicos. Por trás das cortinas, a disputa global entre Washington e Pequim atravessa todas as agendas. A ampliação dos BRICS, o uso de moedas locais e a crescente presença chinesa em infraestrutura e energia na América do Sul acenderam o alerta nos EUA.

Trump, pragmático, busca conter a influência chinesa e vê o Brasil como parceiro natural para reequilibrar a região. Já Lula aposta no equilíbrio entre blocos: manter os ganhos comerciais com a China sem romper pontes com os Estados Unidos. Nesse jogo de poder, o Brasil volta a ocupar posição de pivô estratégico, e é justamente esse papel que Rubio veio negociar.

Principais temas em discussão

Entre os temas discutidos, as terras raras surgem como prioridade silenciosa. Os EUA dependem fortemente da China para obter esses minerais essenciais à indústria de alta tecnologia, de semicondutores a baterias elétricas e armamentos. O Brasil, dono de reservas relevantes em Goiás, Minas Gerais e Amapá, desponta como fonte alternativa e segura.

Fontes diplomáticas relatam que Rubio propôs cooperação em pesquisa, processamento e investimento direto, com potencial para incluir joint ventures e transferência de tecnologia.
Para o Brasil, seria uma oportunidade de entrar na cadeia de valor global com ganhos econômicos e geopolíticos.

Nenhuma aproximação ocorre sozinha. Nas últimas semanas, grandes grupos empresariais de ambos os países intensificaram contatos e pressionaram por uma distensão comercial imediata.

Do lado brasileiro, a CNI, CNA, Fiesp e lideranças do agronegócio alertaram para o impacto das tarifas americanas sobre café, carne, etanol e bens industriais, setores que somam bilhões em exportações. Do lado americano, empresas de tecnologia, energia e alimentos pediram a Rubio e a Trump uma reabertura pragmática com o Brasil, citando custos elevados e a necessidade de diversificar fornecedores diante da instabilidade asiática.

Negociações possíveis

O resultado foi uma convergência de interesses econômicos, que pavimentou o terreno político para a reunião de Washington. Empresários pressionam; diplomatas ajustam o discurso; e presidentes colhem o resultado — um ciclo clássico da diplomacia econômica.

A leitura em Brasília e Washington é que um acordo preliminar já está em gestação, a ser anunciado por Lula e Trump nas próximas semanas, com três eixos principais:

  • Suspensão temporária (90 dias) das tarifas adicionais sobre produtos agrícolas e industriais;
  • Criação de grupos técnicos para negociação de um novo acordo comercial setorial;
  • Parceria estratégica em terras raras e minerais críticos, atraindo investimento americano e garantindo sustentabilidade ambiental;
  • Entendimento diplomático sobre o papel do Brasil nos BRICS, preservando autonomia e neutralidade.

O silêncio do Itamaraty e a discrição de Rubio são sinais inequívocos de uma mudança de rota cuidadosamente calculada. Lula e Trump, apesar das diferenças ideológicas, compartilham um traço essencial: o pragmatismo. Ambos entendem que a economia fala mais alto que a retórica, e que um gesto de aproximação entre as duas maiores economias do continente serve aos interesses de ambos.

Se confirmada, a suspensão das tarifas e a cooperação em terras raras representarão um divisor de águas para o comércio, o agro e a indústria tecnológica. E mostrarão que, mais uma vez, os empresários abriram o caminho onde a política hesitava.

O encontro foi discreto, mas o movimento é histórico: O Brasil volta ao centro do tabuleiro mundial.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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AgroNewsPolítica & Agro

Goiás mantém alta produtividade no milho safrinha



Goiás é o segundo estado mais produtivo no milho



Foto: Canva

De acordo com a edição de outubro do informativo mensal “Agro em Dados”, elaborado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), a produtividade do milho safrinha vem apresentando avanços desde a safra 2022/23. Nesse período, Goiás consolidou-se como o segundo estado mais produtivo do país, com média de 6,4 toneladas por hectare na safra 2024/25. A segunda safra tem papel estratégico para o estado, com destaque para Rio Verde (Goiás) e Jataí (Goiás), que ocupam a terceira e quinta posição no ranking nacional de produção e área colhida.

Com a colheita concluída no país, os produtores mantêm cautela nas negociações diante da pressão baixista sobre as cotações, influenciada pela ampla oferta global decorrente de safras satisfatórias nos principais países produtores. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estoque final da safra 2024/25 alcançou 12,8 milhões de toneladas, frente a 1,9 milhão registrado na safra 2023/24.

Segundo o boletim, “é importante equilibrar as comercializações para garantir condições adequadas de armazenamento da soja que será colhida na primeira safra de 2025/26”. A publicação destaca ainda que, diante desse cenário, estratégias de proteção de preços e avaliação de diferentes possibilidades de venda tornam-se necessárias. A expectativa é de menor produção na próxima safra, mesmo com aumento na área plantada.

No mercado externo, o acumulado de janeiro a agosto de 2025 apresentou retração no faturamento e volume exportados pelo Brasil para o milho e seus derivados. Em sentido oposto, Goiás registrou crescimento de 49,1% em valor e 44,6% em volume exportado. Esse desempenho foi impulsionado pela ampliação das aquisições por Irã (+1.104,2%), Vietnã (+47,9%), Bangladesh (+149,3%), China (+24,3%) e pela entrada do Egito como novo comprador.





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