domingo, março 29, 2026

Agro

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OCDE vê reforma tributária como passo para aumentar competitividade do Brasil



A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) avaliou de forma positiva a reforma tributária brasileira, aprovada neste ano. Segundo o relatório The Reform of Brazil’s Consumption Tax System, divulgado nesta segunda-feira (10), as mudanças devem aumentar a competitividade da economia e criar um ambiente mais previsível para investidores.

Novo modelo de imposto sobre consumo

O estudo destaca que a principal inovação é a criação de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, que substituirá os cinco tributos hoje cobrados sobre o consumo nos âmbitos federal, estadual e municipal. O novo modelo será composto por dois IVAs — um federal e outro compartilhado entre estados e municípios —, ambos com as mesmas regras e estrutura.

De acordo com a OCDE, a uniformização do sistema é essencial para reduzir a complexidade tributária do país. O relatório ressalta que as regras do IVA deverão ser idênticas em relação à definição dos contribuintes, operações tributáveis, base de cálculo, alíquotas, isenções e regimes especiais.

Redução de distorções e necessidade de padronização

Outro ponto elogiado pela organização é o compartilhamento de uma base única de cálculo entre os dois IVAs. A medida, segundo o documento, limita a autonomia de cada esfera de governo para criar regras próprias e ajuda a eliminar distorções que dificultam o funcionamento do sistema atual.

A OCDE, no entanto, faz um alerta. Para garantir a efetividade da reforma, será necessário adotar interpretações uniformes das normas tributárias em todas as esferas administrativas. A entidade observa que divergências entre estados e municípios poderiam comprometer os objetivos de simplificação e transparência propostos pela nova estrutura.

Com a implementação do IVA, o Brasil dá um passo considerado relevante pela OCDE para aproximar seu sistema tributário dos padrões internacionais e criar condições mais equilibradas para o crescimento econômico.



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lideranças do agro revelam o que setor espera da conferência



A realização da COP30 no Brasil é vista pelo setor agropecuário como uma oportunidade de mostrar resultados e influenciar decisões globais sobre clima e produção sustentável. Para entidades e especialistas, no entanto, o principal desafio é conectar políticas, tecnologia e financiamento. Isso tudo para garantir que o agro tropical seja reconhecido como parte essencial das soluções climáticas — e não apenas como fonte de emissões.

De forma unânime, as lideranças ouvidas pelo Canal Rural apontam três eixos centrais para a conferência:

  1. Regras claras para o mercado de carbono, que incluam práticas agropecuárias no sistema de compensações e metas nacionais;
  2. Financiamento climático acessível, com linhas de crédito que cheguem de fato ao campo; e
  3. Reconhecimento do agro tropical como parceiro estratégico na mitigação e adaptação às mudanças do clima.

Esses pontos, segundo os especialistas, precisam sair de Belém com encaminhamentos concretos para transformar promessas em resultados.

Regras claras e integração ao mercado de carbono

Para Giuliano Alves, gerente de Sustentabilidade e Projetos da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), a conferência será um espaço crucial para consolidar o papel do agro na agenda climática global. Segundo ele, o setor espera “ser reconhecido como parte da solução para os desafios do clima, e não o vilão da história”.

Neste sentido, a Abag elaborou, junto a mais de 80 organizações, um posicionamento setorial que propõe práticas agrícolas de baixo carbono e caminhos para ampliar a resiliência climática. Entre as prioridades, estão o avanço na regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), a inclusão de tecnologias sustentáveis no cálculo das metas nacionais e o destravamento de fontes de financiamento voltadas à inovação e ao mercado de carbono.

“Para que a participação do agro seja efetiva, o Brasil precisa apresentar resultados concretos em governança e credibilidade do sistema de emissões, prontos para serem reconhecidos internacionalmente”, destaca Giuliano.

Financiamento é o ponto-chave da transição

O tema do financiamento climático também aparece como prioridade na avaliação de Rodrigo Lima, sócio-diretor da Agroicone. Para ele, a COP30 deve ser lembrada como a conferência da implementação, ou seja, do momento em que os países precisam tirar do papel compromissos já assumidos.

“O maior desafio é fortalecer o financiamento e baratear o custo do crédito climático, fazendo o dinheiro chegar a quem precisa implementar as ações”, afirma.

Segundo Lima, as soluções agrícolas para mitigação e adaptação às mudanças climáticas já estão dadas, mas dependem de recursos e de uma estrutura de cooperação que envolva governos, empresas e produtores.

Ele reforça que a agricultura tropical tem papel estratégico, tanto na segurança alimentar quanto na energética — com potencial em biogás, biometano e etanol. “Se a COP30 conseguir destravar o acesso a esses recursos, ela terá cumprido sua missão”, resume.

O agro quer levar resultados concretos para Belém

Na avaliação de Celso Moretti, ex-presidente da Embrapa e membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), o Brasil chega à COP30 com condições de liderar as discussões sobre agricultura sustentável e economia de baixo carbono.

Entre as entregas que o setor pode apresentar, Moretti cita o Pacto Metano Agro 2030, o fortalecimento do Programa ABC+ e um compromisso jurisdicional Amazônia-Cerrado, com metas voluntárias e bonificações financeiras ligadas ao desempenho ambiental.

Ele destaca ainda a necessidade de o país acelerar a regulamentação do SBCE, ampliar a integração entre o Plano Safra e o crédito verde e apresentar dados robustos sobre rastreabilidade e conformidade ambiental. “Essa coerência entre política de crédito e política climática é o que vai permitir que o produtor receba tanto pelo crédito rural quanto pelos serviços ambientais que presta”, afirma.

De Belém para o mundo

Embora os enfoques variem, as três fontes convergem em uma visão: a COP30 será decisiva para transformar promessas em resultados. O agro brasileiro quer sair de Belém com sinalizações concretas — sobre regras do mercado de carbono, crédito climático e reconhecimento do papel produtivo e ambiental da agricultura tropical.

Mais do que um palco de discursos, o setor espera que a conferência marque o início de uma nova etapa, em que sustentabilidade e competitividade caminhem lado a lado.



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foco na safra verão e estoques cheios mantêm negociações lentas



Vendedores preferem honrar contratos previamente firmados



Foto: Divulgação

O mercado brasileiro de milho apresenta preços firmes neste início de novembro, retomando os patamares observados em junho, de acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A sustentação vem principalmente da postura dos produtores, que seguem concentrados na semeadura da safra verão, mesmo diante de episódios de fortes chuvas em algumas regiões produtoras.

No mercado spot, o ritmo de negociações segue contido. Os vendedores preferem honrar contratos previamente firmados e aguardam novas valorizações para retomar a comercialização de lotes no mercado à vista.

Do lado da demanda, o movimento de alta nos preços encontra barreiras. Segundo o Cepea, compradores demonstram cautela, relatando estoques suficientes para o curto prazo. As aquisições ocorrem de forma pontual, com os agentes atentos à safra recorde prevista para esta temporada. O cenário levanta a expectativa de que, em algum momento, os produtores precisem liberar espaço nos armazéns ou gerar caixa, o que pode pressionar os preços.

No mercado externo, o desempenho das exportações de milho apresentou retração. Segundo dados da Secex analisados pelo Cepea, o Brasil embarcou 6,5 milhões de toneladas do cereal em outubro — volume 14% menor que o registrado em setembro e apenas 1,5% acima do embarcado em outubro de 2024.

No acumulado de 2025, os envios somam 29,82 milhões de toneladas, queda de 3,2% em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior. A redução nas exportações pode refletir tanto a demanda internacional quanto o ritmo mais lento nas negociações no mercado interno.

Com preços internos estabilizados e exportações em leve retração, o mercado de milho vive um momento de equilíbrio cauteloso. A atenção segue voltada ao clima nas regiões produtoras e ao comportamento dos estoques nas próximas semanas. Caso a pressão sobre os armazéns se intensifique, o cenário pode mudar rapidamente, exigindo novas estratégias de comercialização por parte dos produtores.





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Fim do shutdown, ata do Copom e IPCA de outubro movimentam o mercado


No morning call desta terça-feira (11), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que o fim do shutdown nos EUA e um leilão bem-sucedido de Treasuries impulsionaram bolsas de NY, com destaque para o Nasdaq (+2%). O dólar ficou estável e os juros americanos recuaram.

No Brasil, o Ibovespa atingiu nova máxima histórica aos 155 mil pontos, fluxo estrangeiro seguiu positivo e o real se valorizou. Hoje, foco no IPCA de outubro e ata do Copom.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação



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Tornado histórico no sul do Brasil


Por Gabriel Rodrigues com colaboração de Aline Merladete

O final de semana dos dias 7 e 8 de novembro de 2025 entrou para a história da meteorologia brasileira com a ocorrência de múltiplos tornados entre o sudoeste do Paraná e o oeste de Santa Catarina. Segundo Gabriel Rodrigues, meteorologista do Portal Agrolink, trata-se de um dos episódios mais destrutivos já registrados no país, refletindo a crescente frequência e intensidade de eventos extremos associados às mudanças climáticas.

Na sexta-feira, 07 de novembro, ao menos oito tornados foram confirmados nos dois estados, com destaque para os municípios de Rio Bonito do Iguaçu (PR), Xanxerê (SC), Faxinal dos Guedes (SC), Guarapuava (PR) e Turvo (PR). A estimativa é que o número de tornados possa ser ainda maior, especialmente em áreas isoladas. O caso mais severo foi o de Rio Bonito do Iguaçu, onde o tornado foi classificado preliminarmente como F4 na escala Fujita, com ventos entre 331 km/h e 419 km/h — um marco inédito nas últimas décadas no Brasil.

As consequências foram devastadoras: aproximadamente 90% da cidade foi destruída, com casas completamente demolidas, árvores tombadas e veículos lançados a grandes distâncias. Foram confirmadas ao menos seis mortes, centenas de feridos e mais de mil pessoas desabrigadas.

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Imagens de satélite processadas pelo Laboratório Lápis evidenciam o impacto do fenômeno, mostrando bairros inteiros transformados em pilhas de escombros. Câmeras de segurança em cidades catarinenses flagraram casas sendo arrancadas do chão em questão de segundos, ressaltando a intensidade e a imprevisibilidade do fenômeno.

O sistema PREVOTS (Previsões Convectivas e Ocorrências de Tempo Severo), desenvolvido por uma parceria entre a UFSM, INPE e a base de dados SAMHI, vem oferecendo previsões experimentais para o centro-sul do Brasil com base em modelos probabilísticos e relatos da Rede Voluntária de Observadores de Tempestades (REVOT). No entanto, como destaca Gabriel Rodrigues, a previsão de tornados ainda enfrenta limitações técnicas: menos de 30% das supercélulas monitoradas resultam efetivamente em tornados.

Imagem elaborada por Humberto Barbosa – Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (LAPIS).

Além disso, mesmo com o avanço tecnológico, os alertas meteorológicos conseguem anteceder a ocorrência de um tornado por apenas algumas horas. Em Rio Bonito do Iguaçu, moradores relataram a ausência de qualquer aviso prévio, evidenciando a urgência de melhorias nos sistemas de alerta e comunicação de risco, principalmente em áreas rurais e municípios de menor porte.

Os impactos do tornado não se limitaram ao meio urbano. No meio rural, as perdas na agricultura foram significativas. Estruturas como silos, galpões e cercas foram destruídas, lavouras inteiras perdidas e instalações pecuárias severamente danificadas. 

De acordo com Gabriel Rodrigues, eventos extremos como este obrigam o setor a rever seus protocolos de segurança e a incorporar ferramentas de avaliação de risco mais robustas. A tendência de aumento na frequência e intensidade de eventos como tornados, vendavais e granizos é compatível com as projeções associadas às mudanças climáticas e afeta, sobretudo, regiões agrícolas em expansão no centro-sul do país.

 





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Frente fria avança e provoca pancadas de chuva em alguns estados; veja a previsão do tempo



A terça-feira (11) será marcada por condições distintas entre as regiões brasileiras, com tempo firme e temperaturas mais altas em áreas do Sul e Sudeste, enquanto instabilidades seguem atuando no Norte e em trechos do Nordeste, segundo a Climatempo.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

Sul

O tempo permanece firme em toda a região Sul, com predomínio de sol e variação de nuvens. As temperaturas voltam a subir em grande parte do território, especialmente no interior, devido ao afastamento de uma massa de ar frio. No entanto, o litoral e o leste da região ainda registram marcas mais amenas.

No final da noite, uma nova frente fria avança e pode provocar pancadas de chuva no sul do Rio Grande do Sul, especialmente na região de fronteira com o Uruguai.

Sudeste

O tempo segue estável em São Paulo, grande parte de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A chuva aparece de forma isolada e fraca em áreas do sul do Espírito Santo, além de pontos do leste, norte e oeste mineiro. Na região metropolitana de Belo Horizonte, pode chover fraco a moderado ao longo do dia.

As temperaturas continuam elevadas, principalmente no interior do Sudeste. No norte de São Paulo, Triângulo Mineiro e interior mineiro, a umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 30%, exigindo atenção com hidratação e exposição ao sol. Na capital paulista, a mínima será de 12 °C , enquanto a máxima não passa de 25 °C

Centro-Oeste

Em Mato Grosso do Sul, o dia será de sol e tempo firme na maior parte do estado.
Já em Mato Grosso, pancadas de chuva ocorrem desde cedo em diversas áreas, podendo ser mais intensas à tarde.

Em Goiás, há condições para pancadas de chuva que se espalham ao longo do dia, com possibilidade de temporais isolados no nordeste e leste de Mato Grosso e no noroeste goiano. As temperaturas seguem altas em toda a região.

Nordeste

Instabilidades continuam atuando entre Ilhéus e Salvador, com possibilidade de temporais.
Também pode chover no interior e sul da Bahia, em trechos do Ceará e no sul do Maranhão e Piauí, com risco de chuva forte em pontos isolados do sudoeste maranhense. No restante do Nordeste, o tempo permanece firme, seco e quente.

Norte

A instabilidade é predominante no Amazonas, Roraima, Acre, Rondônia e na metade sul e oeste do Pará, com probabilidade de chuvas intensas e temporais ao longo do dia.
No Amapá e no nordeste do Pará, o tempo segue firme.



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Produção de leite pode reduzir em até 70% o uso de água com boas práticas e manejo eficiente


Um estudo conjunto entre pesquisadores brasileiros e alemães mostrou que o uso eficiente da água na produção leiteira depende diretamente da produtividade agrícola, do manejo dos dejetos e da gestão das rotinas nas fazendas. A pesquisa também avaliou como as mudanças climáticas afetam a pegada hídrica do leite, conceito que mede toda a água — direta e indireta — utilizada no processo produtivo.

O trabalho científico, intitulado How do production practices and climate change impact the water footprint of dairy farms?, foi publicado na revista internacional Science of The Total Environment.

67 fazendas e 192 combinações de práticas

Os pesquisadores analisaram 67 propriedades em Lajeado Tacongava, no Rio Grande do Sul, abrangendo 81,7% das fazendas da bacia hidrográfica local. Dessas, 57 trabalham com gado a pasto, sete são semi-confinadas e três totalmente confinadas.

Foram testadas 192 combinações entre boas práticas e cenários climáticos, avaliando a eficiência hídrica em cada tipo de sistema. A média obtida foi de 704 litros de água por quilo de leite corrigido para proteína e gordura, com variações entre 299 e 1.058 litros, dependendo da eficiência produtiva e do tipo de manejo.

Água verde, azul e cinza: os diferentes usos

A água verde representa a umidade natural usada na produção dos alimentos que compõem a dieta dos bovinos — como milho e forragens. A água azul vem de fontes superficiais e subterrâneas, usada na dessedentação dos animais, limpeza e resfriamento. Já a água cinza está relacionada ao volume necessário para diluir poluentes, como o nitrato, provenientes dos efluentes utilizados como fertilizantes.

De acordo com Julio Palhares, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, ações como melhorar a produtividade do milho e da soja, reduzir o uso de água na ordenha, tratar os efluentes e aumentar a produção de leite por vaca são as mais eficazes para diminuir a pegada hídrica.

“O aumento da eficiência produtiva e o uso racional da água são fundamentais. Práticas simples, como o tratamento do efluente da ordenha e o manejo correto da limpeza, trazem resultados ambientais expressivos”, destaca Palhares.

Impactos do clima e desafios futuros

O estudo mostra que o aquecimento global eleva a pegada hídrica verde e azul, devido ao maior consumo de água pelos animais e à redução na produtividade do milho. Em cenários simulados com aumento de até 2,5 °C na temperatura média, a pegada hídrica azul subiu entre 1% e 2%.

Mesmo assim, o desempenho produtivo ainda é o fator mais determinante. Nos sistemas confinados, a média foi de 562 a 950 litros de água por quilo de leite, resultado da maior eficiência alimentar e produtiva das vacas.

Foto: Gisele Rosso/Embrapa

Rumo à produção sustentável

As práticas que mais contribuíram para reduzir o impacto incluem:

  • aumento de 25% nos rendimentos do milho e da soja;
  • redução do uso de água na ordenha;
  • incremento de 1 litro de leite por vaca ao dia;
  • tratamento adequado dos dejetos.

A água verde respondeu por quase 99% da pegada total do leite, o que mostra a importância da eficiência agrícola. Já a água cinza teve peso menor, representando menos de 0,1% da pegada total.

Segundo Palhares, aumentar a produtividade agrícola é uma ação mitigadora de curto prazo, mas o avanço do aquecimento global pode limitar os ganhos em regiões mais quentes. “É urgente investir em sistemas resilientes e integrados, capazes de garantir segurança hídrica e alimentar”, reforça.

Contribuição aos Objetivos da ONU

As conclusões do estudo estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente os que tratam de produção responsável (ODS 12), combate às mudanças climáticas (ODS 13) e agricultura resiliente (ODS 2).

Ao combinar ciência e prática, a pesquisa reforça que o uso eficiente da água na produção de leite é não apenas possível, mas essencial para a sustentabilidade do agro brasileiro em um cenário de mudanças climáticas crescentes.



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Trigo sofre pressão da superoferta, mas deve se recuperar



Entre os fatores de alta, o destaque é a queda de 19,17% nas exportações ucranianas


Entre os fatores de alta, o destaque é a queda de 19,17% nas exportações ucranianas
Entre os fatores de alta, o destaque é a queda de 19,17% nas exportações ucranianas – Foto: Mateus Zardin

O preço do trigo segue pressionado por uma superoferta típica do período de colheita, mantendo-se abaixo do custo de produção para muitos produtores. Segundo a TF Agroeconômica, a tendência é de que as cotações voltem a subir à medida que a oferta atual for sendo consumida, especialmente no primeiro semestre de 2026. A consultoria orienta que agricultores, cooperativas e cerealistas que precisarem vender no mercado físico para cobrir despesas considerem reservar uma pequena parte da produção para operar contratos futuros na CBOT ou na A3, na Argentina, como forma de compensar perdas quando os preços reagirem.

Para os moinhos, o cenário também é desafiador: o baixo capital de giro e a forte concorrência com preços reduzidos têm limitado margens. De acordo com a TF Agroeconômica, o uso do mercado futuro pode ser uma alternativa para equilibrar custos e assegurar matéria-prima mais barata. A correlação entre o preço físico do trigo gaúcho e as cotações da CBOT é de 0,6268, considerada relevante para estratégias de hedge.

Entre os fatores de alta, o destaque é a queda de 19,17% nas exportações ucranianas na safra 2025/26, abrindo espaço para o trigo americano. No Brasil, o Paraná colheu uma safra de qualidade superior, gerando demanda dos moinhos locais e segurando a queda dos preços. Já entre os fatores de baixa, pesam a decepção do mercado com as compras menores da China, a ampla oferta global, especialmente da Rússia, Austrália e Argentina, e o recuo das exportações europeias, que pressionaram as cotações na Euronext. O mercado, portanto, atravessa um momento de ajuste, mas as projeções indicam uma tendência de recuperação gradual à medida que a oferta atual for absorvida, abrindo oportunidades estratégicas para quem souber se posicionar.

 





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Trigo brasileiro tem menor pegada de carbono



O levantamento é o primeiro na América do Sul


O levantamento é o primeiro na América do Sul
O levantamento é o primeiro na América do Sul – Foto: Divulgação

Um estudo pioneiro da Empresa Brasileiro de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), publicado no Journal of Cleaner Production, revelou que o trigo produzido no Brasil possui uma pegada de carbono inferior à média mundial e apresenta grande potencial para redução adicional de emissões. A pesquisa, realizada no Sudeste do Paraná com 61 propriedades rurais e uma indústria moageira, apontou que a emissão média nacional foi de 0,50 kg de CO2 por quilo de trigo, abaixo da média global de 0,59 kg.

O levantamento é o primeiro na América do Sul a calcular a pegada de carbono do trigo desde o cultivo até a produção de farinha, abrangendo todas as etapas produtivas. O uso de fertilizantes nitrogenados foi identificado como o principal fator de emissão de gases de efeito estufa na triticultura, responsável por até 40% das emissões. A substituição da ureia, fertilizante mais comum e de menor custo, pelo nitrato de amônio com calcário (CAN) pode reduzir as emissões em até 4%, além de minimizar a acidificação do solo. Tecnologias como biofertilizantes, biopesticidas e fertilizantes de liberação lenta também foram apontadas como alternativas promissoras.

O estudo mostrou ainda que a adoção de cultivares mais produtivas pode reduzir em até 38% a pegada de carbono, ao elevar a eficiência no uso de insumos e diminuir a necessidade de área cultivada. Em comparação internacional, o Brasil se destaca frente a países como China, Itália e Índia, aproximando-se de referências em sustentabilidade como Austrália e Alemanha, que registram índices próximos a 0,35 kg de CO2 por quilo de trigo.

Outro destaque foi a avaliação da pegada de carbono da farinha de trigo, feita em parceria com a Moageira Irati, que variou de 0,67 a 0,80 kg de CO2 por quilo, resultados inferiores aos observados na Espanha e na Itália. O uso crescente de energia solar na indústria de moagem e a eficiência do cultivo de sequeiro reforçam a vantagem ambiental brasileira. Os resultados do estudo servirão de base para novos modelos de produção sustentável, não apenas no trigo, mas também em cadeias derivadas, como carnes e energia, consolidando o país como referência em agricultura de baixo carbono.





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Inovação agrícola e transformação digital abrem debates na COP30



COP30 teve início nesta segunda-feira (10), em Belém (PA)



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A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) teve início nesta segunda-feira (10), em Belém (PA), com foco em adaptação e tecnologia como caminhos centrais para enfrentar os desafios impostos pelo aquecimento global. Dez anos após o Acordo de Paris, o evento marca um ponto de virada ao buscar a concretização de compromissos em soluções aplicáveis, com forte apelo ao pragmatismo e à justiça climática.

Durante o primeiro dia, bancos multilaterais de desenvolvimento, fundos climáticos e governos lançaram um conjunto de ferramentas e modelos de financiamento para escalar projetos de adaptação. O objetivo, segundo dados oficiais da COP30, é transformar planos nacionais e regionais em ações efetivas, sobretudo nas regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas.

A agricultura é uma das protagonistas da programação, com o anúncio de um pacote bilionário para apoiar tecnologias de adaptação em regiões de baixa renda. A iniciativa visa fortalecer a resiliência de pequenos produtores frente aos eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e inundações.

Outro destaque foi a apresentação da Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas, firmada por 44 países. O documento orienta políticas de proteção social resilientes ao clima e reforça o papel da agricultura familiar como peça-chave na equidade alimentar global.

 





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