A massa vem ganhando espaço na alimentação cotidiana do Marrocos, impulsionada pela diversidade culinária do país e pelo avanço da indústria de moagem. Segundo informações de Wafiq Mpayimana é gerente de vendas da Mühlenchemie, o produto apresenta forte potencial tanto no consumo interno quanto nas exportações, beneficiando produtores de massa e moinhos locais.
Conhecido pela riqueza de aromas, especiarias e sabores, o país reúne essa diversidade de forma intensa nos souks tradicionais, onde pães, doces, tajines, frutas secas, peixes e carnes dividem espaço com diferentes tipos de massa. O alimento tornou-se parte relevante da dieta diária, especialmente nas áreas urbanas, levando empresas de moagem a investir em instalações modernas e integração direta com a produção industrial de massas.
Entre os formatos mais consumidos estão massas curtas, como penne e fusilli, além do vermicelli utilizado em sopas. Combinadas a temperos regionais, essas massas aparecem com frequência em refeições do almoço e do jantar. O avanço da urbanização, que concentra cerca de 65% da população em cidades, sustenta um mercado interno amplo e estável.
Além do consumo doméstico, Marrocos consolidou-se como exportador para países da África Ocidental, como Mauritânia, Senegal e Costa do Marfim. As exportações devem alcançar 54 milhões de dólares em 2026, frente a 45 milhões em 2021, com crescimento médio anual de 3,3%.
A produção depende parcialmente de trigo importado, já que secas recorrentes afetam as colheitas locais. Mesmo assim, a estabilidade de oferta e preços é garantida por acordos de importação e pela atuação do órgão nacional de cereais. Com foco em qualidade e eficiência, fabricantes recorrem a soluções tecnológicas para manter padrão de firmeza, cor e desempenho da massa, atendendo às exigências do consumidor marroquino.
Produtores, sindicatos e cooperativas rurais, agentes de mercado e demais interessados já podem consultar o calendário de 2026 com as datas dos levantamentos e divulgações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O cronograma reúne os anúncios das safras de grãos, café e cana-de-açúcar, além das informações de comercialização do mercado hortigranjeiro nas Centrais de Abastecimento (Ceasas).
Programação do ano
O primeiro anúncio do ano está previsto para 15 de janeiro, com a divulgação do 4º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26. Ao longo do ciclo, a Conab realiza 12 levantamentos mensais, desde o início da produção até o encerramento do ano agrícola.
O último levantamento da safra 2025/26 está marcado para 15 de setembro, enquanto o primeiro levantamento do ciclo 2026/27 será divulgado em 15 de outubro. A Companhia acompanha 16 culturas, entre grãos e fibras.
Ainda em janeiro, no dia 22, será divulgado o 1º Boletim Prohort de 2026. A publicação mensal apresenta dados sobre preços e volumes comercializados de hortigranjeiros nos mercados atacadistas do país, além de informações sobre exportações.
O Levantamento da Safra de Café 2026 será divulgado em 5 de fevereiro, abrindo uma série de quatro anúncios ao longo do ano. As atualizações seguintes estão programadas para 21 de maio, 24 de setembro e 7 de janeiro de 2027, com pesquisas realizadas nas principais regiões produtoras.
No caso da cana-de-açúcar, o 4º e último levantamento da safra 2025/26 será apresentado em 16 de abril. As divulgações referentes à safra 2026/27 estão previstas para 28 de abril, 20 de agosto e 22 de dezembro.
O calendário também inclui as datas de publicação do Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA), elaborado em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Grupo de Monitoramento Global da Agricultura (Glam). O boletim reúne informações agrometeorológicas e análises do comportamento das lavouras a partir de imagens de satélite e dados de campo. A primeira edição de 2026 será publicada em 29 de janeiro.
Confira aqui o Calendário de Divulgação de Safras e do Prohort, divulgado pela Conab.
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O governo chinês defende ganhos de eficiência e capacidade produtiva – Foto: Canva
A China reforçou nesta semana sua estratégia de segurança alimentar ao sinalizar que seguirá ampliando a produção de grãos, em meio a desafios internos e à forte dependência externa em algumas culturas. A diretriz foi apresentada durante a Conferência Central de Trabalho Rural, principal fórum do país para definição de políticas agrícolas, e indica que o tema seguirá no centro das prioridades do governo.
Segundo comunicado divulgado pela agência estatal Xinhua, a orientação é manter uma postura de nenhum relaxamento no esforço para elevar a produção, combinando políticas de apoio à agricultura, desenvolvimento das áreas rurais e aumento da renda dos agricultores. A estratégia também inclui a busca por preços considerados razoáveis para grãos e outros produtos agrícolas essenciais, de forma a equilibrar estímulos à produção e estabilidade do mercado interno.
O governo chinês defende ganhos de eficiência e capacidade produtiva por meio da integração de terras agrícolas, sementes, máquinas e técnicas consideradas avançadas. Dados oficiais mostram que a produção total de grãos cresceu 1,2% em 2025, alcançando o recorde de 714,9 milhões de toneladas. A meta estabelecida é ampliar a capacidade em mais 50 milhões de toneladas até 2030.
Em fevereiro de 2025, o país divulgou o chamado Documento Central nº 1, que reforça o compromisso com a segurança alimentar nacional e abre espaço para a adoção de cultivos geneticamente modificados, antes proibidos. Embora o país produza internamente mais de 90% do milho, trigo e arroz que consome, a soja segue como um ponto sensível.
Mesmo com crescimento contínuo da produção doméstica, estimada em um recorde de 21 milhões de toneladas neste ano, a China permanece fortemente dependente de importações. Para a safra 2025/26, as compras externas devem atingir 112 milhões de toneladas, com o Brasil consolidado como principal fornecedor. Apesar de um acordo para aquisições relevantes de soja americana no fim de 2025, parte desse volume ainda não teria sido efetivamente comprada.
Em comunicado conjunto divulgado neste domingo (4), Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai condenaram o ataque militar orquestrado pelos Estados Unidos contra a Venezuela. Eles manifestaram, ainda, grande preocupação com as ações militares conduzidas pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Na nota, os governos dos seis países citam a gravidade das ações registradas na Venezuela e reafirmam sua adesão aos princípios previstos na Carta das Nações Unidas, documento que representa as aspirações e conquistas da humanidade em direção à paz.
“Expressamos nossa profunda preocupação e repúdio às ações militares realizadas unilateralmente em território venezuelano, que contrariam princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso e da ameaça de força, e o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas.”
Ainda de acordo com o comunicado, os seis países avaliam que as ações constituem precedente “extremamente perigoso” para a paz e a segurança regional e colocam em risco a população civil.
“A situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, através do diálogo, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano em todas as suas expressões, sem interferência externa e em conformidade com o direito internacional”.
“Reafirmamos que somente um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos, pode conduzir a uma solução democrática e sustentável que respeite a dignidade humana”, completou o comunicado conjunto, que reafirma a América Latina e o Caribe como uma zona de paz, “construída sobre o respeito mútuo, a solução pacífica de controvérsias e a não intervenção“.
Ao final da carta, os países signatários fazem um apelo à unidade regional que vá além das diferenças políticas diante de qualquer ação que ponha a estabilidade regional em risco.
Os países pedem ainda ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e aos Estados-membros de mecanismos multilaterais relevantes que ajudem a reduzir as tensões e a preservar a paz na região.
“Manifestamos nossa preocupação a qualquer tentativa de controle governamental, administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, que seja incompatível com o direito internacional e que ameace a estabilidade política, econômica e social da região”, concluiu o documento.
Forças Armadas da Venezuela reconhecem vice como presidente interina
As Forças Armadas venezuelanas reconheceram neste domingo (4) a vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, como presidente interina da Venezuela.
Em vídeo, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, também rechaçou a intervenção norte-americana no país e exigiu a libertação do presidente Nicolas Maduro, capturado pelo governo dos Estados Unidos. López avaliou que o ataque representa “uma ameaça global”.
“Se hoje foi contra a Venezuela, amanhã pode ser contra qualquer Estado, contra qualquer país”.
“Rechaçamos essa pretensão colonialista que se deseja implementar, sob o espírito da doutrina Monroe, sobre a América Latina e o Caribe”, disse o ministro, ao pedir ao povo da Venezuela que retome suas atividades ao longo dos próximos dias.
O Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ, na sigla em espanhol) já havia decidido que Delcy Rodríguez deveria assumir a presidência interina do país, após a captura do líder Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
Entenda
No sábado (3), diversas explosões foram registradas em bairros da capital venezuelana Caracas. Em meio ao ataque militar, orquestrado pelos Estados Unidos, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.
O ataque marca um novo episódio de intervenções diretas norte-americanas na América Latina. A última vez que os Estados Unidos invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.
Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano chamado De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência do cartel.
O governo de Donald Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro.
Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, que é dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.
O Brasil perde 37,8% de sua água tratada devido a problemas na distribuição, de acordo com um levantamento do Instituto Trata Brasil publicado em 2024. O número equivale a 7,6 mil piscinas olímpicas por dia. No Amapá, estado com infraestrutura de abastecimento mais precária, a taxa é de 71,7%.
Nem todo esse prejuízo é sinônimo de canos danificados. Uma parcela da água perdida é desviada por instalações clandestinas, por exemplo, cujo consumo não é contabilizado nem cobrado.
Além disso, há uma margem de erro inerente às medições dos hidrômetros (os “relógios de água”) residenciais. Ainda assim, vazamentos na tubulação são a variável que mais contribui para os números alarmantes.
A dificuldade em resolver o problema é proporcional ao seu tamanho. Só o estado de São Paulo tem 120 mil km de canos subterrâneos de água e esgoto, comprimento suficiente para dar três voltas na Terra. O ideal é substituir essa tubulação labiríntica a uma taxa anual de 2%, partindo dos canos mais antigos para os mais recentes.
Na prática, trata-se de uma meta difícil: “É muito caro. Acho que nem 1% disso pode ser alcançado”, diz o engenheiro Cícero Mirabô, do Departamento de Combate às Perdas da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
A abordagem mais realista para resolver o problema, então, envolve não substituir mas sim tapar os buracos nos canos. Para isso, é preciso, antes, descobrir onde estão os canos danificados em meio ao emaranhado de cabos, córregos e túneis ocultos sob as cidades.
O problema não é exclusividade do Brasil, tampouco limitado a países do Sul Global. Irlanda e Itália, por exemplo, arcam com perdas similares às nossas. O Reino Unido fica em 23%, e a França, em 20%. Apenas um país da União Europeia, a Alemanha, mantém a taxa abaixo dos 5%, um feito notável.
A capital japonesa Tóquio é uma história de superação nesse quesito: terminou a 2ª Guerra com 80% de perdas de água, e cerca de metade de sua tubulação destruída; hoje, o número está em 3,9%.
Solução aliada a tecnologia
Em busca de soluções high-tech para facilitar a caça aos vazamentos, a Sabesp se aliou há mais de uma década ao engenheiro mecânico Fabrício César Lobato, professor da Faculdade de Engenharia da Unesp no campus de Bauru (FEB) e um dos grandes especialistas do país na detecção de problemas em redes de água e esgoto.
Ele trabalha com o problema desde o início de seu doutorado na Universidade de Southampton, na Inglaterra, em 2009. Lá foi orientado por Michael Brennan, um dos maiores especialistas do mundo na área. Brennan acabou se mudando para o Brasil, e hoje leciona na Unesp de Ilha Solteira.
A colaboração Unesp-Sabesp, financiada por editais da Fapesp, rendeu muitos frutos desde então. Fabrício, Brennan e seus colegas desenvolveram versões nacionais acessíveis de detectores chamados “correlacionadores”; criaram um método inovador para calibrar e avaliar esses aparelhos; e, agora, trabalham para dar um passo na vanguarda da área com os inéditos detectores de superfície.
Estes são capazes de localizar vazamentos à distância, sem a exigência de que o equipamento entre em contato físico direto com os canos (o que ocorre com correlacionadores tradicionais).
Há um entrave, porém: esses produtos estão no estágio de protótipo, devido à falta de empresas interessadas e capazes de fabricá-los em larga escala. Essa etapa é conhecida como o “vale da morte” do empreendedorismo.
Para transpô-lo, os pesquisadores precisam prospectar parceiros. Neste caso, as possibilidades incluem startups e algumas poucas empresas nacionais que já trabalham com equipamentos voltados para esse setor.
Correlacionador é eficiente, mas caro
Por décadas, dois equipamentos foram imprescindíveis para o trabalho de detecção de vazamentos subterrâneos: hastes de escuta e geofones mecânicos. Essas máquinas amplificam sons oriundos do subsolo, assim como estetoscópios fazem com o ruído dos pulmões.
Tanto as hastes como os geofones só funcionam nas mãos de técnicos treinados, já que a função desses aparelhos se limita a tornar o sinal audível e levá-lo aos ouvidos: cabe ao usuário distinguir o som ligeiramente diferente que a água produz ao passar por um cano furado.
Os correlacionadores foram um avanço em parte porque não dependem só da perícia e experiência de seus operadores. Um correlacionador típico consiste em um par de detectores idênticos que são acoplados, por exemplo, a hidrantes ou a hidrômetros de duas casas localizadas em pontos diferentes de uma mesma rua.
Esses são pontos de acesso eficazes porque estão diretamente conectados ao cano maior que distribui água a todos os imóveis da região. Caso haja um buraco na tubulação, o som produzido pelo vazamento percorrerá distâncias diferentes até cada um dos sensores. Isso permite que, com a ajuda de uma equação, se possa determinar o ponto aproximado em que a água está escapando.
O problema é que “hoje, um correlacionador bom sai em torno de R$ 300 mil, e não há fabricante nacional”, explica Cícero Mirabô.
Ele completa que ao contratar empresas terceirizadas, a Sabesp exige uma equipe certificada em haste, geofone e correlacionador. Entretanto, mesmo em posse desses equipamentos, seu uso efetivo é raro. Na prática, o elevado custo inviabiliza a utilização desse tipo de produto.
Tentativa bem-sucedida
O primeiro projeto submetido e aprovado por Lobato em um edital da Fapesp com a Sabesp tinha o objetivo de criar um correlacionador comercial comercialmente viável no Brasil.
Deu certo, e veio com um brinde: além de desenvolverem uma versão mais barata do equipamento, Fabrício e seus colegas criaram uma bancada de simulação de vazamentos para testar a eficácia da própria invenção em comparação aos equivalentes importados, denominada “bancada virtual”.
Essa engenhoca vibra de modo a simular a assinatura sônica de um vazamento real, o que permite fazer um test drive idôneo dos correlacionadores fabricados por diversas empresas e verificar se eles estão funcionando satisfatoriamente quando retornam da assistência técnica.
“Você fala para o computador simular um vazamento em uma rede de ferro fundido de 75 mm localizado a 10 m do ponto A e ele faz isso”, diz Mirabô. “Essa tecnologia não tem paralelo no mundo.”
Detector coringa cobre diferentes canos e solos
Fabrício César Lobato explica que a troca progressiva de tubulações feitas de ferro fundido por outras de plástico, ao longo das últimas décadas, tornou a detecção de vazamentos mais desafiadora.
“A vibração é atenuada. Se antes era possível identificar um vazamento em um tubo a uma distância de 1 km, ou 800 m, agora esse número caiu para 100 m ou 80 m.”
O objetivo de seu doutorado foi justamente aperfeiçoar técnicas vibroacústicas para torná-las mais eficazes em tubulações de PVC, polietileno de alta densidade (HDPE) e outros plásticos.
Muitas fabricantes estrangeiras, quando confrontadas com esse desafio, focaram em adquirir sensores que são mais sensíveis e, portanto, mais caros. Lobato, por sua vez, manteve o hardware acessível para baratear o produto e concentrou-se em compensar essa limitação com um software bem planejado, capaz de extrair mais informação de um sinal mais tênue.
“Ele não buscou desenvolver um novo sensor”, explica Marcelo Miki, que era coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento da Sabesp na época em que começou a colaboração com a Unesp. “Ele partiu da lógica contrária: examinou quais sensores já disponíveis no mercado satisfaziam os requisitos de captação de sinais.”
Equipamento ainda não saiu do papel
Outro trunfo do correlacionador criado por Lobato e seus colegas é sua versatilidade. “Lá fora, há equipamentos desenvolvidos em função de certos materiais de tubo e de certos tipos de solo que envolvem o tubo”, diz Miki.
“[O equipamento da Unesp] mede as condições reais, em campo. Você nem precisa inserir qual material é, ou qual solo é. É um projeto coringa, nesse sentido.”
Para Miki, o sucesso da colaboração com a Unesp em relação a outras parcerias que a Sabesp já teve tem a ver com a disponibilidade de Lobato e Brennan para ouvir com humildade as experiências dos funcionários da Sabesp.
Isso lhes permitiu entender suas necessidades práticas do zero, sem intenção de impor goela abaixo um projeto de pesquisa pré-concebido. “Você até pode desenvolver um trabalho teórico. Mas introduzi-lo em uma empresa de saneamento pode ser difícil porque a realidade tem nuances que os acadêmicos não enxergam”, diz.
Todos os entrevistados pelo Jornal da Unesp relataram um sentimento de frustração pelo fato de terem desenvolvido o projeto e fabricado o protótipo de um equipamento barato, versátil e adequado às necessidades da Sabesp, que, porém, ainda não saiu do papel pela ausência de uma empresa interessada em fabricá-lo.
“O Fabrício nos ajudou muito a garimpar alguém que pudesse fabricá-lo”, conta Cícero Mirabô. “Mas, mesmo na região de Campinas, que é cheia de empresas líderes mundiais em fabricação de hardware, a pergunta era: ‘quantos correlacionadores vamos vender por ano?’ É um produto de nicho, e os caras precisam de volume de produção e de comercialização.”
Correlacionadores remotos são novidade global
O sucesso do correlacionador para a Sabesp motivou Lobato a propor um projeto de pesquisa mais ousado em um segundo edital de saneamento da Fapesp. A ideia foi aprovada pela agência e o financiamento teve início em 2022.
O objetivo é desenvolver, a partir do zero, um produto batizado de Localizador de Vazamento de Superfície, ou LOCVAS. O novo equipamento não exigirá contato físico direto entre o encanamento e o detector, como ocorre com os correlacionadores.
Em tese, ele será sensível o suficiente para detectar vazamentos pelo resquício de vibração que chega à superfície, propagando-se pelo próprio solo.
É possível aplicar a técnica com apenas dois sensores (microfones) na superfície, ou aumentar o número para seis ou oito.
Do mesmo jeito que um celular calcula sua posição no espaço com base no tempo que os sinais de cada satélite de GPS demoram para alcançá-lo, os microfones captam o som do vazamento com diferentes intensidades conforme a distância do buraco no cano, o que permite calcular sua localização exata.
Lobato explica que esse método de detecção não invasiva não substitui as técnicas pré-existentes, mas poderá ser um recurso valioso no arsenal das companhias de água e esgoto.
“Nossa intenção é começar com a medição direta no tubo [com o correlacionador tradicional]. Essa medição, às vezes, pode apresentar algum erro, ficar um pouco fora. Então, você vai em cima do tubo e faz a varredura com essa nova técnica, diminuindo os falsos positivos.”
Mais estudos
No momento, ele e seus colaboradores estão produzindo e publicando artigos científicos sobre minúcias variadas dessa tecnologia.
Por exemplo: o artigo mais recente do grupo, publicado em novembro no periódico Applied Acoustics, versa sobre testes realizados com dois sensores em que havia conhecimento prévio sobre a direção do cano enterrado.
A ideia é apresentar um protótipo conceitual do projeto LOCVAS ainda em 2026. As patentes do novo dispositivo estão em processo de submissão ao Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI).
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A mudança foi formalizada por meio de um memorando – Foto: Pixabay
O governo dos Estados Unidos anunciou uma reorientação das prioridades de pesquisa e desenvolvimento voltadas ao setor agropecuário, com foco no fortalecimento da produção rural e no abastecimento interno. A iniciativa redefine os critérios para projetos financiados com recursos públicos, buscando direcionar investimentos para desafios considerados centrais para produtores e consumidores no longo prazo.
A mudança foi formalizada por meio de um memorando assinado pela secretária de Agricultura, Brooke L. Rollins, que estabelece uma nova estratégia para as ações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. O documento sustenta que a economia agrícola do país enfrentou dificuldades recentes, associadas ao aumento de custos, fragilidades na agenda comercial e excesso de regulação, além de uma alocação de recursos considerada distante das necessidades práticas do campo.
Desde o início do atual governo, a administração liderada por Donald Trump afirma ter adotado medidas para reforçar a rede de proteção ao produtor, estimular exportações, reduzir custos de insumos e retirar diretrizes ligadas a diversidade e justiça ambiental dos programas do departamento. Nesse contexto, a pesquisa passa a ser tratada como ferramenta estratégica para elevar a rentabilidade das propriedades, ampliar a oferta de alimentos e garantir competitividade ao setor.
Entre as novas diretrizes estão o incentivo a estudos que reduzam custos de produção e aumentem a eficiência por meio de mecanização e automação, a abertura de mercados e o desenvolvimento de novos usos para commodities agrícolas, inclusive em bioenergia e produtos de base biológica. Também ganham destaque ações para enfrentar pragas e doenças que ameaçam lavouras e rebanhos, além de pesquisas voltadas à saúde do solo, ao uso mais eficiente da água e à redução de insumos.
A Emater-MG reforça orientações técnicas para produtores que atuam na fruticultura durante a safra de verão, período marcado por condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento das plantas. As recomendações envolvem planejamento, manejo adequado e uso de tecnologias para garantir produtividade e qualidade dos frutos.
O verão reúne condições climáticas favoráveis, como temperaturas mais elevadas, maior luminosidade e chuvas regulares. Segundo o coordenador técnico estadual de Fruticultura da Emater-MG, Deny Sanábio, esse cenário exige atenção redobrada do produtor. “De forma geral, a produção e a colheita da safra de verão ocorrem entre outubro e abril”, explica.
Ele ressalta, no entanto, que nem todas as culturas seguem esse calendário. “Algumas frutíferas têm períodos de produção distintos”, afirma.
De acordo com a Emater-MG, o desempenho da lavoura está diretamente ligado aos cuidados adotados ao longo de todo o ciclo produtivo. “O sucesso da fruticultura começa no planejamento e segue até a colheita”, destaca Sanábio. Segundo ele, a qualidade dos frutos depende do uso correto de tecnologias e de uma nutrição adequada das plantas.
Cuidados desde o pré-plantio
A orientação técnica aponta que os primeiros cuidados devem ocorrer antes mesmo do plantio. A escolha das mudas, a análise do solo e a preparação do maquinário são etapas consideradas essenciais.
“A recomendação é iniciar o plantio a partir de setembro, com o começo do período chuvoso”, afirma o coordenador. Em áreas com irrigação, esse processo pode ser antecipado.
O manejo fitossanitário também é destacado como ponto estratégico. “O controle de pragas e doenças deve ser feito de forma preventiva, para evitar danos maiores ao longo da safra”, afirma Sanábio. Ele reforça que ações corretivas, quando tardias, tendem a elevar custos e reduzir a produtividade.
A irrigação é vista como ferramenta importante, especialmente em períodos de déficit hídrico. Ao mesmo tempo, o especialista alerta para a drenagem do solo. “As frutíferas não toleram encharcamento por longos períodos”, acrescenta.
Produção e mercado no estado
A fruticultura de verão em Minas Gerais é diversificada e está presente em todas as regiões do estado. O uso de novas tecnologias e variedades permite escalonar a produção ao longo do ano. Dados do Sistema Safra da Emater-MG indicam que, em 2025, manga, goiaba e laranja lideraram os volumes produzidos no estado.
A banana também mantém posição de destaque, com produção ao longo de todo o ano. “Minas ocupa o segundo lugar no ranking nacional”, lembra Sanábio. Já culturas como pêssego e ameixa apresentam expansão de área plantada.
Segundo a Emater-MG, a maior parte da produção é destinada ao mercado interno. “Os preços recebidos, na média do ano, têm sido atrativos ao produtor”, afirma o coordenador. Ele acrescenta que iniciativas como o programa FrutificaMinas contribuem para fortalecer o setor por meio de capacitação e assistência técnica.
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O governo venezuelano reagiu classificando a ação como agressão militar e violação de soberania – Foto: Agência Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na madrugada deste sábado, 3 de janeiro de 2026, que forças norte-americanas realizaram um ataque militar em larga escala contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, levando ambos para fora do país. A declaração foi publicada por Trump na Truth Social, junto com o anúncio de uma coletiva de imprensa em Mar-a-Lago.
Segundo o presidente norte-americano, a operação contou com apoio de forças de segurança dos EUA. Relatos iniciais da imprensa internacional indicam explosões e intensa atividade aérea em Caracas e em outras regiões, com ataques a instalações civis e militares. Até o momento, não há confirmação venezuelana da captura de Maduro nem informações oficiais sobre mortos ou feridos.
O governo venezuelano reagiu classificando a ação como agressão militar e violação de soberania. Em comunicado, declarou estado de emergência nacional, convocou a população e as Forças Armadas para mobilização e afirmou não ter confirmação sobre o paradeiro do presidente, exigindo “prova de vida” de Maduro e da primeira-dama.
A ofensiva ocorre em meio ao aumento das tensões entre Washington e Caracas, intensificadas nos últimos meses sob o argumento dos EUA de combate ao narcotráfico. O ataque acontece dias após Maduro ter sinalizado disposição para dialogar com Trump, em contatos que não avançaram. A repercussão internacional foi imediata, com pedidos de atuação multilateral e alertas para risco de escalada regional. O episódio aprofunda a crise política e militar na Venezuela e amplia a instabilidade geopolítica na América Latina.
A retirada de Nicolás Maduro do poder, após uma ação direta dos Estados Unidos, não pode ser interpretada como o desfecho da crise venezuelana. Ao contrário: trata-se apenas do início de um cenário complexo, instável e repleto de interrogações. A questão central não é apenas como Maduro caiu, mas quem permaneceu no comando depois disso.
Derrubar um líder é mais fácil do que controlar um sistema
A experiência internacional mostra que derrubar um líder é sempre mais simples do que desmontar o sistema de poder que o sustenta. E, no caso da Venezuela, esse sistema foi moldado ao longo de décadas para funcionar de forma profundamente militarizada, centralizada e dependente de interesses econômicos estratégicos. Sem tropas no chão, não existe controle territorial efetivo. O que existe é negociação.
Os Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, deixaram claro desde o início que não pretendiam repetir o modelo de ocupações militares prolongadas, como no Iraque ou no Afeganistão. Manter tropas em solo venezuelano significaria risco de guerra civil, mortes de civis, instabilidade regional e alto custo político interno. A opção por uma ação rápida, cirúrgica e sem ocupação indica que o objetivo era remover o símbolo do regime, não administrar o país à força.
A hipótese da negociação interna
É nesse ponto que surge uma hipótese politicamente consistente, ainda que não comprovada: a de que a retirada de Maduro pode ter sido facilitada por setores internos do próprio poder venezuelano, interessados em preservar o sistema e garantir sua sobrevivência. Não se trata de afirmar que houve um acordo formal, mas de observar os sinais deixados pela sequência dos acontecimentos.
O primeiro deles é a continuidade do núcleo de poder. Em vez de uma transição conduzida pela oposição, o comando do país foi rapidamente reorganizado dentro da própria estrutura chavista. A ascensão da vice-presidente Delcy Rodríguez não representa ruptura, mas rearranjo. E esse detalhe é central para entender o que está em jogo.
O petróleo como eixo do poder
Delcy Rodríguez não é apenas uma figura política de transição. Ela é responsável direta pela área de petróleo da Venezuela, o setor mais estratégico do país e a principal moeda de negociação internacional. Ao mesmo tempo, seu irmão, Jorge Rodríguez, preside o Congresso. Executivo, Legislativo e energia, o tripé do poder real, permanecem concentrados nas mãos do mesmo grupo político. Isso reforça a leitura de continuidade organizada, não de mudança de regime.
Outro sinal relevante foi a postura dos Estados Unidos em relação à oposição. Quando questionado sobre a participação de María Corina Machado, Trump descartou publicamente sua condução no processo. A mensagem implícita foi clara: a transição não seria liderada pela oposição tradicional, mas por atores que já estavam inseridos no núcleo do poder estatal.
Do ponto de vista estratégico, essa escolha faz sentido. Ao remover Maduro, os Estados Unidos atingem um objetivo simbólico importante. Ao evitar uma ocupação militar, reduzem riscos e custos. E, ao lidar com um governo de continuidade, preservam canais para negociar temas sensíveis como sanções, segurança regional e, principalmente, petróleo.
No campo energético, a Venezuela segue sendo um ativo estratégico de enorme valor. O país possui milhares de poços degradados por falta de investimento, tecnologia e manutenção. Qualquer retomada relevante da produção depende de capital estrangeiro, know-how técnico e estabilidade mínima. Um governo de transição controlado por quadros já conhecidos oferece exatamente isso: previsibilidade para negociar, sem desmontar toda a engrenagem política existente.
Há ainda o discurso da cooperação no combate ao narcotráfico, frequentemente usado como justificativa política. Mas aqui reside um paradoxo evidente: as estruturas que hoje prometem colaboração são, em muitos casos, as mesmas que historicamente conviveram com essas redes. O risco é transformar a “cooperação” em narrativa diplomática, sem mudanças estruturais profundas.
Transição sem transição
Nada disso garante estabilidade ou democratização. Ao contrário. A permanência do mesmo grupo no poder, ainda que sem Maduro, pode gerar disputas internas, repressão seletiva e frustração popular. A Venezuela corre o risco de viver uma transição sem transição, muda o rosto, preserva-se o sistema.
A lição é simples e dura: sem tropas no chão, não há controle; há negociação. E, em regimes fechados, negociações costumam priorizar a sobrevivência do poder estabelecido, não a reconstrução democrática.
A queda de Maduro pode ter sido apenas o primeiro movimento de um tabuleiro muito maior, onde o verdadeiro jogo é decidir quem manda, quem permanece e a que preço.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
O Ministério das Relações Exteriores da China pediu hoje (4) que os Estados Unidos libertem imediatamente o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, que foram capturados ontem (3) em Caracas e estão sendo mantidos sob custódia em uma prisão federal no Brooklyn, em Nova York.
Para o governo chinês, que é um dos principais parceiros políticos e econômicos da Venezuela, a ação deflagrada pelos Estados Unidos “violou claramente” o direito internacional e as normas básicas das relações internacionais, além dos propósitos e princípios estabelecidos pela Carta da Organização das Nações Unidas (ONU).
No comunicado, a China pede que os Estados Unidos garantam a segurança pessoal de Maduro e de sua esposa e cessem com a tentativa de derrubar o governo venezuelano. Além disso, afirma o governo chinês, os Estados Unidos precisam garantir que esse problema seja resolvido “por meio do diálogo e da negociação”.
Esta foi a segunda manifestação oficial da China sobre o caso. Ontem (3), o Ministério das Relações Exteriores da China já havia condenado o uso da força pelos Estados Unidos contra Maduro, dizendo estar “profundamente chocado” com a ação deflagrada ontem.
“A China condena veementemente o uso flagrante da força por parte dos Estados Unidos contra um país soberano e sua ação contra o presidente de outro Estado”, afirmou a chancelaria.