domingo, abril 26, 2026

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Mulheres empreendem em bioeconomia e mudam de vida no Sudoeste do Pará


Em Paraupebas, no sudeste do Pará, a força criativa de mulheres tem transformado vidas. Seja com a produção de mel, cerâmica ou de biojoias feitas com sementes, essas mulheres mostram que é possível liderar negócios aliando a realização pessoal com a valorização cultural da região, a preservação da floresta e a geração de renda.

Essas mulheres vivem próximas à Floresta Nacional de Carajás e à maior mina de ferro a céu aberto do mundo. E é ali que elas vêm coletando materiais para suas produções e conquistando também sua independência financeira, além de um papel de protagonismo na comunidade.

Uma dessas iniciativas impulsionadas por mulheres é a Associação Filhas do Mel da Amazônia (AFMA). A associação existe há cerca de dez anos e trabalha tanto com mel proveniente da apicultura, com as abelhas mais conhecidas, quanto da meliponicultura, que consiste na criação de abelhas sem ferrão, que são resgatadas de zonas de supressão.

O incentivo à criação de abelhas contribui não só para a preservação da natureza como também oferece alternativas de geração de renda para essas mulheres.

“A gente só sabia passar e cozinhar”, contou Ana Alice de Queiroz, uma das fundadoras da associação. “Mas, quando colocaram essa ideia nas nossas cabeças, de que a gente podia fazer outras coisas fora de casa, abraçamos. Isso foi nos transformando. Até saímos para estudar”.

A fundadora conta que voltou a estudar com 51 anos e que muitas dessas mulheres eram analfabetas.

“Saímos de dentro da cozinha, de dentro daquela vida que era só a mesma, e hoje estamos empreendendo e, para nós, isso é muito gratificante”, ressaltou.

Agora, diz Ana Alice, elas já não têm mais tempo para cuidar dos afazeres domésticos. “Mudou tudinho. A gente não tem mais muito tempo para cozinhar, não. Nem para organizar a casa”.

A AFMA é composta atualmente por 23 famílias, reunindo tanto mulheres quanto homens. À semelhança das colmeias, as fêmeas cuidam dos principais afazeres desse trabalho, como cuidar das finanças e de envasar, rotular e colocar o preço no produto.

“Os homens vão para o apiário, mas quem administra são as mulheres”, disse Ana Alice, que já foi presidente da associação. “A gente vai organizando todo mundo e fazendo o que é melhor para produzir e para aumentar essa produção, assim como as abelhas fazem”, destacou.

Só no ano passado, mais de 2 milhões de pequenos negócios abertos no Brasil foram liderados por mulheres. Os dados são do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base em dados da Receita Federal.

Segundo esse levantamento, quatro entre cada dez pequenos negócios abertos no país em 2025 foram criados por mulheres, superando em mais de 320 mil o verificado no ano anterior.

Em entrevista à Agência Brasil, a gerente da Unidade de Sustentabilidade e Inovação do Sebrae no Pará, Renata Batista,  destacou que o número de mulheres donas de negócios passou de 8,2 milhões, em 2015, para 10,4 milhões, em 2025 – um crescimento de 27% em dez anos, acima do avanço observado entre os homens.

“Isso acontece por uma combinação de fatores: maior escolarização feminina, a busca por autonomia financeira, a necessidade de geração de renda e a ampliação do acesso à formalização, especialmente via MEI [microempreendedor individual]. Ao mesmo tempo, o empreendedorismo tem sido uma porta de entrada para as mulheres transformarem o conhecimento, o talento e o vínculo com o território e o negócio”, acrescentou.

Apesar desse crescimento, as mulheres ainda não representam nem metade dos novos pequenos empreendimentos abertos no país. No estado do Pará, por exemplo, apenas 37,6% das pequenas empresas criadas em 2025 eram lideradas por mulheres.

Mesmo com dificuldades, essas mulheres vêm buscando abrir espaços nesse mercado, contando com apoio do Poder Público ou de empresas privadas.

Diretora de soluções baseadas na natureza da mineradora Vale, Patricia Daros, afirma que os negócios tocados por mulheres extrapolam a questão da geração de renda, levantando também a questão de empoderamento feminino que começa a ser mais percebido. Na mineradora, 30% dos 50 projetos de bioeconomia apoiados recentemente são liderados por mulheres.

“A gente começou a perceber, desde quando a gente começou esse trabalho [de fomento], uma mudança do ponto de vista desse perfil de quem está à frente desses negócios, e as mulheres começaram, de fato, a aparecer um pouco mais ultimamente, principalmente em negócios relacionados à bioeconomia”, destacou.

Emancipado em 10 de maio de 1988, após plebiscito que o desmembrou de Marabá, o município de Parauapebas tem nome de origem tupi, que significa “rio de águas rasas”. Sua formação populacional é resultado de intenso fluxo migratório, impulsionado pela descoberta e exploração de minérios na Serra dos Carajás, a partir da década de 1960.

Hoje, a mineração responde por boa parte da economia, com destaque para o minério de ferro, mas também cobre, manganês, níquel e ouro.

Apesar da mineração, têm crescido na cidade projetos de bioeconomia, como o que transforma mais de 100 tipos de sementes em biojoias que misturam arte e sustentabilidade.

Secretária da Associação Preciosidades da Amazônia e futura presidente da Cooperativa de Trabalho Artesanal da Amazônia, Luciene Padilha, contou que a associação impacta não só a vida financeira, mas também a parte social, econômica e emocional das 12 mulheres participantes.

“Quando fizemos o curso, éramos mulheres em situação de vulnerabilidade, mulheres que não saíam de casa porque tinham medo. Seus provedores diziam: ‘você não sabe, você não pode’. Hoje elas já se posicionam, já se sentem mais fortalecidas e trabalham com empreendedorismo feminino”, comemorou.

A Associação Preciosidades da Amazônia tem apoio da prefeitura, da Vale, do Sebrae e da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). Tesoureira do grupo, Sandra Brasil explicou que é da natureza que elas extraem as sementes e também sua renda.

“Nós trabalhamos com materiais vegetais e tudo o que a natureza nos permite usar. Nós estamos com um tesouro na mão. Não é só ouro e prata que são tesouros. Nós aprendemos a reconhecer a natureza como o verdadeiro tesouro da humanidade”, destacou.

Após terem aprendido a confeccionar suas peças, essas artesãs agora têm sido mentoras de novas gerações de empreendedoras. “Quando nós saímos da sala de aula, já saímos com conhecimento suficiente para repassar [para outras pessoas]. Hoje em dia, todas nós vamos para a sala de aula. Já demos até oficinas”, ressaltou.

As biojoias produzidas por essas artesãs têm fortalecido a economia local e contribuído para o sustento de muitas famílias. Mais do que contar histórias, essas peças têm fortalecido laços e também ajudado a preservar a Amazônia.

Para Renata Batista, projetos desse tipo são estratégicos porque mostram, na prática, que é possível gerar renda com a floresta preservada, agregando valor à biodiversidade, ao conhecimento local e a cultura brasileira.

“No caso das biojoias, ainda há um componente muito forte de identidade e diferenciação. O Sebrae aponta que esse mercado vem ganhando espaço porque une materiais naturais, processo artesanal e valorização de histórias, crenças e tradições do país”.

Já o grupo Mulheres de Barro, formado por ceramistas de Parauapebas, surgiu durante a implantação do projeto Salobo, maior projeto de exploração de minério de cobre do país, tocado pela Vale no interior da Floresta Nacional do Tapirapé-Aquiri (Flonata), em Marabá.

Durante o projeto Salobo, foram encontrados artefatos arqueológicos presentes na floresta e que datam de 6 mil anos atrás. E foi a partir dos trabalhos de prospecção e de salvamento arqueológico desses artefatos, conduzidos pelo Museu Paraense Emílio Goeldi e pela Vale, que o grupo se formou. Em oficinas de educação patrimonial, essas mulheres conheceram a história local e tiveram acesso a ensinamentos sobre a cerâmica, o que permitiu que criassem peças inspiradas nesse passado.

Nessas oficinas, elas aprenderam que a cerâmica produzida pelos povos que habitavam as proximidades do Rio Itacaiúnas e seus afluentes eram utilizadas para rituais ou como objetos de uso cotidiano. Desde então, a partir dessa memória, essas artesãs começaram a produzir novas histórias e a moldar peças contemporâneas com referências arqueológicas.

As formas e grafismos dessas novas peças são inspiradas nos vestígios recuperados nesses sítios arqueológicos da Serra dos Carajás. Já a base da pintura são pigmentos provenientes de minerais da região, como minério de ferro, manganês e argilas coloridas.

Presidente do Centro Mulheres de Barro, Sandra dos Santos Silva contou que, depois de 2002, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) incluiu no processo de licenciamento das pesquisas arqueológicas uma obrigação de fazer educação patrimonial para informar a comunidade do entorno sobre os resultados.

“E foi aí que eu digo que o universo conspirou a nosso favor, porque a gente estava buscando isso: participamos dessa formação durante seis anos. A gente não sabia fazer cerâmica, aprendemos do zero”, contou ela, que lidera uma cooperativa formada por 18 mulheres e quatro homens, que não só fabricam peças como também ministram cursos e oficinas.

Agora, essas mulheres ajudam a preservar a memória ancestral da região e também a floresta onde esses vestígios de cerâmicas foram encontrados. Para isso, elas deixam de coletar a argila diretamente da natureza, o que seria um processo degradante, para utilizar sobras de construções para a produção de suas peças.

“Com essa ideia de sustentabilidade, observamos que sempre há sobra [de argila] em todas as construções na cidade. Era uma quantidade imensa de argila descartada. A gente usa esse descarte das obras para fazer um processo de peneiramento da argila: a gente dilui, peneira, bate numa betoneira, dilui muito bem, coloca para decantar e aí vai tirando a água até ela ficar na consistência de um açaí do grosso. Daí, coloca para desidratar até chegar ao ponto de modelagem”, explicou Sandra.

Por meio desses trabalhos, o Centro Mulheres de Barro vem mudando a vida de várias mulheres de Parauapebas. E esse conhecimento ancestral, que chegou às fundadoras do Mulheres de Barro, agora começa também a ser repassado para as novas gerações.

“Eu nunca tinha mexido com barro. Mas agora me sinto muito feliz”, contou Maria do Socorro Assunção Teixeira, 62 anos, uma das fundadoras do grupo. “Agora eu me vejo como multiplicadora de conhecimento. Nós passamos [esse conhecimento] para outras pessoas”, ressaltou.

Essas pequenas iniciativas lideradas por mulheres no Pará são exemplos de projetos de bioeconomia, um modelo econômico baseado no uso sustentável de recursos naturais.

“Quando uma mulher lidera um negócio de economia no território amazônico, ela não está apenas vendendo um produto, mas ela está ajudando a construir uma economia mais enraizada no território, com mais identidade, mais valor agregado e mais capacidade de distribuir renda localmente”, destacou a gerente do Sebrae no Pará.

“Negócios como biojoias, artesanato de base sustentável, cosméticos naturais e outros produtos da sociobiodiversidade mostram que a Amazônia pode ser também o espaço de inovação econômica baseada em ativos da floresta e não só em atividade de baixo valor local”, acrescentou.

Além desses projetos serem sustentáveis, eles também fortalecem as tradições locais e as cadeias produtivas. Na Amazônia, os resultados positivos dessa forma sustentável de negócio têm atraído, cada vez mais, investimentos de governos e da iniciativa privada.

Todos os projetos citados nesta matéria, por exemplo, receberam apoio do Fundo Vale, associação sem fins lucrativos mantida pela mineradora e que busca acelerar negócios de impacto que valorizam a floresta em pé e o uso sustentável da terra.

“Quando a Vale lançou o Fundo Vale, nós olhamos numa perspectiva de pensar essa economia da floresta numa lógica mais justa e de desenvolvimento territorial. Já aportamos mais de R$ 430 milhões em mais de 146 iniciativas na região”, destacou Patricia Daros.

A cada ano, essa bioeconomia da sociobiodiversidade tem movimentado R$ 13,5 bilhões no estado do Pará, impulsionada por cadeias produtivas ligadas à floresta, aos rios e à agricultura familiar. No entanto, esses negócios ligados à biodiversidade, principalmente os tocados por mulheres, ainda enfrentam algumas dificuldades para se manterem em pé.

“Há desafios que são comuns a qualquer empreendedor, como acesso ao mercado, gestão financeira, capital de giro, planejamento e competitividade. Mas, no caso das mulheres, existem ainda barreiras adicionais. O Sebrae destaca que, logo que elas abrem os negócios em proporções semelhantes às dos homens, mesmo elas sendo em média mais escolarizadas, esses empreendimentos tendem a faturar menos”, disse Renata Batista.

Além disso, ressaltou ela, as mulheres tendem a ter mais dificuldade de acesso ao crédito e enfrentam sobrecarga no trabalho, pois tendem a acumular outras atividades relacionadas a afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas, o que afeta o tempo disponível para qualificação, gestão, capacitação e expansão do negócio.

Por isso, o Sebrae destaca que, para que um negócio relacionado à sociobiodiversidade possa dar bons frutos, é necessário não só produzir bem, mas também estruturar bem a cadeia, a comercialização do produto e o financiamento para o projeto – que deve ser compatível com a realidade no campo.

Para fortalecer esses projetos de bioeconomia, o governo federal apresentou recentemente o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio). Um dos eixos desse plano é voltado para projetos relacionados à sociobioeconomia e os ativos ambientais.

*A repórter viajou a convite da Vale.





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Exportações de carne bovina desaceleram


Segundo informações divulgadas pela Abrafrigo, o ritmo de crescimento das exportações brasileiras de carne bovina desacelerou em março de 2026 na comparação com os meses anteriores. Ainda assim, o setor registrou avanço expressivo nas receitas, impulsionado pela valorização dos preços no mercado internacional.

Dados compilados pela associação mostram que os embarques de carne bovina in natura totalizaram 233,79 mil toneladas em março, alta de 8,95% frente ao mesmo mês de 2025. Apesar do crescimento, o desempenho ficou abaixo dos registrados em janeiro e fevereiro, quando os aumentos foram mais robustos.

Por outro lado, a receita atingiu US$ 1,36 bilhão no mês, avanço de 29,14% na comparação anual. O movimento reflete a valorização da proteína brasileira no exterior, influenciada pela alta da arroba do boi gordo e pela variação cambial.

No consolidado do setor — incluindo carne industrializada e subprodutos — o faturamento chegou a US$ 1,476 bilhão em março, mesmo com recuo de 6,65% no volume total embarcado.

Primeiro trimestre mantém crescimento

No acumulado de janeiro a março, as exportações totais do setor alcançaram US$ 4,32 bilhões, crescimento de 32,29% em relação ao mesmo período de 2025. Em volume, o avanço foi de 10,98%, somando 827,64 mil toneladas.

Considerando apenas a carne bovina in natura, o desempenho foi ainda mais expressivo:

– Receita: US$ 3,98 bilhões (+37,45%)

– Volume: 700,98 mil toneladas (+19,92%)

O preço médio da tonelada exportada também subiu, chegando a US$ 5.642 — alta de 14,61% na comparação anual.

A China manteve a liderança entre os destinos da carne bovina brasileira no primeiro trimestre, com compras de US$ 1,816 bilhão e participação superior a 45% nas receitas. O volume embarcado ao país asiático cresceu 39,35%, totalizando 325,68 mil toneladas.

Mercados que apresentaram crescimento:

– Estados Unidos: alta de 60,96% em receita

– União Europeia: crescimento de 29,48%

– Chile, Rússia e México: aumentos expressivos tanto em volume quanto em valor

O cenário indica uma diversificação da demanda internacional, mesmo com a forte dependência do mercado chinês. Apesar dos números positivos, o setor enfrenta um contexto de comparação desafiador. Os resultados de 2025 foram marcados por recordes sucessivos, o que reduz a expectativa de manutenção de taxas elevadas de crescimento ao longo de 2026.

Além disso, a redução no ritmo de expansão do volume pode indicar um ajuste natural do mercado, enquanto os preços seguem sustentando o faturamento.

 

 

 

 

 





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Milho avança, mas clima limita operações


De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (16), a colheita de milho avançou de forma parcial no Rio Grande do Sul, condicionada pela recorrência de chuvas e pela priorização de outras culturas mais sensíveis após a maturação. Ainda assim, na maior parte das regiões, os trabalhos estão em fase final ou já concluídos, atingindo 86% da área cultivada. “A colheita de milho evoluiu de forma parcial, condicionada principalmente pela recorrência de precipitações no período e pela priorização operacional de outras culturas mais sensíveis às intempéries após a maturação”, informa a Emater/RS-Ascar.

Segundo a Emater/RS-Ascar, ainda restam lavouras implantadas fora da janela preferencial, nas quais a reposição hídrica tem contribuído para a manutenção do potencial produtivo, apesar dos impactos anteriores provocados por déficit hídrico e temperaturas elevadas durante o período reprodutivo. Essas condições afetaram o número de grãos por espiga e a massa dos grãos. “Observa-se variabilidade produtiva, mas, nas áreas colhidas, predominam grãos com boa qualidade”, aponta o relatório, que também registra perdas localizadas associadas ao atraso na colheita e à elevada umidade.

O levantamento destaca que, em lavouras ainda em desenvolvimento, principalmente da segunda safra, persistem riscos fitossanitários relacionados à ocorrência de pragas e à possibilidade de comprometimento da qualidade dos grãos em função da umidade. A Emater/RS-Ascar estima a área cultivada em 803.019 hectares, com produtividade média estadual de 7.424 kg por hectare.

Na região administrativa de Bagé, o avanço da colheita foi limitado pelas precipitações, e a elevada umidade dos grãos tem levado produtores a adiar as operações para evitar perdas na armazenagem. Em Caxias do Sul, mais de 60% da área foi colhida, com produtividades entre 7.200 e 9.000 kg por hectare e qualidade considerada adequada. Já em Frederico Westphalen, as lavouras de safrinha apresentam desenvolvimento heterogêneo em função da irregularidade hídrica.

Na região de Pelotas, 43% da área foi colhida, mas as chuvas continuam restringindo o tráfego de máquinas e elevando a umidade dos grãos. Em Santa Rosa, a colheita alcança 94% da área, restando pequenas parcelas em desenvolvimento, com registros de ataques de pássaros, incidência de fungos e casos de germinação precoce dos grãos, além de ocorrência de cigarrinha em alguns municípios. Em Soledade, 62% da área foi colhida, enquanto as lavouras implantadas em períodos intermediários e tardios seguem em fases de florescimento, enchimento de grãos e maturação.





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RS registra estabilidade nas exportações avícolas


O desempenho das exportações de carne de frango do Rio Grande do Sul neste primeiro trimestre foi marcado por movimentos distintos entre os períodos. Enquanto o mês de março apresentou crescimento de 12% no volume embarcado em comparação ao mesmo mês de 2025, passando de 63 mil toneladas no ano passado para 70 mil toneladas neste ano, o volume das exportações no acumulado do trimestre registrou leve retração de -0,3% frente ao ano anterior, resultado que reflete estabilidade e retomada de mercados.

Em termos de receita, o desempenho foi positivo tanto no mês quanto no acumulado do ano, evidenciando a importância do produto avícola gaúcho nos países importadores. Em março deste ano, as exportações de carne de frango apuraram receita de US$ 135.1 milhões, crescimento de 21,9% em relação aos US$ 110.8 milhões registrados no mesmo mês de 2025. No consolidado do primeiro trimestre, o faturamento atingiu US$ 362.2 milhões, alta de 6,3% frente aos US$ 340.8 milhões obtidos no mesmo período do ano anterior, refletindo a valorização do produto no mercado internacional.

Segundo o presidente executivo da Organização Avícola do RS (Asgav/Sipargs), José Eduardo dos Santos, o desempenho demonstra o valor da indústria avícola gaúcha nos países importadores. “A carne de frango produzida aqui no Estado segue valorizada no mercado internacional, impulsionada pela demanda global, por questões sanitárias em outros países e a fidelização de muitos importadores, que ao fim dos embargos, voltaram com muito “apetite” a comprar nosso produto”, afirma.

O setor está muito atento aos efeitos da crise no Oriente Médio, que tem elevado o custo de produção.

Mercado de Ovos do RS apresenta aumento expressivo nas exportações

No segmento de ovos, as exportações do Rio Grande do Sul totalizaram 1.730 toneladas no primeiro trimestre, volume 45,6% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, com 1.188 toneladas embarcadas. Com este expressivo aumento nos volumes exportados, a receita apresentou crescimento de 78,1%, alcançando US$ 6.8 milhões, contra os US$ 3.8 milhões do ano passado, refletindo a valorização do produto no mercado internacional e a recomposição gradual da demanda externa de mercados relevantes.

Santos avalia que a manutenção de mercados estratégicos reforça as perspectivas positivas no setor da indústria e produção de ovos gaúcha. “A retomada das exportações de ovos, especialmente para destinos tradicionais, reafirma o Rio Grande do Sul no comércio internacional e traz boas perspectivas de crescimento ao longo do ano, acompanhando a demanda externa e a crescente valorização do produto avícola gaúcho”, destaca.

Brasil: Mesmo com crise no Oriente Médio, exportações de carne de frango crescem 6% em março

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 504,3 mil toneladas em março, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número supera em 6% o total exportado no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 476 mil toneladas.

A receita mensal das exportações também registrou recorde. Ao todo, foram US$ 944,7 milhões em março deste ano, número 6,2% maior em relação aos US$ 889,9 milhões no mesmo período de 2025.

No ano (janeiro a março), o volume embarcado pelo setor chegou a 1,456 milhão de toneladas, superando em 5% o total exportado no primeiro trimestre de 2025, com 1,387 milhão de toneladas. O crescimento é ainda mais expressivo em receita, com US$ 2,764 bilhões neste ano, resultado 6,9% maior em relação ao ano anterior, com US$ 2,586 bilhões no ano passado.

Exportações brasileiras de ovos

O mercado externo para a indústria brasileira de produção de ovos, no total acusou recuos em volumes e receitas no trimestre, conforme quadro abaixo. Isso, se deve ao reposicionamento e planejamento de produção e volumes comercializados de alguns estados que certamente irão retomar os níveis médios exportados no decorrer dos últimos meses.





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Comissão aprova projeto que prevê apreensão de veículo por transporte irregular de animais vivos


17/04/2026 – 16:52  

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que autoriza a apreensão de veículos de transporte de animais vivos em desacordo com normas de segurança e bem-estar.

Pela proposta, veículos que não atenderem aos requisitos técnicos – como ventilação adequada, proteção contra temperaturas extremas e resistência compatível com o peso dos animais – serão apreendidos. Os requisitos se referem ao transporte de animais classificados como “de produção, de interesse econômico, de esporte, de lazer ou de exposição”.

Em caso de apreensão do veículo, os animais devem ser encaminhados imediatamente a locais adequados, até que o reembarque seja realizado.

Manutenção e cuidado

O texto estabelece ainda que o transportador e o contratante responderão por todos os custos gerados, como despesas com manutenção e cuidado com os animais durante a apreensão do veículo.

A comissão aprovou o substitutivo do relator, deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), para o Projeto de Lei 173/23, dos deputados Delegado Matheus Laiola (União-PR) e Delegado Bruno Lima (Pode-SP).

O projeto original estabelecia uma lista detalhada de 14 requisitos técnicos que os veículos deveriam seguir, como a obrigatoriedade de sistemas de ventilação, fornecimento de água e espaço suficiente para os animais permanecerem em pé. No entanto, a versão do relator não traz essas regras, que já constam em resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e do Ministério da Agricultura.

“Todas as regras listadas já fazem parte do arcabouço jurídico relacionado ao tema”, disse Ayres, ao defender que a inovação real do projeto deve ser a inclusão da apreensão no rol de medidas administrativas do Código de Trânsito.

Próximas etapas

A proposta será ainda analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para virar lei, o texto deve ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Murilo Souza

Edição – Pierre Triboli





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Itaipu compra mais uma área para assentar indígenas no Paraná


Com recursos da Itaipu Binacional, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) adquiriram mais uma área para assentamento da comunidade Avá Guarani, na região Oeste do Paraná.

O imóvel, com 107 hectares, está localizado entre os municípios de São José das Palmeiras e Santa Helena, a cerca de 120 quilômetros (km) de Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina.

A Fazenda América, que passará a se chamar Tekoha Pyahu, é dez vezes maior do que o espaço ocupado hoje pelas 27 famílias, cerca de 90 pessoas, que serão agora transferidas, segundo a Itaipu. Atualmente, elas vivem em situação precária em um terreno de apenas 9 hectares, localizado na faixa de proteção do reservatório da usina. A expectativa é que a mudança ocorra em até dois meses.

“A mudança será importante para nossa comunidade, especialmente para as crianças. Teremos um local adequado para viver, ter escola, posto de saúde, entre outros direitos que iremos conquistar lá”, afirmou o cacique Dioner, líder da aldeia Pyahu. 

Para ele, o processo de reparação de danos que a Itaipu está fazendo é o “mínimo que se pode fazer para os Avá Guarani”.

A compra de terras faz parte do acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em março de 2025, e firmado por Itaipu com comunidades indígenas, Ministério Público Federal (MPF), Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Incra, Funai e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

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O objetivo é assegurar reparação histórica pela violação a direitos humanos dos Avá-Guarani. Isso porque, na década de 1970, quando a usina começou a ser construída, em plena ditadura militar brasileira, a etnia Avá-Guarani sofreu o impacto do alagamento de suas terras tradicionais com a criação do reservatório do empreendimento, a partir do represamento do rio Paraná, na divisa com o Paraguai, que compartilha a gestão da usina com o Brasil.

O acordo estabelece medidas para assegurar a territorialização das comunidades locais e prevê a destinação aos indígenas de pelo menos 3 mil hectares de terra que serão adquiridos pelo consórcio Itaipu Binacional, ao custo inicial de R$ 240 milhões.

“Trata-se de respeito, de reparação histórica e de promoção de condições de vida digna para essa população”, destacou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri. Ele lembrou ainda que a solução foi construída de forma articulada com as instituições parceiras e as próprias comunidades.

No acordo homologado pelo STF, a Itaipu Binacional se comprometeu a implementar ações de restauração ambiental nas áreas adquiridas e a financiar serviços essenciais, como fornecimento de água, energia elétrica, saneamento, saúde e educação. Caberá à Funai o procedimento de destinação final da posse permanente e usufruto exclusivo às comunidades indígenas. O processo de obtenção dos imóveis rurais passa por análise fundiária e técnica tanto da Funai quanto do Incra.  

Itaipu ainda informou que, por meio de convênios com associações de pais e mestres de escolas e do projeto Opaná – Chão Indígena, estão sendo promovidas iniciativas voltadas ao fortalecimento da cultura, do idioma e do modo de vida dos Avá Guarani, além de ações de assistência técnica em agroecologia e de educação antirracista.

Até o momento, o valor total investido pela Itaipu para a compra de terras para as comunidades indígenas afetadas na construção da usina está em 84,7 milhões. O valor já inclui o pagamento pela fazenda América, que custou R$ 17,6 milhões.

Também foram adquiridas a Fazenda Brilhante, de 215 hectares, em Terra Roxa, onde foram alocadas três comunidades que, juntas, têm 68 famílias; a Fazenda Amorim, de 209 hectares, em Missal, para onde serão transferidas 36 famílias que ocupam uma área na Faixa de Proteção do Reservatório da Itaipu; parte do Haras Mantovani, de 68 hectares, em Terra Roxa; e uma área de 9,8 hectares para a comunidade Arapy, de Foz do Iguaçu. A meta é chegar a 3 mil hectares, com investimento total de R$ 240 milhões.

A área total obtida até agora supera os 700 hectares, o equivalente a 700 de futebol padrão Fifa.





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Mato Grosso bate recorde na exportação de carne bovina em 2026


Mato Grosso registrou um desempenho histórico na exportação de carne bovina no primeiro trimestre de 2026, consolidando a liderança nacional no setor. O estado embarcou aproximadamente 251.000 toneladas em equivalente de carcaças, representando uma alta de 26,27% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Desempenho das exportações

O volume exportado marca um recorde para o período, conforme informou o Instituto Matogrossense de Carne. Este crescimento reflete a robustez do setor agropecuário do estado e sua capacidade de atender à demanda externa.

Contexto do mercado

  • O aumento nas exportações é resultado de uma combinação de fatores, incluindo a qualidade da carne produzida em Mato Grosso.
  • O estado se destaca na produção de carne bovina, sendo um dos principais fornecedores do Brasil.
  • A tendência de crescimento deve continuar, impulsionada pela demanda internacional.

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Bahia enfrenta período seco enquanto Jaguari registra chuvas


A região da Bahia, especialmente o município de João Dourado, entra em um período seco, enquanto Jaguari, no Rio Grande do Sul, registra chuvas significativas. As previsões climáticas indicam mudanças importantes para ambas as localidades nos próximos meses.

Previsão para a Bahia

Em João Dourado, a previsão para abril aponta para a continuidade do período seco, com temperaturas máximas em torno de 30ºC. A expectativa é de um último pulso de chuvas na segunda semana de maio, mas com volumes baixos, entre 10 e 15 mm.

  • Período seco se intensifica na região de Irecê.
  • Retorno das chuvas volumosas previsto para setembro e outubro.

Previsão para Jaguari

No Rio Grande do Sul, Jaguari deve enfrentar um aumento nas temperaturas no final do mês, com mínimas abaixo de 10ºC previstas para a segunda semana de maio. A possibilidade de geadas aumenta no final de maio e início de junho.

  • Chuvas devem voltar, mas não de forma volumosa.
  • Expectativa de chuvas acima da média em junho, com volumes de até 170 mm.

Os agricultores devem se preparar para as condições climáticas, que podem impactar as atividades no campo, especialmente em Jaguari, onde a colheita da soja está em andamento.

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Barra AgroShow 2026 é lançada com expectativa de crescimento


Foi lançada oficialmente em Juazeiro, no norte da Bahia, a Barra AgroShow 2026, que promete dobrar o faturamento em relação à edição anterior. A organização do evento espera um crescimento significativo em sua área e número de expositores, além de trazer novidades para o setor agropecuário.

Expectativas de faturamento

A Barra AgroShow 2026 projeta um faturamento de R$ 60 milhões, superando os R$ 32 milhões registrados no ano passado. O evento deve crescer em área de exposição entre 30% e 40% e contará com uma programação diversificada.

Novidades do evento

  • Inclusão da pecuária na programação, com exposição de animais da região.
  • Realização de palestras qualificadas sobre fruticultura e agricultura familiar.
  • Promoção do evento “Mulheres do Agro”, com foco na participação feminina no setor.

Contribuição para o desenvolvimento regional

A Barra AgroShow é vista como uma oportunidade para fortalecer a cadeia produtiva da fruticultura e agropecuária no Vale do São Francisco. O evento será realizado entre os dias 19 e 22 de agosto em Barra, no oeste da Bahia, e contará com a participação de autoridades locais, representantes de empresas e instituições de ensino.

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Calor intenso e baixa umidade afetam centro-sul do Brasil


A semana começa com temperaturas elevadas e calor intenso no centro-sul do Brasil. No último domingo, Porto Estrela, município do Mato Grosso, registrou 40,6ºC, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A situação é preocupante, pois os índices de umidade relativa podem ficar abaixo dos 30%, aumentando o risco de focos de incêndio.

Previsão do tempo para os próximos dias

O meteorologista Artur Miller, do canal Rural Notícias, alerta que o calor e a seca devem persistir nas próximas semanas, especialmente nas regiões sudeste e centro-oeste. As previsões indicam:

  • Temperaturas máximas entre 38ºC e 39ºC no oeste de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
  • Possibilidade de chuvas volumosas na região norte, com acumulados de 40 a 50 mm em Rondônia e Acre.
  • Retorno de chuvas no Paraná, com expectativa de pelo menos 100 mm, beneficiando a agricultura local.

Impactos nas regiões afetadas

A situação climática pode afetar a produção agrícola e a saúde animal. O estresse térmico no gado em confinamento é uma preocupação, com temperaturas podendo chegar a 36ºC. Além disso, a previsão de chuvas para o Rio Grande do Sul pode trazer geadas fracas no início de maio, impactando as lavouras.

Condições climáticas no Sudeste

No Sudeste, o tempo deve permanecer firme, com temperaturas elevadas e sem previsão de chuvas significativas até o final de abril. A expectativa é de que a frente fria que avança sobre a região sul traga temporais, especialmente no Rio Grande do Sul e oeste de Santa Catarina.

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