Bezerro mais caro exige até 20% mais arrobas no país, aponta levantamento

Comprar bezerro ficou mais caro para o pecuarista em 2026 em relação ao ano anterior. Em alguns estados, já é preciso até 20% mais arrobas de boi gordo para fechar a reposição. Dados da Scot Consultoria mostram alta de 20,4% no Pará, 19,8% no Maranhão e no Tocantins e 16,8% em Rondônia, por exemplo.
O movimento ocorre em todo o país e indica perda de poder de compra. “Estamos precisando de mais arrobas de boi para comprar um bezerro ao redor do Brasil inteiro”, afirma Felipe Fabbri, coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria.
Confira o levantamento completo por estado:

Indicador mede poder de compra
A relação de troca é usada para avaliar quantas arrobas são necessárias para adquirir insumos ou animais. No caso da desmama, o indicador mede o custo de reposição do rebanho.
“A relação de troca mostra, na prática, quanto a mais a arroba do bezerro está valendo em relação a do boi e se o momento está favorável ou não para eu colocar mais estoque de arroba dentro da minha fazenda ou menos”, explica Fabbri. Segundo ele, o indicador atingiu o maior nível desde 2022.
Alta é puxada pela reposição
O avanço da relação de troca ocorre porque o preço do bezerro subiu em ritmo superior ao do boi gordo, efeito registrado em todos os estados analisados, de acordo com a Scot. “Ficou mais oneroso para quem faz a recria e engorda comprar bezerros, indicando que o preço do bezerro avançou mais em determinadas regiões do que a arroba do boi”, afirma.
Ele destaca que o cenário não se repete nos insumos. “O boi gordo hoje está com uma competição muito interessante, ou seja, um bom poder de compra frente a itens como milho e farelo de soja. Nunca se comprou tanto milho quanto nesse ano de 2026, e o pecuarista nunca conseguiu comprar uma tonelada de farelo de soja com tão pouca quantidade de arroba de boi gordo”.
Fabbri explica ainda que a menor oferta de bezerros está ligada ao abate de fêmeas nos anos anteriores. “O poder de compra tem piorado nos últimos meses por conta do ciclo pecuário. Nós abatemos muitas fêmeas entre 2022 e 2025. A oferta menor de bezerros deve seguir até 2027 ou início de 2028”, diz.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
Impacto nas margens
Neste sentido, o especialista explica também que o aumento do custo de reposição afeta sistemas de recria e engorda, com tendência de ajuste nas margens. “O poder de compra deve seguir mais oneroso para quem depende da reposição”, afirma Fabbri.
Por outro lado, para a cria, o cenário é distinto. “A gente já enxerga uma recuperação de margens dentro do sistema de produção pecuária. Essa recuperação de margens ocorre em função principalmente dessa melhora de preços nas categorias de reposição e alguns custos de produção mais controlados”, diz.
Estratégia no campo
Diante do cenário, Fabbri recomenda manter a reposição com ajustes no manejo, como redução da taxa de lotação e aumento da eficiência.
“O ideal é tentar elevar o meu giro de produção dentro da fazenda com esse preço do bezerro maior. Isso pode condicionar uma janela de preços melhores para o boi gordo que talvez pague esse ágio do bezerro mais caro”, finaliza.
O post Bezerro mais caro exige até 20% mais arrobas no país, aponta levantamento apareceu primeiro em Canal Rural.

