Em mais uma edição do já tradicional prêmio +Admirados da Imprensa do Agronegócio, o Canal Rural marca presença firme entre os finalistas em 2026. A iniciativa reconhece os profissionais e os veículos que mais cativam o público na cobertura jornalística do agro.
Promovido pelo site Jornalistas&Cia, a honraria vai eleger os 50 jornalistas mais admirados do setor produtivo no Brasil e os top 3 de categorias como site, podcast, canal de vídeo e programas, em votação que segue até 4 de maio. Para ajudar a escolher, clique aqui.
Confira as categorias em que os profissionais e produtos do Canal Rural concorrem:
Site/portal: Canal Rural
Canal de vídeo (Youtube/Instagram): Canal Rural
Programa de TV especializada: Mercado&Cia e Rural Notícias
Jornalistas
Neste segundo turno, os eleitores podem selecionar os jornalistas e publicações de sua preferência, classificando-os do 1º ao 5º lugar. Veja os indicados e vote aqui:
Recentemente, o presidente Lula afirmou que o Brasil tem potencial para ser a “Arábia Saudita do Biodiesel”. A comparação não é exagero: nosso país ostenta uma posição que o resto do mundo persegue.
Enquanto nações desenvolvidas lutam para limpar suas indústrias, 88% da nossa matriz elétrica já é renovável. Se olharmos para a matriz energética total, que inclui o combustível dos transportes e a energia das fábricas, 50% de tudo o que consumimos é limpo, contra uma média mundial de apenas 14%.
O Brasil já é o campeão dos biocombustíveis, mas o grande salto agora vem do Hidrogênio Verde. No Nordeste, a força dos ventos e do sol separa o hidrogênio da água. Para transportá-lo, combinamos esse gás com o nitrogênio do ar, criando a Amônia Verde.
O Brasil transforma vento e sol em “energia líquida” para abastecer países que não têm mais onde crescer em fontes limpas
Essa “embalagem líquida” é a solução para países como o Japão e a Alemanha, que não têm mais espaço para crescer em energia limpa e decidiram abandonar a energia nuclear.
Reféns do carvão e do gás russo, eles precisam importar nossa energia para descarbonizar suas indústrias. Um exemplo real é o recente consórcio de R$ 12 bilhões assinado para produzir amônia verde no Rio Grande do Norte voltada ao mercado alemão.
Mas essa revolução não serve apenas para exportar. A amônia é a base dos fertilizantes, como a ureia. Hoje, o Brasil importa esse insumo fabricado lá fora com combustíveis fósseis.
Produzir amônia verde em solo nacional é criar um escudo contra as crises externas que encarecem a comida no nosso supermercado
Quando surge uma guerra na Ucrânia ou crise no Oriente Médio, o adubo encarece em dólar e o preço do arroz e do feijão dispara. Ao produzirmos nossa própria amônia verde, “nacionalizamos” nossa segurança alimentar.
Usamos nosso vento para fabricar adubo em solo nacional, criando um escudo que garante comida estável e barata na mesa do brasileiro, independentemente das crises externas.
A “Arábia Saudita Verde” é a nossa chance de deixar de ser apenas exportador de matéria-prima. Com a matriz elétrica mais limpa do planeta e a tecnologia para transformar vento em fertilizante, o futuro do Brasil está, literalmente, soprando a nosso favor.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea) mostram que, em março de 2026, Mato Grosso registrou o menor volume de bovinos enviados para abate em outros estados para o período. Ao todo, os envios somaram 2,54 mil cabeças, queda de 23,16% em relação a fevereiro e de 44,05% na comparação com março de 2025.
Entre os destinos, Goiás concentrou 48,55% do total, seguido por São Paulo, com 46,27%, e Mato Grosso do Sul, com 5,18%.
De acordo com o Imea, o movimento está ligado ao encurtamento do diferencial de base dos preços do boi gordo entre Mato Grosso e São Paulo. Em março, o deságio médio foi de 6,50% em relação à praça paulista, o que reduziu a competitividade dos envios interestaduais e estimulou os abates dentro do próprio estado.
Até a terceira semana de abril, os preços médios da arroba foram de R$ 350,21 em Mato Grosso e R$ 368,74 em São Paulo. No período, o diferencial de base ficou em -5,03%, indicando uma aproximação de 1,47 ponto percentual frente a março.
As exportações brasileiras de frutas começaram 2026 em alta, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (22) pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).
No primeiro trimestre, o setor movimentou US$ 351,1 milhões, com embarques de 330,6 milhões de quilos — aumento de 25% em valor e 13% em volume na comparação com o mesmo período de 2025.
O desempenho foi puxado por frutas com maior demanda no mercado internacional. A manga lidera o avanço, com crescimento de 69% em valor e 40% em volume. A melancia também se destaca, com altas de 40% e 12%, respectivamente.
Os melões seguem na mesma tendência, com aumento de 15% em valor e 3% em volume.
Ganho de mercado e destaques positivos
Entre os principais destaques, a maçã registrou forte expansão, com salto de 215% em valor e 228% em volume, refletindo ganho de mercado.
Outras frutas também apresentaram crescimento:
Abacate: +18% em valor e +38% em volume;
Banana: +32% e +14%;
Mamão (papaya): +19% e +11%.
Na outra ponta, a uva apresentou retração, com queda de 16% em valor e 18% em volume, influenciada por fatores como clima e dinâmica de mercado.
Setor aposta em novos mercados
Segundo o presidente da Abrafrutas, Waldyr Promicia, o resultado reflete um avanço consistente do setor no exterior.
“O país vem ampliando sua presença no mercado internacional com produtos de qualidade e regularidade de oferta. Com o acordo que deve ser firmado agora no início de maio, nossa competitividade tende a aumentar, o que abre espaço para ampliar ainda mais as exportações brasileiras”, afirma.
O crescimento acompanha a expansão da fruticultura brasileira no mercado externo, impulsionada pela abertura de mercados, ganhos de competitividade e maior organização da cadeia produtiva.
Nesse cenário, produtores intensificam a agenda internacional. Uma comitiva participa da Macfrut 2026, na Itália, e, na sequência, segue para o Canadá em missão de prospecção, com foco na ampliação das exportações.
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Apesar dos avanços, a expansão dessas soluções ainda enfrenta obstáculos – Foto: Canva
A adoção de práticas mais eficientes no pós-colheita tem ganhado espaço como estratégia para enfrentar a insegurança alimentar e reduzir perdas na produção agrícola. Em regiões com forte dependência da agricultura, a combinação de falhas estruturais, baixa tecnologia e limitações de conhecimento técnico tem ampliado o desperdício de alimentos e comprometido a renda de produtores.
Na África Subsaariana, onde a demanda por alimentos deve triplicar até 2050, as perdas pós-colheita superam 30% da produção, especialmente no caso de grãos. Segundo dados de organismos internacionais, o volume desperdiçado chega a US$ 4 bilhões por ano, suficiente para alimentar milhões de pessoas. Além disso, entre a colheita e o varejo, as perdas atingem cerca de 23%, bem acima da média global.
Diante desse cenário, governos e setor privado têm investido em tecnologias de armazenamento mais eficientes, como os sacos herméticos, que reduzem a troca de gases com o ambiente externo e ajudam a preservar a qualidade dos grãos por até dois anos. A tecnologia também controla a umidade e inibe o desenvolvimento de fungos, mantendo as características do alimento.
Apesar dos avanços, a expansão dessas soluções ainda enfrenta obstáculos. O alto custo em comparação aos métodos tradicionais, a baixa disseminação de informação entre produtores e a incidência de impostos dificultam a adoção em larga escala. Em alguns países, tributações elevadas aumentam significativamente o preço final do produto, tornando-o inacessível para pequenos agricultores.
Estudos indicam que a redução ou eliminação desses impostos poderia ampliar o uso da tecnologia, elevar a renda dos produtores e aumentar a oferta de alimentos no mercado. Em paralelo, programas de incentivo e parcerias com instituições agrícolas buscam ampliar o acesso às soluções e melhorar a eficiência da cadeia produtiva.
A previsão do tempo para as principais áreas produtoras de soja do país indica um cenário de contrastes ao longo dos próximos dias. Enquanto o Brasil central enfrenta uma semana de tempo seco, uma frente fria avança pelo Sul, trazendo chuvas mais expressivas, especialmente para o Rio Grande do Sul.
No Centro-Oeste e no Sudeste, as condições seguem firmes, com predomínio de sol e temperaturas elevadas. A umidade relativa do ar pode cair para níveis abaixo dos 30%, o que exige atenção do produtor rural, principalmente em relação ao manejo e à conservação do solo.
Já no Sul, a chegada de uma frente fria muda o padrão climático. No Rio Grande do Sul, a expectativa é de acumulados entre 40 e 50 milímetros ao longo de cinco dias, favorecendo a reposição de umidade no solo, mas também podendo causar interrupções pontuais nas atividades de campo.
No Norte do país, os maiores volumes de chuva devem se concentrar entre Maranhão, Roraima e Acre, com acumulados que podem variar entre 50 e 70 milímetros no mesmo período. Em Santa Catarina e no Paraná, a chuva também ganha força, com volumes que podem ultrapassar os 100 milímetros em cinco dias.
Em Mato Grosso, há previsão de retorno das chuvas, mas de forma irregular, com acumulados entre 15 e 20 milímetros, o que ainda limita uma recuperação mais consistente da umidade no solo.
Para o período seguinte, o padrão climático se mantém, com tempo quente e seco no Brasil central. Por outro lado, as chuvas continuam concentradas no Norte e no Sul do país, novamente com volumes que podem superar os 100 mm em algumas áreas.
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A soja opera em alta na Bolsa de Chicago – Foto: Canva
Os mercados agrícolas iniciam o dia com oscilações moderadas, refletindo fatores climáticos, geopolíticos e de oferta global que seguem no radar dos agentes. De acordo com a TF Agroeconômica , o comportamento das principais commodities indica um cenário de volatilidade, com fundamentos distintos entre trigo, soja e milho.
No trigo, as cotações em Chicago apresentam leves variações, enquanto a preocupação central permanece nas condições das lavouras de inverno nos Estados Unidos. O relatório mais recente aponta deterioração, com apenas 30% das áreas classificadas como boas ou excelentes, abaixo das expectativas do mercado. Esse quadro sustenta os preços do trigo HRW, que segue entre os níveis mais elevados do complexo. Ao mesmo tempo, o plantio das culturas de primavera avança em ritmo considerado normal, embora os custos elevados de fertilizantes ainda gerem incertezas sobre a área final.
A soja opera em alta na Bolsa de Chicago, em meio a um ambiente influenciado por tensões no Oriente Médio e sinais de cansaço dos operadores diante do prolongamento do conflito. O farelo apresenta estabilidade com viés de baixa, enquanto fundos mantêm posição comprada expressiva, elevando o risco de realização de lucros. No mercado físico, os prêmios FOB brasileiros registram avanço, acompanhados por melhora também no óleo e no farelo. Na Argentina, a elevação da produção de milho reforça a expectativa de maior oferta regional.
Para o milho, o mercado registra pequenas oscilações após ganhos recentes, com atenção voltada às condições climáticas nos Estados Unidos, que devem favorecer o avanço do plantio. Os dados indicam evolução dentro do esperado, tanto no ritmo semanal quanto na comparação histórica. No Brasil, a safrinha apresenta bom desenvolvimento, enquanto a colheita avança de forma consistente, ainda que com ritmo inferior ao do ano passado.
Os preços do açúcar cristal continuam em queda dentro do mercado spot de São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a baixa demanda e a expectativa de um avanço na oferta da nova safra, tem influenciado no recuo das cotações.
Ainda de acordo com o centro de estudos, compradores seguiram cautelosos na última semana, na espera de uma desvalorização ainda maior nas próximas datas. Mesmo em fase final de produção, a oferta do adoçante deve ter uma crescente em um curto prazo.
Outro fator que vem influenciando nos recuos da mercadoria internamente é a baixa que também ocorreu no mercado externo. Os valores do contrato nº 11 na Bolsa de Nova York estão pressionados, o que mesmo de forma leve, provavelmente gerou impacto nos preços.
O mercado de etanol no spot de São Paulo recuou significativamente na última semana. Os preços registraram quedas superiores a 7%. As cotações ficaram abaixo de R$ 3,00 nos dois tipos, movimento que não era observado para o anidro desde agosto de 2025.
Segundo o indicador Cepea/Esalq, valores do etanol hidratado entre as datas de 13 a 17 de abril, fecharam em R$ 2,5920/litro (sem PIS/Cofins), recuo de 7,01% em relação ao período anterior. No caso do tipo anidro a baixa foi ainda maior, registrando uma queda de 7,43%, o que deixou os preços em R$ 2,9575/litro (líquido de PIS/Cofins).
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), negociações avançaram nos últimos dias, porém com volumes ainda menores. A postergação por parte dos distribuidores se seguem, enquanto compradores continuam mais retraídos.
De acordo com o centro de estudos, o vendedor do combustível é quem tem a postura mais agressiva no mercado, visto a chegada de novas unidades produtoras.
Agentes seguem cautelosos
Pesquisadores do Cepea relatam que agentes do mercado doméstico têm incertezas em relação ao mercado, tanto internamente quanto externamente. A preocupação é principalmente relacionada ao aumento da oferta do etanol de milho e aos preços do açúcar internacional.
A automação e a mecanização avançada ganham espaço na Agrishow 2026. A Jacto apresenta na feira de tecnologia de Ribeirão Preto (SP) dois novos equipamentos que ampliam sua atuação no campo: o pulverizador autônomo Arbus 4000 JAV, agora disponível para venda, e a colhedora Hover 500, que marca a entrada da empresa em colheita de cana.
Os lançamentos refletem o avanço de tecnologias voltadas ao aumento de produtividade, redução de custos operacionais e maior eficiência nas operações agrícolas.
Pulverização autônoma e operação 24 horas
O Arbus 4000 JAV chega ao mercado após um período de validação em condições reais. Segundo a empresa, o equipamento acumulou mais de 16 mil horas de trabalho em quase 60 mil hectares antes de ser lançado comercialmente.
O modelo atua sem operador a bordo, com supervisão remota, o que reduz a exposição a riscos no campo.
Outro diferencial é o sistema de “comboio”, que permite que um único operador controle até quatro máquinas simultaneamente. Com isso, o ganho de produtividade pode chegar a 300% por operador.
A possibilidade de operação contínua, 24 horas por dia, também contribui para aumentar a eficiência. Nessa condição, o desempenho pode ser até 30% superior ao de pulverizadores convencionais.
Cada equipamento tem capacidade de aplicações em mais de 1.000 hectares por mês, dependendo do ajuste da operação.
O pulverizador autônomo Arbus 4000 JAV pode ter operação contínua 24h por dia. Foto: Jacto
Aplicação inteligente com sensores e IA
O pulverizador conta com sensores a laser que escaneiam as plantas em tempo real. A tecnologia permite ajustar automaticamente a aplicação conforme o porte e a posição da vegetação.
Com apoio de inteligência artificial (IA), o sistema cria um modelo virtual da lavoura, estimando tamanho das copas e espaçamento entre plantas para otimizar a operação.
A telemetria embarcada coleta dados continuamente e envia as informações para o aplicativo Jacto Connect, permitindo o acompanhamento e a tomada de decisão em tempo real.
Além disso, o equipamento possui até seis ventiladores na torre de pulverização, o que possibilita aplicação variável e maior eficiência no uso de insumos.
Colheita em duas linhas de cana simultaneamente
A colhedora Hover 500 pode dobrar a produtividade por hora de trabalho. Foto: Jacto
Outra novidade é a Hover 500, colhedora de cana que marca a entrada da Jacto no segmento.
O principal diferencial do equipamento é a capacidade de colher duas linhas simultaneamente, mantendo a mesma velocidade de máquinas convencionais de uma linha.
Na prática, isso pode dobrar a produtividade por hora de trabalho.
Menos perdas e maior preservação do canavial
A Hover 500 foi projetada para acompanhar as irregularidades do solo, reduzindo danos à soqueira — fator importante para a longevidade do canavial.
A máquina possui bitola de 2,7 metros, dimensionada para trafegar nas entrelinhas dos plantios convencionais, coincidindo com os rastros de tratores e transbordos.
Esse padrão reduz o pisoteio e pode diminuir em até 60% a área compactada em comparação com colhedoras de uma linha.
Outro destaque é o sistema de limpeza por sopro, que reduz perdas por estilhaçamento e melhora a eficiência da colheita.
Eficiência operacional e menor consumo
A colhedora também traz ganhos no consumo de combustível, com acionamentos mecânicos mais eficientes e sistema de limpeza otimizado.
Com isso, a proposta é aumentar a eficiência operacional ao mesmo tempo em que reduz custos no campo.
Avanço da tecnologia no agro
Os lançamentos apresentados na Agrishow indicam um movimento de ampliação da automação e da mecanização inteligente no campo.
De um lado, o pulverizador autônomo reforça a tendência de operações com menor dependência de mão de obra direta. De outro, a entrada no segmento de colheita de cana amplia o portfólio da empresa em uma das principais cadeias produtivas do país.
A combinação de sensores, inteligência artificial e engenharia aplicada aponta para um cenário de operações mais precisas, conectadas e eficientes no agronegócio brasileiro.