quarta-feira, abril 22, 2026

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Com guerra no Oriente Médio, preços dos fertilizantes chegam a crescer até 39%


Imagem gerada por IA para o Canal Rural

A escalada das tensões no Oriente Médio tem impactado o mercado de fertilizantes e os custos do agronegócio brasileiro e movimentos do setor pode agravar a situação. Segundo Maisa Romanelo, engenheira agrônoma e especialista em fertilizantes da Safras & Mercado, a paralisação de unidades da Mosaic no Brasil em Minas Gerais, que produziam cerca de 1 milhão de toneladas de fosfato, reforça a vulnerabilidade do país, altamente dependente de importações.

“Essa é uma notícia negativa para o setor, pois evidencia gargalos na produção interna e aumenta a dependência do mercado externo em um momento de preços elevados”, afirma.

A alta dos fertilizantes já é significativa desde o início do conflito. De acordo com Romanelo, a ureia subiu cerca de 39%, passando de US$ 550 para US$ 765 por tonelada no porto.
Outros produtos também registraram valorização:

  • Sulfato de amônio: alta de 27%
  • Nitrato: alta de 10%

Os níveis atuais de preços se aproximam dos registrados em 2022, durante a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Apesar do cenário de pressão, a especialista avalia que o risco de falta de fertilizantes no Brasil é baixo no curto prazo.

Segundo ela, o país ainda consegue importar de diferentes origens. No entanto, o principal impacto será no custo pago pelo produtor.

“O problema não é a disponibilidade imediata, mas o preço e o risco de concentração de demanda no segundo semestre, o que pode gerar gargalos logísticos”, explica.

A postergação das compras por parte dos produtores pode intensificar esse cenário, elevando ainda mais os preços e dificultando a entrega no momento do plantio.

Margens apertadas no campo

Com a alta dos fertilizantes e os atuais preços da soja e do milho, a relação de troca se deteriorou. Segundo Romanelo, os indicadores já estão nos piores níveis dos últimos anos.

A situação varia conforme o perfil do produtor, mas a tendência é de margens mais apertadas e maior necessidade de planejamento.

“Qualquer variável pode ter impacto decisivo na formação de custos e na rentabilidade. Isso exige decisões mais estratégicas”, afirma.

Estratégia de compra exige cautela

Diante da volatilidade, a recomendação é evitar decisões concentradas. Para o cloreto de potássio, que não sofre impacto direto do conflito, a orientação é antecipar compras, já que os preços seguem em alta gradual.

Já para fosfatados e nitrogenados, o cenário é mais incerto. A especialista recomenda compras parceladas e atenção às oportunidades de mercado.

“Não é o momento de concentrar todas as compras. O ideal é diversificar estratégias e acompanhar fatores como dólar, logística e evolução do conflito”, destaca.

Mesmo em caso de alívio geopolítico, a expectativa é de que os preços não recuem rapidamente. A normalização depende da retomada das exportações no Oriente Médio e da regularização das rotas logísticas.

Com isso, o cenário para a safra 2026/27 segue marcado por custos elevados, maior exposição ao mercado externo e necessidade de gestão mais rigorosa por parte dos produtores.

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Safra da noz-pecã deve se recuperar após dois ciclos consecutivos de quebra


Noz-pecã
Foto: Public Domain Pictures

A safra brasileira de noz-pecã em 2026 deve se aproximar de 8 mil toneladas, acima das projeções iniciais, favorecida pela regularidade climática e pela evolução no manejo dos pomares, conforme estivativa do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan).

O resultado ocorre após dois ciclos afetados por adversidades que comprometeram a produção. De acordo com o presidente da entidade, Claiton Wallauer, a tendência de crescimento já era percebida desde o período de floração entre outubro e novembro.

“O clima ajudou, deu chuvas regulares dentro do período, e há uma possibilidade de nós termos uma safra que pode passar das 7 mil toneladas, quase chegando a 8 mil toneladas”, projeta.

Segundo ele, além do volume, a qualidade da produção também se destaca neste ano. “E está se mostrando também a qualidade das frutas muito boas, isso tem sido relatado pelos produtores”, aponta.

Desafios do setor

O presidente do IBPecan considera que o principal desafio do setor é o aumento da produtividade, com foco em manejo e tecnologia. “O que se destaca muito, agora, na linha do manejo, é começarmos a aumentar as produções para chegarmos mais próximos das duas toneladas por hectare, saltando da média de uma tonelada por hectare”, pontua.

O dirigente aponta que esse avanço depende da adoção de técnicas de manejo e do uso de novos cultivares, com apoio de instituições de pesquisa e assistência técnica.

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Colheita de arroz no Rio Grande do Sul atinge 70% da área cultivada, aponta Emater


arroz
Foto: Freepik

A cultura do arroz no Rio Grande do Sul entra na fase final do ciclo, com cerca de 70% da área cultivada já colhida, de acordo com o relatório semanal da Emater-RS, divulgado nesta quinta-feira (9). As operações foram intensificadas nas últimas semanas, impulsionadas por condições climáticas favoráveis, que alternaram períodos de tempo firme com chuvas leves.

Segundo a Emater, “de modo geral, as produtividades confirmam o bom desempenho e refletem as condições favoráveis ao longo do ciclo”, resultado da adequada disponibilidade de radiação solar e do manejo hídrico eficiente. No entanto, ainda são observadas heterogeneidades relacionadas à logística de recebimento e à qualidade final do produto, especialmente quanto à presença de impurezas e ao rendimento industrial.

As lavouras que ainda permanecem estão em maturação, com pequena parcela em enchimento de grãos, indicando que a colheita deve se estender até o final de abril. A área cultivada chega a 891.908 hectares, conforme dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), e a produtividade projetada pela Emater-RS é de 8.744 kg por hectare.

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Estudo indica que 98% da matriz elétrica de Minas Gerais vem de fontes renováveis


energia renovável
Foto: Victor Fagundes / Sede

Minas Gerais deu um salto de 95% na geração de energia elétrica em menos de uma década. A produção total passou de 37.681 GWh, em 2015, para 73.478 GWh em 2024. Isso é o que mostra o Panorama do Setor Elétrico de Minas Gerais, publicado nesta quarta-feira (8) pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG). 

Outro destaque apontado na análise técnica é a predominância das energias renováveis no estado. Dados de 2024 apontam que as fontes fósseis de energia, compostas pelo gás natural e derivados de petróleo, representaram apenas 1,9% da produção elétrica do estado. Ou seja, cerca de 98% da energia produzida em Minas Gerais é oriunda de fontes renováveis.

Entre essas fontes, a energia solar cresceu significativamente nos últimos anos, e o estado lidera a produção nacional, respondendo por mais de 23% de toda a geração fotovoltaica do Brasil. O setor ganhou impulso significativo por meio de políticas públicas como o Sol de Minas. 

Coordenado pela Sede-MG, o programa garantiu capacitação para gestores públicos, desburocratização e incentivos fiscais. Desde 2019, foram atraídos mais de R$ 83 bilhões em investimentos privados para o setor, com previsão de 7,7 mil empregos diretos em 38 municípios.

“Minas Gerais combina uma matriz elétrica majoritariamente limpa e uma demanda intensiva em energia, o que representa uma grande oportunidade para atração de investimentos ligados à transição energética e um desafio importante acerca de ganhos de eficiência, modernização e planejamento”, destaca o superintendente de Política Minerária, Energética e Logística da Sede-MG, Raphael Evaristo Rodrigues.

Fontes renováveis crescem no estado

Com 73.478 GWh gerados em 2024, Minas Gerais registrou crescimento expressivo de 10,4% em relação a 2023, superando o desempenho médio nacional. Com isso, o estado ocupa a 4ª posição entre os maiores produtores de energia do país.

De acordo com o estudo, a matriz elétrica mineira apresenta um perfil amplamente renovável, e isso teve um impulso ainda maior nos últimos. Em 2015, as hidrelétricas responderam por cerca de 74% da geração estadual, seguidas pela biomassa com 15% e pelas fontes fósseis com 11%.

Em 2024, as fontes renováveis alcançaram 98% da geração, com a hidráulica respondendo 66%, a solar por 22%, a biomassa por 10% e as fontes fósseis recuando para para menos de 2%. Entre elas, a energia solar fotovoltaica apresentou o maior salto: de 6 GWh, em 2015, para 16.433 GWh em 2024, o que representa crescimento superior a 2.600 vezes em menos de uma década. 

Gráfico
Foto: divulgação/Agência de Minas

Consumo das indústrias

Pelo lado do consumo, Minas Gerais se diferencia do padrão brasileiro por concentrar mais da metade do consumo de eletricidade na indústria (52,39%), acima da média nacional (35,19%), refletindo a especialização do estado em setores eletrointensivos.

Ainda conforme o estudo, o setor residencial responde por 22,75% e o comercial por 13,66% do total, enquanto as demais classes – rural (5,53%), poder público (1,64%), serviço público (2,36%) e iluminação pública (1,58%) – somam cerca de 11%. Essa composição evidencia a concentração do consumo mineiro em usos produtivos, característica que diferencia o estado no contexto nacional.

Entre 2015 e 2024, o consumo total de eletricidade em Minas Gerais passou de 52,8 para 67,5 milhões de MWh, crescimento médio de 2,77% por ano, acima do ritmo nacional (2,10% a.a.).

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Aviso de perigo para chuva de 100 mm é publicado pelo Inmet para áreas de 10 estados


chuva

Aviso de perigo para chuva de 50 mm a 100 mm e ventos intensos entre 60 km/h e 100 km/h para toda a sexta-feira (10) foi publicado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

De acordo com o órgão, há risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas em áreas dos seguintes estados (veja detalhes no mapa abaixo):

  • Rio Grande do Norte
  • Ceará
  • Piauí
  • Maranhão
  • Tocantins
  • Pará
  • Mato Grosso
  • Rondônia
  • Acre
  • Amazonas
Inmet áreas de chuva
Foto: Reprodução

O alerta de perigo é válido para 641 municípios (veja aqui a lista). Para obter mais informações sobre as áreas atingidas e áreas de risco, o Inmet recomenda que se obtenha mais informações junto à Defesa Civil (telefone 199) e ao Corpo de Bombeiros (telefone 193).

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AgroNewsPolítica & Agro

Exportações de bovinos no 1º trimestre são recordes



O ritmo intenso das exportações de carne bovina in natura


Foto: Divulgação

O ritmo intenso das exportações de carne bovina in natura observado ao longo de 2025 permanece neste início de 2026. Segundo a série histórica da Secex, o volume embarcado no primeiro trimestre deste ano é recorde para o período.

De janeiro a março de 2026, foram exportadas 701,662 mil toneladas de carne bovina in natura, volume 19,7% superior ao do mesmo período de 2025 e 36,6% acima do registrado em 2024, segundo dados da Secex. Além do aumento nos volumes, pesquisadores do Cepea chamam atenção para a valorização da carne brasileira no mercado internacional.

Em março, o preço médio pago por tonelada foi de US$ 5.814,80, alta de 3,1% em relação a fevereiro e de 18,7% frente a março de 2025. Esse cenário externo favorável contribuiu diretamente para a sustentação dos preços do boi gordo no mercado interno ao longo de março, aponta o Centro de Pesquisas.

MERCADO INTERNO – Neste início de abril, os preços do boi gordo, do bezerro e da carne seguem em trajetória de alta, sustentados pela demanda externa aquecida e pela oferta restrita de animais prontos para abate.





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ANP terá acesso a dados fiscais para combater fraudes em combustíveis


fiscalização posto de combustível
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei complementar que autoriza a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a acessar dados fiscais dos agentes regulados por ela a fim de melhorar a fiscalização. A proposta será enviada ao Senado.

De autoria do deputado Alceu Moreira (MDB-RS) e outros, o Projeto de Lei Complementar (PLP) 109/25 foi aprovado na forma de substitutivo do relator, deputado Neto Carletto (Avante-BA). O texto condiciona a concessão ou autorização para exercício das atividades reguladas pela ANP à autorização de acesso a esse tipo de dados.

As empresas com outorgas de funcionamento já existentes deverão providenciar a autorização para manter a validade da outorga e continuar a atuar no setor. O prazo e a forma para isso serão definidos em regulamento.

De acordo com o texto, a ANP passará a ter acesso, de forma permanente, a dados e informações das Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e) de operações comerciais, incluindo Notas Fiscais ao Consumidor Eletrônicas (NFC-e) e Conhecimentos de Transporte Eletrônicos (CT-e).

Melhora da fiscalização

A principal motivação do projeto é melhorar a fiscalização da obrigatoriedade de adicionar biocombustíveis (etanol e biodiesel) ao combustível de origem fóssil (gasolina e diesel, por exemplo). Casos de adulteração também poderão ser flagrados com os dados fiscais.

Em todos os casos, as informações e os dados compartilhados mantêm seu caráter sigiloso, nos termos do Código Tributário Nacional.

O relator da proposta, Neto Carletto, afirmou que a ANP estará apta a detectar inconsistências entre as informações que detém e os dados fiscais relacionados aos produtos comercializados, a partir do acesso a notas fiscais.

“Essas inconsistências, geralmente, estão relacionadas à ocorrência de crimes associados à adulteração de combustíveis, descumprimento das obrigações legais de adição de biocombustíveis a combustíveis fósseis e sonegação fiscal”, disse.

Carletto destacou que o projeto permite ampliar a fiscalização e combater crimes como lavagem de dinheiro. Ele citou a operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025, que reuniu várias polícias no combate ao crime organizado na cadeia de combustíveis.

Convênios para acesso aos dados

O texto aprovado prevê 180 dias para a edição de regulamentos e assinatura de acordos e convênios necessários ao acesso aos dados das autoridades fiscais federais, estaduais e do Distrito Federal.

O projeto se antecipa à mudança de modelo tributário em 2027, quando começa a transição da reforma tributária, e inclui as informações sob responsabilidade do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CG-IBS).

Os dados obtidos deverão permitir à ANP:

  • Validar a veracidade, integridade e completude de dados e informações declaratórias periodicamente coletadas pela agência;
  • Realizar análises e cruzamentos de dados necessários à fiscalização e à regulação do mercado no âmbito de sua competência; e
  • Elaborar estudos técnicos e análises setoriais.

Carletto propõe que o acesso aos dados e informações deverá ser por meio de soluções tecnológicas seguras operadas pelas autoridades fiscais ou por entidades e prestadores de serviços de tecnologia da informação por elas designadas.

Deverão ser seguidas normas relacionadas ao modelo tecnológico e à segurança da informação determinadas por essas autoridades fiscais.

ANP bancará os custos

A ANP deverá bancar todos os custos necessários ao acesso de dados, independentemente da forma, meio ou solução tecnológica a ser adotado, sem qualquer ônus para o Fisco que compartilhar os dados.

Os acessos deverão ser amparados por um contrato ou ajuste junto às entidades e aos prestadores de serviço, prevendo o ressarcimento dos custos de acesso e dos custos de sustentação dos sistemas informatizados envolvidos.

O acordo ou contrato deverá envolver ainda custos para manter a estrutura de tecnologia da informação adequada e suficiente para o acesso dos sistemas das autoridades fiscais.

Pelo Projeto de Lei, quando a ANP instaurar processo sancionador que possa ter repercussão na esfera tributária, ela deverá comunicar à Receita Federal ou à secretaria da Fazenda estadual ou do Distrito Federal, conforme o tipo de tributo envolvido daquela unidade da federativa.

Durante o debate sobre o projeto em Plenário, o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) avaliou que o acesso da ANP é muito restrito e específico das notas fiscais para saber se empresas estão importando outros produtos e vendendo como se fosse gasolina.

Já o líder do Psol, deputado Tarcísio Motta (RJ), destacou que é preciso obter os dados fiscais para a ANP combater a adulteração dos combustíveis. “Através desses dados, vamos perceber a lógica da mistura dos componentes do combustível adquirido por determinado posto”, disse.

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Brasil: USDA mantém safra de soja em 180 mi t; produção mundial tem leve alta


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Importações de soja da China serão recorde, diz USDA. Foto: Nájia Furlan/Portos do Parana

O Brasil segue com projeção robusta para a soja. O relatório de abril do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) manteve a estimativa da safra brasileira 2025/26 em 180 milhões de toneladas, em linha com o relatório anterior e ligeiramente acima da expectativa do mercado, de 179,8 milhões.

Para o Brasil, além da manutenção da projeção de 2025/26, o USDA revisou para cima a safra 2024/25, de 171,5 milhões para 172,5 milhões de toneladas.

Cenário global

No cenário global, a produção de soja para 2025/26 foi estimada em 427,41 milhões de toneladas, uma leve alta em relação ao número de 427,188 milhões projetadas em março. Para a temporada 2024/25, a previsão é de 428,15 milhões de toneladas.

Os estoques finais mundiais para 2025/26 ficaram em 124,79 milhões de toneladas, abaixo da expectativa do mercado (125,5 milhões) e também inferiores ao número de março (125,31 milhões). Já para 2024/25, os estoques foram estimados em 124,81 milhões.

Soja na Argentina

Na Argentina, a produção para 2025/26 foi mantida em 48 milhões de toneladas, enquanto a safra 2024/25 segue estimada em 51,11 milhões. As importações da China também permaneceram inalteradas, em 112 milhões de toneladas para 2025/26 e 108 milhões para 2024/25.

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O papel do ministro ‘tampão’ e os possíveis impactos no novo Plano Safra


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André de Paula assumiu o Ministério da Agricultura no lugar de Carlos Fávaro. Foto: Reprodução/Facebook

A recente reforma ministerial, que atingiu quase metade das pastas do governo, traz um cenário de dualidade para o agronegócio brasileiro. Isso porque a estratégia do Palácio do Planalto é garantir a continuidade técnica, mas a troca de figuras políticas por gestores de carreira pode reduzir o poder de barganha do setor.

Quem avalia o cenário é o cientista político e diretor da Dominium Consultoria, Leandro Gabiati. “Colocar quem já está dentro do órgão facilita o processo, pois a pessoa já domina a pauta e o status de cada assunto. Isso possibilita reforçar o conceito de continuidade e evitar entraves”, afirma.

O especialista, no entanto, pondera que essa eficiência técnica tem um custo político. “Um ministro técnico não tem o peso e a autonomia de uma figura política com trajetória consolidada. Há uma perda de poder de decisão dentro de cada ministério”, explica.

A menos de três meses do novo Plano Safra, que começa a valer a partir de 1º de julho, a troca de gestão entra no radar do setor produtivo. Apesar disso, a avaliação é de que o desenvolvimento do plano não deve ser afetado.

O que é um ministro ‘tampão’?

No Brasil, a lei exige que ministros que queiram se candidatar a outros cargos no Legislativo saiam do governo seis meses antes da eleição. Com isso, o presidente da república precisa nomear alguém para seus respectivos lugares.

Com a saída de Carlos Fávaro do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), quem assumiu foi André de Paula, que estava à frente do Ministério da Pesca e Aquicultura. No caso do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), foi a ex-secretária-executiva da pasta, Fernanda Machiaveli, que ficou no lugar de Paulo Teixeira.

Apesar de amplamente utilizado, o termo ‘ministro tampão’ é uma forma informal de denominar quem assume o comando de um ministério por um período curto, como é o caso deste ano, com as eleições de outubro. A expressão também pode ser vista como crítica, uma vez que o ‘tampão’ acaba apenas cumprindo ordens.

Foco no Plano Safra e no equilíbrio fiscal

Para o consultor jurídico e ex-secretário de Política Agrícola do Mapa, José Carlos Vaz, a mudança não deve gerar uma paralisia imediata nas políticas do setor, uma vez que as peças-chave que desenham o Plano Safra permanecem nos cargos.

“As equipes na Fazenda, no MDA e na Agricultura estão mantidas. O secretário de Política Agrícola continua, e os novos ministros vieram das secretarias executivas”, reforça Vaz.

O desafio, segundo ele, reside no equilíbrio que o governo precisará fazer entre o seu público prioritário, que é a agricultura familiar, e a necessidade de capturar apoio do agronegócio em um ano de eleições.

“O presidente terá que balancear as vantagens eleitorais com o agronegócio, que já possui candidatos fortes e uma base ligada à oposição, enquanto tenta manter o equilíbrio fiscal para não gerar resistência no mercado financeiro”, avalia o consultor.

O “relógio” das eleições

Outro ponto de convergência entre os analistas é o curto prazo de gestão. Com o primeiro turno em outubro, os novos ministros têm, na prática, pouco mais de seis meses de “janela” efetiva de trabalho.

“Todo mundo em política pensa com a eleição como referência”, diz Gabiati. Para ele, embora a troca de quase metade do ministério seja vista como um elemento negativo pela perda de articulação, a normalização desse ciclo é necessária.

“Faz parte do ciclo democrático. Se a continuidade técnica for mantida, o impacto negativo da perda política acaba sendo diminuído”, finaliza.

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AgroNewsPolítica & Agro

Carne suína atinge maior vantagem sobre a de boi em quatro anos



Enquanto os preços da carne suína recuaram em março, os da bovina subiram


Foto: Pixabay

Enquanto os preços da carne suína recuaram em março, os da bovina subiram. Esse movimento elevou a competitividade da carcaça suína perante o boi ao seu maior nível desde abril de 2022, em termos reais (IPCA – fev/26). A cotação da carcaça especial suína comercializada no atacado da Grande São Paulo teve média de R$ 10,06/kg em março, baixa de 2,8% frente à de fevereiro.

Segundo o Cepea, a desvalorização esteve atrelada à baixa liquidez tanto no mercado do animal vivo quanto no da carne, devido ao período da Quaresma, encerrado no início de abril. Quanto à carne bovina, ainda de acordo com o Centro de Pesquisas, os preços avançaram em março devido à baixa oferta de animais prontos para abate e à forte demanda internacional pela carne brasileira.

A carcaça casada bovina negociada na Grande São Paulo registrou valorização de 2,6% entre fevereiro e março, com média de R$ 24,32/kg no último mês. Nesse cenário, o diferencial de preços entre as carcaças bovina e suína chegou a 14,26 Reais/kg em março, forte alta de 6,8% frente ao registrado em fevereiro. Essa é a relação mais elevada em quatro anos, visto que, em abril de 2022, havia sido de 14,66 Reais/kg.





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