quinta-feira, abril 23, 2026

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Safra atual do café fica marcada por queda nas exportações


saca de café
Foto: Unsplash

A safra do café 2025/26 registrou queda nas exportações em relação a temporada anterior. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), no período de julho de 2025 e março de 2026, as embarcações tiveram total de 20,09 milhões de sacas de 60kg. Os números representam uma diminuição de 21,2% comparado com o intervalo de tempo do ano anterior. O volume registrado na parcial é o menor desde 2022/23.

Apesar disso, o mês de março ficou marcado por uma melhora. O acumulo chegou a 3,04 milhões de sacas, quantidade 15,4% maior que a de fevereiro.

Mesmo com a melhora no período, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ressalta que o cenário ainda é de restrição, visto que a produção menor da safra e os estoques nacionais historicamente curtos, continuam a limitar as saídas.

Produtores do grão que já dispõem de pouco café, além de capitalizados pelos altos preços ao longo da temporada, não enxergam motivos para pressa nas vendas.

De acordo com o centro de pesquisas, a exportação contida deve se manter até que a nova safra 2026/27 ganhe força. A previsão para esse aumento de corpo é para meados de maio.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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Primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens é anunciada


A Embrapa e a Unipasto anunciaram o lançamento da BRS Carinás, primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens, nesta semana. A nova variedade é indicada para o bioma Cerrado e apresenta produção de até 16 toneladas de matéria seca por hectare, com destaque para a elevada produção de folhas e adaptação a sistemas integrados.

Entre as características, a cultivar apresenta baixa exigência em fertilidade do solo, com tolerância a ambientes ácidos e com baixos níveis de fósforo, além de maior capacidade de suporte animal e ganho de peso por área em comparação à cultivar Basilisk. Esses fatores ampliam o potencial de uso em sistemas de produção pecuária.

“É uma excelente alternativa para diversificar áreas hoje ocupadas pela cultivar Basilisk, também conhecida como ‘braquiarinha’. A Carinás se adapta bem ao período seco do ano e pode ser usada estrategicamente, como no planejamento de ser vedada no fim do verão e reservada para uso na época da seca”, afirma o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Sanzio Barrios.

A cultivar também pode ser utilizada em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), com produção de palhada e forragem destinada ao pastejo na entressafra. Segundo as instituições, o material não interfere na produtividade de culturas anuais, o que amplia sua aplicação em sistemas integrados.

Até então, a Basilisk era a única cultivar disponível da espécie Brachiaria decumbens no mercado brasileiro, tendo sido introduzida no país na década de 1960. A nova cultivar amplia as opções para produtores que utilizam essa espécie forrageira.

Em comparação com a Basilisk, a BRS Carinás apresenta maior desempenho produtivo. “Quando vedada para uso no período seco, a BRS Carinás oferece 40% a mais de massa de forragem em relação à cultivar Basilisk, da qual a maior parte [53%] é material vivo [folhas e hastes]”, explica o pesquisador da Embrapa Cerrados, Allan Kardec Ramos.

Testes indicaram que a cultivar não apresentou acamamento, mesmo em áreas vedadas ou sob crescimento livre, característica relevante para materiais com maior porte e produção de forragem. Esse comportamento contribui para a manutenção da qualidade e facilidade de manejo.

Em relação à tolerância ao encharcamento, ensaios iniciais mostraram desempenho semelhante ao de outras cultivares amplamente utilizadas, com novos testes previstos em condições de solos mal drenados para ampliar a avaliação agronômica.

Em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária, a BRS Carinás demonstrou compatibilidade com culturas anuais, sem competição significativa, conforme testes realizados em consórcio com milho, o que reforça seu potencial de uso em sistemas produtivos diversificados.

As sementes da nova cultivar serão disponibilizadas por meio dos associados da Unipasto, com oferta prevista já no início do segundo semestre, permitindo a adoção pelos produtores no primeiro ano após o lançamento.





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Brasília vive ‘faz de conta’ institucional enquanto crise avança no Brasil


palácio do planalto - agencia brasil
Foto: Agência Brasil

O Brasil vive hoje uma espécie de alucinação coletiva institucional. Nos salões de mármore da capital, a prioridade é o próximo palanque, a próxima emenda ou a próxima retaliação entre tribunais e plenários.

Do lado de fora, o país real lida com um cenário de terra arrasada. Esse abismo não parece figurar na agenda de prioridades do poder.

O teatro das instituições

Vivemos a era do “faz de conta”. Faz de conta que as instituições estão em harmonia enquanto o Legislativo sequestra o Orçamento.

Faz de conta que o Executivo governa, quando, na verdade, ele apenas reage. O país funciona hoje em modo de campanha eleitoral permanente.
A realidade, porém, é brutal. O endividamento no Brasil atingiu níveis alarmantes e não escolhe CPF ou CNPJ.

O peso de um Estado sem freios

Nesse cenário, o governo gasta demais e parece não medir as consequências do amanhã. A conta da expansão desenfreada de gastos públicos chega rápido, seja via inflação ou pela manutenção de juros altos que travam o setor produtivo.

Não é apenas o Estado que está no limite. São famílias que não fecham o mês e empresas que operam no sufoco, esmagadas por uma política fiscal que ignora o rigor necessário para o país crescer.

A euforia que não chega à mesa

O descolamento da realidade é gritante quando olhamos para os indicadores financeiros desta quarta-feira (15).

Enquanto o Ibovespa flerta com a marca histórica dos 200 mil pontos e o dólar recua para a casa dos R$ 4,98, a Faria Lima parece viver em um país diferente daquele que habita os subúrbios.

O rali das bolsas, impulsionado pelo capital externo, é um espasmo de otimismo que não chega à mesa do cidadão comum.

Para quem deve ao cartão de crédito, o dólar baixo é uma abstração. Ele não reduz o peso dos juros, nem o custo de vida que segue corroendo o consumo.

Um comando voltado para o umbigo

Para piorar, o mundo lá fora não está para amadores. O cenário externo é de gravidade extrema, com conflitos geopolíticos que exigem um comando firme.

Mas o Brasil parece olhar apenas para o próprio umbigo. O governo perdeu a capacidade de conexão com as urgências práticas.

A comunicação oficial e a articulação política miram o eleitor de 2026. Ignoram o cidadão que precisa de respostas hoje. A gestão virou refém do marketing e da sobrevivência política imediata.

O risco do vácuo de confiança

Essa desconexão cria um vácuo perigoso. O cidadão percebe que o Estado gasta energia em brigas de poder enquanto sua vida financeira desmorona.

Com isso, a confiança nas instituições derrete. Instituições fortes não são aquelas que ocupam espaço na mídia com conflitos de autoridade.

São aquelas que entregam estabilidade. O que temos hoje é um teatro de sombras: muita movimentação, muito barulho, mas nenhuma solução para o abismo sob os pés dos brasileiros.

O Brasil não precisa de mais um capítulo de briga entre poderes. Precisa, urgentemente, voltar para a realidade. Antes que o “faz de conta” se torne um ponto de não retorno.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Governo envia para Congresso projeto que acaba com escala 6X1


Carteira de trabalho digital - empregos - caged - desemprego
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional, nesta terça-feira (14), um projeto de lei que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais no Brasil. A proposta foi encaminhada com urgência constitucional e, na prática, coloca fim à escala 6×1, modelo em que o trabalhador tem apenas um dia de descanso por semana.

A mensagem foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União. O texto também garante dois dias de descanso remunerado por semana e proíbe qualquer redução salarial, tanto para contratos atuais quanto futuros.

Segundo o governo, a proposta altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e outras legislações para padronizar a nova jornada em todo o país. “Encaminhei ao Congresso um projeto que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada para 40 horas semanais, sem qualquer redução no salário”, afirmou o presidente em publicação nas redes sociais.

O que muda na jornada de trabalho

O projeto estabelece um novo limite de 40 horas semanais, mantendo a carga diária de até 8 horas. O texto também prevê ao menos dois dias consecutivos de descanso semanal, preferencialmente aos sábados e domingos, consolidando o modelo 5×2 como padrão.

A proposta determina que não haverá redução nominal ou proporcional de salários, nem alteração de pisos. A regra vale para diferentes regimes de trabalho, incluindo contratos integrais, parciais e escalas especiais.

Ainda assim, o texto permite flexibilização por meio de negociação coletiva. Modelos como a escala 12×36 poderão ser mantidos, desde que respeitada a média de 40 horas semanais.

Impacto para trabalhadores e mercado

De acordo com dados apresentados pelo governo, cerca de 37,2 milhões de trabalhadores no país têm jornadas superiores a 40 horas semanais, o equivalente a aproximadamente 74% dos empregados com carteira assinada.

Além disso, cerca de 14 milhões de brasileiros atuam na escala 6×1, incluindo 1,4 milhão de trabalhadores domésticos. O levantamento também indica que 26,3 milhões de celetistas não recebem horas extras, o que sugere jornadas mais longas na prática.

O governo argumenta que a ampliação do tempo de descanso pode melhorar a qualidade de vida, reduzir impactos na saúde e aumentar a produtividade. Em 2024, foram registrados cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho.

Comparação com outros países

A proposta aproxima o Brasil de mudanças já adotadas em outros países. No Chile, a jornada está sendo reduzida gradualmente de 45 para 40 horas semanais até 2029. A Colômbia também está em processo de redução, de 48 para 42 horas até 2026.

Na Europa, jornadas de 40 horas ou menos já são predominantes. A França, por exemplo, adota carga semanal de 35 horas desde os anos 2000, enquanto países como Alemanha e Holanda operam, na prática, com médias inferiores a 40 horas.

Próximos passos

Como foi enviado com urgência constitucional, o projeto passa a tramitar com prazo reduzido no Congresso Nacional. Deputados e senadores terão de analisar a proposta antes de eventual aprovação ou alteração do texto.

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Ciclone provoca chuva e ventos fortes nesta quarta-feira


Imagens geradas por IA para o Canal Rural

A quarta-feira (15) será marcada por mudanças importantes no tempo em várias regiões do Brasil. A formação de um ciclone extratropical no Sul, associada a uma área de baixa pressão, aumenta o risco de temporais, ventos fortes e chuva volumosa, especialmente no Rio Grande do Sul.

Ao mesmo tempo, o padrão climático segue bastante contrastante no país. Enquanto parte do Sudeste enfrenta tempo firme e umidade baixa, áreas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste continuam com pancadas de chuva típicas do calor e da alta umidade. Esse cenário exige atenção tanto para volumes elevados de precipitação quanto para o risco de tempo seco em diferentes regiões.

Sul

O Sul concentra as principais instabilidades do dia. No Rio Grande do Sul, há previsão de chuva moderada a forte, com risco de temporais e acumulados elevados, principalmente no sudoeste, oeste e região da Campanha. As rajadas de vento variam entre 40 e 50 km/h, podendo chegar aos 70 km/h em áreas do sudoeste e litoral.

Em Santa Catarina, chove com mais intensidade no litoral, enquanto no Paraná a chuva é mais fraca e isolada na faixa litorânea. No restante da região, o tempo tende a ficar mais estável ao longo do dia.

Sudeste

No Sudeste, a chuva aparece de forma fraca e isolada no litoral, como no Espírito Santo, sul de São Paulo e região dos Lagos no Rio de Janeiro. No interior de Minas Gerais, também há chance de pancadas leves.

Nas demais áreas, o tempo segue firme, com sol entre nuvens e temperaturas em elevação. A umidade relativa do ar entra em atenção em áreas do interior paulista e do Triângulo Mineiro, podendo ficar abaixo dos 30%.

Centro-Oeste

A chuva ganha força ao longo do dia no Centro-Oeste. Há previsão de pancadas moderadas a fortes no sul e oeste de Mato Grosso do Sul e no sudoeste de Mato Grosso, com risco de temporais isolados.

Durante a tarde, a instabilidade avança para o norte de Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal. Nas demais áreas, o tempo segue firme, com calor e umidade baixa em pontos isolados.

Nordeste

O Nordeste terá chuva desde cedo no litoral da Bahia e na faixa entre Rio Grande do Norte e Sergipe. Ao longo do dia, as pancadas se espalham pelo interior, atingindo Maranhão, Piauí, Ceará e outras áreas da região.

Há risco de temporais principalmente entre Maranhão e Ceará, além do litoral norte da Bahia e áreas de Sergipe. Em parte de Pernambuco, a chuva ocorre com menor intensidade.

Norte: calor, umidade e pancadas intensas

Na região Norte, o calor e a alta umidade continuam favorecendo pancadas de chuva ao longo do dia. As instabilidades atingem grande parte dos estados, com possibilidade de chuva moderada a forte.

Há risco de temporais especialmente no Amapá e no nordeste do Pará. As temperaturas seguem elevadas, com sensação de abafamento predominando.

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Calor deve marcar fim de abril no Brasil


A segunda quinzena de abril deve ser marcada por temperaturas acima da média em grande parte do Brasil, segundo informações do Meteored. A previsão indica que episódios de frio mais intenso ainda devem demorar a ocorrer, com a atuação de uma área de calor persistente no país.

Na primeira metade do mês, entre os dias 1º e 13 de abril, as temperaturas se mantiveram próximas da média, com registro pontual de frio e ocorrência de geada na Serra Catarinense. As mínimas ficaram entre a média e ligeiramente acima na maior parte do território, enquanto as máximas apresentaram comportamento inverso, ficando um pouco abaixo da média.

Para o período entre 20 de abril e 4 de maio, o modelo ECMWF, utilizado pela Meteored, projeta temperaturas acima da média em todo o país, com anomalias que podem chegar a 6°C. “A previsão para a segunda quinzena de abril indica uma bolha de calor persistente e temperaturas essencialmente acima da média”, informa a análise.

A tendência aponta que apenas na virada do mês há sinal de temperaturas dentro da média no Rio Grande do Sul, o que pode indicar a atuação de uma massa de ar frio, ainda que sem intensidade suficiente para alterar o padrão predominante.

De acordo com o modelo, a área mais afetada pelo calor deve abranger o norte da Região Sul, a metade leste do Centro-Oeste e grande parte do Sudeste, com anomalias entre 3°C e 6°C acima da média. O restante do país também deve registrar temperaturas elevadas, variando entre 1°C e 3°C acima dos valores habituais.

Esse padrão tende a se manter nas próximas semanas, com expansão da área de calor entre os dias 27 de abril e 4 de maio. Em contrapartida, algumas regiões devem apresentar temperaturas próximas ou abaixo da média em períodos específicos, como a metade sul da Região Norte e o litoral do Nordeste.

A previsão indica que o comportamento das temperaturas está associado à distribuição das chuvas. A tendência é de redução das precipitações no centro-leste do país, abrangendo áreas do Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste.

Segundo a análise, a atuação de um sistema de alta pressão deve inibir a formação de chuvas, favorecendo o aquecimento. Já regiões com previsão de chuva acima da média tendem a registrar temperaturas mais próximas ou abaixo dos padrões climatológicos.

Apesar do predomínio de calor, a previsão não descarta episódios pontuais de frio. “A previsão de temperaturas acima da média não necessariamente quer dizer que não teremos frio nas próximas semanas”, destaca o boletim.

Nesses casos, o resfriamento deve ocorrer principalmente durante a noite e o amanhecer, enquanto as temperaturas voltam a subir ao longo do dia, mantendo o padrão geral acima da média.

Para o fim do período analisado, especialmente na semana entre 27 de abril e 4 de maio, o Rio Grande do Sul pode registrar temperaturas dentro da média, associadas à passagem de uma frente fria, conforme indicam os dados de precipitação.

 





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Trégua entre EUA e Irã derruba preço do petróleo


PODCAST Diário Econômico

No morning call desta quarta-feira (15), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que a sinalização de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã reduziu prêmios de risco e derrubou o petróleo. O Brent caiu 4,6% e o WTI quase 8%, enfraquecendo o dólar global e impulsionando bolsas em NY.

No Brasil, o Ibovespa renovou máxima histórica, com alta de 0,33%, e o dólar fechou em R$ 4,99. Juros recuaram com alívio inflacionário e fluxo estrangeiro seguiu sustentando ativos locais.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação

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Algodão brasileiro consolida salto de qualidade


A Abrapa divulgou, na sexta-feira (10), o relatório final de qualidade da safra 2024/2025. O documento apresenta um panorama da pluma brasileira após a análise da maior parte da produção nacional já colhida, beneficiada e classificada.

Segundo a entidade, foram avaliados 17,4 milhões de fardos por meio do sistema HVI (High Volume Instrument), o equivalente a cerca de 4,25 milhões de toneladas. O volume corresponde praticamente à totalidade da safra, dentro do programa SBRHVI, que reúne uma rede de 13 laboratórios e 90 equipamentos nos principais estados produtores.

Os dados indicam manutenção do padrão da fibra brasileira para a indústria têxtil. No indicador de resistência, 96,6% das amostras ficaram acima de 28 gf/tex. No comprimento da fibra, 94,2% do algodão apresentou medida igual ou superior a 1,11 polegada.

A uniformidade das fibras também se manteve dentro dos parâmetros, com 94,9% das amostras acima de 80%. O índice de fibras curtas registrou 80,8% dentro do limite considerado adequado, de até 10%. No quesito brilho, 85,6% do algodão apresentou padrão acima de 75, enquanto o grau de amarelamento permaneceu dentro dos parâmetros em 77,5% das amostras.

A análise também aponta avanço na distribuição do comprimento da fibra. Quase 80% da produção está concentrada nas faixas superiores, acima de 1,14 polegada, com aumento das categorias mais valorizadas em relação às safras anteriores.

No aspecto de coloração, predominam classes intermediárias e superiores, como 31 e 41, indicando padrão visual alinhado às exigências do mercado e menor presença de impurezas.

De acordo com o relatório, o desempenho está associado a fatores como investimento em tecnologia, melhoramento genético e padronização dos processos de beneficiamento e classificação.

Atualmente, toda a produção nacional passa por avaliação em HVI dentro do programa SBRHVI, o que, segundo a entidade, garante a confiabilidade das informações apresentadas.

Com a conclusão da análise da safra 2024/2025, os próximos relatórios da Abrapa devem passar a incorporar dados da temporada 2025/2026, que está em andamento. “A expectativa do setor é manter a trajetória de evolução, consolidando o Brasil como referência global não apenas em volume, mas também em qualidade de algodão.”





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Safra de café 26/27 pode chegar a 75,8 milhões sacas


A Hedgepoint Global Markets revisou as projeções para a safra brasileira de café 2026/27, indicando aumento na produção diante de condições climáticas favoráveis, expansão da área plantada e melhorias no manejo. A estimativa total é de 75,8 milhões de sacas, sendo 50,2 milhões de arábica e 25,6 milhões de conilon.

Segundo a consultoria, desde outubro as condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento das lavouras de arábica, principalmente em Minas Gerais e São Paulo. Apesar de volumes de chuva ligeiramente abaixo da média em 2025, a combinação com temperaturas amenas permitiu boa floração e o início do desenvolvimento dos grãos.

Nas principais regiões produtoras desses estados, as precipitações e o manejo contribuíram para a manutenção das lavouras em boas condições, com impacto também do aumento das áreas cultivadas.

Em 2026, durante a fase de enchimento dos grãos, as chuvas ficaram acima da média em fevereiro e março, favorecendo o ganho de peso e tamanho dos grãos. Esse cenário, aliado à expansão da área plantada, sustenta a projeção de 50,2 milhões de sacas de arábica, alta de 33,2% em relação à safra anterior.

Para o conilon, as condições climáticas também foram favoráveis, com chuvas regulares e temperaturas amenas ao longo do ciclo. O aumento de área e o uso de variedades mais produtivas, além de investimentos em manejo, contribuem para manter a produção em níveis elevados.

A estimativa para o conilon é de 25,6 milhões de sacas, o segundo maior volume já registrado no país, com recuo de 5,3% frente ao ciclo anterior. A colheita já começou em algumas áreas e deve avançar entre o fim de abril e o início de maio.

“O clima favorável ao longo do desenvolvimento da safra, combinado ao aumento de área e aos investimentos em manejo, resultou em cafezais em ótimas condições e sustentou a revisão dos números de produção para a temporada 26/27”, afirma Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.

De acordo com a consultoria, a safra 2026/27 deve começar com estoques iniciais mais elevados. As exportações do ciclo 2025/26 seguem abaixo do esperado, refletindo menor disposição dos produtores para vender diante da volatilidade dos preços e incertezas de mercado, além de impactos de tarifas aplicadas pelos Estados Unidos em 2025.

Para a nova temporada, a estrutura de mercado pode permanecer invertida, com contratos de curto prazo acima dos de longo prazo. Os custos financeiros mais elevados tendem a adiar a recomposição de estoques por parte de compradores, influenciando os fluxos globais de exportação, embora haja expectativa de aumento nos embarques brasileiros com base na maior oferta.

No mercado interno, a safra 2025/26 registrou maior uso de conilon nos blends, devido ao diferencial de preços em relação ao arábica. Para 2026/27, a tendência é de manutenção desse padrão, ainda que uma safra maior de arábica possa pressionar as cotações da variedade.

Os estoques iniciais também devem ser mais elevados para o conilon, com produtores capitalizados e menor urgência de venda após os preços registrados nos últimos anos.

Diante desse cenário, a consultoria revisou para baixo as exportações da safra 2025/26 e projeta recuperação em 2026/27, sustentada pela maior oferta e pela demanda global por robusta, favorecida por preços mais baixos em relação ao arábica.

A expectativa é de que os preços do robusta permaneçam menores nos próximos meses, influenciados pelo aumento da oferta no Brasil e pela perspectiva de maior produção em países como Vietnã e Uganda. O comportamento do mercado, no entanto, segue condicionado à evolução climática, incluindo a possibilidade de ocorrência de um evento de El Niño.





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Safra de milho tem desempenho irregular


De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira (9), a colheita de milho no Rio Grande do Sul avançou para 83% da área, ainda em ritmo inferior ao observado nas culturas de soja e arroz. As lavouras remanescentes estão distribuídas entre estádios reprodutivos (7%) e maturação (9%).

Segundo a entidade, o predomínio de tempo firme tem favorecido o avanço dos trabalhos nas áreas aptas, enquanto as lavouras tardias apresentam desenvolvimento adequado, mas ainda dependem de condições hídricas para a consolidação do enchimento de grãos.

A colheita restante em propriedades de menor escala ocorre de forma gradual, muitas vezes associada à secagem natural dos grãos no campo.

O relatório aponta que a variabilidade climática ao longo do ciclo, com irregularidade das chuvas e períodos de déficit hídrico, resultou em diferenças no desempenho produtivo. As perdas são mais evidentes em lavouras implantadas fora da janela preferencial ou conduzidas com menor nível tecnológico, enquanto áreas com melhor disponibilidade hídrica mantiveram desempenho satisfatório.

A Emater/RS-Ascar estima a área cultivada em 803.019 hectares e produtividade média estadual de 7.424 kg por hectare.

Na região administrativa de Bagé, a colheita avançou de forma pontual, concentrada em pequenas propriedades, onde ocorre de forma escalonada ou após maior permanência das lavouras no campo para redução da umidade. Em Quaraí, há registros de danos causados por javalis, com impacto na produtividade.

Na região de Caxias do Sul, a colheita apresentou avanço, embora as últimas áreas tenham registrado redução de rendimento em função da falta de umidade durante o desenvolvimento. As produtividades variam entre 7.200 e 9.000 kg por hectare.

Em Frederico Westphalen, o milho safrinha representa cerca de 5% da área e está majoritariamente em fase reprodutiva, com desenvolvimento heterogêneo em razão da irregularidade das precipitações.

Na região de Ijuí, 98% da área já foi colhida, com produtividade média em torno de 9.200 kg por hectare, restando áreas de safrinha em formação de grãos.

Em Pelotas, a colheita atinge 38% da área, com lavouras remanescentes em diferentes estágios, incluindo enchimento de grãos, florescimento e maturação. As condições de umidade do solo, ainda que desuniformes, têm contribuído para a manutenção do potencial produtivo.

Na região de Santa Rosa, 93% da área foi colhida, com o milho safrinha ainda em desenvolvimento vegetativo, floração e enchimento de grãos. Não há registros relevantes de pragas e doenças no período.

Em Soledade, a colheita do milho precoce está concluída em 61% da área cultivada, restando áreas pontuais em relevo acidentado e operações realizadas de forma escalonada após a secagem natural dos grãos. As lavouras implantadas em períodos intermediários e tardios permanecem em fases reprodutivas.





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