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Evento ocorre de 29 a 31 de outubro e tem como objetivo debater a implantação e a conservação de florestas ambientais e os avanços tecnológicos. A sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) sedia desde quarta-feira (29) o 8º Congresso Brasileiro de Reflorestamento Ambiental (CBRA 2025), numa promoção e realização do Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (CEDAGRO) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
O Congresso, que encerra hoje, tem como objetivo principal conhecer as experiências exitosas na implantação e conservação de florestas ambientais e os avanços tecnológicos, bem como discutir e sugerir alternativas de solução para os principais desafios que afetam o setor.
Gilmar Dadalto, presidente executivo da CEDAGRO e José Mauro Santana da Silva, professor da UFSCar agradeceram a receptividade da Faesp em sediar os três dias do Congresso e afirmaram que há muito trabalho a ser realizado entre o meio acadêmico e o setor privado, especialmente com a proximidade da COP30 e os olhares a respeito de sustentabilidade e Amazônia voltados ao Brasil.
O diretor 1º secretário da Faesp, Márcio Antônio Vassoler, representando o presidente do Sistema Faesp/Senar, saudou os presentes e disse que a entidade está de portas abertas para eventos dessa magnitude.
“Este é um evento importantíssimo ao meio acadêmico, aos produtores rurais e ao mercado privado. O meio ambiente é um tema que temos discutido a todo o momento e no qual o mundo está nos observando. Os debates nestes três dias de Congresso serão fundamentais ao avanço do reflorestamento, tema deste encontro, e poderão ajudar ainda mais nosso país na defesa dos nossos biomas e da sustentabilidade”, afirmou.
Estiveram presentes na abertura do 8º Congresso Brasileiro de Reflorestamento Ambiental, o superintendente do Senar-SP, Mário Biral, e José Luiz Fontes, coordenador do Departamento de Sustentabilidade da Faesp.
Elas acordam cedo, enfrentam a rotina da granja, equilibram família, trabalho e gestão — e transformam cada desafio em oportunidade. De norte a sul do país, histórias como as de Nayara, Diva, Helena, Rita e Vera mostram que a presença feminina no campo vai muito além do apoio: é liderança, inovação e sensibilidade em cada detalhe da produção.
Seja entre os pintinhos de um aviário, nas bandejas de ovos ou na gestão de uma granja, essas mulheres provam que o agro também tem alma feminina — e um futuro que floresce com suas mãos.
Nayara: do café à avicultura, com inovação e amor pelo campo
Criada na roça, Nayara Prates sempre teve o agro no sangue. Depois de formada, decidiu voltar para o interior e ajudar o pai na produção de café. Mas foi a busca por novas oportunidades que a levou a investir na avicultura integrada, unindo tradição e tecnologia.
Ela estudou sobre manejo, nutrição e sustentabilidade, até montar o próprio aviário — que hoje completa sete anos de atividade. “Eu amo o que faço. Ver o pintinho crescer e o lote se desenvolver é gratificante. Cada ciclo é um aprendizado novo”, conta.
Além da paixão, Naara também criou uma integração sustentável: usa a palha do café como cama para as aves e, depois, transforma a cama usada em adubo orgânico para os cafezais. “Tudo se conecta. É o campo se reinventando e ensinando a gente a cuidar melhor do que é nosso.”
Diva: trabalho em família e estabilidade na avicultura
A história de Divanir Benatti Martins, a Diva, é marcada por união e superação. Quando o irmão decidiu investir na avicultura, ela se juntou à família para construir os galpões e aprender sobre o manejo.
Hoje, são dois aviários climatizados que sustentam três famílias — um exemplo de organização e cooperação. “A gente sempre trabalhou junto, um ajudando o outro. E isso deu certo. A granja trouxe estabilidade e qualidade de vida para todo mundo”, afirma. Segundo Diva, o segredo está na presença diária.
“É um trabalho que exige atenção, porque o frango é um ser vivo. Cada detalhe faz diferença, e estar junto no dia a dia é essencial.”
Helena Tsuboy: tradição japonesa e disciplina em Bastos
Em Bastos (SP), a Granja Tsuboy é sinônimo de tradição e eficiência. Fundada na década de 1950 pelos pais de Helena, descendentes de japoneses, a granja cresceu com muito esforço e união familiar.
Hoje, ela atua na administração da produção de ovos, enquanto os irmãos cuidam do manejo e da fábrica de ração. “Meu pai sempre dizia que era preciso gostar do que se faz. E mesmo nas dificuldades, ele nos ensinou a ter disciplina e buscar alternativas”, lembra.
A palavra que define a trajetória da família é gaman — um termo japonês que significa persistência diante dos desafios. “Essa filosofia está presente em tudo o que fazemos. Trabalhar com ovos é rotina, é dedicação diária, e isso nos dá muito orgulho.”
Rita: maternidade e dedicação dentro da granja
A produtora RitaMoreira de Souza representa a nova geração de mulheres do agro, que concilia a rotina da granja com a maternidade. Após a perda do pai, ela assumiu a atividade junto com a mãe, enfrentando o desafio de aprender sobre energia, controle de temperatura e equipamentos.
“É uma responsabilidade grande, mas a gente se ajuda. Quando uma precisa sair, a outra fica de olho no lote. Nunca deixamos o aviário sozinho”, explica. Rita mostra que é possível equilibrar o cuidado com os filhos e o trabalho no campo.
“No começo foi difícil, mas hoje já me adaptei. É corrido, mas é gratificante. A avicultura nos trouxe segurança e estabilidade.”
Vera: da cidade ao campo, com olhar técnico e liderança
Depois de anos na cidade, Vera Lúcia Gobbi e o marido decidiram mudar de vida e realizar o sonho de montar uma granja. O início foi cheio de aprendizado, mas o amor pela atividade logo se transformou em resultado.
Atenta e experiente, ela identifica qualquer anormalidade no lote “no olhar e no ouvido”. “Nos primeiros dias é dedicação total. A gente aprende a entender o comportamento das aves e a corrigir rápido o que precisa.”
Hoje, Vera lidera a propriedade com confiança e já planeja expandir. “Cada ciclo é uma conquista. A granja nos deu orgulho, estabilidade e qualidade de vida. Produzir alimento é motivo de felicidade todos os dias.”
Protagonismo e futuro no campo
De diferentes regiões, idades e histórias, essas mulheres têm algo em comum: transformam desafios em oportunidades. Elas representam a força do campo brasileiro, onde o trabalho feminino gera renda, sustentabilidade e inovação.
Cada uma delas mostra que a presença da mulher na produção de alimentos vai além da rotina — é símbolo de gestão, sensibilidade e liderança.
O futuro do agro passa por mãos femininas que, com coragem e planejamento, seguem abrindo caminhos e inspirando novas gerações.
*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo
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O setor aéreo brasileiro terá acesso a seis novas linhas de financiamento com recursos do FNAC, conforme decisão publicada nesta quinta-feira (30/10) pelo Conselho Monetário Nacional. Os empréstimos, de até R$ 4 bilhões, terão juros entre 6,5% e 7,5% ao ano, a depender da modalidade.
As linhas incluem aquisição de aeronaves nacionais, manutenção de motores, infraestrutura logística e compra de combustível sustentável (SAF) produzido no Brasil. A iniciativa, segundo informações do Ministério de Portos e Aeroportos, visa reduzir os custos operacionais e ampliar a oferta de voos, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste.
Contrapartidas incluem voos na Amazônia e uso de SAF
Para ter acesso ao crédito, as empresas terão de cumprir contrapartidas ambientais e regionais. Entre as exigências está o compromisso com a aquisição de SAF que gere redução adicional de emissão de CO2 — superior à meta legal de 1% ao ano, até atingir 10%. Também será obrigatória a adesão ao Pacto da Sustentabilidade do MPor, com foco em ações ESG. Outro critério é o aumento de 30% na proporção de voos nas regiões da Amazônia Legal e do Nordeste em relação aos números de 2024. Durante o período de carência do empréstimo, as empresas não poderão ampliar a distribuição de lucros aos acionistas.
As linhas de crédito aprovadas incluem:
Aquisição de SAF nacional;
Manutenção de aeronaves;
Manutenção de motores;
Compra de aeronaves;
Pagamento antecipado de aeronaves;
Ampliação da infraestrutura logística.
Segundo o comitê gestor do FNAC, presidido pelo secretário Nacional de Aviação Civil, Daniel Longo, a estratégia é fortalecer a cadeia produtiva nacional da aviação, fomentar investimentos em inovação e ampliar o acesso a serviços aéreos em regiões menos atendidas.
Com a aprovação do CMN, o próximo passo será a regulamentação operacional para que as linhas de crédito possam ser acessadas pelas companhias. O impacto esperado inclui aumento da conectividade regional, estímulo à produção nacional de aeronaves e maior inserção do Brasil na agenda de descarbonização do setor aéreo global.
A produção artesanal de queijos em São Paulo vive um momento de forte expansão. Desde 2023, o número de produtores registrados no Serviço de Inspeção de São Paulo (Sisp) aumentou 300%, passando de seis novos registros em 2022 para 24 em 2025. Com quase 60 queijarias artesanais formalizadas e mais de cem indústrias queijeiras ativas, o estado se consolida como um dos grandes polos da queijaria brasileira.
Segundo dados da Associação Paulista do Queijo Artesanal (APQA), o setor movimentou R$ 21,84 milhões em 2024, reflexo direto da modernização do processo de formalização e do fortalecimento das propriedades familiares dedicadas à produção artesanal.
Digitalização facilita formalização de pequenos produtores
O Sisp Artesanal passou por um processo de modernização que vem transformando a realidade dos pequenos produtores. Com o sistema totalmente digitalizado e equipes especializadas em inspeção artesanal dentro da Defesa Agropecuária, o governo paulista tem ampliado o acesso à formalização, garantindo mais segurança e qualidade nos produtos.
A iniciativa busca valorizar o trabalho no campo e estimular o crescimento sustentável de empreendimentos familiares que preservam técnicas tradicionais e fortalecem a economia rural.
Atualmente, o Sisp Artesanal reúne 234 estabelecimentos registrados no estado, abrangendo diferentes cadeias produtivas:
100 voltados à produção de lácteos;
94 de carnes;
21 de mel;
12 de ovos;
7 de pescados.
O programa tem papel essencial na formalização de pequenos negócios rurais, assegurando qualidade, rastreabilidade e valorização de produtos típicos paulistas.
O crescimento do setor vem acompanhado de um novo movimento de valorização dos queijos paulistas: o lançamento das Rotas do Queijo de São Paulo.
A iniciativa, coordenada pela Casa Civil em parceria com as secretarias de Turismo e Viagens, Agricultura e Abastecimento, Cultura e Economias Criativas, Desenvolvimento Econômico e Invest SP, reúne 102 queijarias distribuídas em 77 municípios, organizadas em oito rotas temáticas.
O projeto será apresentado durante o Mesa SP 2025 e tem como objetivo promover os queijos paulistas nos mercados interno e internacional, conectando produtores, turistas e consumidores em experiências que unem gastronomia, cultura e turismo rural.
Produtores premiados ganham espaço no mercado
Um exemplo do novo perfil de produtor é o da Estância Silvânia, em Caçapava, conduzida por Camila Almeida e o marido. Em 2025, o casal conquistou três medalhas de ouro no Mondial du Fromage, principal competição mundial de queijos e laticínios.
Com o registro no SISP Artesanal, obtido após a simplificação do sistema, a Estância ampliou sua presença no mercado e garantiu mais segurança ao consumidor.
“Sempre tivemos o sonho de levar nossos queijos para todo o Estado. Já conquistamos prêmios importantes, inclusive internacionais, mas a comercialização era limitada ao município. Com o registro artesanal, finalmente podemos ampliar nosso mercado e chegar a novos consumidores. E agora estamos muito felizes em integrar a Rota do Queijo”, afirma Camila.
Modernização da legislação impulsiona o setor
As resoluções SAA nº 63 e nº 52, de 2023, modernizaram o Sisp e simplificaram o registro de produtores artesanais de alimentos de origem animal. A criação de uma equipe especializada em inspeção artesanal e o uso do sistema Gedave, que permite o cadastro digital e prazos mais ágeis, tornaram o processo menos burocrático e mais acessível.
Segundo o secretário de Agricultura e Abastecimento, Guilherme Piai, as mudanças refletem um esforço conjunto do Governo de São Paulo para valorizar o produtor rural e promover os alimentos paulistas.
“Estamos construindo um ambiente que une qualidade, inovação e identidade. Nossos queijos são reconhecidos no mundo todo e representam o melhor da agricultura paulista: trabalho, tradição e excelência”, destaca Piai.
O primeiro fim de semana de novembro será marcado por chuva forte e risco de temporais em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, segundo alerta da Climatempo. O volume acumulado pode ultrapassar 100 milímetros em algumas regiões, com potencial para alagamentos, enxurradas e queda de energia, inclusive nas capitais São Paulo, Curitiba e Campo Grande.
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De acordo com a meteorologista Josélia Pegorim, o tempo instável não será causado por uma frente fria, mas pela combinação de calor intenso, alta umidade e ventos em diferentes níveis da atmosfera, que favorecem a formação de nuvens carregadas. “Essas condições vão permitir o desenvolvimento de áreas de instabilidade fortes e duradouras ao longo do fim de semana”, explica.
Neste sábado (1º), a chuva mais intensa deve se concentrar no oeste e centro-norte do Paraná, no centro-sul e leste de Mato Grosso do Sul e no oeste e sul paulista, especialmente nas regiões de fronteira com o Paraná. Nas demais áreas dos três estados, são esperadas pancadas moderadas a fortes à tarde e à noite. A Climatempo também prevê temporais localizados nas capitais.
Domingo deve ter chuva forte em São Paulo
No domingo (2), a circulação de ventos muda, espalhando as áreas de instabilidade sobre o estado de São Paulo. O risco de chuva intensa e temporais aumenta em praticamente todas as regiões paulistas, com possibilidade de grande volume acumulado e transbordamento de córregos em áreas urbanas.
Volumes de chuva e orientações
Entre sábado e domingo, o acumulado deve variar entre 50 e 100 mm na maior parte dos três estados. Em alguns pontos, os volumes podem ultrapassar 100 mm, segundo a Climatempo.
A meteorologista reforça que o cenário exige atenção da população:
“Com a chuva forte e persistente, há risco de alagamentos, quedas de árvores e até enchentes repentinas. É importante acompanhar os alertas da Defesa Civil e evitar áreas de risco durante os temporais”, orienta Pegorim.
A renda dos trabalhadores da agropecuária cresceu 6,5% no trimestre encerrado em setembro, segundo dados divulgados na sexta-feira (31) pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE. O resultado, somado à expansão do emprego no campo, ajudou a sustentar o bom desempenho do mercado de trabalho brasileiro em 2025.
O rendimento médio dos trabalhadores do setor chegou a R$ 2.198, impulsionado pela melhora na produtividade e pela valorização de alguns produtos agrícolas. Além disso, o número de pessoas ocupadas na agropecuária aumentou 3,4% no trimestre — o equivalente a mais 260 mil trabalhadores.
“A agropecuária foi um dos motores da ocupação neste trimestre, contribuindo para compensar perdas observadas no comércio e nos serviços domésticos”, explicou Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE.
Renda total do trabalho atinge recorde
A massa de rendimento real dos trabalhadores brasileiros alcançou R$ 354,6 bilhões, novo recorde da série histórica, refletindo tanto o aumento do rendimento médio quanto o elevado nível de ocupação. Na comparação com o mesmo período de 2024, houve alta de 5,5%.
Entre os setores, além da agropecuária, também registraram aumento de renda:
Construção: +5,5%
Administração pública, saúde e educação: +4,3%
Serviços domésticos: +6,2%
Mesmo com estabilidade no número total de trabalhadores, o crescimento do rendimento real mostra, segundo o IBGE, “a continuidade da melhora das condições do mercado de trabalho ao longo de 2025”.
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O valor de referência do leite projetado para outubro de 2025 no Rio Grande do Sul é de R$ 2,2163 por litro, conforme divulgado em reunião do Conseleite/RS, realizada na sede da Farsul no dia 28 de outubro. O dado representa uma redução de 4,26% em relação ao valor projetado de setembro. Segundo informações da Farsul, o consolidado de setembro fechou com o litro a R$ 2,3235, o que corresponde a uma queda de 2,62% frente ao indexador de agosto, de R$ 2,3861.
Durante o encontro, produtores e representantes da indústria debateram os desafios enfrentados pelo setor. As principais preocupações giram em torno do desequilíbrio da balança comercial de lácteos no Brasil, que segue sendo impactada pela entrada de produtos importados e pela dificuldade em ampliar as exportações. “É um assunto que preocupa e precisamos nos unir para buscar alternativas. A relação entre compras e vendas internacionais de produtos lácteos é o caminho da estabilidade interna que a cadeia leiteira tanto espera”, afirmou o coordenador do Conseleite, Darlan Palharini, em declaração reproduzida pela Farsul.
O coordenador adjunto do Conseleite/RS e da Comissão do Leite e Derivados da Farsul, Allan Tormen, destacou a apreensão dos produtores diante da queda de preços no Leite UHT e no queijo muçarela, produtos que concentram parte relevante da produção estadual. De acordo com Tormen, o Leite UHT registrou uma redução de 8,29% em relação ao mês anterior. “Isso tem deixado a gente bastante preocupado. A situação é conjuntural e estrutural. Hoje temos uma oferta, no estado e no Brasil, mais alta”, explicou.
Tormen, que também preside o Sindicato Rural de Erechim, atribuiu o movimento de queda a dois fatores principais: o aumento sazonal da produção e a entrada de produtos importados do Mercosul. “Como entendemos que o mercado é soberano, com a questão da oferta e demanda há esse movimento de pressão dos preços para baixo”, salientou o dirigente. Ainda segundo ele, a Farsul e a CNA solicitaram ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio agilidade na análise do pedido de antidumping, apresentado pelo setor.
A borra de café, um dos resíduos mais comuns do dia a dia, ganhou um novo destino sustentável nas mãos do corretor de proteína animal Luiz Zolet. Durante a pandemia da covid-19, ele desenvolveu um projeto inovador que transforma o resíduo em biomassa em forma de pellets, produto que pode substituir a lenha e gerar créditos de carbono.
A ideia surgiu em 2019, no Paraná, e deu origem à Bricoffee, empresa criada oficialmente em março de 2022. O projeto faz parte de um movimento crescente no país em busca de soluções sustentáveis e alternativas energéticas com menor impacto ambiental.
Do lixo ao combustível limpo
A inspiração para o negócio veio de forma inusitada. Ao recolher o lixo de uma vizinha, Zolet percebeu que a borra de café, após seca, ainda tinha potencial de reaproveitamento. A partir daí, começou uma série de testes e pesquisas para entender como transformar o resíduo em algo útil.
“Cerca de 8 mil toneladas de borra de café são descartadas todos os dias no Brasil. É um volume muito grande para ter como destino apenas o aterro sanitário”, explica Zolet.
Depois de tentativas frustradas de separar o óleo do resíduo, um processo que se mostrou economicamente inviável , o empresário descobriu que a borra poderia ser utilizada para a produção de pellets, também conhecidos como lenhas ecológicas.
Com apoio de uma incubadora de empresas e incentivo financeiro do governo do Paraná, a Bricoffee iniciou a fabricação da biomassa a partir da borra de café instantâneo. O produto é destinado a indústrias, comércios e residências, substituindo a lenha tradicional e reduzindo o desmatamento.
“A decomposição da borra de café leva de 50 a 60 dias. Com os pellets, tiramos do meio ambiente um passivo ambiental e o transformamos em biocombustível limpo”, destaca o fundador.
Patente e expansão
Em 2022, a Bricoffee registrou pedido de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), com base na inovação do processo de peletização e extrusão do resíduo.
Segundo Zolet, o método permite o reaproveitamento de subprodutos agrícolas, agroindustriais e florestais, resultando em um combustível sólido de alto poder calorífico, superior ao de madeiras como pinus e eucalipto.
Em agosto de 2024, a empresa transferiu sua sede para Varginha (MG), cidade reconhecida pela forte produção de café. A mudança tem o objetivo de facilitar o acesso à matéria-prima, já que o volume necessário para produção é alto e a região concentra grandes fornecedores.
Atualmente, a Bricoffee tem capacidade de produzir 12 toneladas de pellets por dia. O plano, segundo Zolet, é expandir a estrutura e instalar uma nova linha de produção até junho de 2026, elevando a capacidade para 25 toneladas diárias.
“Nossa expectativa é reduzir de forma significativa os resíduos de café e ampliar a geração de energia limpa. Queremos mostrar que inovação e sustentabilidade podem andar juntas”, afirma.
Energia limpa e economia circular
Imagem: Divulgação/Bricoffee
Os pellets produzidos pela Bricoffee têm aplicação em fornos industriais, aquecimento de aviários, hotéis, clubes e residências. Por substituir a lenha convencional, o produto ajuda a evitar o desmatamento e se insere em um modelo de economia circular, em que resíduos se transformam em novas fontes de valor.
A iniciativa também reforça o papel do Brasil no mercado de créditos de carbono, um sistema de incentivo criado em 1997 para estimular práticas sustentáveis.
Estimativa apresentada pela Agrinvest no Simpósio Sindiadubos NPK 2025 é fechar o ano com 48,2 milhões de toneladas, alta de 1% sobre 2024, porém com redução de nutrientes
Apesar do ano desafiador, o Brasil deve fechar 2025 com entregas de 48,2 milhões de toneladas de fertilizantes, segundo projeção apresentada pela Agrinvest na 19ª edição do Simpósio Sindiadubos NPK 2025, nesta quinta-feira (30), em Curitiba. O evento reuniu 1,1 mil participantes de diversos estados e do exterior. “Já está consolidado que será um volume recorde de produtos. Ainda falta confirmar alguns dados, mas, neste momento, enxergamos um aumento de 1% em relação a 2024”, afirma o engenheiro agrônomo Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest.
Apesar da expectativa do resultado histórico em 2025, o mercado registrou um comportamento atípico, segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos-PR), Aluisio Schwartz Teixeira. “Não há dúvida que o volume de fertilizantes entregue vai aumentar este ano, mas houve uma modificação nas importações: os preços vieram subindo paulatinamente e, por questão de custo, com as margens apertadas, o produtor brasileiro comprou produtos com menor concentração de nutrientes, principalmente da China”, aponta. De acordo com o presidente do Sindiadubos, as exportações chinesas de fertilizantes supersimples para o Brasil dobraram de um ano para outro (de 300 mil para 600 mil toneladas), as de NP (com nitrogênio e fósforo) saltaram de 900 mil para 2 milhões de toneladas e as de sulfato de amônio (com nitrogênio e enxofre) registraram um incremento de 1,5 milhão de toneladas.
“O Brasil está importando grandes quantidades de produtos menos concentrados, ou seja, precisa de grandes volumes para suprir suas necessidades. Projetamos queda em fósforo e a dúvida é se teremos crescimento nas entregas de nitrogênio e potássio neste ano”, comenta o analista da Agrinvest. Atualmente, o País importa mais de 85% da demanda de fertilizantes, principalmente da Rússia, China, Canadá e Irã. Porém, mesmo com a diminuição dos nutrientes, Souza avalia que o Brasil não deverá enfrentar problemas de produtividade. “Estamos reduzindo as doses de P2O5 (fósforo) sobre o solo brasileiro, mas temos algumas reservas de fósforo, já que nossos solos tiveram bons abastecimentos nos últimos anos”, pondera Souza.
Desafios e perspectivas
O grande volume de fertilizantes importados da China em curto espaço de tempo gerou longas filas para descarregamento no Porto de Paranaguá este ano, com espera média de 60 dias. “Isso gerou um gargalo na logística portuária, com demurrage de US$ 20 a US$ 25 por dia”, cita o presidente do Sindiadubos-PR. Conforme Teixeira, outra dificuldade que o setor enfrentou foram as altas taxas de inadimplência dos produtores rurais. Além disso, ele salienta que a mudança na legislação do frete, com aplicação de multas para descumprimento da tabela da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) também afetou o desempenho da indústria de fertilizantes.
Apesar do cenário desafiador, as perspectivas para o setor são otimistas. “As empresas de fertilizantes continuam investindo forte e abrindo novos polos. Até agora o Brasil não tem sofrido nenhum tipo de sanção comercial, aceita fertilizantes do mundo todo e consegue aumentar a produção de grãos sem desmatamento, em áreas de pastagens degradadas”, sinaliza o presidente do Sindiadubos. Por isso, ele acredita que o patamar de 50 milhões de toneladas de fertilizantes entregues no Brasil, previsto para 2050, seja atingido até 2028.
As vendas de flores para o Dia de Finados devem crescer 7% neste ano, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor). A data, celebrada em 2 de novembro, representa cerca de 3% do comércio anual do setor e continua sendo uma das mais importantes para os produtores.
De acordo com o Ibraflor, o fato de o feriado cair em um domingo deve impulsionar o movimento, já que mais famílias conseguem visitar os cemitérios. Outro fator que vem ganhando força é o hábito de levar flores para casa, varandas ou locais que lembram os entes queridos.
“As pessoas querem manter um vínculo simbólico com quem já partiu”, explica Renato Opitz, diretor do Ibraflor.
Preferência por flores em vasos
Entre as espécies mais procuradas estão os crisântemos e os kalanchoes. Ambas têm boa durabilidade e exigem poucos cuidados, o que facilita o transporte e a manutenção. As cores mais vendidas continuam sendo o branco e o amarelo, associadas à paz e à lembrança.
Produtores também apostam em novidades. Em Holambra (SP), a produtora Maritha Domhof espera aumento de 5% nas vendas em relação a 2024. Ela lançou uma variedade bicolor de crisântemo e ampliou a oferta de flores rosas, voltadas às homenagens às avós.
Na propriedade dela devem ser comercializados cerca de 60 mil vasos nas semanas que antecedem a data.
Novo perfil de consumo
A demanda por kalanchoes também vem crescendo. O produtor Luciano Rios, especializado na variedade mini, afirma que o Dia de Finados se tornou uma nova oportunidade de venda. “Até poucos anos atrás, quase não havia procura. Hoje, o interesse aumentou mais de 30%, e já vendemos toda a produção, de 280 mil vasos”, relata.
Para o Ibraflor, essa mudança no comportamento do consumidor reflete uma adaptação do mercado. “As flores seguem como símbolo de respeito e saudade, seja no cemitério ou em casa”, conclui Opitz.