quinta-feira, agosto 6, 2026

Agro

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União Europeia elogia avanços do agro brasileiro e propõe parceria sustentável


O conselheiro da União Europeia no Brasil, Laurent Javaudin, marcou presença no Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP 2024), promovido pelo Canal Rural em Cuiabá, Mato Grosso, nesta segunda-feira (9).

Em sua apresentação, coube ao adido esclarecer pontos do Pacto Ecológico Europeu (Green Deal) que, por vezes, é questionado por atores do agronegócio brasileiro frente às exigências ambientais na importação de commodities.

“Temos muitas políticas na União Europeia para lidar com desafios ambientais, como estratégias de biodiversidade, ambição de zero emissões de CO2, redução do uso de pesticidas e de fertilizantes químicos, substituindo-os por biopesticidas e biofertilizantes. Além disso, focamos em metas de zero desmatamento”, afirmou.

Javaudin salientou que as regras do Green Deal são voltadas, inicialmente, para o próprio mercado europeu. “Apenas depois dessa implementação interna é que aplicamos essas mesmas regras para os países dos quais nós importamos produtos”.

Papel do Brasil na segurança alimentar

Laurent Javaudin FIAP 2024Laurent Javaudin FIAP 2024
Laurent Javaudin. Foto: Reprodução Canal Rural

Durante a apresentação, o conselheiro fez questão de ressaltar, por mais de uma vez, o respeito que o bloco econômico possui pela soberania nacional.

“A Europa não quer interferir no Código Florestal brasileiro. São as regras de vocês e o que acontecerá no Brasil será definido por brasileiros”.

De acordo com ele, a União Europeia também incentiva os seus produtores rurais a investirem em biodiversidade e a pouparem suas áreas florestais. “Todos nós concordamos que produtores rurais vivem na natureza e da natureza. Neste ponto, estamos, realmente, na mesma página”.

Além disso, Javaudin reconheceu que a evolução da agricultura brasileira nos últimos 50 anos foi primordial para que metas de fome zero até o ano de 2030, tal qual o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 2 (ODS 2) da Organização das Nações Unidas prega fossem mais palpáveis.

“Se vocês não tivessem feito todo esse avanço, a discussão sobre segurança alimentar mundial seria muito mais complexa. Ao mesmo tempo, todo o globo está ameaçado pelas mudanças climáticas que, por sua vez, reduzem a produtividade dos alimentos, assim como gera perda de biodiversidade, colocando em risco o alcance do ODS número 2″.

Além do Brasil, o conselheiro também salientou que a União Europeia detém grande responsabilidade com a segurança alimentar global. “Exemplo disso é que 60% do trigo que produzimos é encaminhado para o norte da África e 26% para o sul daquele continente. Ao mesmo tempo, o Green Deal se propõe a destinar oito bilhões de euros para ajudar outros países a desenvolver os seus próprios sistemas de produção sustentável”.

Segundo ele, tais propósitos e muitos outros que dizem respeito ao desenvolvimento sustentável do planeta foram assinados pelo Brasil, pelos Estados Unidos, pela União Europeia e por muitos outros países em acordos internacionais. “Isso quer dizer que temos uma mentalidade muito mais similar do que as pessoas imaginam”.

Adaptação brasileira ao Green Deal

O conselheiro da União Europeia ressaltou durante o FIAP 2024 que o Green Deal é, basicamente, a implementação regional da agenda global de conservação e produtividade sustentável.

A respeito das imposições do pacto ecológico europeu, Javaudin afirmou que foram pensadas para os piores cenários. “Estabelecemos essas regras pensando em países que não possuem código florestal, que não têm cadastro ambiental, imagens de satélite ou outros mecanismos de controle. Nesse cenário, o Brasil está muito bem situado frente a tudo o que vem desenvolvendo nos últimos anos. Então, digo: podemos fazer juntos esse pacto acontecer e ser um sucesso para todos nós”, finalizou.

O FIAP 2024 é apoiado por diversas entidades, incluindo a CNA, Sistema Famato, CNI e CropLife, com patrocínios da JBS, Apex Brasil, John Deere, Senar MT e apoio de conteúdo da CNN Brasil.

Assista o evento na íntegra:



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Pecuaristas de excelência são celebrados com o Prêmio 10 Anos do Giro do Boi



O Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP 2024) não só trouxe discussões inovadoras para o futuro da pecuária, como também celebrou o marco de uma década do Giro do Boi, um programa dedicado a unir os elos da cadeia produtiva da carne bovina no Brasil.

Desde sua criação, o Giro do Boi tem sido uma plataforma essencial para educar e informar pecuaristas sobre as melhores práticas e inovações do setor, e agora, alcançou um público ainda maior através de suas plataformas digitais.

Prêmio Giro do Boi: reconhecimento à excelência

Como parte das comemorações pelos 10 anos do programa, foi realizada a entrega do Prêmio Giro do Boi, destacando casos de sucesso na produção pecuária. Cinco fazendas foram homenageadas por sua contribuição excepcional ao setor:

1. Sustentabilidade e pecuária responsável – Fazenda Caruru, Nova Monte Verde-MT  

Sob a liderança de Miguel e Traute Rech, a Fazenda Caruru foi reconhecida por seu projeto Caruru 1000, que foca em dobrar a quantidade de matrizes mantendo a área existente. A iniciativa destaca o uso de práticas de pecuária e agricultura regenerativa, juntamente com uma gestão eficiente e foco no bem-estar animal.

2. Saúde e Bem-Estar Animal – Grupo Matsumoto, Camapuã-MS

Conhecido pelo engajamento e inovação, o Grupo Matsumoto, em parceria com o professor Paranhos e a BE Animal, recebeu destaque por sua dedicação à saúde e bem-estar animal, se destacando com práticas exemplares dentro do Programa Fazenda Nota 10.

3. Melhor Resultado por Hectare (R$/ha/ano) – Fazenda Cigana, Campestre-MG  

A Fazenda Cigana, liderada por Chico Boiada e a filha Ana Paula, é um exemplo de produtividade e rentabilidade, combinando técnicas inovadoras e sustentabilidade, como compostagem e parcerias agrícolas, resultando em um retorno financeiro robusto.

4. Mais Produtividade (arrobas/hectare) – Fazenda Bela Vista, Braúna-SP

Focada na pecuária intensiva em sistema de confinamento, a Fazenda Bela Vista é reconhecida por sua alta produtividade e compromisso contínuo com a otimização de seus processos de produção.

5. Conteúdo Mais Visto – Fazenda Jandaia, Ribeirão Cascalheira-MT

Dona Elza e João Guilherme Gomes foram homenageados pelo conteúdo mais acessado no site Canal Rural, refletindo seu impacto e popularidade dentro da comunidade pecuária.

Uma década de impacto

O Giro do Boi, exibido diariamente pelo Canal Rural, transformou-se ao longo dos anos em uma poderosa ferramenta de comunicação para o setor agropecuário, com significativa presença digital e influência sobre milhares de pecuaristas em todo o Brasil.

O prêmio apenas reafirma o compromisso do programa em promover o conhecimento e a excelência no campo, contribuindo para a evolução da pecuária nacional.

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Brasil define suas estratégias para garantir uma produção de gado sustentável



No Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP 2024), as estratégias do Brasil para construir um futuro mais sustentável na pecuária foram amplamente debatidas. Sob a mediação de Bruno Lucchi, diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), diversos especialistas apresentaram soluções inovadoras que reforçam o papel do país como líder global na produção pecuária.

Renata Branco, coordenadora do Neutropec, apresentou iniciativas pioneiras para enfrentar as emissões de metano na pecuária. Com sede no Instituto de Zootecnia, o Neutropec desenvolve tecnologias para alcançar a neutralidade de carbono na pecuária tropical.

“A intensificação da produção pecuária é a principal coisa para que a gente consiga reduzir as emissões de metano. Intensificamos como? Com a fertilidade dos rebanhos, sanidade, melhoramento genético e bem-estar animal.”

Renata Branco

Dentre as principais soluções estão o uso de aditivos alimentares, algas marinhas e melhoramento genético, que mostram potencial para reduzir significativamente as emissões sem comprometer o desempenho animal.

Recuperação de pastagens: uma estratégia sustentável

Carlos Augustin, assessor especial do Ministério da Agricultura, destacou a necessidade de recuperar 40 milhões de hectares de pastagens degradadas nos próximos dez anos. A meta é converter terras improdutivas em áreas agricultáveis, aumentando a eficiência sem desmatamento adicional. 

“A coisa bonita deste programa é que inicialmente nós achávamos que isso [a demanda por recuperação de pastagens degradadas] somente estava nos grandes produtores. Não é verdade. tem 20% nos grandes produtores, 45% nos médios e 35% nos pequenos produtores distribuído em todo o Brasil. O Banco do Brasil tem um requerimento de R$ 1 bilhão já pronto para ser aplicado.”

Carlos Augustin

Este esforço visa responder à crescente demanda global por alimentos, alinhada à previsão da FAO de um aumento de 70% na oferta de alimentos até 2050.

Rastreabilidade da carne: garantia de sustentabilidade

Fernando Sampaio, diretor de sustentabilidade da ABIEC, enfatizou a rastreabilidade como um componente crucial para o futuro do setor. Com o Brasil na liderança global de carne bovina, assegurar a origem e os atributos ambientais da produção é vital para a sustentabilidade.

“A rastreabilidade é uma infraestrutura de informação. E para que serve essa infraestrutura de informação? O Brasil tem muita informação, mas é uma informação que está dispersa em um monte de propriedades.”

Fernando Sampaio

Segundo Sampaio, cada uma das 27 Unidades da Federação informam o trânsito dos animais, no entanto, não há um sistema que unifique essas informações.

A rastreabilidade não só facilita o controle e a transparência, mas também é essencial para manter a posição do Brasil nos mercados internacionais e atender às exigências de consumidores cada vez mais conscientes.

Transição para uma pecuária mais sustentável

O FIAP 2024 reafirma o compromisso do Brasil em liderar a transição para uma pecuária mais sustentável, evidenciando práticas que não apenas garantem a produtividade, mas também priorizam a responsabilidade ambiental e social.

Estas iniciativas sublinham a importância da inovação e cooperação internacional para alcançar uma pecuária eficiente e sustentável em um mundo em constante mudança.

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veja como ficaram as cotações internas e em Chicago


Os preços da soja apresentaram firmeza no Brasil nesta segunda-feira (9). A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) teve boa alta e o dólar, leve queda.

Ao longo do dia, a moeda estadunidense concedeu suporte positivo às cotações brasileiras. Ainda assim, não foram reportados negócios expressivos na sessão.

Preço médio da soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 133 para R$ 136
  • Região das Missões: aumentou de R$ 132 para R$ 135
  • Porto de Rio Grande: avançou de R$ 139 para R$ 142
  • Cascavel (PR): valorizou de R$ 132 para R$ 135
  • Porto de Paranaguá (PR): cresceu de R$ 140 para R$ 143
  • Rondonópolis (MT): subiu de R$ 132 para R$ 133
  • Dourados (MS): aumentou de R$ 127 para R$ 130
  • Rio Verde (GO): valorizou de R$ 126 para R$ 130

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a segunda-feira em alta. Após as perdas da sexta, o dia foi de cobertura de posições vendidas por sinais de demanda pela soja norte-americana e pelo desempenho de outros mercados.

Os agentes começam a se posicionar frente ao relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado na quinta (12).

Relatório USDA

O Departamento deverá elevar as suas estimativas para a safra e os estoques finais de soja dos Estados Unidos em 2024/25. Analistas consultados pelas agências internacionais apostam em estoques estadunidenses de 578 milhões de bushels em 2024/25.

Para 2023/24, o mercado aposta em número de 343 milhões de bushels. Em agosto, a previsão do USDA era de 560 milhões e 345 milhões, respectivamente.

Para a produção, o mercado espera um número de 4,609 bilhões de bushels para 2024/25. Em agosto, o Departamento apontou safra de 4,589 bilhões de bushels.

Em relação ao quadro de oferta e demanda mundial da soja, o mercado aposta em estoques finais 2024/25 de 134,2 milhões de toneladas. Em agosto, o número ficou em 134,3 milhões.

Para 2023/24, a expectativa do mercado é de número de 112,1 milhões, abaixo dos 112,4 milhões indicados no mês passado.

Os exportadores privados norte-americanos reportaram ao USDA a venda de 132.000 toneladas de soja para a China, para entrega na temporada 2024/25.

As inspeções de exportação norte-americana de soja chegaram a 354.166 toneladas na semana encerrada no dia 5 de setembro. Na semana anterior, as inspeções de exportação de soja haviam atingido 502.444 toneladas.

No final do dia, será divulgado o boletim com as condições das lavouras americanas. O mercado aposta em um corte de 2 pontos percentuais no índice de lavouras entre boas e excelentes condições para 63%.

Contratos futuros da soja

cotação preço soja queda Chicagocotação preço soja queda Chicago
Foto: Reprodução

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro fecharam com baixa de 13,00 centavos de dólar, ou 1,29%, a US$ 10,18 por bushel. A posição janeiro teve cotação de US$ 10,35 1/2 por bushel, com ganho de 13,00 centavos ou 1,27%.

Nos subprodutos, a posição dezembro do farelo fechou com alta de US$ 0,60 ou 0,18% a US$ 325,00 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro fecharam a 40,48 centavos de dólar, com baixa de 0,85 centavo ou 2,14%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,21%, sendo negociado a R$ 5,5796 para venda e a R$ 5,5776 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,5751 e a máxima de R$ 5,6401.



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‘Se não estivermos nas discussões, novas regras e imposições virão’, diz Blairo Maggi sobre o G20



O Grupo de Trabalho G20 Agro, que reunirá autoridades dos 20 países do bloco e mais dez países convidados, ocorrerá entre os dias 10 e 13 de setembro, em Chapada dos Guimarães (MT).

O Brasil sediar o G20 é considerado uma oportunidade para a construção de uma narrativa verdadeira e correta sobre o potencial do país, ao mesmo tempo em que se analisa o que ainda precisa ser feito e se realizam novas negociações e acordos.

Confira na palma da mão informações quentes sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no WhatsApp!

Rico em produção de grãos e fibras, batendo recordes de safra a cada ano e detentor do maior rebanho bovino do país, com mais de 31 milhões de cabeças, Mato Grosso foi eleito o local ideal para sediar, entre os dias 10 e 13 de setembro, os debates do G20 Agro no Brasil. O encontro será realizado em Chapada dos Guimarães.

Para o ex-ministro da Agricultura e Pecuária, Blairo Maggi, o “G20 é uma grande oportunidade de produzir o que está faltando e realizar novas negociações e acordos”.

Durante o Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP 2024), promovido pelo Canal Rural em Cuiabá (MT) nesta segunda-feira (9), Maggi destacou ainda que “se não estivermos presentes nas discussões, novas regras e imposições virão”.

Entre as principais pautas do Grupo de Trabalho da Agricultura, a serem debatidas em Mato Grosso, conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), estão a sustentabilidade nos sistemas agroalimentares em seus múltiplos aspectos e a ampliação da contribuição do comércio internacional para a segurança alimentar e nutricional.

O atual ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou que este é um momento propício para o Brasil assumir a presidência do G20, com foco em construir um mundo mais justo e sustentável. Segundo ele, o tema escolhido pelo país “é muito importante, uma vez que não existe inclusão melhor do que o combate à fome“.

O G20 Agro reunirá autoridades dos 20 países do bloco e mais dez países convidados e é considerado o grupo de trabalho com a maior adesão.

G20 Agro em Mato Grosso

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, ressaltou, durante o FIAP 2024, a importância da realização do G20 da Agricultura em Mato Grosso.

O estado possui 903.357 quilômetros quadrados de extensão territorial e abriga os biomas Cerrado, Amazônia e Pantanal. É cortado por seis rodovias federais, sendo a BR-163 a principal via de escoamento, ligando o norte e o sul do estado aos portos de Santos (SP), Paranaguá (PR) e Miritituba (PA).

“Mato Grosso sempre foi muito importante para o Brasil e, hoje, é importante para o mundo. O Brasil sediar o G20 é uma oportunidade de construir uma narrativa verdadeira e correta sobre o potencial incrível deste país”, afirmou Viana.

Soluções sobre sustentabilidade alimentar

O FIAP – Fórum Internacional da Agropecuária é um side event do G20 Agro, que trouxe discussões profundas sobre o setor, com as principais referências do agronegócio brasileiro e mundial.

Durante o evento, o B20, representando a iniciativa privada dos países do G20, lançou um conjunto de recomendações que prometem impulsionar uma transformação significativa nos sistemas alimentares globais. O documento foi oficialmente entregue ao ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

Entre as contribuições estão o aumento da produtividade, a liberação de recursos financeiros e uma maior participação das tradings como agentes financiadores.

Também foi entregue ao ministro da Agricultura e Pecuária e aos chefes de delegação do G20 Agro uma carta magna, desenvolvida pelos embaixadores do FIAP, Teka Vendramini, integrante do Conselho Consultivo do B20 Brasil, e o professor Dr. José Luiz Tejon, da Audencia França e Fecap Brasil, reunindo todas as contribuições discutidas nos painéis do FIAP. O documento mostra quais são os próximos passos e como o Brasil precisa se posicionar para ser protagonista na produção de alimentos e na segurança alimentar do planeta.

Código Florestal global e Green Deal

O Pacto Ecológico Europeu, chamado de Green Deal, que traz uma série de medidas sociais e comerciais a fim de alcançar a neutralidade climática da União Europeia até 2050, foi um dos assuntos debatidos no FIAP, no painel “Novas regras e modelos para garantir a segurança alimentar do planeta”, com a participação do conselheiro da União Europeia no Brasil, Laurent Javaudin.

Quando fizemos essa nova legislação, não foi porque quisemos. Fomos cobrados a fazer, afinal de contas, estávamos comprando de quem desmatava. Elaboramos as regras pensando naqueles países que não fazem nada para combater o desmatamento. Acreditem, o Brasil está muito bem quanto a isso”, disse Javaudin.

O ex-ministro e relator do Código Florestal Brasileiro, Aldo Rebelo, ressaltou durante o Fórum em Cuiabá que as obrigações ambientais aos produtores rurais do Brasil são as mais exigentes do mundo.

Segundo Rebelo, nenhum país do mundo impõe tantas exigências como aquelas que o produtor brasileiro enfrenta.

Nenhum produtor, seja norte-americano, europeu ou asiático, está sujeito a ceder 80% de sua propriedade à proteção do meio ambiente como acontece no bioma amazônico, que corresponde a mais da metade do território do país. Estamos às vésperas da Conferência de Mudanças Climáticas, que acontecerá no Pará, em 2025, e ainda não apresentamos à agenda internacional um Código Florestal mínimo, que seja obedecido por todo o mundo, com uma base a partir da qual todos os países e produtores tenham o mesmo compromisso ou sejam submetidos às mesmas renúncias.”

O FIAP 2024 é apoiado por diversas entidades, incluindo a CNA, Sistema Famato, CNI, CropLife e outras, com patrocínios da JBS, Apex Brasil, John Deere, Senar MT, e apoio de conteúdo da CNN Brasil.



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AgroNewsPolítica & Agro

Queimadas no Brasil e estiagem extremam debates climáticos no G20 em Mato Grosso


Com a adaptação às mudanças climáticas no epicentro do debate do Fruto de Trabalho de Agricultura do G20, cujas reuniões acontecem entre os dias 10 e 14 de setembro em Mato Grosso, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, conclamou as lideranças globais a firmarem um compromisso com a situação climática do planeta.

“Esse momento difícil das queimadas no Brasil vai ter que mostrar a sensibilidade e o compromisso do mundo com as mudanças climáticas”, declarou o ministro durante o Fórum Internacional de Agricultura e Pecuária (FIAP) – evento paralelo ao G20 – nesta segunda-feira (9), em Cuiabá (MT).

O Brasil vive um momento de estiagem extrema em diversas regiões do país, intensificando os focos de calor e queimadas em diversos estados, atingindo a produção agrícola brasileira.

“Aqueles que achavam que as mudanças climáticas eram mero discurso, agora já não têm mais o que discutir. Elas são uma realidade e estamos mostrando ao mundo que precisamos de medidas urgentes”, comentou.

Sede das reuniões do G20, Mato Grosso é o estado que registra maior número de focos de queimada atualmente, mas também se destaca como maior produtor de grãos do país em biomas preservados como Pantanal e Amazônia, além do Cerrado.

Desta forma, Fávaro ressaltou que a sustentabilidade é o caminho irrevogável para a produção de alimentos.

Ele lembra que, diante dos desafios apresentados, o Brasil já apresentou seu modelo de contribuição com a segurança climática, alimentar e nutricional do planeta.

“Podemos e vamos intensificar a nossa produção de alimentos e vamos fazer isso sem avançar sobre as florestas. Crescemos muito, somos o maior produtor e exportador do mundo de diversos alimentos, mantendo uma grande área do nosso território inteiramente preservada. E podemos ainda mais. Temos cerca de 40 milhões de hectares de pastagens de baixa produtividade onde podemos crescer a nossa produção”, detalhou.





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preços seguem subindo com oferta mais curta na entressafra



O mercado físico do boi gordo iniciou a semana com negócios saindo acima das referências médias em alguns estados. Os frigoríficos ainda encontram dificuldades na composição de suas escalas de abate, posicionadas entre cinco e sete dias úteis, a depender do estado.

A entressafra chega ao seu ápice, com uma oferta mais restrita de animais terminados e maior dependência da oferta de animais confinados para atender as escalas de abate.

Para algumas indústrias a incidência de animais de parceria (contratos a termo), tem sido extremamente benéfica, ajudando na composição das escalas, mesmo assim os preços continuam subindo em grande parte do país, disse o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias.

Preços médios da arroba do boi

  • Mato Grosso do Sul: R$ 252,95

Mercado atacadista

O mercado atacadista se mantém com preços firmes. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere pela elevação dos preços no curto prazo.

O quarto traseiro segue precificado a R$ 18,40 por quilo. O quarto dianteiro ainda é precificado a R$ 14,00 por quilo. A ponta de agulha permanece precificada a R$ 14,00.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,21%, sendo negociado a R$ 5,5796 para venda e a R$ 5,5776 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,5751 e a máxima de R$ 5,6401.



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“Se não estivermos nas discussões, novas regras e imposições virão”, diz Blairo Maggi sobre o G20 Agro


O Grupo de Trabalho G20 Agro, que reunirá autoridades dos 20 países do bloco e mais dez países convidados, ocorrerá entre os dias 10 e 13 de setembro, em Chapada dos Guimarães (MT).

O Brasil sediar o G20 é considerado uma oportunidade para a construção de uma narrativa verdadeira e correta sobre o potencial do país, ao mesmo tempo em que se analisa o que ainda precisa ser feito e se realizam novas negociações e acordos.

Rico em produção de grãos e fibras, batendo recordes de safra a cada ano e detentor do maior rebanho bovino do país, com mais de 31 milhões de cabeças, Mato Grosso foi eleito o local ideal para sediar, entre os dias 10 e 13 de setembro, os debates do G20 Agro no Brasil. O encontro será realizado em Chapada dos Guimarães.

Para o ex-ministro da Agricultura e Pecuária, Blairo Maggi, o “G20 é uma grande oportunidade de produzir o que está faltando e realizar novas negociações e acordos”.

Durante o Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP 2024), promovido pelo Canal Rural em Cuiabá (MT) nesta segunda-feira (9), Maggi destacou ainda que “se não estivermos presentes nas discussões, novas regras e imposições virão”.

Entre as principais pautas do Grupo de Trabalho da Agricultura, a serem debatidas em Mato Grosso, conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), estão a sustentabilidade nos sistemas agroalimentares em seus múltiplos aspectos e a ampliação da contribuição do comércio internacional para a segurança alimentar e nutricional.

O atual ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou que este é um momento propício para o Brasil assumir a presidência do G20, com foco em construir um mundo mais justo e sustentável.

Segundo ele, o tema escolhido pelo país “é muito importante, uma vez que não existe inclusão melhor do que o combate à fome“.

O G20 Agro reunirá autoridades dos 20 países do bloco e mais dez países convidados e é considerado o grupo de trabalho com a maior adesão.
G20 Agro em Mato Grosso

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, ressaltou, durante o FIAP 2024, a importância da realização do G20 da Agricultura em Mato Grosso.

O estado possui 903.357 quilômetros quadrados de extensão territorial e abriga os biomas Cerrado, Amazônia e Pantanal. É cortado por seis rodovias federais, sendo a BR-163 a principal via de escoamento, ligando o norte e o sul do estado aos portos de Santos (SP), Paranaguá (PR) e Miritituba (PA).

“Mato Grosso sempre foi muito importante para o Brasil e, hoje, é importante para o mundo. O Brasil sediar o G20 é uma oportunidade de construir uma narrativa verdadeira e correta sobre o potencial incrível deste país”, afirmou Viana.

Soluções sobre sustentabilidade alimentar

O FIAP trouxe discussões profundas sobre o setor, com as principais referências do agronegócio brasileiro e mundial.

Durante o evento, o B20, representando a iniciativa privada dos países do G20, lançou um conjunto de recomendações que prometem impulsionar uma transformação significativa nos sistemas alimentares globais. O documento foi oficialmente entregue ao ministro da Agricultura e Pecuária.

Entre as contribuições estão o aumento da produtividade, a liberação de recursos financeiros e uma maior participação das tradings como agentes financiadores.

Também foi entregue ao ministro e aos chefes de delegação do G20 Agro uma carta magna, desenvolvida pelos embaixadores do FIAP, Teka Vendramini, integrante do Conselho Consultivo do B20 Brasil, e o professor Dr. José Luiz Tejon, da Audencia França e Fecap Brasil, reunindo todas as contribuições discutidas nos painéis do evento.

O documento mostra quais são os próximos passos e como o Brasil precisa se posicionar para ser protagonista na produção de alimentos e na segurança alimentar do planeta.

Código Florestal global e Green Deal

O Pacto Ecológico Europeu, chamado de Green Deal, que traz uma série de medidas sociais e comerciais a fim de alcançar a neutralidade climática da União Europeia até 2050, foi um dos assuntos debatidos no FIAP, no painel “Novas regras e modelos para garantir a segurança alimentar do planeta”, com a participação do conselheiro da União Europeia no Brasil, Laurent Javaudin.

“Quando fizemos essa nova legislação, não foi porque quisemos. Fomos cobrados a fazer, afinal de contas, estávamos comprando de quem desmatava. Elaboramos as regras pensando naqueles países que não fazem nada para combater o desmatamento. Acreditem, o Brasil está muito bem quanto a isso”, disse Javaudin.

O ex-ministro e relator do Código Florestal Brasileiro, Aldo Rebelo, ressaltou durante o Fórum em Cuiabá que as obrigações ambientais aos produtores rurais do Brasil são as mais exigentes do mundo.

Segundo Rebelo, nenhum país do mundo impõe tantas exigências como aquelas que o produtor brasileiro enfrenta.

“Nenhum produtor, seja norte-americano, europeu ou asiático, está sujeito a ceder 80% de sua propriedade à proteção do meio ambiente como acontece no bioma amazônico, que corresponde a mais da metade do território do país”, disse.

“Estamos às vésperas da Conferência de Mudanças Climáticas, que acontecerá no Pará, em 2025, e ainda não apresentamos à agenda internacional um Código Florestal mínimo, que seja obedecido por todo o mundo, com uma base a partir da qual todos os países e produtores tenham o mesmo compromisso ou sejam submetidos às mesmas renúncias”.

O FIAP 2024 é apoiado por diversas entidades, incluindo a CNA, Sistema Famato, CNI, CropLife e outras, com patrocínios da JBS, Apex Brasil, John Deere, Senar MT, e apoio de conteúdo da CNN Brasil.

Parceria de conteúdo da CNN Brasil com o Canal Rural na cobertura do G20 Agro



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Saiba o que esperar do mercado da soja nesta semana



Em setembro, os Estados Unidos iniciam a safra 2024/25 com uma oferta histórica de soja. Já no Brasil, o fim do vazio sanitário alivia preocupações sobre possíveis atrasos no plantio, apesar das chuvas irregulares. Na última semana, o Banco Central interveio novamente para conter a alta do dólar, que fechou a R$5,59, em meio às turbulências políticas.

Em Chicago, o contrato de soja para setembro de 2024 fechou a U$9,89 por bushel (+0,82%), e o contrato para março de 2025 subiu para U$10,36 (+0,58%). No mercado físico brasileiro, os preços foram majoritariamente positivos, apesar da leve queda do dólar.

Confira na palma da mão informações quentes sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no WhatsApp!

Detalhes do mercado

  • Exportações dos EUA: os preços da soja em Chicago parecem ter encontrado um piso, sustentados pelo aumento das exportações norte-americanas, que chegaram a 1,4 milhões de toneladas em 6 de setembro. Com a demanda atual, os preços devem se manter acima de U$10,00 por bushel. Contudo, se a demanda desacelerar com o avanço da colheita, uma nova queda nos preços pode ocorrer.
  • Início da safra brasileira: a aproximação da safra brasileira levanta preocupações climáticas, com a possibilidade de atrasos no plantio devido à falta de chuvas nas principais regiões produtoras. Isso está elevando os prêmios de risco na precificação, com uma tendência de fortalecimento sazonal.
  • Demanda e legislação: o projeto de lei “Combustível do Futuro”, em fase final de tramitação, pode aumentar a concentração de óleo vegetal no diesel de 14% para 20% até 2030. Esse aumento na demanda por óleo de soja pode impactar os preços da soja e do óleo a longo prazo. Empresas do setor estão se preparando para essa mudança, com novos investimentos em plantas esmagadoras.

De acordo com a plataforma Grão Direto, os principais fatores para os próximos dias são as exportações dos EUA e o início da safra no Brasil. A tendência é de uma semana positiva, mas com atenção às condições climáticas e às possíveis mudanças legislativas que poderão influenciar o mercado.



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Pecuária do futuro: especialistas debatem as inovações que vão guiar a produção de carne bovina


O Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP 2024) trouxe à tona, nesta segunda-feira, 9 de setembro, em Cuiabá, discussões essenciais sobre as tecnologias e experiências brasileiras que são referência mundial na pecuária.

O painel, moderado por Caio Penido, presidente do Instituto Mato-grossense da Carne (IMAC), contou com a presença de Arlindo Vilela, José Bento Ferraz e Fernanda Macitelli, especialistas em suas áreas, debatendo caminhos para o avanço sustentável do setor.

Intensificação sustentável na pecuária do futuro

Arlindo Vilela, pecuarista e doutor em Produção Animal. Foto: Canal RuralArlindo Vilela, pecuarista e doutor em Produção Animal. Foto: Canal Rural
Arlindo Vilela, pecuarista e doutor em Produção Animal. Foto: Canal Rural

Arlindo Vilela, um dos destaques do painel, reforçou a importância da intensificação na pecuária como um caminho sem volta para a sustentabilidade. Segundo ele, intensificar não significa apenas aumentar a produção, mas sim melhorar a eficiência e usar os recursos de forma inteligente. Um dos aspectos que Vilela destacou foi a comparação entre o confinamento e a terminação intensiva a pasto (TIP).

“Aqui em Mato Grosso, em 2014, a TIP empatou com o confinamento, o número de animais terminados em confinamento e terminado em TIP. Nesses dez anos o confinamento cresceu 20% em Mato Grosso e a TIP cresceu 300%, então é algo que tem sustentação.”

Arlindo Vilela

Ele destacou os desafios da cultura, gestão e recursos financeiros como barreiras a serem superadas, mas insistiu que o foco deve ser em “fazer melhor” para garantir uma pecuária moderna e sustentável.

Genética e o impacto reprodutivo na produção de carne

Professor José Bento Ferraz, da USP. Foto: Canal RuralProfessor José Bento Ferraz, da USP. Foto: Canal Rural
Professor José Bento Ferraz, da USP. Foto: Canal Rural

José Bento Ferraz, professor da USP, trouxe ao debate a importância da genética na pecuária. Ele enfatizou que compreender o que cada pecuarista deseja para seu rebanho é essencial.

A escolha do touro certo, adequado para cada sistema de produção, é crucial para evitar surpresas desagradáveis e prejuízos.

No entanto, o Brasil possui um gargalo muito grande que é justamente alçar maiores ganhos na produção de bovinos de corte por conta do melhoramento genético e sua participação na produção de carne bovina no País.

“Sempre me perguntam: qual o porcentual dos animais abatidos no Brasil que possuem genética de animais melhorados de alguma forma? Fiz conta por todo o lado e cheguei à conclusão que é no máximo 30%.”

José Bento Ferraz

Por isso ainda há um potencial de 70% do rebanho brasileiro que precisa que melhores técnicas genéticas de produção. E para isso o produtor deve se guiar em critérios que devem ser avaliados de forma integrada, considerando-se as necessidades e objetivos do sistema de produção, visando a obtenção de animais produtivos e saudáveis.

Fernanda Macitelli, pesquisadora da UFMT. Foto: Canal RuralFernanda Macitelli, pesquisadora da UFMT. Foto: Canal Rural
Fernanda Macitelli, pesquisadora da UFMT. Foto: Canal Rural

Fernanda Macitelli, da UFMT, destacou o crescente reconhecimento do bem-estar animal na pecuária brasileira.

Ela apontou que, além de ser uma questão ética, o bem-estar animal contribui para melhorias na produtividade econômica e na qualidade dos produtos de origem animal.

“Quando a gente envolve manejos de bem-estar animal é cientificamente comprovado que ele leva a uma menor a necessidade de medicamentos, principalmente, a redução no uso de antibióticos. Isso tem uma total relação com a saúde pública hoje.”

Fernanda Macitelli

Além disso, está cada vez mais vinculado a regulamentações de mercado, saúde pública e responsabilidade humana, tornando-se um pilar fundamental para uma pecuária mais saudável e competitiva.

Intercâmbio de ideias para melhor futuro para a pecuária

O FIAP 2024 promoveu um rico intercâmbio de ideias, mostrando que a pecuária brasileira está na vanguarda das práticas sustentáveis, com foco em intensificação responsável, genética precisa e bem-estar animal.

Esse conjunto de debates é crucial para preparar o setor para os desafios futuros e consolidar o Brasil como líder global na produção pecuária sustentável.

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