Eleições 2024: em Londrina, produtores pedem melhorias em infraestrutura e apoio
Na série de reportagens sobre as eleições 2024, Londrina, no Paraná, se destaca como uma das principais cidades para o agronegócio no estado, concentrando mais de 65% do valor bruto da produção agropecuária do Paraná. Apesar da relevância econômica, os produtores da região enfrentam desafios que esperam ver solucionados na próxima gestão municipal. Falta de […]
O mercado de boi gordo registrou uma semana de forte valorização nos preços da arroba, em meio à dificuldade enfrentada pelos frigoríficos em avançar com as escalas de abate, com a escassez de oferta registrada no mercado.
Segundo o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, negócios chegaram a ser fechados por até R$ 300 no mercado paulista, uma vez que a demanda permanece muito aquecida, em especial à direcionada para exportação.
Com isso, o Brasil caminha para um novo recorde de embarques de carne bovina neste ano.
“As escalas de abate nesta semana giram em torno de sete dias úteis em todo o país. No entanto, em estados como São Paulo, as escalas de abate não passam de cinco dias úteis”, ressalta Iglesias.
Preços da arroba do boi
Os preços da arroba do boi gordo na modalidade a prazo nas principais praças de comercialização do país estavam assim no dia 3 de outubro:
São Paulo (Capital): R$ 295, alta de 7,27% frente aos R$ 275 registrados na semana passada
Goiás (Goiânia): R$ 270, avanço de 3,85% perante os R$ 260 praticados na última semana
Minas Gerais (Uberaba): R$ 285, aumento de 5,56% frente aos R$ 270 registrados na semana anterior
Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 270, valorização de 8% frente aos R$ 250 do final do mês passado
Mato Grosso (Cuiabá): R$ 285, 3,64% acima dos R$ 275 do encerramento da última semana
Rondônia (Vilhena): R$ 265, aumento de 8,16% em relação aos R$ 245 praticados no final da semana passada
Mercado atacadista
Foto: Freepik
Iglesias destaca que o mercado atacadista apresentou preços firmes no decorrer da semana e o ambiente de negócios ainda sugere por novas altas no curto prazo, em linha com a entrada dos salários na economia, motivando a reposição ao longo da cadeia produtiva.
Vale destacar que no atual ambiente de forte alta dos preços da carne bovina a expectativa é de ganho de competitividade das proteínas concorrentes, em especial da carne de frango.
O quarto do traseiro avançou 10,26% ao longo da semana, passando de R$ 19,50 o quilo para R$ 21,50 o quilo. O quarto do dianteiro subiu 8,91%, de R$ 15,15 para R$ 16,50.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a pecuária nacional bateu um recorde histórico no segundo trimestre desse ano, com a produção de carne bovina alcançando a marca de 2,57 milhões de toneladas. Esse é o maior registro desde que a série histórica teve início e passou a ser monitorada, em 1997.
Para o gerente de Corte da Alta, Manoel Sá Filho, dois fatores explicam esse excelente resultado para a pecuária nacional. “O consumo interno sem dúvida responde por grande parte desse recorde, mas, não podemos deixar de citar as exportações, que também tiveram papel relevante. Foram mais de 612 mil toneladas no segundo trimestre, aumento de 30% na comparação anual, com destaques para os meses de abril e maio”, destaca.
Corroborando com os dados do IBGE, o relatório Visão Agro, divulgado pela consultoria Agro do Itaú BBA, indica que o bom momento da pecuária deve perdurar, já que a previsão é que a produção de carne bovina aumente 15% em 2024, superando os 10 milhões de toneladas equivalentes à carcaça. “As projeções indicam inclusive que o consumo per capita de carne bovina em 2024 no Brasil deve retornar ao patamar recorde de 32 kg/habitante, registrado em 2013”, comemora Manoel Sá.
O relatório pontua, ainda, que as exportações devem crescer 20%, atingindo o pico de 3,4 milhões de toneladas. “Todos esses números mostram que já estamos em momento de retomada do ciclo pecuário. O que a maioria pensou que iria acontecer somente em 2025 já está sendo visto agora, o que é muito positivo”, completa.
Bom momento da pecuária é influenciado pelo melhoramento genético
Para Sá Filho, a execução de programas de melhoramento genético vem impulsionando o aumento da produção de bovinos no Brasil de forma consistente. “Os animais que estão sendo abatidos em 2024 são reflexos do recorde de venda que tivemos em 2021, quando mais de 20 milhões de doses de sêmen bovino voltadas especificamente para corte foram vendidas”, analisa.
O melhoramento genético de bovinos de corte envolve a seleção e o acasalamento direcionado entre os animais com características desejáveis para as próximas gerações. Trata-se de uma prática fundamental na pecuária e amplamente utilizada pelos criadores de diferentes raças. O objetivo é tornar a produção mais eficiente e lucrativa.
“Nós temos um grande potencial de crescimento, considerando que, atualmente, apenas 25% das vacas de corte no Brasil são inseminadas. Temos um rebanho de matrizes em torno de 80 milhões de cabeças e a oportunidade de crescer mais 75%. Os criadores têm visto os excelentes resultados frutos do investimento em genética e o mercado deve crescer exponencialmente nos próximos anos”, acrescenta Manoel Sá.
No Brasil, a Alta é a líder do segmento de melhoramento genético bovino, com mais de 34% de mercado.
Foi oficializada a criação do Parque Estadual Ambiental das Árvores Gigantes da Amazônia, conforme decreto publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) nesta semana.
A nova Unidade de Conservação (UC), localizada em Almeirim, no oeste do Pará, tem como objetivo preservar ecossistemas de alta relevância ecológica, promover pesquisas científicas, educação ambiental e incentivar o turismo ecológico.
Com uma área de 560 mil hectares, o parque será gerenciado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio). Esta é a 29ª UC sob a gestão do órgão, que busca equilibrar a proteção da biodiversidade com o uso sustentável dos recursos naturais.
A criação da nova área protegida deriva de uma porção da Floresta Estadual (Flota) do Paru, que teve sua área reduzida de 3.612.914 hectares para 3.052.914 hectares com o decreto.
Árvores gigantes
Foto: Fernando Sette/Agência Pará
O principal destaque da nova unidade é a presença de árvores gigantes, incluindo um exemplar de angelim-vermelho (Dinizia excelsa) com 88,5 metros de altura, considerada a maior árvore do Brasil e da América Latina, e uma das dez maiores do mundo.
A UC foi estabelecida com o propósito de proteger essas espécies e preservar populações de flora e fauna ameaçadas de extinção, além de espécies raras e endêmicas que habitam a região.
“O Parque Estadual das Árvores Gigantes da Amazônia é um marco na preservação da nossa biodiversidade, garantindo que espécies únicas e de grande relevância ecológica continuem existindo para as futuras gerações”, afirmou o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto.
Segundo ele, a iniciativa é um passo fundamental para o fortalecimento da proteção ambiental no Pará, associando a conservação à geração de conhecimento científico.
O diretor de Gestão da Biodiversidade do Ideflor-Bio, Crisomar Lobato, destaca a importância da nova UC para o desenvolvimento do turismo sustentável e da pesquisa científica.
“A criação do parque oferece oportunidades para estudos aprofundados sobre as espécies que habitam a região e para a implementação de projetos de turismo ecológico que respeitem o meio ambiente e gerem renda para as comunidades locais”, diz.
Atividades permitidas no parque
A zona de amortecimento do parque terá um papel importante na proteção da biodiversidade e na compatibilização das atividades das populações tradicionais que vivem no entorno. A coleta de produtos como castanha-do-pará e camu-camu, bem como a pesca esportiva nos ecossistemas aquáticos, será permitida, respeitando a legislação vigente e as regras estabelecidas pelo futuro plano de gestão do parque.
As atividades desenvolvidas pelas comunidades tradicionais e povos indígenas que habitam a região, como o acesso ao rio Jari, não sofrerão restrições, de acordo com o decreto. As ações e o modo de vida dessas populações serão respeitados, desde que em harmonia com os objetivos de preservação.
O conselho consultivo do parque, que será criado e gerido pelo Ideflor-Bio, terá como uma de suas funções a regulação das atividades já consolidadas na área, como a coleta de castanhas-do-pará, assegurando que essas práticas sejam mantidas de forma sustentável. O comitê também terá a missão de acompanhar o desenvolvimento das atividades de conservação e uso sustentável dos recursos naturais.
Proteção de áreas
A criação do parque também contribuirá para a proteção de áreas contíguas, tanto estaduais quanto federais, fortalecendo a rede de áreas protegidas na região. Com a preservação de uma rica biodiversidade, a nova UC se tornará um importante ponto de referência para a conservação na Amazônia.
O superintendente de Inovação e Desenvolvimento Institucional da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Victor Salviati, destaca a importância do parque na proteção do meio ambiente. “O parque tem uma importância muito grande, não só para o estado do Pará, mas também para toda a Amazônia, porque irá proteger ainda mais um santuário de árvores gigantescas”, afirma.
Em maio deste ano, uma equipe multidisciplinar de pesquisadores e técnicos do Ideflor-Bio, FAS e do Instituto Federal do Amapá (Ifap) percorreu rios e trilhas da então Flota do Paru, para aprofundar análises físicas e biológicas na região, o que levou à descoberta de um novo santuário de árvores gigantes.
Esse levantamento forneceu subsídios para transformar parte da antiga UC de uso sustentável em uma nova área de proteção integral.
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Esse crescimento é sustentado pelo aumento de receitas – Foto: Pixabay
Após três anos de seu IPO e atingir um valor de mercado de R$ 2 bilhões, a AgroGalaxy entrou com pedido de recuperação judicial. A trajetória da empresa segue um padrão comum em outras companhias, como RicardoEletro e Americanas S.A., onde a estratégia de crescimento acelerado se baseia na expectativa de que investidores comprem a “tese” de uma plataforma exponencial.
Esse crescimento é sustentado pelo aumento de receitas, mas sem um modelo competitivo sólido e com fraca geração de caixa operacional. Quando o cenário de mercado se torna menos favorável e os credores restringem o crédito, a empresa não consegue se manter, pois não gera lucro ou caixa suficientes. A análise é de Flávio K. Málaga, Ph.D., sócio da MALAGA.
Entre 2019 e o primeiro semestre de 2024, o EBITDA acumulado da AgroGalaxy atingiu R$ 1,4 bilhão, mas a geração de caixa operacional foi de apenas R$ 81 milhões, o que representa 5,6% do EBITDA. Esse dado revela que, embora o EBITDA seja amplamente utilizado como métrica de desempenho, ele não reflete a real capacidade de geração de caixa da empresa. Em relação à receita acumulada no período, a geração de caixa foi de apenas 0,23%, evidenciando que, apesar de um faturamento robusto — R$ 11,6 bilhões em 2022 — o modelo de negócios da empresa não apresentava um diferencial competitivo, refletido em uma margem de fluxo de caixa quase inexistente. A operação mostrou-se incapaz de absorver choques e devolver capital aos credores.
Outro ponto crítico foi o alto nível de alavancagem, que atingiu 8,0 em 2024. O valor de mercado caiu para R$ 174 milhões, bem abaixo do patrimônio líquido de R$ 724 milhões e do valor de R$ 2 bilhões de 2021, resultando em uma destruição significativa do capital dos sócios e credores.
A notícia mais lida da semana no site do Canal Rural destaca a nova abertura de mercados para produtos brasileiros. O Brasil poderá exportar erva-mate, DDGs (grãos secos de destilaria, subproduto do etanol de milho) e ração compactada de feno para diferentes destinos, conforme anunciado em nota conjunta pelos Ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores.
As aprovações sanitárias foram recebidas pelo governo brasileiro no fim de setembro.
“Essas aberturas de mercado contribuirão para aumentar o fluxo comercial com esses importantes destinos e reafirmam a confiança internacional no sistema de controle sanitário do Brasil”, ressaltaram os ministérios.
Angola e Coreia do Sul autorizaram a importação da erva-mate brasileira, enquanto a Rússia abriu seu mercado para a entrada de embriões ovinos do Brasil. Já o Reino Unido e o México liberaram a importação de DDGs produzidos no Brasil. No caso do México, o país também poderá receber farinha e “pellets” de feno para alimentação animal.
Além dessas aberturas, Angola, Coreia do Sul, México e Reino Unido aprovaram a importação da flor seca de cravo-da-índia e da fibra de coco brasileira, utilizada nas indústrias da construção e manufatura.
Com essas novas conquistas, o Brasil soma 138 aberturas de mercado para produtos agropecuários no ano, atingindo 216 desde 2023.
As apicultoras Adriana de Bortoli, da Apicultura do Máximo, em Jaquirana, e Liane de Oliveira, do Apiário Cambará, em Cambará do Sul, se destacaram no concurso CNA Brasil Artesanal – Mel 2024, na categoria mel claro, em setembro.
Adriana conquistou o 1º lugar, enquanto Liane ficou em 4º. O concurso contou com a participação de apicultores de todo o país, competindo nas categorias de mel claro e mel escuro.
As apicultoras fazem parte de um projeto piloto, junto com outros 10 produtores da região. O projeto está sendo desenvolvido pelo Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), a partir de uma demanda dos apicultores da região.
A pesquisadora do DDPA na área de desenvolvimento rural, Larissa Ambrosini, destaca que será feita uma publicação com base nos resultados iniciais das amostras do projeto piloto.
A coleta de dados vai iniciar nesta primavera, e o objetivo geral é disponibilizar informações científicas que permitam subsidiar um pedido de Indicação Geográfica por parte dos apicultores e meliponicultores deste território.
O levantamento inclui a caracterização das condições edáficas e das condições climáticas da região produtora; levantamento florístico e fitossociológico; identificação de abelhas visitantes florais de carne-de-vaca (Clethra scabra); análise polínica de amostras de mel branco e reconstituição da história de produção do mel branco no território. O trabalho deve ser desenvolvido até 2026.
Mel branco
O mel branco é produzido a partir das flores da árvore carne-de-vaca (Clethra scabra) Foto: Fernando Dias/Ascom Seapi
O município de Cambará do Sul destaca-se na produção de mel floral no Rio Grande do Sul. Além do mel floral, Cambará produz o mel de melato, conhecido como “mel preto”, e o “mel branco”. Sobre esse último, pesquisas e registros são muito escassos.
Segundo os produtores locais, ele é obtido a partir do néctar de flores de espécies de plantas nativas, resultando num mel claro, com sabor característico.
O produto é conhecido como “mel branco de Cambará”, mas é produzido igualmente nos municípios de Jaquirana e São José dos Ausentes, tendo boa aceitação e sendo comercializado a preços maiores, comparativamente ao mel floral. Há demanda por pesquisas para subsidiar uma futura Indicação Geográfica para esse mel.
“É muito importante divulgar o nosso mel branco, que é típico aqui da nossa região, e que tem todo um processo na hora da colheita para a classificação. Isso porque, às vezes, em uma melgueira pode ter o mel branco, que é da flor da carne-de-vaca, e o mel silvestre, da nossa Mata Nativa”, afirma a apicultora de Jaquirana, Adriana de Bortoli.
Ela conta que está na apicultura desde 2008, quando foi morar em Jaquirana. Ela e o marido tocavam a propriedade e a produção de mel juntos, mas desde que ele faleceu em 2019, segue à frente do negócio junto com a mãe Evanilda, a filha Juliana, de 16 anos e o namorado Vinícius Ribeiro.
A agroindústria conquistou o Selo de Inspeção Municipal (SIM) em 2019 e Adriana conta que está sempre se atualizando, fazendo cursos, participando das atividades desenvolvidas pela associação de apicultores para aprimorar a produção.
Reconhecimento de 40 anos de trabalho
Foto: divulgação/Apicultura do Máximo
Adriana diz que receber o 1º lugar no prêmio CNA, na categoria mel branco, “foi uma conquista muito grande e um reconhecimento do nosso trabalho de anos, em sempre querer levar um produto de qualidade para a mesa do consumidor”.
“Essa premiação foi fantástica, estamos muito felizes, é o reconhecimento de mais de 40 anos de trabalho e muita dedicação. Mostra que estou no caminho certo, seguirei cada vez mais motivada em poder divulgar nosso mel branco e a nossa cidade. E falar para todos da importância das abelhas e mostrar que existem méis maravilhosos em nosso país”, destaca Liane de Oliveira, do Apiário Cambará, que ficou com o 4º lugar na categoria mel claro.
O Apiário Cambará teve início em maio de 1982 com o pai de Liane, Irineu Castilhos. A agroindústria foi a primeira da cidade a conseguir o SIM, no ano de 2009.
“Em 2018, meu pai teve um problema de saúde bem na safra, tinha na época 420 caixas de abelhas. Ou eu assumia ou assumia”, lembra a apicultora. “Descobri que minha vida são as abelhas e de fato virei apicultora. No final de 2023 realizamos um grande sonho: a conquista do selo Arte”, conta. E neste ano de 2024, a conquista do prêmio da CNA.