domingo, julho 12, 2026

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Organizações da sociedade civil lançam manifesto em defesa da Moratória da Soja



Um grupo de 66 organizações da sociedade civil publicou na quinta-feira (12), um manifesto em defesa da Moratória da Soja, em resposta às recentes ofensivas de produtores e parlamentares contra o acordo voluntário firmado em 2006.

A iniciativa proíbe a compra de soja de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008, mesmo em casos de desmatamento legal. Segundo o manifesto, “o acordo da Moratória parece estar caminhando para o fim por pressão de setores mais retrógrados do agronegócio brasileiro”.

A publicação ocorre em um momento de crescente polarização sobre o tema. Estados como Mato Grosso e Rondônia já aprovaram legislações que retiram incentivos fiscais de empresas signatárias da Moratória, enquanto o Pará discute medidas similares.

Paralelamente, a Aprosoja-MT protocolou representação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra o que considera práticas anticompetitivas relacionadas ao acordo. O presidente da entidade, Lucas Costa Beber, afirmou em nota que o acordo “viola a livre iniciativa e a livre concorrência”.

Avanços com a Moratória da Soja

Em contrapartida, o manifesto destaca os avanços ambientais promovidos pela Moratória. Dados do Grupo de Trabalho da Soja mostram que, desde 2008, a participação da soja no desmatamento da Amazônia caiu de 30% para 1%, mesmo com a expansão da área plantada no bioma de 1,64 milhão de hectares em 2007 para 7,28 milhões em 2022.

“Com a Moratória, houve uma queda dramática no desmatamento e um aumento na eficiência da agropecuária brasileira”, afirmou o WWF-Brasil, em nota.

O manifesto também alerta para os riscos à reputação do país e econômicos do fim do acordo, especialmente em mercados internacionais. A coordenadora do Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti, destacou em comunicado: “O desmatamento zero é uma exigência crescente de mercado, sendo a Moratória uma medida fundamental neste sentido. Qualquer tentativa de flexibilização representa um retrocesso inaceitável”.

Entidades da indústria, como a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), também se manifestaram recentemente sobre a questão. Embora alertem para o impacto econômico de legislações estaduais que punem signatários da Moratória, reconhecem a contribuição do acordo para a manutenção de mercados internacionais, como Europa e China.

Argumentos jurídicos

No plano jurídico, o manifesto também aponta que leis estaduais que retiram incentivos fiscais de empresas participantes violam a Constituição Federal. Segundo o documento, “essas leis ferem o princípio da ordem econômica atrelado à defesa ambiental, conforme previsto no artigo 170, VI, da Constituição”.

Segundo o documento, o contexto global agrava o cenário. Com a aproximação da COP30, que será sediada em Belém (PA) em 2025, e a entrada em vigor de leis europeias que proíbem importação de commodities de áreas desmatadas, o Brasil está sob pressão crescente para demonstrar avanços na proteção ambiental.

Para Angela Mendes, presidente do Comitê Chico Mendes, “é fundamental manter a Moratória da Soja para evitar o desmonte de mecanismos que ainda protegem a Amazônia e suas populações”.



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Lula recebe alta e deixará hospital ainda neste domingo



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu alta médica e deixará o Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, ainda neste domingo (15). Ele ficará em sua residência, em São Paulo, até pelo menos a próxima quinta-feira (19).

A informação foi divulgada em coletiva de imprensa na manhã de hoje (15) no auditório do hospital, onde o presidente está internado desde a última terça-feira (10) para uma cirurgia de emergência em que precisou drenar um hematoma na cabeça, entre o osso do crânio e o cérebro.

A entrevista foi concedida pelo cardiologista Roberto Kalil Filho, o neurologista Rogério Tuma, o neurocirurgião Marcos Stávale, a médica do presidente, Ana Helena Gremoglio, e o médico José Guilherme Caldas, que realizou o procedimento de embolização no presidente.

“O quadro foi extremamente acima do esperado. Para minha felicidade e de toda a equipe, ele está de alta hospitalar”, disse a médica Ana Helena Gremoglio.

“Ele está de alta hospitalar, não alta médica”, esclareceu Kalil. Por isso, disse o médico, o presidente precisará continuar na capital paulista por mais alguns dias para acompanhamento. Na próxima quinta-feira, Lula deverá passar por exames no hospital, entre eles, uma tomografia.

De acordo com Kalil, Lula poderá exercer suas atividades normalmente nesse período, só evitando exercícios físicos.

“Ele está estável, caminhando, se alimentando, falando normalmente. Ele teve um pós-operatório muito bom, dentro do que se esperava”, afirmou Kalil.

Histórico de saúde

Lula teve de ser hospitalizado por causa de uma queda doméstica que sofreu em outubro. O presidente chegou a São Paulo na madrugada de terça-feira, após ter sentido dores de cabeça.

Uma ressonância magnética feita no Hospital Sírio-Libanês, ainda em Brasília, mostrou uma hemorragia intracraniana, decorrente do acidente domiciliar sofrido no dia 19 de outubro. O presidente foi então transferido para a unidade do hospital, na capital paulista, onde passou pelo procedimento cirúrgico.

Na quinta-feira (12), dois dias após a cirurgia, o presidente foi submetido a um novo procedimento, para bloquear o fluxo de sangue e reduzir o risco de formação de novo hematoma. Já na última sexta-feira (13), Lula teve retirado o dreno intracraniano que havia sido colocado na cirurgia da última terça-feira (10). Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Lula apareceu caminhando ao lado do neurocirurgião Marcos Stavale.

Na mensagem publicada nas redes sociais, o presidente escreveu: “Estou firme e forte! Andando pelos corredores […], conversando bastante, me alimentando bem e, em breve, pronto para voltar para casa e seguir trabalhando e cuidando de cada família brasileira”.

No boletim médico, divulgado ontem (14), os médicos informaram que o presidente fez apenas exames de sangue.



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Semana reserva chuva de 100 mm, queda de raios e tempo abafado


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Foto: Freepik

A segunda quinzena de dezembro inicia e, com ela, o clima fica mais intenso, com chuva forte, trovoadas, queda de raios e, também, tempo abafado. Veja a previsão entre esta segunda-feira (16) e a próxima sexta (20):

Sul

  • Tempo carregado: os ventos do oceano em direção ao continente continuam mantendo o tempo mais carregado entre os litorais do Rio Grande do Sul e do Paraná. Em grande parte da Campanha Gaúcha, região central e metropolitana de Porto Alegre, Serra Gaúcha e Vale do Itajaí, a possibilidade de chuva é mais passageira e isolada, sem previsão para temporais.
  • Chuva de 40 mm: as três capitais da região devem ter registro de chuva pontual. Tempo firme apenas no noroeste gaúcho, oeste de Santa Catarina e no interior do Paraná. Em 5 dias, a chuva deve se concentrar na faixa leste gaúcha, catarinense e em todo o estado do Paraná com 40 mm acumulados.
  • Calor: Nas demais áreas do Sul, a tendência é de uma semana mais quente e seca com temperaturas máximas ultrapassando os 30ºC com um volume de chuva entre 5 mm e 10 mm. No geral, o tempo mais firme deve favorecer os trabalhos em campo.

Sudeste

  • Alto risco de transtornos: tempo ainda bem instável em todos os estados do Sudeste. Durante a semana, a chuva cai com intensidade entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Ainda é alto o risco para transtornos, principalmente em áreas de risco. No litoral paulista, o tempo fica um pouco mais carregado. Mesmo assim, a previsão não é de chuva intensa.
  • Confira na palma da mão informações quentes sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no WhatsApp!
  • Chuva superior a 100 mm: o tempo fica mais estável apenas no norte do Espírito Santo e nordeste de Minas Gerais. O acumulado de chuva em 5 dias pode passar de 100 mm em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. No triângulo mineiro e território paulista, o acumulado da semana fica em, aproximadamente, 40 mm, o que ajuda a manter a boa umidade do solo.

Centro-Oeste

  • Trovoadas, raios e ventania: a chuva se concentra entre o norte de Mato Grosso do Sul e os estados de Goiás e Mato Grosso. Trata-se de precipitação que cai localmente forte, de forma isolada, mas tem potencial para trovoadas, raios e ventania até 60 km por hora. Já a capital Campo Grande deve ter tempo firme, assim como grande parte da região sul, oeste e central de Mato Grosso do Sul.
  • Precipitações acima de 60 mm: semana com chuva se distribuindo ainda nos três estados com acumulados acima de 60 mm, o que ajuda a manter a boa umidade do solo, favorecendo os trabalhos em campo da safra 24/25. No geral o período com mais nebulosidade deve afetar negativamente o desenvolvimento das lavouras em Mato Grosso pela falta de luminosidade.

Nordeste

  • Pancadas fortes de chuva: entre as capitais São Luís, Natal e também Salvador, o tempo fica mais encoberto, com chuva passageira entre a madrugada e o período da manhã por conta da infiltração marítima, ou seja, dos ventos do oceano em direção ao continente. Pancadas pontualmente fortes podem acontecer entre o oeste da Bahia, o extremo sul do Piauí e do Maranhão.
  • Temperatura superior a 33°C e chuva de 70 mm: as temperaturas na região Nordeste seguem em elevação e as máximas passam facilmente dos 33 graus. Em 5 dias a chuva se concentra no centro-oeste baiano, centro-sul piauiense e maranhense com acumulados de 60 mm a 70 mm, o que ajuda a manter a boa umidade do solo.
  • Proximidade do natal deve trazer mais chuva: nas demais áreas da região, a chuva começa a retornar aos poucos, com volumes que não ultrapassam 15 mm, o que contribui para a diminuição do risco para focos de incêndio. A tendência é que conforme a semana do natal for chegando, o volume de chuva aumente em todas as áreas.

Norte

  • Chuva intensa e tempo abafado: estados do Acre, Rondônia, grande parte do Amazonas, sul do Pará e também Tocantins devem registrar chuva com forte intensidade ao longo desta segunda-feira (16), mas, mesmo assim, as temperaturas seguem em elevação e o tempo fica bastante abafado. O tempo é mais estável no norte de Roraima e também em parte do Amapá. Contudo, a chuva acontece de forma mais isolada à tarde.
  • Acumulados de 80 mm: em 5 dias, o volume de chuva na região ganha força, chegando ao centro-norte paraense. Em todos os estados do Norte, o acumulado de chuva na semana será de cerca de 80 mm, o que eleva a umidade do solo nas áreas que ainda precisam avançar com a semeadura da safra 24/25.

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centro investe R$ 200 milhões no combate às principais doenças



A Fapesp, o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) somaram esforços para combater as principais doenças da citricultura. Entre elas estão a clorose variegada dos citros (CVC), também conhecida como amarelinho, que provoca a morte súbita dos citros e em especial o greening, com incidência de 44% nos pomares paulistas em 2024.

Para reforçar essas ações, as três instituições criaram o Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA), lançado na última semana, durante o evento SP Agro, no Palácio dos Bandeirantes, na presença do governador Tarcísio de Freitas.

“A pesquisa realizada no CPA vai atender a um tema tão importante quanto o greening, que dizimou a lavoura na Flórida. Nunca mais a Flórida se recuperou. A gente não pode deixar isso acontecer aqui e não vamos. Esse centro de pesquisa aplicada será voltado para o greening num primeiro momento, mas vai investigar outros problemas. É um grande patrimônio”, disse o governador.

O centro contará com investimento total de R$ 200 milhões nos próximos cinco anos, renováveis por mais cinco. Desse total, R$ 90 milhões serão aportados pelo Fundecitrus e a Fapesp, e os demais recursos correspondem à contrapartida não financeira, na forma de investimentos em infraestrutura, salários de técnicos, entre outros itens.

O centro terá como missão desenvolver pesquisa, difundir conhecimento e transferir tecnologia para o setor, que é responsável por 8,2% das exportações paulistas e por 45 mil empregos no estado.

“É assim que o estado de São Paulo reage e responde aos desafios. Mais uma vez, a aliança entre a Fapesp, o Fundecitrus, a Esalq e outros centros de pesquisa vai ajudar a restabelecer o setor responsável por 8% da economia paulista. E esse é só o primeiro passo do plano que estabelecemos para o agronegócio. Esta é a primeira entrega. Dentro de duas semanas vamos lançar o quarto edital do programa Ciência para o Desenvolvimento, uma parceria com secretarias de estado. Cada real que investimos em agropecuária retorna 12 vezes”, afirmou o presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago, no evento no Palácio dos Bandeirantes.

A principal linha de trabalho do CPA será promover a formação de novos grupos de pesquisa e consolidar outros já estabelecidos, visando o controle do greening, particularmente nas áreas de conhecimento ainda não cobertas atualmente.

Para o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, a construção conjunta do CPA é uma conquista de uma frente ampla de trabalho comprometida com o setor. “Estamos no momento de realização de um sonho! O CPA representa a construção conjunta de um projeto que tem um objetivo muito claro, que é promover a sustentabilidade fitossanitária e econômica da citricultura, tão importante para a economia do estado de São Paulo”, afirmou Ayres.

“Com ele, renovamos, uma vez mais, o compromisso público e privado com o setor diante do sério desafio de mitigar a incidência do greening e, quem sabe, no futuro, encontrar um caminho sustentável para a prevenção da doença e/ou a sua cura”, contou o diretor-executivo.

“Estamos lançando o maior centro de citricultura voltado para o combate ao greening em todo o mundo, com mais de R$ 200 milhões investidos. A Flórida perdeu a batalha contra o greening, São Paulo não vai perder essa batalha. O greening cresceu 50% menos este ano que o previsto pelo Fundecitrus. De cada dez copos de suco tomado no mundo sete são produzidos em São Paulo”, disse o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Guilherme Piai.

O diretor científico da Fapesp, Marcio de Castro Silva Filho, lembrou que a parceria entre Fapesp e Fundecitrus é histórica. “Juntos conseguimos importantes resultados em pesquisa, ao longo de quase 20 anos, para estabelecermos estratégias eficazes para mitigação e a compreensão do greening. Agora, demos um passo muito importante que vai transformar a citricultura no estado de São Paulo”.

Fapesp e Fundecitrus foram parceiros no Projeto Genoma, que, em 2000, sequenciou pela primeira vez o genoma de uma bactéria de interesse econômico, a xylella fastidiosa – causadora do amarelinho –, fazendo avançar a pesquisa em biotecnologia no país.

Impactos da doença

Em algumas regiões tradicionais de cultivo de citros, a incidência da doença ultrapassa 60%. Só em 2024, a incidência de greening é equivalente a 90,7 milhões de árvores que estão irremediavelmente condenadas, tal como os mais de 64 milhões de árvores adicionais eliminadas desde 2004 na tentativa de controlar a doença.

“A doença chama muito atenção pela sua capacidade de impactar, negativamente, a produtividade dos pomares, colocando em risco a sustentabilidade de uma cadeia produtiva. O CPA foi concebido para descobrir caminhos e, muito em breve, oferecer respostas ao manejo mais eficaz da doença. Nosso trabalho terá o foco de atender essa demanda tão importante e minimizar o impacto nas safras”, reforça a pesquisadora da Esalq/USP e diretora do CPA, Lilian Amorim.

Nas últimas cinco safras de laranja, o greening causou queda prematura de frutos equivalente a 97,2 milhões de caixas, levando a uma perda estimada de US$ 972 milhões de receita. Esse cenário se torna ainda mais grave devido ao crescente aumento da população do inseto vetor nos últimos anos, resultando no incremento de mais de dez vezes de 2019 a 2024, decorrente, entre outros fatores, da seleção de indivíduos resistentes aos inseticidas, antevendo o progresso da disseminação da doença nos próximos anos.

Linhas de pesquisa

As principais linhas de pesquisa acadêmica do CPA envolvem o entendimento das interações patógeno-planta-vetor, com ênfase na histopatologia, fisiologia e metabolismo do hospedeiro (citros), genética da interação planta-patógeno-hospedeiro e consequências das mudanças climáticas. As pesquisas de cunho aplicado englobam o manejo do greening, com ênfase em resistência genética do hospedeiro e em medidas de controle químico, biológico, físico e cultural da bactéria e de seu vetor.

Outra linha aplicada de pesquisa, voltada à mitigação de danos e aumento da produção, dará ênfase ao sistema de produção, nutrição das plantas e redução dos danos, avaliação de perdas, risco de ocorrência da doença e análise econômica das medidas de manejo e seus impactos. No entanto, pesquisas com outros aspectos da cultura poderão ser desenvolvidas no futuro.

Para Piai, a citricultura paulista é vitrine para o mundo, com impactos importantíssimos na socioeconomia.

“Estamos falando de um setor que ocupa o posto de maior exportador no seu segmento no planeta. São Paulo quer que a citricultura seja cada vez mais forte para enfrentar essa doença desafiadora. E isso só é possível com a construção de parcerias que fomentem o desenvolvimento de pesquisas. O CPA conta com o que há de melhor no nosso estado no que diz respeito à linha de investimentos e pesquisadores. Estamos muito otimistas para colhermos resultados e disseminar conhecimento”, disse.

Transferência de tecnologia

Para além da pesquisa, o CPA terá forte atuação no ensino, na difusão de conhecimento e na transferência de tecnologia. No ensino, o centro atuará nas ações de formação de recursos humanos já desenvolvidas pelas instituições parceiras, como programas de pós-graduação stricto e lato sensu, mas também no oferecimento de cursos à distância, on-line, visando alcançar público mais amplo e diverso.

A transferência de tecnologia será realizada tanto por pesquisadores do CPA quanto por técnicos da Coordenadoria de Assistência Integrada (Cati e da Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo.

O CPA será sediado na Esalq/USP, em Piracicaba (SP). Além do Fundecitrus, o centro contará com pesquisadores de outras unidades da USP – Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA), Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Instituto Biológico, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), do Instituto Agronômico (IAC) e Embrapa.



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Pinhão contém prebióticos, compostos benéficos à saúde



Um estudo recente realizado pela Embrapa Florestas (PR), em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Universidade Federal da Paraíba (UFPB), registrou a presença de dois grupos de prebióticos no pinhão: o amido resistente e o FOS (fructooligossacarídeos). Ambas as substâncias têm capacidade de estimular probióticos, ou seja, microrganismos benéficos presentes em um ecossistema intestinal saudável.

“Os relatos da presença de compostos fenólicos, amido resistente e minerais como fósforo, potássio e magnésio, no pinhão, já eram de domínio da ciência. No entanto, a presença de FOS na semente de araucária é um novo e importante achado”, afirma a pesquisadora da Embrapa e coordenadora do projeto Pinalim, Catie Godoy, que deu origem à pesquisa.

Até o momento, segundo ela, esses compostos tinham sido observados em outras fontes vegetais, como o yacon, alcachofras, aspargos, chicória e outros. A cientista acredita que a descoberta pode aumentar o interesse em consumir pinhão com foco em uma dieta saudável.

O estudo foi publicado na revista Food and Nutrition Sciences. De acordo com Godoy, os resultados são otimistas e devem ampliar as pesquisas com a semente da araucária, uma árvore pré-histórica, que se encontra na lista de espécie ameaçadas.

Diferença entre prebiótico e probiótico

Probióticos são bactérias e leveduras benéficas à saúde que vivem naturalmente no intestino. Eles ajudam na digestão dos alimentos e também a proteger o organismo contra doenças. Os probióticos também são encontrados em alimentos fermentados que contêm bactérias saudáveis em sua composição, como por exemplo o iogurte, o Kefir, o chucrute e a kombucha.

Já os prebióticos são um tipo de carboidrato rico em fibras não digeríveis, que servem de alimento para bactérias e leveduras que vivem no intestino. Ou seja, prebióticos são alimentos que o organismo não consegue digerir e que são fermentados pelas bactérias presentes na flora intestinal.

Exemplos de alimentos prebióticos são aqueles ricos em fibras como os vegetais, os grãos integrais e as frutas. Em resumo, probiótico é a própria bactéria e prebiótico é o alimento dela. Tanto o prebiótico quanto o probiótico ajudam a manter ou recuperar a saúde da flora intestinal, além de melhorar a digestão.

Amido resistente e FOS

Três variedades diferentes de pinhão foram analisadas: Sancti josephi, Angustifolia e Caiova, colhidas em diferentes épocas do ano, correspondendo a diferentes estágios de maturação.

Os resultados do estudo foram obtidos por meio de uma série de métodos experimentais e análises da composição química dos oligossacarídeos e amido resistente. Também foram realizadas: avaliação do crescimento de bactérias para investigar o efeito prebiótico do amido resistente e análise estatística dos dados para determinar as diferenças observadas entre as variedades de pinhão em relação ao conteúdo de oligossacarídeos e ao crescimento bacteriano.

As pesquisas foram conduzidas em parceria com a professora da UFV Célia Lúcia de Luces Fortes Ferreira, que está entre os maiores especialistas do Brasil em estudos com probióticos.

“O amido resistente e o FOS são metabolizados pelos probióticos, mantendo a presença constante dessas bactérias benéficas no intestino. Ao crescerem em presença dessas substâncias, as bactérias como, por exemplo, as do gênero bifidobacterium aqui estudadas, acumulam no ambiente, principalmente ácido butírico, e outras substâncias essenciais para a “renovação” do epitélio intestinal. Um ambiente intestinal saudável diminui risco de diversas doenças locais e sistêmicas”, detalha a professora.

Nesse estudo também foi testado se o amido de pinhão promoveria o crescimento de bactérias benéficas, comparando-o com a dextrose (carboidrado simples e de rápida absorção pelo organismo).

Observou-se que, para algumas bactérias, o amido de pinhão promoveu maior crescimento do que o estudo controle, demonstrando ser efetivo na multiplicação de bactérias probióticas, com destaque para os probióticos L. plantarum e B. breve. “Esse efeito se deve à presença de amido resistente no pinhão. Ele contém uma porção que escapa da digestão e da absorção no intestino delgado e é fermentada no intestino grosso, com a produção de ácidos graxos de cadeia curta, promovendo vários benefícios a saúde”, afirma Ferreira.

O impacto do amido resistente no metabolismo dessas bactérias ainda não está completamente esclarecido, por isso, mais pesquisas serão necessárias para comprovar esse possível efeito prebiótico, segundo a professora do Departamento de Tecnologia de Alimentos do Centro de Tecnologia e Desenvolvimento Regional do Centro de Tecnologia da UFPB, Haíssa Cardarelli.

Cardarelli, juntamente com sua orientanda de mestrado, Fernanda Pereira Santos, darão seguimento aos estudos. “Os resultados preliminares são muito promissores e, vamos utilizar a farinha de pinhão como fonte de crescimento para probióticos, um produto desenvolvido com tecnologia Embrapa e que está em vias de produção industrial”, conta a professora.

Ajuda a preservar a araucária

A coordenadora do programa de pós-graduação em Nutrição Clínica e Funcional do Instituto Valéria Paschoal, Natália Marques, destaca o pioneirismo do estudo na detecção de prebióticos no pinhão.

“As contribuições para a saúde humana incluem a prevenção de diversas doenças crônicas. A partir do momento que valorizamos a inclusão do pinhão na alimentação do brasileiro, cria-se um estímulo positivo da manutenção das florestas de araucária, de desenvolvimento de campanhas que estimulem a sua utilização e desenvolvimento de novos produtos com o pinhão”, enfatiza.

A presença de FOS e seu comportamento prebiótico nas sementes de araucaria angustifolia abre várias possibilidades, tanto para a pesquisa quanto para a aplicação prática. Essa descoberta pode trazer oportunidades para o desenvolvimento de produtos alimentares inovadores, que visam à saúde digestiva, como snacks, cereais matinais, suplementos e alimentos funcionais, ampliando o mercado para esse alimento tradicional.

O que são os FOS?

Os fructooligossacarídeos são açúcares não convencionais, não metabolizados pelo organismo humano e não calóricos, denominados de prebióticos. Alimentos contendo FOS contribuem significativamente para a manutenção do ecossistema intestinal, promovendo o crescimento e adesão de bactérias benéficas como alguns da família lactobacillaceae e do gênero bifidobacteria ao trato gastrointestinal. Também contribuem para a inibição de bactérias que associadas a desequilíbrios e doenças, como o clostridium perfringens.

Quando atuam no resgate do equilíbrio da microbiota intestinal, os FOS contribuem também com a redução do excesso de colesterol (atividade hipolipemiante), redução do excesso de glicose no sangue (hipoglicêmica), aumento na absorção de vitaminas e minerais. Dessa maneira, podemos destacar a válida contribuição do consumo de FOS na prevenção da osteoporose, de doenças cardiovasculares, na redução de problemas digestivos e sensibilidades alimentares.

Comercialmente, os FOS são usados como suplementos e seu preço pode custar até um real por grama, com dose recomendada variando de 4g até 17 g por dia. Por isso, para atingir a porção recomendada, o consumidor teria que ingerir grandes quantidades de pinhão, no entanto, o benefício decorre da combinação do pinhão com outros alimentos, obtendo dessa forma, uma dieta mais equilibrada e propícia à saúde do intestino. Esse status de saúde intestinal é essencial para um adequado sistema imunológico e também garante uma boa saúde mental.



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AgroNewsPolítica & Agro

Excesso de oferta nacional impacta preços da batata gaúcha



Colheita de batata avança com boa qualidade




Foto: Pixabay

Segundo o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (12) pela Emater/RS, a colheita de batata foi iniciada em Ibiraiaras, município da região administrativa da Emater/RS-Ascar de Passo Fundo, com 10% da área cultivada, que soma cerca de 650 hectares, já colhida.

As lavouras apresentam bom desenvolvimento, e os tubérculos colhidos têm qualidade satisfatória.

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De acordo com o informativo, apesar do desempenho agronômico, o setor enfrenta dificuldades de comercialização devido ao excesso de oferta em nível nacional. Os preços pagos aos produtores refletem essa pressão, com a saca de 50 kg da variedade branca sendo negociada a R$ 70,00 e a da variedade rosa a R$ 100,00.





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AgroNewsPolítica & Agro

Equipamento reduz desafios do plantio de mudas forrageiras



Máquina simplifica plantio de pastagens em Santa Catarina




Foto: Canva

A alimentação dos animais é fundamental para uma boa produtividade na pecuária. De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), a seleção do tipo de pastagem é um elemento importante. Segundo José Kauling, extensionista da Epagri em Bom Retiro, a escolha das espécies forrageiras é determinante para o sucesso pecuário. “As espécies forrageiras implantadas precisam ter capacidade produtiva, qualidade, palatabilidade, persistência, aceitação de consórcios e de sobressemeadura. No entanto, as  que entregam estas  qualificações,  têm a sua implantação por mudas, tornando o trabalho manual e oneroso”, disse.

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De acordo com o divulgado pela Epagri, solucionar o problema da plantação de mudas de pastagens representa um obstáculo para ampliar a adesão a este sistema no ambiente rural. Pecuaristas e o extensionista da Epagri em Bom Retiro uniram-se na busca por uma máquina capaz de resolver essa questão.

O desafio foi aceito pela empresa Fitarelli, que se mostrou motivada e, mediante as demandas levantadas, produziu uma máquina com três linhas, espaçamentos reguláveis e caixa distribuidora de adubo. Os agricultores adquiriram a inovação tecnológica com apoio financeiro da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária. A entrega foi feita no dia 12 de novembro em Bom Retiro para um grupo da Comunidade Cambará, conforme informações da Epagri.

Durante a entrega foi realizada uma demonstração prática. “A máquina comprovou a eficiência do plantio das mudas, tanto em área mecanizada como em área dessecada com cobertura e, inclusive, sobre pastagens de trevo”, relata o extensionista da Epagri.





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Em MT, evento da colheita da soja abordará sustentabilidade



A Abertura Nacional da Colheita da Soja safra 2024/25 acontecerá no dia 7 de fevereiro de 2025, na Fazenda Esperança, em Santa Carmem, região de Sinop (MT), às 9h30 (horário de Brasília). Para participar, basta acessar o link de inscrição.

O evento reunirá autoridades, produtores e representantes do setor agrícola para debater diferentes temas nos painéis, como sustentabilidade, biocombustíveis e o impacto da COP 30 no Brasil. A transmissão será realizada pelo Canal Rural.

MT como palco do evento

A produção de soja no estado de Mato Grosso tem mostrado crescimento constante, com destaque para a produtividade. Ilson Redivo, vice-presidente da Aprosoja Mato Grosso na região norte, ressaltou a importância da soja para a economia local, gerando empregos, aquecendo o comércio e contribuindo significativamente para a arrecadação de impostos.

Entretanto, o setor ainda enfrenta desafios, com a logística sendo um dos principais gargalos. Luiz Pedro Bier, vice-presidente da Aprosoja MT, destacou a necessidade urgente de melhorias na infraestrutura, especialmente nas ferrovias, para reduzir os custos de transporte e aumentar a competitividade no mercado global.

Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Mato Grosso, enfatizou a importância de mostrar as ações de sustentabilidade do setor para a sociedade. “É fundamental continuarmos proativos em questões como a Moratória da Soja e a Lei Antidesmatamento da União Europeia, pois a sustentabilidade é uma das principais barreiras que podem impactar o mercado dos nossos produtos”, concluiu Beber.



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AgroNewsPolítica & Agro

Chuvas beneficiam arroz e prejudicam óleo de palma na Ásia



Chuvas torrenciais causam impactos mistos na agricultura asiática




Foto: Pixabay

De acordo com o boletim Weekly Weather and Crop Bulletin, divulgado nesta terça-feira (10) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), chuvas torrenciais provocadas por uma perturbação tropical afetaram a região da península da Malásia, com precipitações acumuladas de até 900 mm em algumas áreas nas últimas duas semanas.

A intensidade das chuvas interrompeu a colheita de óleo de palma e prejudicou as expectativas de rendimento da produção local. A Indonésia e as Filipinas também registraram precipitações, com volumes acima de 100 mm em algumas regiões. No entanto, os impactos agrícolas nessas áreas não foram considerados severos.

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Na Indonésia, especificamente em Java, as chuvas acima da média foram consideradas benéficas para as lavouras de arroz da estação chuvosa, contribuindo para melhores perspectivas de produtividade.

No final da semana, a perturbação tropical deslocou-se para o Pacífico Ocidental, permitindo que os níveis de precipitação voltassem à normalidade na região afetada.





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Como foi a semana da soja? Veja a análise completa



Nesta semana, o mercado da soja foi impactado pela divulgação de dois relatórios chave: o relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e a atualização da safra brasileira pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ambos os relatórios trouxeram informações relevantes, mas com impactos neutros para o mercado, com poucas novidades.

Relatório do USDA

O USDA manteve suas previsões para a safra de soja dos EUA em 2024/25, que deve atingir 4,461 bilhões de bushels (121,4 milhões de toneladas). A produtividade foi estimada em 51,7 bushels por acre, sem mudanças em relação ao relatório anterior.

Os estoques finais da safra americana são projetados em 470 milhões de bushels (12,8 milhões de toneladas), praticamente inalterados em relação ao mês anterior.

Além disso, o USDA manteve suas previsões para o esmagamento (2,410 bilhões de bushels) e exportação (1,825 bilhão de bushels). A produção mundial de soja foi revista para 427,14 milhões de toneladas, ligeiramente acima da previsão de novembro, enquanto os estoques globais também foram ajustados para 131,9 milhões de toneladas.

Para a produção brasileira, a estimativa foi mantida em 153 milhões de toneladas para 2023/24 e ajustada para 169 milhões de toneladas em 2024/25. Para a Argentina, a produção de 2024/25 foi revista para 52 milhões de toneladas, um aumento de 1 milhão em relação à previsão anterior.

Relatório da Conab

A Conab trouxe uma projeção recorde para a produção de soja do Brasil em 2024/25, estimando 166,211 milhões de toneladas, um aumento de 12,5% em relação à safra anterior, que foi de 147,718 milhões de toneladas. Além disso, a área plantada deverá ser de 47,369 milhões de hectares, o que representa um crescimento de 2,6% em relação ao ano anterior.

A produtividade também está em alta, com uma expectativa de 3.509 quilos por hectare, um crescimento de 9,6% em relação ao rendimento da safra anterior, que foi de 3.201 quilos por hectare.



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