domingo, julho 12, 2026

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umidade aumenta cuidados com parreirais no Rio Grande do Sul



Viticultores têm intensificado o uso de tratamentos fitossanitários




Foto: Divulgação

A Emater/RS-Ascar divulgou no Informativo Conjuntural nesta quinta-feira (12) dados sobre o desenvolvimento da cultura da uva nas regiões administrativas do Rio Grande do Sul . Na região de Caxias do Sul, as condições climáticas, com alta umidade relativa e baixa incidência de radiação solar, geraram preocupações entre os viticultores devido ao risco elevado de doenças como podridões de cacho, mufa e míldio. Apesar disso, os parreirais continuam demonstrando boa sanidade e crescimento das bagas, com expectativa de produção dentro da normalidade.

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Os viticultores têm intensificado o uso de tratamentos fitossanitários, principalmente à base de cobre, como a calda bordalesa. Variedades mais precoces, como a Vênus, já apresentam sinais de maturação, sendo colhidas em locais de clima mais quente.

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Nesta região de Frederico Westphalen, os parreirais estão em diferentes fases de desenvolvimento, dependendo da variedade. A Bordô está entre a compactação do cacho e o início da maturação; a Niágara Rosada e Branca já apresentam maturação plena; e a Seyve Villard está em estágio de crescimento inicial dos cachos. Os produtores estão efetuando os tratamentos para prevenção/controle de doenças, como míldio (Plasmopara viticola) e podridão-da-uva-madura (Glomerella cingulata). A colheita da variedade Vênus foi finalizada, e a Niágara Rosada é comercializada a R$ 6,00/kg.

Em Santa Rosa, as videiras da região estão no final do enchimento de bagas e início da maturação. As variedades precoces, como a Vênus, começarão a maturar esta semana. Alguns parreirais apresentam baixa carga de cachos, mas com boa sanidade. Ataques de pássaros têm sido observados, impactando na produção de pomares domésticos e na qualidade das uvas em fase de maturação.





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AgroNewsPolítica & AgroSafra

Taxas futuras de juros caem em dia de movimentos técnicos no Brasil e alta…


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Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) – As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira em baixa no Brasil nos contratos a partir de janeiro de 2026, em um dia marcado por movimentos técnicos, com alguns agentes aproveitando as altas mais recentes para realizar lucros, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries subiam.

No fim da tarde a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2025 — que reflete as apostas para a Selic no curtíssimo prazo — estava em 11,468%, ante 11,456% do ajuste anterior. Já a taxa do contrato para janeiro de 2027 marcava 13,33%, em queda de 5 pontos-base ante o ajuste de 13,375%.

Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 12,99%, em queda de 5 pontos-base ante 13,043% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 12,88%, ante 12,923%.

Pela manhã as taxas dos DIs oscilaram em alta, em sintonia com o avanço firme do dólar ante o real e a queda do Ibovespa, numa sessão marcada pela aversão global ao risco em meio à escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia.

Nem mesmo os dados da arrecadação federal de outubro, que agradaram o mercado, foram suficientes para reduzir os prêmios na curva. A Receita Federal informou que a arrecadação teve alta real (descontada a inflação) de 9,77% em outubro sobre o mesmo mês do ano anterior, somando 247,92 bilhões de reais. Este foi o melhor resultado para o mês da série histórica iniciada em 1995.

No acumulado de janeiro a outubro, a arrecadação foi de 2,182 trilhões de reais, 9,69% acima do registrado nos primeiros dez meses de 2023, já descontada a correção pela inflação. O dado também representa um recorde para o período.

Durante a tarde, no entanto, o cenário no mercado de renda fixa mudou. Perto das 14h as taxas perderam força e migraram para o território negativo, em especial entre os contratos mais longos.

Cinco profissionais de diferentes instituições ouvidos pela Reuters não apontaram um motivo específico, dentro do noticiário, para que as taxas cedessem.

Conforme profissional da mesa de um grande banco de investimentos, alguns participantes do mercado “tomaram” taxas na abertura dos negócios, prevendo o pior para o dia, mas passaram a devolver durante a tarde, já que não surgiram novidades de impacto.

Além do movimento específico do dia, alguns agentes aproveitaram para realizar lucros após as altas recentes das taxas em sessões anteriores.

“Não vejo nenhum motivo aparente para esse fechamento da curva. Nenhuma notícia nova que tenha impulsionado isso”, comentou durante a tarde Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital. “Provavelmente nessa volta de feriado o mercado (está) fazendo um movimento de correção e realização de ganhos pela forte alta que aconteceu recentemente”, acrescentou.

Na quarta-feira, feriado nacional do Dia da Consciência Negra, os mercados permaneceram fechados.

Após registrar a máxima de 13% (alta de 8 pontos-base ante o ajuste) às 10h48, a taxa do DI para janeiro de 2033 marcou a mínima de 12,83% (baixa de 9 pontos-base) às 15h23.

O movimento ocorreu em paralelo às notícias de que a Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, além de outras 36 pessoas, entre elas o candidato a vice na chapa bolsonarista na eleição de 2022, o general da reserva Walter Braga Netto.

Profissionais ouvidos pela Reuters, no entanto, afirmaram que o noticiário político não influenciou os preços dos DIs, que se mantiveram sensíveis à questão fiscal.

“Em alguns vértices mais longos, como o (janeiro) 2028 e 2029, tivemos um fechamento mais pronunciado (das taxas)”, comentou durante a tarde João Ferreira, sócio da One Investimentos. “Há uma expectativa do mercado de que (o pacote de medidas fiscais do governo) saia na próxima semana”, justificou.

Na ponta curta da curva as taxas seguiram precificando chances maiores de o Banco Central em dezembro elevar em 75 pontos-base a taxa básica Selic, hoje em 11,25% ao ano.

Perto do fechamento a curva brasileira precificava 65% de probabilidade de alta de 75 pontos-base da Selic no próximo mês e 35% de chance de elevação de 50 pontos-base. Na terça-feira os percentuais eram de 70% e 30%, respectivamente.

Às 16h44, o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– subia 3 pontos-base, a 4,434%.





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Exportações de carne em alta impediram maiores quedas do boi gordo durante a semana


O mercado brasileiro de boi gordo apresentou queda em suas cotações ao longo da semana. De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, a tendência é de que esse movimento tenha continuidade no curto prazo.

“Com escalas de abate mais alongadas, os frigoríficos testam preços mais baixos na compra de boi”, ressalta.

Segundo ele, a dificuldade nos repasses de preço do boi ao longo da cadeia produtiva, com o consumidor brasileiro ainda propenso ao consumo de proteínas de menor valor agregado, também é atribuído como um fator de baixa aos preços.

“Por outro lado, as exportações ainda são a principal válvula de escape neste momento”, comenta.

Variações da arroba do boi na semana

Os preços da arroba do boi gordo na modalidade a prazo nas principais praças de comercialização do país estavam assim no dia 12 de dezembro:
  • São Paulo (Capital): R$ 315, queda de 3,08% frente aos R$ 325 registrados na semana passada
  • Goiás (Goiânia): R$ 300, recuo de 4,76% perante R$ 315
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 315, estável frente ao fechamento da semana anterior
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 315, sem mudanças frente à última semana
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 300, 3,23% aquém dos R$ 310
  • Rondônia (Vilhena): R$ 280, retração de 3,45% em relação aos R$ 290

Mercado atacadista

O mercado atacadista se deparou com preços estáveis no decorrer da semana. Segundo Iglesias, diante dos preços elevados dos cortes bovinos, o consumidor tem priorizado a busca por proteínas de menor valor agregado, a exemplo dos cortes suínos (substituindo os cortes do traseiro) e a carne de frango (substituindo os cortes do dianteiro bovino).

Os cortes do dianteiro do boi se mantiveram em R$ 20,50 o quilo. Já os cortes do traseiro do boi tiveram estabilidade, cotados a R$ 27,00 o quilo.

Exportações de carne bovina

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Foto: Ministério da Agricultura/divulgação

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 212,393 milhões em dezembro (5 dias úteis), com média diária de US$ 42,478 milhões, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A quantidade total exportada pelo país chegou a 43,033 mil toneladas, com média diária de 8,606 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 4.935,50.

Em relação a dezembro de 2023, houve baixa de 10,4% no valor médio diário da exportação, queda de 17,4% na quantidade média diária exportada e avanço de 8,5% no preço médio. 



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Você viu? Litro do mel a R$ 1,8 mil; polícia inicia operação para reprimir comércio ilegal de colmeias



A Polícia Federal deflagrou no dia 5 de dezembro a Operação Zangão, com o objetivo de coibir a prática do comércio ilegal de colmeias e enxames de abelhas sem ferrão em Goiás, ameaçadas de extinção. Essa foi uma das notícias mais lidas da última semana no site do Canal Rural.

Os oficiais cumpriram um mandado de busca e apreensão em Goiânia, onde apreenderam duas caixas de colmeias abandonadas pelos enxames de abelhas sem ferrão que nelas habitavam.

As investigações apuraram que o comércio se dava por meio de anúncios publicados na internet. Dependendo da raridade da espécie da abelha (a PF não divulgou o nome), o litro do mel pode chegar a valer R$ 1,8 mil e, um enxame de mesma espécie, de R$ 500 a R$ 700.

A aquisição, captura na natureza e/ou o comércio de colmeias, colônias e/ou enxames de abelhas sem ferrão, cujas espécies são ameaçadas de extinção, são práticas vedadas pela Resolução nº 496/2020 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), podendo caracterizar a ocorrência dos crimes de caça ilegal e de receptação.



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Agrodefesa abre edital com 30 vagas para médicos-veterinários



O governo de Goiás divulgou, nesta semana, o edital para contratação temporária de 30 médicos-veterinários júnior e pleno para atuarem na Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa). As inscrições estarão abertas de 16 de dezembro de 2024 a 3 de janeiro de 2025, com taxa no valor de R$ 55.

De acordo com o edital, a seleção dos candidatos de nível superior ocorrerá em duas etapas, sendo a primeira de análise curricular, de caráter eliminatório e classificatório; e a segunda de entrevista, também de caráter classificatório e eliminatório. Os interessados podem se inscrever via internet, por meio do Portal de Seleção do governo goiano.

O processo seletivo terá validade de dois anos, a partir da homologação do resultado final no Diário Oficial de Goiás.

Os salários serão de R$ 6.500 para médico-veterinário pleno e de R$ 5.000 para médico-veterinário júnior. Para essa última função, o vencimento terá acréscimo de auxílio-alimentação no valor de R$ 500, conforme lei estadual nº 19.951/2017.

A carga horária será de 40 horas semanais para todas as funções, podendo ser cumprida entre 5 e 22 horas, incluindo fins de semana e feriados, de acordo com a necessidade da Agrodefesa.

Segundo o presidente da agência, José Ricardo Caixeta Ramos, o processo seletivo tem como objetivo a contratação de profissionais na área de medicina veterinária para auxílio no Serviço de Inspeção Estadual.

“São médicos-veterinários que vão dar suporte no trabalho de inspeção desenvolvido pela Agrodefesa, principalmente em estabelecimentos industriais que realizam abate de animais em Goiás. É fortalecer essa atuação em todo o estado, assegurando a qualidade do alimento que chega até a população”, enfatiza.

Os detalhes sobre cronograma, requisitos, quadro de vagas por municípios, convocação e outros pontos estão disponíveis na íntegra do edital nº 019/2024, divulgado no endereço eletrônico: selecao.go.gov.br.



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Juros voltam a subir e devem ter impacto direto na cesta básica



Na última reunião de 2024, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic de 11,25% para 12,25% ao ano, marcando a terceira alta consecutiva. A decisão busca controlar a inflação, mas seus impactos já são sentidos no bolso do consumidor, especialmente no aumento dos preços de alimentos e serviços.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, registrou 0,39% em novembro. O resultado desacelerou na comparação com outubro, mas continua pressionado pelo aumento do preço das carnes e das passagens aéreas. No acumulado de 12 meses, a inflação chega a 4,87%, afetando itens básicos como óleo de soja e tomate. 

Juros altos e consumo reduzido

Segundo Gustavo Defendi, sócio-diretor da Real Cestas, empresa que atua no segmento de cestas básicas, as altas taxas de juros tornam o crédito mais caro, tanto para fornecedores quanto para consumidores. “Os custos de produção aumentam, refletindo no preço final das cestas básicas. Para os consumidores, o poder de compra é reduzido, o que pode impactar negativamente a demanda por alimentos essenciais”, afirma. No caso da cesta básica, essa combinação de fatores pode levar a escolhas mais econômicas e à priorização de gastos essenciais.

A previsão é de que, em dezembro, os preços permaneçam elevados devido à alta demanda típica das festas de fim de ano. O especialista alerta para restrições. “Os custos de energia, que representam cerca de 23,1% do preço final das cestas básicas, pressionam ainda mais os preços, impactando tanto consumidores quanto comerciantes”, destaca. Para Defendi, mesmo com a expectativa de maior consumo, a alta de preços e a redução do poder aquisitivo devem limitar o acesso aos produtos.

Corte de gastos e segurança alimentar

Outro fator é o corte de gastos anunciado pelo governo, que também pode afetar o mercado de cestas básicas. Defendi explica que programas sociais e subsídios, fundamentais para famílias de baixa renda, podem ser impactados, reduzindo a capacidade dessas famílias de adquirir alimentos.

Além disso, a redução em investimentos logísticos pode encarecer a distribuição, agravando a pressão nos preços.

Perspectiva para 2025

De acordo com o sócio-diretor da Real Cestas, o cenário econômico deve permanecer desafiador no próximo ano, com juros elevados e inflação ainda pressionada. Para o setor de cestas básicas, isso significa custos de produção mais altos e uma demanda possivelmente retraída. “É fundamental que políticas públicas considerem esses fatores para evitar que a segurança alimentar seja comprometida”, finaliza Defendi.



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Manejo eficiente reflete na produção de carne com sustentabilidade



Para o produtor ter lucratividade e ser sustentável é necessário manejar a propriedade com eficiência, segundo o especialista em desenvolvimento de mercado, Fernando Ongaratto, da Mosaic.

“São três palavras: manejo, manejo e manejo. Primeiro, o pecuarista tem que conhecer o objetivo do sistema de produção. Por exemplo, se a meta é entregar um boi de 24 arrobas, isso exige manejo. Manejo de confinamento, manejo de pastagens, manejo do próprio rebanho. Então, definido e conhecido o objetivo traçado, passa a ser necessário ajustar o sistema de produção para atingir o resultado esperado”, destacou Ongaratto.

Essas e outras informações de como ter um sistema de produção mais equilibrado foram apresentadas durante o Fórum Técnico Pecuária Sustentável, que ocorreu na quarta-feira (11) de dezembro, na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP). O objetivo foi promover discussões aplicadas sobre a adoção e o impacto de práticas e processos agropecuários que contribuam para uma agropecuária eficiente e com sustentabilidade.

A pesquisadora Patrícia Menezes Santos, da Embrapa Pecuária Sudeste, abordou o tema planejamento do sistema de produção. De acordo com ela, o pecuarista precisa fazer a projeção do rebanho e a demanda de alimentos durante o ano para atingir os níveis de produção desejados, permitindo aumento da produtividade, manutenção da longevidade das pastagens e otimização do uso de recursos, aumentando a rentabilidade e reduzindo a pressão para abertura de novas áreas.

“A adoção de práticas de manejo pelos pecuaristas, tanto do pasto quanto do pastejo, reflete na produção de carne bovina a baixo custo e com preservação ambiental”, disse Patrícia Santos.

O pesquisador Felipe Tonato falou sobre a importância do uso de fertilizantes como uma ferramenta de manejo. As práticas de calagem e adubação em pastagens são muito baixas no país. Apenas 1,8% dos fertilizantes são usados em pastagens. De acordo com o pesquisador, esse número está muito aquém quando se tem uma área de cerca de 160 milhões de hectares de pastagens cultivadas no Brasil.

O evento foi realizado pela Embrapa Pecuária Sudeste e pela Mosaic e contou com a participação de cerca de 50 técnicos.



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pesquisa transforma fruto em embalagens biodegradáveis



As embalagens biodegradáveis estão ganhando força no mercado como uma alternativa sustentável para o meio ambiente. A engenheira de alimentos, pesquisadora e mestranda na Universidade Estadual de Maringá (UEM) Carmen Guedes está desenvolvendo dois tipos de embalagens inovadoras a partir da macaúba (Acrocomia aculeata), uma palmeira brasileira de grande potencial produtivo.

Com a fibra do fruto, Guedes cria uma alternativa às bandejas de isopor usadas para armazenar alimentos. Já a polpa é transformada em substituto biodegradável para sacos plásticos descartáveis.

“Como a macaúba está sendo usada para reflorestamento, podemos destinar seus frutos para a indústria, substituindo plásticos de uso único, que não são ecológicos”, destaca a pesquisadora.

Impacto Ambiental e Inovação

As embalagens desenvolvidas apresentam vantagens ambientais significativas. Quando descartadas, tornam-se adubo para plantas, desaparecendo sem deixar resíduos e contribuindo para a fertilidade do solo. Além disso, incorporam o conceito de “embalagem ativa”, interagindo com alimentos para retardar reações de oxidação e prolongar sua vida útil.

A matéria-prima utilizada no projeto foi fornecida pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), que também usa a macaúba na recuperação de áreas degradadas no estado.

Pesquisa e Sustentabilidade

O estudo é realizado no Laboratório de Desenvolvimento de Novos Produtos, no câmpus-sede da UEM, e atende a seis dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Orientada pelas professoras Grasiele Scaramal Madrona e Mônica Scapim, a pesquisa é financiada pela Capes e pelo IDR.

Carmen Guedes pretende dar continuidade aos estudos no doutorado, com foco na caracterização da macaúba nativa do Paraná. “O nosso principal objetivo é desenvolver produtos usando a macaúba. Infelizmente, hoje ela é aproveitada apenas para produção de biodiesel e é um fruto muito nobre para ser designada apenas para esse fim”, afirma.

Outras Iniciativas

A pesquisa segue um histórico de aproveitamento da macaúba no laboratório. Anteriormente, estudantes produziram uma manteiga com 40% de macaúba como Trabalho de Conclusão de Curso, projeto que contou com a participação de Guedes.

A previsão é que a pesquisa seja concluída ainda este mês, ampliando horizontes para o uso sustentável da macaúba no Brasil.



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Mesmo com resistência do agro, homenagem a líder do MST é confirmada



A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul confirmou a entrega da Medalha do Mérito Farroupilha ao líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile. A homenagem está prevista para a segunda-feira (16), às 17h.

A honraria é a condecoração máxima conferida pelo Poder Legislativo gaúcho e é destinada a pessoas que contribuíram para o desenvolvimento econômico, social e cultural do estado.

Com isso, a Mesa Diretora da Assembleia não atendeu ao pedido de deputados da oposição, produtores rurais e entidades do setor agropecuário de barrar a outorga da medalha. De acordo com o presidente da Casa, deputado Afonso Brito, “não há viabilidade jurídica de cancelar a homenagem, cuja decisão foi tomada em fevereiro deste ano”.

No comunicado, ele enfatiza que a concessão da honraria ocorreu no começo de 2024 e, apenas agora, na véspera da cerimônia de sua entrega, os deputados suscitam tal discussão.

Repúdio à indicação do líder do MST

Na última segunda-feira (9), o presidente da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o deputado Luciano Silveira, destacou que para o agronegócio, a entrega da medalha a Stédile é uma afronta.

“Estamos com uma grande mobilização para que isso não aconteça, baseado na defesa do agricultor, na insegurança que as invasões de terra geram. Há poucos dias, em Pedras Altas, tivemos novas invasões e não pode um estado produtivo, um estado que depende da agricultura, estar homenageando um invasor de terra”, disse.

No mesmo dia, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também manifestou o seu repudio à indicação da medalha ao líder do MST.

“Esta indicação fere gravemente a integridade da honraria e o princípio constitucional do direito à propriedade, representando uma afronta ao povo gaúcho, vítima de uma onda de invasões do movimento na semana passada, no município de Pedras Altas”, disse a nota.

O texto da FPA finaliza: “Homenagear alguém que motiva a desordem, promove a violência e ameaça a segurança de milhares de famílias dias após tomar a terra de pessoas na ‘mão grande’ mais se parece pano de fundo para uma série de ações orquestradas do movimento e que contraria os interesses da população do RS”.

De acordo com o portal Sul 21, em debate na última quinta-feira (12) no programa “Conversas Cruzadas”, da GZH, o deputado delegado Zucco (Republicanos) chegou a dizer que poderá dar voz de prisão para Stédile se ele “incentivar invasão de terras” durante a homenagem na Assembleia.

Justificativa à homenagem

Para justificar a indicação de Stédile à medalha do Mérito Farroupilha, o autor da proposta, deputado Adão Pretto Filho, ressaltou que “trata-se de uma justa homenagem ao maior movimento social do Brasil, amplamente reconhecido no cenário internacional por sua contribuição à produção de alimentos saudáveis, à preservação ambiental e à luta por justiça social no campo”.

Pretto Filho prosseguiu: “Mesmo diante de ataques de parlamentares mais radicais, cuja visão preconceituosa busca deslegitimar o movimento e os trabalhadores rurais sem terra, nunca houve receio de que a condecoração pudesse ser cancelada. Confiamos plenamente na soberania do Parlamento gaúcho e na integridade de suas decisões”.



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Organizações da sociedade civil lançam manifesto em defesa da Moratória da Soja



Um grupo de 66 organizações da sociedade civil publicou na quinta-feira (12), um manifesto em defesa da Moratória da Soja, em resposta às recentes ofensivas de produtores e parlamentares contra o acordo voluntário firmado em 2006.

A iniciativa proíbe a compra de soja de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008, mesmo em casos de desmatamento legal. Segundo o manifesto, “o acordo da Moratória parece estar caminhando para o fim por pressão de setores mais retrógrados do agronegócio brasileiro”.

A publicação ocorre em um momento de crescente polarização sobre o tema. Estados como Mato Grosso e Rondônia já aprovaram legislações que retiram incentivos fiscais de empresas signatárias da Moratória, enquanto o Pará discute medidas similares.

Paralelamente, a Aprosoja-MT protocolou representação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra o que considera práticas anticompetitivas relacionadas ao acordo. O presidente da entidade, Lucas Costa Beber, afirmou em nota que o acordo “viola a livre iniciativa e a livre concorrência”.

Avanços com a Moratória da Soja

Em contrapartida, o manifesto destaca os avanços ambientais promovidos pela Moratória. Dados do Grupo de Trabalho da Soja mostram que, desde 2008, a participação da soja no desmatamento da Amazônia caiu de 30% para 1%, mesmo com a expansão da área plantada no bioma de 1,64 milhão de hectares em 2007 para 7,28 milhões em 2022.

“Com a Moratória, houve uma queda dramática no desmatamento e um aumento na eficiência da agropecuária brasileira”, afirmou o WWF-Brasil, em nota.

O manifesto também alerta para os riscos à reputação do país e econômicos do fim do acordo, especialmente em mercados internacionais. A coordenadora do Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti, destacou em comunicado: “O desmatamento zero é uma exigência crescente de mercado, sendo a Moratória uma medida fundamental neste sentido. Qualquer tentativa de flexibilização representa um retrocesso inaceitável”.

Entidades da indústria, como a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), também se manifestaram recentemente sobre a questão. Embora alertem para o impacto econômico de legislações estaduais que punem signatários da Moratória, reconhecem a contribuição do acordo para a manutenção de mercados internacionais, como Europa e China.

Argumentos jurídicos

No plano jurídico, o manifesto também aponta que leis estaduais que retiram incentivos fiscais de empresas participantes violam a Constituição Federal. Segundo o documento, “essas leis ferem o princípio da ordem econômica atrelado à defesa ambiental, conforme previsto no artigo 170, VI, da Constituição”.

Segundo o documento, o contexto global agrava o cenário. Com a aproximação da COP30, que será sediada em Belém (PA) em 2025, e a entrada em vigor de leis europeias que proíbem importação de commodities de áreas desmatadas, o Brasil está sob pressão crescente para demonstrar avanços na proteção ambiental.

Para Angela Mendes, presidente do Comitê Chico Mendes, “é fundamental manter a Moratória da Soja para evitar o desmonte de mecanismos que ainda protegem a Amazônia e suas populações”.



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