Os juros no Brasil continuam elevados, e a inflação segue impactando o setor agropecuário. Segundo o Banco Central (BC), o cenário econômico deve dificultar ainda mais o novo ciclo produtivo, tornando essencial que o Plano Safra traga medidas diferenciadas para viabilizar investimentos.
No telejornal Mercado & Companhia desta segunda-feira (31), o comentarista do Canal Rural, Miguel Daoud, falou sobre o assunto. Na avalição dele, o cenário atual limita a capacidade dos produtores de expandirem a produção. Confira a análise completa no vídeo abaixo.
“A nossa agricultura, principalmente os pequenos produtores, aqueles que colocam alimento na mesa do brasileiro, estão com dificuldade de reduzir o seus custos para que os alimentos cheguem mais barato. Então ficamos num cenário muito difícil! Quando você tem uma alta de juros com inflação e com PIB em queda, você não tem como aumentar a oferta porque o produtor já está com aumento de custo”, disse.
Segundo Daoud os produtores dependem do Plano Safra para obter capital, entretanto, na atual conjuntura de juros altos, o plano necessita de inovações. “Nós temos que ter a garantia de preço, e o governo tem que ter um fundo que seria um amortecedor para equalizar os preços de forma que o produtor não tenha prejuízo e consiga com o seu capital aumentar a produção”, explicou.
O andamento da safra 2024/25 de soja segue em ritmo variado pelas regiões produtoras do Brasil. No RS, os produtores ainda enfrentam os efeitos da falta de chuva, o que já impacta diretamente a produtividade média das lavouras.
De acordo com o levantamento semanal da Emater, a colheita no estado avançou para 24% da área. No entanto, a escassez hídrica tem prejudicado a cultura, que, em sua maioria, encontra-se nas fases de enchimento de grãos e maturação.
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A produtividade média no estado está estimada em 2.240 kg por hectare, mas os resultados variam consideravelmente conforme a região. No oeste do estado, algumas áreas registraram perdas severas, inviabilizando economicamente a colheita.
Em contrapartida, em Planalto e em Campos de Cima da Serra, a produtividade está mais próxima do potencial das cultivares, superando os 4.000 kg por hectare. Nas regiões das Missões e Central, a média de colheita realizada até o momento é de apenas oito sacas por hectare, enquanto o mínimo necessário para cobrir os custos de produção seria de 30 sacas por hectare.
Além do RS: a soja no Brasil
Em Mato Grosso, as máquinas avançaram nas lavouras, e a colheita de soja está praticamente finalizada. Segundo o Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea), mais de 99% dos grãos já foram colhidos, um ritmo 9,95 pontos percentuais acima da média das últimas cinco safras para este período. As regiões Centro-Sul, Médio Norte, Noroeste e Norte do estado já concluíram os trabalhos no campo.
No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) reduziu novamente a projeção para a produção de soja, que agora é de 21 milhões de toneladas, representando uma queda de 0,6% em relação ao relatório anterior.
Na Bahia, a colheita de soja entra na reta final em todas as regiões produtoras, com aproximadamente 1,8 milhão de hectares colhidos. Comparada à safra anterior, as operações estão adiantadas, reflexo do clima favorável no início da janela de cultivo, que favoreceu uma boa implantação das lavouras.
Por fim, no Maranhão, de acordo com a Associação dos Produtores de Soja do Estado (Prosoja-MA), 58% da área plantada já foi colhida. Além disso, melhorias em trechos da BR-135 devem facilitar o escoamento da safra na região.
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Foto: Freepik
Segundo informações divulgadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a segunda-feira (31) será marcada por tempestades em diversas regiões do Sul e Sudeste do Brasil. Já para outras áreas do país, a previsão é de chuvas intensas, exigindo atenção da população.
O Inmet emitiu aviso laranja (perigo) para os estados de Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, válido entre hoje (31) e amanhã (1º). Nessas localidades, a previsão indica acumulados de chuva de até 100 mm em 24 horas e ventos que podem alcançar 100 km/h.
No Sul e no Sudeste, há risco de temporais acompanhados de queda de granizo. Quatro avisos amarelos (perigo potencial) estão em vigor, sendo três válidos até a noite desta segunda-feira (31). O quarto, que abrange o Paraná, Santa Catarina e a Serra Gaúcha, se estende até as 6h de terça-feira (1º). A previsão para essas áreas indica chuvas de até 50 mm por dia e rajadas de vento de até 60 km/h, reflexo da passagem de uma frente fria pelo Rio Grande do Sul.
A região metropolitana de Porto Alegre e cidades como Pelotas estão sob aviso laranja para acumulado de chuva de até 100 mm, com vigência até as 23h de hoje.
O Centro-Norte do país também está em alerta. Estados como Acre, Amazonas, Amapá, Roraima, Pará, Tocantins, Rondônia, Maranhão, Mato Grosso, Goiás e até o Triângulo Mineiro enfrentam chuvas intensas sob aviso amarelo, com volumes previstos entre 20 mm e 50 mm em 24 horas, acompanhados de ventos de até 60 km/h.
O último domingo (30), foi dia de celebrar os 25 anos de emancipação político-administrativa de Luís Eduardo Magalhães, município do Oeste da Bahia, que se tornou uma das potências do agronegócio brasileiro.
Localizada no extremo oeste baiano, cercada por campos produtivos e pelo Cerrado, o que antes foi apenas ponto de apoio da BR-242 e entroncamento com a BR-020, era chamada de “Mimoso do Oeste”, hoje a cidade é considerada a capital do agro do Matopiba.
Há 25 anos o distrito era renomeado de Luís Eduardo Magalhães, em homenagem ao filho do ex-governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães. E junto com o novo nome e emancipação, outras histórias começaram a serem cultivadas na cidade, como a do produtor Odacil Ranzi, que veio de Passo Fundo no Rio Grande do Sul e acompanhou todas as transformações do lugar ao longo de mais de quatro décadas.
“Eu cheguei na bahia no dia 3 de julho de 1980, e aqui em Luís Eduardo Magalhães tinha apenas um morador, o senhor Enedino Alves da Paixão.Aqui praticamente não tinha nada, porque nós éramos no máximo 25, 30 pioneiros naquele momento. Então foi um desbravamento com muita dificuldade, porque não tínhamos estrada, não tínhamos energia elétrica, água para beber, lavar roupa, tomar banho. Era 20, 30 quilômetros de distância da onde a gente estava.”, conta Ranzi.
Assim como Odacil, os primeiros moradores do então distrito de Barreiras não imaginavam, que o lugar se tornaria umas das maiores potências econômicas e agrícolas da Bahia e do Brasil.
Morador da região há 45 anos, o produtor rural e atual secretário de agricultura ressalta a importância do município para a produção agrícola do estado e também relembra como tudo começou nessas terras.
“Nós não imaginávamos. A gente tinha dúvida com a questão da agricultura aqui porque não tinha nada. Existia um campo ali pertinho do negão, ali atrás daquelas casas pra cá do rio, à direita, um campo experimental. Tinha café, tinha soja, tinha arroz, milho, mas um campo muito pequeno, minúsculo, e que aquilo serviu pra incentivar a gente comprar. Hoje Luís Eduardo representa muito, principalmente para a agricultura, não só aqui, mas como toda a região. É o centro das atenções do agro!”, conta Cappellesso.
Capital do Matopiba
Lem como é carinhosamente chamada pelos moradores da região é conhecida pela resiliência de quem mora por lá.
De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior, no ano passado, o município foi o terceiro maior exportador do nordeste, comercializando US$ 2,126 bilhões.
Dados do IBGE apontam que em 2023, a cidade produziu quase um milhão de tonelada de soja. (946.721).
No lugar que mescla tradições, do Nordeste e do Sul, há esperança de um futuro ainda mais promissor.
“O que nós estamos vendo hoje é uma transformação do setor primário para o secundário, com a industrialização, e tudo isso é um novo passo, um novo caminho, mas isso realmente é a pujança que nós temos do oeste da bahia, vindo do agronegócio. Realmente é uma cidade que vibra todos os dias”, finaliza Odacil Ranzi, que também foi presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).
“A nossa cidade está de parabéns e muito parabéns. e vai continuar crescendo, hein?”, ressaltou Jaime Cappellesso.
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A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que permite aos motoristas de tratores com roda e de equipamentos automotores agrícolas utilizarem apenas o certificado de curso de formação profissional em substituição à carteira de habilitação para pilotar em vias públicas.
A medida está prevista no Projeto de Lei 4678/23, de autoria do deputado Valdir Vital Cobalchini (MDB-SC), e alterado pelo relator, deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO).
Mudança
Ayres restringiu a medida aos tratores de roda e aos equipamentos automotores destinados a executar trabalhos agrícolas, conforme já disposto no Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/97), que hoje permite a condução em via pública desses dois modelos por condutor habilitado na categoria B (veículos leves).
O relator incluiu no projeto a previsão de regulamentação do processo de formação técnica específica de condutores de tratores e máquinas agrícolas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
“Os condutores de tratores possuem amplo conhecimento de seus veículos e das regras básicas de trânsito. No entanto, a maioria tem formação educacional e recursos financeiros limitados, o que torna inviável a obtenção da habilitação pelo processo atual de formação de condutores”, argumentou Ayres.
Próximos passos
O projeto ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, em caráter conclusivo. Para virar lei, a medida precisa ser aprovada pelos deputados e pelos senadores.
A partir desta terça-feira (1°), a Petrobras reduzirá seus preços de venda de diesel A para as distribuidoras. O novo valor passará a ser, em média, de R$ 3,55 por litro, uma redução de R$ 0,17 por litro.
Considerando a mistura obrigatória de 86% de diesel A e 14% de biodiesel para composição do diesel B vendido nos postos, a parcela da Petrobras no preço ao consumidor passará a ser de R$ 3,05 /litro, uma redução de R$ 0,15 a cada litro de diesel B.
Com o reajuste anunciado, a Petrobras reduziu, desde dezembro de 2022, os preços de diesel para as distribuidoras em R$ 0,94/litro, uma redução de 20,9%. Considerando a inflação do período, a redução é de R$ 1,45/litro ou 29%, de acordo com a companhia.
O anúncio da redução do preço foi feito pela presidente da estatal, Magda Chambriard, durante lançamento de um programa para aquisição de crédito de carbono, na sede da companhia, no Rio de Janeiro.
Chambriard reforçou a defesa da política de preços da Petrobras, alterada em 2023. A atual política é considerada como “abrasileiramento” dos valores, pois leva em conta fatores como o custo da produção de petróleo no Brasil e a participação da empresa no mercado consumidor.
A intenção é não trazer para o consumidor brasileiro as flutuações bruscas dos preços internacionais e manter a estatal competitiva, para não perder mercado para concorrentes. “A gente olha preço a cada 15 dias”, afirmou a presidente.
“Se precisar subir [o preço], a gente sobe, se precisar descer, a gente desce. Neste momento, o que a gente está dizendo é: o abrasileiramento de preços de combustível no Brasil gerou uma economia relevante para a sociedade brasileira.”
A colheita de milho no Brasil segue em avanço no Brasil, com destaque para o milho verão, enquanto o plantio da segunda safra (safrinha) ocorre com boas perspectivas climáticas. Segundo a plataforma Grão Direito, o cenário atual tem impactado o mercado, tanto no Brasil quanto no exterior, refletindo nas cotações da commodity.
Favorecida por boas previsões de chuva, a colheita de verão e o plantio do milho safrinha têm impulsionado o desenvolvimento da safra. Esse cenário trouxe otimismo ao mercado na última semana, refletindo em pressão sobre as cotações na bolsa. No mercado físico, a forte demanda, especialmente dos granjeiros, manteve os preços mais firmes e menos vulneráveis às oscilações da B3.
A semana do milho
A semana foi marcada por algumas indecisões no aguardo pelo relatório de intenção de plantio do USDA, programado para esta semana. Em Chicago, o milho encerrou a semana cotado a US$4,53 por bushel, com queda de 2,16%.
No Brasil, na B3, o contrato de milho para maio de 2025 também recuou, encerrando a R$77,19 por saca (-3,09%). No mercado físico, os preços do milho seguem em baixa, pressionados pela desvalorização nos mercados futuros, porém com recuos menos expressivos. Algumas praças mostraram valorização em função da demanda.
O mercado interno segue aquecido, com os preços no físico sustentados por uma demanda firme. Na última semana, o Ministro de Minas e Energia afirmou durante a E30 que a mistura de etanol na gasolina, atualmente em 27%, será elevada para 30%. Essa mudança deve intensificar a demanda por milho no curto prazo, especialmente para a produção de etanol, o que pode acentuar o aperto na oferta disponível e manter os preços sustentados nas próximas semanas.
O fator clima
Os principais modelos climáticos apontam para uma condição de neutralidade entre os fenômenos El Niño e La Niña. Esse cenário, nas condições atuais, tende a favorecer o desenvolvimento do milho segunda safra, com previsão de temperaturas mais amenas no Centro-Oeste e chuvas bem distribuídas nas principais regiões produtoras. A continuidade desse padrão climático será essencial para garantir produtividade e evitar perdas na safra.
USDA
O relatório de intenção de plantio do USDA, previsto para 31 de março, deve indicar aumento na área de milho nos EUA, com estimativas de 4% acima do ano passado. Essa expectativa já gera pressão baixista nos preços. Se confirmada, pode manter o mercado pressionado nesta semana. Por outro lado, uma área abaixo do esperado pode reverter o movimento e sustentar as cotações no curto prazo. O relatório é um importante indicativo para decisões comerciais de produtores e compradores.
As projeções para a safra 2024/25 de soja continuam otimistas, apesar do atraso inicial na colheita. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam um aumento de 13,3% na produção em comparação à safra anterior. Até a segunda quinzena de março, a colheita já havia atingido 76,4% da área total cultivada, um avanço de 10,1 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024. O clima favorável em estados como Mato Grosso e Goiás contribuiu para a aceleração dos trabalhos no campo, garantindo um ritmo mais ágil do que o esperado.
Segundo boletim divulgado pelo Sistema TEMPOCAMPO, em Mato Grosso, a colheita já ultrapassou 99% da área plantada, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA). O bom desempenho foi impulsionado pelas condições climáticas adequadas durante a maior parte do ciclo da cultura. Apesar disso, algumas regiões registraram grãos avariados devido ao excesso de chuvas no final da safra, o que pode impactar a qualidade final da produção.
No Mato Grosso do Sul, a colheita atingiu 85% da área cultivada, mas apresenta um atraso de cinco pontos percentuais em relação ao ciclo anterior. Esse atraso se deve à estiagem prolongada no início do plantio, que encurtou o ciclo da safra passada. A expectativa, no entanto, é de um crescimento de 6,8% na produção, impulsionado pela regularização das chuvas entre fevereiro e março.
Em Goiás, a colheita chegou a 90% da área total, beneficiada pela redução das chuvas. Apesar do avanço nas operações, algumas lavouras sofreram perdas de produtividade devido ao veranico registrado em fevereiro, que comprometeu o enchimento de grãos. Já no Paraná, 81% da colheita foi concluída, com destaque para as lavouras do sul do estado, que se beneficiaram das chuvas de março.
O cenário se mostra mais desafiador no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No território gaúcho, apenas 19% da área foi colhida, devido à irregularidade das chuvas e ao déficit hídrico. Já em Santa Catarina, onde a colheita alcançou 45% da área, a estiagem impactou as lavouras da região Oeste, reduzindo o potencial produtivo. A tendência para os próximos meses é de ajustes nas estimativas de produção desses estados.
As regiões Centro-Oeste, Sudeste, Sul e uma pequena parte do Nordeste terão um mês de abril com temperaturas acima da média, indica previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Nessas regiões, as chuvas também serão mais escassas para o período, mantendo a tendência do que ocorreu durante o verão, encerrado no último dia 20 de março.
Segundo o balanço da estação, apesar da influência do fenômeno La Niña, esse foi o sexto verão mais quente do país desde 1961. As chuvas ultrapassaram a média histórica na faixa norte do país, mas nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e em parte da região Sul, as precipitações foram predominantemente abaixo da média.
“Os volumes apresentados não foram suficientes para recuperar o estoque hídrico do solo, maltratado pelas últimas secas e incêndios florestais que têm atingindo com mais frequência os biomas Amazônia, Cerrado e o Pantanal nos últimos dois anos”, destaca nota divulgada pelo Inmet.
Temperaturas em abril
As previsões para abril indicam também que o Centro-Sul e áreas pontuais no Nordeste devem atravessar o mês com temperaturas acima de 24 °C. Já outras áreas no Nordeste e toda a região Norte deverão registrar temperaturas dentro da média histórica para o período, com termômetros marcando entre 26 ºC e 28 ºC.
Para o Inmet, nas regiões Centro-Oeste e Sudeste haverá chuvas mal distribuídas, com tendência de volumes mais concentradas no leste do Sudeste.
Na região Sul, a seca deverá ser percebida principalmente no extremo-sul do Rio Grande do Sul e na parte central de Santa Catarina. Em outras áreas, as chuvas acima da média podem ajudar na recuperação do solo.
Outono
Para a temporada de outono – iniciado em 20 de março para terminar em 20 de junho – a meteorologista do Inmet Danielle Ferreira destaca que as chuvas ainda persistirão somente na faixa norte do país. Mas o mesmo não será observado na área central brasileira.
“A tendência é de redução das chuvas à medida que a gente vai para meados e fim do outono, que é o estabelecimento do período seco. Na região Sul, teremos um pouco de irregularidade em abril, mas poderemos ter o retorno das chuvas no Rio Grande do Sul, principalmente, a partir de maio”, acrescentou.
Em termos de temperatura, a previsão para outono é de termômetros com índices acima da média no Centro-Sul, com algumas entradas de massa de ar frio a partir de abril.
“Isso pode provocar temperaturas mais amenas, principalmente em regiões mais elevadas e até mesmo ocorrência de geadas, em especial nas áreas mais elevadas da região Sul. Por enquanto, a gente não tem previsão de geada para a região Sudeste, mas à medida que o outono vai se estabelecendo, é possível que ocorra também”, disse a meteorologista.
O mercado da soja apresentou uma semana de avanços, impulsionado por fatores internos e externos que mantiveram os preços sustentados. Segundo informações fornecidas pela plataforma Grão Direto, a colheita no estado do Paraná já alcançou cerca de 90%, e a projeção do Departamento de Economia Rural (Deral) indica um crescimento de quase 15% na produção em relação ao ano anterior.
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A trégua mediada pelos Estados Unidos entre Rússia e Ucrânia trouxe alívio momentâneo ao fluxo de grãos pelo Mar Negro, embora ainda haja incertezas sobre a estabilidade desse acordo. No cenário internacional, as exportações brasileiras para a China continuam em alta, aproximando-se de números recordes no primeiro trimestre de 2025.
Na Bolsa de Chicago, o contrato de soja para maio de 2025 fechou a US$10,22 por bushel, com alta de 1,19% na semana. Já o contrato para março de 2026 registrou valorização de 1,56%, encerrando a US$10,39 por bushel. O câmbio também influenciou o mercado, com o dólar valorizado em 0,7%, cotado a R$5,76.
Expectativas para o mercado da soja
A demanda chinesa segue aquecida, com 15,3 milhões de toneladas de soja brasileira embarcadas até 20 de março. Apesar da recomposição de estoques na China, os prêmios permanecem elevados devido ao ritmo abaixo do esperado no esmagamento do grão. A partir da segunda quinzena de abril, espera-se que o aumento da oferta no destino exerça maior pressão sobre os preços na origem.
Na Argentina, a comercialização da safra está no menor nível dos últimos dez anos. Produtores locais aguardam possíveis isenções fiscais e uma taxa de câmbio mais favorável para retomar as vendas. Esse cenário tem favorecido as esmagadoras brasileiras, que encontram maior demanda para suprir a menor oferta argentina.
O câmbio global pode sofrer novos impactos com o anúncio do ex-presidente Donald Trump, previsto para 2 de abril, sobre novas sobretaxas para produtos importados. Há possibilidade de o Brasil ser incluído na lista de países afetados, o que pode gerar reflexos no mercado de soja nas próximas semanas.
Com base nesses fatores, a expectativa é de que a soja mantenha uma trajetória positiva no início de abril, seguindo a tendência da última semana. No entanto, pressões de baixa podem se tornar mais evidentes na segunda quinzena do mês, conforme os embarques para a China impactem a precificação global do grão.