O Indicador do Boi Gordo Datagro sinaliza para uma estabilidade dos preços nesta quinta-feira com pequenas oscilações nas cotações das praças. A demanda aquecida no mercado interno e o afastamento do risco de medida sanitária contra a carne brasileira pela China têm segurado os preços.
Em São Paulo, a cotação fechou no maior valor do dia, a R$ 322,63 por arroba, representando queda de -0,11%. No Pará, o preço atingiu R$ 307,64, com variação de 1,28%, a maior elevação desta quinta-feira.
Veja abaixo a cotação do boi gordo nas principais praças:
São Paulo: R$ 322,63
Goiás: R$ 316,78
Minas Gerais: R$ 311,57
Mato Grosso: R$ 306,40
Mato Grosso do Sul: R$ 319,48
Pará: R$ 307,64
Rondônia: R$ 281,22
Tocantins: R$ 303,01
Bahia: de 312,20
O Indicador do Boi Gordo Datagro é a referência utilizada pela B3 para a liquidação dos contratos futuros de pecuária no mercado brasileiro.
A JBS registrou receita líquida de US$ 22,6 bilhões no terceiro trimestre de 2025, alta de 13% em relação ao mesmo período do ano passado. O avanço foi disseminado entre todas as unidades da companhia e confirma, segundo a empresa, a capacidade de operar sua plataforma global multiproteína com disciplina e agilidade em diferentes cenários de mercado.
O lucro líquido somou US$ 581 milhões, enquanto o retorno sobre o patrimônio (ROE) alcançou 23,7% nos últimos 12 meses. A alavancagem encerrou o trimestre em 2,39 vezes, alinhada à meta de longo prazo. O EBITDA ajustado IFRS ficou em US$ 1,8 bilhão, com margem consolidada de 8,1%.
“O trimestre comprova a força da nossa plataforma global multiproteína e como a operamos com disciplina, agilidade e resiliência”, afirmou o CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni.
EUA registram receita recorde na operação de carne bovina
Nos Estados Unidos, a JBS Beef North America alcançou receita recorde de US$ 7,2 bilhões, impulsionada pela demanda doméstica resiliente, mesmo em um cenário de oferta restrita e preços historicamente elevados do gado.
Segundo Tomazoni, a equipe manteve “consistência e execução disciplinada”, garantindo crescimento mesmo em um ambiente de custos elevados.
A Pilgrim’s Pride, operação de aves da companhia, atingiu margem de 16,2%, apoiada em portfólio diversificado e ganhos contínuos de eficiência. O segmento de Prepared Foods avançou mais de 25% em vendas na América do Norte, com performances acima da média também na Europa e no México.
A JBS USA Pork também registrou receita recorde, com margem EBITDA de 9,8%, sustentada por forte demanda interna e expansão de produtos de marca e preparados. Durante o trimestre, a empresa anunciou a compra de uma planta em Iowa e o avanço na construção de outra unidade no estado.
Friboi e Seara impulsionam resultado no Brasil
No Brasil, a JBS registrou margem EBITDA de 7,4%. A Friboi teve mais um trimestre de crescimento, com bom desempenho nas exportações e no mercado doméstico. A marca foi novamente eleita a mais lembrada do país na categoria de carnes pelo prêmio Top of Mind.
A Seara alcançou o maior volume de exportações de sua história, mesmo diante de restrições temporárias às vendas para China e Europa, que já foram encerradas. A margem EBITDA da unidade foi de 13,7%.
Segundo Tomazoni, o desempenho foi sustentado por inovação, redirecionamento de volumes e foco em rentabilidade. Ele destacou lançamentos como a linha Seara Protein, produtos para AirFryer e parcerias com a Netflix.
JBS Austrália mantém rentabilidade apesar do custo mais alto do gado
A JBS Austrália encerrou o trimestre com margem EBITDA de 11,4%, impulsionada pela maior disponibilidade de gado e demanda aquecida. O segmento de carne bovina foi o principal motor dos resultados, compensando o aumento de 26% no custo do gado, segundo dados da Meat & Livestock Australia (MLA).
Tomazoni afirmou que a Austrália “continua sendo pilar estratégico para a diversificação geográfica da JBS” e um exemplo de eficiência operacional.
Empresa reforça foco em crescimento sustentável
O CEO destacou que a companhia mantém disciplina financeira e segue investindo com responsabilidade. “A demanda global por proteína continua em expansão, e a JBS está pronta para capturar esse crescimento com um portfólio equilibrado, execução sólida e visão de longo prazo.”
O mercado físico do boi gordo opera com preços acomodados nesta quinta-feira (13), em meio a escalas de abate curtas em boa parte do país. O Ministério da Agricultura afastou os rumores envolvendo a presença de fluazuron em amostras de carne brasileira, informação que pressionou a B3 na primeira metade de novembro.
A preocupação agora recai sobre a investigação conduzida pela China sobre os impactos das importações na produção local. A decisão está prevista para 26 de novembro, e até lá o mercado deve seguir volátil, segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias.
Preços médio da arroba do boi gordo
São Paulo: R$ 327,33
Goiás: R$ 320,89
Minas Gerais; R$ 315,88
Mato Grosso do Sul: R$ 323,98.
Mato Grosso: R$ 309,12
Mercado atacadista
O mercado atacadista de carne bovina registra alta consistente dos preços. Segundo Iglesias, o cenário aponta para continuidade da valorização no curtíssimo prazo, favorecido pelo pico do consumo doméstico com o pagamento do 13º salário, aumento de vagas temporárias e confraternizações de fim de ano.
Quarto traseiro : R$ 26,00/kg,
Quarto dianteiro: R$ 19,50/kg
Ponta de agulha: R$ 19,00/kg
Câmbio
O dólar comercial encerrou o dia com alta de 0,09%, cotado a R$ 5,2971 para venda e R$ 5,2951 para compra. A divisa oscilou entre R$ 5,2735 na mínima e R$ 5,3025 na máxima durante a sessão.
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Foto: Canva
Minas Gerais, quarto maior produtor de algodão do país, consolida-se como referência nacional em sanidade e qualidade da produção. O estado já produziu mais de 145 mil toneladas da fibra, quase 21 mil toneladas a mais que no ano anterior, com exportações superiores a US$ 35 milhões, segundo dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). De acordo com o órgão, o avanço é resultado de ações de defesa sanitária e de programas de certificação conduzidos pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), que têm fortalecido o setor e ampliado o acesso a mercados mais exigentes.
Entre as principais medidas adotadas para garantir a competitividade e proteger as lavouras, está o vazio sanitário do algodão, realizado anualmente entre 20 de setembro e 20 de novembro. Nesse período, é proibido o cultivo e obrigatório o manejo adequado dos restos culturais e soqueiras, o que interrompe o ciclo reprodutivo do bicudo-do-algodoeiro, considerada uma das principais pragas que afetam a cultura.
O IMA realiza fiscalizações por amostragem em propriedades que cultivaram algodão na última safra e notifica produtores que não cumprem as determinações legais. O descumprimento pode resultar em autuações e processos administrativos. “Essas ações são fundamentais para reduzir a presença de pragas e preservar a produtividade das lavouras”, destaca o Instituto. Além das ações em campo, a entidade promove campanhas de conscientização por meio de rádios, redes sociais e reuniões setoriais, reforçando a importância do cumprimento das medidas preventivas para manter a sanidade e a sustentabilidade da produção.
Segundo o IMA, as ações de defesa fitossanitária, somadas ao cadastro das propriedades produtoras, fortalecem a economia mineira e asseguram a rastreabilidade e a confiança nos produtos locais. O Instituto afirma que “a qualidade e a conformidade sanitária são diferenciais que valorizam o algodão mineiro tanto no mercado interno quanto no internacional”.
A sexta-feira (14) será marcada por contrastes no clima do Brasil. Enquanto áreas do Sul voltam a ter tempo firme após a passagem de uma frente fria, estados do Centro-Oeste registram risco de temporais. No Sudeste, novas instabilidades ganham força e espalham chuva entre o interior paulista e Minas Gerais.
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Sul terá tempo firme no RS e chuva moderada no PR e em SC
No Rio Grande do Sul, o afastamento da frente fria e a chegada de uma área de alta pressão deixam o tempo firme na maior parte do estado. Apenas o norte gaúcho ainda pode registrar chuva fraca e isolada. As temperaturas seguem mais elevadas.
Em Santa Catarina, o litoral ainda pode ter chuva fraca e passageira, enquanto o oeste recebe pancadas moderadas a fortes ao longo do dia.
No Paraná, a instabilidade persiste. Pancadas moderadas a fortes atingem grande parte do estado, sobretudo o noroeste, oeste e áreas do interior, onde há risco de temporais por causa de uma área de baixa pressão no Paraguai. As temperaturas não sobem tanto quanto no RS.
Instabilidade avança no Sudeste e atinge capital paulista
Em São Paulo, um cavado em médios níveis da atmosfera favorece nuvens carregadas no interior, oeste e sul do estado. Pancadas moderadas a fortes, com chance de trovoadas, devem avançar para o centro e o leste paulista ao longo do dia.
Na capital, o sol aparece entre nuvens pela manhã, mas há previsão de pancadas de chuva à tarde e à noite. As temperaturas variam entre 17 °C e 26 °C, com declínio no centro-sul do estado e sul de Minas Gerais.
No nordeste de Minas, em pontos do Rio de Janeiro e no Espírito Santo, pode chover de forma isolada, mas o predomínio ainda é de tempo firme.
No Mato Grosso do Sul, a presença da área de baixa pressão no Paraguai mantém o tempo instável, com pancadas moderadas a fortes e risco de temporais em praticamente todo o estado.
Em Mato Grosso, as instabilidades começam pela manhã e se intensificam à tarde, especialmente na metade oeste do estado.
Goiás tem cenário diferente: a chuva se concentra no extremo sudoeste, enquanto o restante do estado permanece com tempo firme. As temperaturas seguem elevadas, com sensação de abafamento.
Nordeste terá chuva no litoral e sol forte no interior
No Recôncavo Baiano, as chuvas diminuem e ficam mais concentradas entre o sul da Bahia e a região de Ilhéus. Entre Alagoas e Rio Grande do Norte, há chance de chuva fraca e isolada na faixa litorânea. O mesmo vale para áreas costeiras do Ceará e do Maranhão.
Nas demais áreas do Nordeste, o sol predomina e as temperaturas permanecem altas.
A metade oeste da região Norte continua sob influência de áreas de instabilidade. Roraima e Rondônia também podem registrar pancadas moderadas a fortes, com risco de temporais isolados.
No Pará, a chuva se concentra no extremo oeste. No Tocantins, Amapá e demais áreas do estado, o tempo firme predomina.
O mercado brasileiro de soja registrou alta generalizada nas cotações nesta quinta-feira (13), com negócios mais firmes ao longo do dia. De acordo com Rafael Silveira, analista da consultoria Safras & Mercado, houve bons movimentos em Minas Gerais, com preços firmes e spreads elevados, à medida que produtores continuam pedindo valores maiores.
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As indicações seguem acima da paridade de exportação em várias regiões, refletindo a disputa entre vendedores e compradores. No mercado spot, os volumes disponíveis diminuem, já que a exportação entra na fase final da janela anual. “Paranaguá rodou volumes hoje, mas nada muito grande”, acrescentou.
Com CBOT em alta e prêmios praticamente estáveis, houve reflexos diretos no físico. O mercado segue atento ao relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado amanhã e pode impactar o curto prazo.
Preços de soja por região
Passo Fundo (RS): subiu de R$ 134,00 para R$ 135,00
Santa Rosa (RS): subiu de R$ 135,00 para R$ 136,00
Cascavel (PR): subiu de R$ 135,00 para R$ 136,00
Rondonópolis (MT): subiu de R$ 125,00 para R$ 127,00
Dourados (MS): subiu de R$ 125,50 para R$ 127,50
Rio Verde (GO): manteve em R$ 128,00
Paranaguá (PR): subiu de R$ 140,50 para R$ 142,00
Rio Grande (RS): subiu de R$ 140,00 para R$ 142,50
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam firmes nesta quinta-feira (13) na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Os agentes seguem posicionando suas carteiras frente ao relatório de novembro do USDA e aguardam sinais da retomada das compras chinesas de produto americano.
O relatório de amanhã servirá como termômetro para medir a confiança nos acordos comerciais EUA-China e as expectativas de aumento nas vendas de exportação de soja. Caso o USDA reduza as projeções, pode indicar cautela do mercado em relação aos negócios em andamento.
Após o fim da paralisação do governo americano, o USDA anunciou que publicará vendas diárias de grãos para exportadores privados não divulgadas durante os 43 dias de paralisação. O mercado acompanhará se a China comprou soja entre outubro e início de novembro.
Nos relatórios de vendas semanais, para a semana encerrada em 18 de setembro, foram vendidas 724,5 mil toneladas de soja em grão. Na semana até 25 de setembro, 870,5 mil toneladas. A ausência da China entre os principais compradores segue sendo um ponto de atenção.
O USDA deve reduzir a projeção de safra dos EUA 2025/26 para 4,265 bilhões de bushels, contra 4,301 bilhões previstos em setembro, com estoques de passagem em 292 milhões de bushels, frente a 300 milhões estimados anteriormente.
No cenário global, os estoques finais 2024/25 da soja estão projetados em 123,4 milhões de toneladas, frente a 123,6 milhões em setembro. Para 2025/26, a previsão é de 124,6 milhões de toneladas, acima dos 124 milhões projetados em setembro.
Contratos futuros de soja
Os contratos da soja em grão para janeiro fecharam com alta de 13,25 centavos de dólar, a US$ 11,47 por bushel, e março a US$ 11,56 3/4, alta de 12,75 centavos. No farelo, dezembro subiu US$ 7,40, a US$ 328,40 por tonelada. No óleo, dezembro fechou a 50,25 centavos de dólar, perda de 0,37 centavo.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão com alta de 0,09%, negociado a R$ 5,2971 para venda e R$ 5,2951 para compra, oscilando ao longo do dia entre mínima de R$ 5,292 e máxima de R$ 5,303.
Durante a COP30, em Belém, Pará, a Agrizone (espaço dedicado à agricultura sustentável) abriu um painel sobre bioinsumos e intensificação sustentável, com foco nas estratégias de implementação e ampliação do uso dessas tecnologias no campo.
De acordo com a pesquisadora da Embrapa Soja, Mariangela Hungria, o Brasil é atualmente o líder mundial no uso de bioinsumos, crescendo de três a quatro vezes mais do que a média global. Mesmo assim, os produtos biológicos representam apenas 15% do mercado, frente aos químicos.
“Existem soluções prontas que poderiam elevar esse índice para 50%, mas é preciso implementar de forma mais ampla e estratégica. Então, o que nós precisamos é implementar e eu espero que a gente discuta aqui essas estratégias de implementação”, afirma.
Desafios e estratégias
A pesquisadora destacou que um dos principais desafios para ampliar o uso dos bioinsumos no país é garantir acesso aos pequenos e médios produtores rurais. Segundo ela, embora a pesquisa já disponha de soluções prontas e validadas a campo para 80 a 100 espécies vegetais, o setor privado ainda concentra esforços nas grandes culturas, como soja e milho.
“O pequeno, médio agricultor, por exemplo, não tem acesso a pacotes que sejam voltados a propriedade dele. Então, temos que discutir como que vamos conseguir implementar isso, principalmente para o pequeno e médio agricultor”, afirma.
Cenário futuro e expectativas
Dados da entidade CropLife Brasil, que representa 56 indústrias de bioinsumos e sementes, apontam que a área tratada com esses produtos no país já alcança 156 milhões de hectares. Para a pesquisadora, a expansão entre os produtores de menor porte é essencial.
“Estamos crescendo 15% ao ano, quatro vezes mais do que em outros países. Mas o que eu considero agora fundamental é crescer entre os pequenos e médios produtores, porque eles são extremamente importantes em ocupação territorial, melhoria de qualidade de vida e geração de empregos”, destaca.
Agrizone
A Agrizone, conhecida como a Casa da Agricultura Sustentável da Embrapa, é um dos espaços mais visitados da COP30. Pela primeira vez, a Embrapa leva para o evento internacional um ambiente totalmente voltado ao agronegócio sustentável, com vitrines tecnológicas, demonstrações de sistemas produtivos e práticas de recuperação ambiental.
O espaço, instalado na sede da Embrapa Amazônia Oriental, reúne pesquisadores, representantes do setor produtivo e visitantes interessados em conhecer as soluções sustentáveis desenvolvidas no Brasil.
Durante a COP30, a Aprosoja Brasil apresentou a Carta Manifesto dos Produtores de Soja, documento que defende que áreas preservadas em fazendas sejam reconhecidas como ativos ambientais e que o país estabeleça suas próprias métricas climáticas. O manifesto foi divulgado no espaço da CNA e do Senar durante a cúpula do clima e contou com a colaboração do especialista em sustentabilidade e direito internacional, Daniel Vargas.
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“O documento propõe uma agenda climática baseada em três princípios: transformar o capital natural do país em ativo econômico, tratar a agenda climática como motor de desenvolvimento e garantir que o Brasil siga trajetórias próprias no enfrentamento das mudanças climáticas”, explica Vargas. Segundo ele, o país responde por apenas 2,47% das emissões globais, contra 28% da China e até 15% dos Estados Unidos, o que exige uma abordagem original, alinhada à realidade brasileira.
O presidente da Aprosoja Brasil, Mauricio Buffon, destacou que, apesar de os problemas climáticos dominarem as discussões na COP, o Brasil é parte da solução. “O país é um grande produtor de alimentos e biocombustíveis, e nosso setor tem mostrado que é possível conciliar produção com preservação ambiental”, afirmou.
Entre as metas previstas no manifesto estão a recuperação de 40 milhões de hectares de pastagens até 2035, o que poderia elevar a produção agrícola em 25% e reduzir emissões, além da expansão da geração de energia renovável no campo. O documento também propõe a criação de acordos comerciais com reconhecimento mútuo de padrões sustentáveis, fortalecendo a competitividade do setor.
Além disso, ressalta a importância da produção de biocombustíveis e o cuidado com reservas legais e áreas de preservação permanente dentro das propriedades rurais, demonstrando o compromisso dos produtores com a sustentabilidade.
A superintendente da Fundação de Apoio ao Corredor de Exportação Norte (Fapcen), Gisela Introvini, participou da COP30 com uma mensagem direta: o agro brasileiro precisa ser visto como protagonista na produção de alimentos, na regeneração ambiental e na inclusão social, especialmente de povos tradicionais e comunidades vulneráveis. Em entrevista ao Canal Rural, ela destacou o papel decisivo da agricultura para o desenvolvimento do país e para a segurança alimentar global.
Gisela reforçou que a COP30 representa o momento ideal para “jogar a conchinha no mar”, levando ao mundo a verdadeira narrativa do campo brasileiro — uma agricultura diversa, profissional, inovadora e presente em todas as regiões, do Rio Grande do Sul à Amazônia.
Para ela, a AgriZone e os espaços de tecnologia da Embrapa estão mostrando ao planeta aquilo que o Brasil tem de mais valioso: a capacidade de produzir alimentos em harmonia com a floresta.
Integração com povos indígenas e justiça social
A superintendente relatou ações da Fapcen junto a aldeias indígenas do Maranhão. Em parceria com Embrapa Amazônia e Meio-Norte, a entidade levou cultivares de mandioca, feijão-caupi, girassol, gergelim e capins melhorados para comunidades tradicionais, promovendo dias de campo e troca de saberes.
Segundo Gisela, o objetivo é aumentar a produtividade sem interferir no tradicionalismo indígena, respeitando modos de vida e trabalhando para fortalecer a autonomia alimentar. Ela relatou que encontrou comunidades enfrentando problemas como autismo sem assistência, alcoolismo, evasão de jovens e até casos de suicídio por falta de perspectivas.
Para ela, o agro tem um papel social urgente: “Eles estão sedentos por cursos, treinamento, tecnologia. Precisam aprender a plantar para alimentar seus irmãos. É o agro chegando onde o poder público ainda não chegou”.
25 anos de transformação no Maranhão e no Matopiba
Ao lembrar sua trajetória de 25 anos na região, Gisela destacou o impacto da chegada da soja ao Maranhão, Tocantins e Piauí. A disseminação de tecnologia, testes de vigor, mecanização, rotação de culturas, três safras ao ano e manejo de palhada transformaram a paisagem produtiva e reduziram temperaturas do solo.
A partir de 2012, a Fapcen passou a coordenar iniciativas de certificação, como a RTRS, levando para a região uma nova visão de gestão rural, inclusão de comunidades e boas práticas socioambientais. Hoje, boa parte da soja do Maranhão e um número crescente de áreas no Piauí já operam com certificações internacionais.
Ela lembra também projetos de impacto social, como o atendimento a crianças especiais em Bertolínia (PI), conduzido por produtores certificados, beneficiando mais de 28 mil pessoas.
Amazônia, Cerrado e o alerta climático
A visita aos estandes da Embrapa na COP30 impressionou Gisela pela força de pesquisas em feijão-caupi, sistemas agroflorestais e propostas de agricultura regenerativa. Para ela, o Brasil está mostrando ao mundo que é possível produzir com floresta em pé — e que eventos como a COP no Pará são fundamentais para reposicionar a imagem do país.
Ela alerta, no entanto, para o avanço das mudanças climáticas. Citando o cientista Carlos Nobre, lembra que a elevação global de 2 °C pode inviabilizar lavouras em áreas extensas de commodities se não houver solo coberto, palhada e manejo regenerativo: “Solo descoberto não terá chance. Sem chuvas, não teremos produção”.
Gisela também defendeu que uma futura COP realizada no Brasil deveria ocorrer no Cerrado — “a bola da vez”, nas palavras dela — pelo seu papel estratégico na produção de alimentos e pela importância ambiental do bioma.
Participação contínua e próximos passos
Durante a COP30, a Fapcen integra fóruns sobre certificação, agricultura regenerativa e financiamento sustentável. Gisela também participa de debates com a Universidade Federal do Pará e visitas técnicas, como o maior ensaio demonstrativo de mandioca do estado.
Antes de concluir, ela reforça que o país escolheu o lugar certo para mostrar ao mundo sua potência agrícola. “Aqui é o começo da Amazônia e o começo da produção de alimentos. Estamos respirando agricultura e floresta juntas”.
Indicação representa o reconhecimento da trajetória de Levrero
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Foto: Divulgação
A Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo) celebra a nomeação de seu presidente do Conselho Deliberativo, Roberto Levrero, para integrar o Conselho Superior da Academia Latino-Americana do Agronegócio (ALAGRO), no biênio 2025/2026.
Inspirada pelo legado de Alysson Paolinelli, a ALAGRO reúne lideranças do agronegócio latino-americano com a missão de “demonstrar, induzir e comunicar as iniciativas do setor”. O movimento promove o desenvolvimento sustentável, a integração entre países e a valorização da inovação no campo.
Para a Abisolo, a indicação representa o reconhecimento da trajetória de Levrero e de sua contribuição ao fortalecimento do agronegócio brasileiro, especialmente nos segmentos de fertilizantes minerais, organominerais, orgânicos, biofertilizantes, remineralizadores, condicionadores de solo, substratos, adjuvantes e insumos biológicos, que integram a base da entidade.
“A nomeação reflete a dedicação e o compromisso da Abisolo com o diálogo técnico e institucional que impulsiona o agronegócio sustentável. A ALAGRO tem papel estratégico na disseminação de conhecimento e no estímulo à cooperação regional”, analisa Levrero.
O presidente do Conselho Deliberativo da Abisolo tem trajetória marcada pela defesa da competitividade, da inovação e da sustentabilidade na agricultura. Ele atua para aproximar diferentes atores do agronegócio, promovendo o diálogo e o fortalecimento de políticas e práticas voltadas ao uso eficiente de insumos e ao desenvolvimento de tecnologias para a nutrição vegetal.