sexta-feira, março 27, 2026

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Brasil firma parceria global para levar energia limpa a áreas remotas da Amazônia



O Ministério de Minas e Energia (MME) assinou nestes sábado (15), um protocolo de intenções com a Global Energy Alliance for People and Planet (Geapp) para ampliar o fornecimento de energia renovável e “oportunidades econômicas” às comunidades remotas da Amazônia. A parceria terá prazo de cinco anos e foi formalizada no sexto dia da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30).

Esse protocolo, segundo o MME, vai apoiar os esforços da pasta para eliminar a chamada pobreza energética nos estados da Amazônia, onde quase 1 milhão de brasileiros ainda vivem sem acesso à eletricidade e 2 milhões não estão conectados à rede nacional de energia, segundo estimativas da pasta.

Outra frente, com essa iniciativa, é a redução da dependência de combustíveis fósseis, em convergência com as diretrizes do programa Energias da Amazônia, focado na descarbonização.

Os sistemas isolados – aqueles em que a distribuição de energia elétrica não está conectada ao Sistema Interligado Nacional (SNI) – estão concentrados na Região Norte, em sua maior parte.

Para garantir o suprimento de energia elétrica, cada sistema isolado conta com uma usina, predominando a geração a diesel.

“O protocolo de intenções assinado hoje vai definir ações conjuntas em financiamento, assistência técnica e intercâmbio de conhecimento para ampliar o acesso à energia renovável e a projetos de uso produtivo na região amazônica”, diz o comunicado do MME.



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76% valorizam energia renovável, mas só 26% adotam



“Essa diferença se explica por uma combinação de fatores”


"Essa diferença se explica por uma combinação de fatores"
“Essa diferença se explica por uma combinação de fatores” – Foto: Divulgação

Um levantamento do estudo “ESG Trends 2025”, conduzido no Brasil pela Demanda Pesquisa e Desenvolvimento de Mercado, revela a maior distância entre o que os brasileiros consideram importante e o que efetivamente fazem no dia a dia. A energia renovável lidera esse hiato: 76% dizem valorizar o tema, mas apenas 26% adotam práticas ligadas ao uso de fontes limpas.

Segundo Silvio Pires de Paula, presidente da Demanda, essa diferença é explicada por fatores como dificuldade de acesso a fornecedores, percepção de custo elevado e pouca informação sobre alternativas viáveis. Ele ressalta que, apesar disso, o país tem potencial para avançar, especialmente com o fortalecimento da energia solar e a ampliação do mercado livre de energia.

“Essa diferença se explica por uma combinação de fatores, o acesso limitado a fornecedores de energia limpa, o custo percebido como mais alto e a falta de informação sobre alternativas viáveis para residências e pequenas empresas. Enquanto ações mais simples estão amplamente incorporadas no cotidiano, como evitar o desperdício de alimentos e reduzir o consumo de energia”, explica Silvio Pires de Paula, fundador e presidente da Demanda Pesquisa e Desenvolvimento de Mercado, que liderou o estudo no Brasil.

A mudança pode ganhar impulso com a nova resolução CGIEE nº 4, que exigirá, a partir de 2027, etiquetagem de consumo energético em prédios públicos e, a partir de 2030, também em edificações privadas. Para Adriana Hansen, diretora de Sustentabilidade do CTE, a medida deve estimular escolhas mais eficientes e acelerar a adoção de práticas renováveis.

O estudo também mostra que hábitos sustentáveis mais comuns entre os brasileiros são aqueles que impactam diretamente o bolso. Evitar desperdício de alimentos (87%), reduzir consumo de energia (80%) e comprar apenas o necessário (67%) lideram o ranking de ações efetivas.

 





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Indicador avalia desenvolvimento socioeconômico em imóveis rurais



A Agroicone, consultoria focada em conteúdos técnicos e soluções voltadas ao agronegócio, apresentou nesta semana um novo indicador que avalia condições socioeconômicas associadas aos imóveis inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR). O Índice de Desenvolvimento Rural para o CAR integra dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e informações de 7,8 milhões de propriedades rurais no país.

O objetivo é fornecer uma ferramenta técnica para pesquisa, formulação de políticas públicas e decisões do setor privado, ampliando a compreensão sobre desafios e oportunidades no meio rural.

Como o indicador foi construído

O IDR-CAR combina dados territoriais do CAR com informações levantadas pelo IBGE em setores censitários. A metodologia permite observar características socioeconômicas em escala fina, no nível do imóvel rural, o que não é possível quando se analisam somente dados municipais.

O índice considera quatro dimensões: Educação, Infraestrutura Coletiva, Infraestrutura Domiciliar e Renda. Entre os elementos avaliados estão taxa de alfabetização, renda média do responsável pelo domicílio, formas de abastecimento de água, destino do esgoto, tipos de moradia e acesso a serviços básicos.

Segundo os pesquisadores Leila Harfuch, Lauro Marques Vicari e Gustavo Dantas Lobo, responsáveis pelo estudo, a proposta é ampliar a visão sobre o território rural e incorporar o componente social às análises voltadas à agropecuária sustentável. Eles enfatizam que a metodologia ajuda a mapear desigualdades internas nos municípios e a identificar áreas onde a vulnerabilidade é mais elevada.

Políticas públicas e decisões privadas

O IDR-CAR pode apoiar governos na elaboração de políticas voltadas ao desenvolvimento rural e na identificação de regiões que demandam maior investimento social ou infraestrutura. A leitura detalhada do território facilita a criação de ações ajustadas às condições locais.

No setor privado, o indicador pode orientar estratégias de expansão e análise de riscos. Segundo Vicari, instituições financeiras e empresas podem comparar regiões com diferentes níveis de desenvolvimento e avaliar oportunidades relacionadas ao crédito, logística ou prestação de serviços.

Para Lobo, o índice também contribui para o debate sobre uso da terra e atividades agropecuárias ao revelar contrastes dentro de um mesmo município. Já Harfuch destaca que a incorporação do recorte socioeconômico é essencial para fortalecer políticas de mitigação climática, especialmente em áreas com sinais de degradação de pastagens.

O estudo reforça que compreender condições sociais associadas ao território é parte central da transição para sistemas produtivos mais resilientes e adaptados às mudanças climáticas.



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Abelha de aparência ‘diabólica’ é descoberta e batizada de ‘Lucifer’ por pesquisadores



Uma nova espécie de abelha, com pequenos “chifres” que lembram o diabo, foi descoberta na região de Goldfields, na Austrália, e recebeu o nome de Megachile lucifer.

A espécie foi descoberta na região de Bremer Range, durante estudos sobre uma planta ameaçada, e é a primeira desse grupo descrita na área em mais de 20 anos.

A pesquisadora da Curtin School of Molecular and Life Sciences, Kit Prendergast, explicou que o formato dos “chifres” da abelha inspirou o nome lucifer que vem do latim e significa “portador de luz”, mas também faz uma referência ao seu visual diabólico.

“Eu descobri a espécie enquanto examinava uma planta rara e notei esta abelha visitando tanto a flor silvestre ameaçada quanto uma árvore próxima”, disse Prendergast.

“Ao descrever a nova espécie, eu estava assistindo a série da Netflix “Lúcifer” na época, e o nome se encaixava perfeitamente. Eu também sou uma grande fã do personagem, então foi fácil”, explica.

Importância da descoberta

Segundo a pesquisadora, o DNA confirmou que o macho e a fêmea eram a mesma espécie e que não correspondia a nenhuma abelha conhecida em bancos de dados de DNA, nem os espécimes que haviam sido coletados morfologicamente não correspondiam em coleções de museus.

De acordo com Prendergast, este é o primeiro membro deste grupo de abelhas a ser descrito em mais de 20 anos, o que realmente mostra a quantidade de vida que ainda há para ser descoberta no mundo.

“Como a nova espécie foi encontrada na mesma pequena área que a flor silvestre ameaçada de extinção, ambas podem estar em risco de perca do seu habitat e outros processos ameaçadores, como as mudanças climáticas”, disse Prendergast.

Acesso a pesquisa

O artigo científico que descreve oficialmente a espécie Megachile lucifer foi publicado no Journal of Hymenoptera Research e inclui detalhes sobre sua interação com a planta ameaçada Marianthus nais.



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RS lança rastreabilidade individual de bovinos para acesso a mercados mais exigentes; entenda



A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) do Rio Grande do Sul deu início durante a semana à implantação de um projeto piloto inédito de Rastreabilidade Individual de Bovinos e Bubalinos.

A iniciativa visa modernizar o controle sanitário do estado e, principalmente, ampliar o acesso dos produtores gaúchos a mercados nacionais e internacionais mais exigentes em termos de segurança alimentar.

O projeto funciona mediante a adesão voluntária dos produtores rurais. O formulário para participar pode ser preenchido diretamente no portal da Seapi. O objetivo do piloto é testar e aperfeiçoar o sistema de identificação individual, que servirá de base para a futura e definitiva implantação do modelo em todo o território gaúcho.

A rastreabilidade individual oferece mais segurança e confiabilidade às informações sanitárias do rebanho, o que melhora a capacidade de resposta do estado em situações de emergência sanitária.

A diretora do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA/Seapi), Rosane Collares, destacou em comunicado à imprensa que o sistema funcionará como uma ferramenta de gestão para os produtores, além de ser uma chancela de origem e confiabilidade para o produto gaúcho.

Dispositivos gratuitos e suporte técnico até 2026

Durante a execução do projeto piloto, a Seapi garantirá total suporte ao produtor rural participante. A Secretaria fornecerá os dispositivos oficiais de identificação individual de forma gratuita, que incluem brincos e botons eletrônicos.

Além dos dispositivos, a Seapi disponibilizará:

  • Orientação técnica: suporte para a correta aplicação dos brincos e botons eletrônicos.
  • Acompanhamento e registro: ajuda no registro e uso adequado dos dispositivos no sistema informatizado de rastreabilidade.
  • Acesso a dados: o produtor terá acesso direto ao sistema informatizado para gerenciar as informações do seu rebanho.

A previsão é que as atividades do projeto piloto sejam concluídas até maio de 2026, com acompanhamento técnico permanente das equipes regionais da Seapi durante todo o processo. Essa iniciativa é um passo crucial para o avanço da pecuária gaúcha, alinhando a produção à excelência sanitária e às demandas globais por carne rastreada.



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É essencial cuidar dos cascos dos cavalos



“O objetivo é evitar o aparecimento de lesões”


"O objetivo é evitar o aparecimento de lesões"
“O objetivo é evitar o aparecimento de lesões” – Foto: Pixabay

A saúde dos equinos depende diretamente da condição dos cascos, essenciais para a locomoção e para o equilíbrio dos animais. Consultorias técnicas apontam que fatores como manejo, rotina de trabalho e tipo de criação influenciam no crescimento e na qualidade dessa estrutura, que exige atenção constante do criador.

Segundo orientações de especialistas, a alimentação exerce papel decisivo nesse processo. A queratina, produzida pelo próprio organismo, é determinante para a resistência do casco, embora nem sempre seja gerada em quantidade suficiente. Por isso, a suplementação é indicada para reforçar o desenvolvimento e auxiliar na regeneração, de acordo com o contexto apresentado pela veterinária responsável pelas análises citadas no material base.

“Levando em consideração sua realidade e as atividades do cavalo, o criador deve ter atenção especial ao crescimento e à qualidade dos cascos. O objetivo é evitar o aparecimento de lesões e outros quadros críticos que comprometem a saúde e o bem-estar”, alerta a médica-veterinária Júlia Izoldi, coordenadora nacional da linha Equistro da Vetoquinol Saúde Animal.

O casco cresce, em média, entre 0,3 milímetro e 1 centímetro por mês, com avanço maior em animais jovens ou de algumas raças. Quando enfraquecido, pode favorecer quadros como broca, laminite, feridas, rachaduras, fendas e doença do navicular, que comprometem bem-estar e desempenho. Entre as soluções nutricionais disponíveis no mercado, o material menciona a formulação Equistro Kerabol Ipaligo, indicada para animais de diferentes portes. O suplemento reúne biotina, DL-Metionina, zinco, manganês e selênio, elementos ligados à produção de queratina. A empresa informa que o produto integra seu portfólio para saúde animal e contribui para fortalecer os cascos em diferentes condições de uso.

 





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Pará Mais Sustentável terá R$ 81,2 mi do Fundo Amazônia



O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o governo do Pará anunciaram nesta sexta-feira (14), na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), a aprovação do projeto Pará Mais Sustentável, no valor de R$ 81,2 milhões, com recursos do Fundo Amazônia. A iniciativa será executada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas).

O projeto beneficiará 27 municípios das Regiões de Integração do Baixo Amazonas e Xingu, que correspondem a aproximadamente 56% do território paraense. Entre eles estão Alenquer, Almeirim, Altamira, Anapu, Aveiro, Belterra, Brasil Novo, Curuá, Faro, Juruti, Marabá, Medicilândia, Mojuí dos Campos, Monte Alegre, Novo Repartimento, Óbidos, Oriximiná, Pacajá, Placas, Porto de Moz, Prainha, Santarém, São Félix do Xingu, Senador José Porfírio, Terra Santa, Uruará e Vitória do Xingu.

Serão executadas ações voltadas à regularização ambiental e fundiária, ao fortalecimento da sociobioeconomia e ao desenvolvimento socioeconômico de baixo carbono no estado, atingindo prioritariamente pequenos agricultores familiares, comunidades quilombolas, cooperativas e associações produtivas ligadas às cadeias da sociobiodiversidade. O prazo de execução é cinco anos.

Segundo o BNDES, entre as ações estão o apoio à inscrição e à retificação de Cadastros Ambientais Rurais (CARs) e à regularização fundiária de imóveis rurais e territórios quilombolas; o fortalecimento das instituições públicas responsáveis pela assistência técnica e extensão rural, pela regularização ambiental e pelo fomento a atividades produtivas sustentáveis.

Também estão previstos o suporte a bionegócios desenvolvidos por organizações socioprodutivas do território, a realização de capacitações, campanhas de sensibilização e eventos integradores, entre eles duas Feiras de Negócios regionais. O projeto implantará ainda Unidades Demonstrativas de Referência Tecnológica para difusão de soluções voltadas às cadeias da bioeconomia regional.

A expectativa é que o projeto resulte no aumento do número de CARs aptos à validação e o avanço da regularização fundiária de imóveis da agricultura familiar e de territórios quilombolas, além do fortalecimento da atuação de agentes públicos envolvidos na agenda ambiental para ampliar a dinâmica das cadeias da sociobiodiversidade, estimulando novos produtos, agregando valor e contribuindo para elevar e manter a renda das comunidades locais.

“O projeto beneficia agricultores familiares, comunidades quilombolas, cooperativas e associações das cadeias da sociobiodiversidade”, detalhou.

“Ele reúne regularização ambiental e fundiária, fortalecimento de órgãos públicos, assistência técnica e fomento a atividades produtivas sustentáveis. A iniciativa vai dinamizar e alavancar cadeias da sociobiodiversidade, ampliar a agregação de valor, estimular novos produtos e fortalecer a geração e manutenção de renda nas comunidades locais”, afirmou a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello.

O Fundo Amazônia foi criado em 2008 e se tornou o principal mecanismo de cooperação internacional para o clima no Brasil, combinando proteção florestal, desenvolvimento sustentável e melhoria da qualidade de vida na Amazônia Legal. A partir da retomada das doações em 2023, após quatro anos de paralisação, o Fundo passou de três doadores para nove. Entraram no Fundo União Europeia, Suíça, EUA, Reino Unido, Dinamarca e outros parceiros que se somam aos contribuintes históricos, Noruega e Alemanha.

“Estamos imprimindo uma nova velocidade ao Fundo Amazônia. A urgência climática e as demandas da região exigem ações em outra escala com impacto concreto no território. Saímos de uma média histórica de R$ 300 milhões por ano para R$ 1,2 bilhão, quatro vezes mais, com projetos estruturados e transformadores. Hoje celebramos mais uma dessas iniciativas. O projeto com o governo do Pará se tornou uma referência e inspira soluções para os demais estados da Amazônia”, ressaltou Campello.

Segundo o BNDES, o Fundo Amazônia beneficiou, desde sua criação, aproximadamente 260 mil pessoas, apoiou 144 projetos e fortaleceu mais de 600 organizações comunitárias em toda a região. A iniciativa já alcançou 75% dos municípios da Amazônia Legal e contratou R$ 1,6 bilhão adicionais apenas no período pós-retomada, entre 2023 e 2025. O fundo é coordenado pelo MMA e operacionalizado pelo BNDES, contribuindo diretamente para o cumprimento das metas climáticas brasileiras, dos compromissos do Acordo de Paris e dos objetivos do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm).

Os recursos do fundo impulsionam ações de combate ao desmatamento, de gestão territorial e fortalecimento institucional, de bioeconomia e cadeias produtivas sustentáveis, além de iniciativas de geração de renda. Também apoiam a proteção de povos indígenas e comunidades tradicionais e ampliam investimentos em monitoramento, pesquisa e inovação ambiental.



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Crise do arroz contrasta com boa safra de grãos no país



Mesmo com o Brasil a caminho de uma nova safra recorde de grãos, o arroz vive o oposto – área e produção caem no momento em que o custo de produção supera o preço pago pela saca. O desânimo dos produtores gaúchos mostra o lado menos visível da bonança agrícola. No Rio Grande do Sul, que produz mais de 70% de todo arroz brasileiro, a previsão é de queda de 10% na área plantada.

O presidente da Associação dos Agricultores de Dom Pedrito, Edinho Fontoura, resume o dilema vivido pelos produtores. “A saca de arroz está na faixa de R$ 50, mas o custo de produção chega a R$ 90. O produtor sabe que está pagando caro para trabalhar, mas não deixa de plantar porque é persistente.”

Levantamento do Instituto Riograndense do Arroz (Irga) mostra que mais de 70% das áreas de cultivo no estado foram semeadas, cobrindo 640 mil hectares, indicando que a previsão de 920 mil hectares na safra 2025/26 não será atingida. Na anterior, o cultivo total chegou a 970 mil hectares. Além da redução na área plantada, muitos agricultores estão descapitalizados e investem menos em adubação devido ao alto custo dos insumos.

Os produtores gaúchos vêm de cinco anos agrícolas ruins: foram quatro estiagens severas e ao menos uma grande enchente.

Dados do Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas à Agricultura (Cepea) explicam o desalento do produtor gaúcho. A saca de 50 quilos teve média de R$ 58 em outubro, 6,2% inferior à do mês anterior e 51,4% abaixo do mesmo período do ano passado. No acumulado de 2025, a queda nominal é de 43,2%.

O agricultor Arno Walter Lausch, de Maçambará, no centro-oeste do estado, conclui o plantio de 1,2 mil hectares na Fazenda Celeiro e espera que até a safra ocorra uma reação nos preços. “Somos produtores de alta tecnologia, que tem um custo muito alto. O arroz é importante para a rotação de culturas, pois melhora o solo onde vamos plantar também milho e soja. A gente espera que os preços melhorem e nosso trabalho seja reconhecido.”

Referência do agro no centro-oeste gaúcho, o grupo Lausch cultiva em outras quatro áreas próprias e arrendadas. Cristiano Marques Lausch, filho de Arno e administrador do grupo, lembra que foram feitos altos investimentos para irrigar toda a produção de arroz. “Investimos quando os preços estavam bons e agora fica difícil pagar o investimento com os recursos da lavoura, devido aos preços baixos”, diz.

Mão dupla

Mesmo sendo o segundo maior exportador de arroz fora da Ásia, o Brasil ainda precisa importar o grão em períodos de escassez. A dualidade revela gargalos de competitividade e logística.

Na safra passada, o país produziu 12,8 milhões de toneladas, acima do consumo interno, na faixa de 11 milhões. Na próxima, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume deve cair para 11,4 milhões, cerca de 10% menos.

Com os baixos preços internos, o país pode ampliar as exportações de arroz. A Conab prevê um crescimento de 31% para 2,1 milhões de toneladas no volume enviado para o exterior este ano devido ao excedente no mercado interno. Este ano, o arroz brasileiro foi levado principalmente para países africanos, como Senegal e Gâmbia, e americanos, como Cuba e Peru.

Do outro lado, as importações devem se manter estáveis, em 1,4 milhão de toneladas. O país compra arroz principalmente de vizinhos, como Argentina, Paraguai e Uruguai, nossos principais fornecedores.

Conforme a companhia, a importação de arroz é necessária para regular o mercado interno, evitando que haja escassez e alta excessiva de preços quando nossa produção não atinge o volume esperado.

Quando ocorre o inverso, com excesso de produção e queda de preços, o governo pode realizar leilões de compras para aumentar seu estoque do cereal e ajudar o agricultor a desencalhar sua produção. Neste ano, foram investidos R$ 300 milhões em operações de contratos para compra de 200 mil toneladas do cereal. O preço pago é maior que o do mercado.

Abastecimento

O arroz é um componente indispensável na cesta básica do brasileiro e há esforços para aumentar o consumo. No dia 27 de outubro, a Associação Brasileira da Indústria de Arroz (Abiarroz) lançou a campanha Arroz Combina, voltada à valorização do produto no mercado doméstico.

Além de colocar o alimento no centro do prato do brasileiro, a ação busca equilibrar oferta e demanda no país: o consumo interno se manteve estável nos últimos anos, enquanto a produção aumentou, gerando desequilíbrio nos preços.

Em outra frente, a indústria trabalha para abrir novos mercados. Por meio do projeto de exportação Brazilian Rice, desenvolvido em parceria com ApexBrasil, a Abiarroz atua em missões e feiras internacionais e realiza ações de aproximação com compradores estrangeiros.

Nos últimos meses, representantes do setor industrial orizícola participaram de agendas em países como México e Nigéria integrando missões organizadas pelo governo. Também foram recebidos importadores mexicanos no Rio Grande do Sul.

Em outubro, o arroz brasileiro esteve com estande próprio na Foodex Saudi Expo, em Riad, na Arábia Saudita, e participa, ainda este ano, da US Private Label Trade Show, nos Estados Unidos.

Etanol

Enquanto o arroz perde espaço nas lavouras, ganha novas aplicações industriais. Casca e farelo viram fonte de energia e biodiesel, e o grão busca novo valor em uma economia de baixo carbono. De acordo com o presidente do Irga, Eduardo Bonotto, o arroz tem potencial para entrar na cadeia produtiva do etanol de cereal, com o milho e o trigo.

A produção do combustível já acontece em algumas plantas com o aproveitamento do arroz quebrado no processo de beneficiamento, que tem menor valor comercial.

Além disso, subprodutos do beneficiamento de arroz podem ser melhor aproveitados: o farelo na produção de biodiesel e a casca, na queima direta como combustível para as caldeiras.

“Já temos várias plantas de biocombustível operando no Rio Grande do Sul, e outras estão em processo de instalação. Algumas já queimam a casca do arroz, o que reduz o consumo de árvores nesse processo. É um novo mercado sustentável que se abre para o produtor de arroz”, diz Bonotto.



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pesquisa inédita revela pistas de espécies que viveram na região



A presença dos dinossauros em diversas regiões do Brasil já é conhecida por pesquisadores há muito tempo. Fósseis importantes já foram descobertos, mas não havia nenhuma evidência de que eles teriam habitado a Amazônia.

Agora, pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) conseguiram identificar, pela primeira vez, indícios de que os animais viveram na região amazônica há mais de 103 milhões de anos.

Os principais indícios foram mais de dez pegadas da era jurássico-cretácea identificadas na região conhecida como Bacia do Tacutu. Os registros foram localizados na cidade de Bonfim, no norte de Roraima.

Não é possível identificar com certeza a quais tipos de dinossauros pertenciam essas pegadas, mas dá para saber, a partir delas, quais grupos viviam na região. Entre eles estão os raptores, ornitópodes (bípedes e herbívoros), além dos xireóforos, que têm uma espécie de armadura óssea na parte superior do corpo.

Dificuldade na Amazônia

A região da Amazônia sempre apresentou poucas descobertas arqueológicas porque as rochas do local foram expostas e passaram pelo processo de intemperização. Esse fenômeno causa o desgaste e a decomposição da rocha, o que dificulta a preservação dos fósseis.

Segundo o pesquisador Lucas Barros, que encontrou a pegada, a preservação do material ósseo acontece apenas quando as rochas estão soterradas.

“O Tacutu seria um vale com diversos canais de rios que fluíam juntos. Era um local com muita água e muita vegetação”, afirma o pesquisador, que concluiu recentemente um mestrado sobre o tema na Unipampa.

“Se você tem um vale com muita umidade, as barras do rio também ficarão úmidas. Após o animal fazer essa pegada, ela perde, com o tempo, a umidade e fica dura. Isso permite que ela resista ao processo de soterramento”.

Com o passar de milhares de anos, a pegada soterrada solidifica-se e vira uma rocha que consegue, mesmo quando exposta, resistir à ação erosiva e intempérica do solo.

Uma pequena vegetação de cerrado na Bacia do Tacutu também permitiu a preservação das pegadas.

“Essa mancha de savana permite que a gente encontre afloramentos nas rochas e verifique se existe alguma coisa ali de conteúdo fossilífero. [Isso possibilita] que a gente também descubra fósseis de invertebrados e vegetais, troncos fossilizados e impressões de folhas”, conta Barros.

Onze anos de pesquisa

As pegadas de dinossauro foram identificadas em 2014, em uma atividade de campo dos alunos de geologia da UFRR, comandada pelo professor Vladimir Souza. Na época, a universidade não tinha nenhum especialista em paleoecologia (que estuda a relação de organismos fósseis e seus ambientes passados), nem o equipamento necessário para realizar a análise das pegadas.

Assim, o projeto acabou sendo engavetado e a descoberta acabou não sendo divulgada.

“Se na época a gente divulgasse isso, viriam outras pessoas e tomariam a pesquisa para eles”, diz Souza.

Em 2021, o estudo foi reativado por Barros, que a transformou, com o professor Felipe Pinheiro, da Unipampa, em tese de mestrado. Barros começou a mapear os locais que possuíam icnofósseis, que são vestígios da presença de organismos que viveram no passado.

A identificação das pegadas começa com a técnica de fotogrametria, em que um modelo 3D de alta fidelidade é criado.

“Isso permite digitalizar o modelo em uma escala muito fiel. É através disso que nós descrevemos essas pegadas. Foi o que eu realizei durante o meu mestrado, descrevi essas pegadas e descobri novos afloramentos”, afirma.

Próximos passos

Barros estima que existam centenas de pegadas de dinossauros na Bacia do Tacutu. Neste momento, o pesquisador investiga pegadas localizadas na terra indígena Jabuti, em que já foram encontradas quatro áreas com valor científico.

Muitas pegadas são encontradas em áreas privadas, o que impede que sejam estudadas plenamente. Alguns fazendeiros temem que novas pesquisas levem à demarcação de suas terras, à tomada de suas propriedades pelo governo ou à falta de indenização adequada.



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Safra 2025/26 será de 354,8 milhões t, confirma Marisete Belloli da Conab-SP


Conversei com a Marisete Belloli, gerente de Safras e Informações Agropecuárias da Conab do estado de São Paulo com relação aos números da safra 2025/26 e a informação que ela me deu é que nós teremos uma safra que continuará grande.

O primeiro levantamento da Conab divulgado mês passado apontava 357,7 milhões de toneladas de grãos e o novo levantamento divulgado semana passada aponta um número de 354,8 milhões de toneladas de grãos, praticamente batendo com a mesma previsão anterior, ou seja, continua estável em uma safra dentro do histórico brasileiro.

Uma safra grande, mas que novamente nós continuamos sempre pedindo muito um planejamento estratégico porque poderíamos ter uma maior tranquilidade no abastecimento e também nas ações internacionais. Então o número é esse e continua uma previsão de uma safra dentro do padrão histórico brasileiro, uma safra grande.

Chegou a ter alguns números nesses meses com a previsão de que diminuiria a safra e essa informação que a Marisete Belloli da Conab me passou confirma que continuamos em um patamar, como ela mesma disse, de até o presente momento vem se mantendo estável.

Em relação à soja, a previsão é de 177 milhões de toneladas. O setor ainda vem impactado positivamente com os altos preços obtidos até dois anos atrás e também com uma demanda internacional e, principalmente, do nosso cliente chinês. Então soja segue crescendo.

O milho vai para 138 milhões de toneladas, com a expectativa muito grande na safrinha, que nem pode mais chamar safrinha.

Importante também quando falamos de previsão de safra é olharmos sempre o ano agrícola, de agosto a julho, então é 2025/2026. Quando olhamos no calendário padrão não conseguimos ter as expectativas porque a safra brasileira começa em agosto e vai até julho, envolvendo inclusive a safrinha, que é plantada a partir de janeiro/fevereiro, e também a safras de inverno, com trigo e outras culturas. Então essa previsão que a Marisete me passa é 2025/2026.

E aí quem está sofrendo nesse instante é o pessoal do arroz porque os preços caíram muito e tem um assunto que é complicado para o produtor rural que são os custos que cresceram: preço de fertilizantes, insumos, máquinas agrícolas, e o crédito, juro. Então o produtor rural tem neste instante uma pressão de custos, porém está aí, cresceu a área agrícola porque têm as iniciativas voltadas à utilização de áreas de pastagens degradadas, 40 milhões de hectares à disposição, então tem crescido a área.

Porém esse é o cenário: uma safra de 354,8 milhões de toneladas, é uma safra no histórico brasileiro grande, porém com pressão de custos para os produtores rurais.

José TejonJosé Tejon

*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.


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