domingo, maio 3, 2026

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Plantio de soja 25/26 começa a se aproximar no Sul do Brasil



Produtores do Sul do Brasil estão em contagem regressiva para a abertura oficial do calendário de plantio de soja da safra 2025/26. Algumas regiões já poderão iniciar os trabalhos a partir desta segunda-feira (1º), e a expectativa é de que o clima colabore para o desenvolvimento inicial da cultura, especialmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

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Paraná

No Paraná, o calendário de plantio é dividido em três regiões. A faixa leste do estado, classificada como região um, pode iniciar a semeadura em 20 de setembro, com prazo até 20 de janeiro. Já a região dois, que abrange o oeste e o centro-norte paranaense, tem início mais cedo, em 1º de setembro, e segue até 31 de dezembro. A região três, que corresponde ao sul-central, está autorizada a plantar entre 11 de setembro e 10 de janeiro.

Os próximos cinco dias não devem trazer chuvas volumosas ao estado, o que mantém a preocupação com a umidade do solo, sobretudo no centro-norte. Em Assis Chateaubriand, uma das principais áreas produtoras, a expectativa é de que as precipitações retornem apenas na segunda quinzena de setembro, com possibilidade de acumular até 100 milímetros em duas semanas, considerado um cenário animador.

Situação de soja em SC

Em Santa Catarina, o calendário também é dividido em duas grandes áreas. O litoral sul e o extremo sul só podem começar a semeadura em 13 de outubro, com prazo até 10 de fevereiro. No restante do estado, que inclui o oeste, o meio-oeste, o Planalto Norte e a região central, o plantio começa em 22 de setembro e termina em 22 de janeiro.

A previsão entre os dias 3 e 7 de setembro indica cerca de 20 milímetros de chuva, suficientes para manter a boa umidade do solo.

Na região de Abelardo Luz, um dos polos produtivos catarinenses, o volume previsto para outubro deve alcançar 200 milímetros em 30 dias. Essa condição pode atrasar levemente a semeadura no início, mas tende a garantir bons níveis de umidade para o avanço da safra.

Rio Grande do Sul: chuvas previstas

No Rio Grande do Sul, todo o estado segue um calendário unificado, com início em 1º de outubro e término em 28 de janeiro. As chuvas devem contemplar entre 150 e 180 milímetros já no começo de outubro em regiões como Tupanciretã. Embora a umidade seja considerada favorável para o plantio, há risco de excesso de precipitação no centro-sul gaúcho, o que pode dificultar os trabalhos de campo em determinados momentos.



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Pesquisa mostra a eficácia de fertilizante feito de lodo de esgoto no cultivo de cana-de-açucar



Pesquisa realizada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Ilha Solteira, com o apoio da empresa Tera Ambiental testou a eficácia de um fertilizante orgânico composto a partir do tratamento de lodo de esgoto e outros resíduos orgânicos urbanos, industriais e agroindustriais . O lodo de esgoto composto (LEC) demonstrou que melhora a fertilidade do solo e aumenta a eficiência da adubação mineral convencional. O resultado disto é a economia de fertilizantes minerais e ganhos de produtividade.

O experimento foi realizado durante em área localizada em Suzanápolis (SP), o qual avaliou a aplicação de LEC em solos tropicais de baixa fertilidade cultivado com cana-de-açúcar. Os resultados apontaram aumento significativo da matéria orgânica do solo e melhora na disponibilidade de nutrientes como fósforo, cálcio e magnésio, tanto na primeira quanto na segunda soca da cana.

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O tratamento com 5 t ha⁻¹ de LEC mais 50% de fertilização mineral recomendada (FMC) apresentou os melhores resultados quanto aos ganhos na fertilidade do solo e produção. Além disso, a aplicação de LEC reduziu a acidez da terra e aumentou as concentrações de micronutrientes como zinco e cobre. Esses efeitos foram observados tanto em curto quanto em longo prazo, mostrando o potencial residual do composto.

O estudo destaca o LEC como solução sustentável para a agricultura, reduzindo a dependência possibilitando economia no uso de fertilizantes importados, diminuindo custos de produção e promovendo a economia circular. Sua utilização não apenas melhora a fertilidade do solo, mas também contribui para a sustentabilidade do setor sucroenergético, alinhando-se aos princípios de redução de impactos ambientais e à minimização de resíduos.

“A utilização do lodo de esgoto compostado (LEC) representa um marco para a agricultura sustentável no Brasil. Esse estudo reforça o papel dos fertilizantes orgânicos compostos como uma alternativa viável para reduzir a dependência de fertilizantes minerais importados, diminuir custos de produção e, ao mesmo tempo, promover a economia circular. Além de ser uma solução prática, este tipo de adubo contribui significativamente para a saúde do solo e a sustentabilidade do setor sucroenergético, mostrando que é possível aliar alta produtividade com responsabilidade ambiental”, destaca Fernando Carvalho Oliveira, doutor em Agronomia.

Experimento

O experimento da Unesp testou 11 tratamentos, variando as doses de LEC e as concentrações de FMC, durante a primeira e segunda soca da cana. Os resultados mostraram que a aplicação do LEC melhorou a matéria orgânica do solo, o pH, a soma de bases, a capacidade de troca de cátions e a saturação por bases. Além disso, houve aumento nas concentrações de nutrientes, como fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg), boro (B), cobre (Cu) e zinco (Zn).

A pesquisa aponta que o LEC tem grande potencial como fertilizante orgânico natural, reduzindo a dependência de fertilizantes minerais convencionais. Sua aplicação em solos tropicais proporciona benefícios adicionais, como a diminuição dos custos de produção e a promoção de benefícios socioeconômicos. Não apenas contribui para a sustentabilidade da produção agrícola, mas também oferece alternativa viável para reduzir os impactos ambientais e promover uma agricultura mais econômica e sustentável.



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Operação no Rio Grande do Sul apreende 3 mil toneladas de sementes em situação irregular



Operação realizada entre os dias 26 e 29 de agosto pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, Policias e Civil e Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul apreendeu 3 mil toneladas de sementes em situação irregular em propriedades rurais no interior do estado.

Batizada de Operação Semente Segura 2, a ação envolveu a inspeção de 27 propriedades rurais em 15 municípios gaúchos, incluindo Jari, Júlio de Castilhos, Tupanciretã, Entre-Ijuís, Giruá, São Luiz Gonzaga, Santiago, Boa Vista das Missões, Pinhal Grande, Condor, Cruz Alta, Palmeira das Missões, Estrela Velha e Arroio do Tigre.

Durante as fiscalizações, foram inspecionados produtores de culturas como soja, aveia, centeio, feijão e azevém. A ação resultou na apreensão de aproximadamente 3 mil toneladas de sementes em situação irregular, além da emissão de diversos autos de infração. O prejuízo estimado aos infratores é de cerca de R$ 35 milhões. As infrações serão apuradas em processos administrativos, que podem resultar em penalidades como advertência, multa e condenação das sementes apreendidas.



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Vinícola impulsiona experiências no enoturismo goiano


A Vinícola Assunção é um dos destaques da produção de vinhos artesanais em Goiás. Localizada na região de Pirenópolis, a propriedade se tornou referência por unir tradição, inovação e experiências únicas para os visitantes.

Parceria que fortalece o turismo local

Integrante da Rota dos Pireneus, a vinícola participa ativamente de um movimento que valoriza a produção regional e gera experiências que combinam vinhos, queijos e cultura.

“A gente realmente criou uma identidade na nossa região. Percebemos que temos uma produção de vinhos e queijos que se complementa e que traz uma experiência muito mais rica. Então, a Rota vem com esse propósito: entregar ao visitante o melhor da nossa região, gerando experiências diferentes”, afirma Natália Assunção, empresária da Vinícola.

O crescimento da Vinícola Assunção contou com o suporte estratégico do Sebrae. “O Sebrae pegou a gente no colo desde os primeiros momentos. Fomos recebendo apoio desde cursos, treinamentos, orientações para criação de uma associação e até a produção de um estatuto. Isso nos deu condições de estruturar melhor o negócio e oferecer um serviço de excelência.”

Desafios e inovações no campo

drone de um parreiral de uvas drone de um parreiral de uvas
Parreira de uvas, Vinícola Assunção | Foto: Leandro Moura

Mesmo com conquistas importantes, o trabalho segue desafiador. “Hoje a gente tá desenvolvendo novos produtos, trazendo novas uvas, testando processos na viticultura que são inovadores. São arriscados, mas trazem um grande diferencial para os nossos produtos. Nosso desafio é constante: conhecer o campo e traduzir o melhor para a garrafa e para a experiência do cliente.”

Um projeto de vida

Mais do que uma vinícola, o empreendimento representa a realização pessoal do produtor. “Olha, hoje esse lugar é a minha vida. É onde eu construí tudo que eu tenho de mais especial. Eu chamo de minha casa”, conclui Natália.



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AgroNewsPolítica & Agro

Produtores de uvas enfrentam falta de mão de obra na poda



Manejo da uva registra estágios distintos no Estado




Foto: Divulgação

De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (28) pela Emater/RS-Ascar, os trabalhos de poda seca de inverno e amarrio dos galhos de produção avançaram de forma intensa na região de Caxias do Sul. Produtores relataram dificuldade em contratar mão de obra qualificada para a atividade, recorrendo, em muitos casos, à troca de serviços entre vizinhos. Também estão em andamento a adubação e o manejo de plantas de cobertura do solo.

Durante as operações de poda, foram identificadas diversas áreas atingidas pela cochonilha-de-tronco, praga que exige a adoção de medidas de controle. A variedade Vênus encontra-se em plena brotação, apresentando boa emissão de ramos.

Na região de Frederico Westphalen, a poda está parcialmente concluída na maioria dos vinhedos. Produtores realizam aplicações para a quebra da dormência, com o objetivo de estimular a brotação das gemas, além de adubação de manutenção.

As variedades apresentam diferentes estágios de desenvolvimento: a uva Vênus já está em fase de florescimento, enquanto Bordô, Niágara Rosada, Niágara Branca, Seyve Villard, Carmem e outras estão em início de brotação.





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AgroNewsPolítica & Agro

Trigo mantém preços em queda às vésperas da colheita


Segundo análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), referente ao período de 22 a 28 de agosto e divulgada nesta quinta-feira (28), os preços do trigo seguem em queda no Brasil, mesmo com o início da colheita nacional.

Nas principais praças do Rio Grande do Sul, a saca do cereal de qualidade superior permaneceu em R$ 70,00, enquanto no Paraná foi registrada a cotação de R$ 75,00. O Departamento de Economia Rural (Deral) informou que a colheita paranaense começou de forma lenta, alcançando 2% da área total cultivada. A expectativa é de produção de 2,6 milhões de toneladas em 832,8 mil hectares, volume 26,3% inferior ao do ano passado. Apesar da redução de área e de problemas climáticos pontuais, a perspectiva inicial é considerada positiva.

O Ceema destacou que “com a intensificação da colheita, o preço nacional do trigo tende a recuar ainda mais, mesmo diante de uma safra menor”.

No Rio Grande do Sul, o mercado segue em ritmo lento. Os moinhos estão abastecidos, mas a oferta limitada restringe as negociações. As indicações de compra giram em torno de R$ 1.250,00 no interior, enquanto os vendedores pedem R$ 1.300,00 por tonelada. A previsão é de que os estoques da safra anterior se esgotem até setembro, concentrando o controle nas indústrias. Cerca de 90 mil toneladas já foram negociadas da nova safra, mas o atraso da colheita tem freado o avanço dos contratos.

Para exportação, o preço de dezembro foi fixado em R$ 1.250,00, com possibilidade de entrega de trigo para ração com deságio de 20%. Em Santa Catarina, o mercado também apresenta lentidão, com movimentações restritas a pequenos lotes, sem impacto relevante nas cotações. A concorrência com o trigo gaúcho tem pressionado os preços locais, enquanto o importado via Paranaguá mantém-se mais competitivo que o paranaense.

No Paraná, 83% das lavouras foram classificadas como boas nesta semana. O mercado, entretanto, segue travado. O preço caiu para R$ 1.400,00 por tonelada CIF, enquanto as negociações futuras rondam R$ 1.300,00 CIF. Do lado dos produtores, a pedida é de R$ 1.500,00 FOB, valor que encontra resistência dos compradores. O trigo paraguaio foi ofertado no Oeste paranaense a US$ 240,00 por tonelada, equivalente a R$ 1.312,80 no câmbio atual. Já o argentino, para retirada em Antonina em setembro, foi cotado a US$ 270,00 por tonelada.

De acordo com a Ceema, a margem média de lucro dos produtores caiu para 3,5% na semana.

Pesquisas da Embrapa Agropecuária Oeste, em parceria com a cooperativa Cooperalfa, em Chapecó (SC), realizadas entre 2022 e 2024 no Mato Grosso do Sul, mostraram avanços na produtividade do trigo no Cerrado. Em 2022, a variação foi de 34 a 69 sacos por hectare; em 2023, de 29 a 49 sacos; e em 2024, entre 51 e 88 sacos. Segundo os pesquisadores, há cultivares capazes de alcançar entre 4.000 e 5.000 quilos por hectare, frente à atual média estadual de 3.000 quilos.





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Produção de etanol de milho sobe 20%


Na primeira quinzena de agosto, a moagem de cana-de-açúcar pelas usinas do Centro-Sul alcançou 47,63 milhões de toneladas, alta de 8,17% em relação ao mesmo período do ciclo anterior, quando foram registradas 44,03 milhões de toneladas. No entanto, o acumulado da safra 2025/26 até 16 de agosto soma 353,88 milhões de toneladas, volume inferior às 378,98 milhões registradas no mesmo período da temporada passada, uma retração de 25,10 milhões de toneladas.

Segundo informações divulgadas pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), 257 unidades produtoras estavam em operação na primeira metade de agosto, sendo 237 usinas processando cana, dez dedicadas ao etanol de milho e dez flex. No ciclo anterior, eram 261 unidades ativas.

A qualidade da matéria-prima também apresentou queda. O Açúcar Total Recuperável (ATR) atingiu 144,83 kg por tonelada de cana, abaixo dos 151,17 kg do mesmo período do ano passado, recuo de 4,19%. Desde o início da safra, o indicador acumula 129,26 kg por tonelada, queda de 4,47% frente ao ciclo anterior.

A produção de açúcar na primeira metade de agosto foi de 3,62 milhões de toneladas, enquanto no acumulado da safra totalizou 22,89 milhões, o que representa queda de 4,67% em comparação com a temporada 2024/25. Já a produção de etanol somou 2,19 bilhões de litros na primeira quinzena do mês, com destaque para o etanol anidro, que cresceu 8,63%, enquanto o hidratado registrou queda de 12,95%. No acumulado, a produção do biocombustível totaliza 16,07 bilhões de litros, queda de 11,12%.

O etanol de milho vem ganhando relevância no setor. Na primeira quinzena de agosto, 373,94 milhões de litros foram produzidos a partir do grão, aumento de 14,98% em relação ao mesmo período da safra anterior. Desde o início do ciclo 2025/26, o volume já soma 3,32 bilhões de litros, avanço de 20,10%.

As vendas de etanol no período chegaram a 1,48 bilhão de litros. O etanol anidro cresceu 11%, com 615,35 milhões de litros comercializados, enquanto o hidratado caiu 10,15%, somando 865,59 milhões. No mercado doméstico, o hidratado totalizou 838,18 milhões de litros vendidos, recuo de 9,18%, enquanto o anidro avançou 21,55%, alcançando 592,16 milhões. No acumulado da safra, as vendas chegam a 12,96 bilhões de litros, queda de 2,69%.

No mercado de créditos de descarbonização (CBios), dados da B3 apontam que, até 27 de agosto, foram emitidos 28,06 milhões de títulos em 2025. A oferta total disponível soma 32,16 milhões de créditos. De acordo com o diretor de Inteligência Setorial da UNICA, Luciano Rodrigues, o setor já disponibilizou cerca de 115% da meta de créditos necessária para este ano.

“A consistência e o ritmo crescente nas emissões de CBios a cada ano mostram o comprometimento do setor com as metas de descarbonização assumidas pelo Brasil”, afirmou Rodrigues. Desde a criação do RenovaBio, a política já evitou a emissão de mais de 185 milhões de toneladas de CO2, resultado de um modelo que alia certificação técnica, metas de longo prazo e estímulo ao desempenho ambiental.





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Mercado global de grãos atento ao clima



No milho, a confirmação de uma safra cheia levou a quedas superiores a 4%



No milho, a confirmação de uma safra cheia levou a quedas superiores a 4%
No milho, a confirmação de uma safra cheia levou a quedas superiores a 4% – Foto: USDA

O mercado internacional de grãos atravessa semanas decisivas, marcado pelo chamado weather market, que se intensifica entre agosto e setembro, fase crítica para as lavouras americanas. Nos Estados Unidos, embora algumas regiões registrem clima mais seco, as chuvas regulares têm garantido bom desenvolvimento de milho e soja. O Pro Farmer Crop Tour 2025 confirmou produtividades superiores à última safra em estados como Indiana e Nebraska, mas ainda abaixo das estimativas oficiais do USDA, o que pode resultar em revisões nos balanços de oferta e demanda.

“Mais do que os números, o Crop Tour funciona como uma leitura prática de campo. Ele confirma produtividades consistentes, mas sinaliza que as estimativas do USDA podem estar superdimensionadas. Isso pode gerar revisões no balanço e impactar os estoques finais”, analisa.

No milho, a confirmação de uma safra cheia levou a quedas superiores a 4% nas cotações em Chicago, atingindo os menores níveis desde 2020. O aumento da produtividade pressiona os preços e limita movimentos de recuperação, mesmo em meio às oscilações da demanda global. Já a soja segue em direção oposta: a redução dos estoques no relatório mais recente do USDA apertou o balanço e sustentou os preços, mantendo a atratividade dos prêmios pagos pelo Brasil.

Para o Brasil, o cenário traz riscos e oportunidades. A forte demanda chinesa valoriza os prêmios da soja e estimula antecipações de venda, enquanto no milho a menor competitividade frente ao produto americano reduz exportações e direciona a oferta ao mercado interno, mantendo preços firmes mesmo com supersafra e câmbio mais baixo. “Uma seca prolongada ou chuvas excessivas poderiam comprometer a produtividade e até mesmo atrasar a colheita. Já vimos isso acontecer recentemente, quando a estimativa da soja foi cortada em função da redução na área cultivada, o que tornou o balanço interno mais apertado”, finaliza. 

 





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Arroba do boi gordo teve aumento de até 7,5% em agosto; setembro também promete altas


O mercado brasileiro de boi gordo chega no final de agosto registrando uma boa recuperação nos preços da arroba na comparação com os valores praticados no término de julho.

De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, a boa demanda voltada à exportação seguiu contribuindo para o avanço dos preços, especialmente na primeira quinzena do mês.

“Nos últimos dias os negócios andaram um pouco de lado, uma vez que os frigoríficos conseguiram boas ofertas para avançar nas escalas de abate. Contudo, para a primeira semana de setembro, é possível que haja espaço para alguma alta de preços, considerando a boa reposição entre o atacado e o varejo com a entrada dos salários na economia”, diz.

Preço da arroba em agosto x julho

Os preços da arroba do boi gordo na modalidade a prazo nas principais praças de comercialização do Brasil estavam assim no dia 28 de agosto:

  • São Paulo (Capital): R$ 310, alta de 3,33% frente aos R$ 300 do final de julho
  • Goiás (Goiânia): R$ 305, aumento de 7,02% frente aos R$ 285
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 305, valor 5,17% acima dos R$ 290
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 315, alta de 3,28% frente aos R$ 305
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 315, avanço de 6,78% ante os R$ 295
  • Rondônia (Vilhena): R$ 285, avanço de 7,55% frente aos R$ 265

Mercado atacadista

Iglesias comenta que o mercado atacadista conseguiu trabalhar com preços mais altos ao longo de agosto, em meio ao quadro de oferta mais equilibrado no cenário doméstico com a forte demanda registrada para a carne bovina na exportação.

O quarto do traseiro do boi foi cotado a R$ 22,90 o quilo, alta de 7,01% frente aos R$ 21,40 praticado no final de julho. Já o quarto do dianteiro do boi foi vendido por R$ 18,25 o quilo, aumento de 4,29% frente ao valor registrado no fechamento do mês anterior, de R$ 17,50 o quilo.

Exportações de carne bovina

carne bovina exportações Chinacarne bovina exportações China
Foto: Pixabay

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 1,192 bilhão em agosto até o momento (16 dias úteis), com média diária de US$ 74,550 milhões, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A quantidade total exportada pelo país chegou a 212,925 mil toneladas, com média diária de 13,307 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.602,00.

Em relação a agosto de 2024, houve alta de 70,1% no valor médio diário da exportação, ganho de 34,7% na quantidade média diária exportada e avanço de 26,3% no preço médio. 



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Embrapa desenvolve variedades de banana resistentes à doença mais grave do mundo



A Embrapa desenvolveu duas cultivares brasileiras de banana, chamadas BRS Princesa e BRS Platina, que são altamente resistentes à forma mais devastadora da murcha de Fusarium, conhecida como raça 4 tropical (R4T). Essa é considerada a doença mais grave que atinge a cultura da banana no mundo.

A R4T ainda não foi detectada no Brasil, mas já está presente em países vizinhos: Colômbia (desde 2019), Peru (2020) e Venezuela (2023). Esse cenário mantém a cultura brasileira sob constante vigilância e alerta.

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As mudas das cultivares BRS Princesa e BRS Platina foram enviadas à Colômbia em janeiro de 2022. Após passarem por isolamento seguro (quarentena), foram submetidas ao fungo em ambiente controlado e, depois, plantadas em áreas de terra já infectadas, nas quais a doença está presente desde sua descoberta .

Após três ciclos de produção no campo, menos de 1% das plantas das duas variedades foram afetadas — um índice muito abaixo dos 5–8% considerados de alto risco. Por isso, os pesquisadores as classificam como resistentes.

Próximos passos

Além dos testes, a Embrapa já planeja lançar um dos híbridos comerciais resultantes dos estudos em 2026, mais um passo no programa de melhoria genética em parceria com a Colômbia . Outra frente de pesquisa investiga um “somaclone” (variação genética induzida) de Cavendish com possível resistência à R4T; resultados são esperados em breve.

O grande desafio agora é que essas variedades aliem resistência, produtividade e sabor — um equilíbrio essencial para agradar tanto produtores quanto consumidores.

Alívio para o produtor

A notícia traz esperança para regiões vulneráveis, como o Vale do Ribeira, um importante polo produtor de São Paulo, que poderia ser duramente afetado em caso de disseminação da R4T. “Ter variedades resistentes nos dá tranquilidade de saber que, se a R4T chegar, ainda poderemos produzir”, avalia Augusto Aranha, da Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira.

O Ministério da Agricultura e Pecuária reforçou que, mesmo com essa perspectiva promissora, a vigilância fitossanitária continua indispensável . Medidas como controle de entrada de solos, pessoas, equipamentos e mudas seguem fundamentais para prevenir a chegada da doença ao país .



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