domingo, maio 3, 2026

Agro

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Programa de compra de arroz do governo não atende as necessidades do produtor


grãos de arroz
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou a destinação de R$ 300 milhões para operações de Contratos de Opção de Venda (COV) de arroz, mecanismo que garante ao produtor o direito de vender ao governo a um preço previamente definido.

Segundo o órgão, o programa pretende contratar cerca de 200 mil toneladas de arroz. Essa é a terceira rodada de COV em menos de um ano:

  • Na primeira, foram negociadas 91,7 mil toneladas;
  • Na segunda, aproximadamente 110 mil toneladas, com preço médio em torno de R$ 74 por saca de 50 kg;
  • Agora, a meta é dobrar o volume, alcançando as 200 mil toneladas.

O contraponto dos produtores

Para os rizicultores, o valor não cobre o custo real de produção. Dados da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) apontam que o custo médio do arroz gira entre R$ 85 e R$ 92 por saca, dependendo da região. Ou seja, o preço praticado nos leilões representa uma perda entre R$ 11 e R$ 18 por saca para o produtor.

Além disso:

O setor ainda sofre os impactos das enchentes de 2024, que elevaram o passivo dos agricultores gaúchos, responsáveis por cerca de 70% da produção nacional.

Muitos estão descapitalizados, com dívidas que, em alguns casos, cresceram mais de 30% em um ano.

O temor é que, ao formar estoques, o governo repita o passado: quando os preços reagirem, poderá liberar produto armazenado, derrubando novamente o mercado.

O sentimento é de desânimo generalizado. “Vai ser a maior crise do agro da história”, resumiu um representante da União Central de Rizicultores (UCR).

Do ponto de vista governamental, a estratégia é conter a pressão sobre o preço do arroz, item central da cesta básica. O risco, porém, é transferir a conta para o campo.

Historicamente, a formação de estoques reguladores garantiu estabilidade ao consumidor, mas gerou frustrações no produtor. Hoje, com custos médios acima de R$ 90 por saca e preços de mercado em torno de R$ 70 a R$ 75, a margem negativa só tende a aumentar.

A dificuldade não se restringe ao arroz. A soja, carro-chefe do agro, também vive pressão:

O preço médio em agosto de 2025 recuou para cerca de R$ 120 por saca, contra custos estimados entre R$ 115 e R$ 125;

Muitos produtores que arrendam terras, pagando valores contratados na fase de preços recordes, agora operam no limite do prejuízo.

Esse quadro aprofunda o endividamento. O crédito rural para a safra 2024/25 já registrava aumento da inadimplência acima de 20% em algumas linhas, segundo o Banco Central.

O impasse é claro:

  • Para o governo, os R$ 300 milhões em COVs representam um seguro contra a alta do arroz no consumidor.
  • Para o campo, o programa não cobre custos, amplia o risco de endividamento e ameaça a viabilidade da produção.

Se nada mudar, o Brasil pode atravessar uma das maiores crises do agro moderno, não apenas pela pressão de preços, mas pela falta de instrumentos estruturais: seguro rural robusto, crédito de capital de giro, renegociação de dívidas e incentivo à agregação de valor.

Enquanto a Conab forma estoques, os produtores se perguntam: será este mais um capítulo de repetição dos erros do passado?

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Calor pode inviabilizar cultivo de alface em campo aberto no Brasil até o fim do século



Plantar alface ao ar livre no Brasil pode se tornar cada vez mais difícil nas próximas décadas. Isso é o que revelam mapas de risco climático elaborados por pesquisadores da Embrapa Hortaliças (DF), com base em projeções do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e em modelos utilizados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Os dados indicam que, até o fim do século, praticamente todo o território brasileiro enfrentará risco alto ou muito alto para a produção da folhosa mais consumida pelos brasileiros.

Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!

A pesquisa considerou dois cenários climáticos: um otimista, com controle parcial das emissões de gases de efeito estufa, e outro pessimista, em que as emissões continuam crescendo até 2100. Em ambos, as perspectivas não são animadoras para o cultivo tradicional da hortaliça. O verão é a estação mais crítica, com temperaturas que podem ultrapassar os 40°C em boa parte do país, patamar bem acima do ideal para o desenvolvimento da alface, que exige clima ameno e umidade equilibrada.

“Compreender como as mudanças climáticas podem afetar a produção de alface, em um país tropical como o Brasil, é essencial para desenhar estratégias de adaptação. Isso permite antecipar impactos e evitar prejuízos”, explica o engenheiro-ambiental Carlos Eduardo Pacheco, pesquisador em Mudanças Climáticas Globais da Embrapa.

Diante disso, as duas principais frentes de atuação da pesquisa têm sido o desenvolvimento de cultivares de alface com maior tolerância ao calor e de sistemas de produção para garantir a sustentabilidade do cultivo diante de condições climáticas adversas.

Entre os exemplos estão os sistemas regenerativos, que restauram a fertilidade do solo e a biodiversidade – como o sistema de plantio direto de hortaliças (SPDH) e o cultivo orgânico com compostagem e uso de bioinsumos; e os sistemas adaptados ao clima, que utilizam tecnologias e estratégias para evitar perdas por estresses climáticos – como o cultivo em ambientes protegidos ou controlados e o zoneamento agroclimático.



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FGV cria Observatório do Seguro Rural


De cada 100 hectares plantados, mais de 90 permanecem sem seguro em 2025. É o famoso “apostar contra o clima e deixar a sorte cuidar”.

Quando o clima não ajuda — e se mostra cada vez mais instável —, a conta vem pesada. Quem paga? Produtor, consumidor e governo, que corre para improvisar renegociações.

Há 25 anos vejo o agro crescer em tecnologia, produtividade e exportações. Mas, na gestão de riscos, avançamos timidamente. O seguro rural continua tratado como política secundária, quando deveria ser prioridade nacional.

Outros países já consolidaram o seguro como política de Estado. Aqui, seguimos presos a modelos dos anos 1970. Pior: desmontamos o pouco que já tínhamos.

O Programa de Subvenção ao Prêmio (PSR), do Ministério da Agricultura, cobria 14 milhões de hectares em 2021. Hoje, não passa de 4 milhões. Com subsídios menores e instáveis, o seguro rural perdeu capacidade de pulverizar riscos, concentrando-se em poucos estados do Centro-Sul via canais bancários que exigem garantias em operações de maior risco, e afastando tanto o Centro-Norte quanto produtores com menor percepção de risco em todo o país.

Trata-se de uma política agrícola que aprofunda a seleção adversa: riscos mais propensos a sinistros contratam seguro com maior frequência, elevando o custo médio e aumentando o risco da carteira.

O efeito é imediato: prêmios mais altos, coberturas reduzidas e risco crescente diante da alta sinistralidade e da instabilidade climática.

Uma política inconsistente e imprevisível desestrutura a lógica de um seguro acessível, capaz de cobrir custos de produção e garantir fluxo de caixa — deixando o país exposto aos riscos das mudanças climáticas.

O ecossistema do seguro rural vive um efeito cascata:

  1. Produtores deixam de contratar por alto custo e baixa cobertura;
  2. Seguradoras e resseguradoras veem vendas caírem e risco aumentar;
  3. Empresas de serviços e de tecnologia para o seguro precisam se readequar ou buscar outras oportunidades;
  4. Corretores não conseguem recuperar investimentos nem manter a folha de pessoal;
  5. Peritos, sem mercado, buscam outras atividades.

Se a situação não se reverter, a rede do seguro rural, fruto de duas décadas de construção, pode se fragilizar a ponto de perder sua sustentabilidade.

É nesse cenário que nasce o Observatório do Seguro Rural da FGV Agro, com a missão de produzir dados, pesquisas e diagnósticos sólidos, por uma instituição isenta e de referência nacional. Assim, o objetivo é que governo e setor privado deixem de adivinhar e passem a decidir com base em estudos técnicos propositivos.

Renegociar dívidas não resolve. É maquiagem cara sem atacar a raiz do problema. Seguro rural é o mecanismo mais eficiente para manter produtores de pé, financiadores recebendo e o setor funcionando sem sombra de inadimplência.

O Brasil precisa de previsibilidade. Seguro rural não é luxo. É condição de sobrevivência. Enquanto tratarmos o tema como gasto e não como investimento, seguiremos presos ao ciclo da improdutividade: improviso, prejuízos e perda de competitividade.

O Observatório é um chamado à ação. Ou o Brasil assume o seguro rural como política estratégica, ou continuará brincando com fogo — e pagando caro por isso, desperdiçando a chance histórica de ampliar em 40% sua produção agrícola nos próximos dez anos.

Em tempos de guerra, mudanças climáticas e COP30, vale lembrar as sábias palavras do professor emérito da FGV e eterno ministro Roberto Rodrigues: “Onde tem comida, tem paz.”

*Pedro Loyola é consultor em gestão de riscos agropecuários e financiamento sustentável e coordenador executivo do Observatório do Seguro Rural da FGV Agro.


Canal Rural e a FGV Agro não se responsabilizam pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seu autor. O Canal Rural se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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conheça a maior fazenda leiteira do país


Com mais de 2.100 vacas holandesas em lactação, puras de origem, que chegam a uma produção média de 98.921 quilos de leite por dia, a maior fazenda leiteira do Brasil está localizada em Araras, no interior de São Paulo.

Segundo o Ranking TOP 100 2025, da MilkPoint, que reúne os maiores produtores do país, a Fazenda Colorado ocupa a primeira colocação, com a comercialização de 36,2 milhões de litros da bebida em 2024.

Por lá, tudo começou há 155 anos, quando a Fazenda Bom Jesus, que daria origem à Colorado, foi comprada. Mais de 50 anos depois, em 1923, houve a construção do primeiro estábulo para auxiliar no manejo do gado leiteiro.

A partir de então, a produção nunca parou, até chegar ao ano de 2021, quando a Colorado se tornou a primeira granja leiteira do Brasil a produzir 100.000 litros de leite em apenas um dia, recebendo o certificado internacional de Bem Estar Animal pela WQS.

Fazenda Colorado - SPFazenda Colorado - SP
Foto: Divulgação Fazenda Colorado

E essa não é a única gigante leiteira do estado de São Paulo: entre as 10 maiores produtores nacionais, outras duas figuram no ranking: a Fazenda São José (33,9 milhões de litros), em Tapiratiba, na região de Campinas, que ocupa a terceira posição; e a Fazenda Santa Rita (23,1 milhões de litros), em Descalvado, região central paulista, na sexta colocação.

Para o gerente de pecuária da Fazenda Colorado, José de Carvalho, os últimos anos foram essenciais para que os grandes produtores ampliassem ainda mais a produção de leite. Entretanto, medidas e ações estratégicas são fundamentais para promover o segmento em geral.

“Eu vejo como fundamental a construção de políticas e programas que incentivem a organização da cadeia produtiva como um todo, sempre em parceria com a Secretaria da Agricultura, órgãos públicos e entidades do setor. Esse alinhamento pode potencializar o protagonismo de São Paulo na produção de leite e contribuir para que o estado volte a se destacar no cenário nacional”, frisa.

Produção leiteira de São Paulo

A produção de leite em São Paulo atingiu 1,7 bilhão de litros em 2024, conforme dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA).

O volume representou um aumento de aproximadamente 6% em relação ao ano anterior. Essa capacidade coloca São Paulo entre os cinco principais produtores nacionais, ficando atrás de Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, respectivamente.

Para apoiar o desenvolvimento da pecuária leiteira paulista, por meio da modernização de técnicas de manejo e da adoção de tecnologias de produção, a Secretaria de Agricultura, por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio (FEAP), mantém a linha FEAP Leite Agro SP.

“A linha FEAP Leite representa uma oportunidade para o produtor modernizar sua atividade, melhorar a qualidade do leite e reduzir custos de produção. Com crédito acessível, em condições diferenciadas, o produtor consegue investir em genética, nutrição e infraestrutura, garantindo mais produtividade e competitividade. É o apoio direto do governo, por meio da SAA, para fortalecer a pecuária leiteira no estado e assegurar o sustento das famílias no campo”, destacou o secretário executivo Felipe Alves.

Além da linha de financiamento para o produtor, a SAA também possui uma iniciativa que permite ao poder público estadual adquirir produtos diretamente de agricultores familiares, por meio de suas cooperativas: o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS). Somente em 2025, até agosto, foram mais de R$ 21 milhões, cerca 4,6 milhões de litros de leite em compras públicas de leite da agricultura familiar.

Investimento no setor

Com a finalidade de apoiar o desenvolvimento da pecuária leiteira paulista, por meio da modernização de técnicas de manejo e da adoção de tecnologias de produção, a Secretaria de Agricultura, por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio (FEAP), mantém a linha FEAP Leite Agro SP.

“A linha FEAP Leite representa uma oportunidade para o produtor modernizar sua atividade, melhorar a qualidade do leite e reduzir custos de produção. Com crédito acessível, em condições diferenciadas, o produtor consegue investir em genética, nutrição e infraestrutura, garantindo mais produtividade e competitividade. É o apoio direto do Governo, por meio da SAA, para fortalecer a pecuária leiteira no Estado e assegurar o sustento das famílias no campo”, destacou o secretário executivo Felipe Alves.

Além da linha de financiamento para o produtor, a SAA também possui uma iniciativa que permite ao poder público estadual adquirir produtos diretamente de agricultores familiares, por meio de suas cooperativas: o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social (PPAIS). Somente este ano, até agosto de 2025, foram mais de R$21 milhões, cerca 4,6 milhões de litros de leite em compras públicas de leite da agricultura familiar.



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Suprema corte dos EUA deve derrubar tarifaço de Trump, avalia especialista



A política tarifária do governo Trump foi apresentada como um instrumento de defesa econômica, mas, para o Brasil, tem caráter essencialmente político e protecionista. Tanto a Corte de Comércio Internacional (CIT) quanto a Corte de Apelações Federais já declararam a ilegalidade da medida.

Para o advogado e pesquisador da FGV Agro, Leonardo Munhos, a tendência é que a Suprema Corte dos Estados Unidos ambém confirme a a decisão de declare as tarifas ilegais.

“O Trump embasou essas tarifas em larga escala sem uma emergência concreta e sem aprovação do Congresso. Isso viola precedentes históricos do sistema de common law americano, que limitam o poder do presidente nesse tipo de decisão. Por isso ele já foi derrotado nas duas instâncias anteriores”, afirma Leonardo.

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Segundo ele, a Constituição americana é clara ao delegar ao Congresso, e não ao presidente, o poder de decidir sobre tarifas e medidas econômicas. m dos pontos ainda em discussão é se a decisão terá efeito universal ou apenas para os importadores que moveram a ação inicial. Caso seja reconhecido o alcance geral, o Brasil e outros países seriam beneficiados automaticamente. Se não, cada nação precisará ingressar com ação própria, mas já com precedentes favoráveis.

“Se a Suprema Corte confirmar que o efeito é universal, o tarifaço perde objeto e se torna totalmente ilegal. Nesse caso, os valores cobrados indevidamente terão de ser devolvidos aos importadores. Os exportadores brasileiros, que foram prejudicados, também poderão ser ressarcidos”, explica o especialista.

Leonardo acredita que a chance de reversão na Suprema Corte é pequena, justamente pela jurisprudência recente. Ele cita o caso Raimundo versus Loper, que restringiu o poder do Executivo e de agências federais de criar exigências sem respaldo legal explícito.

“Direito não é ciência exata, mas a tendência é que a Suprema Corte mantenha a linha dos precedentes e condene Trump. Se isso acontecer, todas as tarifas caem, e os ressarcimentos se tornam realidade. Será o fim de um nó jurídico criado pelo governo americano, que gerou insegurança para todos os parceiros comerciais, inclusive o Brasil.



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AgroNewsPolítica & Agro

Maiores empresas de bioinsumos faturam R$ 5 bilhões


A Koppert Brasil lidera o ranking das maiores empresas de bioinsumos do Brasil, com receita oficial divulgada de aproximadamente BRL 900 milhões em 2024 (converter para USD). É o que aponta levantamento realizado por Gabriel Medina, professor da Universidade de Brasília.

De acordo com o acadêmico, o estudo foi feito com base no faturamento publicada pelas empresas, o que permite identificar os principais atores desse setor em franco crescimento no Brasil.

Em segundo lugar no ranking aparece a Biotrop Soluções Biológicas, com cerca de BRL 740 milhões de faturamento divulgado.

Logo em seguida vem o ecossistema Cogny, com faturamento em torno de BRL 700 milhões. O grupo inclui as empresas fabricantes de insumos biológicos Simbiose, Bioma, Biagro, Biograss, e BioJet.

Além dessas, outras empresas elencadas no ranking como as mais importantes no segmento incluem:

    • Agrivalle Brasil (faturamento de BRL 220 milhões)

    • Vittia (faturamento de BRL 210 milhões)

    • Ballagro Agro Tecnologia (faturamento de BRL 200 milhões)

    • Andermatt Brasil (faturamento de BRL 80 milhões)

Além dessas, as demais empresas fabricantes de insumos biológicos somaram faturamento de BRL 195 milhões. Estão dentro desse montante De Sangosse Brasil, Lallemand Plant Care Brasil e  AgBiTech Brasil, entre diversas outras.

O professor Medina ressalta que o levantamento ainda está em desenvolvimento e trata-se de um projeto aberto para profissionais e especialistas do setor contribuírem com dados adicionais para tornar a análise mais precisa e abrangente.

De acordo com especialistas ouvidos pelo AgroPages, iniciativas como essa são essenciais para entender o avanço dos bioinsumos no mercado agrícola brasileiro, que vem ganhando espaço diante da crescente demanda por práticas agrícolas ambientalmente responsáveis e eficientes. A participação dessas empresas demonstra o potencial de inovação e crescimento desse segmento estratégico para a sustentabilidade do agronegócio brasileiro.

Players em um Mercado Expansivo

O mercado de bioinsumos agrícolas no Brasil alcançou um faturamento estimado em R$ 5 bilhões na safra 2023/24, considerando o preço final pago pelo agricultor, conforme dados da CropLife Brasil.

Segundo dados da DunhamTrimmer – International Bio Intelligence, o mercado global de biológicos deve atingir USD 30 bilhões até 2030, com taxa de crescimento anual composta de 10,42%.

“O Brasil é hoje o mercado dinâmico, não somente da América Latina, mas também em nível mundial. Isso gera um efeito de atração muito forte para empresas e para tecnologias. Vejo que há uma consolidação gradual, onde ficarão players, ou empresas, com respaldo técnico, com qualidade comprovada, com modelos de distribuição eficientes, que vão ser os que vão sobreviver e vão dar sustentabilidade”, afirma Ignacio Moyano, Vice President of Business Development Latin America da DunhamTrimmer.

De acordo com o especialista, a presença no Brasil de um número muito bom de empresas locais foi fundamental para o crescimento de biotecnologia no Brasil. Pela DunhamTrimmer, Ignacio Moyano vem trabalhando em diversas fusões e aquisições de empresas nesse segmento de mercado. 

“As empresas estão em uma busca de alternativas, tanto locais a fertilizantes importados e à consolidação de atores internacionais que buscam espaços com alianças e também com aquisições de empresas locais. Então é fundamental entender bem as particularidades do mercado atual do Brasil, como a estrutura de distribuição, as exigências regulatórias, e a adaptação de tecnologias a condições locais, como fatores de barreira para poder fazer um ‘landing’, uma entrada no mercado brasileiro”, conclui o executivo.

Autor do levantamento, Gabriel Medina é Pós-doutor em Políticas Ambientais pelo Imperial College London (Reino Unido) (2014) com bolsa da Capes. Também é Doutor em Ciências Naturais pela Universidade de Freiburg (Alemanha) (2008), revalidado como doutor em Ciências Agrárias pela Universidade Federal do Pará. Além disso, é Licenciado Pleno em Ciências Agrárias com mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável pela Universidade Federal do Pará (2003).





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Frente fria estaciona e provoca temporais em alguns estados; veja a previsão do tempo de hoje



A permanência de uma frente fria estacionária deve seguir favorecendo o fluxo de umidade e calor vindos do norte do país, realizando assim a manutenção das instabilidades e dos temporais sobre boa parte do Rio Grande do Sul nesta terça-feira (2).

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

Ainda cedo, já devemos contar com a ocorrência de algumas pancadas de chuva isoladas no estado. No decorrer da tarde e noite, essa chuva ganha força e se espalha, condicionando a ocorrência de temporais, seguidos por raios, rajadas de vento e eventual queda de granizo. As áreas de maior atenção percorrem a fronteira oeste, campanha e sul gaúcho, onde o cenário é de perigo para chuva forte e volumosa.

Na Região Metropolitana de Porto Alegre, há risco de chuva forte seguida por raios ao longo do dia. Excepcionalmente em áreas do norte, serra e litoral norte gaúcho não devem contar com risco de chuva significativa no decorrer das horas. Outro destaque deverá girar em torno dos ventos, que sopram com maior intensidade na porção leste e litoral do estado, com rajadas que podem ultrapassar os 50 km/h, apesar da chuva.

Entre Santa Catarina e o Paraná, a circulação de ventos úmidos vindos do oceano deve continuar promovendo a ocorrência de pancadas de chuva entre o leste, vales e norte catarinense, e o litoral paranaense, com condições para pancadas de chuva com fraca a moderada intensidade durante o dia.

Nas demais regiões interioranas, o tempo segue aberto e sem previsão de chuva. Entre o noroeste e norte paranaense, o ar seco ganha força na parte da tarde e estabelece o alerta de baixa umidade do ar – com índices que podem ficar abaixo de 20%. Próximo à costa dos três estados da região sul, o mar permanece agitado e com alerta de ventos fortes.

No Sudeste, a circulação de ventos que sopram do oceano e levam umidade sobre o continente deve manter o céu mais encoberto e a condição para pancadas de chuva entre o Espírito Santo e a região dos vales de Minas Gerais. No ES, a atenção é maior, pois há risco de chuva forte ao longo do dia. Em Vitória, não estão descartados eventuais temporais ou intervalos com chuva mais expressiva.

Em Minas Gerais, haverá apenas condições para chuva fraca isolada. Ainda na região central e porção leste mineira, incluindo a Região Metropolitana de Belo Horizonte, o céu segue um pouco mais encoberto durante o dia, com algumas aparições do sol e temperaturas mais amenas.

Entre Rio de Janeiro e São Paulo, o predomínio já deverá ser de tempo firme, com predomínio de sol entre algumas nuvens no céu e temperaturas já começando a aumentar mais conforme o passar das horas. Destaque para as rajadas de vento, que continuam soprando sobre a faixa leste paulista e no sul e região da baixada fluminense. Entre o interior paulista e o oeste mineiro, alerta para baixa umidade do ar na parte da tarde.

Enquanto no Centro-Oeste, o predomínio deverá ser de tempo aberto e seco em boa parte dos estados, representado pela presença do sol entre algumas nuvens no céu e temperaturas disparando ao longo do dia. Excepcionalmente em algumas áreas do oeste e noroeste de Mato Grosso, haverá condições para pancadas de chuva com fraca a moderada intensidade, devido ao avanço de algumas instabilidades vindas dos estados da região norte do país. Não estão descartados episódios de chuva mais expressiva isolada.

Ainda no Mato Grosso, o calor intenso segue presente, e Cuiabá pode registrar a maior temperatura entre as capitais do país, com máxima alcançando a ordem dos 40ºC. Entre o Mato Grosso do Sul, Goiás e o Distrito Federal, o ar seco ganha força no decorrer das horas e favorece o alerta de baixa umidade do ar, com índices que podem variar entre limiares de atenção (abaixo de 30%) e alerta (abaixo de 20%).

Já no Nordeste, a infiltração de ventos marítimos deve realizar a manutenção da chuva em boa parte da costa leste ao longo do dia. Destaque para o litoral sul da Bahia, onde há risco para temporais isolados. Entre Salvador e Recife, o cenário é de atenção para chuva forte acompanhada por raios.

Entre o agreste baiano e o pernambucano, pode chover com fraca a moderada intensidade durante o dia. Haverá condições para chuva de até moderada intensidade também sobre o litoral do Maranhão. Nas demais regiões interioranas, o predomínio continua sendo de sol e tempo firme, com calor intenso e alerta de baixa umidade do ar à tarde.

E no Norte, as instabilidades seguem concentradas entre Rondônia, Acre e Amazonas, com condições para pancadas de chuva com forte intensidade ao longo do dia. No Acre, há risco de temporais com ventania. Pode chover forte também no litoral do Pará e no extremo oeste de Roraima. Nas demais regiões, o predomínio segue sendo de tempo mais aberto, com sol e sensação de abafamento durante o dia. No Tocantins, o tempo continua bastante seco, com alerta de baixa umidade do ar na parte da tarde.



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Mel do Vale do Paraíba recebe IG e valoriza apicultura regional



O mel do Vale do Paraíba (SP) acaba de conquistar a Indicação Geográfica (IG) na categoria Indicação de Procedência (IP), concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O selo reconhece a tradição apícola da região e fortalece a economia local, tornando-se a 141ª IG brasileira e a sétima dedicada ao mel no país.

Segundo Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae, o reconhecimento vai além da certificação:

“É o resultado de um trabalho coletivo que atravessa gerações e coloca o Vale do Paraíba no mapa dos melhores méis do Brasil. O produto ganha valor, fortalece o turismo e entrega uma experiência única a quem visita a região.”

Tradição apícola centenária

A apicultura no Vale do Paraíba começou no início do século XX com os monges trapistas. Desde então, a união entre pesquisa e saber tradicional garantiu uma produção sustentável e artesanal. A maioria dos apiários possui menos de 20 colmeias, reforçando o caráter familiar e a qualidade do produto.

O setor ganhou força em 2013 com o reconhecimento do Arranjo Produtivo Local (APL) do mel, que impulsionou a renda das famílias apicultoras. Em 2017, a produção já havia alcançado 31 toneladas, com a participação de mais de 300 produtores em 35 municípios da região.

  • Participe do Porteira Aberta Empreender: envie perguntas, sugestões e conte sua história de empreendedorismo pelo WhatsApp

A Associação Socioeducativa de Pequenos Produtores Rurais de Redenção da Serra foi peça-chave no processo, atuando como representante legal e garantindo a governança da IG.

Impacto na economia e no turismo

O mel certificado movimenta a economia local, fortalece a pesquisa científica e contribui para a preservação da biodiversidade. Além disso, a IG transforma o produto em atrativo turístico, conectando visitantes à tradição apícola e ao sabor único do Vale do Paraíba.



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AgroNewsPolítica & Agro

O preço do milho ainda vai subir



Por outro lado, fatores de pressão para baixa também existem



Por outro lado, fatores de pressão para baixa também existem
Por outro lado, fatores de pressão para baixa também existem – Foto: AgResource

O mercado de milho sinaliza alta nos preços nos próximos meses, segundo análise da TF Agroeconômica. A consultoria destaca que a tendência é sazonal e se repete anualmente, com a redução gradual dos estoques impulsionando a demanda e, consequentemente, os valores da commodity.

Para produtores e empresas, o conselho é estratégico: caso seja necessário vender para honrar compromissos imediatos, recomenda-se comercializar o produto físico e simultaneamente comprar contratos futuros na B3. Essa operação permite continuar participando das altas de preço esperadas para o segundo semestre. Para empresas com contratos obrigatórios de venda, a orientação segue a mesma linha, protegendo margens e garantindo receita futura.

Entre os fatores que favorecem a alta estão o ritmo acelerado das vendas nos Estados Unidos, superando a média necessária para atingir a meta recorde de exportação de 73,03 milhões de toneladas estabelecida pelo USDA. Na Europa, a produção prevista caiu de 60,10 para 57,60 milhões de toneladas, aumentando a necessidade de importações, enquanto as exportações da Ucrânia caíram 60,64% em comparação ao mesmo período do ano passado, abrindo espaço para vendas brasileiras e americanas. No Brasil, os preços já mostram recuperação, impulsionados pelo consumo industrial e pelas exportações do segundo semestre.

Por outro lado, fatores de pressão para baixa também existem. Nos EUA, o início da colheita de safra recorde no sul do país deve ampliar a oferta. Problemas nas negociações comerciais entre Washington e Tóquio afetam a demanda externa, já que o Japão é o segundo maior comprador de milho americano. No Brasil, a desvalorização do dólar e a queda nos preços de produtos consumidores de milho, como etanol hidratado, carne de frango e bovina, freiam a valorização da commodity. Diante desse cenário, produtores e empresas devem atuar de forma estratégica para proteger margens e aproveitar oportunidades de ganho.

 





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Dados de inflação na Europa e China devem agitar o mercado global


No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que o feriado nos EUA reduziu liquidez nos mercados, trazendo cautela.

O petróleo avançou com queda nos embarques russos, enquanto o cobre recuou por incertezas sobre a China.

O dólar operou em leve alta a R$ 5,45, e o Ibovespa teve baixa com volume reduzido. Hoje, destaque para IPC-Fipe, PIB do 2º tri e dados de inflação na Europa e China.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação



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