quinta-feira, abril 23, 2026

Agro

News

Fungos no prato: micélio avança como proteína do futuro


Por décadas, a base proteica da dieta mundial esteve concentrada na carne, no leite e nos ovos. No entanto, um novo candidato começa a disputar espaço nesse cenário: os fungos. Graças a avanços em engenharia genética e técnicas de fermentação de precisão, o micélio — estrutura responsável pela sustentação dos fungos — tem se mostrado promissor para a produção de micoproteínas.

Esses compostos apresentam alto valor nutricional, textura semelhante à da carne e menor impacto ambiental, segundo cientistas brasileiros. Projeções de mercado indicam que esse segmento pode ultrapassar US$ 32 bilhões até 2032, consolidando-se como um dos pilares da alimentação sustentável.

Biotecnologia transforma fungos em “fábricas celulares”

De acordo com André Damasio, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o avanço da engenharia genética, aliado ao uso da técnica CRISPR-Cas9, permite transformar fungos filamentosos e leveduras em verdadeiras “fábricas celulares”. Esses organismos são capazes de produzir proteínas recombinantes, semelhantes às encontradas em produtos de origem animal, mas com impacto ambiental reduzido.

Empresas como Meati, Quorn e Enough já operam em escala industrial, priorizando modelos de negócios B2B e oferecendo soluções para a indústria alimentícia. “A produção de micoproteínas exige menos terra, consome menos água e emite menos gases de efeito estufa que a pecuária convencional. Esse modelo pode mitigar efeitos como o desmatamento e o esgotamento de recursos hídricos”, afirma Damasio.

André Damasio, pesquisador da Unicamp. Foto: Vilson Smanhoto

Desafios técnicos e regulatórios

Apesar do potencial, ainda existem barreiras a superar para que as micoproteínas ganhem espaço definitivo nas prateleiras. O micélio tem propriedades únicas, como alto teor de fibras e composição nutricional distinta das proteínas vegetais e animais. Isso exige adaptações tecnológicas para melhorar sabor, textura e funcionalidade.

Gabriel Mascarin, engenheiro agrônomo da Embrapa Meio Ambiente, destaca que, além da aceitação do consumidor, é fundamental avançar em pesquisas clínicas. “Ainda precisamos entender a biodisponibilidade dos aminoácidos presentes, os efeitos sobre a saciedade e a saúde humana a longo prazo. Também é urgente padronizar valores nutricionais e garantir normas rigorosas contra toxinas e metais pesados”, afirma.

Ferramentas de biologia sintética e tecnologias “ômicas” — como proteômica e transcriptômica — têm acelerado a criação de linhagens mais produtivas e resilientes, mas o escalonamento industrial e o processamento downstream continuam sendo gargalos importantes.

Complemento à carne animal

Para a pesquisadora Paula Cunha, também da Unicamp, o objetivo não é substituir a carne animal, mas oferecer alternativas que diversifiquem a dieta e reduzam o impacto ambiental. “Integrar micoproteínas às cadeias alimentares existentes fortalece a segurança alimentar e aumenta a resiliência frente às mudanças climáticas”, conta.

Essa complementaridade pode transformar os fungos em peça-chave de sistemas agroindustriais mais sustentáveis e inclusivos.

Investimentos crescentes e aceitação do mercado

Nos últimos cinco anos, os investimentos em fermentação de biomassa fúngica superaram os da carne cultivada, somando 628 milhões de euros contra 459 milhões de euros. A atratividade se deve à menor complexidade tecnológica e à rápida entrada no mercado.

Micoproteínas derivadas do micélio, como as produzidas pela Quorn e pela Meati, oferecem até 48% de proteína, são ricas em fibras e têm sabor neutro, facilitando a incorporação em produtos análogos à carne ou híbridos que misturam proteína animal, vegetal e fúngica.

Ainda assim, limitações permanecem. O micélio apresenta baixa solubilidade, dificultando sua aplicação em alimentos líquidos. Algumas empresas, como a Nature’s Fynd, já iniciaram testes com iogurtes à base de micélio, abrindo novas frentes de mercado.

Mercado bilionário e sustentabilidade

Atualmente, o setor de análogos de carne com micélio é avaliado em US$ 7,2 bilhões e cresce a uma taxa anual de 10,78%. Já os substitutos de laticínios com base em micélio devem atingir US$ 32,38 bilhões até 2032, com crescimento ainda mais acelerado.

O cultivo do micélio tem baixa emissão de carbono, menor consumo de água e aproveitamento de subprodutos como substratos, o que fortalece sua circularidade. Apesar do gasto energético elevado, especialmente na fermentação submersa, o impacto ambiental é menor que o da pecuária tradicional.

Do ponto de vista nutricional, as micoproteínas são fontes de aminoácidos essenciais e minerais como zinco e selênio. Estudos já apontam benefícios como redução do colesterol, melhora da saciedade e controle da glicemia. No entanto, especialistas alertam para a necessidade de mais estudos sobre digestibilidade e potenciais reações alérgicas.

Futuro da alimentação

Produtos derivados de micélio ainda são classificados como “novos alimentos” e precisam de aprovações regulatórias específicas. Embora liberados pela FDA desde 2001, não existem diretrizes claras sobre ingestão diária e há restrições para crianças menores de três anos.

Empresas de biotecnologia seguem investindo em cepas seguras, escalonamento e diversificação de produtos. A Rhiza, micoproteína desenvolvida pela The Better Meat Co., já possibilita desde linguiças até carnes vegetais secas.

Se os avanços tecnológicos e regulatórios continuarem, os fungos poderão consolidar seu papel como protagonistas no futuro da alimentação global, oferecendo nutrição de qualidade com menor impacto ambiental.



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

É possível identificar bebidas adulteradas com metanol?


O consumo de bebidas adulteradas com metanol já causou pelo menos duas mortes confirmadas no Brasil, além de outros 223 casos em investigação. Os dados são do Ministério da Saúde e acenderam um alerta entre autoridades sanitárias, especialistas e consumidores. O estado de São Paulo concentra 85% das ocorrências nacionais, incluindo sete mortes ainda sob análise.

O que está por trás desse crescimento de intoxicações é o uso criminoso do metanol na produção clandestina de bebidas, especialmente destilados. “O metanol não tem dose segura para ingestão humana. Mesmo em pequenas quantidades, pode causar cegueira irreversível e levar à morte”, alerta a bióloga Rosana Martins dos Santos, consultora da Sapientia Consultoria em Alimentos.

O que é metanol e por que ele é tão perigoso?

Visualmente, o metanol é quase idêntico ao etanol — o álcool comum usado em bebidas. É transparente, possui a mesma viscosidade e até um odor semelhante. Mas no organismo, o efeito é devastador. “No fígado, o metanol é convertido em formaldeído e ácido fórmico, substâncias altamente tóxicas que afetam o sistema nervoso, o nervo óptico e o pH do sangue”, explica Rosana.

Essas alterações químicas comprometem o metabolismo celular e podem causar falência múltipla de órgãos. Os sintomas iniciais incluem dor de cabeça, náuseas e tontura, mas evoluem rapidamente para alterações visuais, convulsões, coma e óbito. “O risco aumenta quando o metanol é consumido junto com etanol, pois os sintomas podem demorar a aparecer e dificultam o diagnóstico precoce”, acrescenta a especialista.

Destilados são os principais alvos da adulteração

As bebidas mais frequentemente associadas aos casos de metanol são os destilados: cachaça, vodka, gin e aguardentes. Isso ocorre porque o metanol aparece na fração inicial da destilação — parte que deve ser descartada nos processos industriais. No entanto, em produções clandestinas, essa porção é mantida para aumentar o volume da bebida.

Já cervejas e vinhos industrializados apresentam risco muito menor. “Essas bebidas fermentadas têm processos que não favorecem a formação de metanol e, além disso, passam por uma fiscalização mais rigorosa do Ministério da Agricultura”, explica Rosana.

Falsificações sofisticadas dificultam a identificação

A presença do metanol em bebidas decorre de um esquema de falsificação cada vez mais complexo. Criminosos reaproveitam garrafas originais, replicam rótulos com perfeição e até simulam lacres autênticos. “Mesmo garrafas aparentemente lacradas podem esconder líquidos adulterados. Há um comércio livre online de rótulos e garrafas falsas”, alerta a consultora.

Em setembro, a polícia desmantelou uma fábrica clandestina em Americana (SP), que distribuía bebidas destiladas para o interior e a capital. O caso evidenciou a fragilidade da fiscalização e a sofisticação das fraudes.

Como o consumidor pode se proteger

Rosana reforça que não é possível identificar a presença de metanol apenas com o paladar ou olfato. “Sabor estranho, cheiro químico forte ou coloração incomum são sinais de alerta, mas não comprovam a presença do metanol. A única forma segura é por meio de análises laboratoriais, como a cromatografia gasosa.”

Cuidados na compra e consumo são essenciais:

– Prefira sempre canais confiáveis: supermercados, distribuidoras e lojas formais;

– Exija nota fiscal;

– Desconfie de preços muito abaixo do mercado;

– Observe rótulos, número de lote, lacre e qualidade da impressão;

– Em festas e bares, opte por bebidas fechadas e de marcas conhecidas;

– Nunca aceite bebidas a granel ou de procedência desconhecida.

Avanços na detecção e tratamento

Existem estudos promissores sobre formas rápidas de detectar metanol, como sensores colorimétricos e canudos detectores — alguns em fase experimental no Brasil. Em outros países, tiras reagentes estão disponíveis, mas com sensibilidade limitada.

Caso ocorra a ingestão, o tratamento precisa ser imediato. “O antídoto ideal é o fomepizol, mas o etanol hospitalar também pode ser utilizado, pois inibe a formação dos metabólitos tóxicos. Em casos graves, a hemodiálise é necessária”, afirma Rosana. A janela crítica para atendimento é de poucas horas após os primeiros sintomas.

Informação é a melhor prevenção

Especialistas apontam que a falta de informação é um dos principais fatores que agravam a crise. “Muitas mortes poderiam ser evitadas com mais fiscalização e uma comunicação clara à população sobre os riscos e formas de identificar bebidas suspeitas”, conclui Rosana Martins dos Santos.

Veja a entrevista na íntegra

Portal Agrolink: O que é o metanol? E por que ele é tão perigoso para o consumo humano, mesmo em pequenas quantidades?

Rosana Martins dos Santos: O metanol, também chamado de álcool metílico, é um produto químico semelhante ao etanol. É utilizado na indústria como solvente industrial e combustível aeronáutico. O problema é que, quando ingerido, o fígado converte o metanol em formaldeído e ácido fórmico, duas substâncias altamente tóxicas para o nosso organismo. Isso pode causar desde uma forte intoxicação até cegueira irreversível e, em casos mais extremos, a morte.

Segundo o Dr. Ramos, do Núcleo de Infectologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, esse ácido é corrosivo para o nervo óptico e para a estrutura do sistema nervoso como um todo. Ele também altera o pH do sangue, o que pode comprometer o metabolismo celular e o funcionamento dos órgãos vitais, levando a complicações graves, incluindo a falência de múltiplos órgãos. O mais alarmante é que doses muito pequenas já são suficientes para provocar sérios danos à saúde. Por isso, dizemos que o metanol não tem dose segura para ingestão humana.

Portal Agrolink: Existe alguma bebida com menor risco de ser adulterada com metanol?

Rosana Martins dos Santos: Sim. Em geral, as bebidas fermentadas, como cervejas e vinhos industrializados, têm um risco muito menor de serem adulteradas, pois o processo de produção não favorece a formação de grandes quantidades de metanol. Além disso, essas cadeias produtivas passam por uma fiscalização muito mais rígida do Ministério da Agricultura, o que garante controles atualizados e processos produtivos em dia. Isso não significa que estão 100% livres de risco, mas os casos mais graves ocorrem em destilados adulterados ou produzidos sem controle adequado.

Portal Agrolink: Como ocorre a falsificação de bebidas?

Rosana Martins dos Santos: Há falsificações bastante sofisticadas, com criminosos reutilizando garrafas originais ou criando rótulos falsos muito semelhantes aos originais. Em Americana (SP), no dia 30 de setembro, a polícia desarticulou uma fábrica clandestina de bebidas destiladas que fornecia para o comércio da capital e do interior. Existe um comércio livre online de rótulos e garrafas idênticas aos originais, o que dificulta muito a ação das autoridades. Mesmo garrafas aparentemente lacradas podem conter bebidas adulteradas. A recomendação é comprar apenas de canais confiáveis, observar atentamente o rótulo, o lacre, o número do lote e sempre exigir nota fiscal.

Portal Agrolink:  É possível identificar uma bebida adulterada sem análise laboratorial?

Rosana Martins dos Santos: Não é possível ter certeza sem exame laboratorial. Existem sinais que podem levantar suspeitas, como sabor estranho, cheiro químico forte ou coloração diferente do habitual. Mas nenhum desses sinais é prova de presença de metanol. A única forma confiável de detectar a substância é por meio de análise laboratorial, como a cromatografia gasosa, considerada o padrão ouro.

Portal Agrolink:  É seguro comprar bebidas alcoólicas em supermercados e lojas formais?

Rosana Martins dos Santos: Sim. O risco é menor nesses estabelecimentos, pois há fiscalização e rastreabilidade da cadeia de distribuição. Já em bares, festas e pontos de venda informais, o risco aumenta, principalmente quando a bebida é servida sem lacre original ou comprada de fornecedores duvidosos, sem rótulo ou identificação.

Portal Agrolink: Como identificar sinais de adulteração?

Rosana Martins dos Santos:  Sinais de alerta incluem: preço muito abaixo do mercado, rótulo mal impresso ou com erros, ausência de número de lote, fabricante ou lacre mal colocado. A venda em locais sem nota fiscal, como festas ou bares, exige cuidado redobrado. Desconfie sempre de bebidas em garrafas reaproveitadas ou sem identificação.

Portal Agrolink:  Quais os sintomas após ingestão de metanol? Em quanto tempo aparecem?

Rosana Martins dos Santos: Os sintomas surgem de 6 a 24 horas após a ingestão. Inicialmente, a pessoa sente náuseas, dor abdominal, dor de cabeça e tontura — semelhantes a uma ressaca. Depois, surgem os sintomas mais graves: visão borrada, sensação de névoa nos olhos, até perda total da visão. Pode evoluir para convulsões, coma e morte. Quando ingerido com etanol, os sintomas podem demorar mais para aparecer, dificultando o diagnóstico.

Portal Agrolink:  Que cuidados o consumidor deve ter ao escolher bebidas, especialmente em festas e bares?

Rosana Martins dos Santos: Observar se a garrafa está lacrada, se o rótulo contém lote e registro, desconfiar de preços baixos e exigir nota fiscal. Em bares e festas, prefira bebidas fechadas, de marcas conhecidas e sempre atente aos lacres. Nunca aceite bebidas de origem duvidosa ou vendidas a granel.

Portal Agrolink:  Quais bebidas são mais suscetíveis à adulteração com metanol?

Rosana Martins dos Santos: Principalmente os destilados: cachaça, vodka, aguardente e destilados caseiros. Isso porque, na destilação, o metanol se concentra na porção inicial, que deve ser descartada nos processos industriais. Em produções criminosas, essa parte é mantida para aumentar o volume da bebida.

Portal Agrolink:   Há métodos simples para detectar metanol?

Rosana Martins dos Santos: Estão sendo desenvolvidos sensores e tiras reagentes, mas ainda não há métodos validados para uso em larga escala. Um exemplo é o estudo da Universidade Estadual da Paraíba, que desenvolve canudos que mudam de cor na presença de metanol. Em outros países, existem tiras no mercado, mas com confiabilidade limitada.

Portal Agrolink:   Existe tratamento eficaz para intoxicação por metanol? Qual o tempo crítico para atendimento?

Rosana Martins dos Santos: Sim, mas o tratamento deve ser iniciado rapidamente. O antídoto mais indicado é o fomepizol, ou o etanol em ambiente hospitalar, que inibem a formação de substâncias tóxicas no fígado. Em casos graves, é necessária hemodiálise. A janela crítica é de poucas horas após o início dos sintomas — atendimento precoce aumenta as chances de recuperação.





Source link

News

SC e o Agro vai discutir os desafios logísticos do estado



São Francisco do Sul (SC) será a sede da edição 2025 do Fórum Santa Catarina e o Agro 5.0. Com destaque para o tema da infraestrutura logística, o evento também vai tratar de abastecimento e mercado, em especial sobre oferta e demanda de milho e carnes no estado. O evento vai reunir produtores, técnicos da pesquisa e extensão rural, lideranças públicas e privadas do setor.

Outro tema em pauta será a COP30, a Conferência para Mudanças Climáticas das Nações Unidas, que acontece em novembro, em Belém (PA). O tema, que vai tratar de sustentabilidade, sobre produzir e preservar, a partir do modelo catarinense, será conduzido pela Frente Parlamentar da COP30, da Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

Os painéis serão conduzidos no período da tarde. Pela manhã um grupo de dirigentes, técnicos e jornalistas faz uma visita técnica no Porto de São Francisco e a unidade de fertilizantes da Fecoagro. A entrega ou importação de fertilizantes no Brasil, situação comum também em Santa Catarina, é fortemente impactada pela infraestrutura logística dos portos e dos acessos aos portos.

Em sua 9ª edição, o projeto SC e o Agro 5.0 é uma relação conjunta entre Canal Rural, Fecoagro, Ocesc, Faesc/Senar-SC, Sindicarne/Acav/Aincadesc, Sicoob e Icasa, com apoio as Secretaria Estadual da Agricultura.

Os conteúdos do projeto SC e o AGRO 5.0 podem ser acessados em https://www.canalrural.com.br/projeto/santa-catarina/

PROGRAMAÇÃO:

13h30 Recepção
14h00 Abertura: Secretário de Agricultura e Pecuária de SC, Carlos Chiodini, Fecoagro, Ocesc, Faesc, Sindicarne, Sicoob e Icasa.
14h30 Aqui quem produz também preserva, Mauro De Nadal, deputado estadual presidente da Frente Parlamentar da COP30.
14h50 A necessária integração multimodal de Santa Catarina, por Beto Martins, secretário estadual de Portos, Aeroportos e Ferrovias.
15h10 A integração ferroviária como condição a um futuro eficiente e competividade, Lenoir Broch, Movimento Pró-Ferrovias.
15h30 Riscos e desafios da oferta, demanda e abastecimento de milho em Santa Catarina, Arene Trevisan, Seara/JBS.
16h00 Encerramento.



Source link

News

Conversa entre Lula e Trump é 1º passo para reequilibrar comércio, considera Amcham Brasil



Os dados da balança comercial entre Brasil e Estados Unidos referentes a setembro, divulgados nesta segunda-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), indicam retração de 20,3% nos embarques nacionais ao mercado norte-americano.

Ao mesmo tempo, mostram crescimento de 14,3% das importações brasileiras de produtos vindos do país de Donald Trump no período.

Segundo o MDIC, no acumulado de janeiro a setembro, as exportações brasileiras caíram 0,6%, enquanto as importações aumentaram 11,8%, ampliando o superávit comercial dos Estados Unidos em relação ao Brasil para US$ 5,1 bilhões.

Na visão da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), o resultado reforça o impacto das sobretaxas impostas às exportações brasileiras, que têm gerado distorções na corrente de comércio e efeitos adversos para empresas e consumidores de ambos os países.

A entidade reforça que entre os setores mais afetados incluem-se siderurgia, alumínio, máquinas e equipamentos, além de madeira, químicos e manufaturados industriais em geral.

“Nesse contexto, o diálogo entre os presidentes do Brasil e dos EUA, reforçado pelo telefonema ocorrido nesta segunda-feira, representa um passo importante para construir soluções para mitigar esses impactos”, diz a Amcham, em nota.

Já o presidente da Câmara, Abrão Neto, o comércio entre os dois países é sustentado por uma ampla rede de empresas, investimentos e interesses mútuos. “Esperamos que o diálogo entre os presidentes abra caminho para negociações que devolvam previsibilidade e permitam preservar e expandir o comércio e os investimentos bilaterais”, afirma.



Source link

News

confira as cotações deste início de semana



O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com negócios realizados acima da referência média durante esta segunda-feira (6).

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos, principalmente os de menor porte, começam a se deparar com escalas de abate mais curtas, justificando a realização de negócios em patamares mais altos.

“Os frigoríficos de maior porte ainda sinalizam para boa incidência de animais de parceria, com escalas de abate mais confortáveis. Mato Grosso é exceção ao movimento de retomada, com preços ainda em queda”, conta.

Iglesias reforça que as exportações seguem em alto nível no decorrer do ano, com o país caminhando para um novo recorde de embarques.

Preços médios do boi gordo

  • São Paulo: R$ 309,75 — na sexta: R$ 307,92
  • Goiás: R$ 293,75 — R$ 292,32
  • Minas Gerais: R$ 292,06 — R$ 290,29
  • Mato Grosso do Sul: R$ 320,23 — R$ 319,55
  • Mato Grosso: R$ 292,69 — R$ 293,19

Mercado atacadista

O mercado atacadista inicia a semana apresentando preços firmes, ainda em perspectiva de alta no curto prazo. Conforme o analista, isso acontece por conta da entrada dos salários na economia, o que motiva a reposição entre atacado e varejo.

O quarto traseiro ainda é precificado a R$ 25,00 por quilo e o quarto dianteiro segue no patamar de R$ 17,50, por quilo.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,49%, sendo negociado a R$ 5,3100 para venda e a R$ 5,3080 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,3080 e a máxima de R$ 5,3488.



Source link

News

Homem suspeito por furto de 700 cabeças de gado é preso em operação interestadual



A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) prendeu, na última quinta-feira (2), em Vila Velha, um homem de 48 anos suspeito de furtar cerca de 700 cabeças de gado de duas fazendas localizadas em Itabuna, no sul da Bahia.

A operação foi conduzida pela Superintendência de Polícia Especializada (SPE), com apoio das delegacias de Repressão aos Crimes Rurais (DERCR) e Antissequestro (DAS), além da Polícia Militar do Espírito Santo e da Polícia Civil da Bahia.

De acordo com a 6ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), o homem atuava como gerente das fazendas, e teria se aproveitado da confiança dos proprietários para realizar os furtos de forma sistemática entre os anos de 2023 e 2024. O suspeito é acusado por causar um prejuízo estimado em mais de R$ 2 milhões.

Segundo a Coopin, após a descoberta das irregularidades praticadas, o suspeito teria fugido para o Espírito Santo, onde manteve uma rotina de trabalho normal.

A Polícia Civil da Bahia solicitou apoio à PCES para cumprir o mandado de prisão contra o suspeito, que, segundo as investigações, estaria escondido no município de Vila Velha.

Furto qualificado e associação criminosa

Após os levantamentos da delegacia, os investigadores identificaram que suspeito estaria circulando em um veículo na Rodovia do Sol por volta das 6h da manhã. Às 4h30 às equipes da DAS, DERCR e da Delegacia Especializada de Crimes Contra o Transporte de Cargas (DCCTC), com apoio da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), efetuaram a abordagem do veículo, identificaram o condutor e deram voz de prisão.

O suspeito foi encaminhado ao plantão da Polícia Civil e vai responder por furto qualificado e associação criminosa, conforme o Código Penal.



Source link

News

Exportações de amendoim crescem 26%, enquanto óleo quase triplica


Após um período de forte retração em 2024, a exportação de amendoim brasileiro voltou a crescer em 2025. Foram embarcados mais de 180 mil toneladas entre janeiro e agosto, aumento de 26% ante o mesmo período do ano passado.

O faturamento das comercializações internacionais alcançou US$ 222 milhões (R$ 1,179 bilhão) e foi 100% composta de grãos paulistas, conforme os dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA), órgão responsável pelo levantamento.

Como principais destinos ao amendoim brasileiro, destacam-se Rússia (22%); China (21%); Argélia (11%); e Países Baixos (7%), que servem como a principal porta de entrada para o bloco europeu.

Para as associações que representam o setor, chama a atenção, também, o aumento considerável de envio do grão para o mercado chinês, com 35 mil toneladas no total, em um intervalo curto de tempo.

Segundo a pesquisadora do IEA Renata Martins Sampaio, a necessidade de abastecimento do mercado interno da China foi fundamental para o aumento das exportações brasileiras.

“Ela [a China] é a principal produtora mundial de amendoim, responde por pouco mais de 35% do total produzido. Da mesma forma, também é o maior consumidor mundial. Sendo assim, a produção chinesa não foi o suficiente para suprir o seu consumo interno”, destacou.

Óleo de amendoim

Atualmente, a produção nacional de amendoim é de aproximadamente 1 milhão de toneladas para o mercado de confeitaria e de óleo, colocando o Brasil como o sexto maior exportador de grãos de alta qualidade.

De acordo com Renata, outro destaque da safra 2024/2025 foi o avanço expressivo das exportações de óleo de amendoim, que cresceram mais de 170%, somando 98 mil toneladas destinadas principalmente à China (87%) e à Itália (13%). O produto, considerado uma iguaria pela pureza e qualidades nutricionais, ganhou ainda mais espaço no mercado internacional.

Segundo a nutricionista Sizele Rodrigues, da diretoria de Segurança Alimentar (Cosali), ligada à SAA, o óleo de amendoim é naturalmente rico em gorduras poli-insaturadas, especialmente o Ômega 6, que contribui para o fortalecimento do sistema imunológico e para a saúde cardiovascular.

“Também oferece vitamina E, essencial para a proteção celular, além de antioxidantes como o resveratrol, substância associada à prevenção de doenças como o Alzheimer”, detalha.

Produção paulista

variedades de amendoim do IACvariedades de amendoim do IAC
Foto: Divulgação

O estado de São Paulo é o maior produtor nacional de amendoim, responsável por cerca de 86% da colheita do país e o principal exportador da leguminosa.

De acordo com o IEA, o estado produz, em média, mais de 700 mil toneladas por ano, sendo que as principais regiões produtoras são, respectivamente, os municípios de Tupã (13,6%), Marília (12,7%) e Jaboticabal (12,2%).

“O setor do amendoim é motivo de orgulho para o agro paulista, não apenas pelos números históricos de produção e exportação, mas pela sólida base científica construída pelo Instituto Agronômico (IAC-Apta), responsável por variedades que transformaram a competitividade da cultura”, diz o secretário executivo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Alberto Amorim.

O IAC é uma referência em pesquisas com amendoim no Brasil. “O programa de melhoramento genético de amendoim do IAC , de Campinas, é de renome internacional e é o responsável por 80% das variedades cultivadas de amendoim no Brasil”, afirma o pesquisador do Instituto, Ignácio José de Godoy.

Ele salienta que essas variedades foram criadas para beneficiar os produtores, com alta produtividade e resistência a doenças e pragas, bem como para melhorar a qualidade do produto, tornando-o mais competitivo principalmente no mercado externo.



Source link