Levantamento realizado pelo Hortifrúti/Cepea mostra que os preços do mamão voltaram a cair na última semana.
No Norte do Espírito Santo, o havaí 12-18 foi comercializado à média de R$ 1,14/kg, queda de 6% frente à do período anterior. No Sul da Bahia, o formosa se desvalorizou 54%, cotado a R$ 1,63/kg.
Pesquisadores explicam que, mesmo com o volume estável de mamão nas roças, a baixa procura pelos frutos neste começo de segunda quinzena de mês pressionou os valores de comercialização.
Para as próximas semanas, ainda conforme o Hortifrúti/Cepea, embora a perspectiva seja de diminuição na oferta das variedades, a possibilidade de demanda desaquecida nesta segunda metade de outubro tende a limitar possíveis avanços nas cotações.
Os volumes de chuva na região Sul do Brasil devem ficar abaixo da média nos próximos meses, segundo avaliação da Ampere Consultoria. A La Niña, recentemente declarada pela agência norte-americana NOAA, tende a ser de fraca intensidade, com impactos mais perceptíveis a partir de meados de novembro.
Embora dezembro deva registrar déficit de precipitação, outros fatores atmosféricos podem amenizar o cenário. As chuvas serão menos frequentes, mas ainda devem ocorrer de forma pontual, influenciadas por diferentes mecanismos climáticos que modulam o regime pluviométrico da região. “A previsão é que os déficits de chuva se intensifiquem nos estados do Sul em dezembro. De qualquer forma, outras condições meteorológicas poderão provocar chuvas pontuais relativamente fortes, ou seja, a chuva será menos frequente, como é comum em anos de La Niña, mas não vai sumir totalmente”, afirma a agrometeorologista da Ampere Consultoria, Amanda Balbino.
A consultoria aponta diferenças regionais: no oeste do Paraná, próximo a Cascavel, as precipitações devem se manter próximas à média histórica em novembro, superando os 100 mm. Já no meio-oeste gaúcho, em áreas como Cruz Alta e São Luiz Gonzaga, as chuvas podem ficar até 80 mm abaixo do normal, afetando o desenvolvimento da soja. Na Argentina, as condições também devem variar entre médias e ligeiramente abaixo da média, com déficit mais acentuado em dezembro.
Apesar do alerta, a Ampere observa que o fenômeno ainda não está completamente instalado. O resfriamento atual do Pacífico está em -0,42 °C, enquanto o critério para confirmação da La Niña é de -0,5 °C por pelo menos três meses consecutivos. “De maneira geral, os produtores do Sul devem ficar muito atentos ao risco de períodos de estiagens, tempo seco e quente, que podem coincidir com os estágios mais sensíveis do desenvolvimento da soja”, conclui Amanda.
O plantio da safra 2025/26 de soja no Brasil alcançou 21,7% da área total prevista, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na semana anterior, a semeadura da oleaginosa estava em 11,1%.
Na mesma data do ano passado, o plantio estava em 17,6%, o que representa um aumento de 23,3% no ritmo das atividades nesta temporada. Os dados deste levantamento foram contabilizados até o dia 18 de outubro.
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Plantio de soja pelo Brasil
O estado de São Paulo lidera os trabalhos com a oleaginosa, com 40% da área já semeada, seguido por Mato Grosso (39,8%), Paraná (39%), Mato Grosso do Sul (34%), Tocantins (7%), Bahia (6%), Minas Gerais (6%), Goiás (5%) e Santa Catarina (3%).
Segundo o instituto, além de ocasionarem atrasos na colheita do cereal, as precipitações podem comprometer as lavouras que ainda estão no campo.
Já no Rio Grande do Sul, as chuvas fracas vêm mantendo o potencial produtivo elevado. De acordo com a Emater/RS, a produtividade no estado deve crescer 17,26% em relação ao ano anterior, para 3,261 t/ha, resultando em produção de 3,721 milhões de toneladas, 0,57% acima da safra passada.
O maior rendimento no RS e também em SC elevou a estimativa de produção e de produtividade brasileira para 2025, conforme relatório divulgado neste mês pela Conab. A safra agora é projetada em 7,698 milhões de toneladas, 2,2% acima do previsto em setembro, mas 2,4% menor que a de 2024.
Quanto à produtividade, houve aumento de 2,1% frente ao relatório passado e é estimada para ser 21,8% maior que a da temporada anterior, a 3,142 t/ha. Com a expectativa de uma safra com boa produtividade, dólar enfraquecido e alta produção na Argentina, os levantamentos mostram que as cotações no Brasil seguem pressionadas.
Os preços médios do açúcar cristal branco voltaram a cair no mercado spot de São Paulo na última semana, com o Indicador Cepea/Esalq variando entre R$ 115 e R$ 116 por saca de 50 kg.
No balanço de 13 a 17 de outubro, a média foi de R$ 116,17/sc de 50 kg, 1,01% abaixo da do intervalo anterior, de R$ 117,36/sc.
Pesquisadores explicam que, entre os tipos de açúcar cristal negociados, apenas o Icumsa 150 manteve sustentação de preços. Para o Icumsa 180, os valores em queda refletem os estoques acumulados em algumas usinas.
Além disso, conforme o Centro de Pesquisas, expectativas de excedente global do adoçante na safra 2025/26 reforçaram a pressão sobre as cotações internas.
O governo anunciou com alarde a liberação de R$ 12 bilhões para o crédito rural, prometendo impulsionar investimentos, custeio e inovação na nova safra. Na prática, porém, esses recursos seguem indisponíveis nas instituições financeiras, revelando uma contradição entre o discurso político e a realidade vivida pelos produtores.
Enquanto os comunicados oficiais falam em fomento e estabilidade, o produtor enfrenta fila, exigências desproporcionais e respostas demoradas dos bancos. O resultado é frustrante: o crédito existe no papel, mas não chega a quem realmente precisa plantar, produzir e pagar as contas.
O entrave começa na própria estrutura de repasse. Bancos e cooperativas alegam falta de definição sobre garantias, risco climático e inadimplência, além de travas operacionais para distribuir o dinheiro.
A burocracia é tanta que, em muitos casos, os prazos de análise ultrapassam o período ideal de plantio. Para o produtor, tempo é safra, e safra perdida não se recupera.
Além disso, a alta dos juros, o endividamento acumulado e o risco de preços internacionais mais baixos tornam o crédito rural menos atraente para o sistema financeiro, que prefere operar em segmentos de menor risco e retorno mais rápido.
Cada dia de atraso na liberação do crédito significa menos investimento em insumos, tecnologia e produtividade. O pequeno e o médio produtor, que dependem de financiamento para tocar a lavoura, ficam encurralados entre o custo alto e a falta de liquidez.
Sem acesso ao crédito, o agro perde eficiência, a inovação é adiada e o país arrisca colher uma safra menor — tanto em volume quanto em competitividade.
Em um momento de margens apertadas, câmbio instável e exigências ambientais crescentes, a falta de crédito age como uma trava silenciosa na economia rural.
Um sistema desenhado para não funcionar
O caso dos R$ 12 bilhões parados mostra que o problema não é de falta de dinheiro, e sim de arquitetura financeira mal calibrada. O modelo de crédito rural brasileiro continua preso à lógica de anúncios grandiosos e execução lenta, com pouco foco na eficiência operacional e na realidade de quem está na ponta.
Enquanto o produtor precisa de rapidez e previsibilidade, o sistema oferece burocracia e incerteza. É o oposto do que um país que se diz potência agroexportadora deveria fazer.
O crédito rural é a corrente sanguínea do agronegócio. Se ele não circula, o campo enfraquece e com ele, toda a economia.
Anunciar bilhões e não repassar ao produtor é o mesmo que prometer chuva e entregar nuvens secas. No Brasil, o problema não é a falta de recursos, e sim a incapacidade de fazê-los chegar ao solo onde o país realmente cresce: o campo.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
O plantio da safra 2025/26 de soja no Paraná alcançou 52% da área prevista até 20 de outubro, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. A área total destinada ao grão é estimada em 5,77 milhões de hectares, praticamente estável em relação à temporada passada.
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Condições das lavouras de soja
As lavouras apresentam 98% em boas condições e 2% médias. Em termos de desenvolvimento, 30% estão em germinação e 70% em crescimento vegetativo. Na semana anterior, o plantio era de 39%, com 99% das lavouras em boas condições.
Projeção
Segundo dados do Deral, a produção da safra 2025/26 deve atingir 21,94 milhões de toneladas, alta de 4% frente às 21,19 milhões de toneladas da safra 2024/25. A produtividade estimada é de 3.802 kg/ha, acima dos 3.672 kg/ha da temporada anterior.
Segundo o instituto, além do aquecimento da demanda, com a participação de distribuidoras independentes e de maiores portes, a oferta esteve limitada, seja pelas chuvas, que paralisaram as atividades agrícolas e industriais, seja pela retração de vendedores, atentos aos estoques de produto nos tanques e apostando em valores mais altos.
Pesquisadores explicam, ainda, que outro fator que começa a dar mais suporte aos preços é a proximidade do fim da safra 2025/26 na região Centro-Sul.
Nesse cenário, entre 13 e 17 de outubro, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado para o estado de São Paulo fechou em R$ 2,7365/litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), aumento de 0,77% em relação ao período anterior. Para o anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ caiu leve 0,15%, a R$ 3,1079/litro, valor líquido de impostos (sem PIS/Cofins).
O criador mineiro Alexandre Lopes Lacerda foi eleito presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando para o triênio 2026/2028. A eleição ocorreu na última sexta-feira (17), na sede da entidade, em Uberaba (MG), com chapa única e participação de associados de diferentes estados. A nova diretoria assume em janeiro do ano que vem.
Continuidade e fortalecimento da raça
Lacerda sucede Domício Arruda, que permanece no comando até dezembro. O atual presidente destacou o avanço da raça Girolando nos últimos anos, consolidada como principal base do leite brasileiro. “Hoje, o Girolando responde por cerca de 80% da produção nacional e vem ampliando presença na América Latina. O novo time dará sequência ao trabalho de expansão e valorização da raça”, afirmou Arruda.
O novo presidente atua há duas décadas na pecuária leiteira, com foco em genética e produção de leite na Fazenda Miraí, na Serra do Cipó (MG). Segundo ele, a prioridade da gestão será tornar a associação mais próxima dos criadores e ampliar o acesso de pequenos produtores às tecnologias de melhoramento genético.
“Queremos fortalecer o Programa de Fomento da Raça Girolando, para que mais produtores possam aumentar a rentabilidade do rebanho”, destacou Lacerda.
Novas metas e foco nos associados
Entre as metas da nova diretoria estão ampliar o número de associados, apoiar eventos regionais e estimular a participação dos criadores na Megaleite — uma das principais feiras do setor leiteiro. Lacerda também pretende reforçar o Programa de Melhoramento Genético da raça, que contribui para o aumento da produtividade e da qualidade do leite.
Além de produtor rural, Lacerda é contador, advogado tributarista e diretor de um escritório jurídico em Belo Horizonte. A diretoria eleita conta ainda com José Renato Chiari como vice-presidente e outros nove diretores responsáveis por áreas administrativas, financeiras, técnicas e institucionais.
A Associação
Criada em 1978, a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando reúne produtores de todo o país e administra o Serviço de Registro Genealógico e de Melhoramento Genético da raça. Com mais de 2,3 milhões de registros, é a maior base de dados entre as associações de raças leiteiras no Brasil. A entidade também foi pioneira na adoção da genômica em programas de melhoramento genético bovino nacional.
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Em relação ao girassol, 35% dos 2,7 milhões de hectares projetados já foram plantados – Foto: Divulgação
O plantio de milho na Argentina segue em ritmo acelerado, com 25,6% da área nacional já semeada, segundo dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA). A entidade destaca que esse percentual representa um avanço de 7,9 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado, configurando o segundo maior progresso das últimas dez safras.
As províncias de Entre Ríos e o Centro-Norte de Santa Fe se destacam pelo cumprimento dos planos de semeadura antecipada, enquanto regiões do norte de Buenos Aires e sul de Santa Fe, antes afetadas por excesso de chuvas, registram melhora no ritmo das operações. Já o centro e o oeste de Buenos Aires ainda enfrentam dificuldades, e parte das áreas pode ser redirecionada para o plantio tardio caso a semeadura não avance até meados de outubro.
Em relação ao girassol, 35% dos 2,7 milhões de hectares projetados já foram plantados, após avanço semanal de 2,7 pontos percentuais. As chuvas no sul do país seguem dificultando o acesso aos campos e atrasando o calendário de plantio, enquanto as regiões centrais e do norte mantêm desempenho bem acima da média dos últimos cinco anos. Do total já semeado, 77,3% das lavouras estão em condição hídrica adequada ou ótima, e 100% apresentam estado vegetativo de normal a excelente.
No caso do trigo, embora 96,4% das lavouras estejam em condição normal a excelente, a alta umidade elevou em 6 pontos percentuais a área com excesso hídrico. O cenário tem favorecido o surgimento de pragas como chinches e orugas, além de doenças fúngicas, principalmente no sul do país. Mesmo assim, cerca de 90,7% das plantações já superaram o estágio de encanamento e avançam para floração e enchimento de grãos. Se o clima se mantiver estável, a safra argentina poderá alcançar bom potencial produtivo.