quarta-feira, maio 20, 2026

Agro

AgroNewsPolítica & Agro

Oferta elevada de citros pressiona preços



Alta produção de citros impacta mercado




Foto: Agrolink

A produção de citros no Rio Grande do Sul segue com boa qualidade, mas o excesso de oferta tem provocado queda nos preços pagos aos agricultores. O cenário foi detalhado no Informativo Conjuntural divulgado nesta quarta-feira (18) pela Emater/RS-Ascar.

Na região de Caxias do Sul, os pomares apresentam uma carga elevada de frutas, com padrão de qualidade considerado satisfatório pelos técnicos da instituição. Apesar das boas condições, a grande disponibilidade no mercado tem limitado a absorção da produção. Segundo o informativo, a bergamota está sendo comercializada a R$ 2,99 o quilo nas promoções do varejo local. Para os produtores, o preço por caixa de 20 quilos varia entre R$ 20,00 e R$ 28,00.

Na região administrativa de Erechim, a comercialização de laranjas das variedades Salustiana, Iapar, Rubi e Hamlin continua. O motivo, segundo a Emater/RS-Ascar, é que esses frutos estão com índice de acidez/brix acima de 13°, considerado adequado para o consumo. O preço local chega a R$ 800,00 por tonelada.

A venda da laranja Valência permanece suspensa devido ao baixo índice de acidez/brix, que está inferior a 13°. No entanto, a Emater/RS-Ascar projeta que a qualidade e a produtividade da variedade devem superar as expectativas, com rendimento médio acima de 35 toneladas por hectare.





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Entrada dos EUA na guerra contra o Irã coloca custos do agro brasileiro em risco


A entrada oficial dos Estados Unidos no conflito entre Israel e Irã neste sábado (21) elevou de forma dramática o risco geopolítico global e acendeu um alerta vermelho para o agro brasileiro.

Ao autorizar ataques aéreos contra três instalações nucleares iranianas, o governo norte-americano selou seu envolvimento direto na guerra. A reação do Irã foi imediata: parlamentares do país afirmaram que podem fechar o Estreito de Ormuz, caso considerem seus interesses ameaçados.

O Estreito de Ormuz é uma artéria vital do comércio global. Por ele passam cerca de 20% de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo — aproximadamente 18 a 20 milhões de barris por dia. Também trafegam por ali derivados petroquímicos, como gás natural liquefeito e fertilizantes nitrogenados, amplamente utilizados na agricultura. Qualquer interrupção nessa rota teria efeito dominó sobre cadeias produtivas em todos os continentes.

Impactos diretos para o agro brasileiro

O agro brasileiro, embora geograficamente distante do conflito, é profundamente dependente da estabilidade logística e energética mundial. Traço quatro principais impactos reais e imediatos ao agravamento do conflito:

  1. Disruptura logística global: com um possível bloqueio do Estreito de Ormuz, navios teriam que contornar longas rotas alternativas, aumentando tempo e custos de transporte. Isso afetaria diretamente o frete marítimo de fertilizantes e insumos agrícolas, que o Brasil importa em grande volume.
  2. Alta nos preços dos combustíveis e fertilizantes: o petróleo já começou a subir com a tensão no Golfo Pérsico, e analistas não descartam que o barril do tipo Brent ultrapasse os US$ 100 se houver de fato o fechamento do estreito. Isso encarece diesel, transporte, e também fertilizantes — que já vinham sofrendo pressões de preço após sanções sobre Rússia e restrições logísticas globais.
  3. Pressão sobre margens dos produtores: com custos logísticos, de insumos e de energia em alta, a rentabilidade das lavouras brasileiras pode ser comprometida. O milho, a cana-de-açúcar e a soja, culturas altamente dependentes de ureia e adubos nitrogenados, serão diretamente afetadas.
  4. Instabilidade cambial e inflação interna: o real tende a se desvalorizar diante do aumento do risco global. Isso gera dois efeitos simultâneos: aumenta o custo das importações e pressiona a inflação — justamente no momento em que o produtor já enfrenta margens apertadas e uma temporada de incertezas climáticas.

A guerra no Oriente Médio ganhou uma nova dimensão com a entrada dos EUA, e as ameaças do Irã ao fechamento de Ormuz transformaram o que era uma crise regional em uma ameaça global. Para o Brasil, essa escalada representa mais do que um alerta: é uma evidência de que o agro — mesmo sendo altamente produtivo — segue vulnerável à geopolítica e à logística mundial.

Em tempos de incerteza, planejamento e reação rápida são as melhores ferramentas para manter a competitividade e a resiliência do campo brasileiro. O produtor precisa estar atento, e o governo precisa agir para garantir que o Brasil não seja penalizado por uma guerra que está longe de nossas fronteiras, mas perto demais de nossa realidade econômica.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Exportações sustentam preços do boi gordo em mercado de valorização contida



O mercado físico do boi gordo apresentou preços firmes ao longo da última semana, embora as altas tenham perdido força em comparação com o ritmo registrado até a primeira quinzena de junho.

De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Iglesias, com os frigoríficos mais cautelosos, o movimento de valorização foi contido à espera da entrada mais expressiva de animais confinados via contratos a termo.

“O mercado ainda centra suas atenções nas exportações, com um desempenho bastante favorável, enquanto o mercado doméstico conta com suas fragilidades”, afirma.

Os preços da carne bovina ficaram estáveis durante a semana. “A reposição entre atacado e varejo segue mais lenta, como é comum na segunda metade do mês, o que pode pressionar os preços no curto prazo.”

Segundo Iglesias, além disso, há uma tendência de consumo por proteínas mais acessíveis, como frango, ovos e embutidos, o que reduz o ritmo de vendas da carne bovina no mercado interno.

Preços da arroba do boi gordo

  • São Paulo: R$ 325 (alta de 1,56% frente aos R$ 320 da semana anterior)
  • Goiás: R$ 305 (estáveis)
  • Minas Gerais: R$ 305 (alta de 1,7% frente aos R$ 300)
  • Mato Grosso do Sul: R$ 320,30 (alta de 1,56% em comparação aos R$ 315)
  • Mato Grosso: R$ 320 (alta de 1,6% frente aos R$ 315)

Exportações em destaque

As exportações de carne bovina in natura (fresca, refrigerada ou congelada) seguem como principal alicerce do mercado.

Nos primeiros dez dias úteis de junho, o Brasil embarcou 117,2 mil toneladas do produto, com receita de US$ 634,4 milhões — uma média diária de US$ 63,4 milhões, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O desempenho representa crescimento de 47,6% na média diária de receita frente a junho de 2024, além de alta de 21,8% no volume médio exportado por dia e aumento de 21,2% no preço médio da tonelada, que ficou em US$ 5.411,40.



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Reflorestamento com mudas cobre área acima da meta em MT



A Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT), realizou uma avaliação após oito anos de instalação de diferentes estratégias de restauração de reserva legal. Analisando as áreas de reflorestamento com plantio de mudas, a cobertura do solo pelas copas já superou os indicadores determinados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) para aferir o êxito na revegetação.

Porém, no que diz respeito à quantidade de regenerantes e à diversidade de espécies, o cenário observado ainda é insuficiente, segundo a pesquisa.

A Sema-MT visa atingir três parâmetros em até 20 anos para avaliação de sucesso na recomposição florestal em áreas com mais de quatro módulos fiscais. O primeiro é a cobertura do solo gerada pela copa das árvores com mais de dois metros de altura. Este fator deve ser superior a 80% com espécies nativas. O segundo é a densidade de regenerantes com o mínimo de 3 mil indivíduos por hectare. O terceiro diz respeito à riqueza da diversidade, com ao menos 20 espécies diferentes entre os indivíduos regenerantes.

O pesquisador da Embrapa Florestas (PR) Ingo Isernhagen ressalta que a avaliação foi feita faltando 12 anos para o prazo final para atingir os parâmetros. Porém, os dados já são indicadores importantes considerando-se que se trata de uma área experimental:

“Este é o único experimento com esse nível de monitoramento e com essa idade que tenho conhecimento em Mato Grosso. É importante termos esses parâmetros para se pensar em possíveis intervenções para contribuir para o alcance dos indicadores definidos pela Sema. Mas não quer dizer que se deixarmos de mexer não vai acontecer nada”, avalia o pesquisador.

Aprimorando parâmetros ambientais

Tanto a legislação brasileira que trata sobre a proteção da vegetação nativa, conhecida como Novo Código Florestal Brasileiro (Lei Federal nº 12.651/2012), quanto o Decreto Estadual nº 1.491/2018 que aborda os Programas de Regularização Ambiental (PRA) definidos após análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) são recentes. No caso de Mato Grosso, os parâmetros adotados pela Sema se basearam nos poucos estudos existentes até então, alguns deles em outros biomas. Dessa forma, resultados da pesquisa conduzida na Embrapa Agrossilvipastoril podem contribuir para melhorias nos parâmetros adotados.

“Nosso estudo vem somar ao que a Sema vem recebendo de relatórios das áreas já em recuperação. É mais um tijolinho do conhecimento. Um lugar em que conseguimos analisar com mais critérios, de forma mais controlada, o caminhar desse processo de construção no alcance dos indicadores. É salutar que a Sema avalie agora ou daqui a alguns anos e faça alguma adequação que seja necessária”, sugere Isernhagen.

Como foram feitos os experimentos

A isntalação dos ensaios sobre restauração de reserva legal da Embrapa Agrossilvipastoril se deu em 2012. O objetivo era gerar informações sobre as diferentes técnicas de adequação ambiental para a região médio-norte de Mato Grosso. Como resultado, considerou-se a possibilidade de uso econômico das áreas com produção de bens madeireiros e não madeireiros.

Assim, realizaram-se tratamentos utilizando plantio de mudas, plantio direto de sementes ou semeadura à lanço e, ainda, regeneração natural por meio do isolamento da área. Foram usadas espécies nativas com diferentes propósitos, tanto considerando serviços ecossistêmicos quanto produção de frutos, essências e madeira. Conforme permite a lei, em um dos tratamentos com mudas também foi usado o eucalipto sendo uma fonte de renda a médio prazo. Este uso poderia compensar gastos com a recuperação da área. Na avaliação feita aos oito anos conforme parâmetros da Sema-MT só os tratamentos com plantio de mudas foram acompanhados.

Regenerantes

A avaliação aos oito anos mostrou que a área experimental da Embrapa Agrossilvipastoril ainda está longe de atingir o indicador estipulado pela Sema-MT aos 20 anos no que diz respeito aos regenerantes. O tratamento que teve maior número de regenerantes teve 1.083 indivíduos por hectare, enquanto o que teve menor número só foram encontrados 483 indivíduos em um hectare.

No que diz respeito à riqueza da diversidade, os dois tratamentos com melhor desempenho possuem dez espécies e o pior desempenho possui apenas cinco espécies. Dessa forma, esses resultados parciais levam à discussão sobre possíveis intervenções na área, como podas de árvores para maior entrada de luz no sub-bosque, plantio de novas mudas ou semeadura.

“Estamos articulando com potenciais parceiros em busca da viabilização de recursos para insumos e mão-de-obra que possibilitem fazer as intervenções para termos cenários com e sem intervenção ao longo do tempo”, explica Diego Alves Antônio, engenheiro florestal e analista da Embrapa.

Há ainda a possibilidade de os oito anos da avaliação serem pouco tempo para a evolução desses indicadores. Isernhagen lembra que nos próximos anos haverá morte de árvores de ciclo mais curto, como embaúbas, abrindo clareiras e que a serrapilheira depositada seguirá melhorando as condições químicas e físicas do solo. Há também a tendência de maior circulação de animais dispersores de sementes com o bosque formado.

“Nosso objetivo é trazer contribuições para os produtores que precisam recuperar suas áreas, quer seja apenas para atingir os parâmetros exigidos pela Sema, quer seja para obter renda com a exploração econômica de madeira, frutos e essências produzidas na área recuperada”, declara Isernhagen.

Dessa forma, além dos três parâmetros determinados pela Sema-MT, também está sendo avaliado no experimento o aporte de carbono no solo. Uma pesquisa futura, realizada pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), irá avaliar o estoque de carbono na biomassa das árvores.



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Temperaturas entre -5°C e 37°C e chuva de 100 mm devem marcar início do inverno



O inverno começou em 20 de junho e logo na primeira semana deve fazer com que os termômetros fiquem negativos em parte do país. No entanto, em outras áreas, a chuva cair com força e o calor impera. Confira a previsão para todo o Brasil entre esta segunda (23) e a próxima sexta (27):

Sul

Segunda-feira com bastante vento no Sul do país e ar frio diminuindo as temperaturas, especialmente na Campanha gaúcha. Chove forte com risco de temporais ainda sobre a Serra do Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e no Paraná. Alerta de geada para os três estados durante terça e quarta-feira por conta das temperaturas mínimas, que devem ficar entre 3°C e 2°C em áreas de baixada e até de -5° em Urupema (SC) e -3°C em São José dos Ausentes.

Atenção para chuva volumosa e temporais com rajadas de vento intensas e possibilidade de queda de granizo no Paraná nesta segunda, na quinta e na sexta feira, com o acumulados que devem ultrapassar os 100 mm. Já em território catarinense, o volume esperado ao longo da semana é de cerca de 50 mm. No Rio Grande do Sul, após as fortes chuvas da semana passada, os próximos dias devem ser de tempo mais seco, propício ao início da reconstrução de estragos nos 126 municípios afetados até o momento pelas inundações.

Sudeste

Frente fria avançando em alto mar provoca mudanças em São Paulo: o dia começa com sol, mas as condições para pancadas de chuva na capital aumentam à tarde; regiões do oeste e
sul do estado podem ter chuva moderada desde cedo. Atenção para o risco de geada no sul paulista, já que os termômetros devem ficar abaixo dos 4°C, além de mínimas de 6°C no norte de SP, com risco baixo para geada nos cafezais.

Já no Rio de Janeiro, Espírito Santo e em Minas Gerais, o tempo continua firme, com destaque para o calor. O acumulado de chuva da semana se concentra em São Paulo, sul de Minas e Triângulo Mineiro, com cerca de 40 mm.

Centro-Oeste

A chuva se espalha para mais áreas de Mato Grosso do Sul, oeste e sul de Mato Grosso. Assim, a semana inicia com precipitações entre moderadas e fortes e risco para trovoadas. Pouca chuva no sul de Goiás e ar seco no Distrito Federal, com muito sol e calor em Brasília. Atenção para o risco de geada no centro-sul do território sul-mato-grossense, onde os termômetros devem ficar abaixo dos 4°C, prejudicando a colheita do algodão.

Pecuarista deve ficar atento ao risco de hipotermina no gado. Tempo quente e seco somente no nordeste de Mato Grosso e centro-norte de Goiás. Nas demais áreas de Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, a umidade na semana varia entre 20 mm e 30 mm, o que ajuda a elevar a umidade do ar, ameniza as altas temperaturas e diminui o risco para focos de incêndio.

Nordeste

Chuva moderada no litoral de Alagoas, em Pernambuco, na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Nessas áreas, as pancadas ocorrem ao longo da manhã, intercaladas com períodos de melhoria e retorno à tarde. Ar mais seco no interior da Região, com baixa umidade do ar no sul do Maranhão e do Piauí. No centro sul maranhense e piauiense, atenção para o calor, com a temperatura máxima chegando a 35°C e umidade relativa do ar abaixo de 30%, o que traz risco elevado para a propagação de focos de incêndio.

Umidade da semana se concentra na faixa leste da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, com volumes entre 20 mm e 30 mm. Demais áreas seguem com tempo quente e seco.

Norte

Semana começa com pancadas de chuva mais concentradas no oeste e norte do Amazonas e no sul de Roraima. Tempo abafado e com chuva forte no leste e norte do Amapá. Pouca chuva no Acre e tempo seco no Tocantins. Chove em forma de pancadas em Rondônia.

Nos próximos cinco dias, entre 30 mm e 40 mm de chuva devem cair no Acre, em Rondônia, Amazonas, Roraima, Amapá e no centro-norte do Pará. Semana quente e seca no sudeste paraense e em Tocantins, locais onde os termômetros devem atingir os 37°C, o que, somado à umidade do ar abaixo de 30%, potencializa o risco para focos de incêndio.

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Estudante cria bandejas biodegradáveis com casca de mandioca e araucária



Casca de mandioca, galhos de araucária (chamados de grimpas) trituradas e cozidas com água. Essa é a receita da bandeja biodegradável criada pelo estudante do oitavo ano do Colégio Bom Jesus Centro, de Curitiba (PR), Lucas Tadao Sugahara Wernick. 

A ideia surgiu durante as aulas de Iniciação Científica, no ano passado, quando ele começou a pesquisar os materiais e suas destinações. Hoje no nono ano, Lucas já fez mais de 30 dessas bandejas biodegradáveis. Elas podem substituir aquelas produzidas com isopor ou plástico, por exemplo.

As bandejas convencionais, quando descartadas, degradam o meio ambiente e podem levar até 700 anos para desaparecer na natureza. Enquanto isso, a invenção do aluno leva apenas um mês para se decompor.

Quando iniciou a pesquisa, Lucas descobriu que os galhos secos da araucária podem ser aproveitados para a fabricação de compensados. Já a casca da mandioca pode servir de alimento para animais, mas visitando fábricas e indústrias ele concluiu que muitos resíduos são descartados. 

“Em uma delas, o volume de moagem é de aproximadamente 140 mil toneladas de mandioca por mês, que geram 105 mil toneladas de resíduos, entre sólidos e líquidos, dos quais 25% (26 mil toneladas/mês) são bagaço ou massa residual”, conta o estudante. 

Sendo assim, ele teve uma ideia: “Se há sobras, por que não transformá-las em algo útil?”, questionou. Foi então que ele pensou em fazer as bandejas biodegradáveis, que, além de funcionais, não oferecem perigo ao meio ambiente. 

Mão na massa

Para fazer uma bandeja, Lucas “cozinha os ingredientes” moídos em uma chapa quente ou no fogão tradicional. De início, ele usou uma cola para juntar os materiais e dar consistência para a formação do produto. Mas, após várias pesquisas, descobriu que não é necessário o uso da cola e passou a utilizar a própria fécula da mandioca para dar a consistência necessária à mistura. 

Após cozinhar tudo, o estudante coloca um pouco da mistura em uma forma para moldar a bandeja. “Durante as pesquisas, eu fiz dois testes de biodegradabilidade. Em um deles, coloquei a mistura numa estufa caseira em que a amostra foi enterrada, e levou apenas 30 dias para degradar. No outro teste, em que a amostra foi deixada sobre o solo e exposta às intempéries, levou três meses”, explica o estudante. 

Além das 30 unidades já prontas, ele pretende fazer mais e aprimorar a ideia, já que ganhou uma bolsa de estudos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) quando participou de uma feira da instituição. A bolsa deve auxiliar nos gastos que ele terá na continuidade do projeto este ano. “Eu vou continuar estudando e aproveitar a mistura para fazer placas de revestimentos sustentáveis para arquitetura, decoração e design”, afirma Lucas.

O professor do Colégio Bom Jesus e orientador do estudante, Cornélio Schwambach, diz que a Iniciação Científica e projetos como o do Lucas auxiliam os estudantes a desenvolver habilidades e competências além da sala de aula . “Essas pesquisas também oportunizam ao aluno o contato com a pesquisa científica já desde o Ensino Fundamental e Médio”, ressalta o professor.

Pesquisa longa e muitas premiações

Lucas começou a dar vida à sua ideia em 2023, com um projeto de aproveitamento dos galhos secos da araucária para a fabricação de chapas de madeira aglomeradas, destinadas a diversos usos. Com esse estudo, o aluno participou de diversas feiras de pesquisa e iniciação científica pelo país, sendo finalista em algumas. Ele também apresentou a ideia nas feiras do Colégio Bom Jesus, ganhando o prêmio “Destaque de Empreendedorismo”.

No ano de 2024, Lucas iniciou o projeto das bandejas. O trabalho também recebeu várias premiações em diversas feiras e eventos. Além disso, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) convidou Lucas para expor o projeto na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), em Brasília. 

Ele ainda ganhou o certificado de “Pequeno Pesquisador Cientista”, do Instituto Brasileiro da Ciência e Inovações (IBCI), pelo cientista Charles Duvoisin. Ganhou o o “Certificado de Votos de Congratulações e Aplausos” da Câmara Municipal de Curitiba e, ainda, uma bolsa de pesquisa pelo Instituto Araucária (Projeto Napi faz Ciência).

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Chuva causa estrago em 126 municípios gaúchos; previsão indica termômetros abaixo de zero



Até a manhã deste domingo, conforme o último balanço divulgado pela Defesa Civil, 126 municípios do Rio Grande do Sul foram afetados pelas chuvas intensas que têm caído no estado nos últimos dias.

De acordo com o órgão, Fronteira Oeste, Centro e Vale do Rio Pardo são as regiões gaúchas mais afetadas. Contudo, o número de pessoas desalojadas reduziu de 6.018 para 5.958, uma leve melhora em meio ao caos. No total, foram resgatadas 733 pessoas e 139 animais.

Até o momento, são 20 municípios em estado de emergência e um, Jaguari, em estado de calamidade pública.

O trecho entre Santa Tereza e Estrela/Lajeado do Rio Taquari começou a retornar à normalidade. Entretanto, os trechos do rio entre Bom Retiro do Sul e Porto Mariante, Caí e Quaraí permanecem em estado de atenção, mas com tendência de declínio.

A respeito do Guaíba, em Porto Alegre e região, a Defesa Civil informa que deve permanecer com níveis elevados nesta próxima semana. Felizmente, conforme as autoridades, a tendência é que não inunde no Cais de Mauá ou no Gasômetro, a exemplo do que ocorreu em 2024. Três comportas do sistema de proteção contra cheias da capital foi preventivamente fechado na última sexta-feira (20).

Além da chuva, o frio

A primeira semana do inverno deve atingir o Rio Grande do Sul em cheio. Na serra gaúcha, em Caxias do Sul, a mínima prevista é de 2°C nesta segunda-feira (23) e 0°C na terça-feira (24), com máximas de 13°C e 8°C, respectivamente.

De acordo com a Climatempo, durante a madrugada e o início da manhã de segunda, pode chover em algumas partes do estado, mas o tempo deve se manter firme ao longo do dia e também no restante da semana. As precipitações que causaram os danos nos 126 municípios gaúchos agora estão atuando em Santa Catarina e no Paraná.

Entre as cidades mais frias do país, conhecida, inclusive, pela ocorrência de neve, em São José dos Ausentes, extremo nordeste gaúcho, as mínimas podem ser negativas: a previsão indica -1ºC na segunda e -3ºC na terça-feira.

Segundo a Climatempo, em Porto Alegre, não há previsão de temperaturas negativas, com mínimas de 7°C na segunda e 5°C na terça-feira. Contudo, há chance de geada em algumas partes do estado, principalmente na região noroeste gaúcha.



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Festas Juninas impulsionam o empreendedorismo rural


As festas juninas são um verdadeiro retrato da cultura popular brasileira e também do campo. Embora o milho seja um símbolo da temporada, ele não reina sozinho nos pratos típicos dessa época. Ingredientes como amendoim, mandioca, coco, leite, batata-doce e cana-de-açúcar também ganham espaço nas barracas e têm origem direta no trabalho de milhares de produtores rurais.

“As festas juninas geram um aumento expressivo na demanda, especialmente por parte das indústrias que produzem doces típicos e amendoins salgados. Isso exige de nós uma produção contínua e com alto controle de qualidade para garantir o abastecimento no período mais crítico de consumo”, explica Sérgio Nakagi, vice-presidente da Coplana na cidade de Jaboticabal.

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De acordo com ele, o planejamento faz toda a diferença: “A produção é estrategicamente ajustada para atender à demanda crescente do período.” Por isso, a colheita, o beneficiamento e a logística começam com antecedência, o que assegura qualidade e volume tanto para os clientes industriais quanto para o consumidor final.

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Foto: Sergio Nakaji/Arquivo pessoal

Ainda que a mesa junina conte com milho, batata-doce, canjica, cocada e bolo de fubá, o amendoim mantém o protagonismo. “Os campeões de venda nessa época são, sem dúvida, a paçoca e o pé de moleque”, destaca Nakagi.



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População ribeirinha em Alagoas apresenta contaminação por mercúrio acima da média


Pesquisadores das universidades Federal de Alagoas (Ufal) e Estadual de Campinas (Unicamp) encontraram níveis elevados de mercúrio no sangue e na urina de populações que vivem às margens da laguna Mundaú, em Maceió (AL). Os valores superaram os encontrados em outras populações do mesmo município com nível socioeconômico parecido, mas vivendo distantes da laguna.

O estudo é fruto de um convênio entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a de Alagoas (Fapeal). O material foi publicado no periódico científico norte-americano Journal of Hazardous Materials.

“Observamos um quadro de estresse oxidativo sistêmico na população exposta à contaminação por mercúrio, fenômeno relacionado com o aparecimento e agravamento de diversas doenças, entre elas as cardiometabólicas. Ambas as populações analisadas manifestaram uma incidência em torno de 20% de hipertensão arterial e 10% de diabetes. Porém, a que obtém alimentos na laguna pode ter uma piora por conta da contaminação”, afirmou Ana Catarina Rezende Leite, professora do Instituto de Química e Biotecnologia da Ufal e uma das coordenadoras do estudo.

Coleta de sangue realizada em bairro próximo à laguna Mundaú , Maceio , AlagoasColeta de sangue realizada em bairro próximo à laguna Mundaú , Maceio , Alagoas
Foto: Ana Catarina Rezende Leite

Os pesquisadores encontraram alterações na quantidade, tamanho, volume e função dos glóbulos vermelhos do sangue da população exposta à contaminação por mercúrio, o que pode levar à anemia. Mudanças em outros biomarcadores apontam ainda para danos em órgãos como fígado e rins.

Observou-se uma elevação causada pelo mercúrio nos níveis de triglicérides, um dos fatores de risco para doenças cardiovasculares. Além disso, os níveis de creatinina e ureia estavam altos na população contaminada pelo metal, sugerindo disfunção renal.

O complexo lagunar Mundaú se comunica com o mar e recebe água tanto do oceano quanto do continente. Além disso, se liga a canais secundários de efluentes domésticos e industriais da capital alagoana e de mais duas cidades nas suas margens. Estas são as mais prováveis fontes de contaminação pelo mercúrio e outros metais.

Das 125 pessoas que tiveram amostras de sangue e urina coletadas, 60 eram moradoras da laguna e consumiam peixes e mariscos (sururu, principalmente) do local. As outras 65 eram de outras partes da cidade, com pouco ou nenhum contato com o local contaminado.

Da mesma forma, na urina, a concentração do mercúrio foi de 0,48 micrograma por litro no primeiro grupo. O que é quase 2,5 vezes mais do que a do grupo-controle (0,18 micrograma por litro).

No sangue, a concentração média de mercúrio do grupo exposto à contaminação foi quase quatro vezes superior à da população que não tinha contato com a laguna (3,40 microgramas por litro no primeiro, contra 0,93 no segundo). Assim, o nível mais alto de mercúrio no sangue encontrado entre as famílias de pescadores da laguna foi de 19 microgramas por litro de sangue.

A regulação brasileira define o nível máximo tolerável em 20 microgramas de mercúrio por litro de sangue. No entanto, agências internacionais apontam uma margem entre 5 e 10 para populações que consomem peixe, segundo o Programa Internacional de Segurança Química, e inferior a 6, no caso da Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA).

“Nossa legislação é muito permissiva. Seria preciso acompanhar as populações por alguns anos para avaliar precisamente os efeitos da contaminação por mercúrio, mas nossos resultados já mostram alterações significativas no metabolismo, com menos oxigênio chegando às células, o que afeta seu funcionamento”, afirma Josué Carinhanha Caldas Santos, professor da Ufal, que também coordenou o estudo.

Evidências anteriores

Os resultados das análises em humanos foram coerentes com os de um trabalho experimental anterior do grupo. A pesquisa teme como enfoque os efeitos da contaminação por mercúrio na forma inorgânica em camundongos com colesterol elevado. O que piorou esta condição, o estresse oxidativo e a aterosclerose.

“Nos animais, uma dose considerada baixa a moderada da forma inorgânica do mercúrio [menos tóxica do que as formas orgânicas encontradas nos alimentos, por exemplo] foi administrada por apenas quatro semanas e causou danos significativos em diversos tecidos, incluindo o cérebro. Além disso, agravou marcadamente as lesões características da aterosclerose”. Foi o que disse Helena Coutinho Franco de Oliveira, professora do Instituto de Biologia da Unicamp e coordenadora do projeto que apoiou o estudo.

Ambos os trabalhos tiveram como primeira autora Maiara Queiroz e foram parte do seu mestrado, orientado por Leite na Ufal e coorientado por Oliveira na Unicamp.

Queiroz atualmente realiza doutorado no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) com bolsa da Fapesp.

Políticas públicas

Os pesquisadores alertam que os resultados são evidências fortes para auxiliar na implementação tanto de políticas ambientais quanto de saúde. É preciso acabar ou ao menos mitigar a poluição na laguna, ao mesmo tempo em que se monitora a saúde das populações afetadas.

“Assim será possível compreender melhor e, talvez, reduzir os impactos da contaminação”, aponta Santos, da Ufal.

Mais para frente, outros metais que também compõem os contaminantes da laguna e podem potencializar os efeitos do mercúrio também entrarão no enfoque do estudo.

Porém, um dos bairros monitorados pelos pesquisadores e um dos mais antigos de Maceió, Bebedouro, não poderá mais ser visitado. O local foi um dos evacuados nos últimos anos pelo risco de desabamento, devido às atividades de mineração de sal-gema em seu subsolo.

Por fim, o trabalho teve ainda apoio da Fapesp por meio de projeto coordenado pelo professor Aníbal Vercesi, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.

*Sob supervisão de Victor Faverin



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AgroNewsPolítica & Agro

Sucessão rural: Planejar é preciso


A perpetuação das atividades do agronegócio brasileiro exige mais do que tecnologia e mercado externo: depende de um planejamento sucessório bem estruturado, segundo Álvaro Santos, Advogado Tributarista e Agrarista. De acordo com o especialista, a falta dessa organização ainda é predominante nas fazendas do país, resultando em conflitos familiares, altos custos tributários e insegurança jurídica, especialmente quando a sucessão é tratada apenas após o falecimento do líder familiar, momento em que geralmente se instala um inventário complexo e oneroso.

A sucessão rural deve ser compreendida em duas esferas: a gestão operacional, que envolve quem assumirá o comando da fazenda, e a sucessão patrimonial, que concentra os maiores riscos jurídicos e fiscais. O inventário tradicional é demorado, caro e pode paralisar as atividades produtivas, além de incluir o imposto de transmissão causa mortis (ITCMD), honorários advocatícios e custas judiciais.

Por isso, Álvaro destaca que o planejamento sucessório é uma alternativa mais rápida e segura, aliando estratégias legais, planejamento tributário e princípios de governança corporativa. Entre os instrumentos disponíveis estão a doação em vida, o testamento e a constituição de uma holding familiar — cada um com vantagens, custos e cuidados específicos.

O advogado alerta que o momento ideal para planejar é enquanto o negócio está ativo e estruturado, e recomenda a orientação de profissionais especializados para evitar erros comuns que geram litígios. Para ele, a sucessão planejada é uma necessidade estratégica, pois garante a continuidade da produção, protege o patrimônio e fortalece os laços familiares, evitando prejuízos financeiros e desgastes que podem comprometer gerações futuras.

“Portanto, finalizo reforçando a importância do tema para os produtores rurais, pois planejar a sucessão no agro não é um luxo, é uma necessidade estratégica e jurídica. Trata-se de um investimento na longevidade da atividade produtiva, na proteção do patrimônio e na harmonia familiar. Procrastinar essa decisão pode custar caro – não apenas financeiramente, mas também em termos de legado”, conclui.

 





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