terça-feira, maio 19, 2026

Agro

News

Cada mulher, uma história: Prêmio Mulheres do Agro destaca a força e a particularidade feminina



Chegar ao palco e conquistar o primeiro lugar não foi algo que aconteceu do dia para a noite. Vanessa Bomm, produtora rural no Oeste do Paraná, venceu o Prêmio Mulheres do Agro 2024, na categoria Grande Propriedade, como resultado de uma trajetória marcada por coragem, aprendizado e sucessão familiar. Com formação em arquitetura, ela surpreendeu ao retornar às origens e assumir o comando do negócio do pai.

  • Fique por dentro das novidades e notícias recentes sobre a soja! Participe da nossa comunidade através do link!

A decisão, no entanto, não foi planejada e nem roteirizada. Tudo partiu ‘de dentro’, por meio de um chamado inesperado, mas autêntico. Ela simplesmente seguiu o caminho e, nele, se encontrou. “Mesmo em um ambiente masculino, não foi tão difícil para mim lidar com o meio rural, porque já estava acostumada a trabalhar com homens.”

Mas o maior desafio foi entender toda a complexidade do agro. “É um universo gigante”, relembra Vanessa. A imensidão do setor, a dependência do clima e o papel da tecnologia foram obstáculos no início, mas que, com dedicação, ela transformou em forças da sua atuação.

Aos olhos de Vanessa Bomm, inscrever-se no Prêmio Mulheres do Agro foi um desafio. “Tinha receio, mas decidi tentar. E deu tudo certo”, resume. Hoje, é referência no Programa PRO Carbono, da Bayer com a Embrapa, onde adota manejo intensificado, biológicos, bioinsumos e plantas de cobertura para recuperar o solo e reduzir impactos ambientais.

“Estamos aprendendo e evoluindo para estar sempre preparados”, afirma Vanessa. Com o auxílio da calculadora de carbono, ela mede o impacto de cada etapa da produção e trabalha para reduzir a pegada ambiental da fazenda, reafirmando seu compromisso com uma agricultura cada vez mais sustentável.

Legado à nova geração: o prêmio

Na cerimônia do prêmio no último ano, diante de mais de 3 mil mulheres do agro, a emoção foi inevitável. “Passou um filme na minha cabeça. Nunca me imaginei no agro. Era arquiteta. Mas isso mostra que não é preciso estar pronta para começar é preciso estar disponível para aprender, se conectar, compartilhar”, afirma.

Para ela, o reconhecimento vai além do individual: envolve equipes, famílias, parcerias e todas as mulheres que fazem o agro acontecer, cada uma com sua história, sua força e seu jeito único. ”É sobre deixarmos um legado e um mundo melhor para as gerações futuras,” destaca Vanessa, ressaltando a importância da participação feminina nesse processo de transformação.

Vanessa reforça que cada mulher desempenha um papel essencial, seja na família, na sucessão ou no dia a dia do campo. “Mostrar o que fazemos abre portas, gera conhecimento e nos coloca como protagonistas de um agro que produz e preserva. O Brasil tem essa vocação, e nós, mulheres, temos orgulho de fazer parte dessa história.”

Por isso, ela incentiva outras mulheres a se inscreverem no Prêmio Mulheres do Agro, não apenas em busca de um troféu, mas para dar visibilidade às transformações silenciosas que acontecem dentro da porteira. “Mais do que um reconhecimento, essa é uma oportunidade para inspirar, fortalecer nossa rede e crescer juntas.”

O prêmio é baseado nos pilares de sustentabilidade, gestão e sociedade e as inscrições seguem abertas. Acesse o link e faça parte.



Source link

News

Zé Mineiro, fundador da JBS, ‘toca o sino’ e abre Bolsa de Nova York



Nesta quarta-feira (25), o fundador da JBS, José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, participou da “toque do sino” da Bolsa de Nova York pontualmente às 9h30 no horário local (10h30 no horário de Brasília), na tradicional cerimônia de entrada de novas empresas na NYSE.

A JBS começou a ter ações negociadas em Nova York no dia 13 de junho e continua a ter papéis, os BDRs, comercializados na Bolsa de São Paulo, na dupla listagem da companhia. Zé Mineiro iniciou a empresa em 1953, em Anápolis (Goiás), a partir de um pequeno açougue.

Antes da cerimônia do toque do sino, Wesley Batista, acionista controlador da JBS, fez um breve discurso aos convidados e investidores. “Mesmo com crescimento e adaptação, nosso modo de trabalhar permanece o mesmo. Somos focados. Somos disciplinados. Estamos determinados a ser os melhores em tudo o que fazemos”, disse.

Na sequência do “toque do sino”, às 10h em Nova York, teve início o JBS Investor Day, em que a empresa vai apresentar sua atualização estratégica para crescimento e geração de valor em evento com mais de 100 analistas e investidores na NYSE.

Em uma apresentação para mais de 100 analistas e investidores, os executivos da JBS detalharam a estratégia de longo prazo de crescimento e criação de valor da companhia, destacando áreas-chave de investimento em suas operações globais. A apresentação foi conduzida por Wesley Batista (acionista controlador), Wesley Batista Filho (CEO da JBS USA), Gilberto Tomazoni (CEO Global) e Guilherme Cavalcanti (CFO Global).

“A entrada na NYSE é um reconhecimento da nossa trajetória empreendedora de sucesso, construída com resiliência, superação e compromisso, da nossa solidez financeira e da nossa visão de futuro”, afirmou anteriomente Gilberto Tomazoni.

Segundo ele, estar na Bolsa de NY aproxima a empresa dos grandes centros de investimento globais “fortalecendo a capacidade de executar nossa estratégia de crescimento, inovação e de entrega de valor aos nossos acionistas, colaboradores e comunidades.”

O objetivo da dupla listagem é destravar o valor da companhia, adequar a estrutura de capital ao perfil global e diversificado da JBS e ampliar a capacidade de investimento, mantendo disciplina financeira.

Com a negociação de BDRs na B3, a JBS garante que os investidores locais possam manter a opção de participar do desenvolvimento da empresa por meio da bolsa de valores.



Source link

News

17 países suspendem restrição à carne brasileira



O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou nota nesta terça-feira (24) informando que 17 países retiraram as restrições à importação de carne de aves do Brasil, após o caso de gripe aviária registrado no Rio Grande do Sul.

Assim, integram a lista Argélia, Bolívia, Bósnia e Herzegovina, Egito, El Salvador, Iraque, Japão, Lesoto, Líbia, Marrocos, Mianmar, Montenegro, Paraguai, República Dominicana, Sri Lanka, Vanuatu e Vietnã. 

No último dia 18, o Brasil voltou a ser um país livre da influenza aviária após ter cumprido os protocolos internacionais que preveem, entre outras medidas, o prazo de 28 dias sem novos registros em granjas comerciais.

Um único caso registro confirmado em estabelecimento comercial ocorreu em uma granja no município gaúcho de Montenegro, no dia 16 de maio. A confirmação da doença foi feita no dia 22 de maio, após a conclusão da desinfecção da granja contaminada. 

No momento, 14 países, mais a União Europeia, mantém o embargo total à exportação da carne brasileira. Mais 18 países, além do Reino Unido, estão com a suspensão restrita à carne proveniente do Rio Grande do Sul. Catar, Emirados Árabes e Jordânia estão com a exportação suspensa apenas para produto oriundo do município de Montenegro.  

Dessa forma, o ministério informou que permanece em articulação com as autoridades sanitárias dos países importadores para prestar todas as informações técnicas necessárias sobre o caso.

“As ações adotadas visam garantir a segurança sanitária e a retomada segura das exportações o mais breve possível.”  

O que é a gripe aviária?

A influenza aviária, comumente conhecida como gripe aviária, afeta principalmente aves, mas também pode afetar mamíferos, incluindo bovinos. 

A transmissão ocorre pelo contato com aves doentes e também por meio da água e de materiais contaminados. 

A doença raramente afeta humanos, e a orientação é que as pessoas se mantenham informadas e adotem as medidas preventivas recomendadas. 

Segundo o Ministério da Agricultura, o consumo de carnes e ovos é seguro, desde que preparados adequadamente.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Preços de frutas nos atacados no atacado registram queda


O mercado atacadista de frutas registrou queda nos preços de mamão, laranja, melancia e banana no último mês, segundo dados divulgados nesta terça-feira (24) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). As informações constam no 6º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort).

De acordo com a Conab, o mamão apresentou redução de 16,89% na média ponderada de preços. O recuo é atribuído ao aumento da oferta da variedade papaya, especialmente na primeira quinzena de maio, além da menor demanda decorrente das temperaturas mais baixas. No caso da laranja, a queda foi de 12,55%. Segundo a análise, o movimento reflete a maior oferta de frutas precoces, consideradas de melhor qualidade, além da concorrência com outras frutas como a mexerica poncã e os efeitos do clima frio sobre o consumo.

A melancia também teve redução de preços, com recuo de 11,82% na média ponderada. Já a banana registrou queda mais leve, de 2%. A Conab atribui essa variação ao aumento da produção da variedade nanica, favorecida por condições climáticas no norte de Santa Catarina, norte de Minas Gerais e na microrregião de Registro (SP), além da demanda mais fraca.

O mercado da maçã seguiu trajetória oposta. Em maio, o produto registrou alta de 1,28% na média ponderada de preços. Esse resultado foi influenciado pelo fim da colheita da variedade fuji nos estados do Sul do país.

No segmento de hortaliças, o tomate apresentou redução pelo segundo mês consecutivo, com queda de 14,79% na média ponderada, reflexo do início da safra de inverno. Segundo a Conab, a expectativa é de que os preços sigam com tendência de baixa com o avanço da colheita.

Por outro lado, alface, batata, cebola e cenoura apresentaram elevação nas cotações. No caso da batata, a média ponderada subiu 4,99% em maio. A Conab observou que, apesar do aumento, a variação foi moderada entre as Centrais de Abastecimento (Ceasas) analisadas. A alface teve alta de 6,68%, influenciada pela entrada insuficiente da safra de inverno para atender à demanda.

Para a cebola, o aumento foi de 21,41% na média ponderada, movimento considerado comum no primeiro semestre. No entanto, a Conab destaca que, apesar das altas sucessivas desde dezembro de 2024, os preços permanecem abaixo dos valores registrados no mesmo período de 2024. A cenoura também apresentou crescimento, com elevação de 8,36%, impulsionada principalmente pela limitação na oferta durante a primeira metade de maio.

No cenário das exportações de frutas, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) registrou o embarque de 486 mil toneladas entre janeiro e maio de 2025, um aumento de 24% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita obtida com essas exportações totalizou US$ 548,7 milhões, o que representa alta de 12,3% em comparação a 2024 e de 29% frente aos cinco primeiros meses de 2023.

A Conab também divulgou o balanço da comercialização nas Ceasas em 2024. O volume de frutas e hortaliças movimentado alcançou 17 milhões de toneladas, com valor transacionado de R$ 75,7 bilhões. Em comparação a 2023, houve uma redução de 3,53% na quantidade comercializada, mas um aumento de 13,96% no valor financeiro. O crescimento no faturamento foi atribuído, segundo a Conab, ao aumento nos preços de importantes hortifrutis, influenciado por adversidades climáticas e pela elevação dos custos de insumos.

Nesta edição, o boletim também destacou o papel das Ceasas na modernização das embalagens usadas na comercialização, buscando maior qualidade, eficiência e sustentabilidade.

 





Source link

News

Arroz segue em queda, mas maior demanda limita a retração



Os preços do arroz seguem em queda no Rio Grande do Sul. Isso é o que apontam levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Ainda assim, de acordo com o instituto, a presença de agentes de indústrias no mercado e o crescente interesse de importadores pelo produto brasileiro contribuíram para frear o movimento de retração.

Segundo o centro de pesquisas, agentes de indústrias com necessidade de repor seus estoques de arroz estiveram dispostos a pagar preços mais firmes para garantir o abastecimento. A perspectiva também é de maior demanda externa. 

Vendedores, por sua vez, continuam retraídos do spot. Pesquisadores ressaltam que as fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul limitaram a liquidez, à medida que fizeram estragos significativos na região central do estado, com enchentes e interdições em rodovias. 

Em junho, a média do Indicador CEPEA/IRGA-RS está 40,9% inferior à de junho/24, em termos nominais. Na parcial do ano, a baixa chega a expressivos 33,8%.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



Source link

News

Algodão sofre queda nos preços com avanço na colheita



Os preços do algodão em pluma estão em queda no Brasil, operando nos patamares nominais de março deste ano. É isso que mostram os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Pesquisadores explicam que, a colheita da safra 2024/25 possivelmente baterá o recorde. Com o ritmo aumentando, vendedores se mostram mais dispostos a liquidar os lotes remanescentes de algodão da temporada 2023/24.

Compradores, atentos a esse cenário, ofertam valores menores nas aquisições de novos lotes. O movimento de baixa na cotação doméstica é reforçado pela desvalorização externa da pluma, ainda conforme o Centro de Pesquisas. 

Nessa segunda-feira (23), o Indicador Cepea/Esalq, com pagamento em 8 dias, fechou a R$ 4,1655/lp. Este foi o menor valor desde o dia 21 de março deste ano (R$ 4,1652/lp). Na parcial de junho (até o dia 23), o Indicador acumula queda de 5,7%. No campo, segundo a Conab, até o dia 21 de julho a colheita já havia atingido 4% da área brasileira.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



Source link

News

cotações operam nas menores médias do ano



As quedas de preços do café vêm se intensificando e já passam dos 15% na parcial de junho. Isso conforme os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Segundo o instituto, a pressão vem sobretudo do avanço da colheita da safra brasileira 2025/26. O Indicador Cepea/Esalq do arábica do tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, perdeu quase 360 Reais/saca de 60 kg neste mês, fechando abaixo dos R$ 2.000/sc. A queda representou uma diminuição de 15,4% no comparativo com o mês passado. 

Ainda de acordo com o centro de estudos, as cotações da variedade não chegam a valores tão baixos desde o encerramento de novembro/24. 

Para o robusta, o Indicador Cepea/Esalq do tipo 6, peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo, recuou 208,25 Reais/saca de 60 kg (ou 14,9%) no acumulado de junho. Com isso a variedade abriu esta semana à média de R$ 1.186,20/sc, o menor patamar desde maio/24. 

Pesquisadores ressaltam que ambas variedades vinham operando em patamares recordes reais. Com isso, as recentes quedas, além de atreladas à colheita, também representam um certo ajuste do mercado.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



Source link

AgroNewsPolítica & Agro

setor está preparado para o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento?


Não é necessário lembrar que a UE é um mercado importante para o café brasileiro. Em 2024, o Brasil exportou quase US$11,4 bilhões em café, sendo que praticamente metade desse valor foi destinado à UE. A Alemanha por si só importou US$1,8 bilhão do nosso café, enquanto a Bélgica e a Itália importaram cerca de US$1 bilhão cada. Os Estados Unidos são o único mercado não europeu que atingiu magnitudes semelhantes, importando US$1,9 bilhão de café brasileiro em 2024.

Nesse contexto, é importante observar que o mercado internacional de café está passando por uma série de desafios sem precedentes. Os Estados Unidos impuseram tarifas de pelo menos 10% sobre todas as importações (incluindo o café brasileiro). Do outro lado do Atlântico, o “Green Deal” da UE estabelece requisitos rigorosos de sustentabilidade para os produtos que entram no mercado único europeu. Neste artigo, avaliamos até que ponto o café brasileiro está pronto para atender às exigências do Regulamento da UE sobre Produtos Livres de Desmatamento.

O EUDR exige que o café importado para a UE seja rastreável, livre de desmatamento, e produzido em conformidade com as leis nacionais

O EUDR cria obrigações para as empresas europeias que importam café para o mercado da UE. A partir de dezembro de 2025, essas empresas terão que certificar-se que o café que importam atende a três requisitos:

  1. Desmatamento zero – O café não deve ter sido cultivado em terras que foram desmatadas após 31 de dezembro de 2020.
  2. Rastreabilidade – Os importadores devem ser capazes de identificar as parcelas individuais de terra onde o café foi produzido e fornecer garantias às autoridades europeias de que o café realmente originou das mesmas.
  3. Legalidade – O café deve ter sido produzido em conformidade com as leis do país produtor. No caso do Brasil, as leis aplicáveis incluem o Código Florestal

Brasileiro, a legislação fundiária, as leis trabalhistas e outras regulamentações ambientais (p.ex., sobre agroquímicos).

Embora seja responsabilidade dos compradores europeus avaliar o risco de não-conformidade, é importante que o setor cafeeiro brasileiro se una e facilite esse processo para o nosso maior cliente. Isso não somente garantiria nosso acesso ao mercado europeu mas também geraria uma vantagem competitiva para a nossa origem em comparação com os nossos concorrentes.

O café brasileiro não desmata

Vamos começar analisando o desmatamento no setor cafeeiro. Um estudo do Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (IIS) concluiu que o café é a commodity brasileira com o menor índice de risco de desmatamento, bem à frente de setores como soja, madeira e óleo de palma.

O mesmo estudo estima que apenas 0,1% das áreas desmatadas para fins agrícolas no Brasil estariam associadas à produção de café.

Da mesma forma, um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais constatou que 99% das 115.000 propriedades rurais produtoras de café registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) em Minas Gerais não apresentaram desmatamento significativo após 2008.

Com base nesses dois estudos e em outros, os compradores europeus de café podem se sentir confiantes, visto que praticamente a totalidade da produção cafeeira brasileira não está associada ao desmatamento.

De toda forma, os compradores terão que realizar suas próprias verificações para garantir que não estão adquirindo café de áreas desmatadas. Aqueles que compram do Brasil têm acesso a uma grande quantidade de dados de alta qualidade sobre o uso dos solos e o desmatamento, disponibilizados ao público pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

O Brasil sempre foi pioneiro no uso de tecnologia para monitorar o desmatamento e as mudanças no uso da terra. Após a entrada em vigor do EUDR, nossos investimentos em monitoramento florestal e proteção ambiental podem finalmente se tornar uma vantagem competitiva para nossos produtores de café.

Praticamente todas as fazendas de café do Brasil já foram georeferenciadas

O setor cafeeiro brasileiro desfruta de outra grande vantagem em termos de conformidade com o EUDR: praticamente todas as nossas fazendas de café já foram geolocalizadas para fins de registro no Cadastro Ambiental Rural (CAR).

O georreferenciamento das propriedades rurais é uma obrigação legal no Brasil desde a aprovação do novo Código Florestal em 2012. Isso significa que o Brasil já fez o trabalho árduo de localizar as propriedades e elaborar mapas (ou “polígonos”, para usar o termo técnico do EUDR). Quando o EUDR entrar em vigor, os compradores europeus terão que fazer uma escolha. Para comprar de outras origens, é possível que tenham que fazer investimentos significativos em exercícios de mapeamento de propriedades e coleta de dados geoespaciais. No Brasil, eles podem contar com dados que estão disponíveis gratuitamente ao público por meio do Sistema de Cadastro Ambiental Rural (Sicar).

Há uma pequena ressalva a esse respeito: os dados coletados para fins de registro no CAR não são totalmente consistentes com o EUDR. Os polígonos do CAR englobam a totalidade da propriedade rural, enquanto os polígonos necessários para a conformidade com o EUDR devem incluir apenas as áreas dedicadas à produção de café. Entretanto, a existência de polígonos agrícolas coloca o Brasil muito à frente de seus concorrentes e já serve como base para os sistemas de devida diligência dos compradores europeus. Não será difícil converter os polígonos do CAR em polígonos do EUDR, sobrepondo-os a imagens de satélite ou mapas de uso dos solos.

Atualização do mapeamento do parque cafeeiro

Nesse meio tempo, o CNC, junto com os demais membros da iniciativa privada do Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC), está trabalhando intensamente – investindo recursos do Funcafé – para promover a atualização do mapeamento do parque cafeeiro a nível nacional, o que nos fornecerá informações ainda mais detalhadas sobre o nosso café e facilitará ainda mais a conformidade com o EUDR para nossos clientes na Europa.

No Brasil, a rastreabilidade do café à sua origem é possível

Ao longo dos anos, o Brasil também tem construído uma vantagem competitiva no campo da rastreabilidade, que é um dos aspectos mais desafiadores do EUDR. Após a entrada em vigor do EUDR, os compradores europeus precisam não apenas manter um registro dos seus fornecedores diretos (ou seja, os exportadores ou “traders”) mas devem também garantir a existência de uma cadeia de custódia que permite rastrear o café até a sua origem. Isso é necessário para comprovar uma relação direta entre os volumes comprados e os polígonos agrícolas que serão declarados no Sistema de Informações da UE durante o processo de importação.

No Brasil, a rastreabilidade é facilitada pelo fato de que grande parte da nossa economia, incluindo os segmentos rural e agrícola, opera de maneira formal. Nossos agricultores são registrados como pessoas físicas (CPF) ou jurídicas (CNPJ). Os produtores, de forma geral, estão integrados ao sistema bancário formal e conseguem fazer e receber pagamentos eletrônicos, que são (por definição) rastreáveis. Ademais, a compra e a venda de café são quase sempre formalizadas por meio da emissão de uma nota fiscal que registra detalhes importantes sobre a transação: a identidade do vendedor e do comprador, os volumes vendidos, o preço pago, a data e a hora da transação, entre outras informações.

Embora essas informações nem sempre estejam diretamente disponíveis para os compradores da UE, a infraestrutura existe para garantir o rastreamento adequado das transações e a coleta e transferência de dados da cadeia de suprimentos, o que nos confere uma enorme vantagem em relação aos nossos concorrentes.

O Brasil tem regras ambientais e sociais rígidas

Diferentemente de muitas outras origens, o Brasil tem um conjunto de leis que são abrangentes e rigorosamente aplicadas em todo o país. Nosso quadro legal cobre todas as principais áreas mencionadas no EUDR: leis fundiárias, proteção ambiental, direitos humanos, direitos trabalhistas, pagamento de impostos e anticorrupção.

Podemos presumir que a maior parte da nossa produção de café está em conformidade com as leis nacionais; afinal, essas leis já estavam em vigor bem antes da entrada em vigor do EUDR. No entanto, pode ser difícil para as empresas europeias entenderem nossa complexa estrutura legal e desenvolverem protocolos para avaliar os riscos de ilegalidade em suas cadeias de suprimentos no Brasil.

Outro risco para o nosso setor cafeeiro é a possibilidade de que cada um dos compradores de café da UE estabeleça seu próprio sistema de verificação, utilizando critérios e processos diferentes dos demais. Em tal cenário, como os nossos produtores, cooperativas e traders vendem para uma variedade de compradores, é possível que eles tenham que coletar um conjunto de documentos e cumprir com processos de verificação diferentes para cada caso, o que será bastante complexo e oneroso para o nosso setor.

O Brasil está propondo uma solução. Ferramentas públicas e de acesso aberto serão oferecidas gratuitamente a compradores europeus e outros. Essas ferramentas permitirão, para cada fazenda de café do país, a verificação de conformidade com as leis e regulamentações nacionais.

Em Minas Gerais, a plataforma Selo Verde já pode ser usada para a verificação de conformidade legal das propriedades rurais do setor cafeeiro do Estado.

Além disso, o Governo Federal está desenvolvendo a plataforma AgroBrasil+Sustentável, que informará aos interessados se um determinado produtor se encontra em situação irregular perante a uma série de leis e regulamentações nacionais, cobrindo todas as commodities do EUDR e todas as regiões do país.

Ambas as ferramentas reúnem dados públicos sobre conformidade legal que já existem e são amplamente utilizados para avaliações de conformidade legal pelo setor financeiro e outros.

As ferramentas acima citadas e outras construídas pelas cooperativas podem nivelar as condições para todos os produtores de café do Brasil e trazer consistência e justiça para o processo de devida diligência no nosso país.

Embora seja bem-vindo o desenvolvimento de ferramentas privadas e próprias por cooperativas e comerciantes, é importante que o processo de verificação não se torne um gargalo para os produtores, seja pelo custo de acesso às ferramentas privadas ou pela possibilidade de erros de processamento ou de interpretação. Neste sentido, é importante que os produtores tenham acesso a sistemas públicos que lhes permitam contestar os resultados de uma avaliação de due diligence da qual discordem.

Conclusão

O Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento será um desafio para o Brasil, que possui um dos maiores setores agrícolas do mundo e fornece uma enorme proporção dos alimentos necessários para alimentar a população global. O café é uma de nossas mais importantes produtos de exportação e um dos segmentos mais prestigiados e tecnologicamente avançados de nosso setor agrícola. Não podemos nos dar ao luxo de ficar para trás.

Dito isso, o Brasil está bem posicionado para enfrentar esse desafio. Nosso quadro legal é rigoroso e abrangente em questões relativas à sustentabilidade ambiental e social. Estamos rapidamente desenvolvendo sistemas para provar que o nosso café é rastreável, livre de desmatamento e legal.

Estamos confiantes de que nosso café não apenas atende às exigências da União Europeia, mas também pode se tornar um padrão de sustentabilidade no setor agrícola em todo o mundo.





Source link

News

irmãos mostram a força da produção agroecológica


A história da ‘Orgânicos do Quintal’, liderada pelos irmãos Mateus Fernandes da Silva e Paula Silva Ferreira, começou em um pequeno quintal de 100 m², em Barro Alto, Irecê, Bahia (BA).

Filhos de agricultores que há mais de 30 anos cultivam hortaliças sem veneno, eles transformaram a tradição da família em um negócio de impacto. Entre as culturas estão alface, rúcula, alho-poró, cenoura, beterraba e o tradicional alho roxo – semente que vem sendo preservada há anos.  

“Somos guardiões da semente do alho roxo, que está conosco há mais de 35 anos. Ela vem passando de geração em geração, e hoje seguimos mantendo a produção em nossa propriedade,” afirma Paula.  

Com o passar dos anos, os irmãos decidiram agregar valor aos alimentos e aproveitar melhor os itens que não eram vendidos nas feiras, geralmente iam para a compostagem ou para a alimentação dos animais. Agora, tudo é aproveitado. “Construímos a agroindústria Orgânicos do Quintal, que fica no fundo da nossa casa”, explica Paula.  

  • Participe do Porteira Aberta Empreender: envie perguntas, sugestões e conte sua história de empreendedorismo pelo WhatsApp

Do chimichurri às geleias

geleias geleias
Produtos da agroindústria ‘Orgânicos do Quintal’. Foto: Arquivo Pessoal.

Além do tempero chimichurri, os irmãos produzem extratos de tomate — sendo este o carro-chefe da agroindústria e do campo —, geleias, farinhas de cenoura, beterraba, batata-doce sem glúten. O modo de produção é o mesmo: o que sobra das feiras é aproveitado. “Na agroindústria, temos mais de 65 variedades [de produtos]”, esclarece Paula.  

Essa diversidade também se reflete no campo. A produção, que começou com cerca de 13 produtos, atualmente conta com mais de 30 cultivos. E ao longo dessa trajetória, um apoio foi decisivo.  

“O Sebrae é um parceiro forte da agricultura familiar e da produção de orgânicos na Bahia. Ele nos ajudou nas redes sociais e cooperativa. Éramos uma associação, e o Sebrae nos capacitou para nos tornarmos uma cooperativa,” afirma Matheus.  

Segundo ele, essa parceria também foi essencial para levá-los mais longe. “Foi o Sebrae/BA que nos ajudou a participar da nossa primeira feira [Bio Brazil Fair/Biofach América Latina e a Naturaltech 2025]. Hoje estamos em São Paulo, que é uma porta para o mundo. Não estamos mais só na Bahia”, conta Matheus com orgulho.

O evento internacional Bio Brazil Fair/Biofach América Latina e a Naturaltech 2025 aconteceu no distrito Anhembi, em São Paulo, e reuniu mais de 1.200 marcas e 700 expositores. O Sebrae marcou presença com cinco estandes. 

O quintal de 100 m² em Irecê/BA, atualmente conta com 16 hectares de pura produção. Certificada organicamente de forma participativa pela Rede Povos da Mata, a ‘Orgânicos do Quintal’ segue unindo conhecimento, inovação e compromisso com o solo. “Porque, na agroecologia, nada se perde, tudo se transforma,” finaliza Paula.





Source link

AgroNewsPolítica & Agro

Indústria do trigo investe no potencial do Cerrado



Investimento quer expandir a produção



Investimento quer expandir a produção
Investimento quer expandir a produção – Foto: Canva

A produção de trigo no Cerrado brasileiro vem ganhando força e chamando a atenção da indústria moageira nacional. Com cerca de 3 milhões de hectares aptos para trigo de sequeiro e 500 mil hectares para trigo irrigado, a região apresenta potencial para elevar a produção nacional e contribuir para a autossuficiência do Brasil no cereal. Em Goiás, por exemplo, a colheita saltou de 350 mil toneladas em 2024 para uma expectativa de mais de 400 mil toneladas neste ano, consolidando o Cerrado como uma nova fronteira agrícola para o trigo.

Para aproximar os moinhos dessa realidade, a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) realizou nos dias 16 e 17 de junho a primeira edição do Giro Abitrigo – Cerrado, reunindo cerca de 45 representantes de moinhos de todo o país na região de Cristalina (GO). O objetivo foi apresentar, na prática, a qualidade, a produtividade e o potencial de expansão do trigo cultivado localmente, além de permitir aos moinhos melhor entendimento estratégico para seus negócios diante do crescimento da oferta do cereal.

Representantes de empresas como Nita Alimentos, Infasa e Ocrim elogiaram a iniciativa, destacando que conhecer de perto as lavouras mostrou como o Cerrado oferece colheita antecipada, qualidade comparável à de trigos importados e avanços tecnológicos significativos. Produtores locais também apontaram os benefícios agronômicos do trigo irrigado, que atinge até 7 toneladas por hectare e melhora o solo para outras culturas, como soja e milho safrinha.

“Isso vai ajudar bastante os moinhos da Abitrigo a se posicionarem estrategicamente em relação aos seus negócios futuros, entendendo melhor como conduzir suas operações diante dessa nova movimentação e expansão da oferta de trigo. Além disso, conhecer os campos de trigo do Cerrado nos mostra a possibilidade de expansão na produção do grão no Brasil, fator que contribuirá com a autossuficiência do Brasil”, afirma o superintendente da Abitrigo, Eduardo Assêncio.

 





Source link