sexta-feira, maio 8, 2026

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Soja com fezes e roedores mortos é transformada em adubo orgânico em operação


Uma grande e complexa operação realizada por auditores fiscais federais agropecuários durante toda a semana passada destinou uma carga de soja que tinha indícios de adulteração intencional, com fezes de aves e roedores mortos.

A carga, com cerca de 7 mil toneladas do grão e do farelo misturada com os contaminantes, foi apreendida em abril deste ano e, agora, os produtos estão sendo transformados em adubo orgânico.

O processo, por conta do volume, envolve aproximadamente 150 viagens de caminhões bi-trem até uma unidade de compostagem em Araras, centro-leste no estado de São Paulo. A ação é acompanhada de perto por engenheiros agrônomos, zootecnistas e médicos veterinários, que garantem o encaminhamento correto e seguro do material.

De acordo com o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), a carga foi apreendida no Porto de Paranaguá, no Paraná.

Entre as irregularidades, estavam presença de areia, indícios de adulteração intencional e condições sanitárias precárias, como acúmulo do produto sem separação, poças de água e restos de animais, além da ausência de rastreabilidade documental.

Conforme os auditores, a gravidade do problema exigiu uma operação de fiscalização minuciosa e a adoção de medidas para impedir riscos à cadeia produtiva e à saúde pública.

O caso está sob tramitação na 13ª Vara Federal de Curitiba. Apesar da destinação da soja contaminada já estar sendo realizada, por decisão judicial, as investigações para apurar as responsabilidades de todos os envolvidos continuam.

Única destinação possível

soja contaminada transformada em adubosoja contaminada transformada em adubo
Engenheiros agrônomos, zootecnistas e médicos veterinários participaram da operação. Foto: Anffa Sindical

O diretor de Política Profissional do Anffa Sindical, Henrique Pedro Dias, participou da operação de transformação da soja em adubo. Segundo ele, a ação tem como objetivo coibir fraudes e preservar as relações de consumo, além de garantir a segurança do produto nacional exportado.

Assim, a transformação da carga em fertilizante orgânico se justifica diante da impossibilidade da exportação e também de consumo interno.

Ele também explica que profissionais do Programa Vigifronteiras e do Serviço de Fiscalização de Insumos e Sanidade Vegetal (SISV-SP) registram cada fase com fotos e relatórios.

De acordo com Dias, além de evitar que o produto contaminado volte ao consumo, a ação garante um destino ambientalmente adequado, convertendo um problema sanitário em insumo agrícola útil.

“A atuação do Vigifronteiras é para coibir o trânsito e o comércio irregular de produtos clandestinos e que não atendam aos regulamentos, além do trabalho interagências. O foco são as relações de consumo, questões ambientais, de comércio e tributos. Por isso, nós damos subsídio a órgãos como a Receita Federal e polícias”, diz.

De acordo com ele, operações dessa natureza normalmente saem com mandatos de busca, apreensão e prisão. “Então, a gente extrapola um pouco a esfera administrativa, atuando também na esfera criminal, civil e outras que tem um impacto nos crimes”, destaca o auditor fiscal federal agropecuário.



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Mortes por picadas de abelhas africanizadas aumentam 123% em quatro anos


Entre 2021 e 2024, o número de ataques envolvendo abelhas africanizadas aumentou em 83%, passando de 18.668 para 34.252 ocorrências.

Já a quantidade de óbitos cresceu 123%, alcançando 125 casos em 2023, número que se repetiu em 2024. Para efeito de comparação, em 2023, o total ataques de abelhas ultrapassou o número registrado de ataques de serpentes, e a situação se mantém até hoje. 

O crescimento expressivo na quantidade de ocorrências e mortes nos últimos anos levou pesquisadores da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) a publicarem um artigo em que apontam o envenenamento por picadas das espécies Apis mellifera como um problema de saúde pública negligenciado. 

O trabalho da equipe foi publicado na revista científica Frontiers in Immunology. A publicação aponta ainda que, até julho deste ano, foram registrados mais de 18 mil acidentes com abelhas no país.

Falta de antídoto

Os autores apontam que a ausência de um tratamento ou remédio específico para atender a essas vítimas é outro argumento para enquadrar as intoxicações por abelhas como uma questão negligenciada.

“Ainda hoje não existe um antídoto contra o veneno de abelhas, como os que temos para as picadas de serpentes, aranhas e escorpiões”, diz Rui Seabra Ferreira Júnior, coordenador do estudo. 

O biólogo Osmar Malaspina diz que ainda não é possível determinar com exatidão os motivos que levaram ao crescimento deste tipo de ocorrência.

Ele especula sobre a possibilidade de uma combinação entre o desmatamento, com perdas de locais que serviriam de habitat nas matas; a procura de novos locais para instalação de ninhos próximos a áreas urbanas; e a procura por alimentos gerados a partir das atividades humanas em determinadas épocas do ano.

“Muitas coisas devem ser levadas em consideração, como o clima da região, o aumento do número de apicultores e de colmeias, a atuação da Defesa Civil e dos bombeiros, a inexistência de empresas especializadas em remoção de colmeias, os índices de desmatamento, a proximidade com animais e humanos. É muito difícil determinar as causas exatas”, diz Malaspina.

Quando a ferroada da abelha é um risco

“Não é possível determinar quantas ferroadas podem colocar a pessoa em situação de risco. Isso vai depender muito do sistema imunológico de cada um.” afirma Benedito Barraviera, docente da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB).

Segundo Barraviera, existem dois tipos principais de acidentes. O primeiro ocorre quando a pessoa é alérgica. Nesses casos, apenas um ferrão pode ser suficiente para desencadear um choque anafilático, que consiste em uma reação alérgica grave e fatal. “Nesses casos, a pessoa deve receber uma injeção de adrenalina e atendimento médico imediato”, diz.

Outro tipo de acidente ocorre quando uma pessoa não alérgica é picada por muitas abelhas simultaneamente. Nesses casos, o excesso de veneno pode causar intoxicação, com complicações neurológicas e renais. Por fim, o médico também chama a atenção para o fato de que o veneno pode gerar um torpor neurológico com potencial de desencadear parada cardiorrespiratória.

Barraviera destaca que a falta de um soro específico contra ferroadas de abelhas africanizadas aumenta as chances de complicações em casos de intoxicação e torna o tratamento mais caro e de difícil previsibilidade dos resultados.

Em janeiro de 2024, a Unesp registrou a patente do primeiro soro antiapílico do mundo, produzido em parceria com profissionais do Instituto Vital Brazil e do Instituto Butantan. O novo produto, que vem sendo desenvolvido há mais de uma década, já passou com sucesso pelas duas primeiras etapas de testes clínicos.

Atualmente, os pesquisadores envolvidos aguardam financiamento para a realização da terceira etapa de testes, necessária para o registro na Anvisa.

Na ausência de tratamentos específicos, o melhor é redobrar a atenção para evitar acidentes graves. A recomendação dos especialistas é nunca manusear a colmeia, não fazer uso de inseticidas e venenos, evitar movimentos bruscos, isolar o local e chamar a Defesa Civil, os bombeiros ou uma empresa especializada em remoção.

Malaspina alerta que, caso ocorra uma picada próxima ao ninho, é de extrema importância que a pessoa não se debata e tente manter a calma. O pesquisador explica que, quando se sentem ameaçadas, as abelhas liberam um feromônio que “marca” a ameaça para as outras abelhas.

Quando alguém é ferroado, o feromônio fica preso na pessoa por conta do ferrão, o que faz com que todas as demais iniciem uma perseguição em conjunto.

*Sob supervisão de Victor Faverin



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AgroNewsPolítica & Agro

Pastagens mostram recuperação parcial


O Informativo Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (14) pela Emater/RS-Ascar indica que as pastagens cultivadas no Rio Grande do Sul apresentaram resposta fisiológica positiva nas áreas com lotação adequada, especialmente onde houve aplicação de fertilizantes nitrogenados e orgânicos. “Os campos nativos ainda enfrentam limitações, mas em algumas regiões já iniciaram a rebrota”, informou o boletim.

Apesar da variação climática, houve recuperação em áreas mais drenadas, e as pastagens de inverno retomaram o desenvolvimento, sobretudo as implantadas de forma mais tardia. Segue também o preparo de áreas para semeadura de milho para silagem e de forrageiras anuais de verão.

Na região de Bagé, as pastagens de inverno tiveram leve recuperação, mas em áreas de aveia e azevém o potencial produtivo esperado não foi alcançado. Em Quaraí, a umidade favoreceu a incidência de fungos. Em Hulha Negra, pastagens com trevo apresentaram condições adequadas para pastejo e corte, com previsão de fenação em setembro. Em Santa Margarida do Sul, áreas foram arrendadas para engorda de animais, como alternativa de renda.

Em Caxias do Sul, o frio e a chuva limitaram os manejos e os pastejos, que ocorreram de forma restrita para evitar danos às plantas e ao solo.

Em Frederico Westphalen, o clima aliado às adubações nitrogenadas favoreceu a rebrota, a melhoria da qualidade nutricional e o aumento da oferta de forragem. Na região de Ijuí, as pastagens de aveia-preta e aveia-branca estão em floração, enquanto trigo de pastoreio e azevém permanecem em fase vegetativa com boa qualidade nutricional.

Já em Passo Fundo, fatores edafoclimáticos limitaram o crescimento vegetal, exigindo ajustes de lotação e interrupção das adubações.

Em Pelotas, as condições variaram: enquanto municípios como Arroio Grande, Canguçu e São José do Norte registraram bom desenvolvimento das pastagens de inverno, em localidades como Capão do Leão, Piratini e Rio Grande o frio, as geadas e a baixa radiação solar prejudicaram o crescimento.

Na região de Santa Maria, a alta umidade e o excesso de lotação comprometeram o desenvolvimento das pastagens e atrasaram o crescimento do azevém. Em Júlio de Castilhos, lavouras de triticale para silagem tiveram bom desempenho, reduzindo custos com alimentação suplementar.

Na região de Santa Rosa, as pastagens se recuperaram e apresentam menor risco de arranquio. Em Erechim e Soledade, o frio e a umidade prejudicaram o rebrote de aveia e azevém, mas os pastejos continuaram, mesmo com menor oferta. A aveia comum, de modo geral, está em fase avançada de crescimento e perde qualidade.





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Da seleção ao lucro: genética tabapuã é a chave para a pecuária do Nordeste


Pecuaristas, a escolha de um cruzamento industrial pode impulsionar significativamente a produtividade do seu rebanho. Joaquim Vitor, criador de gado nelore e anelorado na região do Cariri, no sul cearense, notou que muitos de seus colegas têm apostado no tabapuã. Assista ao vídeo abaixo e confira.

Ele questiona se essa raça zebuína pode ser uma boa segunda opção de cruzamento para sua vacada. Nesta quinta-feira (14), o zootecnista Ricardo Abreu, gerente de fomento dos Programas de Melhoramento Genético da ABCZ, respondeu à dúvida no quadro “Giro do Boi Responde.

Ele explica que o cruzamento nelore x tabapuã é uma excelente estratégia para a pecuária do Nordeste.

O vigor híbrido do tabanel

Bovinos da raça Tabapuã em área de pastagem. Foto: DivulgaçãoBovinos da raça Tabapuã em área de pastagem. Foto: Divulgação
Bovinos da raça Tabapuã em área de pastagem. Foto: Divulgação

Na pecuária de corte, o cruzamento de raças zebuínas diferentes, especialmente no Nordeste, é uma prática consolidada. O “vigor híbrido“, ou heterose, é a principal vantagem, pois traz a complementaridade genética entre as raças, resultando em animais mais produtivos do que seus pais.

Para a vacada anelorada de Joaquim Vitor, que tem uma ossatura mais delicada e menor peso, o cruzamento com o tabapuã é um “choque de sangue” que dará mais estrutura às futuras gerações.

O resultado é o Tabanel, bezerros com ótimo temperamento e de fácil manejo, que trazem diversas vantagens:

  • Maior ganho de peso: Devido à heterose entre tabapuã e nelore, o ganho de peso dos bezerros é superior.
  • Bezerros mais pesados à desmama: O que resulta em maior rentabilidade para a fazenda.
  • Machos com maior potencial de ganho de peso: Ideal para quem busca um ciclo completo de produção.
  • Fêmeas mais férteis: O que aumenta a probabilidade de emprenhar mais cedo, uma característica importante do TabaNel que acelera a reprodução do rebanho.

A importância da genética na escolha do touro

Bovinos da raça Tabapuã em área de pastagem. Foto: Sérgio GermanoBovinos da raça Tabapuã em área de pastagem. Foto: Sérgio Germano
Bovinos da raça Tabapuã em área de pastagem. Foto: Sérgio Germano

Ricardo Abreu ressalta que, para o sucesso do cruzamento, é crucial que o touro tabapuã escolhido tenha lastro e informação consistente. Para garantir isso, o pecuarista deve:

  • Consultar o site da ABCZ (abcz.org.br): Lá, é possível verificar as avaliações genéticas dos touros disponíveis nas centrais de inseminação.
  • Procurar touros K1: Os touros avaliados dentro do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ) são uma ótima opção.
  • Verificar o registro genealógico: O registro, somado ao PMGZ, é o elo da produtividade e a prova de que o touro é de origem conhecida e tem um histórico de desempenho.

A tecnologia da inseminação artificial em tempo fixo (IATF) é uma ferramenta que permite a utilização da melhor genética de touros tabapuã em suas matrizes, garantindo resultados superiores e um avanço mais rápido do rebanho.

O zootecnista finaliza reforçando que o Brasil foi construído sobre a pata do boi zebu, e o uso do melhoramento genético em rebanhos comerciais, como o que está sendo feito no estado do Ceará, é o que impulsiona o país para se tornar o primeiro produtor e maior exportador de carne bovina do mundo.



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USP aponta potencial de microrganismos da Amazônia no combate a doenças agrícolas



Um estudo desenvolvido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), campus de Piracicaba, revelou o potencial de microrganismos isolados da floresta amazônica na promoção do crescimento de plantas, no controle de doenças agrícolas e na descoberta de compostos bioativos inéditos.

A pesquisa explorou actinobactérias, um grupo de bactérias conhecido pela rica produção de metabólitos com aplicações agrícolas e farmacêuticas.

De autoria da bióloga Naydja Moralles Maimone, a pesquisa foi financiada pela Fapesp e realizada no Laboratório de Microbiologia Agrícola e Química de Produtos Naturais, sob orientação da professora Simone Lira.

O projeto reuniu pesquisadores da Esalq, da USP de São Carlos e da Simon Fraser University, do Canadá. “As actinobactérias estudadas foram isoladas de solos amazônicos e estavam armazenadas no Laboratório de Genética de Microrganismos da Esalq. Destacamos o caráter interdisciplinar desse estudo, que englobou diferentes áreas da microbiologia, genética e química orgânica”, conta Maimone à Assessoria de Imprensa da Esalq.

O estudo utilizou técnicas avançadas de metabolômica e genômica, revelando como o microbioma amazônico é uma fonte ainda pouco explorada de inovação para a agricultura sustentável.

Duas das linhagens avaliadas se destacaram. A Streptomyces sp. AM25 demonstrou forte potencial como bioinsumo agrícola, promovendo o crescimento de plantas de milho e inibindo fungos que atacam culturas como soja, milho e tomate. A Streptantibioticus sp. AM24 surpreendeu por produzir compostos inéditos, como duas novas acidifilamidas, tripeptídeos (um tipo de peptídeo composto por três aminoácidos) com estruturas químicas não usuais, uma delas contendo uma modificação que ainda não havia sido descrita anteriormente em metabólitos originados de microrganismos.



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Feira do Empreendedor 2025 reúne inovação e negócios em São Paulo



A Feira do Empreendedor 2025 já tem data marcada. O evento acontece de 15 a 18 de outubro, das 10h às 20h, no São Paulo Expo, com programação também online e gratuita. Considerada a maior feira de empreendedorismo da América Latina, a expectativa é atrair mais de 110 mil visitantes e gerar cerca de R$ 45 milhões em negócios.

Organizada pelo Sebrae-SP, a Feira do Empreendedor é um ponto de encontro para empresários, investidores, startups e quem deseja abrir ou expandir um negócio. Durante quatro dias, o público poderá conhecer tendências de mercado, participar de palestras com especialistas, visitar espaços de inovação e acessar oportunidades de crédito e capacitação.

  • Participe do Porteira Aberta Empreender: envie perguntas, sugestões e conte sua história de empreendedorismo pelo WhatsApp

Além da versão presencial no São Paulo Expo, a feira terá uma plataforma digital que garante a participação de empreendedores de todo o Brasil. No ambiente virtual, será possível visitar estandes, acompanhar transmissões ao vivo e interagir com empresas expositoras.

Segundo os organizadores, a entrada é gratuita, mas é necessário realizar inscrição antecipada para garantir a participação. A programação completa será divulgada nos próximos meses no site oficial do evento.

Com grande impacto econômico e social, a Feira do Empreendedor 2025 reforça o papel do empreendedorismo como motor de inovação e desenvolvimento no país.



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Moagem no Centro-Sul atinge 50,22 milhões de toneladas na segunda metade de julho


 Na segunda quinzena de julho, as unidades produtoras da região Centro-Sul processaram 50,22 milhões de toneladas ante a 51,59 milhões da safra 2024/2025 – o que representa uma queda de 2,66%. No acumulado da safra 2025/2026 até 1º de agosto, a moagem atingiu 306,24 milhões de toneladas, ante 334,95 milhões de toneladas registradas no mesmo período no ciclo anterior – retração de 8,57%.

Operaram na segunda quinzena de julho 257 unidades produtoras na região Centro-Sul, sendo 237 unidades com processamento de cana, dez empresas que fabricam etanol a partir do milho e dez usinas flex. No mesmo período, na safra 24/25, operaram 261 unidades produtoras, sendo 241 unidades com processamento de cana, nove empresas que fabricam etanol a partir do milho e 11 usinas flex.

Em relação à qualidade da matéria-prima, o nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) registrado na segunda quinzena de julho atingiu apenas 139,62 kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar, contra 147,29 kg por tonelada na safra 2024/2025 – uma queda de 5,21%. No acumulado da safra, o indicador marca 126,85 kg de ATR por tonelada, registrando retração de 4,77% na comparação com o valor observado na mesma posição no ciclo anterior.

O diretor de Inteligência Setorial da UNICA, Luciano Rodrigues, destaca que “o nível de ATR da safra 2025/2026 é o menor observado em 10 anos. Só no ciclo 2015/2016, registramos um indicador qualidade inferior ao contabilizado até o momento no Centro-Sul”.  

O executivo esclarece que o setor vive uma situação atípica nesta safra, pois normalmente há uma relação inversa entre produtividade agrícola e qualidade da matéria-prima. “Neste ano, o regime de chuvas foi desfavorável em ambas as fases críticas do ciclo da cana-de-açúcar. No verão, a precipitação abaixo do ideal comprometeu o desenvolvimento das lavouras e reduziu a produtividade (TCH). Já durante a colheita, o clima mais úmido prejudicou a concentração de ATR na planta. Como consequência, a safra 2025/2026 apresenta queda simultânea nos indicadores de qualidade (ATR) e de produtividade (TCH)”, explica Rodrigues.

De fato, dados apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) indicam que, no acumulado de abril a julho, a produtividade agrícola registrou queda de 10% na média do Centro-Sul na comparação com o valor observado em igual período do ciclo 2024/2025, atingindo apenas 79,84 toneladas de cana por hectare neste ciclo.

“A queda de 10% no TCH somada à perda de 5% no ATR geraram uma redução próxima a 15% na quantidade de ATR por hectare colhido (TAH), prejudicando a quantidade de produtos extraída por unidade de área. Com exceção do norte do Paraná e da região de Assis em São Paulo, a queda de TAH é generalizada em todo o Centro-Sul, chegando a atingir 18,0% em Goiás, 18,8% em São José do Rio Preto, 23,4% em Minas Gerais e 25,2% em Ribeirão Preto”, explica Rodrigues.

Produção de açúcar e etanol

A produção de açúcar na segunda quinzena de julho totalizou 3,61 milhões de toneladas, registrando queda de 0,80% na comparação com a quantidade registrada em igual período na safra 2024/2025 (3,64 milhões de toneladas). No acumulado desde o início da safra até 1ª de agosto, a fabricação do adoçante totalizou 19,27 milhões de toneladas, contra 20,89 milhões de toneladas do ciclo anterior – redução expressiva de 7,76%.

Na segunda metade de julho, a fabricação de etanol pelas unidades do Centro-Sul atingiu 2,28 bilhões de litros, sendo 1,40 bilhão de litros de etanol hidratado (-13,54%) e 880,40 milhões de litros de etanol anidro (-6,57%). No acumulado do atual ciclo agrícola, a fabricação do biocombustível totalizou 13,88 bilhões de litros (-11,96%), sendo 8,84 bilhões de etanol hidratado (-11,85%) e 5,05 bilhões de anidro (-12,15%).

Do total de etanol obtido na segunda quinzena de julho, 17,21% foram fabricados a partir do milho, registrando produção de 392,43 milhões de litros neste ano, contra 344,76 milhões de litros no mesmo período do ciclo 2024/2025 – aumento de 13,83%. No acumulado desde o início da safra, a produção de etanol de milho atingiu 2,95 bilhões de litros.

Vendas de etanol

No mês de julho, as vendas de etanol totalizaram 2,93 bilhões de litros. O volume comercializado de etanol anidro no período foi de 1,09 bilhão de litros – avanço de 1,06% – enquanto o etanol hidratado registrou venda de 1,84 milhão de litros.

No mercado doméstico, o volume de etanol hidratado vendido pelas unidades do Centro-Sul totalizou 1,75 bilhão de litros, o que representa uma retração de 5,58% em relação ao mesmo período da safra anterior. As vendas de etanol anidro, por sua vez, atingiram a marca de 1,07 bilhão de litros, registrando um avanço de 6,02%.

No acumulado desde o início da safra até primeiro de agosto, a comercialização de etanol pelas unidades do Centro-Sul somou 11,48 bilhões de litros (-2,73%). O volume acumulado de etanol hidratado totalizou 7,32 bilhões de litros (-5,20%), enquanto o de anidro alcançou 4,16 bilhões de litros (+1,96%).





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Da fronteira à inovação: como a pecuária em Roraima se torna exemplo de sucesso


Pecuaristas, a fronteira da pecuária está se expandindo, e o estado de Roraima é um grande exemplo de como a tecnologia pode impulsionar o agronegócio. O que antes era uma área com pouca expressão na produção, agora se destaca com o uso de drones, genética superior e manejo de ponta.Assista ao vídeo abaixo e confira.

O engenheiro agrônomo Wagner Pires, embaixador de conteúdo do Giro do Boi, esteve em Roraima para entender a evolução da pecuária local.

Ele destacou que, em 10 anos, o rebanho do estado cresceu de 800 mil para mais de 1,2 milhão de cabeças, mesmo com todos os desafios ambientais da região.

Tecnologia de ponta na fronteira da pecuária

Foto: Wagner PiresFoto: Wagner Pires
Foto: Wagner Pires

Roraima, considerada a “última fronteira” da pecuária, junto com o Matopiba, está adotando o que há de mais moderno na tecnologia para produzir de forma sustentável e eficiente.

Um dos destaques é o uso de drones para a semeadura de pastagens. Essa tecnologia, que agora está sendo utilizada no estado, permite:

  • Precisão na semeadura: O drone aplica a quantidade certa de semente pura, sem desperdício, garantindo um estande de pasto mais uniforme.
  • Custo de mão de obra zero: O que barateia o processo e otimiza o tempo do produtor.
  • Pastos de alta qualidade: O uso de drones garante uma semeadura uniforme e eficaz, resultando em pastos de melhor qualidade e mais produtivos.

A pecuária de Roraima está mudando. A chegada da lavoura, a montagem de secadores para a produção de grãos e a utilização de confinamentos para os períodos de seca mostram uma transformação na história do agronegócio local, com uma produção cada vez mais integrada.

Genética e manejo: a base do sucesso

Foto: Wagner PiresFoto: Wagner Pires
Foto: Wagner Pires

Apesar dos desafios, os pecuaristas de Roraima estão investindo pesado em genética superior e em um manejo de ponta.

O aumento nas vendas de sêmen e a disseminação da raça angus na região são prova disso, com a busca por animais precoces e com alta qualidade de carne.

Essa busca por animais de genética superior, aliada a um manejo que inclui monitoramento e semeadura de pastagens com drones, mostra um compromisso com a produção sustentável.

O pecuarista do extremo Norte do Brasil está provando que é possível produzir com qualidade, eficiência e responsabilidade, superando as adversidades e garantindo o sucesso do agronegócio.



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Ciclone com temporais e calor de 40ºC estão na previsão do tempo para a semana; confira



A semana entre 18 e 22 de agosto será marcada por extremos climáticos no Brasil. O destaque da previsão do tempo fica para a formação de um ciclone extratropical no Sul, que deve provocar temporais, queda de granizo e rajadas de vento acima de 70 km/h, com acumulados que podem superar 150 milímetros em apenas dois dias no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Enquanto isso, no Centro-Oeste e no interior do Sudeste, o veranico mantém as temperaturas elevadas, chegando a 40 °C em algumas cidades, aumentando o risco de incêndios e trazendo estresse térmico ao gado. No Nordeste e no Norte, a previsão é de chuva no litoral e de tempo firme no interior, com calor intenso e baixa umidade do ar.

Confira os detalhes da previsão do tempo para cada região do país, com informações da Climatempo e análise do meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller.

Sul

O tempo segue instável na região Sul do país. As chuvas atingem o litoral de Santa Catarina, enquanto pancadas mais intensas avançam pelo Rio Grande do Sul e se espalham para as demais áreas. O norte do Paraná ainda terá períodos de sol, mas o cenário muda a partir de terça-feira (19), com a formação de um ciclone extratropical entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai.

Esse sistema deve provocar temporais em toda a região, com risco de queda de granizo e rajadas de vento que podem superar os 70 km/h. Os acumulados devem ultrapassar 150 milímetros em apenas dois dias no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, aumentando a possibilidade de alagamentos e prejuízos no campo.

No Paraná, a chuva será mais concentrada no centro-oeste, com até 50 milímetros, favorecendo a reposição hídrica, mas atrasando a colheita do milho de segunda safra.

Sudeste

O padrão de sol e nuvens predomina no Sudeste, mas novas áreas de instabilidade podem provocar chuva fraca e isolada no litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, além da Zona da Mata de Minas Gerais.

Na quarta-feira (20), o avanço de uma frente fria deve trazer acumulados de até 40 milímetros em São Paulo e Paraná, com risco de temporais, ventania e granizo. No interior paulista e mineiro, o veranico mantém as temperaturas elevadas, com máximas em torno de 38 °C, aumentando o risco de incêndios e estresse térmico no gado.

Ainda assim, atividades como a colheita do café, moagem da cana-de-açúcar e a colheita do trigo, milho de segunda safra e algodão devem prosseguir normalmente.

Centro-Oeste

O tempo firme predomina na maior parte da região, com temperaturas acima de 40 °C em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul. A umidade relativa do ar atinge níveis críticos, abaixo de 20%, o que aumenta o risco de incêndios florestais.

Na quarta-feira, a frente fria que avança do Sul pode provocar temporais em Mato Grosso do Sul e no oeste de Mato Grosso, com acumulados de até 40 milímetros. As rajadas de vento e a queda de granizo podem prejudicar operações agrícolas. Apesar do calor, as colheitas de café, trigo, algodão e milho de segunda safra, além da moagem da cana-de-açúcar, seguem em andamento.

Nordeste

No Nordeste, a chuva perde força em Salvador (BA), mas ainda pode ocorrer de forma isolada em Sergipe e Pernambuco. Ondas de leste mantêm a instabilidade no litoral da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte, com acumulados de até 60 milímetros ao longo da semana.

Já no interior, o calor chega a 38 °C, com baixa umidade e risco de incêndios. As operações agrícolas seguem sem grandes prejuízos, especialmente na colheita do algodão. A tendência é que as chuvas retornem às áreas produtoras da região apenas no fim de setembro.

Norte

A instabilidade continua em partes da região, com risco de temporais no Amazonas, Acre, Rondônia e norte do Pará. Em Roraima, a chuva pode atingir 50 milímetros, mantendo a umidade do solo. No Tocantins, centro-sul do Pará e Rondônia, o tempo firme e as temperaturas próximas a 38 °C aumentam o risco de incêndios e de estresse no gado.

As atividades agrícolas podem ser realizadas, mas os produtores devem evitar o uso do fogo até a retomada gradual das chuvas, prevista para outubro.

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Agro gera mais empregos e reduz dependência do Bolsa Família


O Brasil registrou em julho de 2025 o menor índice de dependência do Bolsa Família desde 2021. Atualmente, existem 40 famílias beneficiárias para cada 100 pessoas com carteira assinada, contra 50 no início de 2023. Esse dado reflete uma realidade clara: o mercado de trabalho está absorvendo mais brasileiros, e nos estados onde o agronegócio é forte esse movimento é ainda mais evidente.Queda da dependência do programa

O número de famílias atendidas pelo Bolsa Família caiu para 19,6 milhões, o menor desde julho de 2022. Essa redução tem três explicações principais:

  • Aquecimento da economia e da renda: mais pessoas ingressaram no mercado de trabalho.
  • Queda do desemprego: em níveis historicamente baixos.
  • Pente-fino e Regra de Proteção: revisão de cadastros e transição gradual de famílias que passaram a ter renda formal.

Essas mudanças mostram que o programa social continua importante, mas o caminho de saída da pobreza passa, sobretudo, pela geração de emprego formal.

Agro: alavanca de empregos e renda

Nos estados que são potência no agronegócio, o cenário é ainda mais claro. São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul apresentam hoje mais trabalhadores formais do que beneficiários do Bolsa Família.

Alguns destaques:

  • Santa Catarina possui 12 trabalhadores formais para cada beneficiário do Bolsa Família, a menor taxa de dependência proporcional do país.
  • São Paulo tem 12,3 milhões de trabalhadores a mais do que famílias beneficiárias, liderando a transição do assistencialismo para o mercado de trabalho formal.

Esses estados concentram grande parte da produção agropecuária nacional e, por consequência, impulsionam cadeias produtivas inteiras: transporte, agroindústria, comércio e serviços.

Outro dado relevante vem do cruzamento entre Caged (empregos formais) e Cadastro Único. No primeiro semestre de 2025, o Brasil gerou mais de 700 mil vagas formais ocupadas por beneficiários do Bolsa Família, o equivalente a 58% de todos os novos empregos no período.

Entre os estados, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná lideram as contratações desse público, somando mais de 390 mil vagas. Isso mostra que o programa social, ao mesmo tempo em que ampara, também funciona como porta de entrada para o emprego formal quando a economia oferece oportunidade.

A leitura desses números evidencia um ponto fundamental: o agronegócio tem sido um dos maiores motores da inclusão social no Brasil. A pujança do campo, somada à industrialização de alimentos e exportações, não apenas gera divisas, mas também cria empregos formais que retiram famílias da dependência crônica de programas sociais.

Em estados onde o agro é mais dinâmico, como Mato Grosso e Paraná, a proporção de pessoas no Bolsa Família é significativamente menor, comprovando que a melhor política social é a geração de oportunidades produtivas.

O desafio, daqui em diante, é consolidar esse movimento. O Bolsa Família deve permanecer como rede de proteção, mas a porta de saída passa necessariamente pelo fortalecimento da economia real — e nisso o agro brasileiro tem sido protagonista.
O Brasil está diante de um ponto de inflexão. Pela primeira vez desde 2021, o número de famílias dependentes do Bolsa Família caiu de forma consistente, enquanto os empregos formais aumentaram em todos os estados.

O recado é claro: onde o agro é forte, há menos pobreza e mais oportunidades. A força do campo não apenas alimenta o mundo, mas também promove inclusão, dignidade e crescimento social dentro do próprio país.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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