terça-feira, março 10, 2026

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União Europeia aprova acordo comercial com Mercosul


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Foto: Camex

A maioria dos países-membros da União Europeia deram nesta sexta-feira (9) um sinal verde para a assinatura do acordo comercial com o Mercosul, segundo fontes diplomáticas ouvidas por agências internacionais. O resultado ainda precisa ser formalizado e deve ser concluído até as 17h no horário de Bruxelas (16h GMT).

Com a sinalização favorável, o processo entra na reta final e permite que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, avance para a assinatura oficial do tratado, prevista para segunda-feira (12), no Paraguai.

Durante reunião de embaixadores do bloco em Bruxelas, a maioria dos 27 Estados-membros manifestou apoio ao acordo, conforme relataram diplomatas à AFP. A decisão foi tomada apesar da resistência de alguns países, entre eles França e Irlanda, que seguem alertando para possíveis prejuízos ao setor agrícola europeu.

O tratado é defendido por setores empresariais da Europa, que veem ganhos em comércio e investimentos, mas enfrenta críticas de produtores rurais, especialmente franceses, preocupados com a concorrência de produtos sul-americanos.

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o acordo representa a ampliação do acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores, com efeitos que ultrapassam o agronegócio e alcançam também diferentes ramos da indústria nacional.

*Com informações da AFP e Reuters

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Fim de semana terá formação de ciclone com chuva e ventos fortes; veja a previsão do tempo


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Foto: Inmet

A previsão para os próximos dias indica um fim de semana de instabilidades em várias áreas do país. O maior destaque é o Sul do Brasil, onde a formação de um ciclone extratropical no sábado (10) aumenta o risco de temporais, ventos fortes e volumes elevados de chuva. As informações são da Climatempo.

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Sul

Sexta-feira

O dia já começa com tempo instável no Rio Grande do Sul, por causa do aprofundamento de uma área de baixa pressão. Há previsão de chuva forte, temporais e rajadas de vento, que podem chegar a 70 km/h no litoral, com picos ainda maiores durante as tempestades.
No Paraná e em Santa Catarina, as instabilidades aumentam a partir da tarde, com risco de temporais no sudoeste paranaense e no oeste catarinense. Apesar da chuva, o calor segue predominando em boa parte da região.

Sábado

O sábado será o dia mais crítico, com a formação de um ciclone extratropical entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai. No RS, a chuva ocorre desde a madrugada, com temporais, risco de granizo e acumulados elevados. As instabilidades avançam ao longo do dia para Santa Catarina e Paraná, mantendo o alerta para chuva forte, ventos intensos e transtornos pontuais.

Domingo

No domingo, a chuva continua na metade norte do Rio Grande do Sul, além do oeste de Santa Catarina e do sudoeste do Paraná, ainda com intensidade moderada a forte.
No restante do território gaúcho, o tempo começa a melhorar ao longo do dia, embora ainda possa chover de forma fraca no litoral.

Sudeste

Sexta-feira

O dia começa com tempo mais firme, mas as instabilidades aumentam entre o fim da manhã e a tarde. Em São Paulo, a chuva se espalha pelo oeste, sul, interior e leste, com pancadas moderadas a fortes. Em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, a chuva ocorre de forma mais isolada, e o calor segue elevado.

Sábado

No sábado, as pancadas ganham força no oeste, sudoeste e sul de São Paulo, com risco de temporais, principalmente à noite. Em Minas Gerais e no Espírito Santo, a chuva tende a ser mais fraca e irregular, enquanto as temperaturas permanecem altas.

Domingo

O domingo começa com tempo mais firme na maior parte da região. À tarde, a chuva volta a ganhar força no oeste paulista, além do sul e sudoeste de São Paulo. Na capital, o dia deve ser de sol e calor, com máxima próxima de 35 °C.

Centro-Oeste

Sexta-feira

Pancadas de chuva atingem áreas do oeste e noroeste de Mato Grosso, além de Mato Grosso do Sul, principalmente a partir da tarde. Há risco de temporais isolados.

Sábado

As instabilidades aumentam em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com chuva moderada a forte e risco de temporais, sobretudo no oeste e sul sul-mato-grossense.
Em Goiás, o tempo tende a ficar mais firme ao longo do dia.

Domingo

No domingo, a chuva segue frequente em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, ainda com risco de temporais. Em Goiás, o tempo permanece mais estável, com calor predominando.

Nordeste

Sexta-feira

Chove de forma mais fraca no litoral leste, além do interior do Maranhão e da Bahia. No restante da região, o tempo segue firme e quente.

Sábado

As pancadas ganham força no litoral da Bahia, no interior do Piauí, Maranhão e no oeste de Pernambuco. Entre o litoral sul da Bahia e Sergipe, a chuva pode ocorrer de forma moderada a forte, enquanto o calor continua predominando.

Domingo

No domingo, a chuva persiste no interior do Maranhão, no oeste do Piauí e no litoral baiano.
À noite, novas instabilidades podem avançar pelo oeste da Bahia, enquanto grande parte da região segue com tempo firme e quente.

Norte

Sexta-feira

A chuva ocorre de forma mais intensa no Amazonas, Acre e Rondônia, com pancadas isoladas nas demais áreas.

Sábado

O sábado será de tempo instável, com chuva forte e risco de temporais no Amazonas, Acre, Roraima e Amapá.
No Pará, as pancadas aumentam principalmente na metade sul do estado.

Domingo

No domingo, a chuva segue frequente no Amazonas, Acre, Rondônia e Tocantins, com risco de temporais. A atuação da Zona de Convergência Intertropical mantém o tempo instável no norte do Amapá, enquanto áreas do Pará e de Roraima têm mais aberturas de sol.

O maior nível de atenção permanece no Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, onde há risco de temporais, ventos fortes e acumulados elevados de chuva ao longo de todo o fim de semana.

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AgroNewsPolítica & Agro

Brasil eleva exigência regulatória no mercado agrícola



Os dados mostram que os produtos técnicos continuam sendo a base da cadeia


Os dados mostram que os produtos técnicos continuam sendo a base da cadeia
Os dados mostram que os produtos técnicos continuam sendo a base da cadeia – Foto: Divulgação

O balanço anual de registros de defensivos agrícolas e bioinsumos divulgado no início de 2026 revela mudanças relevantes no funcionamento do mercado agrícola brasileiro. O documento apresenta um retrato de como o país vem ajustando regras, prioridades e instrumentos regulatórios, reposicionando-se no cenário global do setor. Com 912 registros aprovados em 2025, incluindo um número recorde de bioinsumos, a ampliação do uso de ferramentas digitais e a liberação de novos ingredientes ativos, o Brasil consolida uma transição que vai além da expansão quantitativa.

Os dados mostram que os produtos técnicos continuam sendo a base da cadeia de suprimento de defensivos, com 323 aprovações voltadas exclusivamente ao uso industrial. No entanto, a dinâmica competitiva desse segmento passa por mudanças. Formuladores locais e empresas multinacionais passaram a valorizar mais a previsibilidade regulatória, a consistência de qualidade e a estabilidade do fornecimento, reduzindo o peso de estratégias centradas apenas em preço. A normalização dos prazos de análise, após a redução de filas históricas de processos, também diminui vantagens obtidas por movimentos oportunistas.

Ao mesmo tempo, os bioinsumos se destacam como o vetor mais visível de crescimento estrutural. Foram 162 registros aprovados no ano, o maior volume já observado, abrangendo produtos biológicos, microbiológicos, bioquímicos, botânicos e reguladores de crescimento. Esse avanço está associado à pressão por soluções com menor resíduo, ao aumento da resistência em grandes culturas e à priorização regulatória de tecnologias com menor risco ambiental e à saúde.

Outro ponto relevante é a aprovação de seis ingredientes ativos inéditos e de 19 produtos formulados baseados em novas moléculas. Em um contexto internacional de restrições regulatórias e redução de investimentos em pesquisa, o movimento indica um esforço para reposicionar o país como mercado inicial ou estratégico para novas tecnologias, ainda que os custos e exigências técnicas permaneçam elevados.





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AgroNewsPolítica & Agro

Produtor rural do RS deve aderir à nota eletrônica; modelo em papel será aceito só até abril



Produtores com receita bruta anual inferior a R$ 360 mil terão prazo para se adaptar



Foto: Ascom/Sefaz

Entrou em vigor no último dia 5 de janeiro a exigência de emissão da Nota Fiscal Eletrônica do Produtor Rural (NFP-e) para todas as transações internas realizadas por agricultores gaúchos. A nova regra integra a agenda de modernização fiscal definida pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e é aplicada por meio da Secretaria da Fazenda do Estado (Sefaz-RS).

De acordo com informações divulgadas pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), embora a regra já esteja em vigor, os produtores com receita bruta anual inferior a R$ 360 mil terão mais tempo para se adaptar: até 30 de abril de 2026, eles ainda poderão utilizar os talões de nota fiscal em papel, desde que remanescentes.

A mudança marca o encerramento gradual do uso do tradicional talão impresso, conhecido como modelo 4, cuja validade será encerrada definitivamente em 1º de maio de 2026. Desde 2021, a obrigatoriedade da NFP-e vem sendo ampliada por faixas de faturamento. Agora, passa a incluir todos os produtores, independentemente do porte ou local de operação.

A Secretaria da Fazenda disponibiliza dois sistemas gratuitos para facilitar a transição: o aplicativo Nota Fiscal Fácil (NFF), com funcionalidade offline, e o sistema da Nota Fiscal Avulsa Eletrônica (NFA-e), recomendado para operações de maior complexidade. A proposta é oferecer soluções que atendam às diferentes realidades do campo, inclusive regiões com baixa conectividade.

A digitalização permite maior controle sobre as informações fiscais, reduz erros de preenchimento, elimina a perda de documentos e torna o processo mais ágil — especialmente relevante diante das mudanças previstas com a Reforma Tributária, que deve extinguir por completo as notas em papel.

 





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AgroNewsPolítica & Agro

Mercados agrícolas abrem o dia com ajustes mistos



No mercado do trigo, os contratos negociados na Bolsa de Chicago operam em leve alta


No mercado do trigo, os contratos negociados na Bolsa de Chicago operam em leve alta
No mercado do trigo, os contratos negociados na Bolsa de Chicago operam em leve alta – Foto: Canva

Os mercados agrícolas iniciaram o dia com movimentos mistos, refletindo a combinação entre fatores climáticos, geopolíticos e ajustes técnicos dos investidores nas principais bolsas internacionais. Levantamento da TF Agroeconômica mostra que trigo, soja e milho seguem reagindo a um ambiente de incertezas externas e expectativas em relação aos próximos relatórios oficiais.

No mercado do trigo, os contratos negociados na Bolsa de Chicago operam em leve alta, com as cotações se mantendo próximas das máximas do dia, o que indica pressão positiva no curto prazo. A formação dos preços tem sido fortemente influenciada pelo cenário geopolítico, especialmente pela falta de avanços nos planos de paz na região do Mar Negro e pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e Rússia, agora ampliadas pelo envolvimento americano na Venezuela. Somam-se a esse quadro as preocupações climáticas, com déficit de umidade nas áreas de trigo de inverno nos Estados Unidos e uma onda de frio atingindo regiões produtoras da Rússia. No mercado físico brasileiro, os preços apresentam pequenas quedas tanto no Paraná quanto no Rio Grande do Sul.

A soja iniciou o pregão em baixa na Bolsa de Chicago, pressionada pela realização de lucros após as altas recentes. O farelo e o óleo também recuam levemente, depois de ganhos expressivos na sessão anterior. O mercado segue atento ao desenvolvimento da safra sul-americana e às condições climáticas nas principais regiões produtoras. A demanda chinesa continua atuante nos Estados Unidos, embora existam dúvidas sobre sua intensidade com a entrada da nova safra brasileira. O reposicionamento de investidores no início do ano, a expectativa em torno do próximo relatório de oferta e demanda do USDA e os desdobramentos geopolíticos mantêm a volatilidade elevada. A recuperação dos preços do petróleo contribui para esse ambiente instável.

No milho, as cotações em Chicago registram leve recuo, com fundos realizando parte dos ganhos da semana e produtores intensificando as vendas. As quedas, no entanto, encontram suporte nas exportações firmes dos Estados Unidos e na possibilidade de revisão para baixo dos estoques finais no próximo relatório do USDA. No mercado interno, os preços seguem com ajustes moderados.

 





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Tecnologia no preparo do solo reduz custos e aumenta eficiência



As áreas mais compactadas demandaram maior intensidade


As áreas mais compactadas demandaram maior intensidade
As áreas mais compactadas demandaram maior intensidade – Foto: Nadia Borges

O preparo do solo com profundidade variável tem ganhado espaço como alternativa para elevar a eficiência operacional e reduzir custos no campo, especialmente em um momento de decisões estratégicas para a safra de verão. Com o avanço do plantio das principais culturas e a pressão por produtividade, o manejo preciso passa a ser um diferencial para a sustentabilidade econômica e agronômica das lavouras.

Um estudo de campo conduzido pela Valtra global, em parceria com a Väderstad e a equipe agronômica da AGCO, demonstrou que a aplicação de taxa variável no preparo do solo, aliada ao uso de maquinário conectado, gera ganhos relevantes. A pesquisa foi realizada na Dinamarca, em uma área de 50 hectares com solos de diferentes características, utilizando um trator da Série Q equipado com tecnologias de automação que ajustaram, em tempo real, a profundidade e a intensidade do preparo conforme mapas de compactação.

Os resultados indicaram que áreas mais compactadas demandaram maior intensidade de cultivo para alcançar o potencial produtivo, enquanto solos mais leves mantiveram desempenho satisfatório com menor intervenção. Essa adequação resultou em economia superior a cinco litros de combustível por hectare quando a intensidade foi reduzida, além de um aumento operacional de mais de um hectare por hora. O manejo também contribuiu para a preservação da estrutura do solo, favorecendo a produtividade no longo prazo.

A avaliação do estudo aponta que a adoção desse tipo de tecnologia pode funcionar como uma proteção diante de desafios climáticos e de janelas curtas de plantio, permitindo que o operador concentre esforços na qualidade da operação enquanto o sistema realiza os ajustes necessários. No contexto da safra de verão, o uso da agricultura de precisão surge como ferramenta para combinar eficiência, rentabilidade e conservação do solo.

 





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Brasil amplia venda à China em 2025; com salvaguarda, 2026 deve ser desafiador


As exportações brasileiras de carne bovina renovaram o recorde em 2025. O mercado chinês foi novamente o maior destino da carne, cenário que, ressalta-se, coloca uma “pressão” sobre a cadeia nacional neste ano que se inicia. Segundo pesquisadores do Cepea, além de a produção brasileira operar em patamar recorde, a imposição da China de medidas de proteção comercial por meio de tarifas e de cotas sobre produtos importados, como a carne – as “salvaguardas” –, gera uma necessidade de o setor pecuário nacional ampliar as alternativas de escoamento do produto, seja no mercado externo, seja no interno.

Dado da Secex mostram que, especificamente à China, foram exportadas 1,648 milhão de toneladas em 2025, um recorde, 24,6% acima do volume escoado ao mercado chinês em 2024 e representando 48% do total enviado pelo Brasil ao exterior. Com as salvaguardas, o Brasil terá uma cota de 1,106 mil toneladas a serem enviadas à China em 2026, com uma taxa de 55% sobre o que ultrapassar esse volume. Tomando-se como base o ano de 2025, esse volume seria alcançado entre os meses de agosto e setembro.

A média de volume embarcado à China nos últimos quatro meses de 2025 foi de 175 mil toneladas. Pesquisadores do Cepea apontam que, caso esse ritmo seja mantido, as exportações atingiriam a cota já entre junho e julho de 2026. Quanto ao preço, em 2025, a média geral da carne exportada ficou 15,42% acima da de 2024, a US$ 5,15 por quilo, ainda conforme dados da Secex.

A China, por sua vez, pagou, em média, US$ 5,29/kg pela carne brasileira, 17,24% a mais que em 2024, sendo 2025 o segundo melhor ano, atrás apenas de 2022, quando a média esteve em US$ 6,41/kg. Caso os embarques brasileiros à China em 2026 atinjam a cota, haverá um valor adicional de 55% sobre o valor da carne embarcada, o que levaria o produto à média de US$ 8,2/kg (tendo-se como base a média de 2025), patamar nunca antes pago pelos chineses e nem mesmo por países europeus.





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Preços estáveis e exportação recorde em 2025



Exportação de carne suína cresce em 2025 e preços seguem estáveis em janeiro


Foto: Pixabay

As cotações do suíno vivo registram estabilidade neste começo de ano. Na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o animal vivo posto na indústria foi negociado a R$ 8,87/kg na terça-feira, 6, com ligeira queda de 0,3% em relação ao encerramento de 2025. No front externo, o Brasil encerrou 2025 com novos recordes no volume e na receita com as exportações de carne suína.

Em dezembro, inclusive, a quantidade escoada foi a maior para o mês e a quarta maior de toda a série histórica da Secex, iniciada em 1997, evidenciando, segundo apontam pesquisadores do Cepea, uma aceleração da demanda internacional pela carne brasileira no período. De janeiro a dezembro de 2025, foram embarcadas 1,5 milhão de toneladas de carne, o maior volume escoado pelo Brasil em um ano, com crescimento de 11,6% frente ao de 2024 – dados da Secex. Em dezembro, foram exportadas 136,1 mil toneladas, quantidade 29,4% acima da registrada em novembro/25 e 26,2% maior que a de dezembro/25. 

Com a intensificação nas vendas, a receita do setor também atingiu recorde em 2025. No total do ano, foram obtidos cerca de R$ 3,6 bilhões, 19% a mais que no ano anterior e o maior valor da série histórica da Secex. Em dezembro, o valor obtido com as vendas externas foi de R$ 322 milhões, fortes altas de 30% na comparação mensal e de 25% na anual. 





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Presidente da França escolhe votos, não comércio


Macron , presidente da França
Foto: Instagram/reprodução

O posicionamento do presidente francês Emmanuel Macron contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul vai muito além de argumentos técnicos ou ambientais. A análise do contexto interno da França torna a conclusão inevitável: trata-se muito mais de uma escolha política e eleitoral do que de uma decisão comercial.

A França vive um momento de forte desgaste social, com protestos recorrentes, pressão do setor agrícola e queda de apoio ao governo. Diante da dificuldade de competir em um mercado global cada vez mais eficiente e tecnológico, o caminho adotado não foi enfrentar problemas estruturais de produtividade e custos, mas erguer barreiras e buscar culpados externos. Nesse cenário, o acordo UE-Mercosul tornou-se o alvo ideal.

Ambientalismo seletivo como barreira comercial

O discurso ambiental, embora legítimo, perde credibilidade quando usado de forma seletiva. Países que devastaram grande parte de seus territórios ao longo da história agora se colocam como fiscais da produção agrícola tropical, ignorando avanços tecnológicos e práticas sustentáveis já incorporadas por produtores sul-americanos.

Não se trata de negar desafios ambientais, mas de separar preocupação real de protecionismo travestido de virtude.

O acordo nunca foi um favor ao Brasil. Ele nasce da complementaridade entre economias: a Europa amplia mercados para seus produtos industriais; o Mercosul fortalece sua presença em alimentos, energia e commodities. E, do ponto de vista institucional, o processo não depende exclusivamente da França para avançar, o que reforça o caráter político do veto.

Firmeza é a resposta do Brasil

Ao ceder à pressão interna, Macron não fortalece a França. Apenas adia ajustes inevitáveis e empurra parceiros estratégicos para outros mercados. Para o Brasil, o episódio exige firmeza, previsibilidade e defesa da soberania comercial. O agro brasileiro seguirá produzindo e exportando.

Se a França não quiser competir, negociar e respeitar acordos internacionais, talvez o problema não esteja no Mercosul. O comércio global não é para quem tem medo da concorrência. Quem escolhe se fechar descobre, mais cedo ou mais tarde, que o protecionismo não alimenta economias, apenas discursos.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Coberta de gelo e alvo de Trump: tem agricultura na Groenlândia?


Groenlândia
Foto: Pixabay

A Groenlândia tem ganhado os holofotes do mundo nos últimos anos por conta das ambições do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a ilha, considerada a maior do mundo.

Além de ser rica em minerais críticos, matéria-prima para a eletrificação de veículos e máquinas, a Casa Branca a considera estratégica para as ambições militares norte-americanas.

Habitada por cerca de 57 mil pessoas, aproximadamente 80% da Groenlândia é coberta por uma espessa camada de gelo, que ainda resiste mesmo com o aquecimento dos oceanos derivado das mudanças climáticas.

Algo que poucos se dão conta é que, mesmo em um ambiente de temperaturas tão baixas (variam de -35°C a, no máximo, 15°C) e terreno tão impróprio, há, sim, produção agrícola —ou, melhor dizendo, agropecuária — na ilha.

Contudo, basicamente só se cultiva e se criam animais no sul do território. Por lá, o carro-chefe é a pecuária de ovinos, com produção de forragem para o inverno. As plantações mais relevantes são de batata e nabo, além de repolho e outras hortaliças.

Além disso, também há registros de produção de cevada em pequena escala e de cultivos protegidos, como morangos em estufa. Tais culturas são possíveis porque o sul da Groenlândia tem verões mais longos, com menor quantidade de dias com termômetros no negativo.

Desafios à produção

A Groenlândia tem área “livre de gelo” relativamente restrita. Assim, os solos agrícolas são limitados, o que concentra a produção em poucas regiões aptas.

Além disso, a expansão da produção depende de infraestrutura, como armazenagem, energia, transporte, cadeia de suprimentos. Somado a isso, os custos de operação são elevados por conta do ambiente ártico, o que reduz competitividade.

Ambientalistas ainda reforçam que expandir agricultura em regiões tão frias pode gerar perdas de carbono do solo e impactos sobre biodiversidade, exigindo planejamento e salvaguardas.

Para a Groenlândia, o Brasil exporta basicamente produtos florestais, como madeira serrada e cortadas em folha. Em 2024, por exemplo, foram embarcadas 24,2 toneladas desses itens ao território, queda de 65% ante 2023.

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