quinta-feira, março 19, 2026

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Ciclone provoca virada no tempo com chuva e ventos fortes



A semana começa com instabilidades intensas sobre o Brasil. A formação de um ciclone extratropical próximo à costa do Rio Grande do Sul, associada a áreas de baixa pressão e forte calor, espalha condições para chuva moderada a forte, rajadas de vento e risco de temporais em diferentes estados a partir desta segunda-feira (8).

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

Sul terá chuva forte, temporais e temperaturas ainda elevadas

No Rio Grande do Sul, o avanço e o aprofundamento de um sistema de baixa pressão dão origem a um ciclone extratropical que deve provocar pancadas moderadas a fortes e tempestades ao longo do dia. As áreas mais afetadas incluem:

  • Centro, sudoeste e vales
  • Metade norte
  • Região Metropolitana de Porto Alegre
  • Campanha Gaúcha
  • Oeste e nordeste do estado

O tempo instável também avança para a metade oeste de Santa Catarina e boa parte do Paraná, onde há risco de temporais. No litoral da Região Sul, a chuva ocorre sob influência marítima. Mesmo com o aumento da nebulosidade, as temperaturas continuam elevadas em boa parte da região.

Sudeste tem pancadas de chuva e risco de temporais em SP

Um cavado meteorológico em níveis médios da atmosfera reforça a instabilidade no Sudeste. Em São Paulo, as pancadas começam já pela manhã no oeste e noroeste e se espalham ao longo do dia, ganhando intensidade à tarde, com risco de chuva forte.

A umidade se mantém elevada sobre Minas Gerais e Espírito Santo, garantindo instabilidades persistentes. No litoral da Região, a influência marítima também provoca chuvas intermitentes. Na metade norte de São Paulo, no Rio de Janeiro e no Triângulo Mineiro, o calor permanece.

As chuvas diminuem no noroeste de Mato Grosso, mas seguem presentes no restante do estado e em Goiás, com pancadas moderadas a fortes. Em Mato Grosso do Sul, a baixa pressão favorece instabilidades mais amplas, com chuvas fortes e temporais principalmente na metade leste e sul.

As temperaturas recuam levemente, mas a sensação de abafamento continua em toda a região.

No litoral leste e norte do Nordeste, há chance de chuva fraca e isolada. No oeste da Bahia, as instabilidades persistem com intensidade fraca a moderada.

As pancadas também continuam em grande parte do Maranhão, sul e oeste do Piauí, com possibilidade de temporais pontuais. Nas demais áreas, o predomínio é de tempo firme, sol entre nuvens e calor mais intenso ao longo do dia.

Norte tem pancadas fortes no Amazonas, Acre, Rondônia e Tocantins

As instabilidades seguem ativas na porção oeste e central da Região Norte. Amazonas, Acre, Rondônia e Tocantins registram pancadas moderadas a fortes.

Em Roraima e em grande parte do Pará, a chuva diminui, mas ainda pode ocorrer de forma fraca a moderada, ocasionalmente mais forte. O calor predomina em toda a Região.



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Decisão sobre juros nos EUA está no radar do mercado nesta semana


No morning call desta segunda-feira (8), a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que a primeira semana de dezembro teve menor volatilidade global, alta moderada das bolsas e expectativa de corte de 25 pontos pelo Fed.

No Brasil, o choque político das eleições de 2026 derrubou o Ibovespa em mais de 4%, depreciou o real e elevou juros. Esta semana, destaque para reunião do FOMC, IPCA e indicadores de atividade doméstica.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação



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Taxar os agroquímicos é a solução?



A proposta se apoia na ideia de que elevar impostos reduziria o uso desses insumos


A proposta se apoia na ideia de que elevar impostos reduziria o uso desses insumos
A proposta se apoia na ideia de que elevar impostos reduziria o uso desses insumos – Foto: Canva

O debate sobre a tributação de agroquímicos voltou ao centro das discussões nacionais, impulsionado por iniciativas que defendem taxas destinadas a corrigir supostos impactos ambientais. As informações são de Luis Eduardo Pacifici Rangel, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Ex-secretário de Defesa Agropecuária e Ex-Diretor de Análises Econômicas e Políticas Públicas do MAPA.

A proposta se apoia na ideia de que elevar impostos reduziria o uso desses insumos, mas estudos recentes mostram que essa lógica não se aplica ao setor agrícola. Pesquisadores da Universidade de Brasília apontam que a demanda por agroquímicos tem elasticidade-preço praticamente nula, o que significa que o uso não diminui mesmo diante de aumentos de custo. O efeito direto seria apenas o encarecimento da produção, pressionando os preços dos alimentos sem gerar benefícios ambientais.

As análises destacam que esses insumos são essenciais para a produtividade e integrados ao sistema de manejo das lavouras, o que os coloca dentro do princípio constitucional da essencialidade. A recomposição de tributos como ICMS e IPI poderia elevar significativamente os custos de culturas como algodão, soja e milho, com impacto sobre produtores e consumidores. O estudo ressalta ainda que penalizar bens essenciais distorce o mercado e ameaça a segurança alimentar, reforçando que a adoção de práticas sustentáveis avança por inovação, e não por coerção. 

“Taxar agroquímicos não é “corrigir o mercado”, é distorcê-lo. A teoria e a evidência empírica mostram que a seletividade tributária é o caminho mais racional: ela equilibra eficiência econômica, justiça fiscal e sustentabilidade. A agricultura sustentável não nasce da penalização, mas da inovação e da coerência científica” conclui.

 





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Cresce a preocupação com nematoides nas lavouras



O aumento populacional desses organismos tende a afetar o crescimento das raízes


O aumento populacional desses organismos tende a afetar o crescimento das raízes
O aumento populacional desses organismos tende a afetar o crescimento das raízes – Foto: Nadia Borges

Os nematoides vêm ganhando espaço nas lavouras e exigem atenção redobrada na condução das principais culturas. Esses organismos apresentam elevada capacidade de reprodução e, quando chegam ao sistema radicular das plantas, comprometem o desenvolvimento e reduzem o potencial produtivo. Nos solos agrícolas existe grande diversidade de espécies, algumas com funções benéficas ao ecossistema, outras atuando como predadoras e contribuindo para o equilíbrio biológico. Entre elas estão os fitoparasitas, que atacam raízes de soja, milho e algodão.

O aumento populacional desses organismos tende a afetar o crescimento das raízes e a absorção de nutrientes, o que, segundo a ORÍGEO, pode resultar em perdas consistentes para a produção agrícola. Para enfrentar o problema, são necessárias práticas combinadas, entre elas rotação de culturas, agricultura regenerativa, variedades resistentes e ações que reduzam a presença dos nematoides no solo. Monitoramento frequente e identificação correta das espécies orientam o momento de intervenção.

“Quando suas populações aumentam, esses organismos passam a comprometer o desenvolvimento das plantas, afetando o crescimento das raízes e a absorção de nutrientes. O resultado pode ser uma consistente redução do desempenho das lavouras e perdas para a produção agrícola”, explica João Brússolo, gerente de campanhas da ORÍGEO.

“Insumos feitos com microrganismos e peptídeos naturais atuam de diferentes maneiras, reduzem risco de resistência e ainda contribuem para o bom desenvolvimento das plantas. São alternativas que acompanham a demanda por uma agricultura com menor impacto ambiental”, destaca o especialista da ORÍGEO.

 





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Cresce entrega nacional de insumos agrícolas


O mercado brasileiro de fertilizantes manteve trajetória de crescimento em 2025, acompanhando a demanda das principais regiões produtoras e o ritmo da safra. Em setembro, as entregas somaram 5,38 milhões de toneladas, avanço de 11,3% frente ao mesmo mês do ano anterior, quando o volume informado foi de 484 milhões de toneladas. No acumulado de janeiro a setembro, o total atingiu 35,86 milhões de toneladas, alta de 9,3% em relação ao mesmo período de 2024, que havia registrado 32,80 milhões de toneladas.

A distribuição permaneceu concentrada nos estados de maior peso agrícola. Mato Grosso liderou o consumo ao alcançar 22,5% do total nacional, o equivalente a 8,08 milhões de toneladas. Paraná registrou 4,51 milhões de toneladas, seguido por São Paulo, com 3,74 milhões, e Rio Grande do Sul, com 3,54 milhões. Goiás chegou a 3,53 milhões de toneladas, enquanto Minas Gerais contabilizou 3,22 milhões e Bahia registrou 2,43 milhões de toneladas.

A produção nacional de fertilizantes intermediários terminou setembro com 713 mil toneladas, resultado 6,3% superior ao do mesmo mês de 2024. De janeiro a setembro, o volume produzido alcançou 5,57 milhões de toneladas, avanço de 6,6% em comparação às 5,23 milhões do ano anterior. As importações somaram 3,91 milhões de toneladas em setembro, queda de 7,4%. No acumulado, porém, o total importado chegou a 31,49 milhões de toneladas, aumento de 8,4% em relação às 29,05 milhões registradas em 2024. O Porto de Paranaguá respondeu por oito milhões de toneladas, equivalente a 25,5% do total nacional. As informações são da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA).

 





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Produtor trava vendas, mercado estagna e semana fecha com soja parada no Brasil



O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com poucas negociações e apenas leves oscilações nos preços. A liquidez permanece baixa, refletindo a postura retraída dos produtores, que seguem aguardando cotações mais favoráveis antes de avançar com a comercialização. A combinação entre dólar mais fraco e recuos na Bolsa de Chicago reduziu ainda mais o ritmo dos negócios no país.

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Números da soja

  • Passo Fundo (RS): saca abriu a R$ 136,00 e fechou a R$ 137,00
  • Cascavel (PR): preço subiu de R$ 135,00 para R$ 136,00
  • Rondonópolis (MT): cotação avançou de R$ 124,00 para R$ 125,00
  • Porto de Paranaguá (PR): preço recuou de R$ 142,00 para R$ 141,50

Chicago

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos com vencimento em janeiro recuaram 1,67%, negociados a US$ 11,18 2/4 por bushel na sexta-feira, 5. A lentidão das compras chinesas nos Estados Unidos, somada ao bom desempenho das lavouras sul-americanas, pressionou os preços internacionais ao longo da semana.

Mesmo com o acordo entre Pequim e Washington para negociar 12 milhões de toneladas até dezembro, a competitividade da soja sul-americana continua limitando retomadas mais fortes no mercado norte-americano. Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, o cronograma está sendo cumprido, mas o volume total só deve ser alcançado em fevereiro.

As recentes chuvas regularizaram o desenvolvimento das lavouras no Brasil e na Argentina, favorecendo projeções de safras robustas nos dois países. Com oferta ampla e preços mais atrativos, principalmente para a China, o cenário segue pressionando o mercado internacional e retardando movimentos mais agressivos de compra.

Safra 2025/26

Para a safra 2025/26, a produção brasileira de soja é estimada em 178,76 milhões de toneladas, segundo a Safras & Mercado, aumento de 4% em relação ao ciclo anterior, que fechou em 171,84 milhões de toneladas. Apesar do avanço, o número é levemente inferior ao projetado em setembro, quando a expectativa era de 180,92 milhões de toneladas.



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Vômito fossilizado revela nova espécie de pterossauro no Nordeste


A região da Chapada do Araripe, localizada entre os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, no Nordeste do Brasil, surpreendeu o mundo científico com uma descoberta extraordinária: um novo pterossauro, batizado de Bakiribu waridza, a partir de um fóssil proveniente da Bacia do Araripe.

O estudo, publicado na revista Scientific Reports, apresenta o primeiro pterossauro filtrador já registrado nos trópicos e o primeiro representante do grupo Ctenochasmatidae descoberto no Brasil.

O fóssil foi identificado dentro de um regurgito fossilizado, uma massa de ossos e restos alimentares expelida oralmente por um predador há cerca de 110 milhões de anos. O conjunto inclui dois indivíduos de Bakiribu e quatro peixes fossilizados.

De acordo com os pesquisadores, esse raro tipo de preservação revela uma interação direta entre predador e presa, provavelmente resultante da alimentação de um dinossauro.

“Trata-se de uma descoberta única: um pterossauro filtrador encontrado dentro do vômito de um dinossauro. Isso oferece um vislumbre direto das relações ecológicas desse antigo ecossistema”, explica a pesquisadora coordenadora do estudo, Aline Marcele Ghilardi, professora do departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (GEO/UFRN).

Homenagem e identificação do fóssil

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Foto: Aline Ghilardi

O nome da espécie reflete a herança indígena Kariri, povo originário da Chapada do Araripe. Bakiribú significa ‘pente’ e waridzá, ‘boca’, em referência ao arranjo de centenas de dentes finos e alongados que o animal usava para capturar alimento na água, um modo de alimentação semelhante ao dos flamingos modernos.

Com mandíbulas muito longas e centenas de dentes finos e curvados, Bakiribu filtrava pequenos organismos aquáticos, como crustáceos, ou seja, sua estrutura dental representa um estágio intermediário na evolução dos pterossauros filtradores, do grupo Ctenochasmatinae.

A morfologia da espécie combina características de formas europeias e sul-americanas, ajudando a compreender como o comportamento filtrador evoluiu entre os pterossauros.

O fóssil estava guardado há décadas na coleção do Museu Câmara Cascudo (UFRN), em Natal (RN). Durante um levantamento de fósseis de peixes da Bacia do Araripe, o estudante de Biologia William Bruno de Souza Almeida notou que um dos exemplares, originalmente identificado como peixe, era diferente dos demais e procurou sua orientadora, Aline Ghilardi.

Ao observar o material, Aline reconheceu imediatamente a presença de restos de pterossauro, devido à dentição singular, típica dos Ctenochasmatinae, grupo até então não registrado na região.

Além disso, Aline, especialista em icnologia, área que estuda vestígios fósseis como pegadas, fezes e regurgitos, identificou o material como um vômito fossilizado, algo extremamente raro no registro paleontológico. Ela também percebeu a disposição incomum dos ossos, misturados a peixes fossilizados.

Importância científica

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Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN

Em seguida, os estudos começaram com uma equipe multidisciplinar da UFRN, incluindo Claude Aguilar, responsável pela coleção paleontológica do Museu Câmara Cascudo, e Tito Aureliano, pesquisador associado à UFRN e à Universidade Regional do Cariri (URCA).

Nesse sentido, para auxiliar na descrição da nova espécie, os cientistas decidiram convidar os especialistas em pterossauros Rubi V. Pêgas, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZ-USP), e Borja Holgado (URCA/ICP).

O trabalho também incorpora um importante viés ético e decolonial. O material foi dividido entre o Museu Câmara Cascudo (UFRN) e o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens (MPPCN/URCA), em Santana do Cariri (CE), garantindo a preservação da peça no território de origem e evitando práticas de colonialismo científico interno.

Os pesquisadores mantiveram o espécime em estudo em Natal até a publicação do artigo e vão entregá-lo oficialmente ao MPPCN em um evento público programado para o fim deste ano.

“Além do valor científico, essa descoberta reforça o papel dos museus regionais e da ciência feita no Nordeste na produção de conhecimento de ponta”, destaca Tito Aureliano.

A descoberta de Bakiribu waridza adicionou uma nova peça ao mosaico da biodiversidade cretácea do Araripe, uma das regiões mais importantes do planeta para o estudo da vida pré-histórica.

O achado reforça que coleções antigas ainda guardam tesouros ocultos, e que o patrimônio paleontológico brasileiro continua a revelar segredos impressionantes sobre o passado da Terra.

*Com informações da Universidade Federal do Rio Grande do Norte



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Família do interior de SP transforma sonho em projeto de carne premium; confira a história



A história da Família Zanelatti, do município de Oriente, em São Paulo, reflete a realização do sonho de um torneiro mecânico que, com paixão e visão empresarial, transformou sua vida ao fundar um projeto de pecuária de corte de excelência.

Paulo Zanelatti, que iniciou sua carreira como metalúrgico e depois empreendeu na indústria, adquiriu sua primeira propriedade rural por volta do ano 2000, criando a Fazenda Monte Serrat.

O projeto de carne premium da família é um modelo de especialização, focado na cria, recria e terminação de animais Nelore e, principalmente, no cruzamento industrial Angus x Nelore. O objetivo é produzir novilhas precoces e bem acabadas, que atendam à demanda do frigorífico por carne jovem e de alta qualidade.

Confira:

Desenvolvimento da Fazenda Monte Serrat

Em pouco mais de duas décadas, Zanelatti construiu um projeto caprichado. O segredo do sucesso está no foco na recria e engorda, além da qualidade do gado adquirido. A Fazenda Monte Serrat utiliza uma dieta de confinamento baseada em coprodutos da região, otimizando assim o custo e o desempenho.

Para o sucesso no campo, Paulo Zanelatti destacou a importância das ferramentas de trabalho. Em momentos de barro e lama, como os enfrentados pela equipe da Expedição Mitsubishi Triton Katana no confinamento, a robustez e o torque da caminhonete são necessários para “resolver a situação” e garantir a logística da fazenda.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.



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Tecnologias ampliam controle de nematoides no campo



Essa abordagem tem priorizado soluções capazes de atuar diretamente na raíz


Essa abordagem tem priorizado soluções capazes de atuar diretamente no sistema radicular
Essa abordagem tem priorizado soluções capazes de atuar diretamente no sistema radicular – Foto: Emater MG

O avanço de práticas voltadas ao manejo de solo tem impulsionado novas combinações tecnológicas no cultivo de café, especialmente em áreas que buscam melhorar a sanidade e o vigor das plantas. A integração de produtos com diferentes modos de ação começa a ganhar espaço como alternativa para ampliar o controle de agentes que afetam o desenvolvimento radicular e comprometeriam o desempenho das lavouras ao longo dos ciclos. 

Essa abordagem tem priorizado soluções capazes de atuar diretamente no sistema radicular, oferecendo proteção e estimulando a formação de raízes mais ativas, condição vista como essencial para sustentar produtividade em ambientes cada vez mais desafiadores. Nesse contexto, a consultora de vendas da Dipagro, Mariana Michalczuk, iniciou um protocolo no café utilizando Vaniva, produto da Syngenta que reúne ação fungicida e nematicida e incorpora a tecnologia Tymirium. 

De acordo com a consultora, a proposta é explorar a proteção contra nematoides e doenças de solo proporcionada pelo produto, ao mesmo tempo em que se observa seu efeito sobre o fortalecimento das raízes. Para ampliar os resultados, ela associou o Certano, bionematicida indicado para atuar no solo estimulando o desenvolvimento radicular e contribuindo para práticas de manejo consideradas mais sustentáveis dentro dos sistemas produtivos.

A combinação, explica Mariana, busca oferecer controle mais amplo de nematoides e patógenos presentes no solo, resultando em plantas mais resistentes e com maior capacidade de resposta ao longo das etapas de desenvolvimento. A estratégia integra soluções químicas e biológicas em um mesmo protocolo, com o objetivo de sustentar a produtividade e fortalecer a sanidade das lavouras. O acompanhamento das áreas tratadas segue em andamento para avaliar o desempenho das tecnologias e seus efeitos ao longo do ciclo.

 





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Humanos domesticaram mandioca, cacau, tabaco e açaí na Amazônia há 13 mil anos, mostra estudo


A arqueologia da Amazônia vive um processo absolutamente revolucionário. A ideia de um “inferno verde”, que teria sido habitado por uma população escassa, mal alimentada e culturalmente atrasada, foi inteiramente desmentida pela pesquisa arqueológica.

As descobertas realizadas nas últimas décadas mostraram que o território amazônico foi povoado por nada menos do que 8 a 10 milhões de pessoas.

“De maneira muito resumida, sabemos hoje que a presença humana na Amazônia remonta há pelo menos 13 mil anos. A região foi um centro independente de domesticação de plantas. Diversas plantas importantes foram cultivadas pela primeira vez lá. As primeiras cerâmicas das Américas também foram produzidas lá”, comenta o antropólogo Eduardo Góes Neves, professor titular e diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP).

Segundo ele, também há evidências de formas de urbanismo de baixa densidade, de grande diversidade cultural, expressa nas línguas, estilos cerâmicos, sistemas de manejo e formas de ocupação do território. “E de algo que chamo, talvez de maneira ainda um pouco tímida, de produção de abundância, ou seja, de sistemas que não apenas sustentavam populações numerosas, mas criavam paisagens altamente produtivas e biodiversas”, completa.

Conhecer o passado para proteger no presente

Neves é um dos mais importantes pesquisadores sobre o passado da região amazônica, autor de “Sob os Tempos do Equinócio: 8.000 anos de história na Amazônia Central e Arqueologia da Amazônia” e coeditor de “Unknown Amazon: Culture in Nature in Ancient Brazil”, dentre cerca de 130 publicações.

Segundo ele, a arqueologia vem demonstrando que a Amazônia, tal como conhecida hoje, foi profundamente moldada por povos que habitaram a região ao longo de milênios. “Não é apenas um território ‘natural’, mas também cultural e histórico”, disse. E acrescentou que essa revolução científica vem acompanhada de uma urgência política: compreender a história profunda da Amazônia é uma das chaves para protegê-la no presente.

“Aprendemos muito sobre o passado nestes últimos 40 anos. Mas, ao mesmo tempo, perdemos cerca de 20% da Floresta Amazônica brasileira no período. Ser testemunha, de um lado, de um desenvolvimento científico incrível e, de outro, da crise ecológica e social que vivemos hoje é algo muito forte e desafiador. Isso me levou ao lugar em que estou agora: tentar fazer boa pesquisa científica, mas usar esse conhecimento como ferramenta para me envolver com o mundo real e ajudar a prevenir mais destruição na Amazônia”, enfatizou.

Segundo Neves, a arqueologia é uma ferramenta poderosa para entender como chegamos à crise ecológica e social de agora. E para pensar caminhos de saída. “Admitir que a Amazônia foi, de fato, profundamente transformada pela atividade humana ao longo de milênios nos faz pensar que, se quisermos proteger a Amazônia atual, é indispensável levar em conta a ação indígena. Não há outro caminho.”

Domesticação de plantas

MandiocaMandioca
Foto: José Fernando Ogura/AEN

O pesquisador demonstrou seu ponto explorando vários subtemas. Em primeiro lugar o da domesticação de plantas e da agroecologia amazônica. “Se buscarmos a origem de diferentes plantas hoje importantes, localizamos vários centros de domesticação na Amazônia. A mandioca, provavelmente originária do sudoeste amazônico [Rondônia, Mato Grosso, sul da Bolívia], hoje é cultivada em praticamente todo o cinturão tropical do planeta, na América, na África e na Ásia”, conta.

“O cacau, cujas primeiras evidências microbotânicas em sítios arqueológicos foram encontradas no Equador, com cerca de 5 mil anos, deve ter sido domesticado ali, levado depois para a Mesoamérica [México, Guatemala] e hoje é cultivado também na África e em outras regiões. O tabaco, cultivado do norte da Argentina ao Canadá quando os europeus chegaram às Américas, também teve sua região de origem no sudoeste amazônico.”

Mais exemplos importantes: o açaí, provavelmente domesticado pela primeira vez na região da foz amazônica; o guaraná, originário da região de Maués e Parintins; o bacuri e o cupuaçu, também de origem amazônica.

“Ou seja, a Amazônia foi um centro de biodiversidade agrícola. Muitas plantas importantes globalmente foram domesticadas ali. Quando pensamos em agricultura, logo nos vem à mente as monoculturas de grãos: arroz, trigo, milho, soja. Mas, na Amazônia, grande parte das plantas manejadas eram árvores frutíferas; raízes e tubérculos [mandioca, batata-doce, inhame etc.]; e, mais tarde, grãos como o milho, que veio da Mesoamérica e chegou à Amazônia há cerca de 6 mil anos”, informou Neves.

Outro aspecto relevante apontado pelo pesquisador: muitas dessas espécies foram de fato domesticadas, isto é, modificadas geneticamente ao longo do tempo; porém, outras permaneceram silvestres, embora manejadas intensamente. O açaí é um exemplo: hoje fruto central na economia e na alimentação amazônica, permanece uma espécie silvestre, o que obriga a repensar o conceito de domesticação.

“Na arqueologia, o termo ‘Neolítico’ costuma designar o momento em que deixamos de ser caçadores-coletores e nos tornamos agricultores. A domesticação de plantas e animais, segundo esse modelo, seria um passo fundamental, uma forma de impor uma ordem cultural à natureza. Porém, quando começamos a olhar os dados amazônicos, vimos algo diferente: sistemas agroecológicos em que plantas domesticadas convivem com plantas silvestres manejadas”, conta.

“Houve um momento em que alguns de nós pensaram: ‘Nem Neolítico a gente ‘produziu’ aqui direito. Que fracasso!’. Mas, reinterpretando, percebemos que se trata de outro modelo: um gradiente entre o doméstico e o silvestre, em sistemas altamente diversos e resilientes, que funcionam há pelo menos 6 mil anos e ajudaram a produzir a Amazônia que conhecemos hoje”, diz Neves.

Prazer em cultivar

O especialista lembra de um texto da antropóloga Manuela Carneiro da Cunha sobre a diversidade de plantas em roças e quintais indígenas. “Se você entra em um jardim indígena ou em um quintal tradicional amazônico, a quantidade de espécies cultivadas é impressionante. Isso não se explica apenas por uma necessidade ecológica de produzir comida. Há um valor estético, um prazer em cultivar um espaço exuberante, cheio de vida. Se há alguma lição que podemos trazer da arqueologia para o presente, talvez seja essa: pensar sistemas produtivos que incorporam a natureza, em vez de tentar impor uma ordem cultural totalmente rígida, que elimina a diversidade”, sublinhou.

O pesquisador explorou também o subtema das terras pretas de índio: solos antropogênicos construídos ao longo de milênios. “Essas terras cobrem entre 2% e 3% da Amazônia, uma área enorme, equivalente à do estado do Rio de Janeiro. Em escavações, vemos perfis com camadas de solo muito escuro, repletas de fragmentos de cerâmica, carvão, restos orgânicos. São solos extremamente produtivos e estáveis”, destaca.

Ele lembra que solos tropicais, em geral, sofrem lixiviação intensa, perdem nutrientes rapidamente e precisam ser adubados a cada dois ou três anos. “As terras pretas, ao contrário, mantêm sua fertilidade por séculos, até milênios. Sabemos que as terras pretas foram produzidas por povos indígenas, com acúmulo de restos de comida, resíduos orgânicos, cerâmica quebrada, estruturas de combustão etc. E hoje elas são muito importantes para comunidades contemporâneas.”

Um exemplo: a terra preta existente na Terra Indígena Tenharim. “A Terra Indígena Tenharim é uma das poucas áreas de floresta preservada no que chamamos de arco do desmatamento. Trabalhamos diretamente com eles. Os Tenharim passaram por um processo muito difícil: com a abertura da rodovia Transamazônica, nos anos 1970, houve muita violência, doenças, mortes. Alguns grupos se refugiaram na floresta e permaneceram em isolamento; outros foram pressionados para viver próximos à estrada”, conta.

Neves destaca que uma prática central para os Tenharim é a produção de um certo tipo de pamonha de milho. “Eles plantam grandes roças de milho e fazem esse alimento, que é parte essencial de sua identidade. Dizem que, enquanto puderem plantar milho e produzir sua pamonha, resistirão como grupo autônomo na Amazônia. Onde eles plantam esse milho? Em sítios arqueológicos com terras pretas. Eles sabem que não foram eles que produziram aquele solo tão fértil, que outras pessoas viveram ali no passado, e aproveitam essa herança para sustentar sua vida hoje. Então, vemos uma ligação direta entre transformações indígenas da natureza no passado e o uso contemporâneo desses mesmos lugares”, relatou.

Relevos construídos por ação humana

Durante muito tempo, estruturas amazônicas de origem antrópica foram confundidas com formações naturais: montículos, ilhas artificiais, plataformas e canais eram interpretados como relevos geológicos. A arqueologia recente mostrou o contrário. Um exemplo são as estruturas chamadas de tesos ou montículos artificiais, muitas vezes comparadas a sambaquis de terra. Neves relatou várias ocorrências desse tipo de formação, como o sítio Teso dos Bichos, na Ilha do Marajó, com cerca de 250 metros de extensão, todo ele construído por ação humana.

No Acre, outros tipos de sítio, com geoglifos, vêm sendo descobertos. “Em fotos de satélite, eles aparecem como grandes figuras geométricas, quadrados, círculos e retângulos marcados no solo. Esses lugares estavam cobertos por floresta até a década de 1970. Com o desmatamento, as formas ficaram visíveis.

O professor Alceu Ranzi, da Universidade Federal do Acre, foi um dos primeiros a registrar essas estruturas. Hoje conhecemos mais de mil geoglifos, graças a imagens de satélite, Google Earth e LIDAR [light detection and ranging, uma tecnologia óptica de detecção remota]. Na Bolívia deve haver tantos ou mais”, expôs Neves.

E disse que essas estruturas não são figuras isoladas. Há montículos residenciais, organizados em torno de praças centrais. As imagens mostram também estradas lineares retas, conectando diferentes sítios, em escala de quilômetros.

A tecnologia Lidar, baseada em pulsos de laser emitidos de drones ou aviões, revolucionou o estudo de áreas florestadas. O método permite ultrapassar a copa das árvores e revelar o que estava escondido no solo. Estruturas impressionantes já foram descobertas por esse meio no Equador e na Bolívia. Algumas também no Brasil. Foi nesse contexto que surgiu o projeto “Amazônia Revelada” (Amazon Revealed), coordenado por Neves e financiado pela National Geographic Society.

Antes de começarem a sobrevoar a área, ele e sua equipe fizeram algo que consideram fundamental: “Fomos a campo conversar com as comunidades que vivem nesses territórios – povos indígenas, ribeirinhos, pequenos agricultores. Explicamos o que era o projeto, discutimos prós e contras e pedimos autorização. Isso é importante para não reproduzir um modelo colonial de pesquisadores, que “chegam com dinheiro, voam, produzem artigos e vão embora”.

Um dos resultados já obtidos foi descobrir uma grande estrutura geométrica totalmente coberta por floresta, do tamanho do estádio do Maracanã, mas de formato quadrado. “Na região da Terra do Meio, no Pará, entre o rio Tapajós e a Transamazônica, sobrevoamos um tributário de um tributário do Amazonas, sem esperar grandes achados. Mas o Lidar mostrou pequenas elevações circulares e marcas no relevo. Fomos a campo, escavamos e encontramos evidências de antigas aldeias: casas já desaparecidas, mas com montículos ao redor de praças centrais, solos escurecidos, cerâmica e carvão”, contou.

O pesquisador conseguiu, agora, apoio filantrópico para continuar e trabalhar, entre outras áreas, ao longo da BR-319, a estrada que liga Manaus a Porto Velho. Há fortes pressões para reabri-la completamente, o que pode ter impactos enormes.

“Nosso objetivo é usar a arqueologia como uma espécie de ativismo científico, orientando a pesquisa a partir de problemas políticos e ambientais concretos. É isso que pretendo fazer com o tempo que ainda tenho de carreira: usar minha experiência como arqueólogo e professor para tentar fazer da arqueologia uma alternativa para o futuro, não apenas um estudo do passado”, concluiu.

*Sob supervisão de Victor Faverin



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