domingo, março 15, 2026

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Exportações caem para UE, mas crescem aos EUA



Exportações crescem para os EUA e caem para a UE, pressionando preços da laranja


Foto: Agrolink

Dados do Comex Stat/Mdic analisados pelo Cepea mostram que, no balanço dos cinco primeiros meses da safra 2025/26 (de julho/25 a novembro/25), as exportações brasileiras de suco de laranja avançaram para os Estados Unidos, mas caíram à União Europeia, tradicionalmente o maior destino da commodity nacional. 

Os EUA receberam 162,8 mil toneladas de suco equivalente concentrado (66° Brix) entre julho e novembro, volume 25,9% superior ao registrado nos mesmos meses da temporada anterior. Já a União Europeia foi destino de 160,6 mil toneladas no período, recuo de 25,5%. Segundo pesquisadores do Cepea, a boa qualidade do suco da safra 2025/26 e a demanda da União Europeia enfraquecida têm resultado em recomposição dos estoques da commodity na indústria brasileira – e isso vem gerando pressão sobre os valores da laranja pagos ao produtor. 

De 15 a 18 de dezembro, a pera de mesa na árvore foi comercializada à média de R$ 46,58/cx de 40,8 kg, queda de 11,45% em relação à da semana anterior. 





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Virada do ano pode ser chuvosa com precipitações acima de 100 mm em curto período; saiba onde chove


alerta amarelo, previsão do tempo, chuvas intensas
Previsão do tempo. Foto: Sistema Faep

A previsão do tempo aponta, de modo geral, um cenário favorável de umidade do solo nas principais áreas produtoras de soja do Brasil. O Centro-Oeste, Sudeste e boa parte da região Sul seguem com bons níveis de umidade.

No Matopiba, ainda é necessária a ocorrência de mais chuvas, especialmente no centro-norte da Bahia e na porção mais leste do Piauí, embora o quadro geral também seja considerado positivo.

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Nos próximos dias, as chuvas avançam com bons volumes sobre o Matopiba, contribuindo para a recomposição da umidade do solo. Mato Grosso, Goiás e o estado do Pará seguem recebendo precipitações regulares, com acumulados entre 50 e 70 milímetros, podendo ultrapassar 100 milímetros nas áreas indicadas em verde nos mapas meteorológicos.

Até 200 mm de chuvas

A principal preocupação se concentra no Rio Grande do Sul. Entre domingo (21) e terça-feira (22), são esperados acumulados em curto período, que podem superar os 150 milímetros e chegar a 200 milímetro. Esse volume excessivo tende a prejudicar os trabalhos em campo e aumenta o risco de lixiviação de nutrientes, especialmente na porção oeste do estado.

Semana do Natal

Na semana do Natal, entre os dias 25 e 29, a chuva retorna ao Paraná, São Paulo e ao centro-sul de Minas Gerais, com destaque para o Triângulo Mineiro. Nesse período, os acumulados devem variar entre 30 e 40 milímetros em cinco dias, ajudando a manter a boa umidade do solo e favorecendo o desenvolvimento das lavouras.

O tempo no fim do ano

O padrão mais úmido no Sudeste se estende até a virada do ano. Entre 30 de dezembro e 3 de janeiro, as chuvas permanecem em Minas Gerais, avançando para o centro-norte do estado, com volumes mais expressivos no Espírito Santo e também no Paraná, onde os acumulados em cinco dias podem ultrapassar 100 milímetros.

Apesar de uma semana um pouco mais quente e seca em partes do Matopiba, centro-sul do Pará e Mato Grosso, essas regiões seguem com boa umidade do solo. Na virada do ano, o cenário favorece o manejo do solo e a realização de tratos fitossanitários, principalmente no centro-norte do país.

Você quer entender como usar o clima a seu favor? Preparamos um e-book exclusivo para ajudar produtores rurais a se antecipar às mudanças do tempo e planejar melhor suas ações. Com base em previsões meteorológicas confiáveis, ele oferece orientações práticas para proteger sua lavoura e otimizar seus resultados.

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Plano Recupera Rural RS encerra ações de 2025


A comunidade de Arroio do Ouro, em Estrela/RS, recebeu no dia 2 de dezembro o evento que marcou o encerramento das ações do Plano Recupera Rural RS em 2025 na região e definiu, de forma coletiva, os rumos para o próximo ano. A “Oficina de Planejamento Participativo 2026” reuniu 81 participantes, entre agricultores, lideranças locais e representantes de instituições públicas, entre elas: Emater, Prefeitura Municipal de Estrela, Secretaria de Qualidade Ambiental de Estrela, Instituto Retomada RS, Univates, Associação de Moradores de Arroio do Ouro, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Estrela, Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Sicredi, Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (SEMA-RS) e Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ). O encontro foi motivado pelo cenário ainda sensível na região, fortemente impactada pelas enchentes de novembro de 2023 e maio de 2024 e pelas ações implementadas pelo Recupera RS ao longo do ano. 

Abertura e balanço das ações de 2025

A programação teve início às 8h, com a formação da mesa de autoridades, que contou com a presença da prefeita de Estrela, Carine Schwingel; do chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Leonardo Dutra; do representante da Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura do Estado, Valmir Zanatta; o chefe do escritório da Emater/RS-Ascar de Estrela, Álvaro Trierweiler; da representante do Instituto Retomada, Virgínia Pies; do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Rogério Heemann; da representante do Sicredi, Neiva Huwe; e do produtor rural Fernando Mallmann. Todas as lideranças presentes ressaltaram a relevância da iniciativa e reforçaram o compromisso coletivo em apoiar a reconstrução das famílias, especialmente aquelas que tiveram suas propriedades e rotinas profundamente afetadas pelos desastres climáticos. O chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Leonardo Dutra, reforçou a importância da escuta das famílias e do fortalecimento da resiliência produtiva: 

“Estamos em uma comunidade que sofreu muito. Hoje, depois de um ano de trabalho dentro do Plano Recupera Rural RS, estamos apresentando para as famílias as ações executadas até aqui. Nosso objetivo é não apenas apoiar a recuperação imediata, mas fortalecer a resiliência dos sistemas produtivos diante das mudanças climáticas que já estão em curso, de forma participativa, ouvindo a comunidade para poder avançar.”

Após os pronunciamentos, equipes da Embrapa, que integram a Plataforma Colaborativa Sul, responsável pela execução do Plano Recupera Rural RS, e Emater, apresentaram as ações desenvolvidas em 2025 na localidade, envolvendo manejo do solo, restauração ambiental, qualidade da água e adaptações produtivas realizadas em parceria com agricultores atingidos.

O coordenador do Plano Recupera Rural RS, Ernestino Guarino, destacou que o evento foi um espaço essencial de devolutivas e escuta: “Estamos trazendo para a comunidade resultados concretos de 2025, como práticas de manejo conservacionista do solo, orientações que ajudam o agricultor a garantir maior infiltração da água da chuva, ações de restauração das margens do rio com sistemas agroflorestais e estudos sobre a qualidade da água dos poços profundos. São iniciativas construídas com parceiros como a Emater, Fiocruz e secretarias de Meio Ambiente.” Sobre os desafios ainda presentes, Guarino reforçou:

“Os resultados são positivos, mas ainda há muitos desafios, especialmente nas áreas onde houve deposição de areia e na recuperação produtiva das margens do rio. Esses desafios exigem continuidade da pesquisa e, principalmente, o protagonismo dos agricultores para que possamos avançar na adaptação às mudanças climáticas”.

Comunidade participa do planejamento para 2026

Os participantes foram divididos entre grupos de agricultores e grupos institucionais para dar início a dinâmica participativa. Cada grupo trabalhou com base em perguntas norteadoras que orientaram a construção dos resultados: no grupo das instituições, a reflexão partiu da questão “Quais capacidades, recursos e competências cada instituição pode mobilizar para fortalecer a comunidade e ampliar sua resiliência diante de eventos climáticos extremos?” Já os agricultores foram convidados a responder “Quais os desafios e prioridades a comunidade identifica para fortalecer sua recuperação e resiliência, e que tipos de apoio seriam mais úteis das instituições presentes?”

A partir dessas discussões, foram formadas “nuvens de palavras” que sintetizaram as percepções coletivas e serviram como base para organizar demandas em eixos temáticos. Eloi Wermann, produtor rural de Arroio do Ouro, que perdeu toda a sua produção leiteira na catástrofe e participou do evento, fez um relato sobre a sua situação atual: “Os animais foram todos embora. De 140 animais, sobraram só 11 vivos. Destruiu a ordenhadeira, não teve nada inteiro. Foram 40 anos investindo na propriedade, na área do leite. Em questão de 10 horas, não tinha mais nada.” Ao refletir sobre os caminhos para reconstrução, Eloi destacou aquilo que considera essencial: “Acho que a partir de agora o principal para a gente poder se reerguer é que as nossas dívidas sejam cobradas de forma mais acessível. Que a gente consiga empréstimos com juros baixos ou que tenha programas do governo que façam com que a gente consiga retomar a atividade de forma fácil e integrada. Outra coisa primordial é que as estradas de terra continuem sendo bem mantidas.”  Para Pedro Coletti, também agricultor da localidade, é fundamental que a presença dos órgãos públicos permaneça na comunidade. “Para nós, aqui da comunidade, é muito importante que os órgãos públicos continuem presentes. Esse tipo de ação que estamos vivendo hoje — as visitas técnicas nas propriedades, as pesquisas para melhorar a infiltração da água no solo — precisa seguir por mais tempo. Mesmo quando a catástrofe do ano passado deixar de ser assunto recente, a gente ainda vai precisar desse acompanhamento de perto por muito tempo”.

Escuta ativa fortalece vínculo entre comunidade e poder público

O vice-prefeito de Estrela, Márcio Mallmann, destacou a importância da dinâmica participativa e da aproximação entre instituições e agricultores. Para ele, a iniciativa representa um marco para o município: “Nós ficamos muito felizes e nos sentimos acolhidos pela Embrapa e pelas instituições quando vêm até aqui e prestam esse auxílio, não apenas técnico, mas de escuta. Isso faz diferença para pensarmos o futuro de forma assertiva. Quando as demandas partem da comunidade, elas tendem a dar certo.” Mallmann recordou ações anteriores de apoio emocional e organizativo após a enchente, reforçando o papel da escuta comunitária. Ele também refletiu sobre a importância de manter a conexão entre agricultores e poder público: “Muitas vezes as pessoas, aqui, têm dificuldade de pedir ajuda, porque sempre foram aquelas que ajudavam a construir a igreja, a escola, a comunidade. Agora precisam ser ajudadas, e isso é um exercício. Quando a gente escuta, esse processo fica mais fácil. No que o município puder ser parceiro, estaremos juntos com a Embrapa e demais órgãos.” O biólogo Rafael Meneghini, servidor da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Estrela, reforçou a importância da atuação conjunta das instituições: “Sou funcionário público municipal há mais de 16 anos e nunca tivemos a presença tão forte de instituições importantes como a Embrapa a Fiocruz. Consideramos de altíssima relevância este evento para a comunidade e para a nossa cidade. Ter acesso à tecnologia e ao corpo técnico especializado da Embrapa para restabelecer a atividade rural, aliado à recuperação ambiental e ao entendimento das pessoas, é tudo o que o município necessita neste momento. Esperamos, em breve, colher frutos para podermos replicar essas ideias em toda a bacia do rio Taquari.”

Dinâmica define ações e responsabilidades

A segunda parte das atividades começaram após o almoço, a dinâmica “Rio do Tempo” transformou as demandas levantadas em um cronograma coletivo de ações para 2026. Cada iniciativa foi representada por barcos de papel conduzidos por instituições “capitãs”, com participação de demais entidades e moradores como “tripulantes”. O processo colaborativo permitiu visualizar o fluxo das ações ao longo do ano, fortalecendo o compromisso conjunto entre comunidade e instituições parceiras.

O encontro resultou na proposição de seis ações principais para o próximo ano, elaboradas com base nas demandas levantadas pelos sete grupos de agricultores e pelas instituições parceiras. Entre os encaminhamentos, destacaram-se:

• Crédito rural e flexibilização das dívidas adquiridas pelos produtores, após a enchente;

• Manutenção constante das estradas rurais do município e recolhimento dos entulhos acumulados em algumas vias, após a catástrofe na região;

• Fortalecimento da Unidade de Aprendizagem Coletiva (UAC) Arroio do Ouro;

• Implantação e ampliação de Unidades de Referência Tecnológica (URTs);

• Continuidade das ações de restauração produtiva e ambiental;

• Apoio articulado entre instituições para fortalecimento da resiliência local.

Encerrada às 17h, a oficina reafirmou o compromisso conjunto de reconstrução sustentável no Vale do Taquari. Com o planejamento construído de forma participativa, 2026 inicia com agenda integrada entre a comunidade e instituições, fortalecendo capacidades locais e ampliando a preparação para futuros eventos climáticos extremos. O Plano Recupera Rural RS integra a Plataforma Colaborativa Sul para Mitigação de Efeitos Climáticos Adversos na Agropecuária, uma iniciativa da do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em parceria com a Embrapa. Todas as ações aqui apresentadas visam construir resiliência e adaptação às mudanças climáticas para um futuro mais seguro e sustentável.





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Marco temporal cai no STF: decisão abandona indígenas e amplia insegurança no campo


STF
Foto: STF/divulgação

A decisão do Supremo Tribunal Federal de concluir a votação e derrubar o marco temporal na questão indígena revela muito mais um posicionamento político do que uma solução técnica ou verdadeiramente eficaz para os povos originários. Ao permitir a ampliação indefinida de demarcações, independentemente do marco constitucional de 1988, o STF não resolve o problema central dos indígenas, apenas muda o discurso.

Hoje, cerca de 14% do território brasileiro já está destinado a terras indígenas. Ainda assim, a realidade nessas áreas é dura e amplamente conhecida: crianças passando fome, doenças sem atendimento adequado, ausência do Estado, avanço do crime organizado, invasões por garimpeiros, desmatadores e pescadores ilegais. A expansão territorial, por si só, não gerou cidadania, dignidade ou integração social.

Ao contrário, essa lógica acaba transformando a questão indígena em instrumento de interesses externos, especialmente de ONGs que operam politicamente o tema, utilizam comunidades como massa de manobra e captam recursos internacionais em nome de uma causa que, na prática, pouco melhora a vida de quem vive nas reservas. Quanto mais terra, menos Estado. Quanto menos Estado, mais dependência.

É preciso dizer com clareza: o Brasil não tem hoje capacidade financeira nem administrativa para manter essas áreas com dignidade. O país enfrenta graves restrições fiscais, não consegue garantir serviços básicos em grande parte do território e tampouco dispõe de recursos para indenizar, de forma justa e célere, produtores rurais que eventualmente tenham suas terras desapropriadas. Decisões desconectadas da realidade fiscal apenas ampliam conflitos e frustrações.

Mesmo partindo de boas intenções, preservar culturas, respeitar direitos históricos e proteger povos originários, a decisão do STF caminha no sentido oposto. Ao privilegiar uma leitura política da Constituição, ignora a necessidade de políticas públicas concretas: educação, saúde, segurança, integração produtiva e presença efetiva do Estado dentro das terras já existentes.

O efeito colateral é imediato. A insegurança jurídica aumenta, investimentos no campo tendem a ser adiados ou cancelados, e o agronegócio, principal motor da economia brasileira, responsável por emprego, renda, exportações e superávit comercial, passa a operar sob um risco adicional. Não se trata de conflito entre produtores e indígenas, mas de ausência de uma política séria e responsável.

O Senado tenta agora construir uma alternativa legislativa que reequilibre essa equação. Resta saber se esse embate institucional conseguirá produzir uma lei que dê segurança jurídica, respeito aos indígenas e viabilidade econômica. O que está claro é que decisões políticas travestidas de soluções jurídicas não resolvem o problema indígena e ainda criam novos passivos para o Brasil.

No fim, ao derrubar o marco temporal, o Supremo não fortaleceu os povos originários. Pelo contrário: afastou ainda mais o Estado, ampliou a dependência e fragilizou tanto os indígenas quanto o campo brasileiro.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Soja e biodiesel impulsionam PIB e reforçam peso da cadeia na economia em 2025


soja lavoura
Foto: Abiove

O crescimento do PIB da cadeia da soja e do biodiesel em 2025 passou por nova revisão positiva após o avanço da agroindústria no terceiro trimestre. O desempenho foi impulsionado, principalmente, pela melhora no segmento de esmagamento de soja e pela aceleração da produção de biodiesel, associada à entrada do B15 a partir de 1º de agosto.

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Estudos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Abiove, indicam que o PIB da cadeia da soja e do biodiesel pode crescer expressivos 11,66% em 2025. A estimativa representa uma elevação de 0,37 ponto percentual em relação ao relatório anterior, refletindo o avanço da agroindústria e seus efeitos positivos sobre os agrosserviços.

De modo geral, a colheita de uma safra recorde de soja em 2024/25 e o maior processamento do grão pela indústria sustentam a projeção de forte expansão da cadeia em 2025. Com esse desempenho, o PIB da cadeia da soja e do biodiesel deve representar cerca de 23% do PIB do agronegócio brasileiro e 5,7% do PIB nacional.

Apesar do crescimento, pesquisadores do Cepea/Abiove alertam que a variação dos preços relativos da cadeia tornou-se negativa após novas quedas registradas no terceiro trimestre. Entre janeiro e setembro de 2024 e o mesmo período de 2025, os preços da cadeia produtiva recuaram 7,27%, pior resultado frente à estimativa anterior, que indicava estabilidade. Esse movimento foi influenciado pelo efeito de base de comparação, já que no terceiro trimestre de 2024 houve forte elevação de preços.

Esse cenário levou a uma revisão para baixo da estimativa de crescimento da renda da cadeia da soja e do biodiesel. Ainda assim, a expansão dos volumes produzidos garante avanço, com previsão de alta de 3,54% na renda em 2025, interrompendo uma sequência de três anos consecutivos de queda.

Os dados também reforçam a importância do processamento industrial da soja. Segundo o Cepea/Abiove, o PIB gerado por tonelada de soja produzida e processada pode ser 4,2 vezes maior do que aquele obtido com a soja exportada diretamente em grão.

Mercado de trabalho

No terceiro trimestre de 2025, o número de pessoas ocupadas na cadeia da soja e do biodiesel cresceu 7,15% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 2,39 milhões de trabalhadores. A cadeia passou a responder por 2,34% da economia brasileira e 10,35% do emprego no agronegócio.

O aumento das ocupações foi puxado, principalmente, pelos segmentos antes da porteira e pelos agrosserviços. O setor de insumos registrou crescimento de 7,09% no número de trabalhadores, impulsionado pela ampliação da área de soja e pelo maior uso de tecnologia. Nos agrosserviços, a alta foi ainda mais expressiva, de 12,08%, refletindo o aumento da produção física e do processamento do grão.

Por outro lado, houve redução das ocupações dentro da porteira e nas agroindústrias. Na produção de soja, a queda foi de 6,98%, com destaque para o Rio Grande do Sul, que perdeu mais de 26 mil postos de trabalho em razão da quebra de safra causada por problemas climáticos. Na agroindústria, as reduções nos segmentos de rações e de esmagamento e refino não foram compensadas pelo leve crescimento observado na indústria de biodiesel.

Comércio exterior

As exportações brasileiras da cadeia da soja e do biodiesel somaram 35,54 milhões de toneladas no terceiro trimestre de 2025, aumento de 11,78% em relação ao mesmo período de 2024. A receita alcançou US$ 14,5 bilhões, alta de 4,47% na comparação anual, avanço mais moderado devido aos menores preços internacionais da soja em grão e do farelo.

A pressão sobre os preços decorreu da ampla oferta global, apesar da demanda firme. Para a safra 2025/26, no entanto, as projeções indicam mudança na tendência de disponibilidade mundial, com expectativa de queda na produção.

No caso da soja em grão, os embarques cresceram principalmente para a China e o Sudeste Asiático. Já o farelo teve aumento das exportações para a União Europeia e o Leste Asiático. Em contrapartida, o óleo de soja registrou redução dos volumes exportados, influenciado pela forte demanda doméstica.

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MP libera R$ 59 mi para socorro a famílias atingidas por tornado e chuvas no Paraná



Paraná recebe R$ 59,3 mi para famílias afetadas por clima extremo


Foto: Canva

A Presidência da República liberou R$ 59,3 milhões extras para o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome enfrentar danos causados por desastres climáticos no Paraná. Para isso, publicou nesta sexta-feira (19) a Medida Provisória (MP) 1.329/2025, que disponibiliza o crédito extraordinário.

O estado registrou na primavera deste ano 224 ocorrências climáticas, mais que o dobro em relação ao ano passado. A conta inclui o tornado que atingiu o município de Rio Bonito do Iguaçu em novembro, além de vendavais, granizo e chuvas intensas.

A maior parte dos recursos é destinada para segurança alimentar, com R$ 23 milhões para apoiar a produção rural de povos indígenas e agricultores familiares, por exemplo. Cerca de 5 mil famílias poderão ser atendidas. Outros R$ 22,5 milhões serão destinados à compra e distribuição de alimentos para 1,5 mil famílias.

O restante do valor poderá ser transferido aos fundos de assistência social dos municípios paranaenses. A medida provisória autoriza a transferência de R$ 8 milhões para os municípios realizarem ações de proteção social. Além disso, R$ 5,7 milhões estarão disponíveis para fortalecer o Sistema Único de Assistência Social no estado.

Os créditos extraordinários são liberados em situações de urgência e permitem o uso dos recursos de imediato. Ainda assim, o Congresso Nacional deve analisar a MP no máximo em 120 dias. Se aprovada, a medida se converte em lei, o que mantém o valor disponível ao Poder Executivo durante o ano. Caso contrário, o governo federal dispõe do valor apenas durante o tempo de vigência da medida provisória.

 





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CMN amplia crédito rural e apoio a produtores afetados por eventos climáticos


dinheiro, inflação, salário-mínimo
Dinheiro, Real Moeda brasileira

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, nesta quinta-feira (18), um conjunto de quatro medidas voltadas ao setor agropecuário, apresentadas pelo Ministério da Fazenda, com impacto direto sobre o crédito rural, o Pronaf, os preços de garantia da agricultura familiar e o apoio a produtores afetados por eventos climáticos extremos.

As decisões, segundo o governo, buscam ampliar o acesso ao financiamento, alinhar o crédito às exigências socioambientais e oferecer instrumentos para a renegociação de dívidas de produtores que sofreram perdas recentes na produção.

Crédito rural passa por ajustes ambientais e climáticos

Entre as medidas aprovadas, o CMN atualizou as regras relacionadas a impedimentos sociais, ambientais e climáticos para a concessão de crédito rural. As mudanças visam integrar o financiamento agropecuário às políticas de conservação ambiental, sem restringir o acesso ao crédito de forma imediata.

Uma das principais alterações permite que, até 30 de junho de 2028, agricultores familiares beneficiários do Pronaf e pertencentes a povos e comunidades tradicionais possam acessar crédito mesmo na ausência de plano de manejo publicado em Unidades de Conservação, desde que haja anuência do órgão gestor.

O conselho também definiu exceções para imóveis rurais privados localizados em áreas classificadas como Florestas Públicas Não Destinadas, ajustando critérios fundiários e padronizando a análise técnica.

Já a exigência de verificação de desmatamento ilegal após julho de 2019 foi adiada. Para imóveis acima de quatro módulos fiscais, a regra passa a valer em abril de 2026. Para agricultores familiares e propriedades menores, a exigência será aplicada a partir de janeiro de 2027, dando prazo para adaptação de produtores e instituições financeiras.

Preços de garantia do PGPAF são reajustados

O CMN também aprovou o reajuste dos preços de garantia do Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF), válido entre janeiro de 2026 e janeiro de 2027. O programa assegura cobertura dos custos variáveis de produção para agricultores familiares que acessam crédito pelo Pronaf.

Quando o preço de mercado fica abaixo do valor de garantia, o produtor adimplente tem direito a desconto nas parcelas do financiamento, limitado a R$ 5 mil por ano agrícola em operações de custeio e R$ 2 mil em investimentos.

Pronaf tem mudanças para ampliar acesso ao crédito

Outra decisão envolve ajustes nas regras do Pronaf, com foco nos beneficiários do Microcrédito Produtivo Rural (Grupo B). Entre as mudanças, está a autorização para que o pagamento de serviços de assistência técnica seja feito diretamente pelas instituições financeiras, desde que previsto no projeto de crédito.

O CMN também reabriu, até 30 de julho de 2027, o prazo para contratação de crédito de custeio agrícola que havia se encerrado em junho deste ano. Além disso, foi ampliado, até 30 de junho de 2026, o limite de financiamento para construção ou reforma de instalações sanitárias, que passa de R$ 3 mil para R$ 5 mil.

Crédito é ampliado para produtores afetados por eventos climáticos

O colegiado ainda ampliou a linha de crédito destinada a produtores rurais prejudicados por eventos climáticos adversos, como secas e enchentes. A medida permite a liquidação ou amortização de dívidas relacionadas a operações de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPR) contratadas entre julho de 2024 e junho de 2025.

A mudança contempla tanto operações inadimplentes quanto aquelas que já passaram por renegociação, desde que a situação da dívida tenha sido registrada até 15 de dezembro de 2025. O objetivo é oferecer fôlego financeiro aos produtores que enfrentaram perdas significativas na safra recente.

Composição do CMN

O Conselho Monetário Nacional é presidido pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e conta com a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.

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Brasil conquista quatro novos mercados para a exportação de feijão


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Foto: Ibrafe

O governo brasileiro concluiu negociações sanitárias que autorizam a exportação de feijão comum e feijão fradinho para Armênia, Belarus, Cazaquistão e Quirguistão. A medida amplia o acesso do produto nacional a mercados da União Econômica Euroasiática.

A abertura foi confirmada nesta quinta-feira (18) em nota conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Com o avanço, o Brasil soma 519 novas oportunidades comerciais desde o início de 2023.

Os quatro países concentram cerca de 36 milhões de habitantes e já mantêm fluxo comercial com o Brasil. Em 2024, as exportações brasileiras para esses destinos totalizaram aproximadamente US$ 38 milhões.

Requisitos sanitários viabilizam exportações

As negociações envolveram a definição de exigências fitossanitárias, que são regras sanitárias voltadas à prevenção de pragas e doenças agrícolas. Esses critérios são obrigatórios para o comércio internacional de produtos vegetais.

Com a conclusão do processo, exportadores brasileiros passam a ter segurança jurídica para atender os mercados da Armênia, Belarus, Cazaquistão e Quirguistão. A Armênia aparece como principal destino atual das vendas brasileiras ao grupo, com compras superiores a US$ 26 milhões no último ano.

Segundo o Mapa, a habilitação reforça a estratégia de diversificação de mercados e reduz a dependência de destinos tradicionais. O trabalho técnico envolveu análises documentais, trocas de informações sanitárias e alinhamento de protocolos entre as autoridades.

Potencial do feijão brasileiro no mercado externo

O feijão comum é um dos alimentos mais tradicionais da produção agrícola brasileira. Além do consumo interno, o produto apresenta ampla aceitação em diferentes regiões, atendendo tanto o varejo quanto a indústria de alimentos.

Já o feijão fradinho tem peso relevante nas regiões Norte e Nordeste do país. A cultura é associada à geração de renda para pequenos produtores e à valorização de sistemas produtivos regionais.

Para o governo, a ampliação de mercados cria novas possibilidades comerciais para produtos com oferta consolidada no Brasil. A expectativa é que a abertura estimule o escoamento da produção e gere oportunidades ao longo da cadeia.

Atuação conjunta do governo

O avanço é resultado da atuação coordenada entre o Mapa, responsável pelas negociações sanitárias, e o MRE, que conduz o diálogo diplomático. A estratégia busca alinhar interesses comerciais e técnicos.

Segundo a nota oficial, a agenda de abertura de mercados segue como prioridade. O objetivo é ampliar a presença do agronegócio brasileiro em diferentes regiões, com foco em previsibilidade, regras claras e acesso sustentável ao comércio internacional.

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Presidente da Comissão Europeia está ‘confiante’ sobre acordo com o Mercosul em janeiro


Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, União Europeia
Foto:
European Parliament

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que trabalha para viabilizar a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul em janeiro. A declaração ocorre após o adiamento da decisão, motivado por protestos de agricultores em países do bloco europeu.

O tratado, negociado há mais de duas décadas, enfrenta resistência interna, especialmente na França e na Itália. Ainda assim, a cúpula da União Europeia avalia que há espaço para avançar na busca por apoio político suficiente.

Apoio político dentro da União Europeia

Segundo Ursula von der Leyen, a expectativa é alcançar a chamada maioria qualificada necessária para a aprovação do acordo. Esse mecanismo exige o voto favorável de pelo menos 15 países, que representem 65% da população da União Europeia.

Para barrar o tratado, seria necessário reunir países que somem ao menos 35% da população do bloco. A presidente da Comissão Europeia afirmou, em entrevista coletiva, que acredita ser possível formar essa maioria nos próximos meses, mesmo diante das pressões contrárias.

A decisão estava prevista para ser formalizada nesta semana, mas acabou adiada após manifestações de produtores rurais. Eles alegam que o acordo pode afetar a competitividade do setor agrícola europeu.

Resistência francesa e pressão do setor agrícola

Na França, o presidente Emmanuel Macron reconheceu que ainda é cedo para afirmar se o país apoiará o acordo em janeiro. A oposição envolve tanto agricultores quanto grupos políticos, que cobram mudanças no texto negociado.

Macron indicou que a França espera avanços concretos antes de assumir uma posição definitiva. Para o governo francês, eventuais ajustes são necessários para alterar o que chamou de “natureza” do acordo.

Produtores europeus demonstram preocupação com a entrada de produtos agrícolas do Mercosul, considerados mais competitivos. Entre os itens citados estão carne, arroz, mel e soja, que poderiam ganhar espaço no mercado europeu.

Impactos previstos do acordo UE-Mercosul

Se aprovado, o tratado criaria a maior área de livre comércio do mundo. O acordo prevê a ampliação das exportações europeias de veículos e máquinas para os países do Mercosul, que inclui Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Em contrapartida, o mercado europeu seria mais aberto a produtos agropecuários sul-americanos. Esse ponto concentra boa parte das críticas de agricultores europeus, que temem impactos sobre renda e produção local.

Apesar das resistências, a Comissão Europeia segue defendendo o acordo como estratégico. A expectativa agora é que as negociações políticas avancem nas próximas semanas, com uma nova tentativa de decisão em janeiro.

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Tocantins dará largada à colheita da soja no Brasil; inscreva-se para o evento!


soja - grãos
Colheita de soja | Foto: Wenderson Araujo/Trilux

O estado de Tocantins será palco da Abertura Nacional da Colheita da Soja safra 2025/26, evento que marca oficialmente o início dos trabalhos de colheita no país. A cerimônia será realizada no dia 30 de janeiro de 2026, a partir das 8h, na Fazenda Alto da Serra, do Grupo Wink, em Porto Nacional. As inscrições já estão abertas e para participar é fácil: basta acessar o link, preencher as informações e pronto!

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Para a presidente da Aprosoja Tocantins, Caroline Schneider, sediar a abertura nacional representa um marco para o estado e para o setor produtivo. Segundo ela, o Tocantins se consolidou como referência em produtividade, sustentabilidade e integração entre o campo e a cidade, e o evento reconhece o trabalho dos produtores que impulsionam o desenvolvimento do país.

O presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, também ressalta a relevância do Tocantins na produção de soja e milho. Na avaliação dele, a cada safra o estado se fortalece como referência em tecnologia, gestão e sustentabilidade no campo.

Programação da abertura da colheita

A programação será transmitida ao vivo pelo Canal Rural e pelas redes sociais a partir das 9h, permitindo que produtores e o público de todas as regiões acompanhem o início simbólico da colheita. A realização é do Canal Rural e da Aprosoja Brasil, com apoio da Aprosoja Tocantins e do Grupo Wink.

Entre os convidados confirmados está o economista e biólogo Richard Rasmussen, que participará de um dos painéis, além de autoridades políticas que irão debater políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do estado.

Com o tema “Onde a soja cresce, a transformação acontece”, a Abertura Nacional da Colheita da Soja 2025/26 reforça o protagonismo da cultura da soja e celebra o início de mais uma safra estratégica para o agro brasileiro.

O post Tocantins dará largada à colheita da soja no Brasil; inscreva-se para o evento! apareceu primeiro em Canal Rural.



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