sábado, julho 25, 2026

Política & Agro

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Projeto amplia uso de etanol nos Estados Unidos



Representantes dos produtores de milho também defenderam a aprovação


Representantes dos produtores de milho também defenderam a aprovação
Representantes dos produtores de milho também defenderam a aprovação – Foto: Divulgação (IA)

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou uma proposta que permite a venda do combustível E15 durante todo o ano no país. A medida amplia o uso de uma mistura com até 15% de etanol na gasolina e agora segue para análise do Senado norte-americano. O tema mobiliza entidades ligadas ao agronegócio e aos biocombustíveis, que defendem impactos positivos para produtores rurais, consumidores e para a segurança energética do país.

A chamada Lei Nacional de Escolha do Consumidor e do Varejista de Combustíveis foi retirada do projeto da lei agrícola aprovado pela Câmara no fim de abril. Segundo entidades do setor, a ampliação da comercialização do E15 pode aumentar a demanda por milho, principal matéria-prima do etanol nos Estados Unidos, além de reduzir custos para motoristas.

A American Coalition for Ethanol afirmou que a medida pode ajudar consumidores diante da alta dos preços dos combustíveis e contribuir para reduzir impactos de possíveis interrupções no fornecimento global de petróleo. A entidade também destacou o cenário econômico enfrentado pelos agricultores americanos, que convivem com queda de renda e aumento dos custos de produção.

Dados da Renewable Fuels Association indicam que o E15 já está disponível em mais de 4,8 mil postos de combustíveis nos Estados Unidos. A associação afirma que a mistura oferece economia de até 40 centavos de dólar por galão em relação à gasolina convencional. Nos últimos dias, o desconto médio em comparação ao E10, mistura padrão no país, superou 10%.

Representantes dos produtores de milho também defenderam a aprovação da proposta. A Associação Nacional de Produtores de Milho afirmou que a medida pode fortalecer economias rurais e ampliar o mercado interno para o cereal em um momento de sucessivos prejuízos no campo.

Por outro lado, a Associação Americana de Soja demonstrou preocupação com impactos negativos para produtores da oleaginosa. A entidade informou que análises recentes apontam possível redução da renda líquida agrícola devido às isenções previstas para pequenas refinarias no projeto. A associação afirmou que continuará buscando alternativas que permitam o uso do E15 sem prejuízos ao mercado da soja.

 





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EUA enviam trigo para assistência alimentar



O embarque está previsto para o verão no Hemisfério Norte


O embarque está previsto para o verão no Hemisfério Norte
O embarque está previsto para o verão no Hemisfério Norte – Foto: Pixabay

A assistência alimentar internacional voltou a ter destaque com o anúncio de um novo envio de produtos agrícolas para países que enfrentam insegurança alimentar. A iniciativa prevê o uso de grãos e outros alimentos em programas emergenciais, com foco em regiões afetadas por dificuldades de abastecimento e acesso à comida.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anunciou em 13 de maio que 20 mil toneladas de trigo cultivado no país serão enviadas no âmbito do programa Alimentos para a Paz. O carregamento faz parte de uma ação mais ampla, estimada em US$ 452 milhões, que prevê o envio total de 211 mil toneladas de produtos agrícolas a países como Etiópia, Quênia e Haiti.

O embarque está previsto para o verão no Hemisfério Norte e deve atender programas emergenciais de alimentação. Além do trigo, a iniciativa inclui outros produtos agrícolas, como arroz e sorgo. O trigo será destinado a ações na África Oriental, com distribuição pelo Programa Mundial de Alimentos.

Representantes da US Wheat Associates destacaram a concessão como a primeira remessa de trigo sob a administração do programa Alimentos para a Paz pelo USDA. A entidade também avaliou que a participação do órgão reforça o papel dos Estados Unidos não apenas como vendedor de grãos, mas como parceiro em ações de combate à fome.

A Lei de Alimentos para a Paz, também conhecida como Lei Pública 480, foi sancionada em 1954 pelo então presidente dos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower. Desde sua criação, o trigo norte-americano tem sido uma mercadoria relevante na assistência alimentar, frequentemente representando metade da ajuda em espécie e consumindo cerca de 1 milhão de toneladas do produto por ano.

Em dezembro de 2025, o USDA e o Departamento de Estado dos EUA assinaram um acordo interinstitucional para que o USDA assumisse a administração do programa. O órgão já opera outras iniciativas internacionais de alimentação em espécie, como o McGovern-Dole Alimentos para a Educação e o Alimentos para o Progresso. Uma transferência permanente, porém, dependeria de ação do Congresso.

 





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Mercado avalia impactos da produção de arroz


A colheita do arroz irrigado no Rio Grande do Sul está praticamente encerrada e o mercado passa agora a avaliar com mais clareza o tamanho da safra e seus efeitos sobre a comercialização. As informações são de Sergio Cardoso, diretor de operações na Itaobi Representações, com base em números divulgados pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA).

A safra 2025/26 atingiu 98,68% da área colhida no Estado, com produtividade média de 8.818 quilos por hectare. Na prática, esse desempenho projeta uma produção próxima de 7,76 milhões de toneladas de arroz em casca apenas no Rio Grande do Sul, volume considerado extremamente relevante para a formação do mercado nacional.

Os dados indicam avanços expressivos nas principais regiões produtoras. A Fronteira Oeste aparece com 98,41% da área colhida e produtividade média de 9.068 quilos por hectare, mantendo a liderança estadual em rendimento. A Zona Sul também apresenta desempenho forte, com 99,69% da colheita concluída e média de 9.033 quilos por hectare, consolidando uma safra tecnicamente excelente.

A Campanha alcançou 99,43% da área colhida, com produtividade média de 8.743 quilos por hectare. A Região Central registra 96,74% de avanço e média de 8.473 quilos por hectare. Na Planície Costeira Externa, a colheita chegou a 98,68%, com rendimento médio de 8.262 quilos por hectare, enquanto a Planície Costeira Interna atingiu 98,99%, com média de 8.890 quilos por hectare.

Com a colheita praticamente concluída, a atenção do setor se desloca para a capacidade de escoamento interno, o ritmo das exportações e o poder financeiro da indústria e dos produtores para retenção de estoques. O desafio deixa de ser produzir bem e passa a ser comercializar bem.

Apesar do resultado técnico positivo no campo, o setor enfrenta crédito caro, custos elevados de carregamento e necessidade de maior fluidez comercial. Também será importante acompanhar o comportamento do Mercosul e da Ásia nos próximos meses, diante do aumento global dos custos de diesel, fertilizantes e financiamento agrícola. Em uma safra cheia, a falta de estratégia comercial pode ampliar a pressão sobre as margens da cadeia.

 





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Exigência europeia reacende debate sanitário



A análise também aponta a existência de um componente político


A análise também aponta a existência de um componente político
A análise também aponta a existência de um componente político – Foto: Divulgação

A decisão europeia sobre a conformidade para exportação de proteínas animais colocou em debate a relação entre exigências regulatórias, rastreabilidade e competitividade no comércio internacional de alimentos. Segundo Maurício Palma Nogueira, sócio diretor da Athenagro, a exclusão do Brasil da lista da União Europeia de países com conformidade reconhecida não deve ser interpretada como um embargo imediato às carnes brasileiras.

A avaliação é que a medida está mais ligada à cobrança por comprovação documental do sistema produtivo do que à identificação de um risco sanitário comprovado. A União Europeia passou a exigir equivalência regulatória completa sobre o uso de antimicrobianos, incluindo controle veterinário, monitoramento e registros ao longo de toda a vida produtiva dos animais.

Nesse contexto, a rastreabilidade ganha peso central. O bloco europeu quer garantias de que os processos adotados nos países exportadores sejam equivalentes aos aplicados internamente, especialmente no controle de substâncias utilizadas na produção animal. O caso da monensina e de outros ionóforos passou a receber maior atenção justamente porque há questionamentos sobre a diferença entre o que a Europa permite em seu mercado interno e o nível de comprovação exigido de fornecedores externos.

A análise também aponta a existência de um componente político e comercial relevante. Produtores rurais europeus, especialmente franceses, têm pressionado por regras mais rígidas, em meio à preocupação com a competitividade das proteínas do Mercosul no mercado europeu. A discussão ocorre em paralelo ao avanço do acordo Mercosul–União Europeia, em um cenário no qual exigências sanitárias podem funcionar, na prática, como barreiras não tarifárias.

Apesar da preocupação, o impacto econômico imediato tende a ser limitado para o Brasil. A União Europeia representa hoje uma fatia menor das exportações brasileiras de proteína animal na comparação com mercados como China, Estados Unidos, Oriente Médio e países do Sudeste Asiático. Assim, não há indicação de colapso comercial no curto prazo, embora o país precise contornar a restrição iminente, prevista para começar em setembro.

 





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Fertilizante caro amplia desafio da safra



O indicador, conforme a análise, não deve ser usado como referência direta


O indicador, conforme a análise, não deve ser usado como referência direta
O indicador, conforme a análise, não deve ser usado como referência direta – Foto: Canva

A relação de troca entre soja e fertilizantes fosfatados segue pressionada e amplia a preocupação sobre o poder de compra do produtor rural neste momento da temporada. Segundo Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, o índice que compara a soja no porto com o preço do map no porto chegou ao maior valor da série histórica para o período.

O indicador, conforme a análise, não deve ser usado como referência direta para operações de barter, mas funciona como um parâmetro para medir a capacidade de compra do produtor. A avaliação mais precisa, no entanto, depende da regionalização dos custos e das condições de mercado em cada praça.

O ponto central é que a relação entre soja e MAP está em patamar mais desfavorável do que em outros momentos recentes. Há uma diferença importante em relação a 2022, período marcado pelos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia. Naquele ano, a relação de troca começou a melhorar a partir de maio. Agora, até o momento, esse movimento ainda não aparece.

Os preços do MAP seguem firmes no mercado brasileiro, com indicações entre US$ 900 e US$ 930 por tonelada CFR Brasil, sem sinais claros de queda. O SSP chegou a registrar alguns reajustes, mas de forma pontual. Esse cenário reforça as dúvidas sobre o tamanho real da demanda por fósforo no Brasil neste ano, especialmente diante de uma restrição de oferta considerada evidente no quadro global.

O ambiente é visto como desafiador também pelo encurtamento das janelas de compra e aplicação. Ao mesmo tempo, a soja não tem apresentado reação suficiente para aliviar a pressão sobre a relação de troca. Os avanços pontuais nos preços têm duração curta e não alteram de forma consistente o quadro para o produtor.

Nesta semana, a soja voltou a encerrar com queda relevante em Chicago. O encontro entre Trump e Xi frustrou o mercado, que esperava possíveis avanços ligados à oleaginosa. Como isso não ocorreu, a pressão sobre as cotações permaneceu, mantendo a relação de troca com o MAP em nível historicamente elevado para o período.

 





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Agro busca novo salto em desenvolvimento


O agronegócio brasileiro ampliou seu papel na economia e passou a ocupar uma posição estratégica também no comércio internacional e no abastecimento de alimentos. A avaliação é de Adriano Leite, diretor de relação com investidores na Xs3 Consultoria, ao analisar a relevância do setor para o país e para o mercado global.

Segundo essa leitura, o Brasil deixou de ser apenas uma força produtiva interna e passou a atuar como peça importante no equilíbrio entre oferta, demanda e segurança alimentar em diferentes regiões do mundo. A liderança brasileira nas exportações de produtos estratégicos reforça essa posição e aumenta a influência do país em momentos de crise, inflação de alimentos ou dificuldades climáticas em outras áreas produtoras.

Apesar desse avanço, a análise destaca que liderar a produção não significa, necessariamente, liderar o desenvolvimento. Dentro da porteira, o agro brasileiro é visto como altamente eficiente, com avanço em tecnologia, gestão, uso de dados, inovação, mercado financeiro e planejamento global. Em muitos casos, grandes propriedades já operam com padrões de eficiência semelhantes aos de grandes empresas internacionais.

O principal desafio segue concentrado fora da porteira. Logística, infraestrutura, armazenagem, segurança jurídica, acesso a crédito e capacidade de industrialização ainda limitam a captura de valor ao longo da cadeia. Com isso, parte importante da força produtiva do setor deixa de se transformar em renda, competitividade e desenvolvimento mais amplo para o país.

A avaliação também aponta que o debate sobre o agro no Brasil costuma ficar preso a visões opostas. De um lado, há uma tendência de romantizar o setor. De outro, de tratá-lo como vilão. A realidade, porém, é mais racional e envolve reconhecer tanto sua contribuição para empregos, divisas, investimentos e movimentação econômica quanto a necessidade de avanços em produtividade sustentável, infraestrutura e agregação de valor.

O Brasil já demonstrou capacidade de ser potência na produção agropecuária. O próximo passo é transformar essa força em mais desenvolvimento, tecnologia, renda e competitividade para toda a economia.

 





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Mudança no consumo desafia setor de alimentos


O comportamento de consumo das famílias brasileiras passa por mudanças que começam a impactar diferentes setores da economia, incluindo a indústria de alimentos e o varejo. A avaliação é de Sergio Cardoso, diretor de operações na Itaobi Representações, que aponta o avanço das apostas online como um fator que vem alterando a destinação da renda doméstica no país.

Segundo a análise, parte crescente do orçamento das famílias está sendo direcionada para plataformas de apostas esportivas e jogos online. O cenário preocupa porque, além do entretenimento, muitas pessoas passaram a enxergar as apostas como possibilidade de complemento de renda e até alternativa de investimento financeiro.

Com isso, setores tradicionais da economia começam a disputar espaço dentro do orçamento do consumidor. Na indústria alimentícia, alguns reflexos já são percebidos no dia a dia do mercado, principalmente no aumento da sensibilidade aos preços e na busca por produtos mais baratos.

Entre os efeitos observados estão a migração para marcas de menor valor agregado, redução dos volumes de compra, avanço do atacarejo e maior compressão das margens das empresas do setor. O movimento também alcança segmentos considerados mais resilientes, como o arroz, produto tradicional da cesta básica brasileira.

De acordo com Cardoso, mesmo alimentos essenciais começam a enfrentar um consumidor mais pressionado financeiramente e com a renda cada vez mais fragmentada entre diferentes despesas e formas de consumo digital.

A avaliação é de que o setor de alimentos já não disputa apenas contra fatores tradicionais, como inflação, juros elevados ou desemprego. O avanço da digitalização da economia e das plataformas de apostas cria uma nova concorrência pela atenção, tempo e dinheiro das famílias brasileiras.

Para o executivo, compreender as mudanças no comportamento de consumo será um dos principais desafios da indústria e do varejo nos próximos anos, diante de um cenário que pode redefinir estratégias comerciais e hábitos de compra em diferentes segmentos do mercado.

 





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Tecnologia amplia eficiência no manejo do solo



A transformação ocorre de forma silenciosa


A transformação ocorre de forma silenciosa
A transformação ocorre de forma silenciosa – Foto: Divulgação

A tecnologia aplicada ao solo tem ampliado o debate sobre produtividade e preservação na agropecuária brasileira, ao mostrar que ganhos econômicos podem caminhar junto com práticas mais eficientes de manejo. Segundo Jacques Dieu, especialista em Agricultura Regenerativa, essa mudança já aparece no campo por meio de ferramentas capazes de transformar informações biológicas em decisões práticas para o produtor.

A transformação ocorre de forma silenciosa, mas com impacto direto na gestão das lavouras. Dados recentes apontam que o plantio de precisão pode gerar ganhos de produtividade de até 3% na soja, resultado que representa retorno econômico de R$ 465 por hectare. Na prática, a adoção de tecnologia deixa de ser vista apenas como promessa futura e passa a integrar a rotina das propriedades que buscam produzir mais com maior controle sobre custos e recursos.

Nesse contexto, a agricultura regenerativa deixa de ser associada exclusivamente à pauta ambiental e passa a ser tratada também como estratégia de negócio. O foco está em compreender melhor a vida presente no solo, formada por bactérias, fungos, protozoários e outros organismos que influenciam diretamente a saúde e o desempenho das plantas.

Uma das ferramentas citadas por Jacques Dieu é o BeCrop®, da Biome Makers Inc., que mapeia a microbiota do solo e traduz esses dados em recomendações práticas. A tecnologia permite identificar precocemente patógenos antes que eles causem prejuízos, além de apoiar a redução do uso de insumos com base na biologia real de cada área.

O uso da Inteligência de Solo, com auxílio da IA, também amplia a capacidade de enxergar o solo como um organismo vivo. Com dados concretos, o produtor pode comprovar práticas regenerativas, acessar mercados de carbono e buscar mais produtividade por hectare com menor custo operacional. A proposta é substituir decisões baseadas apenas no histórico de aplicações por escolhas orientadas pelo que o solo realmente precisa.

 





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Tecnologia agrícola reforça papel do Brasil


A agricultura sustentável ganha espaço no debate global em um momento de pressão sobre custos, segurança alimentar, energia e mudanças climáticas. Segundo Luciana Gorab, especialista em Planejamento Estratégico de Vendas, esse cenário coloca o Brasil em posição de destaque por unir produtividade, inovação e capacidade de adaptação no campo.

Enquanto temas como inteligência artificial, guerras comerciais e a nova corrida energética dominam parte das discussões internacionais, uma transformação menos ruidosa vem fortalecendo o papel brasileiro na inovação agrícola. O avanço de tecnologias baseadas no uso de microrganismos nas lavouras mostra como o país pode contribuir para reduzir a dependência de fertilizantes químicos, um dos insumos mais caros e sensíveis da produção de alimentos.

O trabalho da microbiologista brasileira Mariangela Hungria ganhou projeção internacional após décadas dedicadas ao desenvolvimento de bactérias capazes de substituir parte dos fertilizantes industriais. Na prática, esses microrganismos capturam nitrogênio diretamente do ar e o transferem para as plantas, ampliando a eficiência produtiva e reduzindo a necessidade de insumos nitrogenados.

Esse ponto tem peso estratégico. Fertilizantes nitrogenados dependem fortemente de gás natural, recurso sujeito a oscilações de preço, tensões geopolíticas e aumento dos custos energéticos. Nesse contexto, a tecnologia brasileira passa a ser vista como uma alternativa que combina ganhos de produtividade, sustentabilidade, redução de custos e aplicação tropical em escala global.

O reconhecimento internacional veio com o World Food Prize, frequentemente chamado de Nobel da Agricultura. Mais do que uma premiação, o destaque reforça uma mudança de percepção sobre o Brasil, que deixa de ser visto apenas como exportador de commodities e passa a ocupar espaço como protagonista em tecnologia agrícola sustentável.

“Num planeta preocupado com segurança alimentar, inflação e mudanças climáticas, talvez uma das soluções mais sofisticadas do século esteja justamente onde o Brasil sempre foi forte: no campo. Porque, às vezes, o verdadeiro ouro não está no solo. Está na inteligência de quem aprende a trabalhar com ele”, conclui.

 





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Saúde do solo sustenta produtividade da cana



Outro ponto importante está relacionado à brotação


Outro ponto importante está relacionado à brotação
Outro ponto importante está relacionado à brotação – Foto: Divulgação

A produtividade sustentável da cana-de-açúcar depende de uma visão mais ampla sobre o solo, que vai além da correção química e do fornecimento de nutrientes. A avaliação é de Vitor Nunes, engenheiro agrônomo, ao destacar que a microbiota do solo exerce papel essencial na construção de ambientes produtivos mais equilibrados, resilientes e eficientes.

Na canavicultura, bactérias, fungos e outros microrganismos benéficos participam diretamente de processos fundamentais para o desempenho das lavouras. Entre eles estão a ciclagem de nutrientes, a fixação biológica de nitrogênio, a solubilização de fósforo, o desenvolvimento radicular, a melhoria da estrutura do solo e a supressão de doenças.

Esse conjunto de interações biológicas contribui para que o solo funcione como um ambiente vivo e dinâmico, capaz de sustentar sistemas produtivos mais estáveis. Solos biologicamente ativos favorecem o maior aproveitamento dos fertilizantes e ajudam a ampliar a tolerância das plantas a estresses hídricos, aspecto relevante para a manutenção da produtividade em diferentes condições de campo.

Outro ponto importante está relacionado à brotação de soqueira e à longevidade dos canaviais. Quando a atividade biológica do solo é preservada e estimulada, há melhores condições para o desenvolvimento das raízes e para a continuidade do ciclo produtivo, reduzindo perdas e fortalecendo a estabilidade da produção ao longo do tempo.

Na canavicultura moderna, o solo deve ser compreendido como um sistema integrado, no qual os aspectos físicos, químicos e biológicos atuam de forma conjunta. Essa abordagem reforça a importância de práticas voltadas à saúde biológica do solo como parte da estratégia para alcançar produtividade, sustentabilidade e estabilidade produtiva no longo prazo.

 





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