sábado, julho 25, 2026

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IAC realiza a 51ª Expocitros e a 47ª Semana da Citricultura com foco em automação, sensoriamento, rastreabilidade e IA


Três em cada quatro copos de suco de laranja consumidos no mundo têm origem nos pomares paulistas, onde 90% dos campos citrícolas são instalados com cultivares IAC. Para manter essa excelência, o Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” do Instituto Agronômico (IAC) gera e transfere tecnologias, como será feito na 51ª Expocitros e na 47ª Semana da Citricultura, de 26 a 29 de maio, em Cordeirópolis, interior paulista.

Neste ano, o foco está nas inovações tecnológicas que vêm transformando a citricultura: inteligência artificial, automação, sensoriamento e rastreabilidade. Serão reunidos pesquisadores, produtores e empresas para discutir soluções que aumentam a eficiência produtiva e fortalecem a sustentabilidade da cadeia de citros. A inscrição pode ser realizada no link: https://expocitros.com.br/inscreva-se/.

“A edição de 2026 deve aprofundar debates ao mesclar ciência, mercado e estratégia, a Expocitros se firma como um ponto de convergência para decisões que vão definir a competitividade da citricultura brasileira na próxima década”, afirma Dirceu Mattos Jr., pesquisador e diretor do Centro de Citricultura do IAC, da APTA (Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

A edição de 2026 acontece em um cenário que combina desafios e oportunidades para a citricultura. Após anos de instabilidade climática, avanço do greening, leprose e aumento de custos, o setor opera com oferta ajustada e alta variação de preços, exigindo decisões cada vez mais estratégicas. A safra de laranja de 2025/2026 foi de 293 milhões de caixas.

Ao longo do evento serão realizados painéis com os principais temas do setor. Após a abertura está prevista a sessão “Sustentabilidade e Inovação”, abordando boas práticas na citricultura, modelos sustentáveis e o papel da pesquisa no futuro do setor.

Nesta sessão os pesquisadores do IAC, Dirceu Mattos Jr e Helvecio Della Coletta Filho, irão apresentar as respectivas palestras: Uma década moldando a citricultura sustentável: ciência, colaboração e caminhos para o futuro do setor e Microbioma rizosférico de citros em áreas comerciais paulistas: da diversidade microbiana à prospecção de bioinsumo.

Segundo Mattos, será apresentada uma reflexão sobre as principais transformações da citricultura nos últimos dez anos, desde os desafios impostos por fatores bióticos e abióticos até a consolidação da sustentabilidade como eixo estratégico da competitividade do setor. “A palestra propõe uma agenda para o futuro, destacando os caminhos para fortalecer a resiliência, a eficiência no uso de recursos e a governança da citricultura em um cenário global cada vez mais desafiador”, afirma.

Atualmente, o IAC desenvolve pesquisa com bactérias da rizosfera de plantas de citros, classificando-as para se conhecer o que está presente no seu sistema radicular. Os testes visam avaliar potenciais efeitos no crescimento da cultura e proteção contra alguns patógenos, por meio de isolados únicos ou em associação.

“Em plantas, principalmente anuais, têm sido cada vez mais comprovados os benefícios da associação de microrganismos com a saudabilidade e produtividade da cultura, haja visto o caso das bactérias promotoras de crescimento nas culturas de soja e milho, respectivamente, Rhizobium e Azzospirilum. Por outro lado, em culturas perenes com os citros, esta área de estudo ainda é pouco explorada”, diz Coletta.

Em sua palestra serão apresentados os dados obtidos nesse estudo, que compreendem a identificação das bactérias presentes no sistema radicular das plantas de citros e os potenciais efeitos benéficos.

Temática: Tecnologias para implantação de pomares, fitossanidade e proteção de plantas, com destaque para desafios como leprose, pinta preta e podridão penducular, resistência a fungicidas e manejo de pragas.

No dia 27, os participantes terão acesso em primeira mão aos resultados obtidos em avaliações de crescimento vegetativo, sanidade para HLB, ocorrência de pragas e outras doenças, obtidos nos dois primeiros anos de condução de experimento que é parte do projeto em parceria com o Centro de Engenharia da Plasticultura Braskem/FAPESP.

As análises serão apresentadas na palestra intitulada “Proteção individual de plantas visando à exclusão do psilídeo na formação inicial do pomar”, que será ministrada pelo pesquisador do IAC, Sérgio Alves de Carvalho.

“O experimento foi implementado no Centro de Citricultura do IAC buscando avaliar a viabilidade dessa técnica na formação de pomar sadio de tangerina Ponkan e tangor Dekopon, em diferentes porta-enxertos”, afirma Carvalho.

Ainda no dia 27, os pesquisadores do IAC irão participar da mesa redonda “Variedades de citros no Brasil”, que será moderada pelo pesquisador do IAC, Rodrigo Rocha Latado. Os debatedores serão os cientistas Mariangela Cristofani-Yaly, do IAC, André Vanucci, da Citrosuco, Eduardo Augusto Girardi, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Walter dos Santos Soares Filho, da Embrapa Mandioca e Fruticultura.

A palestra “Manejo de herbicidas na implantação e formação de pomares de citros” será apresentada pelo pesquisador do IAC, Rodrigo Martinelli.

No dia 28, a programação abordará gestão e eficiência produtiva, com discussões sobre mercado de fertilizantes, mudanças climáticas, citricultura irrigada e qualidade do solo. A pesquisadora do IAC, Alessandra Alves de Souza, irá falar sobre “Citros geneticamente modificados no controle do HLB: panorama global de estratégias biotecnológicas”.

Dia 29, a sessão de cenários econômicos trará a importância do suco de laranja na saúde humana, análises sobre preços, mercado, comércio internacional e impactos do acordo Mercosul–União Europeia na citricultura, além de discussões sobre insumos e competitividade do setor.

Acesse a programação completa no link:

https://expocitros.com.br/wp-content/uploads/2026/05/3293_19_expocitros_folder_programacao_148x21cm-1.pdf

Reconhecimentos

Durante a cerimônia de abertura será entregue a medalha “Mérito Científico D. Pedro II” do Instituto Agronômico para o ex-ministro de Agricultura e Pecuária, Roberto Rodrigues, nascido na fazenda onde funciona o Centro de Citricultura do IAC, em Cordeirópolis.

Esta medalha do IAC tem o objetivo de reconhecer e condecorar personalidades físicas ou jurídicas, civis ou militares, nacionais ou estrangeiras, que tenham contribuído de maneira inigualável para o desenvolvimento científico ou que tenham prestado relevantes serviços ao IAC, ao Estado de São Paulo e para a sociedade.

A medalha do IAC foi instituída pelo Decreto Estadual nº 70.137/2025 para celebrar os 200 anos do nascimento de D.Pedro II, como parte das comemorações dos 138 anos do Instituto.

Em 2026, o Prêmio Engenheiro Agrônomo Destaque da Citricultura será concedido ao pesquisador do IAC, Hamilton Humberto Ramos. O Prêmio GCONCI Hall da Fama da Citricultura Brasileira homenageará Walter dos Santos Soares Filho. O Prêmio Centro de Citricultura será dado a José de Alencar Matta.

Ramos ingressou em 1994 como pesquisador científico, no Centro de Engenharia e Automação (CEA) do IAC. De março de 2011 a novembro de 2012, foi diretor-geral do Instituto e, desde 2021, dirige o CEA.

Ele é responsável por dois grandes projetos no Instituto: o Aplique Bem e o Programa IAC de Qualidade de Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura (QUEPIA). Também coordena o programa Adjuvantes da Pulverização, Drones SP e Unidade de Referência em Produtos Químicos e Biológicos.

Os trabalhos buscam consolidar as boas práticas e a eficácia agronômica no campo, focados na segurança do trabalhador rural aplicador de defensivos agrícolas.

O cientista do IAC é engenheiro agrônomo formado pela Unesp de Jaboticabal e doutor em produção vegetal. É também membro da Comissão de Estudos de Luvas e Vestimentas de Proteção para Riscos Químicos da ABNT e representante do Brasil no Comitê da entidade certificadora global ISO – International Standartization Organization. Integra o Consórcio Mundial para Melhoria de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) na Agricultura.





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como produzir mais com eficiência e responsabilidade no campo


Para o coordenador de boas práticas agrícolas da Corteva, produtividade e sustentabilidade caminham juntas — e o planejamento das aplicações é o ponto de partida para um agro mais rentável e competitivo.

As boas práticas agrícolas deixaram de ser apenas uma recomendação técnica para se tornarem um diferencial estratégico do agronegócio brasileiro. Em entrevista ao Portal Agrolink, Jair Maggioni, coordenador de boas práticas agrícolas da Corteva Agriscience, explica por que o tema é fundamental para que o produtor rural alcance eficiência no campo, reduza riscos operacionais e reforce a credibilidade do setor frente ao mercado nacional e internacional.

O que são boas práticas agrícolas e por que elas importam

O conceito de boas práticas agrícolas vai muito além de uma lista de regras a ser seguida. Segundo Maggioni, trata-se de um conjunto de ferramentas, procedimentos e padrões operacionais de gestão que orientam o produtor a realizar suas atividades com eficiência e responsabilidade ambiental — gerando, ao mesmo tempo, viabilidade econômica e conformidade com a legislação municipal, estadual e federal.

Na prática, esse conjunto envolve desde a escolha correta dos insumos, o manejo adequado do solo e da água, a regulagem de equipamentos, o monitoramento das condições climáticas no momento da aplicação de defensivos agrícolas, o uso correto dos equipamentos de proteção individual (EPIs), até o armazenamento e descarte correto das embalagens. Para o coordenador, a rastreabilidade das operações é parte igualmente essencial dessa equação.

“O setor hoje precisa entregar muito mais do que só produtividade. O produtor precisa trabalhar com qualidade, sustentabilidade e transparência nos processos.”

Jair Maggioni · Coordenador de Boas Práticas Agrícolas, Corteva Agriscience

O especialista destaca que o Brasil ocupa um lugar de destaque no agronegócio mundial, o que aumenta a responsabilidade dos produtores de reforçar suas operações para manter a competitividade internacional e a credibilidade crescente do setor. Nesse contexto, as boas práticas agrícolas funcionam como uma estratégia para proteger o agricultor, a lavoura, o meio ambiente e a reputação do agronegócio como um todo.

O papel da Corteva na disseminação do conhecimento técnico

A aproximação com o produtor rural é o ponto central da atuação da Corteva Agriscience na disseminação das boas práticas. Conforme explicou Maggioni, esse trabalho passa por uma forte base educacional, com capacitações técnicas, orientações no campo, treinamentos, dias de campo, mini dias de campo, materiais educativos — que vão desde cartilhas até vídeos — e o apoio de equipes especializadas que acompanham o agricultor nos diferentes processos da propriedade.

O coordenador ressalta que pequenas decisões operacionais, quando bem tomadas, podem gerar ganhos enormes dentro de uma propriedade. Além das iniciativas educacionais, a empresa investe em inovação tecnológica para apoiar uma agricultura cada vez mais precisa, contribuindo para a eficiência do produtor em toda a cadeia produtiva — desde a compra dos insumos até a entrega final do produto ao mercado.

Planejamento da aplicação: o diferencial que reduz perdas e aumenta resultados

Diante dos desafios climáticos crescentes — como os períodos de chuvas intensas e ventos fortes que têm marcado o Sul do Brasil nos últimos anos —, o planejamento da aplicação de defensivos surge como uma ferramenta indispensável. Para Maggioni, quando o produtor planeja bem cada etapa do processo, ele consegue considerar fatores como a janela de aplicação, o estágio da cultura, a identificação antecipada de plantas daninhas e possíveis doenças ou pragas, além das variações climáticas como vento, temperatura e umidade relativa do ar.

“Fazendo tudo isso, ele vai evitar retrabalho, vai desperdiçar menos insumos, vai ter impacto menor em culturas vizinhas, e vai ter uma exposição desnecessária muito menor do aplicador”, explica Maggioni.

Esse conjunto de cuidados permite que a aplicação seja mais precisa, com melhor deposição das gotas no alvo, maior aproveitamento do produto e menor chance de perda por deriva — fenômeno em que o agroquímico não atinge o objetivo pretendido e é carregado para fora da área de aplicação.

Regulagem dos pulverizadores: impacto direto na produtividade e na sustentabilidade

Um dos aspectos mais técnicos — e frequentemente negligenciados — das boas práticas é a regulagem e calibração dos pulverizadores. Conforme Maggioni, essa etapa tem impacto direto tanto na produtividade quanto na sustentabilidade da lavoura, pois favorece aplicações mais precisas, com cobertura uniforme e atingindo o alvo: seja a planta, quando se trata de herbicidas, a doença, no caso de fungicidas, ou a praga, no uso de inseticidas.

Quando a regulagem está adequada, o produtor aumenta a eficiência do controle, reduz perdas, evita retrabalho e melhora o aproveitamento dos insumos como um todo. Do ponto de vista ambiental, a calibração correta é fundamental para reduzir o risco de deriva, diminuindo o desperdício do produto e o impacto sobre áreas e culturas vizinhas.

Erros mais comuns que levam à deriva

– Aplicar em condições climáticas inadequadas: ventos muito fortes, ausência de vento, temperaturas extremamente elevadas ou baixa umidade do ar

– Uso incorreto do tamanho de gota e das pontas de pulverização

– Pressão desajustada nos pulverizadores

– Operadores sem treinamento adequado ou que não seguem as orientações técnicas dos produtos

– Falta de monitoramento climático durante a aplicação

Clima como fator crítico: como temperatura, vento e umidade influenciam a aplicação

O comportamento da gota no momento da pulverização é diretamente determinado pelas condições climáticas. Ventos muito intensos favorecem que a gota não atinja o alvo, sendo carregada para fora da área de aplicação. Temperaturas acima de 30 graus combinadas com baixa umidade do ar podem provocar a evaporação das gotas, comprometendo a cobertura e reduzindo a eficiência da pulverização.

Quando o agricultor não observa corretamente essas condições, o risco é duplo: há perda de desempenho no controle, já que o produto não atinge o alvo, e pode haver impacto em áreas vizinhas ou no meio ambiente, com o produto sendo arrastado para fora da área desejada. Por isso, na avaliação de Maggioni, monitorar as condições climáticas durante a aplicação é uma medida essencial para melhorar o aproveitamento do produto e diminuir os riscos no campo.

Sustentabilidade e rentabilidade: caminhos que se complementam

Um dos principais equívocos que ainda persiste entre parte dos produtores é a percepção de que adotar práticas mais sustentáveis implica necessariamente em reduzir a produção ou aumentar os custos. Para Maggioni, as boas práticas agrícolas demonstram exatamente o oposto: sustentabilidade e rentabilidade caminham juntas.

Quando o produtor realiza um manejo mais técnico e eficiente, respeitando as ferramentas das boas práticas, ele consegue reduzir o desperdício, evitar perdas e usar o solo e a água de forma muito mais racional. Isso ajuda a proteger o meio ambiente, diminuindo riscos de contaminação e melhorando a eficiência da operação no campo. Como sintetizou o coordenador: preservar recursos não significa produzir menos, mas produzir com muito mais precisão — e melhorar o retorno sobre o investimento.

Inovação tecnológica: soluções que aliam eficiência e menor risco de deriva

A Corteva tem investido no desenvolvimento de tecnologias que unem eficiência operacional, sustentabilidade e eficiência na aplicação. Um dos destaques mencionados por Maggioni é o Sistema Enlist, que oferece ao produtor flexibilidade no controle mais preciso e manejo de plantas daninhas no campo, apoiado por sementes com biotecnologias cada vez mais eficientes.

Enlist Colex-D: herbicida com até 90% de redução no potencial de deriva

O Enlist Colex-D é um herbicida à base de 2,4-D colina, desenvolvido para oferecer controle eficiente de plantas daninhas durante a aplicação com redução do potencial de deriva em até 90% quando utilizado em parceria com pontas de indução de ar. O produto proporciona flexibilidade operacional ao produtor e melhora o uso dos recursos no campo.

Além do Sistema Enlist, a empresa trabalha com diferentes tecnologias em fungicidas, inseticidas, herbicidas e tratamento de sementes, todas voltadas para entregar eficiência crescente e soluções cada vez mais tecnológicas aos produtores.

EPI: cuidado como investimento, não como obrigação

O uso correto dos equipamentos de proteção individual ainda enfrenta resistência em algumas propriedades. Para Maggioni, essa percepção precisa mudar: o EPI deve ser encarado como parte integrante da gestão da propriedade, e não apenas como uma obrigação legal. Quando o produtor e a equipe que trabalha com ele compreendem que seguir as recomendações de uso reduz afastamentos do trabalho, evita acidentes e dá mais controle à operação como um todo, fica claro que um trabalho seguro significa mais continuidade, mais eficiência e menor risco para as pessoas e para o negócio.

A conscientização, segundo o coordenador, passa por orientação técnica, exemplos no campo, treinamentos constantes e pela compreensão de para que serve cada EPI em cada etapa do processo.

A mensagem para o produtor gaúcho — e para o agro brasileiro

Ao encerrar a conversa, Maggioni deixou uma mensagem direta ao produtor gaúcho e ao setor como um todo: as boas práticas agrícolas não fortalecem apenas a lavoura, mas também a imagem do agronegócio perante a sociedade. Quando o agricultor produz com responsabilidade e cuidado com o solo, a água e as pessoas, ele demonstra que produtividade e sustentabilidade são complementares, e não opostas.

“Utilizem as ferramentas de boas práticas agrícolas. Elas são fantásticas. Pois auxiliam na agricultura responsável, sustentável e produtiva.”

Jair Maggioni · Coordenador de Boas Práticas Agrícolas, Corteva Agriscience

Para o coordenador, esse compromisso é fundamental para gerar confiança, valorizar o trabalho do produtor no dia a dia e reforçar a credibilidade tanto do agro gaúcho quanto do agro brasileiro dentro e fora das porteiras. Em um cenário global cada vez mais exigente em termos de rastreabilidade, responsabilidade ambiental e transparência, as boas práticas agrícolas representam não apenas uma escolha técnica, mas uma vantagem competitiva real.





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Drones agrícolas aceleram eficiência e reduzem desperdícios


Os drones agrícolas passaram a ocupar um novo espaço no agronegócio brasileiro. Com a expansão da agricultura de precisão, a frota nacional saltou de cerca de 3 mil equipamentos em 2021 para aproximadamente 35 mil em 2025, segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, impulsionada pela busca por produtividade, economia de insumos e melhor gestão das operações no campo.

Agricultura de precisão ganha força nas propriedades

O uso de drones deixou de estar restrito a testes pontuais e passou a fazer parte da rotina de produtores que precisam realizar aplicações em áreas extensas, talhões irregulares ou locais onde máquinas terrestres têm dificuldade de acesso.

Na prática, a tecnologia permite pulverizações mais direcionadas, com menor uso de água e defensivos agrícolas, além de reduzir impactos causados pela passagem de tratores sobre as lavouras. As perdas por amassamento podem chegar a 7% na soja e 4,8% no arroz, conforme os dados apresentados no material.

Segundo Adriano Buzaid, CEO da Gohobby, a mudança está ligada à evolução do papel do equipamento dentro da fazenda. “O drone deixou de ser uma novidade tecnológica e se consolidou como uma ferramenta de gestão. Ele reduz desperdícios, minimiza perdas causadas pelo tráfego de tratores, amplia a eficiência operacional e gera dados que qualificam a tomada de decisão”, afirma.

Maior capacidade muda o ritmo das aplicações

A evolução dos equipamentos também alterou a escala das operações. Nos últimos anos, o aumento da autonomia e do volume de carga permitiu que os drones se aproximassem do desempenho de métodos tradicionais de pulverização.

De acordo com informações divulgadas pela Gohobby, modelos como o DJI Agras T100, com capacidade para até 100 litros, e o T70P, de 70 litros, ampliaram a produtividade no campo. Em condições ideais, um drone desse porte pode cobrir entre 200 e 250 hectares por dia.

Para Buzaid, esse avanço tornou a tecnologia mais competitiva. “Esse aumento de capacidade mudou completamente a lógica de adoção”, diz. “Hoje, falamos de drones que entregam produtividade real, competem em eficiência com equipamentos convencionais e ainda eliminam perdas causadas pelo amassamento das plantas”, acrescenta.





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Frente fria leva frio e chuva à Bahia e ao Nordeste


De acordo com informações do Meteored, uma nova massa de ar frio deve avançar pelo Brasil nos próximos dias e alcançar parte da região Nordeste, provocando queda nas temperaturas principalmente na Bahia. O sistema também deve trazer temperaturas mais amenas para estados como Sergipe, Alagoas e Pernambuco.

Segundo a análise meteorológica, um ciclone está em formação sobre o Oceano Atlântico, próximo à costa brasileira. O fenômeno deve impulsionar uma frente fria pelo país, favorecendo a ocorrência de chuvas e a chegada de ar frio até o Nordeste.

Na quinta-feira (28), a frente fria deve provocar chuvas fracas a moderadas no sul da Bahia e seguirá avançando em direção ao norte do estado. Já no fim da sexta-feira (29), o sistema deve alcançar a região de Salvador, mantendo as precipitações ao longo do sábado (30) e avançando também sobre Sergipe. A expectativa é de que o sistema perca força até o fim do domingo (31).

De acordo com o Meteored, a chuva deve atingir o litoral e o leste da Bahia, além de áreas de Sergipe. Na região de Salvador, os acumulados podem chegar a 75 milímetros, elevando o risco de alagamentos, pequenos deslizamentos de terra e outros transtornos associados às tempestades.

Após a passagem da frente fria, a massa de ar frio deve avançar sobre a Bahia ainda na sexta-feira (29), provocando queda gradual das temperaturas ao longo do sábado (30). Sergipe, Alagoas e Pernambuco também devem registrar redução nas temperaturas nos próximos dias.

A previsão não indica frio extremo, mas a expectativa é de redução de até 5°C, principalmente nas temperaturas máximas. O efeito deve ser mais perceptível durante as tardes, sobretudo no sul da Bahia, em municípios como Teixeira de Freitas, Itamaraju e áreas próximas de Porto Seguro.

No domingo (31), a chegada mais intensa do ar frio deve provocar queda também nas temperaturas mínimas. Em diversas áreas da Bahia, os termômetros podem marcar cerca de 15°C durante a madrugada e a manhã. Em municípios isolados, as mínimas podem chegar a 12°C, valores abaixo do padrão habitual da região.

Ainda conforme o Meteored, o avanço dessa massa de ar frio deve fazer com que o mês de maio termine com temperaturas mais baixas até mesmo em áreas do Nordeste. Antes disso, o sistema também deve derrubar as temperaturas nas regiões Sul e Sudeste, onde há possibilidade de registros abaixo de 10°C e ocorrência pontual de geadas.

A análise meteorológica também destaca a proximidade do inverno, que começa oficialmente em 21 de junho. No entanto, a consolidação de um fenômeno El Niño no Pacífico Equatorial pode favorecer temperaturas acima da média no Brasil durante a próxima estação. Com isso, não está descartada a possibilidade de o outono registrar episódios de frio mais intensos do que o inverno em 2026.





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Pecuaristas devem se preparar para a temporada de seca


Áreas de pastagem para alimentação do rebanho precisam receber atenção antes da temporada sem chuvas, que se estende até outubro, para seguir como fonte de nutrição dos animais; controle de plantas daninhas com herbicidas da Linha Pastagem da Corteva é uma das ferramentas para manter o vigor do pasto 

O Brasil está entrando na temporada de seca, período sem chuvas que deve se estender até meados de outubro. É o momento ideal para o pecuarista planejar e dar início aos cuidados do pasto para enfrentar a entressafra de capim, com quantidade suficiente e de qualidade para a alimentação do rebanho, que, consequentemente, é responsável pela produtividade de carne e leite.  Nesta fase de transição, o ritmo de crescimento do capim diminuiu. Por isso, o produtor não pode demorar para agir, se não o prejuízo é certo. Para aproveitar ao máximo as pastagens, os produtores precisam intensificar sua gestão com o objetivo de produzir mais arroba (@) por hectare. Com o clima seco, para a fazenda não perder a sua capacidade produtiva e, para que o pecuarista não tenha gastos desnecessários na suplementação alimentar para o rebanho.

De acordo com Thaís Lopes, Gerente de Marketing Regional da Linha Pastagem da Corteva Agriscience, este é o momento limite para o pecuarista conseguir a partir do manejo das invasoras potencializar a produção de forragem para o rebanho. “Nesse planejamento estratégico, um dos maiores gargalos para a eficiência do pasto é a mato-competição. As plantas daninhas disputam diretamente os recursos de água e nutrientes do solo, sufocando o crescimento das forrageiras justamente no momento em que elas precisam acumular massa foliar. Se não controladas, as invasoras reduzem a qualidade e a capacidade de suporte da pastagem, comprometendo a reserva estratégica de alimento do gado”, explica.

“Além do controle de plantas daninhas, são necessárias outras ações. Entre elas, o melhor aproveitamento do pasto a partir de piquetes, onde se pode manejar o gado em detrimento do potencial produtivo e limites da forrageira ali implantada. Esta prática permite aproveitar ao máximo o potencial do capim, pois o mesmo tem condições para se desenvolver adequadamente”, destaca Thaís.

Segundo a especialista, a pecuária é um mercado de muito planejamento. “A ação de hoje, reflete no resultado de amanhã. Com isso, o manejo de agora define o lucro na seca. O pecuarista tem que se lembrar que a falha de hoje vai custar caro na balança depois. É necessário aproveitar o vigor atualmente, para potencializar o estoque que será a fonte de nutrição durante a seca”, diz.

Controle tecnológico de plantas daninhas

No desafio do controle das invasoras, o pecuarista deve investir em tecnologias. Para isso, a Linha Pastagem da Corteva conta com uma recente inovação: a nova molécula Aminociclopiracloro (ACP), que desencadeia respostas hormonais nas plantas infestantes de folhas largas, foram desenvolvidas para auxiliar o pecuarista a lidar com esses desafios, eliminando a matocompetição (competição por água, luz, nutrientes e espaço) e aumentando a produtividade e qualidade do pasto. É o caso da nova geração de soluções da Corteva, composta pelos herbicidas Navius® e Juvix®.

Navius® possui uma formulação pioneira, granulada e homogênea, de fácil diluição e sem odor. O produto combina dois ingredientes ativos, Aminociclopiracloro e Metsulfurom-metílico, que atuam de forma sistêmica, sendo absorvidos rapidamente através de folhas e raízes. O herbicida Navius® é utilizado para controle em pós-emergência de plantas infestantes de folhas largas, de porte herbáceo, semi-arbustivo e arbustivo em pastagens já implantadas.

Para o controle de plantas daninhas de folhas largas de difícil controle, a Linha Pastagem oferece a solução Juvix®. Este produto possui formulação líquida (SL) e é indicado para aplicação no toco da planta roçada, em cortes de até 10 centímetros do solo. Juvix®, que tem o Aminociclopiracloro como ingrediente ativo, proporciona maior facilidade e conveniência na aplicação localizada, possibilitando o uso de foice ou roçadeira. Em testes, a solução apresentou um ganho de até 40% de performance em plantas específicas na comparação com o tratamento padrão, além de otimizar o tempo e a força de trabalho, com ganho de rendimento da operação três vezes maior no comparativo com o padrão de mercado.

Investir em pastagens com manejo adequado e tecnologia, como as novas soluções da Corteva da Linha Pastagem, garante eficiência agronômica e sustentabilidade econômica da atividade, reforça o agrônomo Thaís. “Boas práticas permitem ao produtor da região Norte transformar pastagens degradadas em ativos de alta produtividade”, finaliza.

 





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Vazio sanitário da soja começa em junho no Mato Grosso


O Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso informou que o calendário fitossanitário da soja em Mato Grosso para a safra 2026/2027 foi mantido sem alterações após a publicação de uma nova instrução normativa conjunta da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso. Com isso, o vazio sanitário seguirá entre 8 de junho e 6 de setembro de 2026, enquanto o plantio da soja estará autorizado de 7 de setembro de 2026 até 7 de janeiro de 2027.

A atualização da normativa oficializa medidas de prevenção e controle da ferrugem asiática da soja no estado, mas preserva as datas já previstas anteriormente na Instrução Normativa nº 002/2025. O Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso orienta os produtores rurais a observarem os prazos e as exigências estabelecidas pela legislação estadual de defesa sanitária vegetal.

Durante o período do vazio sanitário, permanece proibida a presença de plantas vivas de soja em lavouras, margens de rodovias, áreas de armazenamento e outros locais com possibilidade de germinação espontânea. A medida é considerada uma das principais estratégias para reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem asiática entre uma safra e outra.

Entre as obrigações previstas está a eliminação das chamadas plantas “guaxas” ou voluntárias, que germinam espontaneamente após a colheita. O controle dessas plantas deve ocorrer dentro do período do vazio sanitário para evitar que funcionem como ponte verde para a manutenção da doença no campo.

A normativa também prevê o monitoramento contínuo das lavouras para identificação da ferrugem asiática. Em caso de detecção da doença, o produtor deverá realizar o controle imediato. As regras ainda abrangem o transporte de grãos e sementes de soja, determinando que as cargas sejam acondicionadas de forma adequada para evitar derramamentos em rodovias e vias públicas.

A ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é considerada uma das doenças mais severas da cultura da soja. O vazio sanitário e o cumprimento das medidas fitossanitárias são apontados pelo setor como fundamentais para reduzir a sobrevivência do fungo, diminuir a pressão da doença nas lavouras e preservar a sustentabilidade da produção agrícola em Mato Grosso.

O monitoramento constante das áreas cultivadas também continua sendo uma exigência prevista na normativa estadual. Em caso de identificação da ferrugem asiática, o produtor deverá executar medidas imediatas de controle para evitar a disseminação da doença.

As regras também abrangem o transporte de grãos e sementes de soja, estabelecendo que as cargas sejam acondicionadas corretamente para impedir derramamentos ao longo de rodovias e vias públicas do estado.

A ferrugem asiática segue como uma das principais preocupações fitossanitárias da cadeia produtiva da soja no estado. O cumprimento do vazio sanitário e das demais medidas previstas é considerado essencial para reduzir a pressão da doença entre as safras e contribuir para a sustentabilidade da produção agrícola mato-grossense.





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Projeto zera imposto de pão e farinha sem glúten


A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado (CDH) vai transformar em projeto de lei a sugestão — apresentada por meio do Portal e-Cidadania — de eliminar os tributos sobre farinhas, misturas e pães sem glúten. A decisão foi tomada em reunião nesta quarta-feira (27).

A sugestão (SUG 5/2025) altera a Lei Complementar 214, de 2025, para incluir esses produtos entre os que são beneficiados com alíquota zero da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS).

A proposta teve origem em uma ideia legislativa que recebeu 20.730 manifestações individuais favoráveis no Portal e-Cidadania, com apoios em todas as unidades da federação.

A sugestão recebeu parecer favorável do senador Marcos do Val (Avante-ES), que foi lido nesta quarta-feira pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

De acordo com o parecer de Marcos do Val, o projeto de lei estabelecerá alíquota zero (de CBS e IBS) para as farinhas e as misturas sem glúten classificadas no código 1901.20.90 da NCM/SH e para os pães sem glúten dos códigos 1905.90.10 e 1905.90.90 da NCM/SH.

NCM/SH é a sigla que junta dois sistemas de classificação de mercadorias: Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH).

Em seu parecer, Marcos do Val ressalta que os alimentos sem glúten são essenciais para quem tem doença celíaca, sensibilidade ao glúten e outras restrições alimentares.

Ele argumenta que, para essa parcela da população, a alimentação sem glúten não é uma escolha de consumo, mas uma necessidade médica permanente ligada à preservação da saúde, da dignidade humana e da qualidade de vida.

O senador afirma que produtos sem glúten muitas vezes apresentam preços significativamente mais altos que os dos produtos tradicionais derivados do trigo, criando uma barreira econômica ao seu acesso — e prejudicando principalmente famílias de baixa renda. 

“Em consequência, agravam-se quadros clínicos, ampliam-se desigualdades sociais e eleva-se a demanda futura sobre o sistema público de saúde”, salienta ele. 

Marcos do Val cita dados da Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra), segundo os quais a doença celíaca atinge cerca de 1% da população mundial, o que corresponderia a aproximadamente 2 milhões de pessoas no Brasil.

 





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Mercado do boi registra alta em São Paulo



Pará mantém estabilidade no boi gordo



Foto: Canva

De acordo com a análise divulgada nesta quarta-feira (27) pelo informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, o mercado do boi gordo abriu o dia com valorização em São Paulo. A cotação do boi gordo e do chamado “boi China” subiu R$ 2,00 por arroba na comparação diária, enquanto os preços da vaca e da novilha permaneceram estáveis em relação à terça-feira (26).

Segundo a análise da Scot Consultoria, a redução na oferta de bovinos para abate, combinada à manutenção da demanda pelos frigoríficos, contribuiu para o avanço das cotações no estado. O movimento também provocou encurtamento das escalas de abate, que estavam, em média, para oito dias.

No Pará, o cenário foi de estabilidade nas praças pecuárias de Marabá e Redenção. De acordo com o levantamento, os preços de todas as categorias permaneceram inalterados diante do equilíbrio entre oferta de bovinos e demanda da indústria frigorífica.

Já na praça pecuária de Paragominas, houve valorização das cotações. O boi gordo registrou alta de R$ 2,00 por arroba, enquanto o “boi China” avançou R$ 3,00 por arroba. Os preços da vaca e da novilha permaneceram sem alterações no comparativo diário.

Na região Noroeste do Paraná, a cotação da vaca apresentou recuo de R$ 2,00 por arroba nesta quarta-feira (27). Os preços do boi gordo e da novilha ficaram estáveis, conforme informou a Scot Consultoria.

Ainda segundo o informativo, a oferta de animais na região paranaense foi considerada confortável e suficiente para atender à demanda dos frigoríficos. As escalas de abate no Noroeste do Paraná estavam, em média, para 12 dias.

 





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Balança comercial soma superávit de US$ 1,5 bilhões


A balança comercial brasileira encerrou a terceira semana de maio de 2026 com superávit de US$ 1,5 bilhão e corrente de comércio de US$ 13,5 bilhões. O resultado foi impulsionado por exportações de US$ 7,5 bilhões e importações de US$ 6 bilhões, conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

No acumulado de maio, as exportações somaram US$ 23,5 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 17,8 bilhões. O saldo positivo chegou a US$ 5,7 bilhões, com corrente de comércio de US$ 41,3 bilhões. Já no acumulado do ano, o país exportou US$ 140 bilhões e importou US$ 109,6 bilhões, resultando em superávit de US$ 30,4 bilhões e movimentação total de US$ 249,6 bilhões.

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, a média diária das exportações até a terceira semana de maio foi de US$ 1,565 bilhão, alta de 9,9% em relação ao mesmo período de maio de 2025, quando o valor médio ficou em US$ 1,424 bilhão. As importações também cresceram, avançando 9,2% na comparação anual, passando de US$ 1,088 bilhão para US$ 1,188 bilhão por dia.

A corrente de comércio apresentou média diária de US$ 2,754 bilhões até a terceira semana do mês, enquanto o saldo comercial médio diário ficou em US$ 376,79 milhões. Na comparação com maio do ano passado, o crescimento da corrente de comércio foi de 9,6%.

O desempenho das exportações foi puxado principalmente pelos setores agropecuário e da indústria de transformação. Na média diária, a agropecuária avançou 18,5%, com incremento de US$ 65,17 milhões, enquanto a indústria de transformação cresceu 15,4%, adicionando US$ 111,89 milhões. Já a indústria extrativa registrou queda de 11,1%, com retração de US$ 37,56 milhões.

Entre os produtos que mais contribuíram para o avanço das exportações estão milho não moído, com alta de 314,1%, soja, com crescimento de 22,5%, e algodão em bruto, que avançou 60,7% na agropecuária. Na indústria de transformação, destacaram-se as vendas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, com aumento de 63,1%, além de óleos combustíveis derivados de petróleo, que cresceram 100,6%, e ouro não monetário, com alta de 64,2%.

Apesar do avanço geral, alguns produtos tiveram retração nas exportações. café não torrado recuou 16,2%, tabaco em bruto caiu 76,8% e açúcar e melaços registraram baixa de 22,8%. Também houve redução nas vendas de minério de Ferro e de veículos automóveis de passageiros.

Nas importações, o principal avanço veio da indústria de transformação, que cresceu 9,8% e movimentou US$ 16,67 bilhões. A indústria extrativa também avançou, com alta de 3%, enquanto a agropecuária apresentou queda de 5,5%.

As compras externas cresceram principalmente por causa do aumento das importações de fertilizantes brutos, que avançaram 50,4%, carvão mineral, com alta de 40,9%, e gás natural, que subiu 16%. Também tiveram destaque as importações de veículos automóveis de passageiros, com crescimento de 56,1%, além de componentes eletrônicos e combustíveis derivados de petróleo.

Por outro lado, houve retração nas importações de trigo e centeio não moídos, com queda de 14,1%, cevada não moída, que recuou 37,3%, e produtos laminados planos de ligas de aço, que apresentaram baixa de 66,3%.





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Bacia do Paraná pode sentir efeitos do El Niño


O estudo elaborado pelo IRB(Re), por meio da área de pesquisa e desenvolvimento IRB(P&D), aponta que o avanço do fenômeno El Niño pode ampliar os riscos climáticos para a agricultura brasileira e impactar diretamente o mercado de seguro rural, especialmente em regiões estratégicas da Bacia Hidrográfica do Paraná. O levantamento analisa a relação entre as fases do fenômeno climático, os eventos de seca e os indicadores de sinistralidade do seguro rural em estados como São Paulo e Paraná, importantes produtores de soja no país.

Segundo o relatório, o prognóstico oficial da NOAA divulgado em maio indica 82% de probabilidade de desenvolvimento do El Niño entre maio e julho, com chance de 96% de consolidação até dezembro de 2026. O cenário mais provável, conforme o documento, é de neutralidade climática no curto prazo e transição gradual para El Niño ao longo do ano, com persistência até o fim de 2026.

O estudo explica que o fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Quando as temperaturas ficam acima da média, ocorre o El Niño; quando ficam abaixo, configura-se a La Niña. Essas alterações influenciam a circulação atmosférica e modificam os padrões de chuva em diferentes regiões do planeta, incluindo o Brasil.

De acordo com o IRB(P&D), as variações climáticas têm impacto direto sobre a disponibilidade hídrica, a produção agrícola e os índices de perdas do seguro rural. O relatório propõe um conjunto de indicadores capazes de conectar condições climáticas globais, sinais regionais de seca e métricas de sinistralidade. “Essa integração permite avaliar o risco climático de forma mais ampla, conectando sinais de grande escala aos impactos observados no território e no mercado segurador”, afirmou Reinaldo Marques, superintendente atuarial do IRB(Re) e responsável pelo IRB(P&D).

A análise destaca a relevância econômica da Bacia Hidrográfica do Paraná, que concentra forte atividade agrícola, produção de energia e ampla participação no agronegócio nacional. Segundo o levantamento, somente São Paulo e Paraná responderam, em 2023, por mais de R$ 1,3 trilhão do Valor Bruto da Produção Agropecuária brasileira, grande parte gerada em municípios inseridos na bacia.

O relatório ressalta que a dinâmica agrícola predominante na região depende fortemente da disponibilidade de água, principalmente em períodos críticos do ciclo das culturas. “Compreender a relação entre o El Niño e a seca na região é decisivo para qualificar o diagnóstico climático e aprimorar a antecipação de impactos sobre a produção agrícola e a gestão de recursos hídricos”, afirmou Reinaldo Marques.

Os resultados apontam que o El Niño pode influenciar de forma significativa as condições hidrológicas regionais, com reflexos sobre a produção agrícola e sobre o comportamento das perdas no seguro rural. O estudo também conclui que esses impactos não ocorrem de forma uniforme, variando conforme a região analisada, o que reforça a necessidade de abordagens regionalizadas para avaliação de risco.

Apesar da elevação das probabilidades para o fenômeno, o IRB(P&D) alerta que as previsões ainda devem ser interpretadas com cautela devido às incertezas inerentes ao horizonte sazonal e às diferentes intensidades possíveis do evento climático. O relatório aponta que o sinal mais consistente aparece nas regiões Norte e parte do Nordeste, onde aumenta o risco de redução de chuvas, estiagem e estresse hídrico. Já no Sul do país, o padrão mais recorrente é de aumento das chuvas, ocorrência de eventos extremos e maior risco de cheias. “O sinal existe, é monitorável e deve entrar na avaliação de risco, especialmente para seca no Norte e Nordeste e cheias no Sul. Porém, é essencial evitar falsas dicotomias. O fato de o El Niño aumentar o risco de determinados impactos não significa que ele, sozinho, determine o que ocorrerá em cada estado, bacia hidrográfica, cidade ou carteira de ativos”, reforçou Reinaldo Marques.





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