sexta-feira, julho 24, 2026

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Entenda como o PIB Verde pode transformar o agro brasileiro


No Dia Mundial do Meio Ambiente, o debate sobre o chamado PIB Verde avança no Brasil, impulsionado pela restauração florestal, pelos mercados de carbono e pela bioeconomia. Estudos apontam potencial de R$ 776 bilhões em movimentação econômica e geração de até 2,5 milhões de empregos, em um cenário que reposiciona os ativos ambientais como parte da estratégia de crescimento do país.

A economia da natureza começa a ocupar espaço nos debates sobre competitividade, desenvolvimento regional e geração de renda. O movimento é puxado pela valorização de ativos ambientais, pela expansão dos mercados de carbono e pelo avanço de modelos produtivos de baixo carbono.

Estudos do Fórum Econômico Mundial estimam que a transição para uma economia positiva para a natureza pode movimentar US$ 10,1 trilhões por ano e gerar cerca de 395 milhões de empregos no mundo até 2030. No Brasil, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura avalia que o país tem condições de liderar esse novo ciclo econômico, com base no fortalecimento do chamado PIB Verde.

O conceito considera a geração de riqueza associada à conservação ambiental, aos serviços ecossistêmicos e à produção de baixo carbono, com impactos diretos para pessoas, territórios e economias locais.

“A natureza não é apenas patrimônio ambiental, mas também representa uma infraestrutura econômica e social, essencial para o bem-estar das pessoas. Neste cenário, o Brasil reúne ativos estratégicos para liderar a nova economia verde: grande disponibilidade de recursos naturais, matriz energética relativamente limpa, produção agropecuária robusta e diversa, e crescente capacidade técnica em soluções baseadas na natureza”, afirma Karen Oliveira, cofacilitadora da Coalizão Brasil.

A restauração florestal deixou de ser tratada apenas como ação ambiental e passou a entrar na agenda de fundos de investimento, bancos de desenvolvimento e empresas. A lógica é transformar áreas degradadas em ativos naturais de alto valor, com capacidade de gerar renda, remover carbono da atmosfera e criar empregos verdes.

Um estudo da Coalizão Brasil e de organizações parceiras mostrou que a restauração de ecossistemas pode gerar até 2,5 milhões de empregos diretos no país até 2030, além de atrair capital de longo prazo.

No Cerrado, iniciativas apoiadas pela Corporação Financeira Internacional (IFC), do Grupo Banco Mundial, buscam restaurar 280 mil hectares de terras degradadas. O projeto tem potencial para gerar 1.800 empregos verdes, sendo 800 deles diretos em manejo sustentável, beneficiando regiões rurais onde as oportunidades são mais escassas.

A relevância econômica das florestas também aparece em escala global. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o setor florestal emprega diretamente cerca de 42 milhões de pessoas e movimenta bilhões de dólares em produtos que vão além da madeira, como alimentos e medicamentos.

O efeito multiplicador amplia esse impacto: de acordo com a FAO, para cada 100 empregos criados no setor florestal, outros 73 são gerados na economia em geral, em áreas como construção, energia e turismo.

Nesse contexto, a preservação e o manejo sustentável das florestas passam a ser também uma estratégia econômica. Ao desbloquear o valor dos ativos naturais, o país pode criar caminhos de prosperidade que conciliem proteção ambiental, trabalho digno e inclusão produtiva.

No agronegócio, a sustentabilidade também ganha peso nas relações comerciais. O acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia, que entrou em vigor de forma provisória no início de maio, é apontado como exemplo recente de como critérios ambientais deixaram de ser apenas diferencial competitivo.

A tendência global é exigir rastreabilidade das cadeias produtivas e comprovação de que a produção está dissociada do desmatamento. Para o setor agropecuário brasileiro, isso representa uma oportunidade de ampliar mercados, mas também impõe a necessidade de adaptação, governança e comprovação de práticas sustentáveis.

 





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Exportações de carne de frango superam US$ 1 bilhão em maio e estabelecem novo recorde histórico


Desempenho ocorre mesmo diante dos desafios enfrentados no Estreito de Ormuz

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) alcançaram um marco inédito em maio de 2026, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Pela primeira vez na história do setor, a receita mensal das exportações superou a marca de US$ 1 bilhão, totalizando US$ 1,009 bilhão no período.

O resultado é 36,1% maior que o obtido em maio de 2025, quando as exportações geraram US$ 741,2 milhões.

Em volume, os embarques somaram 509,9 mil toneladas (maior resultado já registrado para um mês de maio), número que é 29,6% superior ao alcançado no mesmo período do ano passado, com 393,4 mil toneladas – mês com base menor, decorrente do único registro (já superado) de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) na história do setor nacional.

Com o desempenho de maio, as exportações brasileiras de carne de frango acumulam 2,453 milhões de toneladas entre janeiro e maio deste ano, resultado 8,7% superior ao registrado no mesmo período de 2025, com 2,257 milhões de toneladas.

Em receita, o crescimento acumulado alcança 11,3%, com US$ 4,714 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026, frente aos US$ 4,234 bilhões registrados no mesmo intervalo do ano passado.

Entre os principais destinos das exportações brasileiras em maio, a China liderou as importações, com 48,3 mil toneladas embarcadas (+34,7%), seguida por Japão, com 43,2 mil toneladas (+53,9%), União Europeia, com 40,2 mil toneladas (+61,6%), Arábia Saudita, com 39,1 mil toneladas (+27,5%), Emirados Árabes Unidos, com 32,3 mil toneladas (+1,2%), África do Sul, com 31,4 mil toneladas (+22,8%), México, com 23,5 mil toneladas (+40,9%), Filipinas, com 20,8 mil toneladas (-14,2%), Coreia do Sul, com 18,2 mil toneladas (+36,4%) e Reino Unido, com 12,2 mil toneladas (+18,8%).

No desempenho por estados exportadores, o Paraná manteve a liderança nacional, com 213,9 mil toneladas embarcadas em maio (+35,1%), seguido por Santa Catarina, com 113,9 mil toneladas (+39,7%), Rio Grande do Sul, com 62,9 mil toneladas (+21,3%), São Paulo, com 27,8 mil toneladas (+10,5%) e Goiás, com 26,4 mil toneladas (+26,4%).

“Os resultados foram conquistados em um ambiente marcado por incertezas logísticas globais e pelos impactos decorrentes das tensões no Oriente Médio, especialmente nas rotas marítimas associadas ao Estreito de Ormuz. Mesmo diante desse contexto, o Brasil ampliou significativamente sua presença em mercados estratégicos e de valor agregado, como Japão, União Europeia, Coreia do Sul e China, ao mesmo tempo em que mantivemos forte presença no Oriente Médio e ampliamos oportunidades em mercados emergentes. Isso demonstra a diversificação da pauta exportadora brasileira e a competitividade da nossa cadeia produtiva”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.





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Café fecha a segunda-feira em queda com avanço da colheita no Brasil


Pressão da entrada da safra derruba contratos do arábica e do robusta nas bolsas internacionais

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O mercado do café encerrou esta segunda-feira (1º) em queda nas bolsas internacionais, pressionado pelo avanço da colheita brasileira e pela expectativa de aumento da oferta nas próximas semanas. Com o clima mais favorável em boa parte das regiões produtoras, os trabalhos de campo ganharam ritmo e ampliaram a percepção de disponibilidade de café no curto prazo.

Na Bolsa de Nova Iorque, o café arábica fechou em baixa. O contrato julho/26 perdeu 500 pontos, encerrando o dia a 260,60 cents/lbp. O setembro/26 recuou 450 pontos, para 254,20 cents/lbp, enquanto o dezembro/26 caiu 445 pontos, terminando a sessão em 246,75 cents/lbp.

Em Londres, o robusta também registrou perdas. O contrato julho/26 fechou a US$ 3.438 por tonelada, com baixa de 38 pontos. O setembro/26 recuou 32 pontos, para US$ 3.315 por tonelada, enquanto o novembro/26 perdeu 30 pontos, encerrando o dia a US$ 3.242 por tonelada.

O principal fator de pressão continua sendo o avanço da colheita brasileira. Após interrupções provocadas pelas chuvas em algumas regiões produtoras durante a última semana, a previsão de melhora das condições climáticas favorece a retomada dos trabalhos no campo, especialmente em áreas de arábica de Minas Gerais e de conilon no Espírito Santo e Rondônia.

O mercado também acompanha a entrada gradual dos primeiros volumes da safra 2026 no circuito comercial. Apesar de relatos pontuais de perdas por granizo em municípios do Sul de Minas, os danos são localizados e não alteram, neste momento, a perspectiva de oferta nacional.

Dados divulgados recentemente pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetam uma safra brasileira de 66,7 milhões de sacas em 2026, reforçando a expectativa de uma produção expressiva e contribuindo para a postura mais defensiva dos compradores nas bolsas.

No campo, produtores seguem atentos à qualidade dos lotes colhidos. Chuvas registradas durante o início da colheita em algumas regiões levantaram preocupações quanto ao rendimento e à qualidade final dos cafés, especialmente dos grãos destinados aos mercados de maior valor agregado.

O movimento desta segunda-feira mostra que os operadores continuam ajustando posições diante do avanço da safra brasileira. A entrada de novos volumes no mercado tende a manter a volatilidade elevada nos próximos dias, enquanto compradores e vendedores acompanham o ritmo da colheita, a evolução do clima e o comportamento da demanda internacional.





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Soja recua em Chicago e pressiona preços no Brasil


Clima favorável nos Estados Unidos e avanço do plantio derrubaram as cotações internacionais, enquanto negócios seguem travados no mercado brasileiro.

A soja encerrou a primeira semana de junho em  queda na Bolsa de Chicago, pressionada pelo bom desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos. No Brasil, o recuo externo e o câmbio próximo de R$ 5,06 voltaram a pesar sobre as cotações, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

O bushel da oleaginosa para o primeiro mês cotado fechou a quinta-feira (4) a US$ 11,28, o menor valor desde 11 de fevereiro de 2026. Uma semana antes, a cotação estava em US$ 11,94, o que representa queda de 5,5% em cinco dias úteis.

A pressão também atingiu os derivados. O farelo de soja caiu para US$ 313,50 por tonelada curta, recuo de 6,2% na semana. O óleo, que havia alcançado 79,09 centavos de dólar por libra-peso em 1º de junho, voltou a 76,41 três dias depois.

O movimento foi influenciado pelo avanço da safra norte-americana. De acordo com levantamento da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA, até 31 de maio, 87% da área prevista para soja nos Estados Unidos já havia sido semeada, contra 80% da média histórica. Além disso, 66% das lavouras estavam em condições entre boas e excelentes.

No Brasil, as principais praças gaúchas registraram R$ 113,00 por saca. No restante do país, os preços variaram entre R$ 101,00 e R$ 115,00 por saca. Os negócios seguem lentos, com produtores retendo o produto à espera de melhores valores, enquanto os prêmios continuam pressionados para baixo.

A atenção do mercado agora se volta para o relatório de 30 de junho, que indicará a área efetivamente semeada com soja nos Estados Unidos. Até lá, o clima norte-americano deve seguir como principal fator de influência sobre Chicago.





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Milho cai, mas safrinha define mercado


O milho também fechou a primeira semana de junho em baixa na Bolsa de Chicago, acompanhando o movimento das demais commodities agrícolas. O primeiro mês cotado encerrou a quinta-feira (4) a US$ 4,23 por bushel, menor patamar desde 21 de janeiro de 2026, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA.

Uma semana antes, o cereal era cotado a US$ 4,55 por bushel. A queda foi atribuída ao clima positivo nos Estados Unidos e ao avanço do plantio, que chegou a 93% da área esperada até 31 de maio, ligeiramente acima da média de 92%. Do total semeado, 76% das lavouras já haviam germinado, e 67% estavam entre boas e excelentes.

As exportações norte-americanas somaram 883 mil toneladas na semana encerrada em 28 de maio, com o Japão como principal destino. Ainda assim, o mercado internacional manteve foco nas condições climáticas e nos próximos relatórios de oferta, demanda e área semeada.

No Brasil, o cenário é diferente. Os preços ainda mantêm viés de alta, mas em ritmo lento. De acordo com levantamento da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA, as principais praças gaúchas registraram R$ 58,00 por saca, enquanto no restante do país os valores oscilaram entre R$ 42,00 e R$ 61,00 por saca.

A entrada da safrinha, porém, tende a alterar o comportamento do mercado. Até 28 de maio, a colheita havia alcançado 2,4% da área no Centro-Sul, com Mato Grosso à frente dos trabalhos. A expectativa é de 52,6 milhões de toneladas no estado e 106 milhões de toneladas na safrinha nacional.

As exportações brasileiras de milho somaram 250.449 toneladas em maio, alta de 543% sobre o mesmo mês do ano anterior. Apesar do avanço no volume, o valor médio da tonelada embarcada caiu 42,9%, de US$ 467,10 em maio de 2025 para US$ 266,60 em maio de 2026.

Com a colheita ganhando ritmo, o mercado interno deve monitorar a entrada de oferta nova. Mesmo com estimativas menores em algumas regiões, a tendência apontada pela análise é de pressão sobre os preços no país.





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Ureia recua e fosfatados seguem sustentados



Entre os fosfatados, o cenário permanece mais apertado


Entre os fosfatados, o cenário permanece mais apertado
Entre os fosfatados, o cenário permanece mais apertado – Foto: Canva

O mercado global de fertilizantes continua apresentando comportamentos distintos entre os principais segmentos, refletindo diferenças entre oferta disponível e demanda em diversas regiões produtoras e consumidoras. De acordo com análise da StoneX, o cenário segue marcado por restrições em algumas cadeias de suprimento e por uma demanda que permanece resistente mesmo diante dos atuais níveis de preços.

No segmento dos nitrogenados, a ureia registrou queda ao longo da última semana. Nem mesmo a nova licitação da Índia para a compra de 1,7 milhão de toneladas foi suficiente para alterar a tendência de baixa observada no mercado internacional. O movimento é influenciado principalmente pela retomada das exportações da China, fator que aumenta a percepção de maior disponibilidade do produto nos próximos meses e contribui para pressionar as cotações.

Entre os fosfatados, o cenário permanece mais apertado. Os preços seguem sustentados pela restrição global na oferta de enxofre, matéria-prima importante para a produção desses fertilizantes. A situação foi agravada pela decisão da Rússia de proibir o transporte ferroviário de enxofre proveniente do Cazaquistão. Além disso, as limitações já existentes em função do conflito no Oriente Médio continuam afetando a disponibilidade do insumo.

Esse conjunto de fatores mantém os preços dos fosfatados em níveis elevados e reduz a capacidade produtiva do setor em diferentes regiões do mundo. Com menor oferta de matéria-prima, a indústria encontra dificuldades para ampliar a produção, o que contribui para a sustentação das cotações.

No mercado de potássicos, por sua vez, a estabilidade continua predominando. A oferta segue considerada confortável, enquanto o ritmo das compras permanece moderado, sem sinais de urgência por parte dos consumidores. Esse equilíbrio entre disponibilidade e demanda tem mantido os preços relativamente estáveis no mercado internacional.

 





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Mercado do boi registra novas altas em São Paulo


O mercado do boi gordo iniciou a quarta-feira (3) com valorização em São Paulo. Segundo análise do informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, a cotação do boi gordo avançou R$ 2,00 por arroba, enquanto o “boi China” registrou alta de R$ 3,00 por arroba. Já os preços da vaca e da novilha permaneceram estáveis após os reajustes observados no dia anterior.

De acordo com a Scot Consultoria, o movimento refletiu uma demanda mais intensa por parte da indústria frigorífica. Após a redução das escalas de abate observada na última semana de maio, os compradores passaram a buscar maior volume de oferta para alongar as programações de abate e atender à demanda atual por carne bovina.

O cenário também foi favorecido pelo desempenho do mercado interno. A expectativa de aumento do consumo, impulsionada pela entrada dos salários na economia e pelas festividades de junho, somou-se ao ritmo das exportações, que seguem contribuindo para o escoamento da produção.

Do lado da oferta, os pecuaristas mantiveram postura cautelosa nas negociações. A liberação gradual dos lotes, associada à busca por preços mais elevados, limitou a disponibilidade de bovinos para abate e ajudou a sustentar as cotações.

No mercado atacadista, a comercialização da carne apresentou melhora e a tendência era de fortalecimento nos próximos dias. Segundo a análise da consultoria, o ambiente segue favorável para a manutenção da firmeza dos preços no curto prazo. As escalas de abate em São Paulo atendiam, em média, oito dias.

Em Mato Grosso do Sul, a oferta reduzida também contribuiu para a sustentação das cotações. Na comparação diária, duas das três praças pecuárias monitoradas registraram alta para as fêmeas, enquanto os preços dos machos permaneceram estáveis.

Na região de Dourados, as referências não apresentaram alterações. Em Campo Grande, a vaca registrou valorização de R$ 1,00 por arroba, enquanto as demais categorias permaneceram estáveis.

Já na região de Três Lagoas, a cotação do boi gordo ficou inalterada, mas a vaca e a novilha registraram alta de R$ 3,00 por arroba. No estado, as escalas de abate atendiam, em média, sete dias.





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Tarifas americanas ameaçam US$ 334 milhões em exportações gaúchas


Uma proposta de sobretaxa de 25% sobre importações americanas, amparada na Seção 301 do Trade Act de 1974, coloca o agronegócio brasileiro, especialmente o gaúcho, diante de um dos maiores riscos comerciais dos últimos anos. A análise foi produzida pela Assessoria Econômica da Farsul e divulgada nesta terça-feira (2/6).

Segundo o levantamento, 43,7% das exportações brasileiras totais aos Estados Unidos estariam dentro do escopo da proposta, o equivalente a US$ 16,5 bilhões em vendas anuais. No Rio Grande do Sul, a exposição é bem maior, onde 81,1% das exportações totais ao mercado americano (US$ 1,34 bilhão) estariam sujeitas à sobretaxa. O impacto tarifário potencial sobre o estado seria de US$ 334 milhões.

“O Rio Grande do Sul apresenta vulnerabilidade desproporcionalmente maior”, constata o relatório. A explicação está na composição da pauta exportadora gaúcha, concentrada em madeira, fumo e produtos florestais , exatamente os setores que ficaram de fora das listas de exclusão elaboradas pelo escritório comercial americano (USTR).

No setor agropecuário, o contraste entre o Brasil e o Rio Grande do Sul é ainda mais acentuado. Enquanto 36,8% do agronegócio brasileiro exportado aos EUA estaria dentro da proposta (US$ 4,19 bilhões), no RS esse percentual chega a 74,9% (US$ 575 milhões). O impacto tarifário potencial sobre o agro gaúcho seria de US$ 144 milhões.

Os produtos mais vulneráveis do estado são o fumo não manufaturado tipo Virgínia (US$ 122 milhões exportados, com possível sobretaxa de US$ 30 milhões), madeira serrada de Pinus (US$ 81 milhões), calçados de couro (US$ 62 milhões) e fumo tipo Burley (US$ 49 milhões). Juntos, apenas os dois tipos de fumo representam 31,4% de todo o agronegócio gaúcho dentro da proposta.

No Brasil, os mais afetados seriam o sebo bovino (US$ 416 milhões), produtos florestais como obras de marcenaria e madeira compensada, e o complexo sucroalcooleiro (US$ 401 milhões).

Essa assimetria tem raiz estrutural. Produtos como carne bovina fresca, suco de laranja concentrado, café em grão e fertilizantes já constam nas listas de exclusão da proposta americana, o que protege parcelas relevantes do agronegócio nacional. O RS, no entanto, não exporta esses itens em volume expressivo para os EUA. Sua pauta é dominada por fumo e madeira, produtos que não receberam o mesmo tratamento nas negociações.

Isso significa que, enquanto o Brasil tem 56,3% de suas exportações totais protegidas pelas exclusões, o RS tem apenas 18,9% nessa condição.

Risco real

O relatório da Farsul é cuidadoso ao contextualizar os números. Os US$ 334 milhões de impacto tarifário potencial sobre o RS não representam automaticamente uma perda financeira equivalente. A sobretaxa pode se materializar de formas distintas: redução de margem dos exportadores, queda no volume embarcado, perda de market share para concorrentes ou repasse parcial de preço ao importador americano.

Porém, o documento é claro quanto ao cenário: “A negociação sobre inclusões e exclusões será crítica para mitigar impactos econômicos.”

A investigação americana não se limita a barreiras tarifárias tradicionais. Washington aponta práticas consideradas desleais por parte do Brasil em temas como o sistema de pagamentos instantâneos PIX, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e políticas de combate ao desmatamento. A abrangência da investigação abre caminho para medidas setoriais que vão além de uma tarifa uniforme.

Para o Rio Grande do Sul, estado que em 2025 exportou US$ 1,65 bilhão para os Estados Unidos, o desfecho das negociações entre Brasília e Washington terá consequências concretas e urgentes.





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Exportações sustentam mercado do boi gordo



No mercado físico, a arroba manteve sustentação em parte do país


No mercado físico, a arroba manteve sustentação em parte do país
No mercado físico, a arroba manteve sustentação em parte do país – Foto: Pixabay

O mercado pecuário encerrou maio em um ambiente de preços ainda sustentados, mas com menor força de alta para o boi gordo nas principais regiões produtoras. Segundo análise da StoneX, a última semana do mês foi marcada por comportamento heterogêneo entre as praças, escalas de abate relativamente confortáveis e demanda externa firme.

No mercado físico, a arroba manteve sustentação em parte do país, embora sem uma pressão compradora uniforme por parte da indústria. Estados como São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás registraram alguma valorização, refletindo ajustes pontuais diante da oferta disponível e das necessidades de compra dos frigoríficos. Em Minas Gerais, por outro lado, o cenário foi de maior pressão, com escalas mais folgadas limitando a reação dos preços.

A combinação entre oferta regional, ritmo de abate e consumo interno mais contido ajudou a explicar a menor tração das cotações no período. Mesmo com preços ainda em níveis historicamente elevados, a indústria encontrou espaço para atuar de forma mais seletiva, especialmente nas praças onde a disponibilidade de animais permitiu alongar as programações.

No mercado de reposição, houve leve alívio nas relações de troca em parte das regiões acompanhadas. Ainda assim, bezerro e boi magro seguem em patamares altos, o que mantém o custo de reposição como um ponto de atenção para o pecuarista. Esse quadro limita ganhos mais expressivos na margem, sobretudo para produtores que precisam recompor o rebanho em um momento de preços firmes para os animais jovens.

As exportações de carne bovina continuaram como o principal fator de sustentação do mercado. O bom desempenho registrado em maio, tanto em volume quanto em receita, contribuiu para manter a firmeza das referências, compensando em parte a menor pressão de compra no mercado interno.

 





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Arroba cai e reduz distância entre MT e São Paulo



Mercado bovino tem ajuste de preços em maio



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O Diferencial de Base (DB) entre Mato Grosso e São Paulo encerrou maio de 2026 em 3,39%, conforme análise semanal divulgada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária. Segundo o instituto, o resultado foi influenciado pela desvalorização mais intensa observada no mercado paulista, onde o preço da arroba do boi gordo recuou 4,01% na comparação mensal, enquanto em Mato Grosso a queda foi de 2,58%.

De acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, a arroba do boi gordo em Mato Grosso foi negociada, em média, a R$ 340,43 em maio, enquanto em São Paulo atingiu R$ 352,39, ambos os valores livres de Funrural. Com isso, a diferença entre as duas praças foi reduzida em 1,42 ponto percentual ao longo do período.

A pressão sobre as cotações esteve associada ao aumento do conforto nas escalas de abate. Segundo o levantamento, as programações avançaram 5,72% em relação a abril e alcançaram média de 10,35 dias em maio, ampliando a disponibilidade de animais para os frigoríficos.

Outro fator apontado pelo instituto foi a menor competitividade da carne bovina frente a outras proteínas, o que limitou a demanda no mercado doméstico e contribuiu para o movimento de baixa nos preços da arroba durante o mês.

Apesar desse cenário, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária destaca que há expectativa de aumento pontual no consumo interno nas próximas semanas. A projeção é sustentada pela demanda sazonal associada à Copa do Mundo, que pode estimular as vendas de carne bovina e dar suporte ao mercado.





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