Indústria do tabaco pede apoio do MDIC para ficar fora do tarifaço dos EUA

O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e a Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) encaminharam, nesta sexta-feira (24), uma carta ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), solicitando que o governo brasileiro atue para incluir o tabaco na lista de exceções à tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
O documento foi enviado após audiência realizada na última quarta-feira (22), na qual o setor apresentou os impactos da medida e propostas para sua mitigação.
De acordo com cálculos do MDIC, as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos neste mês alcançam, de forma combinada, 23,1% das exportações brasileiras ao país. No caso do tabaco, a sobretaxa pode alcançar 37,5%, considerando a tarifa de 25% baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, em uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil, além da cobrança de 12,5%, amparada em acusações de falhas do país e de outras 59 nações no combate ao trabalho forçado.
Na carta, as entidades destacam que a cadeia produtiva do tabaco, presente em quase 530 municípios, é responsável pela geração de renda de mais de 600 mil pessoas no meio rural.
As entidades ressaltam que os Estados Unidos eram, historicamente, o terceiro maior destino das exportações brasileiras de tabaco, respondendo por cerca de 9% dos embarques do setor. No entanto, essa participação caiu para 6% em 2025.
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Segundo dados do MDIC/Secex apresentados no documento, as exportações para o mercado norte-americano totalizaram US$ 195,3 milhões em 2025, redução de 23,4% em relação ao ano anterior. Já no primeiro semestre de 2026, os embarques somaram US$ 88,8 milhões, queda de 31% na comparação com o mesmo período de 2025.
A carta também chama atenção para o fato de que outros produtos do agronegócio brasileiro, como carne bovina, café, laranja, mel orgânico, castanhas e celulose, foram contemplados na lista de exceções à tarifa adicional divulgada pelos Estados Unidos, enquanto o tabaco permaneceu sujeito à sobretaxa. Para o setor, essa diferenciação coloca o produto brasileiro em desvantagem competitiva frente a outros exportadores.
Perda de espaço
O documento apresentado ao MDIC reforça que, caso as tarifas sejam mantidas, compradores norte-americanos deverão buscar fornecedores de outras origens, principalmente de países africanos, como Zimbábue e Malaui, que vêm ampliando significativamente sua produção.
Segundo estimativa do setor, o Brasil poderá perder aproximadamente US$ 100 milhões em exportações. “A grande preocupação é que a menor demanda provoque redução da produção nacional, especialmente do tabaco Burley, variedade que possui mercado internacional mais concentrado nos Estados Unidos e poucas alternativas de comercialização”, destacam.
Conforme as entidades, tal cenário deve impactar fortemente centenas de pequenos produtores rurais que têm na produção desse tipo de tabaco sua principal fonte de renda.
No ofício, o SindiTabaco e a Abifumo solicitam formalmente a inclusão de todo o Capítulo 24 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que engloba o tabaco e seus produtos, na lista de exceções à tarifa adicional dos Estados Unidos.
Por fim, as entidades reforçam que permanecem à disposição do governo federal para contribuir tecnicamente na busca por uma solução que preserve a competitividade das exportações brasileiras e minimize os impactos econômicos e sociais da medida.
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