sexta-feira, julho 24, 2026

Política & Agro

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Petróleo fecha em alta de mais de 4% com interrupção das negociações entre…


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Por Siddharth Cavale

NOVA YORK, 1 Jun (Reuters) – Os preços do petróleo fecharam em alta de mais de 4% nesta segunda-feira, depois que a agência de notícias Tasnim, do Irã, informou que Teerã havia interrompido as negociações indiretas com os EUA e que estavam sendo feitos planos para que as forças iranianas e seus aliados bloqueassem completamente o Estreito de Ormuz e, potencialmente, interrompessem outras rotas importantes de navegação.

As tensões na região aumentaram nos últimos dias, com o Irã e os EUA trocando ataques e Israel ordenando que as tropas avançassem ainda mais no Líbano em sua batalha contra o grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã.

Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam a US$ 94,98 por barril, com alta de US$3,86, ou 4,2%, enquanto os preços da commodity nos EUA fecharam a US$92,16 por barril, com alta de US$4,80, ou 5,5%.

Ambos os índices de referência haviam subido mais de 6% no início da sessão, mas reduziram os ganhos depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que não estava ciente da interrupção das negociações com o Irã e que também conversou com o Hezbollah por meio de intermediários e garantiu uma promessa de que o grupo não atacaria Israel.

Os contratos terminaram o mês de maio entre 17% e 19% mais baixos, marcando suas maiores quedas mensais em termos absolutos desde março de 2020, quando a pandemia da Covid-19 reduziu a demanda de energia, com o crescente otimismo de que os EUA e o Irã estavam perto de um acordo.

Mais cedo na segunda-feira, Tasnim disse que Teerã e a “Frente de Resistência”, que inclui os aliados do Irã no Iêmen, Líbano e Iraque, estabeleceram uma agenda para bloquear completamente a hidrovia de Ormuz e ativar outras frentes, incluindo o Estreito de Bab el-Mandeb, a fim de “punir” Israel e seus apoiadores.

O Bab el-Mandeb está localizado no extremo sul do Mar Vermelho, através do qual a Arábia Saudita, um grande produtor de petróleo, atualmente movimenta de 4 milhões a 6 milhões de barris de petróleo por dia, escreveu Robert Yawger, diretor executivo da Mizuho, em uma nota.

“Parece que os dois lados estão em mundos diferentes”, disse Andrew Lipow, presidente da Lipow Oil Associates.

“Quanto mais tempo durar o conflito, mais baixos serão os estoques comerciais… e, nesse momento, os preços disparam. Estamos a apenas um ou dois meses de distância disso”, disse ele.

A escalada representa mais um obstáculo para as esperanças de um fim rápido da crise, que efetivamente fechou o Estreito de Ormuz, uma rota de suprimento global vital para o petróleo e o gás natural liquefeito. Um relatório da Axios disse no X na sexta-feira que o Irã havia lançado mais minas no estreito na semana passada.





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Ministro argentino divulga aporte de US$ 400 milhões no agro



A unidade será voltada à moagem de sementes


A unidade será voltada à moagem de sementes
A unidade será voltada à moagem de sementes – Foto: Pixabay

Luis Caputo, ministro da Economia da República Argentina, divulgou na rede social X que recebeu uma carta de Michael Gelchie, diretor executivo da Louis Dreyfus Company, informando a decisão da empresa de realizar um investimento de US$ 400 milhões no país. O anúncio feito pelo ministro colocou em evidência um novo projeto agroindustrial previsto para Bahía Blanca, na província de Buenos Aires.

Segundo a comunicação divulgada por Caputo, a companhia decidiu avançar com a construção de uma planta de processamento de girassol. A unidade será voltada à moagem de sementes e terá capacidade estimada de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas por ano. No documento, a Louis Dreyfus Company afirma que a futura instalação estará entre as maiores do mundo nesse segmento.

A carta enviada ao ministro indica que a conclusão do projeto está prevista para o fim de 2027. A empresa também associa a decisão ao potencial de longo prazo da Argentina e à relevância do país no fornecimento global de produtos agrícolas. O texto menciona ainda a existência de um diálogo com autoridades argentinas e com representantes empresariais antes da confirmação do investimento.

Ao divulgar a informação, Caputo destacou que se trata de um investimento estratégico da companhia e que a decisão foi tomada para que o projeto seja realizado na Argentina. A comunicação da empresa aponta que a nova planta deverá ampliar a capacidade de processamento de oleaginosas e contribuir para fortalecer cadeias industriais ligadas ao agronegócio.

O documento também relaciona o investimento à geração de empregos, à modernização da infraestrutura agroindustrial e à possibilidade de exportações com maior valor agregado. A Louis Dreyfus Company afirma que o anúncio formal da iniciativa será feito posteriormente.


 





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Panamá pode reforçar a logística de fertilizantes



Canal do Panamá reforça conexão com rotas globais



Foto: Mapa

Durante missão oficial ao Panamá, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) avançou na construção de parcerias voltadas à segurança no abastecimento de fertilizantes para o Brasil. A agenda, realizada com apoio institucional do IICA, também abriu espaço para cooperação em bioinsumos, tecnologia agrícola e comércio agropecuário entre os dois países.

A logística de fertilizantes foi o principal eixo estratégico da missão brasileira ao Panamá. Segundo informações divulgadas pelo Mapa, a agenda permitiu identificar oportunidades de cooperação em insumos agrícolas, especialmente diante da necessidade do Brasil de diversificar rotas logísticas e fortalecer o fornecimento de produtos essenciais à produção agropecuária.

Um dos pontos centrais da programação foi a visita técnica a três terminais portuários do complexo de Cristóbal, administrados por uma das maiores operadoras portuárias do Panamá. No local, a comitiva conheceu a estrutura usada para recepção, movimentação, armazenamento e transbordo de cargas.

Durante a visita, foram apresentados procedimentos relacionados ao transporte de fertilizantes, grãos, gás natural e matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes. De acordo com o Mapa, a agenda permitiu avaliar o potencial do Panamá como plataforma logística estratégica para abastecer o mercado brasileiro. A localização geográfica do Panamá foi tratada como um diferencial para futuras iniciativas de cooperação. Segundo o Mapa, a conectividade do país com os principais corredores marítimos internacionais, por meio do Canal do Panamá, reforça sua relevância para cadeias de suprimentos do agronegócio.

A delegação também visitou o Centro de Visitantes de Água Clara, no lado atlântico do novo Canal do Panamá. A comitiva acompanhou o funcionamento das eclusas e a passagem de embarcações de grande porte, aprofundando o conhecimento sobre a importância da via para o comércio marítimo internacional e para a logística global de cargas.

 





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Oferta elevada mantém preços em queda há 9 semanas



A oferta de mandioca segue elevada


Foto: Canva

A oferta de mandioca segue elevada, sustentada principalmente pelo interesse de produtores em se capitalizar e em liberar áreas de arrendamento, apontam pesquisadores do Cepea.

Assim, apesar de o ritmo de entrega de alguns produtores que têm apenas raízes de primeiro ciclo (com até 12 meses) ter diminuído, o volume disponível permaneceu expressivo, resultando em mais uma semana de queda nos valores – dados do Cepea mostram que trata-se do nono período consecutivo de baixas.

Pesquisadores do Centro de Pesquisas apontam que os atuais níveis de preços podem ser determinantes para a manutenção da oferta no médio e longo prazos. À medida que a disponibilidade de lavouras de segundo ciclo diminuir, produtores consultados pelo Cepea poderão optar por postergar ou reduzir a comercialização de raízes com até um ano de idade em razão da rentabilidade, o que também pode influenciar as decisões sobre as áreas destinadas à cultura.

Além dos fatores econômicos, as condições climáticas devem ganhar relevância nos próximos meses. O Cptec prevê redução dos volumes de precipitação entre junho e agosto no Centro-Sul, cenário que pode afetar tanto o preparo do solo e o plantio quanto a comercialização da mandioca, aponta o Cepea.





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Plenário analisa refinanciamento de dívida rural nesta quarta (10.06)


O Plenário do Senado deve analisar em Plenário, nesta quarta-feira (10), projeto que cria linha especial de financiamento para produtores rurais quitarem suas dívidas, com juros a partir de 3,5% ao ano. Fruto de ampla negociação entre líderes partidários e intensos debates na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), o texto foi aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no fim de maio.

O PL 5.122/2023, relatado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), prevê que o novo crédito poderá ser usado para quitação de dívidas de crédito rural, empréstimos e Cédulas de Produto Rural contratados até 31 de dezembro de 2025, renegociadas ou não. Os débitos serão recalculados sem multa, juros de mora ou outra punição por inadimplência. 

Os juros serão diferenciados por perfil do produtor:

O texto, apresentado pelo deputado Domingos Neto (PSD-CE), já recebeu nove emendas de Plenário. Veja aqui outras condições estabelecidas no projeto.

O Plenário também votará a indicação de Benedito Gonçalves, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para o cargo de corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) até 2028. O OFS 4/2026 será o principal foco da sessão, disse o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na terça-feira (2). Gonçalves teve o nome aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 20 de maio.

Também poderá ser votada a proposta do Estatuto do Aprendiz, caso o texto seja aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos na manhã do mesmo dia. O PL 6.461/2019 estabelece regras para a jornada de trabalho, novas hipóteses de rescisão do contrato e direitos do aprendiz.  

O relator do texto, senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), afirma no relatório que o estatuto reorganiza as normas que hoje são dispersas. O texto estimula a formação de mão de obra qualificada e favorece a permanência dos jovens na escola, diz o senador.

Os senadores também votarão o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 121/2015, que regulamenta a profissão de protesista e ortesista ortopédicos — também responsáveis por produzir palmilhas e calçados ortopédicos sob medida. A relatora, senadora Mara Gabrilli (PSD-SP), apoiou o texto na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), que aprovou o projeto em maio.

O texto prevê que somente fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e médicos poderão prescrever os aparelhos. A responsabilidade gerou controvérsia durante os 11 anos em que o texto tramitou no Senado: alguns senadores defendem que a atribuição seja exclusiva de médicos.

Também está na pauta o PL 6.423/2025, com novas diretrizes para a atividade de inteligência propostas pela Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência. O relator é o senador Nelsinho Trad (PSD-MS).

O projeto prevê que profissionais de inteligência poderão adotar identidade fictícia, até mesmo com documento físico, desde que autorizado por juiz. Também cria um novo tipo penal, o de revelar a identidade funcional desses profissionais, que será punido com reclusão de dois a seis anos, além de multa.

O texto busca reforçar a segurança aos órgãos de inteligência, por exemplo, ao reconhecer que podem utilizar ferramentas de inteligência artificial e tecnologias que fazem análise de grande quantidade de dados digitais.

 





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Preço de referência de importação da borracha natural sobe 9,6% em maio



Alta da borracha natural foi puxada por contratos e frete marítimo



Foto: Pixabay

O preço de referência de importação da borracha natural registrou alta de 9,6% em maio, passando de R$ 13,90/kg em abril para R$ 15,24/kg em maio, segundo índice de referência elaborado pela CNA em parceria com o Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo.

O resultado foi influenciado principalmente pela valorização dos contratos da matéria-prima negociados na bolsa de Cingapura, que avançaram 8,22% no período. Em contrapartida, o valor médio do dólar apresentou recuo de 1%, amenizando parcialmente o impacto da alta internacional.

Outro fator relevante foi o aumento expressivo do frete marítimo internacional na rota analisada, com avanço de 65,2% em relação a abril. O movimento reverteu o cenário de maior estabilidade observado no mês anterior e foi impulsionado pela antecipação de embarques, aumento da demanda da América Latina por produtos asiáticos, restrições de espaço em alguns armadores devido ao reposicionamento de contêineres e ajustes de capacidade promovidos pelas companhias marítimas.

Já o frete interno manteve-se estável no período.

Diante desse cenário, o preço de referência de importação da borracha natural foi calculado em R$ 15,24/kg. O índice de referência alcançou 170,34%, representando aumento de 6,4% em comparação com abril.





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Área de cevada deve cair mais de 30% no RS



El Niño preocupa produtores de cevada gaúchos



Foto: Pixabay

A área cultivada com cevada no Rio Grande do Sul deverá apresentar redução superior a 30% na safra de 2026, segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quarta-feira (3) pela Emater/RS-Ascar. A implantação da cultura está em fase inicial, enquanto produtores avaliam os riscos climáticos previstos para o próximo ciclo.

De acordo com a Emater/RS-Ascar, a retração na área plantada está relacionada principalmente à maior percepção de risco associada à possível atuação do fenômeno El Niño durante o inverno e a primavera. O cenário tem reduzido o interesse dos agricultores pela cultura, mesmo com a oferta de contratos de integração por parte da indústria cervejeira.

Apesar da perspectiva de diminuição da área cultivada, as lavouras já implantadas apresentam bom desenvolvimento. Conforme a entidade, as condições iniciais são consideradas satisfatórias, com adequada emergência das plantas e crescimento vegetativo dentro do esperado para o período.

A área total destinada à cevada em 2026 ainda está sendo levantada pela Emater/RS-Ascar. Na safra anterior, o Estado cultivou 32.010 hectares, alcançando produtividade média de 3.622 quilos por hectare.

Na região administrativa de Erechim, principal polo produtor da cultura no Rio Grande do Sul, a previsão é de que a área cultivada fique abaixo de 6 mil hectares em 2026. O volume representa uma redução superior a 35% em comparação com a safra anterior e reforça a tendência estadual de retração diante das incertezas climáticas para o ciclo produtivo.

No mercado, a cevada destinada à indústria de malte está sendo comercializada, em média, por R$ 80,00 a saca de 60 quilos na região de Erechim, conforme levantamento da Emater/RS-Ascar.





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Estudo mostra avanço de bioinsumos no campo



Alguns bioinsumos comerciais apresentaram controle de até 80% do mofo branco


Alguns bioinsumos comerciais apresentaram controle de até 80% do mofo branco
Alguns bioinsumos comerciais apresentaram controle de até 80% do mofo branco – Foto: Divulgação

A adoção de bioinsumos agrícolas tem avançado no campo e ampliado o debate sobre sua eficácia no controle de pragas e doenças, além de seu potencial na promoção do crescimento das plantas. Segundo Gabriel Medina, professor da Universidade de Brasília, levantamentos de evidências científicas indicam resultados distintos conforme o tipo de produto, a cultura e o alvo biológico avaliado.

Entre os dados reunidos, alguns bioinsumos comerciais apresentaram controle de até 80% do mofo branco, causado por Sclerotinia sclerotiorum. O resultado indica desempenho relevante para uma doença considerada importante na agricultura, especialmente em sistemas produtivos mais suscetíveis ao patógeno. Já os produtos destinados ao controle de doenças foliares, como a mancha-alvo, provocada por Corynespora cassiicola, tiveram desempenho classificado como razoável, com eficácia de até 40%.

Apesar das diferenças entre os resultados, o levantamento aponta que as formulações de bioinsumos foliares vêm sendo aprimoradas a cada ano. Essa evolução abre espaço para ganhos futuros de eficiência, à medida que novos ajustes técnicos sejam incorporados aos produtos disponíveis no mercado.

Também foram identificadas evidências de eficácia para bioinseticidas e bionematicidas, reforçando o avanço desses insumos em diferentes frentes de manejo agrícola. O uso desses produtos se insere em um contexto de busca por alternativas complementares às estratégias convencionais de controle, com aplicação voltada tanto à sanidade das lavouras quanto ao desempenho das plantas.

Um ponto específico citado por Medina envolve a fixação foliar biológica de nitrogênio em milho. Embora exista produto registrado no Brasil com essa finalidade, artigo científico apontou que a cepa de Methylobacterium symbioticum usada comercialmente não possui o aparato genético completo da nitrogenase. Dessa forma, ela não realiza fixação biológica de nitrogênio, embora tenha efeito de promoção de crescimento.

O professor também destaca que Azospirillum brasilense é comercializado corretamente no Brasil como promotor de crescimento. O conjunto das informações mostra que os bioinsumos apresentam resultados promissores, mas com níveis variados de eficácia e necessidade de avaliação técnica conforme a finalidade de uso.

 





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Transição sustentável exige novos incentivos


A adoção de práticas sustentáveis no agronegócio tem avançado, mas ainda em ritmo inferior ao exigido pela urgência climática e pelas novas demandas de competitividade. Segundo Clandio Ruviaro, professor associado, os sistemas agroalimentares respondem por cerca de 31% das emissões globais, chegando a 16 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, o que transforma a sustentabilidade em tema central para a sobrevivência econômica e a resiliência dos negócios.

Apesar da pressão crescente, a transição encontra obstáculos que vão além de tecnologia, crédito ou regulação. Um dos principais entraves está no comportamento humano. Pela ótica da Economia Comportamental, as decisões no campo não seguem apenas critérios racionais, já que produtores e empresas também são influenciados por percepções de risco, experiências anteriores e pela necessidade de proteger resultados imediatos.

Um dos pontos destacados é o viés do presente. A agricultura regenerativa exige investimento, adaptação e aprendizado no curto prazo, enquanto benefícios como recuperação do solo, eficiência produtiva e eventuais prêmios ESG tendem a aparecer mais adiante. Na prática, a segurança da safra atual costuma pesar mais do que ganhos futuros. Por isso, incentivos imediatos, como crédito mais barato, pagamentos por serviços ambientais e mecanismos que tornem a decisão sustentável mais concreta, podem acelerar a mudança.

Também pesa a aversão à perda, associada ao viés do status quo. Alterar um modelo produtivo consolidado é frequentemente visto como risco elevado, sobretudo diante do receio de queda de produtividade, margem ou previsibilidade. Nesse cenário, seguros agrícolas, assistência técnica e projetos-piloto podem reduzir a percepção de risco e permitir testes sem comprometer o negócio.

Outro fator relevante é a forma como a sustentabilidade é apresentada. Quando aparece como custo, obrigação ou sacrifício, tende a gerar resistência. Ao ser enquadrada como oportunidade de inovação, eficiência, acesso a mercados e atração de investimentos, passa a dialogar com a competitividade. Além disso, as normas sociais influenciam decisões no campo. Casos locais de sucesso ajudam a mostrar que práticas de baixo carbono já podem fazer parte de sistemas rentáveis.


 





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El Niño volta ao radar do arroz



Para o setor arrozeiro, a discussão vai além da previsão do tempo


Para o setor arrozeiro, a discussão vai além da previsão do tempo
Para o setor arrozeiro, a discussão vai além da previsão do tempo – Foto: Pixabay

O clima voltou a ocupar espaço central nas discussões do agronegócio, especialmente em cadeias produtivas sensíveis às mudanças no regime de chuvas e temperatura. A avaliação é de Sergio Cardoso, diretor de operações da Itaobi Representações, ao tratar dos possíveis efeitos de um novo ciclo de El Niño sobre o mercado de arroz.

Segundo os últimos relatórios climáticos citados na análise, há indicação de possibilidade de formação do fenômeno El Niño no ciclo 2026/27. Apesar disso, o cenário ainda não está definido, já que os principais centros de monitoramento do mundo trabalham com diferentes hipóteses para os próximos meses.

Para o setor arrozeiro, a discussão vai além da previsão do tempo. A eventual confirmação do fenômeno pode ter reflexos sobre diferentes etapas da cadeia, da produção no campo à comercialização. Entre os pontos de atenção estão possíveis impactos na produtividade, na qualidade dos grãos, na logística, nos custos operacionais e no comportamento dos preços no mercado internacional.

No conteúdo apresentado no Pampa Gaúcho, Cardoso destaca que os alertas climáticos recentes precisam ser analisados com cautela por produtores, indústrias e demais agentes da cadeia do arroz. A ideia central é que, mais do que tentar antecipar com precisão o que ocorrerá, o setor deve compreender os riscos envolvidos, identificar oportunidades e se preparar para diferentes cenários.

A orientação reforça a importância do planejamento em um ambiente de incerteza climática. Em situações como essa, a preparação tende a ser decisiva para reduzir perdas, proteger margens e melhorar a capacidade de resposta diante de eventuais mudanças nas condições de mercado.


 





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