sexta-feira, julho 24, 2026

Política & Agro

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Como o setor do tabaco se tornou protagonista no combate ao trabalho infantil?


Por: Cristina Quatke, vice-presidente de Responsabilidade Social do SindiTabaco

Quando se fala em combate ao trabalho infantil no meio rural, é importante olhar para exemplos concretos de ações que geraram resultados ao longo do tempo. O setor do tabaco no Sul do Brasil é um desses casos. Há 28 anos, muito antes de o tema ganhar a relevância que possui atualmente, as empresas associadas ao SindiTabaco iniciaram uma jornada estruturada para conscientizar produtores sobre a legislação, reforçar a importância da educação e criar oportunidades para crianças e adolescentes das comunidades rurais.

O primeiro passo foi dado em 1998, com o programa O Futuro é Agora!, pioneiro no setor agrícola brasileiro. A iniciativa levou informação, orientação e projetos educacionais para milhares de famílias produtoras de tabaco.

Ao longo dos anos, esse compromisso foi fortalecido por meio de parcerias com instituições públicas e privadas. Em 2008 e 2011, acordos firmados com o Ministério Público do Trabalho ampliaram as ações para toda a Região Sul, reforçando a importância da matrícula e frequência escolar dos filhos dos produtores, além de campanhas educativas e atividades de conscientização.

Outra frente importante foi a realização dos Ciclos de Conscientização sobre saúde, segurança e proteção da criança e do adolescente. Desde 2009, a iniciativa já impactou quase 50 mil pessoas em mais de 70 municípios dos três estados do Sul. Em 2012, mais de 1,3 mil profissionais das equipes de campo das empresas associadas receberam treinamento específico sobre proteção da criança e do adolescente, com participação da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Os resultados desse trabalho foram evidenciados pelo Censo Demográfico do IBGE, que apontou, em 2010, que as pequenas propriedades produtoras de tabaco apresentaram o maior índice de redução do trabalho infantil do Brasil em comparação com o censo anterior.

Mas o setor entendeu que conscientizar era apenas parte da solução. Era preciso criar perspectivas concretas para os adolescentes do campo.

Foi com esse propósito que nasceu, em 2015, o Instituto Crescer Legal. Mantido pelas empresas associadas ao SindiTabaco, o Instituto passou a atuar no desenvolvimento de jovens rurais por meio da educação, do empreendedorismo e da qualificação profissional.

Desde 2016, o Programa de Aprendizagem Profissional Rural oferece uma oportunidade inédita para adolescentes entre 14 e 17 anos, unindo formação, geração de renda e desenvolvimento de competências para a gestão das propriedades rurais. Os resultados mostram a relevância dessa iniciativa:

✔ 1,2 mil jovens atendidos em 62 turmas de 23 municípios da Região Sul até 2025;

✔ 38% das propriedades familiares passaram a diversificar sua produção com hortaliças, frutas e grãos;

✔ 48% dos jovens demonstraram interesse em atuar como sucessores da propriedade familiar;

✔ 87% concluíram o Ensino Médio ou ingressaram no Ensino Superior;

✔ 71% melhoraram suas habilidades de comunicação, 65% ampliaram seu engajamento comunitário e 57% se tornaram mais proativos.

Mais do que números, esses resultados mostram que o combate ao trabalho infantil passa necessariamente pela criação de oportunidades para os jovens e pelo fortalecimento das famílias rurais.

Em 2021, esse trabalho recebeu reconhecimento nacional com o Prêmio Brasil Amigo da Criança. Mas a principal conquista continua sendo a construção de um futuro com mais educação, qualificação e perspectivas para as novas gerações do campo.

O protagonismo do setor do tabaco no combate ao trabalho infantil não surgiu por acaso. É resultado de quase três décadas de investimento contínuo em conscientização, educação, parcerias institucionais e desenvolvimento das comunidades.

Porque proteger a infância e criar oportunidades para os jovens é um compromisso que se constrói todos os dias.





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Pressão por eficiência leva treinamentos técnicos ao campo antes do início da safra de soja


A poucos meses do plantio da próxima safra de soja, temas ligados à qualidade das formulações agrícolas começam a ganhar espaço nas discussões técnicas dentro das fazendas. Em meio ao aumento da oferta de produtos disponíveis no mercado, produtores têm buscado entender com mais profundidade como fatores ligados à formulação podem impactar aspectos como preparo de calda, compatibilidade de misturas, qualidade das aplicações e regularidade dos resultados no campo.

Mais de 120 treinamentos técnicos serão realizados de junho a agosto em diferentes estados produtores de soja, milho e algodão por meio do circuito Tech Day – Formulações de Valor, promovido pela ADAMA. As primeiras ações ocorreram no início deste mês, em municípios do Mato Grosso, marcando o começo da programação no Cerrado brasileiro. Até agosto, o circuito deve percorrer outras áreas do Mato Grosso, assim como Rondônia, Bahia, Goiás, Tocantins, Maranhão, Piauí e Pará. Depois, os treinamentos avançam para outras regiões produtoras, incluindo Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Com foco em situações da rotina agrícola, os encontros abordam temas como comportamento das misturas em tanque, preparo de calda, qualidade da água, facilidade de manejo e fatores que podem interferir diretamente na entrega dos defensivos ao longo da safra. As demonstrações buscam mostrar como diferenças de formulação podem impactar desde a condução das operações até a uniformidade das pulverizações no campo.

“Hoje existe uma oferta muito grande de produtos no mercado, mas nem sempre o agricultor consegue perceber claramente as diferenças entre eles. Muitas vezes, é justamente a formulação que define fatores importantes como compatibilidade de mistura, facilidade de preparo, segurança durante a aplicação e regularidade dos resultados ao longo da safra”, afirma Leandro Garcia, gerente de Portfólio & Desenvolvimento de Mercado da ADAMA.

Segundo o especialista, os encontros foram desenhados para colocar produtores, consultores e equipes técnicas diante de situações que normalmente aparecem durante a safra, mas nem sempre são discutidas de forma prática no campo. “A ideia é justamente transformar temas que muitas vezes ficam restritos à teoria em discussões aplicadas à realidade operacional das fazendas”, destaca.

Neste ciclo, a programação amplia os temas trabalhados durante os eventos e passa a aprofundar discussões sobre tecnologia de formulação e os impactos que ela pode gerar dentro da operação agrícola. A ideia é demonstrar como essas soluções mais avançadas podem contribuir para um desempenho agronômico mais consistente, especialmente em um momento em que cresce a oferta de produtos no mercado com diferentes padrões de qualidade.

As ações seguem sendo conduzidas em parceria com a AGROEFETIVA, especializada em tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas. Durante os encontros, a empresa participa das demonstrações práticas e dos debates relacionados à qualidade das aplicações e aos desafios operacionais encontrados no campo.

 





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Área industrial deve abrigar megaprojeto de SAF



A planta utilizará tecnologia de processo AtJ da Honeywell UOP


A planta utilizará tecnologia de processo AtJ da Honeywell UOP
A planta utilizará tecnologia de processo AtJ da Honeywell UOP – Foto: Divulgação

A produção de combustível sustentável de aviação a partir do etanol deve ganhar um novo projeto de grande escala no Brasil. A iniciativa busca aproveitar a competitividade da cadeia nacional de matérias-primas renováveis e a infraestrutura logística disponível em uma das principais regiões industriais do país.

A JetBio anunciou a obtenção dos direitos exclusivos sobre uma área em Paulínia, no interior de São Paulo, para desenvolver aquela que pretende ser a maior unidade do mundo de SAF produzido pela rota Alcohol-to-Jet, conhecida como AtJ. O empreendimento ficará em uma região estratégica da cadeia brasileira de etanol, com acesso a rodovias, ferrovias, dutovias e portos.

Segundo a companhia, a localização deve permitir o suprimento competitivo de etanol de baixa intensidade de carbono, produzido a partir de resíduos, milho de segunda safra e cana-de-açúcar. A previsão é tomar a decisão final de investimento no primeiro trimestre de 2027, com início da produção em 2030.

A planta utilizará tecnologia de processo AtJ da Honeywell UOP. O projeto aposta na base agrícola brasileira, na maturidade da indústria de etanol de baixo carbono e no ambiente regulatório voltado às energias renováveis para estabelecer uma plataforma de referência global na produção de AtJ-SAF.

O CEO da JetBio, Will Moore, avaliou que o Brasil reúne matérias-primas, infraestrutura, conhecimento técnico e condições regulatórias para liderar a produção de combustível sustentável de aviação. Já Bruce Rastetter, fundador e presidente do conselho da Summit Agricultural Group, relacionou o avanço do projeto à demanda por fornecimento confiável e em larga escala de combustível de aviação de baixo carbono.

 





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Mercado do boi segue equilibrado no país


O mercado do boi gordo iniciou a terça-feira (9) em equilíbrio nas praças paulistas, conforme análise do informativo “Tem Boi na Linha”, publicado pela Scot Consultoria. Os negócios ocorreram em ritmo moderado, com frigoríficos realizando compras apenas para manutenção das escalas de abate e produtores ofertando lotes de forma controlada. Apesar disso, a queda das temperaturas acendeu um alerta no setor, já que o clima mais frio pode estimular o aumento da oferta de animais para comercialização.

Segundo a consultoria, o bom desempenho das exportações e o consumo interno aquecido não foram suficientes para acelerar as compras por parte das indústrias. O cenário foi descrito como equilibrado, sem pressão para alterações nos preços. Dessa forma, as cotações permaneceram estáveis em São Paulo, enquanto as escalas de abate seguiram, em média, para oito dias.

Em Goiás, o comportamento do mercado foi diferente. A demanda mais firme levou frigoríficos a elevarem as ofertas para garantir o abastecimento das escalas. Na região de Goiânia, o preço do boi gordo avançou R$ 2,00 por arroba, enquanto as cotações das fêmeas registraram aumento de R$ 3,00 por arroba. Já na região Sul do estado, a novilha teve valorização de R$ 2,00 por arroba, enquanto os preços do boi gordo e da vaca permaneceram estáveis.

Ainda em Goiás, a cotação do chamado “boi China” também apresentou alta em relação ao dia anterior, com valorização de R$ 5,00 por arroba, refletindo o interesse do mercado exportador.

No comércio internacional, os embarques de carne bovina in natura mantiveram desempenho positivo. De acordo com a análise da Scot Consultoria, nos primeiros quatro dias úteis de junho foram exportadas 62,6 mil toneladas do produto, com média diária de 15,6 mil toneladas. O volume representa crescimento de 29,8% em comparação ao embarcado por dia no mesmo período de junho de 2025.

O preço médio da tonelada exportada ficou em US$ 6,6 mil, avanço de 20,9% na comparação anual. Com a combinação de maiores embarques e valorização do produto, junho de 2026 já alcançou 31,4% do faturamento total obtido com as exportações de carne bovina durante todo o mês de junho do ano passado, mesmo com menos de um quarto dos dias úteis transcorridos.





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Como planejar a próxima safra de trigo?


O planejamento da próxima safra de trigo exige uma série de decisões que vão além da escolha das sementes e da definição da data de plantio. A análise do histórico das áreas, a organização da rotação de culturas, o manejo adequado do solo, a seleção de cultivares adaptadas às condições climáticas e ao sistema produtivo, além da definição das estratégias de uso de insumos e comercialização, são fatores apontados como essenciais para reduzir riscos e aumentar a eficiência da produção.

Entre dezembro de 2025 e dezembro de 2026, produtores das principais regiões tritícolas do Sul do Brasil, como Paraná e Rio Grande do Sul, deverão considerar tanto a variabilidade climática quanto os custos de produção no planejamento da cultura. O trigo segue desempenhando papel importante nos sistemas agrícolas, especialmente na rotação com soja e milho safrinha, contribuindo para o controle de plantas daninhas, pragas e doenças, além de favorecer a estabilidade produtiva das propriedades.

O planejamento antecipado também permite ao produtor avaliar a viabilidade de cada área destinada ao cereal. A análise do histórico das lavouras, da ocorrência de doenças, da presença de plantas daninhas de difícil controle e dos resultados de produtividade de anos anteriores auxilia na identificação dos talhões com maior potencial produtivo e menor exposição a riscos.

Outro aspecto considerado estratégico é a avaliação das condições físicas e químicas do solo. A realização de análises atualizadas, a verificação de possíveis camadas compactadas, problemas de drenagem e a necessidade de correção da fertilidade são etapas que contribuem para a definição de um manejo mais eficiente e alinhado às exigências da cultura.

A logística da propriedade também influencia diretamente o desempenho da safra. A disponibilidade de máquinas para semeadura e colheita, a capacidade de armazenamento e secagem dos grãos e a compatibilização do calendário agrícola com as culturas subsequentes são fatores que precisam ser considerados antes da implantação do trigo.

A rotação de culturas aparece como um dos pilares para o sucesso da atividade. Sistemas que alternam trigo com soja, milho ou pastagens ajudam a melhorar a fertilidade do solo, reduzir a incidência de doenças e contribuir para o manejo de plantas daninhas. Em contrapartida, sucessões repetidas de gramíneas podem aumentar a pressão de patógenos e comprometer o desempenho das lavouras.

A escolha das cultivares também ocupa posição central no planejamento. Características como ciclo de desenvolvimento, resistência a doenças, exigência nutricional e qualidade industrial devem ser consideradas conforme as condições de cada região e o nível tecnológico adotado na propriedade. A diversificação de materiais genéticos é apontada como uma estratégia para reduzir riscos produtivos.

A definição da época de semeadura deve seguir as recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), buscando sincronizar as fases mais sensíveis da cultura com períodos de menor risco de geadas severas e excesso de chuvas. O planejamento adequado da janela de plantio também contribui para evitar impactos sobre a implantação da cultura de verão subsequente.

No manejo da fertilidade, especialistas recomendam que a correção da acidez, a adubação e eventuais intervenções para melhoria da estrutura do solo sejam definidas com antecedência. A utilização de análises de solo permite ajustar as doses de nutrientes conforme o potencial produtivo esperado e as características de cada área.

O planejamento dos insumos também é apontado como uma medida importante para reduzir custos e garantir maior eficiência operacional. A aquisição antecipada de sementes certificadas, fertilizantes e defensivos possibilita melhores condições de negociação e reduz riscos de falta de produtos durante a implantação da lavoura.

Além dos aspectos técnicos, a organização financeira da atividade ganha relevância em um cenário de custos elevados e volatilidade de preços. O levantamento detalhado dos custos de produção, a avaliação de seguros agrícolas e a definição de estratégias de comercialização são medidas que podem contribuir para maior segurança econômica ao produtor.

O trigo também deve ser encarado como parte de um sistema produtivo integrado. O manejo adotado na cultura influencia diretamente o desempenho das lavouras seguintes, tornando fundamental o registro das operações realizadas e o acompanhamento técnico ao longo de todo o ciclo.

A adoção dessas práticas, aliada ao monitoramento constante das condições de mercado e do clima, pode aumentar a estabilidade da produção, otimizar o uso de recursos e reduzir a exposição dos produtores aos riscos inerentes à atividade agrícola. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.





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Como evitar perdas no feijão em fase reprodutiva


O manejo do feijão durante o estádio reprodutivo é considerado decisivo para preservar o potencial produtivo da lavoura e reduzir os impactos provocados pelo estresse térmico e hídrico. Nesse período, que se estende desde a emissão dos primeiros botões florais até a maturação das vagens, a cultura apresenta elevada sensibilidade às variações de temperatura e disponibilidade de água no solo.

Especialistas destacam que o principal objetivo do manejo nessa fase é manter a temperatura foliar e do dossel dentro de níveis adequados, além de garantir oferta de água suficiente para as plantas sem provocar encharcamento. Entre as estratégias recomendadas estão o ajuste da irrigação, a manutenção da cobertura do solo com palhada, o equilíbrio nutricional e, em situações específicas, o uso de reguladores de crescimento e bioestimulantes sob orientação técnica.

O estádio reprodutivo compreende as fases de florescimento, formação de vagens, enchimento de grãos e maturação fisiológica. Durante esse período, o feijoeiro aumenta significativamente a demanda por água e nutrientes, tornando-se mais vulnerável a eventos climáticos adversos. Mesmo episódios de curta duração de calor excessivo ou deficiência hídrica podem comprometer o pegamento das flores e o enchimento dos grãos.

A sensibilidade da cultura está relacionada a processos fisiológicos fundamentais, como a formação do pólen, a fecundação das flores, o desenvolvimento das vagens e o transporte de açúcares produzidos pela fotossíntese. Quando submetida a altas temperaturas ou à falta de água, a planta reduz sua atividade fotossintética, apresenta menor viabilidade do pólen e aumenta a ocorrência de abortamento de flores e vagens.

Entre os principais prejuízos observados em campo estão a queda de flores antes da formação das vagens, o abortamento de estruturas reprodutivas jovens, a formação de grãos mal desenvolvidos e a redução do período de enchimento dos grãos. Além disso, oscilações bruscas entre períodos secos e excesso de umidade podem favorecer o surgimento de doenças.

Para minimizar o estresse hídrico, o planejamento da época de plantio é apontado como uma das medidas mais importantes. O objetivo é fazer com que as fases de florescimento e enchimento de grãos coincidam com períodos de menor risco de estiagem prolongada ou ondas de calor. A escolha de cultivares adequadas e o escalonamento das semeaduras também ajudam a reduzir a exposição das lavouras aos eventos climáticos.

Nas áreas irrigadas, o monitoramento constante da umidade do solo permite ajustar as lâminas de água de forma mais eficiente. A recomendação é trabalhar com irrigações mais frequentes e volumes moderados, mantendo a umidade próxima à capacidade de campo e evitando tanto o déficit quanto o excesso de água. O encharcamento, segundo os especialistas, também representa uma forma de estresse hídrico, pois reduz a oxigenação das raízes e favorece problemas sanitários.

A cobertura do solo com palhada é outra prática considerada estratégica. Além de reduzir a evaporação da água, a palhada ajuda a diminuir a temperatura da superfície do solo, melhora a infiltração da água e favorece a atividade biológica. Em sistemas de plantio direto e rotação de culturas, esse benefício tende a ser ainda mais evidente.

O controle das plantas daninhas também ganha importância no período reprodutivo. A competição por água, nutrientes e luz pode agravar os efeitos da seca e reduzir ainda mais a capacidade produtiva do feijoeiro. Por isso, especialistas recomendam que o manejo das invasoras seja realizado antes do florescimento.

No caso do estresse térmico, algumas medidas podem contribuir para amenizar os efeitos das altas temperaturas. A manutenção da cobertura vegetal, o manejo adequado da densidade de plantas e a escolha de cultivares mais tolerantes ao calor ajudam a reduzir a temperatura do ambiente ao redor da cultura e a preservar o desenvolvimento das plantas.

A nutrição equilibrada também desempenha papel importante na tolerância aos estresses. Nutrientes como potássio, cálcio e boro participam diretamente de processos ligados ao florescimento, formação das vagens e regulação hídrica. Micronutrientes associados aos mecanismos antioxidantes das plantas também contribuem para reduzir os danos provocados pelas condições adversas.

Embora bioestimulantes e reguladores de crescimento possam ser utilizados em algumas situações para auxiliar no pegamento das flores e no vigor das plantas, especialistas ressaltam que esses produtos devem ser empregados apenas com recomendação técnica. Eles não substituem práticas fundamentais como irrigação adequada, escolha correta da época de plantio e manejo eficiente do solo.

O acompanhamento constante das condições climáticas, da umidade do solo e do desenvolvimento das plantas é considerado essencial para a tomada de decisões. A combinação entre planejamento, monitoramento e manejo integrado permite reduzir perdas e aumentar a capacidade do feijoeiro de enfrentar períodos de calor e déficit hídrico durante as fases mais sensíveis do ciclo produtivo.

Para as safras entre 2025 e 2026, marcadas por cenários de elevada variabilidade climática, especialistas reforçam que a integração entre plantio direto, rotação de culturas, escolha de cultivares adaptadas, manejo nutricional e monitoramento climático deverá ser cada vez mais importante para preservar a produtividade das lavouras de feijão. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.





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Como garantir raízes saudáveis no arroz irrigado


O desenvolvimento de um sistema radicular eficiente é um dos fatores que mais influenciam a produtividade do arroz irrigado nas áreas de várzea do Sul do Brasil. A avaliação destaca que raízes profundas e bem distribuídas aumentam o aproveitamento de nutrientes, melhoram a tolerância a períodos de déficit hídrico, reduzem riscos de acamamento e favorecem a recuperação das plantas após situações de estresse.

Segundo a análise, garantir um bom enraizamento depende de uma série de decisões adotadas antes e durante o ciclo da cultura, envolvendo preparo do solo, correção da acidez, manejo da fertilidade, controle da lâmina de água e escolha adequada das cultivares.

O estudo ressalta que o arroz irrigado possui sistema radicular fibroso e apresenta elevada sensibilidade à compactação do solo e à falta de oxigenação nas raízes. Por isso, práticas como preparo inadequado do terreno, excesso de água, semeadura em condições desfavoráveis e adubação desbalanceada podem limitar o crescimento radicular e comprometer o potencial produtivo da lavoura.

Nas principais regiões produtoras do Sul do país, predominam solos de várzea com tendência à compactação e problemas de drenagem. De acordo com a análise, essas condições podem restringir o aprofundamento das raízes e concentrar o sistema radicular nas camadas superficiais do solo, aumentando a vulnerabilidade da cultura a oscilações na irrigação e ao aproveitamento inadequado dos nutrientes.

O documento explica que o sistema radicular do arroz possui aerênquima, tecido responsável pelo transporte de oxigênio da parte aérea para as raízes, característica que permite o desenvolvimento em áreas alagadas. No entanto, a tolerância ao excesso de água possui limites. Lâminas muito profundas ou solos com baixa porosidade podem reduzir a renovação das raízes finas e dificultar a absorção de nutrientes.

Outro ponto destacado é a influência do preparo do solo sobre o crescimento radicular. A repetição constante do preparo na mesma profundidade favorece a formação de camadas compactadas, conhecidas como “pé de grade” ou “pé de arado”, que funcionam como barreiras ao desenvolvimento das raízes. Já práticas de descompactação, quando tecnicamente recomendadas, podem ampliar o volume de solo explorado pela cultura.

O manejo da água também exerce papel fundamental. Conforme a análise, nas primeiras semanas após a semeadura ou emergência das plantas, o ideal é manter o solo úmido, mas sem alagamento permanente, favorecendo a aeração e o aprofundamento do sistema radicular. O alagamento precoce tende a concentrar as raízes nas camadas superficiais.

A fertilidade do solo é outro fator considerado estratégico para o bom enraizamento. Solos com elevada acidez e presença de alumínio tóxico apresentam raízes mais curtas e com menor capacidade de absorção. Nesse contexto, a correção química do solo, realizada com antecedência e baseada em análises laboratoriais, é apontada como uma das medidas mais importantes para ampliar o desenvolvimento radicular.

A análise também destaca a importância de nutrientes como fósforo, potássio e nitrogênio. O fósforo contribui para a formação de raízes jovens, enquanto o potássio auxilia na regulação osmótica e na resistência a estresses. Já o nitrogênio deve ser manejado de forma equilibrada, uma vez que aplicações excessivas podem estimular o crescimento da parte aérea em detrimento das raízes.

Entre as recomendações para favorecer o desenvolvimento radicular estão a avaliação prévia das condições físicas e químicas do solo, o planejamento da correção da acidez, a redução do tráfego de máquinas em condições inadequadas de umidade, a semeadura em ambiente favorável e o manejo gradual da lâmina de água após a emergência das plantas.

O estudo alerta que sistemas radiculares pouco desenvolvidos tornam a lavoura mais suscetível a falhas na irrigação, reduzem a capacidade de absorção de nutrientes, aumentam o risco de acamamento e dificultam a recuperação das plantas diante de situações adversas.

Segundo a análise, o monitoramento constante do desenvolvimento das raízes por meio de avaliações em trincheiras ou pequenas escavações pode auxiliar os produtores na identificação de problemas e na adoção de medidas corretivas ao longo do ciclo da cultura. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.





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Mato Grosso registra recorde em exportações de carne bovina em maio


As exportações de carne bovina de Mato Grosso atingiram recordes de volume e faturamento em maio de 2026, segundo análise semanal divulgada na segunda-feira (8) pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária. O desempenho foi impulsionado pela demanda internacional aquecida, especialmente da China, e pela valorização do produto no mercado externo.

De acordo com o levantamento do Imea, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior, os embarques de carne bovina do estado somaram 87,1 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC) em maio. O volume representa crescimento de 3,55% em relação a abril deste ano e avanço de 32,27% na comparação com o mesmo mês de 2025.

O aumento das exportações também refletiu na receita obtida pelo setor. O faturamento alcançou US$ 440,72 milhões, resultado 7,83% superior ao registrado no mês anterior e 64,53% acima do observado em maio do ano passado. Segundo o Imea, tanto o volume exportado quanto a receita gerada representam os maiores resultados de 2026 até o momento e estabelecem recordes para meses de maio.

A China permaneceu como principal destino da carne bovina mato-grossense, concentrando 60,43% dos embarques realizados no período. O cenário favorável também foi sustentado pela valorização do produto, com o preço médio da carne exportada alcançando US$ 5.060,12 por tonelada equivalente carcaça.

Apesar dos resultados positivos, o instituto alerta para possíveis desafios nos próximos meses. Conforme a análise, a cota da salvaguarda chinesa está praticamente preenchida, o que pode elevar os custos de acesso ao mercado asiático e reduzir a competitividade da carne bovina brasileira no segundo semestre.

“O desempenho foi sustentado pela demanda externa aquecida, especialmente da China, que respondeu por 60,43% dos embarques no mês, e pela valorização da carne bovina”, destacou o Imea em sua análise semanal. O instituto também observou que o avanço da utilização da cota chinesa “pode elevar os custos de acesso ao mercado chinês e reduzir a competitividade da carne bovina nacional no segundo semestre”.





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Ciclone e frente fria deixam 10 estados em alerta de tempestades


A chegada de uma frente fria associada a um ciclone extratropical deve provocar uma mudança significativa nas condições do tempo em parte do Brasil nos próximos dias. Segundo informações do Meteored, dez estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste estão em alerta para a ocorrência de chuvas intensas, tempestades, rajadas de vento e elevados acumulados de precipitação.

Os estados sob atenção são Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. A previsão indica potencial para transtornos como alagamentos, queda de árvores e transbordamento de córregos e rios, afetando tanto áreas urbanas quanto regiões produtoras.

De acordo com o Meteored, o tempo firme predominou em grande parte do país nos últimos dias, mas a atuação de um ciclone sobre a Região Sul já favoreceu o aumento da nebulosidade e o registro de chuva em áreas de Santa Catarina. A expectativa é de que as instabilidades avancem gradualmente sobre outras regiões ao longo da semana.

Na quarta-feira (10), o Rio Grande do Sul deve iniciar o dia com predomínio de sol, especialmente durante a manhã. Já nos demais estados do Sul, em boa parte do Sudeste e no Centro-Oeste, a previsão é de céu nublado ou parcialmente nublado. Ainda durante o dia, são esperadas chuvas de intensidade moderada a forte, acompanhadas de rajadas de vento, principalmente em Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina.

Entre a noite de quarta-feira e a manhã de quinta-feira (11), as áreas de instabilidade devem avançar para estados do Sudeste, com destaque para São Paulo e Minas Gerais. No Rio de Janeiro, a previsão aponta ocorrência de chuva fraca.

Na quinta-feira, uma área de baixa pressão atmosférica sobre o continente deve intensificar as instabilidades sobre o Sul e o Centro-Oeste. O sistema favorecerá a convergência de umidade e aumentará o risco de chuva intensa em diversas localidades.

Já na sexta-feira (12), o ciclone deverá estar mais organizado e impulsionar uma frente fria de maior intensidade. Conforme o Meteored, os três estados da Região Sul permanecerão em alerta para tempestades, rajadas de vento e volumes expressivos de chuva. O Paraná aparece como uma das áreas com maior potencial para registro de transtornos devido aos acumulados previstos.

No Centro-Oeste, o sul de Mato Grosso poderá registrar tempestades desde as primeiras horas da sexta-feira. Mato Grosso do Sul ficará sob alerta para grandes volumes de chuva e precipitações intensas, enquanto Goiás deverá sentir os efeitos da aproximação da frente fria ao longo da tarde.

No Sudeste, a previsão indica tempo fechado durante a sexta-feira. As primeiras pancadas de chuva devem atingir o Triângulo Mineiro e o oeste paulista ainda pela manhã. Com o avanço da frente fria, municípios de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro também entram em alerta para chuva e temporais. No Espírito Santo, os efeitos do sistema são esperados a partir da madrugada de sábado (13).





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Entenda o impacto da segunda safra no preço do milho



Compradores nacionais seguem pouco ativos nas aquisições de milho



Foto: Divulgação

O mercado brasileiro de milho iniciou junho com preços em baixa na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea. Segundo dados divulgados pelo Centro de Pesquisas, a retração está ligada ao afastamento dos compradores no mercado spot, à atenção sobre a colheita da segunda safra e ao recuo das cotações internacionais.

Os compradores nacionais seguem pouco ativos nas aquisições de milho no mercado spot. De acordo com levantamento do Cepea, parte desses demandantes ainda conta com estoques suficientes para atender ao consumo no curto prazo, o que reduz a necessidade de novas compras.

Além disso, agentes do mercado acompanham o avanço da colheita da segunda safra e as quedas recentes nos preços internacionais. Esse movimento reduz a paridade de exportação e aumenta a pressão sobre os valores praticados no mercado doméstico.

Apesar do cenário de baixa, nem todos os vendedores estão dispostos a negociar. Segundo pesquisadores do Cepea, agentes que não precisam fazer caixa ou liberar espaço nos armazéns seguem limitando as vendas.

A expectativa desse grupo é de alguma sustentação nos preços, diante da previsão de menor produção em 2025/26 e dos possíveis efeitos da seca sobre a produtividade. As principais preocupações estão concentradas em Goiás e em partes de Mato Grosso do Sul, além dos impactos das geadas no Paraná.

No cenário internacional, o milho registrou forte desvalorização no começo de junho. De acordo com o Cepea, a baixa foi influenciada pela melhora das condições climáticas nas regiões produtoras dos Estados Unidos e pelo aumento da oferta na América do Sul.

A colheita da segunda temporada no Brasil e a boa produção na Argentina também contribuíram para ampliar a disponibilidade do cereal. Outro fator de pressão veio do trigo, que também apresentou queda nos preços e reforçou o movimento de desvalorização do milho.

O mercado do milho deve continuar atento ao ritmo da colheita, à demanda interna e ao comportamento dos preços internacionais. Enquanto compradores mantêm postura cautelosa, vendedores avaliam os riscos climáticos e tentam evitar novas perdas nas cotações.

 

 

 





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