sábado, maio 30, 2026

Política & Agro

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Chuvas elevam risco de cercospora no milho


A cercosporiose do milho, causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis, segue entre as principais preocupações fitossanitárias das regiões produtoras de milho do Brasil em safras marcadas por chuvas frequentes e temperaturas amenas a quentes. A doença tem maior incidência em áreas do Centro-Oeste, Sul e Sudeste, especialmente entre dezembro e junho, período em que a combinação de umidade elevada e molhamento foliar favorece epidemias. O manejo, segundo orientações técnicas de instituições como a Embrapa Milho e Sorgo, exige integração de estratégias como escolha de híbridos tolerantes, rotação de culturas, manejo de palhada, ajuste de época de semeadura e uso racional de fungicidas. O acompanhamento técnico por engenheiro(a) agrônomo(a) também é apontado como essencial para definir o momento correto de intervenção.

O avanço da cercosporiose está relacionado à intensificação dos sistemas de produção, principalmente em áreas com sucessão de culturas e semeaduras tardias. Em estados como Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, o clima com temperaturas entre 20 °C e 28 °C e alta umidade relativa cria ambiente favorável para o fungo. O sistema de plantio direto, embora importante para conservação do solo, também contribui para a manutenção do inóculo na palhada de milho deixada na superfície.

A doença é causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis, que ataca principalmente as folhas e compromete a área fotossintética da planta. O patógeno sobrevive em restos culturais infectados e libera esporos em condições de umidade, disseminados pelo vento e por respingos de chuva. Após a infecção, surgem lesões que dão continuidade ao ciclo da doença ao longo da safra, especialmente em ambientes com folhas molhadas por longos períodos.

As condições climáticas exercem papel decisivo no desenvolvimento da cercosporiose. Temperaturas amenas a quentes, alta umidade relativa, excesso de sombreamento no dossel e sucessão de milho sobre milho elevam a pressão da doença. O uso de híbridos suscetíveis também acelera o avanço da epidemia nas lavouras.

A identificação correta da cercosporiose é considerada fundamental para o manejo integrado. Os sintomas incluem lesões alongadas que evoluem para manchas de coloração marrom-clara a cinza, geralmente alinhadas às nervuras das folhas. Em situações severas, ocorre queima intensa das folhas superiores, reduzindo diretamente a capacidade fotossintética da planta. Técnicos alertam que a doença pode ser confundida com outras manchas foliares, o que torna importante o diagnóstico especializado.

Os impactos na produtividade variam conforme a intensidade da doença e o estádio em que a infecção ocorre. Quando atinge folhas próximas à espiga durante o florescimento e enchimento de grãos, a cercosporiose pode reduzir significativamente o peso dos grãos e comprometer o rendimento final da lavoura. Estudos citados pela Embrapa e por universidades brasileiras indicam que, em áreas sem manejo adequado, as perdas podem gerar impactos econômicos relevantes.

Especialistas apontam que o manejo da doença em anos chuvosos deve considerar diferentes fatores simultaneamente, como histórico da área, volume de palhada infectada, suscetibilidade do híbrido, previsão climática e posição das lesões na planta. Nesse cenário, o monitoramento frequente da lavoura é considerado decisivo para orientar as intervenções e evitar aplicações desnecessárias de fungicidas.

A escolha de híbridos mais tolerantes aparece como uma das principais ferramentas preventivas contra a cercosporiose. Informações técnicas de empresas e instituições de pesquisa ajudam produtores a selecionar materiais com melhor pacote sanitário, principalmente em áreas com alta pressão da doença e histórico de sucessão milho-milho.

A rotação de culturas e o manejo de restos culturais também são apontados como pilares do controle integrado. Alternar o milho com culturas não hospedeiras reduz a quantidade de inóculo disponível para a próxima safra. Ao mesmo tempo, práticas que favoreçam a decomposição da palhada ajudam a diminuir a sobrevivência do fungo no sistema produtivo.

Outra estratégia recomendada é o ajuste da época de semeadura, buscando evitar que as fases mais sensíveis da cultura coincidam com períodos de maior umidade. O escalonamento do plantio e o respeito às janelas do zoneamento agrícola também contribuem para reduzir riscos fitossanitários e facilitar o manejo operacional da lavoura.

O manejo da densidade de plantas e da fertilidade do solo influencia diretamente o ambiente dentro da lavoura. Dosséis muito fechados aumentam o tempo de molhamento foliar, favorecendo a doença. Já a nutrição equilibrada fortalece as plantas diante de estresses, enquanto desequilíbrios nutricionais podem elevar a suscetibilidade às manchas foliares.

O controle químico segue como ferramenta importante, mas deve ser utilizado dentro de um programa integrado. Instituições de pesquisa indicam que os fungicidas apresentam maior eficiência quando aplicados nos estádios iniciais da doença e antes do comprometimento severo das folhas superiores. A decisão sobre a primeira aplicação deve considerar sintomas iniciais, previsão de chuvas e estádio fenológico da cultura.

A rotação de modos de ação é apontada como fundamental para evitar resistência do fungo aos fungicidas. As recomendações incluem alternar grupos químicos, utilizar misturas registradas e respeitar doses, intervalos e número máximo de aplicações definidos em bula e receituário agronômico.

A qualidade da pulverização também ganha importância em períodos chuvosos, quando as janelas de aplicação costumam ser reduzidas. Técnicos recomendam atenção à regulagem dos pulverizadores, escolha adequada das pontas e monitoramento das condições climáticas para evitar perdas por deriva e lavagem dos produtos.

O manejo da cercosporiose deve estar alinhado a outras práticas agronômicas da lavoura. Programas fitossanitários integrados, controle de plantas daninhas e manejo de pragas ajudam a reduzir fatores que favorecem o microclima úmido e o enfraquecimento das plantas, contribuindo para maior equilíbrio do sistema produtivo.

As orientações técnicas também reforçam a necessidade de seguir rigorosamente a legislação relacionada ao uso de defensivos agrícolas. O uso de equipamentos de proteção individual, o respeito aos períodos de carência e a utilização apenas de produtos registrados fazem parte das exigências previstas para o manejo fitossanitário da cultura.

Entre os principais pontos recomendados para o controle da cercosporiose estão o monitoramento constante da lavoura, a escolha de híbridos tolerantes, a rotação de culturas, o posicionamento correto de fungicidas e a integração das práticas de manejo. O registro das estratégias utilizadas e dos resultados obtidos também é considerado importante para o planejamento das próximas safras. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.

 





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Algodão recua após semanas de alta



Bolsa de NY registra queda no algodão



Foto: Canva

De acordo com análise semanal divulgada nesta segunda-feira (25) pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, as cotações do algodão na bolsa de Nova York interromperam a sequência de altas observada nas últimas semanas e passaram a registrar recuo. Segundo o instituto, fatores como o conflito entre os Estados Unidos e o Irã, que influenciou os preços do petróleo, além das condições climáticas desfavoráveis durante a semeadura da safra 2026/27 nos Estados Unidos, sustentaram a valorização recente da pluma no mercado internacional.

O relatório aponta que o contrato para julho de 2026 chegou a atingir ¢US$ 87,77 por libra-peso no início de maio, acumulando valorização de 33,09% em relação ao começo de março. No entanto, nos últimos dias, o cenário mudou e o contrato encerrou a semana cotado a ¢US$ 77,42 por libra-peso. Conforme o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, a retração está relacionada à melhora das condições climáticas nos Estados Unidos e à queda nos preços do petróleo, movimento que tende a aumentar a competitividade das fibras sintéticas frente ao algodão.

A análise também destaca que houve correções técnicas nos contratos futuros após sucessivas sessões de valorização. Além disso, o início da colheita no Brasil passou a ser acompanhado de perto pelos agentes do mercado, já que o aumento da oferta de pluma disponível tende a ampliar a pressão sobre as cotações nas próximas semanas.





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El Niño coloca agro gaúcho em alerta


De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (21) pela Emater/RS-Ascar, os prognósticos consolidados para a atuação do fenôeno El Niño entre o fim do inverno e a primavera de 2026 acendem um alerta para o setor agropecuário do Rio Grande do Sul. Segundo a entidade, os modelos climáticos apontam para excesso hídrico significativo, cenário que já influencia a expectativa de redução da área cultivada com grãos de inverno, especialmente trigo e cevada, além de elevar o risco de inundações em diferentes regiões do estado. “O momento é de planejamento e adoção de medidas conservacionistas”, destacou a Emater/RS-Ascar.

A entidade orienta que técnicos e produtores aproveitem o período atual para revisar e fortalecer práticas de conservação do solo e dos recursos hídricos. Conforme o informativo, medidas que aumentem a infiltração e a retenção de água no perfil do solo ajudam a reduzir o escoamento superficial e retardam a elevação abrupta dos cursos d’água, diminuindo os impactos de enchentes nas bacias hidrográficas. Ao mesmo tempo, essas práticas ampliam a capacidade de armazenamento de água para períodos de estiagem de curta duração.

O levantamento também destaca que sistemas de manejo conservacionista, como o plantio direto e a manutenção de cobertura vegetal permanente, podem triplicar a taxa de infiltração de água no solo em comparação aos sistemas convencionais. Solos com níveis adequados de matéria orgânica, segundo a Emater/RS-Ascar, têm capacidade de armazenar centenas de milhares de litros adicionais de água por hectare. O informativo ainda aponta a construção e recuperação de terraços, o cultivo em nível e o uso de mix de plantas de cobertura como estratégias importantes para reduzir perdas de solo e água e aumentar a estabilidade produtiva.

Na pecuária, a recomendação é para planejamento antecipado do manejo das áreas. Entre as medidas indicadas estão o ajuste da carga animal, a adequação do pastejo e a redução do trânsito excessivo de animais em locais mais suscetíveis ao encharcamento e à degradação do solo.

A Emater/RS-Ascar reafirmou que seguirá atuando junto aos produtores gaúchos no desenvolvimento de sistemas produtivos mais resilientes e sustentáveis. Segundo o órgão, iniciativas como o Programa Operação Terra Forte funcionam como instrumentos de apoio técnico para recuperação e manejo conservacionista dos solos. A entidade também ressaltou a importância de ferramentas de monitoramento climático, como o SIMAGRO, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, no suporte à tomada de decisões diante da intensificação da variabilidade climática.

O informativo conclui que a adoção de sistemas produtivos voltados à conservação do solo fortalece a resiliência da agropecuária e contribui para ampliar os processos de infiltração hídrica nas áreas de precipitação, reduzindo o escoamento superficial e os impactos hidrológicos negativos ao longo das bacias hidrográficas do estado.





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Arco Norte se consolida como rota de entrada e saída de produtos agropecuários


Os portos do Arco Norte são os principais eixos de entrada de adubos e fertilizantes no país, ultrapassando o volume de desembarque verificado em Paranaguá. A mudança foi iniciada em 2024 e se consolidou no ano passado, quando em 2025 foram registradas 13,36 milhões de toneladas internalizadas a partir do Arco Norte contra 10,89 milhões de toneladas desembarcadas no porto do Paraná. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26) durante a apresentação do Anuário Agrologístico 2026 – Volume 3.

“Claramente, a gente percebe nos últimos 10 anos um deslocamento do sul para o norte do Brasil. A parte do Centro-Norte do país tem assumido uma relevância muito significativa na saída do grão brasileiro e também tem se aproveitado dessa própria logística para a importação dos fertilizantes que vem de fora do Brasil, em especial o potássio, a ureia e também o fosfatado, que são utilizados para a produção agrícola brasileira. Esse deslocamento se deve, principalmente, a investimentos públicos que foram feitos e isso tem contribuído para que haja essa mudança significativa. Antes todo o grão de Mato Grosso saía ou por Paranaguá ou, principalmente, por Santos. Agora, se reduziu a distância até o porto pela região do estado do Pará, como também do Maranhão, pelo porto de Itaqui, e isso tem contribuído de forma bastante expressiva para ampliação da área de produção”, avalia o presidente da Conab, Sílvio Porto.

“Um dos fatores que explica essa alta é a utilização da modalidade de frete de retorno, visando à diminuição do custo logístico. Ou seja, movimenta-se em direção aos portos com os grãos e retorna para as regiões produtoras com os fertilizantes”, explica o diretor de Operações e Abastecimento da Conab, Arnoldo de Campos. “Isso torna evidente a importância do governo federal continuar com os investimentos na região do Arco Norte e nos sistemas de transportes para essas rotas, não somente visando a exportação dos grãos, mas também, às importações dos insumos, completando o atendimento logístico da cadeia produtiva como um todo, aumentando a competitividade nacional”, complementa.

Ainda de acordo com o Anuário, no período de 2021 a 2025, foi alcançado um crescimento nas importações de fertilizantes por esse complexo portuário de 62,7%, contra queda de -0,8% observado em Paranaguá. “As melhorias das condições de infraestrutura nos Portos do Arco Norte e a proximidade com as principais regiões produtoras de grãos e fibras do país, juntamente com os fretes de retorno, contribuem para que o fluxo de importações de fertilizantes por esta região”, analisa o superintendente de Logística Operacional da Companhia, Thomé Guth.

Dentre os portos do Arco Norte, foram desembarcadas em Itaqui, no Maranhão, 34% do volume de fertilizantes internalizados pelo conjunto dos portos. O porto de Santarém, no Pará, participou com 22% do total regional, captando especialmente, as cargas oriundas dos estados do Pará e de Mato Grosso e do oeste de Tocantins. Já o porto de Salvador respondeu por 21% das importações, visando o atendimento da região do Matopiba, particularmente o Oeste Baiano, grande produtor de algodão, soja e milho.

A consolidação da região do Arco Norte como eixo de escoamento dos produtos agropecuários também traz novos desafios para o setor público. “Nós precisamos entender que esses processos logísticos também são vetores da expansão agrícola brasileira, e acende uma grande preocupação principalmente a expansão agropecuária na Amazônia, o que isso gera um tensionamento, desmatamento e conflitos agrários. Esse anuário nos permite que façamos uma análise mais ampla não só do fluxo das mercadorias, mas os impactos nos territórios gerados a partir desse processo de expansão agropecuária”, pondera o presidente da estatal.





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Produção de café em Baependi cresce 15,5% com apoio do ATeG


O técnico de campo Luiz Felipe Kraus assumiu, em 2022, a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) de café em Baependi, no Sul de Minas, e os 28 produtores atendidos cultivavam 85,56 hectares e alcançavam produtividade média de 15,08 sacas/ha. Três anos depois, em 2025, a produtividade anual saltou para 32,29 sacas/ha, um avanço de 15,5%, desempenho superior ao resultado nacional, que cresceu 5,26% no período e fechou o ano com média de 30,4 sacas/ha.

Para Luiz Felipe, o crescimento expressivo é fruto do trabalho conjunto entre assistência técnica e produtores. “Tem a dedicação na nossa prestação de serviços, somada à credibilidade da instituição e à confiança do produtor, que segue as recomendações e adota novas tecnologias de manejo”, destaca.

Entre as práticas estimuladas pelo programa estão adubação equilibrada, manejo adequado do solo e das podas, análises frequentes, espaçamento correto das plantas e renovação de áreas desgastadas. O técnico também promove intercâmbio entre propriedades, incentiva o associativismo para reduzir custos com insumos e estimula a participação em eventos como a Semana Internacional do Café (SIC) e o Cupping Senar.

Os efeitos ultrapassam as fronteiras das propriedades assistidas. O presidente do Sindicato Rural de Baependi, Sirlei Silvério, afirma que os resultados motivaram produtores de municípios vizinhos, como Aiuruoca e Alagoa, a investir mais no café. “São pequenos produtores, mas o número cresceu mais de 500%”, afirma. O terroir das terras altas da Mantiqueira favorece, segundo técnicos, cafés especiais, de bebida mole e adocicada, com maior valor de mercado, fator que também impulsiona novos cafeicultores.

Qualidade reconhecidaFoi seguindo essas orientações que Michel Lopes Maciel e a família mudaram a forma de plantar, colher, beneficiar e vender o café. O cultivo começou em 2020 com 1500 pés. Em 2022, eles entraram para o grupo de ATeG e as mudanças foram significativas. “Se não fosse o ATeG, a gente não teria um café especial e nem a produção que tem hoje”, afirma Michel.

Em 2025, a lavoura chegou a 5 mil pés, o que rendeu 50 sacas, e ainda vieram as conquistas em duas premiações: 2º lugar na categoria Café Natural e 2º lugar na pontuação geral do 33º Concurso de Qualidade Minasul de Cafés Especiais, em Varginha (MG); e o 2º lugar na categoria Arábica Natural – Sul de Minas do 9º Cupping ATeG Café + Forte, realizado na SIC, em Belo Horizonte.

A força que vem da famíliaA sucessão familiar também é um dos quesitos trabalhados pelo ATeG e, segundo Luiz Filipe, um dos pontos fortes dos produtores de Baependi. Um dos casos de sucesso é o de Simone Vieira. A plantação de café na família começou há 44 anos, com os pais dela. Dos três filhos, apenas Simone – a única mulher – se interessou pelo trabalho no campo. “A vida inteira acompanhei meu pai”, conta.

Recentemente, Simone começou a assumir a dianteira dos negócios, mas seu Raul ainda participa. Além do café, a família também planta milho e cria bezerros. O marido de Simone ajuda com a criação e a filha Rafaela, de 14 anos, já segue os passos da mãe. “Ela gosta muito de lavoura, de gado. Se Deus quiser, vai ser minha sucessora”, diz a mãe orgulhosa.

Para 2026, a expectativa de Simone é colher 75 sacas/ha, um resultado, segundo ela, que só foi possível com o incentivo do profissional do Senar.





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Chuvas favorecem soja 2026 em Roraima, mas El Niño preocupa


De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia, o calendário de cultivo da soja em Roraima apresenta características distintas em relação ao restante do país por coincidir com a estação chuvosa da região. A condição climática, marcada pela regularidade das precipitações, garante maior segurança produtiva e estabilidade no rendimento das lavouras. O zoneamento agrícola para a cultura no estado começou no fim de março e segue até meados de junho, período considerado mais adequado devido às condições favoráveis de chuva.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, o cenário da safra 2026 tem sido positivo até o momento. Desde o início da janela recomendada para semeadura, o estado registra chuvas frequentes e, em alguns períodos, volumes expressivos de precipitação, favorecendo a emergência das plantas e a formação adequada do estande. O levantamento aponta ainda que as perdas observadas até agora permanecem reduzidas, reflexo da regularidade das chuvas, da ausência de deficiência hídrica e das temperaturas consideradas favoráveis ao desenvolvimento da cultura.

Nas próximas semanas, as lavouras devem entrar em fases de maior demanda hídrica, tornando a manutenção das chuvas um fator decisivo para o desempenho produtivo. Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia, a estação chuvosa em Roraima é influenciada principalmente pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), cuja posição mais ao sul entre abril e agosto favorece chuvas intensas e persistentes. Historicamente, junho e julho representam o pico da estação chuvosa, com acumulados que frequentemente superam 250 milímetros, volumes considerados suficientes para atender à demanda hídrica da soja quando distribuídos de forma equilibrada ao longo do ciclo. A partir de agosto, porém, o deslocamento sazonal da ZCIT para latitudes mais ao norte reduz gradativamente as precipitações, elevando o risco de déficit hídrico em áreas de plantio tardio.

O relatório alerta, no entanto, que a estabilidade produtiva da safra pode ser comprometida pela atuação do fenômeno El Niño. O aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial altera a circulação atmosférica tropical e provoca redução e irregularidade das chuvas na porção norte da Amazônia durante a primavera e o verão. Esse cenário tende a antecipar o fim da estação chuvosa e aumentar o risco de secas severas, afetando diretamente o suprimento hídrico necessário ao desenvolvimento da soja e ampliando a possibilidade de perdas nas lavouras.

A previsão climática elaborada em conjunto pelo Instituto Nacional de Meteorologia, Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos e Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos indica que, entre junho e agosto, os volumes de chuva podem ficar até 50 milímetros abaixo da média climatológica em Roraima. O cenário reforça a preocupação com as fases de maior exigência hídrica da cultura.

Diante desse quadro, os órgãos meteorológicos recomendam atenção redobrada ao planejamento das atividades agrícolas no estado. A orientação é para que produtores acompanhem continuamente as atualizações climáticas e meteorológicas, utilizando as informações como suporte à tomada de decisões no manejo das lavouras, na redução de riscos operacionais e na organização das operações de campo.





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Comissão de Cana da Faesp debate desafios econômicos e regulatórios da safra 2026/27


A Comissão de Cana-de-Açúcar e Energia Renovável da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) realizou, nesta quinta-feira (21), reunião voltada à análise dos impactos regulatórios, produtivos e de mercado sobre a rentabilidade dos produtores rurais paulistas na safra 2026/27. A abertura do encontro foi conduzida pelo presidente Tirso Meirelles, que reafirmou o compromisso da Federação com a defesa do equilíbrio nas relações contratuais e da sustentabilidade econômica do setor, diante do atual cenário marcado por elevados custos de produção, retração dos preços do açúcar e do etanol e crescente deterioração da rentabilidade no campo.

“A subvenção econômica à gasolina amortece o impacto da alta internacional do petróleo, evitando um efeito cascata nos preços de alimentos e transportes. Entretanto, a medida gera preocupação ao comprometer a competitividade do etanol no mercado e reduzir a previsibilidade regulatória do setor. Além de desestimular investimentos em biocombustíveis, o mecanismo afeta diretamente a cadeia produtiva da cana-de-açúcar. Se o preço da gasolina cai devido à subvenção, o preço do etanol precisa cair proporcionalmente para manter a conhecida paridade de 70%. Isso amplia a pressão negativa sobre as margens da atividade”, comentou.

A reunião contou com a participação de Raphael Delloiagono, analista de Inteligência de Mercado do PECEGE, que apresentou as perspectivas para a safra sucroenergética 2026/27, incluindo estimativas de produção, preços e custos do setor, além de simulações relacionadas aos impactos da subvenção econômica à gasolina, autorizada pela Medida Provisória nº 1.358/2026, sobre o valor da cana-de-açúcar.

As projeções para o Centro-Sul indicam produção de aproximadamente 635,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026/27, volume cerca de 4% superior ao registrado no ciclo anterior, impulsionado principalmente pela recuperação da produtividade agrícola. A maior atratividade do etanol em relação ao açúcar deve resultar em uma safra mais alcooleira, com previsão de incremento de cerca de 4,2 bilhões de litros na produção total do biocombustível em comparação à safra anterior, totalizando 37,90 bilhões de litros.

A revisão do modelo do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana-SP), criado para estabelecer parâmetros técnicos e econômicos que orientam a remuneração da cana-de-açúcar no estado, também esteve no centro das discussões, em razão de sua relevância como referência para a formação de preços e para a mitigação das assimetrias de informação na cadeia sucroenergética. Os participantes reforçaram a necessidade de aprofundamento técnico e institucional do debate, com foco na ampliação da transparência, previsibilidade e segurança econômica nas relações entre fornecedores e indústria.

Outro tema abordado foi sobre os testes de campo com a tecnologia conhecida como “bisturi”, apontada como alternativa com potencial para elevar a eficiência operacional e reduzir custos, especialmente entre pequenos e médios produtores. A técnica vem sendo avaliada quanto à sua capacidade de contribuir para a revitalização dos canaviais e para o prolongamento da vida útil das áreas produtivas, reduzindo a necessidade de renovação integral dos talhões.

O coordenador da Comissão, Nelson Perez Junior, relatou resultados preliminares positivos obtidos em áreas experimentais em sua propriedade e ressaltou a importância do avanço das pesquisas e da difusão técnica da tecnologia, após validação agronômica e econômica, no âmbito do futuro Centro de Excelência da Cana-de-Açúcar e Bioenergia, em Ribeirão Preto.

Ao final da reunião, a Comissão deliberou encaminhamentos voltados à mitigação dos impactos da política federal de combustíveis sobre a competitividade do etanol, aprofundamento das discussões sobre o Consecana-SP e o fortalecimento de iniciativas voltadas à inovação, eficiência produtiva e redução de custos na atividade canavieira paulista.





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Produtor rural pode ter CAD/PRO suspenso por nota fiscal antiga sem baixa, alerta Sistema FAEP


Desde janeiro deste ano, a emissão de notas fiscais por produtores rurais no Paraná passou a ser feita exclusivamente de forma eletrônica. O antigo “talão do produtor”, utilizado em papel, deixou de valer, sendo substituído pela Nota Fiscal de Produtor eletrônica (NFP-e). A mudança modernizou o sistema, mas também trouxe uma exigência: a necessidade de dar baixa nos documentos fiscais emitidos em papel junto à prefeitura.

Sem essa regularização, o Cadastro de Produtores Rurais (CAD/PRO) pode ser suspenso pela Receita Estadual, impedindo a emissão de notas fiscais eletrônicas e, consequentemente, interrompendo atividades essenciais da propriedade. Na prática, isso impossibilita a comercialização da produção, o transporte de animais, a emissão de comprovantes fiscais e a realização de operações comerciais que dependam da documentação regular.

Diante deste cenário, a recomendação do Sistema FAEP é que produtores que emitiram nota fiscal em papel até dezembro de 2025 procurem imediatamente a prefeitura e/ou o sindicato rural local para verificar se há pendências e evitar a suspensão do cadastro.

“Os nossos sindicatos rurais estão aptos para orientar o agricultor sobre como apresentar esses documentos fiscais em papel e, na ausência deles, como proceder com boletim de ocorrência em caso de perda ou roubo da documentação”, explica o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.

Em caso de cancelamento automático, a situação pode ser revertida. O produtor deve solicitar a reativação do CAD/PRO junto ao Poder Municipal local, que encaminha o pedido à Receita Estadual. A documentação varia conforme o perfil do produtor. Proprietários ou arrendatários devem apresentar o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) atualizado de 2025. No caso de assentados, é necessário apresentar o espelho atualizado do assentamento. Já posseiros recebem orientação específica da prefeitura.

“A Receita tem sido rápida. Em até 15 dias o produtor consegue voltar a emitir nota eletrônica, comprar e vender normalmente”, explica Meneguette.

Em Rio Bonito do Iguaçu, a suspensão em massa surpreendeu produtores e a própria administração municipal. A assistente administrativa do setor de Bloco de Produtor da Prefeitura, Angela Conrado Machado, afirma que o cancelamento atingiu documentos emitidos em períodos distintos.No total, 1.035 produtores rurais de Rio Bonito do Iguaçu, extensão de base do Sindicato Rural de Laranjeiras do Sul, tiveram o cadastro suspenso. “Foi uma surpresa. A Receita cancelou nossos blocos nos dias 6 e 7 de maio. Geralmente isso ocorre com notas antigas, de 2022, 2023 e 2024, que a Receita vai organizando e limpando. Mas, nesse caso, teve produtor com nota do ano passado que teve a inscrição cancelada”, relata.

Para evitar esse tipo de situação, o Sistema FAEP reforça que os sindicatos rurais do Paraná estão aptos a orientar agricultores e pecuaristas sobre a baixa das antigas notas fiscais e os procedimentos para regularização cadastral. “Nossa equipe técnica está preparada para esclarecer dúvidas e auxiliar na regularização dos cadastros, evitando que o produtor descubra o problema apenas no momento em que precisar emitir um documento ou movimentar a produção”, conclui o presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette.





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Navios que cruzam Ormuz precisam de autorização da Guarda, diz autoridade do Irã


Logotipo Reuters

 

Por Parisa Hafezi e Jonathan Saul

DUBAI/LONDRES, 17 Abr (Reuters) – Todos os navios podem navegar pelo Estreito de Ormuz, mas isso precisa ser coordenado com a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã, disse uma autoridade iraniana de alto escalão à Reuters, acrescentando que o descongelamento de recursos iranianos faz parte do acordo.

O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, escreveu no X que o estreito estava aberto depois que um acordo de cessar-fogo foi firmado no Líbano, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, disse acreditar que um acordo para acabar com a guerra do Irã ocorrerá “em breve”, embora o momento ainda não esteja claro.

Centenas de navios e 20.000 marítimos ficaram retidos no Golfo esperando para passar pela importante hidrovia, que movimenta cerca de 20% dos fluxos de petróleo e gás natural liquefeito do mundo.

A autoridade iraniana afirmou que os trânsitos seriam restritos às rotas que o Irã considerasse seguras, acrescentando que as embarcações militares ainda estavam proibidas de cruzar o estreito.

“A liberação dos recursos do Irã foi parte do acordo para a reabertura do estreito”, observou a autoridade, referindo-se a uma receita congelada estimada em US$30 bilhões, gerada principalmente pelas exportações de petróleo e gás, bloqueadas em meio às sanções dos EUA contra Teerã.

Não ficou imediatamente claro se isso incluía as faixas do Esquema de Separação de Tráfego (TSS) estabelecidas para entrar e sair do Golfo, usadas pela navegação internacional desde a década de 1970.

“Até mesmo as embarcações dos EUA serão permitidas, excluindo os navios militares”, disse ele.

A fonte acrescentou que certas rotas através de Ormuz permaneceriam abertas, mas que elas precisariam ser determinadas como seguras pelo Irã.

“A navegação será feita em coordenação com o Irã e com a autorização da Guarda e da Organização Marítima e de Portos do Irã para garantir a segurança da navegação”, disse a autoridade.

Pouco depois da declaração de Araqchi, o presidente dos EUA, Donald Trump, postou no Truth Social: “O IRÃ ACABOU DE ANUNCIAR QUE O ESTREITO DO IRÃ ESTÁ COMPLETAMENTE ABERTO E PRONTO PARA A PASSAGEM”.

Trump acrescentou que permanece em vigor o bloqueio militar dos EUA aos navios que navegam pelo estreito de e para portos iranianos, anunciado após as negociações com o Irã no último fim de semana no Paquistão, que terminaram sem acordo.

A mídia estatal iraniana, citando uma autoridade não identificada, disse que se o bloqueio dos EUA persistir, Teerã considerará isso uma violação do cessar-fogo e voltará a fechar o estreito.

(Reportagem de Parisa Hafezi e Jonathan Saul)





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Mercado de herbicidas exige validação constante



A avaliação reúne variações semanais


A avaliação reúne variações semanais
A avaliação reúne variações semanais – Foto: Divulgação

O mercado de herbicidas técnicos voltou a mostrar a necessidade de acompanhamento frequente dos preços internacionais, em um cenário marcado por variações entre períodos e por diferentes referências de negociação. Segundo análise de Rafael Gomes, especialista em gestão de portfólio agroquímico, o levantamento mais recente considera o comportamento de herbicidas técnicos no intervalo de 8 a 15 de maio de 2026, com base em preços FOB China para produtos técnicos.

A avaliação reúne variações semanais, mensais e anuais, permitindo uma leitura comparativa da movimentação dos preços em diferentes horizontes. Os dados foram consolidados a partir de plataformas e referências do mercado chinês, incluindo negociações spot, monitoramento FOB e acompanhamento de movimentações da cadeia agroquímica.

De acordo com o material analisado, a leitura desse mercado exige atenção a fatores que podem influenciar os resultados apurados. Entre eles estão possíveis diferenças decorrentes da tradução do mandarim para o português, divergências entre fontes consultadas, datas de coleta, conversão entre renminbi e dólar e a própria dinâmica de negociação no mercado FOB China.

O acompanhamento dos herbicidas técnicos também demanda validação constante entre períodos comparativos, concentrações técnicas e movimentos de mercado. Essa necessidade ganha relevância em um ambiente considerado extremamente dinâmico, no qual alterações de curto prazo podem modificar a interpretação sobre preços e tendências.

A análise aponta ainda para a evolução dos cruzamentos de dados como caminho para tornar os levantamentos mais consistentes e alinhados à realidade do mercado internacional. O objetivo é reforçar a qualidade técnica das avaliações e contribuir para discussões mais precisas sobre a cadeia global de agroquímicos técnicos.

 





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