segunda-feira, junho 1, 2026

Política & Agro

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Desigualdade oscila, mas estrutura resiste


A distribuição da renda no Brasil manteve uma estrutura concentrada ao longo de mais de duas décadas, com variações pontuais, mas sem alteração relevante na base do quadro. Os dados atribuídos à World Inequality Database, foram analisados por Reginaldo Nogueira, diretor executivo do Ibmec, que avalia que a permanência desse padrão aponta para limites mais profundos da economia brasileira.

Entre 2000 e 2024, o 1% mais rico concentrou, em geral, algo próximo de 25% a 30% da renda nacional. Em alguns anos, a participação desse grupo avançou, como em 2012, quando chegou a 32,7%, e recuou em outros momentos, como em 2018, quando ficou em 24,7%. Ainda assim, o patamar permaneceu elevado em todo o período analisado. 

Na outra ponta, os 50% mais pobres seguiram com menos de 10% da renda na maior parte da série. O indicador ficou em 9,1% no início dos anos 2000, chegou a superar ligeiramente os 10% em alguns momentos entre 2007 e 2015, mas voltou a níveis próximos de 9% nos anos mais recentes. Em 2024, essa fatia representava 9,3% da renda. 

Para Nogueira, os números sugerem que a desigualdade não pode ser explicada apenas por falta de vontade política ou por ações de curto prazo. A avaliação é que o problema está ligado a pilares estruturais da economia, como educação fraca, crédito caro, baixa produtividade e informalidade. Esses fatores limitam o avanço da renda, reduzem a mobilidade econômica e restringem o crescimento dos salários. 

O análise também indica que a adoção de políticas públicas ao longo do período não foi suficiente para alterar de forma consistente a distribuição da renda. Na leitura do diretor executivo do Ibmec, houve gasto crescente e diferentes iniciativas, mas faltaram foco e capacidade real de transformação. Sem mudanças nesses fundamentos, a desigualdade tende menos a se reduzir de forma permanente e mais a oscilar dentro de uma mesma estrutura.

  





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Açúcar sobe, mas mercado vê recuperação limitada


O mercado internacional de açúcar teve uma reação moderada em Nova York, mas ainda opera sob pressão de fundamentos que limitam movimentos mais consistentes de alta. A avaliação é de Arnaldo Correa, consultor, em análise sobre o comportamento recente dos contratos futuros e dos agentes do mercado.

O vencimento maio de 2026 encerrou a sexta-feira a 13,92 centavos de dólar por libra-peso, com ganho acumulado de 59 pontos na semana, equivalente a cerca de 13 dólares por tonelada. Outros contratos também subiram, embora com menor intensidade nos vencimentos mais longos.

Apesar da melhora pontual, o mercado segue condicionado pela atuação dos fundos, que permaneciam vendidos em 156.138 lotes, segundo o relatório COT, com base na posição de 21 de abril. A recomposição parcial dessas posições chegou a dar suporte aos preços, mas encontrou forte volume de fixações por usinas, inclusive da América Central, o que reduziu o fôlego da recuperação.

No Brasil, a aprovação do E32, com aumento da mistura de etanol na gasolina para 32%, aparece como fator de suporte. A expectativa é de consumo adicional entre 900 milhões e 1 bilhão de litros, o que pode influenciar o mix das usinas e reduzir a oferta de açúcar.

Por outro lado, a projeção de 635 milhões de toneladas de cana para o Centro-Sul, apresentada pela Canaplan, reforça a cautela. A combinação de safra robusta, vendas físicas e posição vendida dos fundos mantém o ambiente desafiador.

Do ponto de vista técnico, há tentativa de recuperação, com o maio de 2026 mirando a região dos 14 centavos por libra-peso. Ainda assim, o mercado parece depender de novos estímulos para transformar o alívio recente em tendência.

 





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Alga marinha ganha espaço na produção sustentável



A alga cresce em águas frias do Atlântico Norte


A alga cresce em águas frias do Atlântico Norte
A alga cresce em águas frias do Atlântico Norte – Foto: Ribamar Neto/UFC

O uso de bioestimulantes agrícolas tem ganhado espaço como alternativa para elevar a eficiência produtiva e ajudar as lavouras a enfrentar condições ambientais mais instáveis. Nesse cenário, extratos obtidos da alga marinha Ascophyllum nodosum vêm sendo estudados e aplicados no campo por seu potencial de estimular processos naturais das plantas.

A alga cresce em águas frias do Atlântico Norte e tem composição rica em compostos bioativos. A partir dela, são produzidos extratos usados no desenvolvimento de soluções agrícolas voltadas ao estímulo do sistema radicular, à absorção de nutrientes e ao aumento da tolerância a estresses como seca, variações de temperatura e salinidade.

Parte importante do conhecimento sobre essa aplicação vem de pesquisas conduzidas pela Acadian Sea Beyond em parceria com universidades e centros de estudo. Os resultados indicam que os extratos de Ascophyllum nodosum atuam como bioestimulantes ao ativar mecanismos naturais de defesa e contribuir para o equilíbrio fisiológico das plantas. A empresa aponta mais de 15 anos de resultados consistentes, com melhora na qualidade e na produtividade de diferentes cultivos.

Segundo Bruno Carloto, gerente de marketing estratégico da Acadian Sea Beyond no Brasil e no Paraguai, o diferencial da tecnologia está na qualidade da matéria-prima e no processo de extração, que preserva moléculas naturais capazes de interagir com a fisiologia vegetal.

Em experimentos de campo, foram observadas respostas positivas em culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar, com maior vigor inicial, melhor desenvolvimento das raízes e maior eficiência no aproveitamento de nutrientes. As pesquisas também destacam a contribuição desses bioestimulantes para estratégias de manejo mais sustentáveis, por serem derivados de recurso natural renovável e utilizados em pequenas doses.

 





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Conflito dispara alerta sobre fertilizantes



A valorização dos fertilizantes preocupa


A valorização dos fertilizantes preocupa
A valorização dos fertilizantes preocupa – Foto: Canva

A instabilidade geopolítica no Oriente Médio tem ampliado a pressão sobre o mercado internacional de fertilizantes, com reflexos diretos sobre custos de produção, transporte e disponibilidade de insumos agrícolas. Segundo a AMR Business Intelligence, a guerra em curso na região afeta simultaneamente os dois principais vetores de custo do setor: energia e logística.

A alta nas cotações do petróleo e do gás natural encarece a produção de fertilizantes nitrogenados, especialmente ureia e amônia, que dependem diretamente desses insumos energéticos. Esse movimento tende a elevar os preços internacionais e a reduzir a previsibilidade de oferta, em um momento em que o setor agrícola depende de estabilidade no fornecimento para o planejamento das próximas safras.

Além da energia, a logística passou a exercer papel central na formação dos preços. As disrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio marítimo de insumos, restringem fluxos, elevam os prêmios de frete e reduzem a disponibilidade global de fertilizantes. A combinação entre transporte mais caro e menor fluidez nas rotas internacionais contribui para um cenário de encarecimento generalizado.

Entre os produtos mais pressionados está o enxofre, matéria-prima crítica para a produção de fertilizantes fosfatados. Cerca de 44% do comércio marítimo global do produto transita pela região afetada pelo conflito, o que intensifica os efeitos da escassez logística e produtiva. Com menor disponibilidade e aumento dos custos de transporte, os preços do enxofre registram alta expressiva no mercado internacional.

A valorização dos fertilizantes preocupa porque esses insumos são estruturais para a produção agrícola. Preços mais altos podem reduzir a aplicação no campo, elevar custos de produção e pressionar os alimentos. O risco é mais relevante para países altamente dependentes de importações, que ficam mais expostos à volatilidade externa e a possíveis impactos sobre a segurança alimentar.

 





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Solos arrozeiros abrem caminho para nova renda



Em áreas arrozeiras, cultivos como soja e milho podem entregar palhada


Em áreas arrozeiras, cultivos como soja e milho podem entregar palhada
Em áreas arrozeiras, cultivos como soja e milho podem entregar palhada – Foto: Pixabay

A diversificação de cultivos em solos tradicionalmente ocupados pelo arroz ganha espaço como alternativa para ampliar o uso produtivo das áreas e melhorar a integração entre lavoura e pecuária na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. A avaliação é de Edison Jacociunas, engenheiro agrônomo, que aponta oportunidades no aproveitamento das restevas de culturas de verão para a implantação de verdeios de inverno.

Em áreas arrozeiras, cultivos como soja e milho podem entregar palhada com potencial para receber aveia ou azevém no período seguinte. Essas implantações exigem investimento, mas tendem a apresentar retorno quando associadas ao uso intenso pela pecuária de corte, especialmente em uma fase do ano marcada por menor disponibilidade de pasto.

Nos meses de maio, junho e julho, a região costuma enfrentar um vazio forrageiro, período de transição entre a oferta do campo nativo e o estabelecimento das pastagens de inverno. Nesse cenário, os verdeios implantados após as culturas de verão ajudam a manter suporte alimentar aos animais e reduzem a pressão sobre outras áreas da propriedade.

Além do ganho forrageiro, a adoção desse sistema contribui para a proteção do solo contra processos erosivos. A cobertura vegetal e os resíduos deixados após a colheita auxiliam na conservação da estrutura do solo, fator importante em áreas sujeitas a limitações de drenagem e ao manejo intensivo.

Outro benefício está na ciclagem de nutrientes após os cultivos de verão. A permanência de resíduos e a sequência de culturas favorecem o aproveitamento dos nutrientes no sistema, agregando eficiência ao uso da área ao longo do ano.

Para que essa combinação gere os resultados esperados, o planejamento é apontado como etapa decisiva. Práticas de manejo ligadas à drenagem e ao controle de invasoras no pós-colheita são essenciais para viabilizar a implantação dos verdeios e permitir maior sinergia entre os benefícios das culturas de verão e o uso pecuário no inverno.

 





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Chuvas reduzem ritmo da colheita no arroz


A colheita do arroz irrigado no Rio Grande do Sul segue em ritmo mais lento, influenciada pelas condições climáticas registradas nos últimos dias e pela necessidade de avanço gradual das operações no campo. A avaliação é de Edison Jacociunas, engenheiro agrônomo, com base no informativo semanal do IRGA, que aponta que as chuvas recentes reduziram a velocidade dos trabalhos nas lavouras.

Segundo Jacociunas, ainda é necessário aguardar o encerramento da safra para que seja possível consolidar a produtividade média de cada região produtora. Até o momento, a evolução da colheita indica diferenças locais, especialmente em áreas onde o excesso de umidade atrasou a entrada das máquinas e prolongou a permanência das lavouras no campo.

Na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, a movimentação em unidades de recebimento e armazenagem chama atenção. De acordo com o agrônomo, há registros de filas de espera para descarga, cenário que pode indicar uma safra dentro da normalidade em termos de produtividade. A região, tradicional na produção de arroz irrigado, concentra parte importante da entrega do grão neste período.

Em relação à qualidade, a avaliação geral é positiva. Os grãos colhidos apresentam, de modo predominante, boa condição. No entanto, produtores que enfrentaram atraso na colheita relatam áreas colhidas mais recentemente com rendimento abaixo do melhor padrão, reflexo do prolongamento do ciclo de retirada do arroz das lavouras.

No mercado, a oferta segue retraída. Jacociunas observa que ainda existem lotes da safra passada em poder de produtores, que buscam negociar valores mais favoráveis. A retenção da produção também aparece na safra atual, em meio à expectativa de preços melhores. Para o agrônomo, essa estratégia envolve riscos, já que o valor desejado pode não ser alcançado.

Outro fator de pressão é a valorização do real frente ao dólar, que dificulta o escoamento da safra por meio das exportações. Esse movimento reduz a competitividade do produto brasileiro no mercado externo e pode limitar alternativas de comercialização em um momento de maior disponibilidade do grão.

 





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Plantar em morro parece solução, mas esconde riscos



Soja começou a ocupar espaço


Soja começou a ocupar espaço
Soja começou a ocupar espaço – Foto: Canva

O avanço da agricultura em áreas com relevo mais acidentado tem gerado discussões sobre viabilidade e riscos produtivos. Segundo informações de Fabiola De Almeida Machado, engenheira agrônoma, esse movimento já pode ser observado em algumas regiões do Rio Grande do Sul.

No estado, parte das lavouras, especialmente de grãos como a soja, começou a ocupar também áreas de morros e terrenos mais inclinados. Apesar desse avanço, o padrão predominante ainda são áreas planas ou levemente onduladas, consideradas mais adequadas para o cultivo em larga escala. Isso ocorre porque essas regiões facilitam o uso de máquinas agrícolas e reduzem riscos operacionais.

Em terrenos inclinados, um dos principais desafios é a erosão do solo, que pode ocorrer de forma intensa caso não haja manejo adequado. A perda de nutrientes e de estrutura do solo compromete a produtividade e pode gerar prejuízos ao longo do tempo. Além disso, essas áreas costumam apresentar menor fertilidade natural, exigindo correções frequentes e um manejo mais rigoroso para manter a capacidade produtiva.

Diante dessas limitações, o uso mais comum das áreas de morro no estado tende a ser direcionado para atividades como pastagens, fruticultura e reflorestamento, que se adaptam melhor às condições do relevo. Essas alternativas apresentam menor risco de degradação e, em muitos casos, maior sustentabilidade econômica.

Embora seja possível implantar lavouras em áreas inclinadas, a prática envolve custos mais elevados e maior exposição a perdas. Por isso, sem técnicas adequadas de conservação do solo e planejamento detalhado, esse tipo de cultivo não é considerado a opção mais indicada para grandes produções de grãos no estado.

 





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Setor hortifruti ganha novo impulso global


A cadeia de frutas e hortaliças ampliou sua presença internacional em 2026 com o avanço de eventos que reúnem diferentes etapas do setor. Um dos principais encontros do segmento registrou crescimento de público e reforçou sua atuação global.

A 43ª edição da Macfrut, realizada no Rimini Expo Centre, apresentou aumento no número total de visitantes, com destaque para a participação estrangeira, que cresceu mais de 12%. O evento reuniu compradores de mais de 80 países e contou com 1.400 expositores, distribuídos em áreas temáticas voltadas a toda a cadeia produtiva.

O resultado foi impulsionado pela atuação conjunta com parceiros institucionais. A Italian Trade Agency ampliou a presença de delegações internacionais, enquanto a AICS contribuiu com iniciativas ligadas à agricultura sustentável. A programação também incluiu conferências científicas com especialistas internacionais.

Durante a abertura, foi anunciado o lançamento do Observatório de Frutas e Hortaliças em parceria com a Nomisma. A participação do varejo italiano também se destacou, com expectativa de crescimento na próxima edição. Para 2027, a organização prevê mudanças no layout e negocia um acordo com a Informa, responsável pela Growtech, com foco no segmento de pré-colheita. A próxima edição ocorre de 20 a 22 de abril.

“Para o próximo ano, já introduzimos diversas novidades, começando por um novo layout de exposição que tornará o evento mais acessível para visitantes e compradores, ao mesmo tempo em que aumentará sua eficácia para os expositores”, disse Patrizio Neri, presidente da Cesena Fiera, organizadora da Macfrut. “Também estamos extremamente satisfeitos com o nível de participação e com o crescente perfil internacional da feira.”

“Também posso anunciar”, acrescentou Neri, “que estamos na fase final de assinatura de um acordo estratégico com a Informa, organizadora da Growtech, o principal evento mundial do setor de pré-colheita, com o objetivo de fortalecer ainda mais esse segmento dentro da Macfrut.”

 





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Com 35% da produção voltada à exportação, carne bovina entra em ciclo de valorização


O mercado da carne bovina no Brasil vive um ciclo de valorização sustentado pelo aumento da demanda, tanto no cenário interno quanto internacional. A avaliação foi apresentada por Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria, durante fórum realizado na Nacional Hereford e Braford, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), nesta quinta-feira (23).

Segundo o analista, desde 2024 os preços da arroba do boi gordo vêm registrando alta consistente, impulsionada principalmente pelo consumo. “Não é a oferta que está puxando esse movimento, mas sim o crescimento da demanda, que sustenta toda a cadeia produtiva”, afirmou. Ele salientou ainda que a valorização impacta diretamente todos os elos do setor, refletindo tanto na rentabilidade do produtor quanto nos preços ao consumidor final.

No cenário externo, o ambiente também é favorável ao Brasil. Países como China, Estados Unidos e México ampliaram a demanda pela carne brasileira, enquanto novos mercados seguem em processo de abertura. Ao mesmo tempo, concorrentes relevantes enfrentam queda na produção. Os Estados Unidos, por exemplo, registram o menor nível de rebanho em décadas, o que os posiciona como importadores. “O mundo quer carne, e o Brasil tem capacidade para atender essa demanda, inclusive em mercados mais exigentes”, destacou Fabbri.

Atualmente, cerca de 35% da produção nacional é destinada à exportação, enquanto o mercado interno segue como principal destino. Para o consultor, fatores econômicos têm contribuído para sustentar o consumo. De acordo com o especialista, a redução do desemprego e o aumento da renda média têm elevado o padrão de consumo. “Com mais renda, o consumidor passa a buscar produtos de maior valor agregado”, explicou.

Além do cenário geral, o avanço da demanda tem favorecido a valorização de carnes com diferenciação de qualidade. O diretor do Programa Carne Certificada Hereford, Eduardo Eichenberg, destacou que o movimento já é perceptível no mercado. Segundo ele, a combinação entre demanda aquecida e oferta global mais restrita sustenta a tendência de preços firmes. “A perspectiva é positiva, com valorização contínua, ainda que em ritmo moderado”, afirmou.

Esse cenário se reflete também dentro da porteira. De acordo com Eichenberg, remates recentes ligados à entidade registraram valorização média próxima de 20% em relação ao ano anterior. Para o dirigente, o avanço da carne de qualidade está diretamente ligado à mudança no comportamento do consumidor. “Há uma busca crescente por produtos com padrão superior, o que favorece sistemas de certificação”, disse.

Entre os fatores que ganham peso na decisão de compra estão rastreabilidade, sanidade, bem-estar animal e sustentabilidade. “O consumidor está mais exigente. A escolha não passa mais apenas pelo preço, mas pela confiança no produto e na cadeia de produção”, concluiu.

A expectativa, de acordo com os analistas no evento, para 2026 é de manutenção de um mercado firme, sustentado pela combinação entre demanda aquecida e oferta ajustada, com tendência de continuidade na valorização da carne bovina.

Na sequência, houve debates inerentes ao fórum com os representantes da cadeia da carne. Além de Fabbri e Eichenberg, participaram a consultora Ana Doralina Menezes, o presidente da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), Eduardo Soares, o gerente executivo da associação, Felipe Azambuja, o representante do Frigorífico Silva, Mateus Silva, a presidente do Instituto Desenvolve Pecuária,  Antonia Scalzilli, e o representante Grupo Mandabrasa, proprietário do 20 Barra 9, Pedro César Bergamaschi.

 





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IA avança no atendimento técnico do agro


A digitalização no campo avança com novas ferramentas voltadas a tornar o atendimento técnico mais ágil, padronizado e conectado às demandas do produtor rural. Durante a Agrishow 2026, realizada de 27 de abril a 1º de maio, em Ribeirão Preto, será apresentada uma solução inédita de inteligência artificial generativa aplicada ao segmento de pneus agrícolas.

Desenvolvido pela Titan Pneus em parceria com a Inovation AI Global, o agente virtual foi criado para apoiar a rede de revendedores da marca no acesso a informações técnicas sobre um portfólio com mais de 500 SKUs. A ferramenta responde por texto ou áudio, diretamente pelo celular, com dados contextualizados sobre produtos, aplicações e especificações.

Segundo a Titan, a iniciativa surgiu a partir de uma demanda das áreas comercial e de marketing para oferecer informações técnicas de forma clara, rápida e escalável às revendas. A proposta é que o agente atue como um especialista digital, sem substituir pessoas, mas facilitando o processo de atendimento e negociação com clientes.

Na Agrishow, os visitantes poderão testar a versão beta da solução por meio de um QR Code, que direciona o usuário ao WhatsApp. O Atlas Titan poderá detalhar configurações, fichas técnicas, guias de aplicação, imagens de produtos e recomendações de maquinário relacionadas ao portfólio de pneus agrícolas.

A tecnologia também foi projetada para identificar intenção de compra, estruturar leads e, futuramente, direcionar demandas ao revendedor mais próximo. Para a Titan, a plataforma deve ampliar a rastreabilidade das interações e o acompanhamento do funil comercial. A evolução do sistema prevê ainda recursos de hiperpersonalização, com recomendações orientadas pelo perfil e comportamento do cliente.

“A proposta é apoiar a revenda na indicação do produto certo, no momento ideal, com condições alinhadas ao perfil do produtor. Não se trata de envio massivo de informações, mas de uma comunicação altamente personalizada e orientada por dados”, finaliza Rafael Nascimento, CEO da Inovation AI Global.

 





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