segunda-feira, junho 1, 2026

Política & Agro

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Preço da ureia cai pela segunda semana seguida e sinaliza perda de força no mercado global


Após dois meses de forte valorização, cotações recuam em Brasil, EUA, China e Oriente Médio, pressionadas por demanda mais fraca, segundo a StoneX

A ureia acumula duas semanas consecutivas de queda no mercado brasileiro, com contratos fechados ligeiramente abaixo de US$ 770 por tonelada — recuo de cerca de 4% frente às referências registradas duas semanas antes. Segundo dados divulgados pela StoneX, o enfraquecimento da demanda passou a exercer influência maior do que as restrições de oferta sobre a dinâmica de preços do fertilizante.

Após dois meses de valorização intensa, o mercado global de ureia enfrenta uma inflexão. De acordo com o relatório semanal de fertilizantes da StoneX, as cotações atingiram patamares cada vez menos sustentáveis do ponto de vista da demanda, o que passou a exercer pressão baixista sobre os preços.

“Mesmo com um ambiente ainda tensionado do lado da oferta, a demanda mais fraca passou a ter um peso maior na dinâmica do mercado, pressionando as cotações para baixo após um período de alta intensa.” — Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX

O movimento não é restrito ao Brasil. Conforme levantamento da StoneX, recuos de preço também foram registrados nos Estados Unidos, na China, no Oriente Médio e no Egito, configurando um enfraquecimento global das cotações da ureia.

Gargalos logísticos ainda sustentam patamares elevados

Apesar da tendência de queda, a avaliação da StoneX é de que eventuais recuos adicionais devem ser limitados no curto prazo. Os gargalos logísticos no Oriente Médio — região responsável por parcela significativa das exportações globais de ureia e amônia — seguem restringindo a oferta internacional e funcionando como um piso para os preços.

Segundo Pernías, o cenário é ainda influenciado pelo período de menor consumo em países-chave, por relações de troca menos atrativas para o produtor e por uma postura mais cautelosa dos compradores, que têm evitado avançar em novas aquisições diante das incertezas do mercado.

 





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Solução biológica por drones controla carrapato na pastagem


Pesquisadores da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) avançaram na validação a campo de um produto biológico para o controle do carrapato bovino, com aplicação direta nas pastagens por meio de Drones. A etapa mais recente dos testes foi realizada nesta semana em Hulha Negra, na Campanha gaúcha, e integra a busca por alternativas ao modelo baseado em químicos.

O produto foi desenvolvido pelo Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Saúde Animal Desidério Finamor e propõe atuar no ambiente onde o carrapato permanece durante a maior parte do ciclo de vida, substituindo a abordagem tradicional focada no tratamento direto dos animais.

Segundo o pesquisador e diretor do IPVDF, José Reck, há uma lacuna tecnológica nesse tipo de controle. “A maior parte dos carrapatos está na pastagem, aguardando o hospedeiro. Mesmo assim, o controle segue concentrado no animal”, afirma.

De acordo com Reck, a pesquisa utiliza micro-organismos do solo, como fungos e bactérias, selecionados por sua capacidade de atingir o parasita sem causar danos aos bovinos, aos seres humanos ou ao ambiente. Esses agentes são aplicados diretamente no campo com apoio de drones, ampliando a eficiência da operação.

O secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul Márcio Madalena, destacou a relevância da iniciativa. “Projetos assim são fundamentais para avançarmos em soluções práticas diante de um problema recorrente no dia a dia dos produtores. A atuação técnica e a expertise da Secretaria da Agricultura permitem não apenas o desenvolvimento, mas também a validação de alternativas inéditas, mais sustentáveis e alinhadas às demandas atuais da pecuária”, afirma.

Iniciado em 2025, o projeto está em fase de validação em escala real, com monitoramento contínuo das áreas experimentais. Segundo José Reck, os testes devem seguir até julho. “A previsão é manter os experimentos até julho, quando a chegada do inverno reduz naturalmente a população de carrapatos, permitindo um balanço mais preciso dos resultados”, prevê.

A proposta combina técnicas já utilizadas na agricultura com o manejo sanitário animal. Para a professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Patrícia Golo, a abordagem considera o sistema produtivo de forma integrada. “Trata-se de uma abordagem que considera todo o sistema produtivo, e não apenas o animal”, afirma.

Segundo Golo, o diferencial está na análise de todas as fases do parasita. “Avaliamos a infestação nos bovinos, as fases no ambiente e a persistência do fungo no solo, em um experimento conduzido em escala próxima à realidade do produtor”, explica.

A pesquisa amplia uma linha iniciada em 2012 no IPVDF, inicialmente voltada ao desenvolvimento de soluções aplicadas diretamente nos animais, e agora direcionada ao controle no ambiente.

O Rio Grande do Sul concentra um dos principais focos de infestação de carrapato bovino nas Américas, cenário associado ao uso predominante de raças mais suscetíveis e às condições climáticas favoráveis ao parasita. Segundo José Reck, o uso intensivo de carrapaticidas químicos tem acelerado o desenvolvimento de resistência. Esse processo reduz a eficácia dos produtos ao longo do tempo.

O médico veterinário da Seapi, Gabriel Fiori, avalia que a adoção de insumos biológicos é estratégica. “O desenvolvimento e a validação dessas alternativas representam avanços importantes dentro do conceito de sustentabilidade econômica e ambiental da pecuária moderna”, afirma.

Nos últimos anos, a Seapi tem investido em alternativas ao controle convencional, incluindo práticas de manejo e uso racional de medicamentos. O novo projeto amplia esse esforço ao propor uma solução de base biológica.





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Câmbio e custos desafiam o agro



O conflito no Oriente Médio aparece entre os principais riscos


O conflito no Oriente Médio aparece entre os principais riscos
O conflito no Oriente Médio aparece entre os principais riscos – Foto: Divulgação

O agronegócio brasileiro entra em 2026 sob pressão externa e interna, com efeitos sobre câmbio, custos e commodities. Segundo o relatório Brazil agribusiness quarterly Q1 2026, do Rabobank, o câmbio deve chegar a R$ 5,55 por dólar ao fim do ano, influenciado por tensões geopolíticas e incertezas fiscais e eleitorais.

Mesmo com o início de cortes nos juros, o banco avalia que as taxas locais elevadas devem oferecer algum suporte ao real. Ainda assim, a volatilidade segue no radar do setor.

O conflito no Oriente Médio aparece entre os principais riscos. A região responde por 7% das exportações agrícolas brasileiras, com destaque para frango, carne bovina, açúcar, milho e soja. A instabilidade já elevou combustíveis e fertilizantes, pressionando custos.

Nos insumos, o impacto é mais visível nos fertilizantes nitrogenados, segundo o que informou o relatório do Rabobak. O fósforo também começa a mostrar sinais de pressão e pode afetar compras dos produtores. O clima preocupa. Chuvas acima da média prejudicaram a colheita da soja e o plantio da segunda safra de milho. Para o segundo semestre, as condições devem favorecer um El Niño.

No setor sucroenergético, a tensão impulsionou os preços do açúcar em Nova York e criou oportunidade de hedge para usinas. Até agora, a gasolina local subiu de forma modesta ante os movimentos internacionais.

Na soja, os preços em Chicago são sustentados por fatores geopolíticos, mas fundamentos globais mais fracos, oferta brasileira recorde e alta dos custos logísticos indicam que a alta pode perder força. As informações foram divulgadas nesta semana.

 





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a história da primeira semente comercial de soja desenvolvida para o Brasil


Há histórias que começam pequenas e terminam imensuráveis. A da cultivar Santa Rosa é uma delas. Lançada em 1966 durante a 1ª Fenasoja, em Santa Rosa (RS), a variedade foi a primeira soja genuinamente brasileira de importância comercial — o ponto de partida científico de uma cadeia produtiva que hoje responde por aproximadamente 6% do PIB brasileiro e coloca o Brasil como maior produtor e exportador mundial de soja. Em 2026, a cultivar e a feira que a apresentou ao mundo chegam juntas ao seu 60º aniversário.

A soja chegou ao noroeste gaúcho pelas mãos do pastor norte-americano Albert Lehenbauer, em 1914, num momento em que a região vivia em condições de extrema pobreza. Os colonos descendentes de imigrantes europeus que ali se estabeleceram não tinham recursos, não tinham mercado e mal tinham o que colocar na mesa. O grão que Lehenbauer trouxe não chegou como commodity — chegou como resposta a uma necessidade urgente.

Os colonos o plantavam para comer e para alimentar os animais que sustentavam a família, especialmente os suínos. Não havia indústria processadora, não havia logística, não havia garantia de nada. Havia fome, terra e uma semente desconhecida. Dessa combinação improvável nasceu o maior polo produtor de suínos do Brasil — e o berço do agronegócio nacional.

Em 1941, Santa Rosa recebeu a primeira indústria processadora de soja do país. Não foi coincidência — foi consequência de décadas de pioneirismo forjado na adversidade. A soja que entrou pela porta dos fundos, como alimento de subsistência e ração de porco, saiu pela porta da frente como o grão que alimentaria o mundo.

O dia em que o Brasil parou de depender da semente estrangeira

Até os anos 1960, cultivar soja no Brasil significava depender de variedades norte-americanas desenvolvidas para condições climáticas distintas das brasileiras. A adaptação era parcial e a produtividade, irregular. Foi no Instituto Agronômico de Campinas (IAC) que a história começou a mudar.

Em 1952, com a orientação do melhorista norte-americano Dr. Leonard F. Williams, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, e do pesquisador Dr. Shiro Miyasaka, foi estruturado um novo programa de melhoramento de soja no IAC. Um ano depois, em 1953, os dois realizaram o cruzamento entre as linhagens D 49-772 e La 41-1219 — ambas de origem americana — dando origem ao material genético que se tornaria a cultivar Santa Rosa.

A linhagem resultante, identificada como L-326, foi introduzida no Rio Grande do Sul pela Secretaria de Agricultura do Estado e passou por testes em área experimental em Júlio de Castilhos. Em 1964/65, foi iniciada a multiplicação, com apenas 2 quilos de semente plantados. Foi Juarez Guterres, técnico agrícola da Secretaria de Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, que reconheceu o potencial daquele material, trouxe-o para os campos experimentais de Santa Rosa e conduziu os ensaios que confirmaram o que o campo já sinalizava.

Em 1966, a cultivar foi lançada oficialmente na 1ª Fenasoja — batizada com o nome da cidade que havia apostado na soja antes de qualquer outro lugar no Brasil. Em 1967, após treinamento nos Estados Unidos, o Dr. Romeu Kiihl reestruturou o programa de melhoramento de soja do IAC com foco na adaptação a baixas latitudes — e os primeiros melhoristas da Embrapa Soja, criada em 1975, saíram diretamente desse mesmo programa.

Uma cultivar que conhecia a terra em que pisava

A Santa Rosa não era apenas uma variedade nova. Era uma declaração. De ciclo tardio e altura de planta de 91 centímetros — contra os 65 centímetros da Bragg, cultivar americana mais utilizada na época —, combinava rusticidade com boa produtividade. Suas características a tornaram a cultivar mais adotada por agricultores de pequenas propriedades, inclusive em consórcio com milho — modalidade fundamental para a agricultura familiar da época.

Foi amplamente cultivada em todo o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Minas Gerais desde o final dos anos 1960. No Rio Grande do Sul, foi a cultivar mais plantada nos últimos anos da década de 1960 e nos primeiros da de 1970, representando 39,3% de toda a semente fiscalizada produzida no estado em 1972/73.

Entre 1969 e 2001, foram produzidos no Rio Grande do Sul 9.381.424 sacos de 50 kg de semente fiscalizada da Santa Rosa. Figurou entre as cultivares recomendadas até 1993/94. Para os produtores gaúchos que a plantaram pela primeira vez, a diferença era visível a olho nu: a lavoura respondia, crescia no tempo certo e entregava o que prometia. Indubitavelmente, a Santa Rosa integra, ao lado das cultivares Amarela Comum, Bragg, IAS 5, BR-4 e BR-16, o grupo das cultivares mais importantes de todos os tempos para a soja no Rio Grande do Sul.

A mãe de todas as cultivares que vieram depois

O impacto foi imediato na lavoura e definitivo na ciência. A Santa Rosa tornou-se a matriz genética do melhoramento brasileiro — material parental para as cultivares que vieram depois. A Embrapa, criada em 1975, herdou essa base e a multiplicou: em 25 anos de pesquisa, desenvolveu 159 cultivares que possibilitaram o plantio da soja em 13 estados brasileiros.

Cada geração de variedades carregou no código genético a herança da Santa Rosa — mais produtividade, mais resistência, mais adaptação. As cultivares de hoje combinam alta produtividade, estabilidade e alcance regional que seria impossível imaginar sem a base que 1966 estabeleceu.

A família que voltava para buscar a semente

A família Daltrozo ilustra em movimento o que a variedade Santa Rosa representou em escala nacional. Nos anos 1970, os irmãos Osvaldo, Wilson, Luiz Carlos e Darci saíram de Cruz Alta — a 141 quilômetros de Santa Rosa — levando consigo sementes e determinação. Foram pioneiros na produção de soja em Primavera do Leste, no Mato Grosso, hoje um dos principais municípios produtores do país.

Assim como a família Daltrozo levou a semente para o centro-oeste diversas famílias de produtores percorriam centenas de quilômetros de volta a Santa Rosa para buscar as sementes que plantariam na safra seguinte. Santa Rosa não era apenas o ponto de partida — era o abastecedor, a referência, o elo que conectava o Cerrado ao berço da soja brasileira. Cinco décadas depois, Lucas Daltrozo, neto de Wilson, segue cultivando soja na mesma terra que a família desbravou — e carrega na memória o peso daquele gesto.

“A família seguiu o legado de resiliência que levou a cultivar Santa Rosa àquela região, e de outras pessoas que abriram fronteiras agrícolas e contribuíram para que o Brasil se tornasse o maior produtor de soja do mundo”, lembra Lucas Daltrozo, neto de Wilson Daltrozo, produtor rural em Primavera do Leste (MT).

A feira que nasceu junto com a semente e cresceu com ela

A Fenasoja nasceu no mesmo ano e pelo mesmo motivo: dar à soja um espaço formal onde ciência, mercado e produtor pudessem se encontrar. Era pequena, regional, cabia em um único pavilhão. Sessenta anos depois, é um dos maiores eventos do agronegócio nacional — centenas de expositores, público de todo o

Brasil e de países vizinhos, lançamentos de genética, maquinário e insumos, e bilhões de reais em negócios a cada edição.

A trajetória da feira e a da cultivar são a mesma história contada em dois formatos: a de um estado que acreditou no grão antes de qualquer outro lugar no país e que, por isso, tornou-se o ponto de partida de tudo que viria depois. “O Rio Grande do Sul foi o único estado no Brasil que teve coragem de plantar soja quando ninguém sabia o que ela poderia se tornar. A Santa Rosa é o símbolo disso. Ela nasceu aqui, cresceu aqui e foi daqui que o Brasil aprendeu a cultivar o grão que hoje alimenta o mundo. Sessenta anos depois, comemorar a Santa Rosa na Fenasoja é reconhecer que essa história não começou nos cerrados, não começou nas grandes fazendas — começou no noroeste gaúcho, nas mãos de colonos que plantaram com fome e colheram com esperança.” Comemora Marcos Servat, presidente da Fenasoja.

“A Santa Rosa é uma das cultivares mais importantes para o desenvolvimento da soja como cultura nacional. Ela foi desenvolvida pelo Instituto Agronômico de Campinas a partir do cruzamento de duas variedades norte-americanas, mas foi no Rio Grande do Sul que encontrou sua vocação — e foi de lá que ajudou a construir o legado que o Brasil carrega até hoje como maior produtor mundial de soja. Quando você olha para a história do melhoramento genético no Brasil, os primeiros melhoristas da Embrapa saíram do IAC. O fio que conecta a Santa Rosa ao que o Brasil é hoje no agronegócio é direto, e ele passa por Santa Rosa”, avalia Mônica Zavaglia, pesquisadora da Embrapa Soja.

De 206 mil para 179 milhões de toneladas: o tamanho do que foi plantado em 1966

O Brasil produzia 206 mil toneladas de soja em 1960. Na safra 2025/26, a projeção da Conab é de 179,2 milhões de toneladas. Com os avanços genéticos que a Santa Rosa inaugurou, a produtividade média das lavouras brasileiras saltou de mil para quatro mil quilos por hectare. O complexo soja — grão, farelo e óleo — responde por aproximadamente 6% do PIB brasileiro e é o principal produto de exportação do agronegócio nacional.

Santa Rosa, a cidade que registrou o primeiro cultivo comercial em 1914, que recebeu a primeira indústria processadora do país em 1941, que batizou a primeira cultivar genuinamente brasileira em 1966 e que sedia a Fenasoja há seis décadas, é o ponto de partida de toda essa história. A soja que começou como ração de suíno no noroeste gaúcho hoje alimenta bilhões de pessoas em quatro continentes. O grão que era administrado nos cochos dos colonos virou o maior ativo do agronegócio brasileiro. E tem endereço de origem. Chama-se Santa Rosa.





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Custo do leite sobe com alta dos insumos



Leite perde poder de compra frente ao milho no Paraná



Foto: Divulgação

O Departamento de Economia Rural, vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, apontou no Boletim Conjuntural divulgado na quinta-feira (30) aumento na pressão dos custos de produção sobre a atividade leiteira no Paraná. Segundo o relatório, a nutrição do rebanho segue como principal componente de custo, e a relação de troca entre litros de leite e saca de milho é utilizada como referência para medir essa variação.

De acordo com o Deral, em março de 2025, com o litro do leite a R$ 2,81, eram necessários 27,7 litros para adquirir uma saca de milho ao valor de R$ 77,90. Na média do mês mais recente, essa relação passou para 29,4 litros por saca, indicando elevação no custo. O impacto se torna mais evidente quando comparado ao farelo de soja, outro insumo relevante na alimentação animal. Nesse caso, a relação passou de 697 litros por tonelada, em março de 2025, para 868 litros por tonelada no período atual.

O boletim também destaca o avanço das importações de lácteos como fator que influencia o mercado interno. Conforme o Deral, o volume importado cresceu cerca de 26% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, com os queijos respondendo por aproximadamente 40% do total.

Em relação ao leite em pó, o documento aponta aumento nas compras externas, mesmo após medidas adotadas para restringir a entrada do produto. Segundo o Deral, em março deste ano a importação do item registrou crescimento de 71% na comparação com o mesmo mês de 2025.





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Itália traz para o Brasil, a partir do dia 12 de maio, 32 empresas e mais de 62 milhões de garrafas em portfólio


Começa na próxima terça-feira, 12 de maio, a Wine South America 2026, que receberá uma das mais expressivas representações italianas já organizadas no Brasil. Reunidas em um Pavilhão, 32 empresas provenientes de 14 regiões da Itália desembarcam em Bento Gonçalves (RS) para apresentar um destacado panorama da produção enológica do país, com uma produção de mais de 62 milhões de garrafas anuais. A participação do país europeu é organizada pela ICE – Agência para a Promoção no Exterior e a Internacionalização das Empresas Italianas no Brasil | Departamento para a Promoção de Intercâmbios da Embaixada da Itália.

O grupo — composto por vinícolas, consórcios de tutela e estruturas comerciais especializadas em exportação — abrange desde realidades artesanais, com produções a partir de 35 mil garrafas, até grandes grupos industriais e cooperativos que ultrapassam 20 milhões de unidades por ano, oferecendo aos importadores, distribuidores e formadores de opinião brasileiros um retrato fiel da diversidade que caracteriza o vinho italiano contemporâneo.

A delegação contempla algumas das principais áreas vitivinícolas da península, com destaque para Vêneto, Toscana, Campânia, Piemonte, Lombardia, Úmbria e Friuli Venezia Giulia, além de presenças relevantes de Marche, Sicília, Emília-Romagna, Abruzzo, Trentino-Alto Ádige e Puglia.

As empresas trabalham com as reconhecidos denominações DOC e DOCG do país — de Chianti Classico, Valpolicella e Bardolino a Franciacorta, Prosecco, Verdicchio di Matelica, Marsala, Montefalco Sagrantino e Alto Adige — e oferecem um portfólio que combina castas autóctones (Sangiovese, Aglianico, Nero d’Avola, Glera, Corvina, Lambrusco, Grechetto, Pinot Noir e Gewürztraminer, entre outras) e variedades internacionais. A oferta cobre integralmente o espectro de tipologias, dos tintos estruturados aos brancos minerais, passando por rosés, espumantes Método Clássico e Charmat, passitos e vinhos doces, em uma faixa de preços que se estende do segmento de entrada ao ultra-premium.

De forte vocação exportadora, o grupo já mantém presença consolidada nos principais mercados internacionais — Estados Unidos, Japão, Reino Unido, China, Suíça, Alemanha, Canadá, Bélgica, Holanda e países escandinavos — e enxerga o Brasil como destino estratégico para os próximos anos.

Tradição familiar centenária, conduzida em muitos casos por dinastias com diversas gerações no setor, convive com projetos contemporâneos, certificações orgânicas e protocolos de sustentabilidade como o SQNPI. Integram ainda o grupo o Consorzio Vini Mantovani, entidade de tutela que reúne mais de 1.700 hectares e 22 produtores associados, e estruturas comerciais especializadas em importação e distribuição, configurando um ecossistema plural e altamente complementar, pronto para ampliar parcerias com o trade brasileiro.





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Mercado reage a reabertura do Estreito de Ormuz e açúcar fecha em queda


Queda do petróleo e oferta global intensificam pressão sobre os preços.

As tensões no Oriente Médio, somadas ao cenário de ampla oferta global, pressionaram os preços do açúcar nas bolsas internacionais nesta sexta-feira (17). Desde o anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã, o mercado passou a oscilar em queda.

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de maio fechou com recuo de 35 pontos, negociado a 13,39 cents por libra-peso. Em Londres, o açúcar também registrou baixa, com queda de 60 pontos, sendo cotado a US$ 410,10 por tonelada.

O movimento acompanha a forte desvalorização do petróleo, que reagiu rapidamente à reabertura da principal rota de escoamento energético do mundo. Por volta das 10h10 (horário de Brasília), o barril do tipo Brent caía 10,42%, a US$ 89,03, enquanto o WTI recuava 11,11%, a US$ 84,17.

A relação entre energia e açúcar é direta. Em cenários de petróleo mais caro, o etanol ganha competitividade frente aos combustíveis fósseis, incentivando as usinas a direcionarem mais cana para a produção do biocombustível e reduzindo a oferta de açúcar no mercado global.

Com a queda abrupta do petróleo após a reabertura do estreito, esse suporte perde força, o que contribui para pressionar ainda mais as cotações internacionais no curto prazo.

O mercado já vinha de perdas expressivas ao longo da semana. Na quarta-feira, o açúcar em Nova Iorque atingiu a mínima em cerca de cinco anos e meio, refletindo o cenário de excedente global.

Fundamentos seguem pressionados

No Brasil, o cenário também reforça o viés baixista. A expectativa de uma safra robusta no Centro-Sul em 2026/27, com produção estimada em cerca de 635 milhões de toneladas de cana e mais de 40 milhões de toneladas de açúcar, deve ampliar ainda mais a disponibilidade global.

Esse quadro se soma à recuperação parcial da produção em países do Hemisfério Norte, como Índia, Tailândia e México, consolidando um ambiente de excedente e limitando reações mais consistentes nos preços.

Mesmo as altas recentes, que levaram o açúcar à faixa de 16,1 cents por libra-peso, perderam força diante do recuo dos prêmios de risco geopolítico e da queda no complexo energético.

“Embora fatores macroeconômicos e geopolíticos tenham impulsionado a volatilidade recente, os fundamentos seguem baixistas, com o etanol recuperando competitividade como principal mecanismo de ajuste”, afirma Lívia Coda, da Hedgepoint Global Markets. 

Desde o final de 2025, o etanol voltou a ganhar espaço no mix das usinas. Atualmente, cerca de 48% da cana é destinada à produção de açúcar acima do nível considerado mais equilibrado, próximo de 44,5%,  o que indica espaço para ajustes, ainda que de forma gradual.

 





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Combustível marítimo recua após trégua



A reversão ocorreu após o anúncio de uma trégua mediada por Trump


A reversão ocorreu após o anúncio de uma trégua mediada por Trump
A reversão ocorreu após o anúncio de uma trégua mediada por Trump – Foto: Pixabay

Os preços do combustível marítimo voltaram a recuar após semanas de volatilidade, em movimento ligado à redução das tensões no Golfo Pérsico. Segundo a AMR Business Intelligence, a escalada começou após o início da guerra na região, em 28 de fevereiro de 2026, quando o mercado passou a incorporar riscos geopolíticos.

Antes do conflito, o combustível de baixo teor de enxofre era negociado a US$ 580 por tonelada métrica. Com o avanço da insegurança regional, o produto chegou a US$ 1.823 no início de abril. O combustível de alto teor de enxofre registrou alta e encostou em US$ 770 por tonelada métrica no fim de março.

A reversão ocorreu após o anúncio de uma trégua mediada por Trump. A pausa nos confrontos, prevista inicialmente para durar duas semanas, foi depois prorrogada por tempo indeterminado. O novo cenário esfriou tensões na região e teve efeito quase imediato sobre os preços, que começaram a devolver parte da alta acumulada.

Em 27 de abril, as cotações indicavam alívio para os custos logísticos. O combustível de baixo teor de enxofre havia recuado para US$ 1.116 por tonelada métrica, enquanto o produto de alto teor caiu para US$ 681. Apesar da queda, os valores ainda permaneciam acima dos níveis observados antes da guerra.

O movimento sinaliza resposta positiva do mercado à perspectiva de estabilidade prolongada no Golfo Pérsico. Depois da escalada provocada pela guerra, a trégua reduziu parte da incerteza e permitiu uma correção relevante nos preços. As informações foram divulgadas no perfil oficial da consultoria na rede social LinkedIn.

 





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Comunicados reforçam incerteza econômica



A leitura do mercado é de que há menos espaço para cortes fortes


A leitura do mercado é de que há menos espaço para cortes fortes
A leitura do mercado é de que há menos espaço para cortes fortes – Foto: Pixabay

As decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos vieram dentro do esperado pelo mercado, mas o tom dos comunicados reforçou cautela, com inflação elevada, petróleo pressionado e incertezas geopolíticas. As informações são da economista Mariana Garcia.

No Brasil, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto, de 14,75% para 14,50% ao ano. Foi o segundo corte consecutivo no ciclo iniciado em março, mas sem sinalização clara sobre os próximos passos. O comunicado voltou a destacar que o ambiente externo permanece incerto diante da indefinição sobre a duração e os efeitos dos conflitos no Oriente Médio.

A leitura do mercado é de que há menos espaço para cortes fortes. Segundo o Boletim Focus, a projeção para a Selic ao fim de 2026 subiu para 13%, acima dos 12,50% estimados há um mês. A revisão reflete a percepção de que o choque do petróleo reduz a margem de ação do Banco Central.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, na terceira reunião seguida sem alteração. A decisão foi marcada por divisão interna, com 8 votos a favor e 4 contra, a maior dissidência desde outubro de 1992. O comunicado apontou que os desdobramentos no Oriente Médio elevam a incerteza econômica.

A inflação americana segue pressionada pela alta dos preços globais de energia. A gasolina atingiu o maior nível em quatro anos, enquanto o CPI de março avançou 0,9%, maior alta desde junho de 2022. Com a manutenção nos EUA e a queda no Brasil, o diferencial entre as taxas chegou a 10,75 pontos, fator que influencia o fluxo de capitais e pode impactar o câmbio. Após a reunião, o mercado passou a precificar manutenção na próxima decisão do Fed com probabilidade de 94,8%.

 





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Consultoria vê risco em esperar alta forte da soja


O mercado de soja atravessa um momento de equilíbrio delicado, com forças de sustentação ligadas à demanda industrial e pressões vindas da ampla oferta física. Segundo análise da TF Agroeconômica, a recomendação de curto prazo ao produtor é aproveitar repiques para vender, evitando manter 100% da produção à espera de uma alta mais forte.

A leitura da consultoria indica que o mercado brasileiro segue lateralizado, com suporte próximo de R$ 120 por saca e resistência na faixa de R$ 123 a R$ 124. A alta recente perdeu força, e o cenário atual sugere risco de perda de oportunidade para quem posterga vendas esperando um rompimento mais consistente. Por isso, a estratégia indicada é negociar em lotes, de forma escalonada, principalmente quando os preços se aproximarem da região de resistência.

No mercado internacional, Chicago tenta retomar uma tendência de alta após romper o canal de baixa e lateralidade, mas ainda sem confirmação forte. O contrato julho trabalha com suporte ao redor de 1.160 cents por bushel e resistência entre 1.200 e 1.220 cents. A movimentação segue congestionada, refletindo um ambiente de transição, sem excesso de oferta global, mas com estoques confortáveis no curto prazo.

Entre os fatores positivos, a demanda por óleo de soja aparece como principal driver. O uso do óleo para biodiesel nos Estados Unidos atingiu o maior nível desde julho de 2025 e representa 44% da matriz de biocombustíveis, sustentando grão, farelo e óleo. As margens elevadas de esmagamento também dão suporte, com expectativa de forte processamento nos EUA e a melhor média mensal no Brasil desde agosto de 2024.

Do lado negativo, a safra brasileira acima de 180 milhões de toneladas limita altas mais agressivas. A queda dos prêmios na América do Sul pressiona o preço interno, enquanto o clima favorável nos EUA e na Argentina reduz riscos produtivos. A demanda chinesa, embora presente, segue moderada.

Para hedge, a orientação é avaliar travas em Chicago, dólar e prêmio. Entre os sinais de alerta estão queda do petróleo, aumento forte do plantio nos EUA, continuidade da pressão nos prêmios e redução no ritmo de compras da China. O resultado é um mercado lateral, com leve viés de baixa no Brasil, em que vender nas altas tende a ser mais prudente do que apostar em rompimento.

 





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