quarta-feira, julho 22, 2026

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Clima quente eleva alerta para ferrugem polissora no milho


A ferrugem polissora, doença foliar causada pelo fungo Puccinia polysora, está entre as principais ameaças à produtividade do milho em regiões de clima quente e úmido no Brasil. Com a combinação de chuvas de verão, temperaturas elevadas e grande área cultivada prevista para o período entre dezembro de 2025 e agosto de 2026, produtores das principais regiões produtoras precisam redobrar a atenção ao monitoramento dos talhões — especialmente aqueles com histórico da doença, uso de cultivares suscetíveis e sistemas de cultivo intensivo.

Em condições favoráveis, a doença pode reduzir significativamente a área foliar verde, antecipar a senescência e comprometer o enchimento de grãos. As perdas podem chegar a dezenas de por cento quando o ataque ocorre de forma precoce e intensa no terço médio e superior das plantas — um cenário que preocupa especialmente quem adota o modelo safra mais safrinha com pouca rotação.

O que é a ferrugem polissora e por que ela avança rápido

O Puccinia polysora é um fungo biotrófico que infecta principalmente as folhas do milho, formando pústulas que liberam esporos disseminados pelo vento a médias e longas distâncias. O ciclo é curto: o esporo germina na presença de água livre sobre a folha, penetra nos tecidos, completa a colonização e já produz novas pústulas — reiniciando o processo várias vezes ao longo da safra.

Na entressafra, o fungo sobrevive em plantas voluntárias de milho e restos culturais infectados, mantendo-se ativo na paisagem. É justamente esse ponto que explica por que sistemas com alta intensidade de cultivo — safra e safrinha seguidas, com pouca rotação e presença de milho quase contínua na área — têm registrado maior pressão da doença. A chamada “ponte verde” garante ao fungo hospedeiros disponíveis o ano inteiro, favorecendo infecções mais precoces nas novas lavouras e disseminação mais rápida entre talhões de diferentes idades.

As práticas de manejo que mais pesam no risco

O clima é determinante, mas o manejo amplifica ou atenua o risco. A escolha de cultivares com baixa resistência genética à ferrugem polissora é um dos fatores mais críticos: em ambientes de alta pressão de inóculo, híbridos suscetíveis desenvolvem sintomas mais precoces e intensos, comprometendo a área foliar verde justamente na fase de enchimento de grãos.

A densidade de semeadura também entra na equação. Populações de plantas acima do recomendado, associadas a cultivares de porte elevado, fecham o dossel, reduzem a circulação de ar entre as plantas e prolongam o tempo de permanência de água sobre as folhas — criando um microclima altamente favorável ao fungo. O mesmo efeito é observado em talhões de baixada e em áreas próximas a cursos d’água, onde o orvalho tende a durar mais.

A adubação nitrogenada desequilibrada também aparece como agravante. Altas doses de nitrogênio, especialmente quando não balanceadas com outros nutrientes, estimulam crescimento vegetativo exuberante, resultando em tecido foliar mais tenro e suscetível e em dossel mais denso, com maior retenção de umidade. Em sistemas irrigados, o risco sobe ainda mais quando a irrigação é feita no final da tarde ou à noite, prolongando o molhamento foliar nas horas mais críticas para a infecção.

O que esperar para a próxima safra em áreas com histórico da doença

Para produtores com registros de alta severidade de ferrugem polissora em safras anteriores, o alerta é redobrado. Nesses talhões, é provável que haja maior presença de inóculo residual e que o microclima seja naturalmente propício à doença. Somado a isso, regiões com grande concentração de áreas de milho — especialmente com sobreposição de janelas de semeadura — criam um cenário de alta pressão regional de inóculo que escapa ao controle direto do produtor, mas que precisa ser considerado no planejamento fitossanitário.

O período mais crítico dentro do ciclo vai do estádio V6-V8, quando surgem as primeiras lesões em cultivares suscetíveis, ao enchimento de grãos — fase em que a manutenção de alta severidade compromete diretamente a fotossíntese e o potencial produtivo da lavoura.

Monitoramento criterioso antes de qualquer decisão de controle

O conhecimento dos fatores de risco serve para definir prioridades de observação no campo, não para acionar automaticamente o controle químico. Talhões com cultivares suscetíveis, histórico de forte incidência, alta densidade de plantas, ausência de rotação e localização em áreas de maior umidade devem ser os primeiros a receber monitoramento intensivo, a partir dos estádios vegetativos intermediários.

A decisão sobre qualquer intervenção química deve considerar o nível de infecção efetivamente observado na lavoura, o estádio fenológico do milho, as condições climáticas previstas para as semanas seguintes e as informações de rótulo dos produtos, sempre com suporte de receituário agronômico.





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Disputa internacional reúne 18 marcas de tratores



O lançamento ocorreu em Nápoles, durante o evento Let the Challenge Begin


O lançamento ocorreu em Nápoles, durante o evento Let the Challenge Begin
O lançamento ocorreu em Nápoles, durante o evento Let the Challenge Begin – Foto: Canva

A disputa por um dos principais reconhecimentos da mecanização agrícola começou com a apresentação de 23 tratores, de 18 marcas, que serão avaliados ao longo dos próximos meses. A edição 2027 do prêmio reúne máquinas de diferentes faixas de potência e aplicações, em um processo que combina análise técnica, experiência em campo e dados operacionais.

O lançamento ocorreu em Nápoles, durante o evento Let the Challenge Begin. Os modelos foram apresentados a um júri formado por 26 jornalistas independentes ligados a veículos especializados de 25 países europeus. A avaliação seguirá com a coleta e a análise de informações técnicas, experiências de campo e dados de operação. A escolha dos vencedores está prevista para novembro de 2026, durante a EIMA International.

Criado em 1998, o Tractor of the Year ampliou seu papel no setor e passou a funcionar como plataforma de comunicação e posicionamento de produtos. Na edição mais recente, mais de 100 reportagens foram publicadas por jornalistas especializados, enquanto os canais oficiais do prêmio somaram mais de 2,4 milhões de visualizações.

A competição terá seis categorias. A HighPower reúne tratores com mais de 300 cavalos. A MidPower contempla modelos de 150 a 280 cavalos, e a Utility, máquinas entre 70 e 150 cavalos. A Specialized é voltada a soluções para vinhedos, pomares e ambientes de operação complexa. A TotYBot destaca tecnologias autônomas, enquanto a Sustainable TotY reconhece avanços em sustentabilidade ambiental e eficiência operacional.

Além da premiação, a programação terá o retorno da TotY Arena, espaço com demonstrações e apresentações dos finalistas. A BKT, patrocinadora principal, mantém apoio ao projeto, que promove inovação, evolução tecnológica e diálogo na indústria global de máquinas agrícolas.

 





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importação recorde e custo alto


O Brasil registrou importação recorde de fertilizantes em 2025, mas o alto volume de entrada de adubos não eliminou a pressão sobre o custo de produção. Segundo a Conab, as importações brasileiras de fertilizantes chegaram a 45,5 milhões de toneladas no ano passado, acima das 44,28 milhões de toneladas registradas em 2024.

O dado mostra a força da demanda por insumos no campo, mas também reforça a dependência da agricultura brasileira em relação ao mercado internacional. Para o produtor, o problema não está apenas em ter fertilizante disponível. O desafio é comprar no momento certo, com câmbio favorável, crédito acessível e preço compatível com a margem esperada da safra.

Levantamento do Projeto Campo Futuro, da CNA/Senar em parceria com a Esalq-Cepea, mostra que produtores que adiaram a compra de fertilizantes para a safra de soja 2025/2026 pagaram mais caro em regiões analisadas. Em alguns casos, o atraso elevou o custo da adubação em mais de 18%.

As importações de fertilizantes somaram 45,5 milhões de toneladas em 2025, segundo boletim logístico da Conab. O volume superou as 44,28 milhões de toneladas de 2024 e estabeleceu novo recorde na série histórica.

Na comparação anual, o aumento foi de 1,22 milhão de toneladas, ou 2,68%. O resultado confirma a importância dos fertilizantes para sustentar a produção agrícola brasileira, especialmente em culturas de grande escala, como soja, milho, cana-de-açúcar, algodão e café.

A Conab também destacou a participação dos principais canais de entrada dos fertilizantes importados. O Porto de Paranaguá recebeu 10,89 milhões de toneladas em 2025. Santos recebeu 8,42 milhões de toneladas, enquanto os portos do Arco Norte movimentaram 8,27 milhões de toneladas.

O crescimento do Arco Norte chama atenção porque mostra mudança gradual na logística de insumos. A região vem ganhando relevância tanto para entrada de fertilizantes quanto para escoamento de grãos.

Mesmo com importação recorde, o fertilizante continua sendo um dos principais fatores de pressão no custo de produção. Isso acontece porque o preço final pago pelo produtor depende de várias variáveis: câmbio, frete marítimo, disponibilidade internacional, prazo de entrega, logística interna, crédito e momento da compra.

Na soja e no milho, os fertilizantes costumam aparecer entre os maiores itens do custeio da lavoura. Quando o preço do adubo sobe, o produtor precisa de mais sacas para pagar o mesmo pacote tecnológico.

Esse ponto é decisivo para a margem. Em anos de preço forte da soja ou do milho, o produtor consegue absorver melhor o aumento dos insumos. Em anos de preços mais baixos ou custos financeiros mais altos, a conta fica mais apertada.

Por isso, o volume recorde importado não deve ser lido como sinônimo de alívio automático. O fertilizante pode estar disponível, mas ainda chegar caro à fazenda dependendo do momento da compra e das condições de mercado.

A CNA informou que a queda da renda dos produtores nas últimas três safras levou parte do setor a adotar postura mais cautelosa nos investimentos e no custeio da safra seguinte. Até abril, o ritmo de compras de fertilizantes para a safra 2025/2026 estava mais lento que o usual em algumas regiões analisadas.

O estudo comparou dois momentos de compra: aquisições antecipadas, entre janeiro e abril, e compras tardias, entre maio e julho. Segundo a análise, a postergação das negociações ocorreu em um período de preços mais altos e elevou o custo da adubação em diferentes praças.

Entre os exemplos levantados estão:

Carazinho: o custo do formulado 02-23-23 subiu 6,11%, de R$ 858,00 para R$ 910,50 por hectare;

Cascavel: a adubação 02-20-20 subiu 8,5%, de R$ 820,20 para R$ 889,90 por hectare;

Rio Verde: o custo com cloreto de potássio e supersimples subiu 7,78%, de R$ 1.271,00 para R$ 1.369,80 por hectare;

Sorriso: a adubação com formulado 00-18-18 subiu 5,13%, de R$ 1.332,40 para R$ 1.400,80 por hectare;

Maracaju: o custo com cloreto de potássio e MAP subiu 18,27%, de R$ 1.186,60 para R$ 1.403,40 por hectare.

O caso de Maracaju foi o mais expressivo entre os exemplos. Para uma fazenda típica de 1.000 hectares, o gasto adicional foi estimado em R$ 216.743,82, equivalente a 1.963 sacas de soja adicionais.

O custo maior dos fertilizantes afeta diretamente a rentabilidade da lavoura. Quando o produtor paga mais caro pelo adubo, ele precisa compensar essa diferença com produtividade maior, preço melhor de venda ou redução de outros custos.

O problema é que nem todas essas variáveis estão sob controle do produtor. O preço da soja e do milho depende do mercado internacional, da Bolsa de Chicago, do câmbio, da demanda chinesa, da safra americana e da oferta brasileira. Já a produtividade depende do clima, do manejo e da eficiência operacional.

Por isso, o momento da compra dos fertilizantes ganhou importância estratégica. Comprar cedo pode reduzir risco de preço, mas exige capital ou crédito disponível. Comprar tarde pode preservar caixa no curto prazo, mas deixa o produtor exposto a altas de mercado.

A decisão ideal varia conforme a realidade de cada propriedade. Ainda assim, os dados da CNA e do Cepea mostram que o atraso na compra teve custo relevante em regiões analisadas para a safra 2025/2026.

O recorde de importação confirma que o Brasil tem uma cadeia agrícola altamente conectada ao mercado global de insumos. Essa conexão garante acesso a grandes volumes de fertilizantes, mas também aumenta a exposição a choques internacionais.

Conflitos geopolíticos, variação cambial, problemas logísticos e mudanças no comércio global podem afetar o preço do adubo no Brasil. Quando isso acontece, o impacto chega rapidamente ao planejamento da safra.

O Plano Nacional de Fertilizantes foi criado justamente para reduzir a dependência do produto importado e ampliar a segurança de abastecimento no longo prazo. Mas esse é um processo estrutural, que não muda a realidade imediata do produtor.





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EUA avançam na remuneração por práticas regenerativas



O novo framework prevê a quantificação da intensidade de carbono das culturas


O novo framework prevê a quantificação da intensidade de carbono das culturas
O novo framework prevê a quantificação da intensidade de carbono das culturas – Foto: Pixabay

A agricultura regenerativa ganhou impulso nos Estados Unidos com uma medida que conecta produção agrícola, redução de carbono e biocombustíveis. As informações são de Jacques Dieu, especialista em agricultura regenerativa, que analisou os efeitos da iniciativa sobre produtores e empresas do setor.

Em 25 de junho, o presidente Trump assinou uma Ordem Executiva para avançar esse modelo de produção, enquanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA, anunciou a Regenerative Feedstock Rule. A regra pode abrir espaço para bilhões de dólares em remuneração a agricultores que adotarem práticas regenerativas no cultivo de milho, soja, sorgo e canola destinados à cadeia de biocombustíveis.

O novo framework prevê a quantificação da intensidade de carbono das culturas em nível de talhão, além de padrões de rastreabilidade e auditoria em toda a cadeia. Também estabelece a verificação independente das práticas adotadas. Segundo a mensagem da secretária Rollins, a proposta busca criar oportunidades de mercado, sem impor mandatos, com possibilidade de prêmios de preço, menores custos de insumos e melhoria da saúde do solo.

Na avaliação de Jacques Dieu, as exigências abrem espaço para soluções como as desenvolvidas pela Biome Makers. A plataforma BeCrop reúne dados auditáveis do solo, permite medir a atividade biológica, apoia a verificação científica das práticas regenerativas e conecta informações da fazenda ao relatório final.

A iniciativa reforça que a saúde do solo pode gerar valor econômico quando acompanhada por dados capazes de comprovar resultados. Para o Brasil, que também avança na integração entre agricultura regenerativa e biocombustíveis, o movimento amplia o debate sobre a preparação das empresas para medir, verificar e demonstrar impactos no solo.

 





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Safra 2026/27 exige decisões nos próximos 90 dias



Entre os fatores de pressão está o endividamento de safras passadas


Entre os fatores de pressão está o endividamento de safras passadas
Entre os fatores de pressão está o endividamento de safras passadas – Foto: Fonte: G1

Os próximos 90 dias serão decisivos para o planejamento da safra 2026/27, em cenário de crédito caro e escasso, custos elevados, dívidas e risco climático. As informações são de Antonio Prado G. B. Neto, consultor do agronegócio.

Entre os fatores de pressão está o endividamento de safras passadas. O projeto de lei 5.122 foi aprovado no Senado e voltou à Câmara dos Deputados, mas ainda não há solução definitiva, enquanto produtores buscam alternativas para equalizar dívidas. Ao mesmo tempo, o mercado segue travado, com agricultores adiando compras de insumos diante dos preços altos de fertilizantes e de alguns defensivos. A procura por crédito cresceu, porém a oferta está mais seletiva, com juros maiores e exigências reforçadas.

No campo, a orientação começa pela análise detalhada do solo, para direcionar nutrientes e investimentos. A construção do perfil, com correção da acidez, pode melhorar o ambiente radicular e ampliar a capacidade das plantas de explorar água e nutrientes. A escolha de variedades com ciclos diferentes, o plantio mais espaçado e o uso de sementes de alto vigor ajudam a distribuir riscos e favorecer uma implantação uniforme.

Plantas de cobertura podem conservar a umidade, reduzir a temperatura e melhorar a estrutura do solo. Na comercialização, a cautela é necessária para evitar o comprometimento de volumes excessivos em um cenário de maior risco climático. O monitoramento das previsões e a flexibilidade para ajustar o plantio completam a estratégia. A possibilidade de El Niño forte ou muito forte reforça a importância de decisões antecipadas, pois podem ocorrer excesso ou falta de chuvas, conforme a região e o momento da safra. Gestão, planejamento e antecedência tendem a reduzir riscos e ampliar as chances de uma temporada produtiva e rentável.

 





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Diplodia pode reduzir rendimento do milho



O impacto pode aparecer na redução do número de grãos por espiga


O impacto pode aparecer na redução do número de grãos por espiga
O impacto pode aparecer na redução do número de grãos por espiga – Foto: Divulgação

A diplodia é um problema silencioso que pode comprometer o desenvolvimento das espigas de milho e reduzir o rendimento da lavoura sem ser percebida de imediato. A avaliação é de Luis Fernando Luna, especialista em fitossanidade, que destaca a importância de reconhecer os sinais da doença ainda durante o ciclo da cultura.

Segundo as informações apresentadas, plantas afetadas podem formar espigas com grãos mal desenvolvidos, fileiras irregulares e menor quantidade de grãos. Essas alterações não ficam restritas ao aspecto visual, pois também interferem diretamente no peso final dos grãos e no potencial produtivo da área.

O impacto pode aparecer na redução do número de grãos por espiga, na queda da produtividade por hectare e, consequentemente, na menor rentabilidade ao fim da safra. Em muitos casos, o produtor concentra a atenção em fatores mais conhecidos, como pragas, outras doenças, seca ou falhas de manejo, enquanto a diplodia avança de forma menos evidente.

A identificação das plantas afetadas ao longo do ciclo é apontada como uma medida fundamental, especialmente em áreas destinadas à produção de sementes. O acompanhamento criterioso permite reconhecer alterações nas espigas e avaliar com mais precisão a presença do problema na lavoura.

Além do monitoramento, o uso de sementes com alta qualidade genética e a adoção de manejo adequado são apresentados como ações essenciais para reduzir os efeitos da diplodia. A observação constante da lavoura pode fazer diferença no resultado final, já que pequenas alterações no desenvolvimento das plantas podem representar perdas importantes de produtividade e renda.

 





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Arroz sustenta segurança alimentar global



A importância do setor vai além do volume colhido


A importância do setor vai além do volume colhido
A importância do setor vai além do volume colhido – Foto: Divulgação

O arroz mantém papel central na alimentação mundial e na estabilidade econômica de países que dependem do cereal para garantir oferta acessível à população. Segundo o Commodity Trading Club, mais de 90% da produção global está concentrada na Ásia, região que reúne os principais produtores e sustenta boa parte do abastecimento internacional.

A Índia lidera o ranking, com produção estimada em 152 milhões de toneladas métricas, seguida pela China, com 146,3 milhões. Bangladesh aparece na terceira posição, com 37,7 milhões de toneladas. Na sequência estão Indonésia, Vietnã, Tailândia, Filipinas, Myanmar, Paquistão e Brasil, único representante sul-americano entre os dez maiores produtores.

A importância do setor vai além do volume colhido. A cadeia do arroz contribui para a segurança alimentar, sustenta milhões de trabalhadores rurais e movimenta o comércio e as exportações. Também influencia a nutrição, a oferta de alimentos a preços acessíveis e a geração de valor em etapas agroindustriais.

Com a demanda global em expansão, o desempenho futuro dependerá do avanço de sementes mais produtivas e resistentes às mudanças climáticas. O uso eficiente da irrigação, a mecanização e a melhoria da armazenagem, do beneficiamento e da logística também serão decisivos para reduzir perdas e ampliar a oferta.

Práticas agrícolas adaptadas ao clima e o manejo sustentável da água ganham importância diante da pressão sobre os recursos naturais. Fortalecer a resiliência da cadeia do arroz tornou-se, assim, uma prioridade agrícola, econômica e humanitária, com efeitos diretos sobre produtores, consumidores e o equilíbrio do abastecimento mundial.

 





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riscos do acordo entre China e EUA


A exportação de soja brasileira entrou em alerta com os compromissos de compra anunciados entre China e Estados Unidos. Segundo a Casa Branca, Pequim compraria 12 milhões de toneladas de soja americana nos dois últimos meses de 2025 e pelo menos 25 milhões de toneladas por ano entre 2026 e 2028.

O Brasil segue forte no mercado chinês, mas a disputa pode afetar prêmios de exportação, fluxo de embarques e margem do produtor. O risco não é uma perda imediata de mercado, e sim um cenário de concorrência maior entre as duas principais origens de soja para a China.

A China continua sendo o principal destino do agronegócio brasileiro. Em maio de 2026, as exportações do setor somaram US$ 16 bilhões, alta de 8,2% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.

Desse total, a China comprou US$ 6,3 bilhões, participação próxima de 40% na pauta exportadora do agro brasileiro. Os Estados Unidos, por sua vez, compraram US$ 837 milhões, com participação de 5,2% e queda de 28% na comparação anual.

A soja em grãos foi o principal produto exportado pelo agro brasileiro em maio. As vendas externas chegaram a US$ 6,3 bilhões, com volume de 14,8 milhões de toneladas. O valor cresceu 14,6% em relação a maio de 2025, enquanto o volume avançou 5,1%.

O complexo soja, que inclui grãos, farelo e óleo, somou US$ 7,5 bilhões em exportações no mês, alta de 16,3% na comparação anual.

Os dados mostram que o Brasil ainda tem posição forte no mercado chinês. Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou US$ 169,2 bilhões, recorde histórico para o setor. A China liderou entre os destinos, com US$ 55,3 bilhões, equivalente a 32,7% das exportações agropecuárias brasileiras.

A soja em grãos também foi o principal item da pauta agropecuária brasileira em 2025, com US$ 43,5 bilhões em receita cambial e volume recorde de 108,2 milhões de toneladas embarcadas.

Mesmo assim, a reaproximação entre China e Estados Unidos mudou o nível de atenção do mercado. Dados da alfândega chinesa divulgados pela Reuters mostram que, em maio de 2026, a China importou 1,66 milhão de toneladas de soja dos EUA, alta de 1,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

No mesmo período, as compras chinesas de soja brasileira somaram 9,96 milhões de toneladas, queda de 17,7% na comparação anual. Esse recorte mensal, porém, não permite afirmar que o Brasil esteja perdendo espaço de forma estrutural.

No acumulado de janeiro a maio de 2026, ainda segundo os dados divulgados pela Reuters, as importações chinesas de soja brasileira chegaram a 22,68 milhões de toneladas, alta de 6,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já as compras de soja americana caíram 42,5%, para 8,38 milhões de toneladas.

A disputa entre Brasil e Estados Unidos pode aparecer primeiro nos prêmios de exportação, na prática, isso pode afetar a formação de preço nos portos brasileiros. Se a China ampliar compras dos EUA para cumprir os compromissos anunciados, compradores podem usar a concorrência entre origens para negociar condições melhores.

Esse movimento não significa queda automática no preço pago ao produtor. O preço da soja também depende de câmbio, Bolsa de Chicago, demanda internacional, safra brasileira, safra americana, logística e custos internos. Mas o prêmio de exportação é uma variável que merece atenção, especialmente em um mercado em que a China concentra grande parte da demanda.

Para o produtor rural, o ponto central é margem. Se os prêmios nos portos forem pressionados por uma disputa maior entre Brasil e Estados Unidos, haverá menos espaço para erro nas decisões de venda, compra de insumos e planejamento da próxima safra.

O Brasil mantém vantagens relevantes: escala de produção, relação consolidada com compradores chineses, oferta forte no primeiro semestre e capacidade de embarque em grandes volumes. Os dados atuais não mostram perda estrutural de mercado para os EUA.

O que existe é um alerta comercial. A China prometeu comprar mais soja americana, mas o Brasil segue competitivo.





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soja e milho apertam margem em MS


O custo de produção da soja e do milho segue no centro das preocupações do produtor rural. Em Mato Grosso do Sul, levantamento da Aprosoja/MS mostra que produzir soja na safra 2025/2026 exige mais de R$ 6,1 mil por hectare, enquanto o milho apresenta um cenário ainda mais apertado quando analisado como safra única.

Na soja, o custo total estimado chegou a R$ 6.115,83 por hectare, alta de 1,9% em relação à safra 2024/2025. No milho, o custo total foi estimado em R$ 4.837,11 por hectare, equivalente a 89,58 sacas por hectare, acima da produtividade média de 84 sacas por hectare usada no estudo.

Os dados são regionais e não representam, sozinhos, a média nacional. Ainda assim, ajudam a mostrar um problema que aparece em várias regiões produtoras: a margem depende cada vez mais da combinação entre produtividade, preço de venda, fertilizantes, sementes, defensivos, juros, frete e armazenagem.

No levantamento da Aprosoja/MS, a soja IPRO foi considerada com produtividade estimada de 53 sacas por hectare e preço médio de R$ 120 por saca. Com essa base, o custo total de produção ficou em R$ 6.115,83 por hectare, ou 50,97 sacas por hectare.

Na comparação com a safra anterior, o custo em reais subiu 1,9%. Em 2024/2025, o custo total era de R$ 5.998,24 por hectare. Já em sacas por hectare, houve leve queda, de 51,27 para 50,97 sacas.

Essa diferença acontece porque o preço médio considerado no estudo também subiu, de R$ 117 para R$ 120 por saca. Ou seja, o custo em dinheiro aumentou, mas a relação em sacas ficou um pouco menor.

Ainda assim, o produtor não pode olhar apenas para o custo total. Dentro da lavoura, alguns itens tiveram peso maior e ajudam a explicar por que a margem continua sensível.

Entre as despesas de custeio da lavoura de soja, os fertilizantes foram o principal item. Segundo a Aprosoja/MS, eles representaram 39,83% do custeio, com gasto de R$ 1.395,80 por hectare, equivalente a 11,63 sacas por hectare.

As sementes aparecem em segundo lugar dentro do custeio, com 16,81%, ou R$ 589,20 por hectare. Em sacas, esse custo equivale a 4,91 sacas por hectare.

Os principais itens do custeio da soja no levantamento foram:

fertilizantes: R$ 1.395,80 por hectare;

sementes de soja: R$ 589,20 por hectare;

fungicidas: R$ 352,00 por hectare;

inseticidas: R$ 315,00 por hectare;

herbicidas: R$ 292,80 por hectare;

corretivo de solo: R$ 289,80 por hectare.

Na comparação entre safras, os fertilizantes passaram de R$ 1.125,00 para R$ 1.395,80 por hectare, alta de 24,1%. Os inseticidas também chamam atenção, com avanço de 57,5%, de R$ 200,00 para R$ 315,00 por hectare.

Esses aumentos não significam, automaticamente, prejuízo para o produtor. Mas mostram que a rentabilidade da soja depende de planejamento fino, principalmente na compra de insumos e na definição do momento de venda.

O cenário do milho é mais apertado no levantamento da Aprosoja/MS. Para a safra 2025/2026, a produtividade estimada foi de 84 sacas por hectare, com preço médio de R$ 51 por saca.

O custo total foi calculado em R$ 4.837,11 por hectare. Em sacas, esse valor equivale a 89,58 sacas por hectare, acima da produtividade considerada no estudo.

Esse dado precisa ser interpretado com cuidado. Ele não significa que todos os produtores de milho terão prejuízo, porque cada propriedade tem produtividade, custo, sistema de produção e estratégia comercial próprios. Além disso, o resultado muda quando o milho entra como segunda safra e parte dos custos fixos pode ser diluída na soja.

Mesmo assim, o número serve como alerta. Quando o custo estimado em sacas supera a produtividade média considerada, a margem fica muito dependente de preço, produtividade acima da média e controle de despesas.

No milho, os fertilizantes também aparecem como o item mais pesado do custeio da lavoura. O levantamento aponta gasto de R$ 1.283,00 por hectare, o equivalente a 23,76 sacas por hectare. Esse valor representa 40,88% das despesas de custeio.

As sementes de milho aparecem em seguida, com R$ 820,00 por hectare, ou 15,19 sacas por hectare. Dentro do custeio da lavoura, representam 26,13%. Os principais itens do custeio do milho foram:

fertilizantes: R$ 1.283,00 por hectare;

sementes de milho: R$ 820,00 por hectare;

Inseticidas: R$ 329,68 por hectare;

corretivo de solo: R$ 230,00 por hectare;

operações com máquinas e implementos: R$ 213,00 por hectare;

transporte externo: R$ 159,75 por hectare.

Na prática, o levantamento mostra que fertilizantes e sementes concentram grande parte do custo direto da lavoura. Por isso, qualquer variação no preço desses insumos pode alterar a margem antes mesmo do plantio.





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Moagem de cana cresce 1,4% na 1ª quinzena de maio e produção de etanol…


Logotipo Reuters

 

SÃO PAULO, 1 Jun (Reuters) – A moagem de cana-de-açúcar do centro-sul do Brasil na safra 2026/27 alcançou 42,35 milhões de toneladas na primeira quinzena de maio, alta de 1,4% na comparação com igual período de 2025 (41,78 milhões de toneladas), enquanto a fabricação de etanol saltou mais de 20% e a de açúcar recuou, conforme cálculos da Reuters com base em dados do Ministério da Agricultura atualizados na última sexta-feira.

No acumulado da temporada iniciada em abril, a moagem somou cerca de 105 milhões de toneladas, aumento de 34% em relação ao mesmo período da safra 2025/26, com usinas da principal região produtora do país iniciando a temporada de forma mais precoce em relação ao ano passado, contando com um clima mais seco e produtividades da nova safra mais elevadas.

Os dados do Ministério da Agricultura dão uma ideia do ritmo dos trabalhos até o final da primeira quinzena de maio, enquanto a entidade representativa do setor, a Unica, ainda consolida as informações do período — conforme a associação de usinas, até o final de abril, a moagem de cana havia avançado 74,58% no comparativo anual.

Segundo números do ministério obtidos a partir das empresas do setor, na primeira quinzena de maio a produção de açúcar somou 2,12 milhões de toneladas, queda de 13,2% ante as 2,44 milhões de toneladas registradas um ano antes, com a indústria destinando mais cana para a produção de etanol, cujos preços têm sido mais remuneradores do que o adoçante.

Já a produção de etanol atingiu 2,14 bilhões de litros na primeira quinzena de maio, avanço de 21,7% sobre o mesmo período comparativo. No acumulado da safra, a produção totalizou 5,56 bilhões de litros, crescimento de 46,7%, com o setor ofertando também mais biocombustível produzido a partir do milho.

A fabricação de açúcar, por sua vez, atingiu 4,62 milhões de toneladas no acumulado da safra até o final da primeira quinzena de maio, alta de 12,3%, com um aumento da moagem de cana mais do que compensando uma menor destinação da matéria-prima para a produção do adoçante.

(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima)





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