segunda-feira, junho 1, 2026

Política & Agro

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Acordo Mercosul-UE entra em vigor com novas regras


A tarifa zero no acordo Mercosul-UE já pode beneficiar exportadores desde 1º de maio, quando entrou em vigor o Acordo Interino de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Após 25 anos de negociações, o tratado abre espaço para redução tarifária ampla, mas exige adequação documental, especialmente para operações via Paraguai.

O cenário do comércio exterior na América do Sul passa por uma transformação com a entrada em vigor do Acordo Interino de Comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Na prática, a medida extingue tarifas sobre 95% das importações da União Europeia e 91% das exportações do Mercosul, alcançando desde commodities agrícolas até produtos industriais de maior valor agregado, segundo dados divulgados no material original.

O acordo chega ao mercado como um pilar independente, com foco na liberalização comercial imediata de bens e serviços. Apesar da abertura comercial, o benefício de isenção não será automático. Segundo a Câmara de Comércio Brasil Paraguai (CCBP), as empresas precisam apresentar o Certificado de Origem digital, documento que comprova a procedência do produto conforme as novas regras de origem do marco regulatório.

Para a entidade, a adequação técnica será determinante para que exportadores consigam transformar a redução tarifária em ganho real de competitividade. No Paraguai, o Ministério da Indústria e Comércio (MIC) determinou que todas as exportações vinculadas ao tratado sejam geridas pela Ventanilla Única de Exportação (VUE).

De acordo com o MIC, a centralização eletrônica busca dar mais agilidade ao processo, reduzir gargalos burocráticos nas alfândegas europeias e oferecer instruções oficiais em português, espanhol e inglês.

Para Roger Maciel, presidente da Câmara de Comércio Brasil Paraguai, a prontidão técnica das empresas será o principal diferencial nesta nova etapa.

“O Paraguai se consolida como uma plataforma estratégica e competitiva para o mercado global, mas o exportador precisa entender que a conformidade documental é o que garante o lucro. Sem o certificado emitido corretamente via VUE, as mercadorias continuam sendo taxadas pelas tarifas usuais, anulando a vantagem competitiva de até 95% que o acordo oferece”, pontua o executivo.

A avaliação reforça que o acordo amplia oportunidades, mas também impõe novas responsabilidades operacionais para exportadores e investidores. De acordo com análise da CCBP, o agronegócio e a indústria de manufaturados estão entre os segmentos com maior potencial de expansão imediata.

Entre os produtos citados estão soja e derivados, carne bovina, produtos florestais, cereais e alimentos processados. No setor de biocombustíveis e na indústria, o acordo também favorece o fluxo de autopeças e demais manufaturas.

Para apoiar o planejamento empresarial, o governo paraguaio já disponibilizou a lista detalhada de produtos beneficiados e as normativas completas para consulta.

Com o acordo em vigor desde 1º de maio, a orientação é que exportadores e investidores façam uma auditoria imediata nos processos internos de certificação.

 





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El Niño eleva risco para produção de cacau


O mercado global de cacau segue pressionado em meio ao ambiente macroeconômico marcado pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, com impactos diretos sobre os custos de energia, fretes e seguros. Nesse cenário, o aumento do prêmio de risco global tem influenciado a dinâmica da commodity, ao mesmo tempo em que fatores climáticos e o balanço entre oferta e demanda permanecem no radar dos agentes de mercado.

De acordo com a Hedgepoint Global Markets, a safra 2025/26 deve registrar superávit de cerca de 356 mil toneladas, volume levemente inferior à estimativa anterior. O resultado reflete uma recuperação parcial da produção combinada com retração da demanda, mantendo o mercado sensível a mudanças nos fundamentos, especialmente diante da maior probabilidade de ocorrência do El Niño.

Segundo Carolina França, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, o cenário macroeconômico tem exercido influência direta sobre o setor. “As interrupções no Estreito de Ormuz e a maior insegurança no Mar Vermelho reduziram o tráfego por rotas estratégicas como o Canal de Suez, encarecendo fretes, seguros e afetando a logística global”, afirma.

Esse contexto também pressiona os custos de energia e fertilizantes, especialmente os nitrogenados, ampliando riscos inflacionários e adicionando volatilidade ao mercado de cacau.

No lado da demanda, a Ásia apresentou desempenho positivo no primeiro trimestre de 2026, com destaque para a Malásia, onde a moagem cresceu 8,7% no período. O avanço contribuiu para um crescimento de 5,2% na moagem asiática, região responsável por cerca de 23% do processamento global. Em sentido oposto, a Europa registrou queda de 7,8% na moagem, pressionada por importações líquidas reduzidas, enquanto os Estados Unidos também apresentaram retração no processamento.

No Brasil, a indústria enfrenta desafios adicionais, como restrições às importações, alterações no regime de drawback e incertezas regulatórias, em um cenário de leve queda na moagem no primeiro trimestre.

No campo da oferta, os principais países produtores atravessam uma fase do calendário agrícola entre a safra intermediária e o florescimento que dará origem à safra principal 2026/27, o que mantém o mercado atento às condições climáticas.

No médio e longo prazo, a maior probabilidade de ocorrência do El Niño surge como um dos principais pontos de atenção. “As projeções indicam que o evento pode se estender até o fim de 2026 e início de 2027, elevando os riscos para as commodities agrícolas em um contexto de possíveis temperaturas recordes. A análise de safras passadas indica que o El Niño não apresenta uma relação direta e homogênea com volumes de chuva ou níveis de produção, gerando efeitos distintos entre origens e muitas vezes defasados no tempo. Esses impactos refletem o caráter perene do cacau e a interação com condições climáticas regionais, podendo resultar tanto em perdas pontuais quanto em ajustes positivos posteriores. De forma geral, o fenômeno aumenta o risco produtivo e exige acompanhamento contínuo.”, destaca Carolina França.

Apesar da projeção de superávit para a safra 2025/26, o mercado segue suscetível a oscilações no curto prazo. Segundo a Hedgepoint Global Markets, o saldo positivo não elimina a volatilidade, já que mudanças em fatores como clima, demanda ou custos podem alterar rapidamente o equilíbrio global. “Mudanças em qualquer fundamento podem alterar significativamente esse equilíbrio”, conclui a especialista.





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Negócios com boi gordo seguem lentos


Os negócios no mercado do boi gordo em São Paulo seguem sem força, segundo análise divulgada nesta terça-feira (5) no informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria.

De acordo com o relatório, “com escalas de bom tamanho e as vendas de carne devagar, as negociações estavam sem força”. O levantamento aponta que parte da indústria frigorífica não atuava ativamente nas compras, enquanto as que permaneciam no mercado mantiveram as ordens inalteradas em relação ao dia anterior.

As escalas de abate estavam, em média, para 10 dias. Ainda segundo a análise, “as cotações vigentes não agradavam à ponta vendedora”, e o comportamento do mercado nos próximos dias dependeria do volume de negócios e da retomada das vendas de carne no mercado interno.

No Pará, a oferta maior contribuiu para o avanço das negociações e das escalas, que passaram a atender, em média, entre nove e 11 dias. Nesse cenário, houve recuo nas cotações nas principais praças pecuárias do estado.

Na região de Marabá, “a cotação do boi gordo e a da novilha caiu R$3,00/@”, enquanto a vaca permaneceu estável. Já em Redenção, “a cotação da vaca caiu R$3,00/@”, com estabilidade para boi gordo e novilha, além de manutenção no preço do “boi China”.

Em Paragominas, o levantamento indica que “a cotação do boi gordo e do ‘boi China’ caiu R$2,00/@, e a da vaca e a da novilha não mudou”.

No Espírito Santo, o mercado apresentou estabilidade, com manutenção das cotações. As escalas de abate estavam, em média, para nove dias.





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Mercado de citros tem baixa demanda


A colheita de citros avança em regiões do Rio Grande do Sul, com variações na produtividade, incidência de pragas e oscilação nos preços, segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (30) pela Emater/RS-Ascar.

Na região administrativa de Caxias do Sul, em Cotiporã, segue a colheita de cultivares precoces, como Satsuma e Harmonia, sendo que esta última apresenta frutos sem tamanho adequado devido à falta de chuvas no período de crescimento. Em Veranópolis, os pomares apresentam condições adequadas, mas há registros de pragas, como ácaros, tripes, pulgões, cochonilhas e larva-minadora. A bergamota Caí apresenta calibre abaixo do esperado, enquanto produtores realizam tratamentos fitossanitários e adubação. A comercialização da bergamota Montenegrina ocorreu por curto período, a R$ 0,55/kg, e atualmente não há compradores. A laranja de umbigo Bahia está em colheita, assim como variedades destinadas ao suco, como a Rubi, com preço médio de R$ 2,00/kg.

Na região de Erechim, algumas variedades de laranja iniciam o amadurecimento, com interesse de comercialização para cultivares como Salustiana, Iapar e Umbigo Navelina.

Na região de Lajeado, em Pareci Novo, o raleio das bergamoteiras foi concluído nas principais variedades comerciais, abrangendo 1.006 hectares, sendo 590 hectares de Montenegrina. Foram realizadas roçadas e manejo fitossanitário preventivo, com monitoramento de mosca-das-frutas, sem impacto significativo na produção. A colheita da Okitsu atinge 95% da área, com comercialização a R$ 30,00 por caixa de 25 kg. A colheita da bergamota Caí teve início, mas parte da produção ainda não atingiu o ponto ideal de maturação, sendo comercializada a R$ 60,00 por caixa de 25 kg. A lima ácida Tahiti é vendida a R$ 30,00 por caixa, com pressão sobre os preços devido à oferta de outras regiões.

Em São Sebastião do Caí, o raleio segue em variedades de ciclo médio e tardio, e alguns produtores evitam a venda de frutos verdes devido aos baixos preços. Em Bom Princípio, teve início a colheita da laranja do Céu, com preços entre R$ 25,00 e R$ 50,00 por caixa de 25 kg. As variedades precoces estão em maturação, com variações na produção devido a fatores de solo, clima e manejo. Há registros de queda prematura de frutos causada por mosca-das-frutas. A laranja de umbigo Bahia apresenta floração fora de época, associada à estiagem seguida de temperaturas elevadas. A colheita da lima ácida Tahiti segue retraída, com preços entre R$ 30,00 e R$ 35,00 por caixa. Em São José do Hortêncio, produtores comercializam bergamotinha verde a R$ 8,00 por caixa, embora parte opte pelo descarte devido ao baixo valor. A colheita da Okitsu atinge 50% da área, com preços entre R$ 30,00 e R$ 40,00 por caixa, enquanto o limão Tahiti é vendido a R$ 40,00 por caixa.

No conjunto das regiões, há aumento de doenças como leprose e cancro-cítrico em pomares sem controle preventivo. Também são observados casos de floração fora de época e frutos fora de padrão, associados ao estresse hídrico. Na safra anterior, a variedade Ponkan deixou de ser colhida em algumas áreas devido a preços abaixo do custo operacional, levando produtores a avaliarem a substituição por outras culturas.





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Chuvas deixam mortos e desalojados em Paraíba e Pernambuco


As fortes chuvas registradas nos últimos dias deixaram cerca de 12,8 mil pessoas fora de suas casas, entre desabrigados e desalojados, além de oito mortos, nos estados de Paraíba e Pernambuco, segundo informações das Defesas Civis estaduais .

Mesmo com uma trégua momentânea, moradores ainda enfrentam dificuldades para retornar às residências. A previsão indica a retomada de chuvas intensas e temporais a partir desta terça-feira (5), mantendo o risco de novos transtornos.

Os governos estaduais reconheceram a situação de emergência e atuam na elaboração de planos para repasse de recursos destinados a ações emergenciais em municípios afetados.

Na Paraíba, conforme boletim do Gabinete de Crise Interinstitucional, mais de 37,4 mil pessoas foram impactadas pelas chuvas. O levantamento aponta 2.400 famílias desalojadas e 895 desabrigadas. Também foram registradas duas mortes na cidade de Guarabira, na última sexta-feira (1º), em decorrência de choque elétrico.

As operações de resgate mobilizaram o Corpo de Bombeiros, que realizou 478 atendimentos e retirou 349 pessoas de áreas de risco, com a atuação de cerca de 1.500 militares, além de viaturas, embarcações, aeronave e drones.

O estado contabiliza 31 municípios em situação de emergência, incluindo a capital João Pessoa, onde, em dois dias, o volume de chuva se aproximou de 70% da média climatológica prevista para todo o mês de maio.

Em Pernambuco, a Defesa Civil registra 9.540 pessoas fora de suas casas, sendo 7.908 desalojadas e 1.632 desabrigadas. Foram confirmadas seis mortes nas cidades de Olinda e São Lourenço da Mata, relacionadas a deslizamentos e inundações.

Na Região Metropolitana do Recife, persistem pontos de alagamento nesta terça-feira (5), dificultando o deslocamento de moradores e levando à suspensão de aulas em instituições de ensino.

De acordo com a Agência Pernambucana de Águas e Clima, os rios Capibaribe e Dois Unas atingiram a cota de alerta, com risco de inundação em cidades como Recife, Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes e São Lourenço da Mata.

O governo pernambucano decretou situação de emergência em 27 municípios, medida que facilita a liberação de recursos e a ampliação das ações de assistência.

Com a previsão de continuidade das chuvas, autoridades alertam para a possibilidade de novos alagamentos e deslizamentos, recomendando que moradores de áreas de risco busquem locais seguros e acompanhem os avisos oficiais.

Com informações do Meteored*





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Preços do algodão avançam nesta 6ª feira e encerram semana com ganhos em…


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Mesmo com baixas expressivas nas cotações do petróleo nesta sexta-feira (17), os preços do açúcar subiram até 2,24% na Bolsa de Nova York, encerrando a semana com ganhos em torno de 5% entre os principais contratos.

Na sessão desta sexta, o vencimento maio/26 avançou 1,70 cent (+2,24%), fechando a 77,40 cents/lbp. O julho/26 subiu 1,69 cent (+2,16%), para 79,82 cents/lbp. O outubro/26 registrou ganho de 1,61 cent (+2,02%), encerrando a 81,12 cents/lbp, enquanto o dezembro/26 também apresentou valorização de 1,51 cent (+1,91%), terminando o dia cotado a 80,50 cents/lbp.

Na comparação semanal, o maio/26 passou de 73,22 para 77,40 cents/lbp, com alta de 4,18 cents (+5,71%). O julho/26 avançou de 75,33 para 79,82 cents/lbp, registrando ganho de 4,49 cents (+5,96%). O outubro/26 subiu de 76,99 para 81,12 cents/lbp, com valorização de 4,13 cents (+5,36%). Já o dezembro/26 saiu de 76,89 para 80,50 cents/lbp, acumulando aumento de 3,61 cents (+4,70%).

Conforme o que explicou o consultor Pery Passotti Pedro, as altas sucessivas se devem a dois fatores: Petróleo e, principalmente, a maior seca no Texas dos últimos dez, talvez vinte anos. “Ainda temos apenas 7% do algodão plantado, mas a condição vai precisar de muita água para ser revertida”, afirmou.

O consultor reforçou que a situação ainda não está resolvida no Oriente Médio, por isso não é possível afirmar que os preços do petróleo seguirão mais baixos, mas certamente, neste momento, a seca é um suporte mais forte do que o do combustível fóssil.

Os preços da energia caíram na sexta-feira depois que o Irã afirmou que o Estreito de Ormuz agora está “completamente aberto” à navegação comercial, abrindo caminho para um acordo de paz para encerrar a guerra e potencialmente liberar milhões de barris de petróleo bruto e combustível retidos no Golfo Pérsico. As perspectivas de um acordo de paz formal também se consolidaram quando Israel e Líbano concordaram com um cessar-fogo de 10 dias na quinta-feira (16). 





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Safra de uva supera expectativa



Safra de uva tem boa qualidade



Foto: Divulgação

Os trabalhos pós-safra da uva avançam na região administrativa de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, conforme o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (30) pela Emater/RS-Ascar.

Segundo o levantamento, “ocorre, na maioria dos vinhedos, o plantio de plantas de cobertura de solo, a recuperação de estruturas, como postes internos e externos, a manutenção e a readequação dos arames de condução e sistematização do solo”. Também continuam os tratamentos fitossanitários após a colheita.

O informativo destaca que, na safra 2025/2026, “a quantidade colhida ficou acima do normal, além de apresentar excelente qualidade”. Ainda de acordo com o relatório, os dados consolidados de produção e qualidade deverão ser divulgados nas próximas semanas por entidades do setor.

As uvas de mesa seguem em colheita, com preços recebidos pelos produtores variando entre R$ 7,50 e R$ 12,00 por quilo.





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Alta do enxofre pressiona uso de fosfatado no país


A alta recente do Enxofre no mercado internacional colocou sob pressão a competitividade do Superfosfato Simples, fertilizante fosfatado de ampla adoção no Brasil. Segundo Antonio Prado G. B. Neto, consultor do agronegócio, o avanço do insumo para níveis próximos de US$ 1.000 por tonelada muda de forma significativa a conta de produção do SSP.

Historicamente, o produto se consolidou entre os produtores brasileiros por reunir fósforo solúvel, cálcio e enxofre, além de apresentar baixo custo por hectare e boa adaptação a sistemas extensivos. Em períodos de enxofre barato, essa combinação sustentava a lógica econômica do fertilizante. O cenário atual, porém, impõe uma revisão dessa vantagem.

Para produzir uma tonelada de SSP, são necessários cerca de 300 a 350 quilos de enxofre. Com o insumo cotado a US$ 1.000 por tonelada, apenas esse componente passa a representar entre US$ 300 e US$ 350 no custo de produção de cada tonelada do fertilizante. Nesse patamar, a viabilidade industrial fica mais pressionada, com possibilidade de redução ou paralisação de plantas, como indicado no caso da Mosaic, e consequente perda de oferta no mercado.

O movimento também remete ao choque de 2008, quando o enxofre disparou durante o pico das commodities. Naquele período, a indústria, incluindo a Bunge Fertilizantes, enfrentou estoques caros, enquanto o mercado mudou rapidamente, deixando prejuízos nos balanços por meses. A principal lição apontada é que o risco não está apenas na alta dos preços, mas também na volatilidade.

Entre 2000 e 2007, o enxofre ficou em torno de US$ 20 a US$ 50 por tonelada, em um mercado equilibrado. Em 2008, saltou para US$ 600 a US$ 800. De 2009 a 2019, voltou a uma faixa mais previsível, entre US$ 50 e US$ 150. No ciclo de 2020 a 2022, avançou de US$ 80 para US$ 400, influenciado por Covid, ruptura logística e guerra na Ucrânia. Após oscilar entre US$ 100 e US$ 180 em 2023 e 2024, chegou em 2025 a até US$ 1.000 por tonelada.

Com a mudança de cenário, agrônomos e agricultores tendem a buscar fontes mais concentradas e alternativas de fósforo, como MAP, fosfatos reativos e fosfatos naturais. O manejo também deve exigir maior eficiência agronômica, solos bem corrigidos e uso mais relevante de calcário. O SSP não desaparece, mas perde parte da lógica histórica de competitividade que o tornou acessível no passado.

 





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Preços tornam sulfato mais competitivo



A relação de troca entre o milho e o nitrogenado também apresentou uma queda


A relação de troca entre o milho e o nitrogenado também apresentou uma queda relevante
A relação de troca entre o milho e o nitrogenado também apresentou uma queda relevante – Foto: Divulgação

O mercado de fertilizantes nitrogenados atravessa um momento de ajustes, com mudanças na competitividade entre produtos e atenção redobrada ao cenário internacional. Segundo Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, o sulfato de amônio registrou correções de preço na semana passada e passou a se mostrar mais competitivo em relação à Ureia.

A relação de troca entre o milho e o nitrogenado também apresentou uma queda relevante, o que melhora parcialmente a condição de compra para o produtor. Ainda assim, o indicador permanece mais de 10 sacas acima do patamar pago no mesmo período do ano passado, mantendo a pressão sobre as margens no campo.

Nesse contexto, o sulfato de amônio tem ganhado espaço como uma das alternativas avaliadas pelo produtor na escolha do nitrogenado. A atratividade atual, porém, vem acompanhada de incertezas. Um dos pontos observados é que não há clareza sobre por quanto tempo o sulfato permanecerá descontado em relação à ureia.

Outro fator de atenção é a dependência total do Brasil em relação à China para o fornecimento do produto. Em determinados momentos, mudanças no comportamento do mercado chinês podem surpreender os compradores brasileiros. Atualmente, o sulfato no Brasil apresenta um bom desconto até mesmo em comparação com os preços praticados na própria China, o que reforça a percepção de oportunidade, mas também exige cautela.

No mercado internacional, o Egito anunciou uma tarifa de exportação para a ureia. O país é um grande exportador de nitrogênio, e a medida entra no radar dos agentes do setor em um momento em que a liquidez no Brasil segue muito baixa.

Para o inverno, a expectativa é de forte retração na área de trigo no país. Rio Grande do Sul e Paraná, principais produtores nacionais, devem reduzir de forma significativa o plantio, o que pode influenciar a demanda por nitrogenados ao longo da temporada.

 





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EUA ainda precisam importar ureia



O volume chama atenção porque a ureia é um dos principais fertilizantes


O volume chama atenção porque a ureia é um dos principais fertilizantes
O volume chama atenção porque a ureia é um dos principais fertilizantes – Foto: Canva

O mercado norte-americano de fertilizantes segue atento ao ritmo das compras externas de Ureia, em um momento em que o atraso nas importações pode ampliar a pressão sobre o abastecimento interno. A avaliação é de José Carlos de Lima Júnior, sócio da Markestrat Group e cofundador da Harven Agribusiness School, com base em dados divulgados no início da tarde.

As informações indicam que os produtores dos Estados Unidos ainda não avançaram o suficiente nas importações do insumo. Segundo estimativas da CRU Group, o país precisaria trazer do exterior cerca de 600 mil toneladas de ureia para atender à demanda prevista.

O volume chama atenção porque a ureia é um dos principais fertilizantes nitrogenados usados na agricultura, e atrasos nas compras podem aumentar a sensibilidade do mercado a oscilações de preço e disponibilidade. No caso americano, o ponto central está no comportamento dos importadores, que têm demonstrado cautela para fechar novos pedidos.

Essa hesitação estaria ligada à expectativa de melhora no cenário global. Parte dos compradores trabalha com a possibilidade de que uma eventual acomodação das condições internacionais resulte em preços mais favoráveis. Com isso, decisões de compra acabam sendo postergadas, mesmo diante da necessidade de recomposição do abastecimento.

A leitura apresentada aponta que esse otimismo depende, em parte, de uma melhora no ambiente diplomático internacional. O contexto citado envolve a confiança de agentes americanos na condução política do governo Donald Trump em relação a tensões globais, especialmente no caso do Irã. A percepção, porém, é tratada com cautela, diante da instabilidade do cenário e das sucessivas sinalizações sobre avanços em negociações.

Enquanto isso, a necessidade estimada de importação permanece como um fator relevante para o mercado. Caso os pedidos continuem atrasados, os Estados Unidos poderão ter de acelerar compras em um ambiente ainda sujeito a incertezas, o que mantém a ureia no foco das atenções do setor agrícola.

 





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